segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Guerra Comercial... Outra crise a caminho ?

Durante a reunião dos G-20 que ocorreu nos dias 11 e 12 desse mês, muito se foi discutido sobre a guerra comercial entre China e EUA que pode, e com certeza vai, afetar o planeta inteiro. Os EUA pressionam a China para que valorize sua moeda com mais rapidez ao passo que o mesmo se defende alegando que isso poderia desestabilizar sua economia e levar ao desemprego milhões de trabalhadores, no meio disto outra questão se coloca: a valorização das moedas dos países emergentes frente ao dólar, que ocorrera quando os EUA injetaram capital em sua economia favorecendo assim os especuladores a investirem, colocando assim dólares nas economias emergentes, valorizando as moedas desses países. 
Diversos países já vêm tomando medidas preventivas para evitar que a sua moeda local se valorize frente a moeda norte-americana a fim de evitar justamente o seu diferencial na economia que é a moeda desvalorizada em relação ao Dólar.
Ao que tudo indica, está sendo bem complicado chegar a um denominador comum pois cada parte possui um interesse diferente e tentar chegar a um acordo multilateral parece cada vez mais inviável. 

Tóquio, Japão, 9/11/2010 – A capacidade de liderança da Coreia do Sul passará por um duro exame esta semana quando for anfitriã da cúpula do Grupo dos 20 (G-20) países industrializados e emergentes, em meio a uma guerra de divisas que sacode as relações entre seus membros. Nos últimos meses, países como Brasil, Japão e Tailândia viram com preocupação como suas moedas se valorizaram diante do dólar, o que afeta sua competitividade.
A China, por sua vez, foi alvo de forte pressão por parte de Washington e outros governos para que permita que o yuan se valorize mais rápido. Ao mesmo tempo, países em desenvolvimento observam cuidadosamente os Estados Unidos, sobretudo após a decisão do Federal Reserve, na semana passada, de comprar bônus do Estado para despejar US$ 600 milhões em sua economia, medida que poderia enviar ainda mais capital especulativo para as nações emergentes.
As economias asiáticas atraem capital devido ao seu contínuo crescimento, com previsões de que chegue este ano a 9,4% no total, muito mais do que os índices de expansão estimados para os países industrializados. Os atritos surgidos nesse ambiente financeiro colocarão à prova os vínculos que unem o G-20, cujas economias de seus membros têm diferentes tempos de evolução e enfrentam interesses que se contrapõem. A cúpula acontecerá nos dias 11 e 12 deste mês, em Seul.
“Não quero jogar água fria na cúpula, mas a situação está em nível de crise”, alertou o economista sul-coreano Satoshi Okuda, do Instituto de Economias em Desenvolvimento “A menos que Pequim e os Estados Unidos encontrem uma saída para encarar o superávit comercial do primeiro e o déficit comercial do segundo, não será alcançado um verdadeiro progresso”, afirmou.
As declarações de Okuda apontam para o enfrentamento principal: as tensões entre Estados Unidos e China, e também coincidem com a preocupação de várias economias em desenvolvimento de que um manejo ruim por parte de Pequim de seus novos desafios financeiros pode causar uma grave instabilidade na economia mundial. A China se converterá, em 2020, no principal sócio comercial de cada país asiático, segundo previsão da empresa de serviços financeiros PricewaterhouseCoopers.
Pequim goza de forte superávit comercial e resiste à pressão internacional para permitir que o yuan se valorize mais rápido, argumentando que isso afetaria suas exportações e causaria instabilidade social se milhões de seus trabalhadores forem despedidos como consequência. Já a dívida pública dos Estados Unidos chega a 95% de seu produto interno bruto (PIB). Agora Washington depende cada vez mais de credores externos, incluindo a China, para se manter acima da água.
Enquanto continuam as tensões entre esses dois países, as economias emergentes sentem o impacto da entrada de capital de curto prazo na valorização de suas moedas e sofrem crescentes protestos de seus exportadores, preocupados pela competitividade de seus produtos. Na Ásia, o iene japonês foi a moeda mais afetada pela valorização, atingindo um máximo em 15 anos frente ao dólar em agosto, o que levou o Banco Central japonês a intervir no mercado de divisas pela primeira vez em seis anos.
Enquanto isso, o baht tailandês atingiu seu pico máximo em 13 anos frente ao dólar. Diante disso, países como Coreia do Sul, Indonésia e Tailândia adotaram uma série de medidas para proteger suas economias da entrada excessiva de dólares. Em outubro, o governo tailandês impôs uma retenção fiscal de 15% aos investidores estrangeiros que comprarem seus bônus, enquanto acompanha bem de perto sua moeda, que gira em torno de 29,6 por dólar.
Por sua vez, as autoridades sul-coreanas anunciaram uma auditoria nas instituições financeiras que trabalham com derivados de moedas estrangeiras, para minimizar a volatilidade causada pelos fluxos de capital. Também no mês passado, o Brasil aumentou para 6% o imposto sobre operações financeiras – que recai sobre capital estrangeiro destinado a renda fixa e a operações na Bolsa. O real foi valorizado 12% desde julho.
O ministro das Finanças do Japão, Yoshihiko Noda, defendeu a intervenção para manter a moeda local. “O Japão, com superávit de conta corrente, poderia ser pressionado a permitir maior valorização do iene”, disse o jornal Daily Yomiuri em um editorial de outubro, apoiando os controles. Muitos duvidam que o G-20 possa efetivamente manejar estas tensões em nível multilateral já que, embora represente 80% do comércio mundial, trata-se de um grupo não vinculante, ao contrário de outras instâncias formais de negociação.
Criado em 1999, para dar mais voz às economias em desenvolvimento na governança econômica global, os membros do G-20 são África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Rússia, Turquia e União Europeia.
O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse esperar que o grupo dê “um passo adiante e chegue a um compromisso” para criar pautas sobre as taxas de juros e estabelecer “diretrizes” para avaliar as contas correntes dos países-membros. Uma das propostas é a criação de um teto de 4% do PIB tanto para o déficit quanto para o superávit de conta corrente.
A situação é semelhante a um vulcão latente, disse o analista financeiro internacional Euh Yoon-dae ao jornal The Korea Herald. Ele disse que a insistência dos Estados Unidos para que a China contenha suas exportações e mude sua política monetária deve ser temperada pela realidade de que uma queda do crescimento chinês poderia afetar sua capacidade de comércio com América Latina, China e Europa, que tanto necessitam essas regiões. “Um cenário assim é muito tenebroso, pois somente causaria uma paralisação econômica mundial”, alertou.

