sábado, 19 de fevereiro de 2011

Egito Livre - Parte 3 (Israel e Irã e a espera pelo rumo político do Egito)

A questão da mudança pela qual vem passando o Egito que se libertou de 30 anos de ditadura, já ganha implicações em caráter internacional. De olho no andamento dessa questão Irã e Israel esperam ver como se encaminhará o novo governo egípcio para ver como irão "mexer seus palitinhos" em relação a nova liderança que assumir o país. 

A questão se desenha da seguinte forma:
  • Pelo lado dos israelenses a questão se torna um pouco mais delicada, pois a frente de liderança que mais tem adeptos no Egito é de cunho islâmico e, por conta disso, Israel teme que as relações entre os dois países se enfraqueçam, ou até mesmo se percam, e com isso Israel ficaria de certa forma isolado além de perder um parceiro que foi o primeiro a reconhecer Israel. Posto isso Israel já começou a analisar a postura que terá caso esse cenário se concretize e o caminho deve ser o da tentativa de uma conciliação entre as partes, até porque também Israel depende das reservas de gás provenientes do Egito...
  • Pelo lado dos iranianos, assim que a questão egípcia começou a ganhar contornos e eles perceberam que "pela via natural das coisas" é o grupo islâmico que irá assumir já começou a chamar o episódio de "despertar islâmico" tudo para ganhar simpatia junto a este grupo que provavelmente irá assumir o comando do Egito e assim aproximar os dois países.

Resta agora saber o rumo que o Egito tomará para sabermos de fato como ambos os países reagirão. É esperar pra ver...


