terça-feira, 26 de março de 2019

Para você que acha que o golpe de 64 deve ser comemorado

Enquanto o país vive uma crise e absorto em debates como a Reforma da Previdência, o ocupante do cargo maior do executivo propôs celebrar o golpe de 64 e tem gente vibrando com isso. 

Nós nem iriamos entrar neste discussão por acreditarmos já ser um pressuposto que isso seria um absurdo por si só, mas ao percebermos um eco no apoio a comemoração dessa mancha em nossa História, resolvemos deixar esse vídeo aqui para lembrarmos porque esta data não deve ser comemorada, mas sim enterrada em nossa História.

Reflita!



terça-feira, 19 de março de 2019

OCDE ou OMC? Que escolha o Brasil deveria fazer?

No encontro entre presidentes dos EUA e Brasil, o atual residente da Casa Branca deu uma declaração dizendo que apoiaria a entrada do Brasil na OCDE, caso desistíssemos da OMC e da posição privilegiada que nós temos. Mas, na prática, o que isso significa?

Vamos por partes. 

A OMC (Organização Mundial do Comércio) da qual o Brasil faz parte, funciona como uma espécie de agente regulador de transações comerciais entre países. Também atua em casos onde um país, que faça parte da OMC, pode se queixar de outro caso ache que esteja sendo lesado em alguma parte do seu acordo. A dissidência entre os dois países é resolvida de forma diplomática pela OMC que busca uma solução satisfatória para ambos. 

Na OMC, o Brasil possui um protagonismo devido a sua política de aproximação com os países emergentes ou periféricos, o que alguns autores chamam de política sul-sul. Vale destacar também que o nosso país possui uma posição privilegiada na OMC que nos garante prazos maiores e flexibilidades em relação a compromissos firmados. 

Apesar da grande maioria dos membros da OMC serem de países em desenvolvimento ou periféricos, países centrais como o Japão também participam do órgão. Os EUA são contra e não participam da organização. 

Já a OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), é tida como o "clube dos ricos". Dela participam, em sua maioria, países centrais que discutem políticas públicas e econômicas que visam nortear seus membros sobre medidas que podem tomar. 

Os países que participam da OCDE contribuem financeiramente para o órgão, mas em contrapartida ganham um selo da organização que pode atrair investidores.

Depois dessa (rasa) diferenciação, podemos começar a entender os interesses do presidente norte-americano em nossa saída da OMC e entrada na OCDE. 

Em primeiro lugar, ao sair da OMC, perderíamos um protagonismo que foi construído nas últimas duas décadas e que alavancou o nosso país no cenário mundial, principalmente com a nossa aproximação com outros países emergentes, o BRICS pode ser um exemplo disso, bem como com países centrais e periféricos, o que reduziu nossa dependência e influência dos EUA. 

Entrar na OCDE, nos tornaria o "últimos dos primeiros", já que países centrais estão em maioria no bloco, o que retiraria nosso protagonismo e nos colocaria na posição de coadjuvante na qual custamos séculos para nos afastarmos dela. 

Outro ponto é que, como dito anteriormente, a OMC funciona como uma espécie de regulador em caso de disputas comerciais entre país, buscando uma solução que agrade aos envolvidos. Na OCDE tal prática não existe e o país que se sentir lesionado terá que se submeter ao acordo feito, sem poder questioná-lo posteriormente. 

Aliás, isso nos conduz ao início deste século quando a tentativa de criação da ALCA (Associação de Livre Comércio das Américas) naufragou pois esse mesmo EUA que pede nossa saída da OMC queria que todos os países retirassem suas barreiras alfandegárias, mas mantinha subsídios a seus produtores locais, o que praticamente tornava desleal a competição dentro do mercado norte-americano entre produtos locais e importados. A laranja foi um exemplo disso. 

Além disso, também podemos citar outro fator relevante relacionamento ao que a OCDE pode oferecer ao nosso país na questão das políticas públicas e econômicas. Os documentos da OCDE são públicos e qualquer um pode consultar; isto significa que podemos ter acesso a esses documentos sem ter que necessariamente ser um membro do órgão. Basta analisá-los e adotar aqueles que mais se adequam aos nosso interesses. 

Há também que se pensar que todo membro da OCDE deve contribuir com a organização, financeiramente falando. Dito isso, como um país que acabou de cortar gastos em saúde e educação, vai destinar seus recursos para "pagar a mensalidade" de um órgão?

Isto posto, a nosso ver, parece que as intenções do presidente norte-americano com a nossa saída da OMC e entrada na OCDE seriam a de reduzir a pó o protagonismo que conquistamos ao longo de quase duas décadas, retornando a posição de meros subalternos da economia estadunidense, reduzindo inclusive nossa influência até na América do Sul. E do jeito que o nosso presidente não pode ver um americano que já bate continência... Não duvidamos nada que isso aconteça... 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Mundo está mais "verde", mas ainda preocupa

Esta semana foi divulgado um estudo realizado pela NASA que acompanhou, com imagens de satélites, o planeta nos últimos 20 anos e que nos revelou o aumento de áreas verdes, especialmente na China e na Índia.

Essas áreas aumentaram consideravelmente nas duas últimas décadas, a ponto de chegar a área de cobertura da floresta Amazônica, por exemplo. Mas essa área verde não significa necessariamente o aumento de florestas, mas também de áreas agrícolas "verdes".