Extraído de cartacapital.com.br

Além da França... O G-20

Essa semana o presidente francês Sarkozy assumiu também a presidência do G-20. A presidência do grupo dos 20 países mais ricos do mundo caiu como uma luva para o presidente. Com a popularidade em baixa em seu governo, o presidente pode tentar se recuperar perante sua nação atuando no G-20, já que o seu mandato como presidente da cúpula acaba  exatamente um pouco antes das eleições presidenciais. Deve ser pensando nisso que o presidente vem com propostas audaciosas por assim dizer, como a substituição do Dólar como parâmetro cambial e tentar amenizar os conflitos entre China e EUA ante a guerra fiscal que travaram em nome da famosa competitividade. Fato é que se o presidente conseguir esses feitos fará um bem não só a sua imagem como ao mundo, mas, venhamos e convenhamos, se está difícil pra ele conseguir administrar a França, que dirá conseguir implementar propostas em um grupo tão diverso e com interesses tão distintos quanto o G-20.
É esperar pra ver...

Seul, 13 nov (EFE).- A França assume neste sábado a Presidência rotativa do G20 com um ambicioso programa por parte do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o desafio de implantar complexas propostas estipuladas esta semana em Seul.
Além disso, o G20 terá que enfrentar uma possível expansão da crise de dívida pública suscitada na Irlanda e que poderia chegar a países como Espanha, Itália, Portugal e Grécia.
Sarkozy saiu vitorioso na sexta-feira quando seu colega sul-coreano, Lee Myung-bak lhe ofereceu o bastão ao afirmar que a "França já contribuiu para o consenso" do grupo que integra os países mais desenvolvidos e os emergentes após a assinatura de um documento de intenções, que não serão concretizadas até 2011.
Ao contrário da Presidência do G8, que a França assumirá em janeiro, a do G20 se obtém mediante um calendário negociado. Dessa forma, alguns analistas acham que o presidente francês pretende se apoiar em sua projeção internacional para distrair a atenção da oposição social, que sofre por seu plano de previdência, e conseguir a reeleição em 2012.
"Em uma escala de dificuldade, o G20 é mais difícil (que a Presidência da UE em plena crise de 2008), sem dúvida. As diferenças em cultura, vínculos, história e interesses são maiores comparadas com as europeias", disse em Seul no fechamento da cúpula que girou em torno das tensões entre China e Estados Unidos por seus problemas cambiais.
O presidente francês anunciou que durante sua Presidência não vai dizer aos países do grupo o que precisam fazer.
A agenda do G20 para a Presidência francesa inclui um compromisso para evitar as desvalorizações competitivas e trabalhar para reduzir os desequilíbrios mundiais uma vez identificadas, em 2011, as distorções que afetam cada país, além de uma série de normas para que os bancos paguem por seus resgates.
O documento também inclui os perigos de uma escalada de desvalorizações competitivas e de fluxos de capital volátil, além de um dos 12 objetivos mais ambiciosos apresentados por Sarkozy em agosto para sua agenda presidencial do G20: acabar com o predomínio do dólar como moeda de referência de reservas e buscar divisas alternativas.
A agenda de Sarkozy "é de uma ambição sem igual", disse à Agência Efe John Kirton, codiretor do grupo de pesquisa do G20 da Universidade de Toronto, e presente na cúpula de Seul.
Esta ambição "é gaullista", acrescentou Kirton em referência ao líder Charles de Gaulle, que transformou o ouro, maior parte das reservas francesas, em dólares, uma medida que acelerou em 1971 o abandono do uso do metal para definir taxas de câmbio em favor da moeda americana.
A substituição do bilhete verde como divisa de referência é uma das duas propostas mais atrevidas do presidente francês para o G20; a outra é a reforma do Conselho de Segurança da ONU, segundo Kirton.
Sarkozy disse, em agosto, que afrontará os objetivos com os quais o grupo se comprometeu em Pittsburg (EUA), em 2009, já que, embora o trabalho fosse "importante e a credibilidade do G20 dependesse dele", não parecia suficiente.
"Paradoxalmente, vai ser mais fácil ser atrevido", assegurou, e esboçou uma dúzia de propostas, como as duas mencionadas, e outras entre as quais estão incluídos o reforço de mecanismos de gestão de crise com diretrizes multilaterais e a criação de um novo mecanismo de consulta de divisas além do grupo de ministros de finanças e governadores de bancos centrais do G7.
Outras propostas são regular os preços das matérias-primas para evitar a especulação, criar ferramentas para que os países importadores se protejam contra a volatilidade das divisas, uma reforma de gestão do G20 que inclua um secretariado, o desenvolvimento global, normas de boa conduta e melhores práticas para a ajuda pública.
E também um imposto para transações financeiras, enfrentar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e o problema da mudança climática abordado na cúpula de Copenhague.
Caso consiga avanços em algum destes objetivos, Sarkozy pode renovar o apoio popular quando terminar sua Presidência do G20, justo antes das eleições na França.
A proposta do presidente francês de uma aliança de segurança com a Rússia é vista por Washington como uma desestabilização contra sua suposta hegemonia, que lembra a Guerra Fria.
A Presidência francesa do G20 acaba com a cúpula que será realizada em Nice, no final de 2011.

Extraído de msn.com.br  

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Os resquícios do terremoto no Haiti

O terremoto que devastou o Haiti ainda deixa suas sequelas e, infelizmente, isso permanecerá por um longo tempo. Não bastasse o terremoto, agora uma epidemia de cólera assola o país que vive praticamente um caos. Como se já não fosse pouco o país ainda está em ano eleitoral. A recuperação parecesse de longo prazo, ainda mais se tratando do país mais pobre das américas. Mas se realmente os governos que querem ajudar, o fizerem sem nenhum interesse (que é o que não vem acontecendo, pois os países que oferecem ajuda o fazem em troca de algum benefício fiscal que, por sua vez, anda quebrando sumariamente a economia local) essa reconstrução não demore tanto e o país que é tão castigado possa se reerguer de fato.