O premiê israelense, Benjamin Netanyahu, acena aos árabes e promete aceitar construções palestinas em Jerusalém Oriental; o líder religioso iraniano, Ali Khamenei, garante que o protesto no Egito é “despertar islâmico”
Israel e Irã, dois países no Oriente Médio formados por uma maioria de não-árabes, observam com atenção à crise política no Egito. Por um lado, o governo do premiê israelense, Benjamin Netanyahu, teme que a queda da ditadura do egípcio Hosni Mubarak abra caminho para um governo radical islâmico que dê fim ao tratado de paz entre Israel e Egito, um dos poucos países árabes que reconheceu suas fronteiras. Por outro, de olho na oposição interna, o regime islâmico do Irã tenta convencer o mundo de que a onda de protestos no Egito se deve “ao acordar do Islã” no Oriente Médio. “Os faraós costumam ouvir a voz da nação quando já é muito tarde”, disse no fim de janeiro o líder da oposição iraniana, Mir Hossein Mousavi, para quem o atual sistema em Teerã também correria o risco de ser derrubado.
Procurado pela Carta Capital, o analista iraniano residente em Tel Aviv, Meir Javendanfar, destacou que o fato de milhares de egípcios desafiarem as forças de segurança e irem para as ruas para exigir mais posto de trabalho “deve ter deixado os líderes iranianos nervosos”. “A situação econômica no Irã está se deteriorando. Mudanças recentes no programa de subsídios aumentaram o preço dos alimentos e de outras commodities”, diz Javendanfar. No âmbito político, o analista iraniano recorda que o presidente Mahmud Ahmadinejad foi reeleito em um processo controverso, visto por milhões como fraudulento. “Há um número crescente de iranianos que também consideram viver sob uma ditadura”, compara.
Em Israel, a preocupação da coalização de governo de Netanyahu é com a segurança das fronteiras. Em entrevista à CNN na quinta-feira, o porta-voz da Irmandade Muçulmana no Egito, Mohamed Morsy, se esquivou de afirmar se o grupo opositor à ditadura de Mubarak estava de acordo em manter o tratado de paz do Egito com Israel, mencionando apenas que Israel falhou em honrar o tratado.
Em artigo publicado pelo Asian Times, o embaixador indiano M.K Bhadrakumar ressalta que o acordo de paz entre Israel e Egito assinado em 1979 permitiu a Israel aumentar os gastos com defesa e concentrar as forças armadas “no chamado front norte –Síria, Líbano e Irã– e nos assentamentos palestinos”. “A incerteza no Egito os leva a necessitar um maior deslocamento de forças no sul, especialmente no corredor entre o Sinai e Gaza, que as guerrilhas palestinas utilizam como fonte de abastecimento”, afirma Bhadrakumar. O fornecimento de gás é outro tema que preocupa Israel. Na sexta-feira, Netanyahu garantiu que as reservas de Leviatã e Tamar satisfaziam as necessidades do país para os próximos 10 anos, mas reconheceu que ainda dependiam do gás proveniente do Egito. No dia seguinte, desconhecidos explodiram o gasoduto egípcio que fica no monte Sinai e abastecia Israel.
Islã na política
Para o filósofo esloveno, Slavoj Žižek, cujo artigo foi publicado na íntegra pela Carta Capital, as revoltas na Tunísia e no Egito refletem a “conspícua ausência do fundamentalismo muçulmano”. “Na melhor tradição secular democrática, o povo simplesmente se revoltou contra um regime opressor, sua corrupção e pobreza, e exigiu liberdade e esperança econômica”, diz. No entanto, nas palavras do supremo líder religioso do Irã, aiatolá Ali Khamenei, os eventos no norte da África, Egito e Tunísia tem um “significado especial”. “É o mesmo que o ‘despertar islâmico’, que resultou na vitória da grande revolução da nação iraniana”, disse Khamenei hoje, de acordo com a agência de notícias oficial Irna.
Para o professor de Ciências Políticas da Universidade de Teerã, Mohamed Marandi, a Irmandade Muçulmana é atualmente o ator político mais organizado do Egito. “A Irmandade Muçulmana é o grupo opositor mais importante no país e tem desempenhado um papel chave no atual levante. Então, obviamente eles jogarão um papel central no futuro político do Egito”, disse Marandi em entrevista à Carta Capital. “Se o atual regime cair, eles provavelmente liderarão o Egito para longe da hegemonia ocidental e americana e advogarão uma maior independência cultural e intelectual do Ocidente”, completou.
Marandi considera ainda que os iranianos veem os eventos no Egito, Tunísia e Líbano como o enfraquecimento da hegemonia ocidental no Oriente Médio e no norte da África e fortalecer os laços do Irã na região. Os iranianos esperam melhorar o diálogo com o Egito após a queda do ditador. Em telegramas diplomáticos vazados pelo Wikileaks em 2010, Mubarak teria dito que os líderes iranianos são “grandes, gordos mentirosos” e que apoiariam o terrorismo.
Netanyahu, por sua vez, tenta evitar o completo isolamento e acena melhorar o diálogo de Israel com os árabes palestinos. Em encontro com o Quarteto para o Oriente Médio (EUA, Rússia, União Europeia e ONU) na sexta-feira, mesmo sem o apoio do chanceler Avigdor Lieberman, Netanyahu concordou com a proposta de construção de mais residências para palestinos na parte leste de Jerusalém e aliviar o bloqueio em Gaza para entrada de materiais de construção. Hoje, o secretário de Defesa britânico, Liam Fox, explicitou o argumento de que a “solução de dois Estados – um seguro e universalmente reconhecido Israel, junto como o estado palestino contíguo – é importante para dissipar a influência política maligna do Irã na região”.
Extraído de cartacapital.com.br

A visão deles sobre nós...

Nós sempre tivemos nossa imagem no exterior associada a chacotas por parte principalmente dos EUA e da Europa. Tanto desprezo por nós os levaram a cometer erros gritantes, que ainda são cometidos, como achar que a nossa capital é Buenos Aires. 
Contudo, bastou nós ficarmos por cima na crise de 2009, que a visão deles, como num passe de mágica, começou a mudar, mas não a perder seu tom pejorativo: de país dos "macaquitos" passamos a ser vistos como o país dos preguiçosos e como um simples saciador da enorme fome chinesa. Não sei se o pior disso tudo é ver que a visão deles não mudou ou ver que nós mesmos atiramos em nosso pé... (assista o vídeo abaixo e você entenderá melhor)





Agradeço ao amigo Daniel Goltara pelo envio do vídeo

Crimes da ditadura brasileira: uma questão que não podemos perder de vista

Ao iniciar este tema endosso aqui a opinião exposta no artigo abaixo e compartilhada por todos que, assim como eu, defendem que os crimes de ditadura sejam todos julgados doa a quem doer ! Não por questão de revanchismo, mas sim pelo fato de que esses crimes foram brutais e ceifaram a vida de centenas de pessoas.
Os crimes cometidos nessa época não podem ficar impunes e cabe ao novo governo não deixar isso despercebido. Aqueles que fizeram suas atrocidades pautados na falácia de estarem defendendo o nosso país, devem pagar pelos crimes que fizeram não importa o quão tarde a pena tenha lhes sido imposta. 
Cabe a população ficar de olho e cobrar uma postura efetiva do governo quanto a essa questão, pois no país da impunidade é muito fácil as coisas serem blindadas e passarem despercebidas...