Esse aumento se deve a programas de conservação e expansão das florestas na China, ao passo que os indianos respondem mais pelo aumento de suas áreas agrícolas verdes. 

Apesar dos dados serem motivos de comemoração, ainda há muito o que se fazer para tentar arrefecer o quadro de aquecimento global que vivemos. Isso porque o aumento das florestas na China e Índia em nada interfere ou ameniza no desmatamento da Amazônia, por exemplo. 

Também nos chama a atenção o fato de que áreas agrícolas verdes não realizam armazenamento de carbono como as florestas realizam; algo de extrema importância quando se fala em redução de gases estufa e, consequentemente, agravamento do aquecimento global. 

Apesar disso, os dados não devem ser desmerecidos e o esforço de ambos os países deve ser ovacionado e seguido por outros. Quem sabe, assim como os chineses, nosso percentual de floresta amazônica e outros domínios florestais também não voltem a crescer? 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Questão da Caxemira volta à cena depois de 30 anos de calmaria

Uma questão que já dura pra lá de seus 70 anos na Ásia volta a preocupar não só a região, como o mundo inteiro. 

A Caxemira (mapa abaixo), região fronteiriça entra Índia, Paquistão e China, sempre foi um dos espinhos entre os dois primeiros países citados. E essa questão já é bem antiga, como dissemos anteriormente. 

Com a independência do "mundo indiano" a Índia era "cercada" por dois "paquistões", o ocidental e o oriental. O Ocidental se tornou o atual Paquistão enquanto o Oriental se tornou Bangladesh. Com a independência deste último, milhares da paquistaneses se mudaram para o atual Paquistão, mais notadamente para a Região da Caxemira. 

Entretanto as diferenças religiosas entre os dois países promoveram uma série de episódios, muitos deles conflituosos, envolvendo exatamente a região em questão. Algo que seria uma disputa local, acabou ganhando a atenção do mundo pelo fato dos dois lados possuírem armas nucleares (herança da guerra fria). Então, toda vez que alguma tensão ocorria entre os dois países, os demais corriam para acalmar os ânimos e assim evitar um possível confronto nuclear. 

Nos últimos 30 anos, os dois países enfrentaram um certo período de paz, mas isso durou até um atentado que vitimou fatalmente mais de 40 policiais indianos na região da Caxemira. O atentado foi reivindicado por um grupo terrorista que, segundo o governo indiano, possui o apoio de Islamabad.

Diante deste atentado, a ONU já se pronunciou externando sua preocupação em relação a este episódio, temendo que uma escalada de violência ocorra na região, principalmente porque já houveram confrontos logo após o ocorrido. O medo aqui é o mesmo de 70 anos atrás e continuará pelos próximos 70 anos ou mais: uma guerra nuclear entre dois países que terá consequências mundiais.  


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/reuters/ult112u16171.shtml

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

4 anos depois e o que mudou?

4 anos se passaram desde Mariana e o que mudou? Absolutamente nada! 

Continuamos explorando nossos recursos naturais sem o mínimo de cuidado e com uma fiscalização risível que levou a mais um acidente de incalculável perda não só ambiental como humana. 

Mais uma vez, assistimos perplexos vidas serem levas pelo descaso, pela negligência e por uma série de erros e ausências que nem por uma tragédia anterior foram sequer alcançadas por uma tentativa de esboço de um controle de exploração dos recursos ambientais do nosso país de forma mais efetiva. 

Nem mesmo a tragédia de Mariana levou as autoridades a tomarem providências em relação não só as barragens de rejeito de minérios, mas a toda e qualquer questão ambiental que mereça atenção especial por parte dos órgãos fiscalizadores. Isso se reflete em dados da ANA que mostram que em 2017 apenas 3% das barragens no Brasil foram fiscalizadas

Como se não fosse pouco, a técnica utilizada pela Vale para armazenagem dos rejeitos era simplesmente a mais barata possível. Consequentemente não é difícil de imaginar que também é a mais frágil. 

E não há justificativa para o que ocorreu. Por mais caro que seja o dinheiro remanejado para que os órgãos responsáveis façam sua fiscalização de forma eficiente; não se comparada as tragédias sofridas por nós em menos de 5 anos. 

Perda de vidas humanas, destruição de patrimônio, perda de biodiversidade, perda de áreas agricultáveis, degradação ambiental em larga escala, levando décadas para se recuperar ou, muita das vezes, de forma irreparável, compõem uma lista imensa de perdas incalculáveis que a negligência da fiscalização ambiental em nosso país não poderá reaver jamais. 

Enquanto isso, existem pessoas que ainda tem a audácia de dizer que o IBAMA é uma indústria de multa. Algo que pode esvaziar ainda mais o poder de combate de um órgão que parece ter sido engavetado e que raras vezes mostra serviço; seja por falta de investimento, seja por corrupção ou mesmo negligência. 

Entretanto, mais uma vez, vemos o nosso país inteiro de comover com o fruto do descaso e falta de uma fiscalização mais efetiva, chancelado por anos de parco investimento em um órgão que deveria ser de fundamental importância para o nosso país, mas que é tratado como um parente que raramente é lembrado por alguém. 

No meio disso tudo, a música composta para o desastre de Mariana, infelizmente, mais uma vez, se torna o retrato de mais uma tragédia ambiental. 

E o questionamento permanece: Até quando desastres como esses continuarão acontecendo sem que nada seja feito, de fato, para preveni-los?