Madri, 5 nov (EFE).- A reconstrução do Haiti demorará pelo menos 20 anos, afirmou nesta sexta-feira o ministro de Turismo, Patrick Delatour, enviado especial do Governo haitiano à assembleia anual do Clube de Madri, que celebra na capital espanhola uma sessão especial dedicada à reconstrução e ao desenvolvimento democrático do país.
Estava previsto que o atual primeiro-ministro do Haiti, Jean Max Bellerive, fosse ao encontro dessa organização internacional, composta por mais de 70 chefes de Estado e do Governo de 50 países, mas ele enviou o ministro em seu lugar por causa da epidemia de cólera e da ameaça do furacão "Tomas" no país.
Delatour analisou junto a 30 membros do Clube de Madri a complicada situação que seu país enfrenta desde o terremoto de 12 de janeiro, que deixou mais de 220 mil mortos e destruiu a maior parte de sua infraestrutura.
O encontro também serviu para debater as eleições de 28 de novembro, que desperta a desconfiança da comunidade internacional em relação ao processo político e aos sucessivos Governos.
Segundo Delatour, o país "está disposto a superar" esses desafios no próximo pleito.
"Convidamos todos a acompanhá-lo, para que não restem dúvidas sobre seu processo e sua legitimidade", disse em entrevista coletiva.
O Clube de Madri será um dos responsáveis por assessorar o atual Executivo haitiano no processo eleitoral.
Seu presidente, Wim Kok, afirmou nesta sexta-feira que a intenção da organização é garantir eleições "justas, equitativas e livres".
"Não há desenvolvimento que seja bom se as instituições não funcionam", disse Kok.
Apesar das dramáticas consequências do terremoto e da cólera no país, o Haiti está otimista em relação à sua reconstrução, porque "o novo Governo não começará do zero", segundo Delatour.
O novo Governo deverá apostar na "continuidade das ações que estão sendo realizadas", ressaltou.
"Durante os próximos cinco anos terão que ser estabelecidas prioridades e o povo terá que ser consultado para que se elabore em conjunto um programa de reconstrução", disse o ministro. EFE

Extraído de msn.com.br

Sim ! Poderia ser pior...

Semana que vem sairá um livro escrito por Bush (sic) que já começou bem... Em uma das passagens do livro, seu autor confidencia que pensou em atacar a Síria a pedido de Israel sob o pretexto de que havia em seu deserto oriental uma base para fabricação de armas nucleares que, ainda segundo Bush, fora desmontada posteriormente pela própria Israel.
É brincadeira não ? Não contente em fazer todas as cagadas que fez durante a sua "Era" por um motivo totalmente ridículo tanto o de fachada quanto o de verdade (onde pra ele era controlar os poços de petróleo, mas para o mundo foram as armas nucleares que nunca foram encontradas) ainda revela que haviam mais coisas por vir. 
Como dizem, perdeu uma ótima oportunidade de ficar quieto... (pior que ainda vai ter fanático que  vai comprar esse lixo e vai achar um máximo)

WASHINGTON (Reuters) - O ex-presidente norte-americano George W. Bush diz ter considerado ordenar um ataque militar dos EUA contra uma suposta instalação nuclear síria a pedido de Israel em 2007, mas por fim optou por não fazê-lo.
Israel acabou destruindo a instalação, que a Síria negava ter como objetivo o desenvolvimento de tecnologia para fabricar armas nucleares.
Em seu livro de memórias, chamado 'Decision Points' (Pontos de Decisão, em tradução livre), que deve chegar às livrarias na terça-feira, Bush diz que, pouco depois de ter recebido um relatório da inteligência sobre uma 'instalação suspeita e bem escondida no deserto oriental da Síria', falou por telefone com o então primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert.
'George, eu lhe peço que bombardeie o complexo', disse Olmert a Bush, de acordo com o livro. Uma cópia do texto foi obtida pela Reuters.
Bush afirma ter debatido sobre as opções com sua equipe de segurança nacional. Uma missão de bombardeio foi considerada, mas 'bombardear um país soberano sem advertência ou justificação anunciada poderia criar um grave revés', escreve ele.
Discutiu-se a possibilidade de uma operação sigilosa, mas foi considerado um risco muito grande entrar e sair da Síria com uma equipe sem que ela fosse detectada.