A intransigência costuma ser um sentimento ou uma atitude humana mais arraigada entre nós do que propriamente a tolerância. Arriscaria a dizer que, em algumas situações, a intransigência é até mais apreciada, em particular quando se reveste de manifesto confrontamento às injustiças sociais. Ou contra as injustiças de modo geral, embora nem sempre seja fácil no mundo de hoje, dominado pela informação parcial e irresponsável, pela quase total mercantilização das relações humanas, abaixarmos o polegar acusador com a segurança de um imperador da Roma antiga.
Não transigir pode significar, por exemplo, ser coerente na defesa de determinados princípios, de determinadas ideias; significa ter força de caráter. Digamos que seria esse o lado positivo da intransigência, bem consideradas as circunstâncias em que ela se dá. Mas como tudo na vida, a intransigência tem também o seu lado nocivo, prejudicial ou até mesmo irracional. Nesse caso, o uso do antídoto da tolerância como remédio é sempre recomendável.
Tais reflexões, até comezinhas para espíritos mais eruditos, vêm a propósito de um tema bastante delicado na atual conjuntura política brasileira, qual seja, o início dos trabalhos da “Comissão da Verdade” na área dos Direitos Humanos e a esperada solução para os crimes de tortura e sequestro de cidadãos brasileiros durante a ditadura civil/militar de 64/68.
Tema delicado, espinhoso para muitos, mas que deve ser enfrentado com serenidade e determinação pelo novo governo da presidenta Dilma Roussef. Não se trata, e aqui faço coro com muitos defensores da tese, de revanchismo ou coisa do gênero, mas de justiça. Justiça não apenas aos que foram torturados, mas, sobretudo, aos mortos e desaparecidos políticos, pois para esses a tortura significou o seu assassinato.
A prática da tortura é um crime contra a Humanidade e, como tal, abominável e imprescritível. Cometido em que tempo for e sob qualquer condição, não se extingue e será passível de punição. Crime que não se beneficia de anistias, a não ser aquelas ainda geridas impropriamente num contexto de ilegalidade constitucional.
No caminho de uma possível e desejável maturidade democrática, o Brasil ainda se comporta como adolescente, com os problemas próprios inerentes a essa fase da vida. Contudo, torna-se imperioso que a nova geração de militares brasileiros, muitos deles já conscientes de que pertencem a um novo país, já muito diferente daquele herdado na vigência da guerra fria e de um conceito de segurança nacional ultrapassado, torna-se imperioso – repito – que trabalhem junto aos colegas ainda renitentes para apagar essa mancha na história do país.
Esse novo país que precisa ajustar-se internamente para fazer frente aos grandes desafios que se avizinham. Erradicar a pobreza, ampliar o emprego formal e distribuir a riqueza com mais justiça social, conquistar em definitivo sua soberania, defender a Amazônia, o Pré Sal, os Aquíferos, amazônico e guarani, estimular a cidadania e a convivência democrática, ampliar o acesso aos estudos, intervir na vergonhosa mercantilização da saúde, combater firmemente a corrupção e a impunidade.
Tarefa hercúlea, mas não impossível. E para isso, um bom começo é ajustar contas com o passado. Sob certos aspectos, em particular nessa questão de punição aos torcionários, penso que o bordão do momento deveria ser: tolerância zero.

Extraído de cartacapital.com.br  

Conquistas e barreiras nos direitos da mulheres

Ultimamente temos visto que as mulheres tem ganhado projeção ao ocuparem cargos máximos de governos em diversos países, inclusive no nosso. 
Esta questão dará visibilidade ao papel feminino bem como aos obstáculos que ainda as afetam como a desigualdade nos salários, por exemplo. Contudo, deve-se sim comemorar os avanços nos direitos das mulheres e usá-los como estímulos para que se garanta os outros que ainda lhes faltam. 
Em países como a Argentina políticas nesse sentido já começam a serem feitas; quem sabe nós não temos muito a aprender com os nossos hermanos quanto a essa questão e, assim como eles, dar a devida atenção que essa questão merece. 