Extraído de msn.com.br

Novos índices, praticamente o mesmo resultado

A ONU em função do aniversário de 20 anos do cálculo do IDH (índice de desenvolvimento humano, que baseado em medições como índice de escolaridade, renda per capta, taxa de natalidade, taxa de mortalidade, etc) resolveu modificar as contas para obtenção da taxa que agora conta com o:

  • Ìndice de desenvolvimento humano ajustado à desigualdade (IDHD) - ao invés de considerar apenas as médias, leva também em consideração a distribuição dos recursos seja em saúde, educação ou rendimento.
  • Pobreza multidimensional - que são os vários reflexos que uma população sofre, de forma simultânea, em decorrência da pobreza relacionados a questões como dificuldades em acessar  saúde e educação, e em possuir saneamento básico de qualidade.
  • IDG - índice de desigualdade de gênero 

Apesar do Brasil ter mostrado uma evolução significativa na escala do IDH, não há muito o que comemorar pois fica complicado comparar com os anos anteriores pois os parâmetros utilizados não são os mesmos. Mas mesmo com a melhora ainda há muito o que fazer, principalmente com relação a desigualdade de gênero e racial em nosso país que, apesar de certa melhora ao longo dos anos, ainda está longe de ser extinguida  tanto do nosso país quando do mundo, infelizmente.



O Brasil foi o país que mais avançou no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) preparado pelo Programa das Nações Unidas para Desenvolvimento (PNUD). Foram quatro pontos a mais em comparação a 2009. Um desempenho significativo, sobretudo diante do cenário de estagnação revelado pelo estudo. Dos 169 países analisados, 116 mantiveram a posição apresentada em 2009 e 27 tiveram desempenho pior. Além do Brasil, somente outros 25 conseguiram melhorar a classificação, de acordo com o relatório, que foi divulgado hoje.
Apesar do crescimento, o País ainda apresenta traços importantes de desigualdade tanto de gênero quanto social. No documento deste ano, o Brasil passa a ocupar a 73ª colocação, desempenho suficiente para que integre grupo de países de desenvolvimento humano elevado. O índice analisa indicadores de desempenho de países em três áreas: saúde, educação e rendimento. Este ano, indicadores usados e a forma de cálculo para chegar ao índice mudaram. A escala, no entanto, permanece: varia de 0 a 1. Quanto mais próxima de um, melhor a situação do país.
O Brasil alcançou índice 0,699. Noruega, a primeira colocada, 0,938. O pior indicador foi do Zimbábue: 0,140. São quatro classificações: o grupo com nota mais alta é classificado como de desenvolvimento humano muito elevado. Em seguida, vêm os de desenvolvimento humano elevado, os de desenvolvimento humano médio e, por fim, os de desenvolvimento humano baixo. A mudança ocorre no aniversário de 20 anos do relatório. 'Os critérios de desenvolvimento humano mudam.
A ideia foi usar indicadores mais sensíveis a essas mudanças', explica o economista Flávio Comim, do Pnud. A alteração deste ano fez com que índices de vários países, incluindo o Brasil, despencassem em relação ao ano passado. 'Mas esses são números que não podem ser comparados. A metodologia é outra, o padrão é outro. É como se estivéssemos usando uma nova régua', compara Comim.
Para poder fazer um acompanhamento histórico, integrantes do programa calcularam o IDH do Brasil da última década seguindo a nova metodologia. 'São esses números que podem ser confrontados. E, por esse aspecto, o Brasil cresceu bastante.' O salto do Brasil se deve ao desempenho apresentado nas taxas de expectativa de vida, renda e escolaridade média de pessoas com mais de 25 anos.
Esperança de vida
A esperança de vida do brasileiro é de 72,9 anos. A média de anos estudados de pessoas com mais de 25 anos está em 7,2. Já o rendimento nacional bruto é US$ 10.607. 'O País cresceu de forma harmônica, em várias áreas. Não foi algo pontual', analisa Comim. Para ele, isso é que contribuiu para o desempenho nacional apresentado este ano fosse significativamente maior do que em 2009.
O que ainda amarra a colocação nacional é a qualidade da educação, avaliada pelo novo índice 'anos de estudo esperados'', uma espécie de expectativa de vida educacional. Ao longo dos últimos cinco anos, o número de anos escolares esperado caiu de 14,5 para 13,8.
Apesar da evolução durante o ano, o Brasil continua a exibir um IDH menor do que a média da América Latina e Caribe, que é de 0,704. A comparação com alguns países vizinhos também é desfavorável. A estimativa é de que um brasileiro viva menos 5,9 anos, tenha média de escolaridade 2,5 anos menor e consuma 28% menos do que uma pessoa nascida no Chile, o 45º no ranking.
Argentina, Uruguai, Panamá, México, Costa Rica, Peru também apresentam melhor classificação: 46º, 52º, 54º, 56º, 62º e 63º, respectivamente. Ao longo da década, o Brasil apresentou um crescimento médio anual de 0,73% no IDH. Um ritmo considerado muito bom. Mas, entre grupo de países de alto desenvolvimento humano, há exemplos de velocidade significativamente maior.
Casaquistão, por exemplo, cresceu 1,51% e Azerbaijão, 1,77%. A Romênia, com ritmo de crescimento de 1,06%, estampa a diferença que tal índice pode provocar. Em 2005, o país dividia com Brasil a mesma colocação. Agora, ele ocupa o 50º lugar no ranking, 22 a frente, portanto, do Brasil. Índices