A crescente participação das mulheres nos últimos anos no máximo nível de representação governamental é uma amostra dos progressos realizados na região em matéria de gênero.
Seis delas ocuparam ou ocupam a Presidência da República de países como Argentina, Chile, Costa Rica, Jamaica e Trinidad e Tobago e, recentemente, no Brasil, desde o primeiro dia de 2011, Dilma Rousseff ocupa o cargo político mais importante do país.
Também nos parlamentos da região há um numeroso incremento na representação feminina, que supera inclusive em proporção a representação de nações desenvolvidas.
Entretanto, não quer dizer que as mulheres conquistaram completamente sua autonomia. Pode-se compreender autonomia, a partir momento em que se tem capacidade de tomar decisões sobre sua própria vida, isto é, a capacidade de decidir sobre sua vida sexual, reprodutiva, de integridade física e econômico-financeira.
Apesar de as mulheres, terem avançado no mercado trabalho, em particular na América Latina, com um crescimento notável entre 1990 e 2008 nas zonas urbanas: a taxa de participação econômica das mulheres passou de 42% para 52%.
Mais de um terço das mulheres urbanas maiores de 15 anos não têm ou não recebem nenhuma renda e a maioria não tem acesso a recursos monetários porque sua principal atividade são os afazeres domésticos e as tarefas de cuidado em seus domicílios.
Países como Uruguai, Costa Rica, Argentina, Equador e o Chile, desenvolveram políticas que visam de alguma forma, responder a esta problemática, criando programas de cuidado infantil, igualdade salarial e reformas previdenciárias.
Neste sentido, o desafio atual, principalmente dos países da América Latina é ampliar a universalização desses direitos, superando tanto a dependência do mercado e da relação salarial, como do assistencialismo focalizado, que outorga níveis mínimos de proteção em base à necessidade extrema e não como direito universal garantido.
Além do que, deve-se ter uma preocupação especial à discriminação das mulheres pobres, indígenas e afrodescendentes, cuja situação de desvantagem resume as múltiplas desigualdades que caracterizam a região.
Portanto, para que as mulheres latino-americanas conquistem sua autonomia, é mais do que essencial um Estado que promova políticas públicas que solucionem a carga de trabalho não remunerado e de cuidado que recai sobre as mulheres, para que estas possam ter a oportunidade de acesso a empregos produtivos e bem remunerados e a liberdade de escolher seu tempo e seu lugar de trabalho, ou seja, um Estado que garanta a titularidade de direitos e a expressão da democracia.


Extraído de cartacapital.com.br

Índices de violência reduzem, mas população continua com medo. Por que será ?

Por essa semana foram divulgados dados sobre a criminalidade no país que apontaram reduções nessas taxas para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, a pesquisa também aponta que, embora a redução nos índices tenha ocorrido, as pessoas se sentem cada vez mais ameaçadas e inseguras não só nas cidades supracitadas mas em todo o país. 

Observando esses dados e lendo a matéria me perguntei: "Por que será?"

Será por que a sensação de impunidade é tão grande que sabemos que mesmo os condenados voltaram de suas sentenças muito antes de cumprirem 1/3 da pena ?

Será por que sabemos que neste país quem rouba órgãos e instituições fica "preso" em sua casa de luxo no Morumbi com piscina, sauna e centenas de metros quadrados enquanto quem rouba uma galinha pra sobreviver fica preso por 5 anos em um metro quadrado que foi feito pra 20 mas estão 50 pessoas ? (não que isso justifique roubar uma galinha, mas percebe a inversão de valores ?) 

Será por que sabemos, ou melhor não sabemos, em quem podemos confiar já que até aqueles que  nos defendem atuam muitas vezes como aqueles que por estes deveriam ser combatidos ?

Será por que, pelo menos pra quem mora no Rio, apesar das UPPs estarem se instalando, sabemos que isso pode não ser mais do que um simples tapa-buraco para deixar a cidade segura quando os olhos do mundo estarão voltados para o Rio de Janeiro ?

Fica difícil de saber...