Na edição deste ano do relatório, o PNUD lançou três índices. Um deles, o Índice de Desenvolvimento Humano ajustado à Desigualdade, em vez de considerar apenas a média dos indicadores, pesa também a forma como é feita a distribuição dos recursos, seja na saúde, na educação ou no rendimento. Quanto maior a desigualdade, maior a perda que país apresenta ria na classificação geral.
Caso tal índice fosse levado em consideração, o Brasil teria uma classificação 15 posições mais baixas do que a alcançada no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). As desigualdades levariam a uma perda de 27,2% no índice geral. A nota cairia de 0,699 para 0,509.
De acordo com novo indicador, a maior desigualdade no Brasil é registrada no rendimento: a perda provocada pelas diferenças nesta área seria de 37,6%. Em segundo lugar, vem a educação, com perda de 25,7%. O menor impacto foi registrado na área da saúde: 16,5%. Os números do relatório, no entanto, mostram que a desigualdade, embora marcante no Brasil, vem caindo na última década.
Caso o IDHD fosse aplicado em 2000, a perda do Brasil seria de 31%. Em 2005, esse índice cairia para 28,5%.
O ranking de desigualdade foi preparado a partir de microdados. Eles permitem uma avaliação mais detalhadas, mas têm um inconveniente: nem todos os países têm informações necessárias. A saída foi reduzir o número de países analisados. Trinta dos 169 países que participaram do IDH ficaram de fora no IDHD por falta de dados.
O segundo novo índice preparado pelo Programa das Nações Unidas mostra que 8,5% da população brasileira sofre vários reflexos da pobreza de forma simultânea, como deficiências na saúde, educação, dificuldades de acesso a serviços de água e esgoto, eletricidade. É a chamada pobreza multidimensional. 'As privações se sobrepõem. A ideia do índice foi verificar a frequência e intensidade dos problemas vividos pela parcela mais pobre da sociedade', explica Comim.
O Índice de Pobreza Dimensional (IPM), como foi batizado, varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, pior a situação do País. Nesta primeira edição, o índice do Brasil foi de 0,039. 'Um valor baixo, em termos internacionais', afirma Isabel Pereira, integrante da equipe que preparou o relatório. Níger, por exemplo, tem 0,642.
O resultado brasileiro, no entanto, é 2,6 vezes maior do que o mexicano e 3,5 maior do que o argentino.
De acordo com esse novo índice, a maior pobreza encontra-se na área da educação: 20,2% das famílias trazem privações nessa área. Em segundo lugar, vem a saúde: 5,2%. O padrão de vida vem em último lugar, com 2,8%.
O terceiro índice preparado pelo PNUD avalia a desigualdade de gênero, o IDG. A desigualdade apresentada nesta área também levaria o Brasil a cair na classificação geral. Em vez do 73º lugar, ele passaria a ocupar o 80º. A nova ferramenta do PNUD para avaliar a desigualdade é feita a partir de cinco indicadores, distribuídos em três dimensões: saúde reprodutiva, 'empoderamento' e mercado de trabalho.
Desses quesitos, taxa de mortalidade materna e fertilidade na adolescência são os que mais pesam para a queda de classificação no Brasil.
Em seguida, vem a participação política. Os índices mostram que 110 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos morrem em decorrência de complicações do parto. Um índice 18 vezes maior do que o primeiro colocado no Índice de Desigualdade de Gênero, Países Baixos: 6 mortes. A enorme diferença se repete nas taxas de fertilidade entre adolescentes. A cada 100 mil mulheres com idade entre 15 e 19 anos, 75,6 engravidam no Brasil. Número 19,8 vezes maior do que o registrado nos Países Baixos: 3,8.
Um único aspecto o Brasil mostra uma desigualdade em favor das mulheres: a taxa de escolaridade. 'Há um porcentual maior de mulheres que completaram o ensino secundário. Mas isso não se reflete na taxa de participação de força laboral', afirma Comim.

Extraído de msn.com.br