Apesar da redução dos homicídio em SP e no Rio, o povo permanece atemorizado. A polícia precisa dialogar mais e se aproximar da população
Certa vez, no histórico Palazzo del Viminale, sede do Ministério do Interior em Roma, tomei café com Gianni De Gennaro, então chefe da polícia italiana. Parêntese: no Brasil, o Ministério do Interior foi criado em 15 de novembro de 1889 e abolido em 1990 por canhestra decisão do presidente Collor de Mello, que o julgava desnecessário. Na Europa, essa pasta sempre foi tida como indispensável e muitos dos seus titulares saíram candidatos a cargos mais elevados, como sucedeu com Nicolas Sarkozy.
Quando da conversa com De Gennaro, longa porque as xícaras foram várias, ele cuidou de me explicar as razões de uma advertência sobre os riscos da criminalidade organizada e do terrorismo que havia profundamente sensibilizado a Comunidade Europeia e a Europol. O alerta poderia ser repetido nos dias atuais com veemência muito maior, em face das escaladas do crime e do terror: nesta semana, em Catanzaro, Calábria, foi descoberta uma escola para ensinar e adestrar terroristas islâmicos. A descoberta deveu-se à suspeita de um cidadão que a repassou a um policial comunitário de sua confiança.
De Gennaro sustentava à época que não adiantava apenas ter um número suficiente de policiais em patrulhamento ostensivo ou em ações preventivas. Era fundamental contar com policiais em condições “de dialogar com as pessoas e compreender as suas reais necessidades”, em cada comunidade.
Em síntese, seria esta uma polícia de “proximidade”, a serviço comum do povo e em sintonia permanente com os moradores dos quarteirões e bairros. Capaz, frisava De Gennaro, de prevenir ilícitos, reprimir crimes e baixar a sensação de insegurança da população. E ele sabia ser complexa e não linear a relação crime-medo que gera insegurança.
Nesta semana, surgiram informações de que, no Rio de Janeiro e em São Paulo, houve queda nos índices gerais de violência. O Rio de Janeiro registrou o menor número de mortes violentas dos últimos 20 anos. Quanto a São Paulo, os homicídios dolosos baixaram em 14%, comparados aos dados dos anos de 2009 e 2010: 4.543 vítimas fatais em 2010 ante 4.785 no ano anterior.
No Rio de Janeiro contribuiu, seguramente, a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Elas permitiram reconquistas de territórios que eram governados por organizações criminosas, restabeleceram ambientes de legalidade e de cidadania e uma nova e humana correlação entre agentes da ordem e cidadãos. Em outras palavras e para usar a expressão de De Gennaro, houve a “proximidade”. O reforço ficou por conta de ações sociais e de atuações de organizações não governamentais. Mais ainda, foram determinantes as políticas do governo Lula, de distribuição de renda e apoio às comunidades de baixa renda.
Numa comparação entre 2009 e 2010, os homicídios baixaram 17,7%, no Rio: 5.793 casos, em 2009, ante 4.768, em 2010. Um passo largo, mas ainda distante do recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).  Para não se ingressar na chamada “zona de epidemia criminal”, a OMS estabeleceu, num universo de 100 mil habitantes, o patamar de 10 homicídios. O Rio alcançou 29,8 assassinatos por 100 mil habitantes.  São Paulo ficou em 10,48 homicídios dolosos por 100 mil habitantes.
É de se registrar, entre 2009 e 2010, a queda significativa, no Rio e em São Paulo, do número de outros delitos violentos, como latrocínio (matar para roubar), roubos e sequestros de pessoas para fim de extorsão patrimonial.
Nem tudo melhorou, no entanto. Muitas pessoas não levam a notícia de crime às autoridades. Apesar das reduções dos índices de violência em geral, o sentimento de medo cresceu em todo o Brasil. Um levantamento realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) intitulado Características da Vitimização e do Acesso à Justiça, publicado em 16 de dezembro de 2010, revelou que a sensação de insegurança afeta 47,2% de nossa população. Mesmo em casa, 21,4% dos brasileiros estão atemorizados.
O medo de se tornar vítima de crime virou um problema social e não só no Brasil. É causa de desconfiança, afastamento da vida comunitária, paranoia, autodefesa, enclausuramento etc.
Uma boa política de segurança pública orienta-se na redução da sensação de insegurança e na restauração da confiança no policial, que deve estar próximo à população. É sabido que a baixa dos índices de violência, por si só, não reduz o medo.

Extraído de cartacapital.com.br