sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Considerações sobre os protestos na Inglaterra

Há um tempo, temos acompanhado protestos na Inglaterra por parte de jovens que desejam  melhoras em sua situação visto tanto o alto desemprego ao qual são acometidos quanto a situação de preconceito e degradação que vivem. Embutido nisso há também a questão das disparidades sociais. Londres é uma das cidades em que essas disparidades mais se fazem presentes e o abismo social é maior.

Contudo, certos meios de comunicação (na verdade um só acaba se destacando por fazer isso com mais veemência e é aquele mesmo no qual você está pensando) têm veiculado tanto notícias quanto vídeos em que esse protesto realizado pelos jovens são distorcidos e acabam parecendo apenas ataques de vandalismo e violência gratuita, sem sentido. 

Pra variar essa distorção feita por eles não é de se espantar, eles sempre fazem isso. Contudo a parte boa dessa história é que a verdade volta e meia sempre acaba aparecendo, melhor ainda é quando ela aparece justamente onde se divulga a notícia distorcida. 

Para entender realmente quem são os jovens e o pelo que VERDADEIRAMENTE lutam na Inglaterra segue o vídeo abaixo no qual um sociólogo explica de forma elucidativa, embora seja interpelado diversas vezes para reforçar a ideia de que os jovens são baderneiros, revoltados ou até mesmo desocupado, a verdadeira causa dos protestos na Inglaterra. Vale a pena conferir. 





Vídeo extraído de youtube.com.br




segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O Imperialismo brasileiro na América do Sul

Nós brasileiros sempre vivemos acusando os EUA de serem imperialistas e de quererem mandar aqui na América do Sul a seu bel prazer. Contudo, ao longo dos anos acabamos nos tornando idênticos a eles em relação a América do Sul. 
O que antes era "justificado" como assumir um papel de liderança na América do Sul para impedir uma invasão americana, se mostra cada vez mais como uma intenção do nosso país de ser cada vez mais como o Tio San. 
Prova disso está na matéria abaixo onde o governo brasileiro tenta implementar a construção de hidrelétricas em países vizinhos para nutrir sua própria demanda por energia, mas deixando os custos desse encargo para os países, no caso o Peru e a Bolívia. 
Apesar da resistência de ambos os países, pode ser que eu esteja enganado, mas acho que mais cedo ou mais tarde esses projetos passarão e o nosso país mostrará sua face imperialista mais uma vez. 
Não sou contra o desenvolvimento do nosso país, sou contra esse desenvolvimento se dar as custas de outros quando deveria se dar em conjunto com outros. É nítido que essas usinas tenderão a desenvolver muito mais o Brasil do que os páises onde elas serão construídas prejudicando assim os mesmos. 
 Passamos o tempo todo recriminando o jeito de agir dos EUA por conta do seu imperialismo e agora estamos fazendo exatamente o mesmo que eles... 


São Paulo – Militantes e especialistas rejeitam a possibilidade de que hidrelétricas construídas na Amazônia boliviana sirvam ao abastecimento da indústria do Brasil. Um seminário realizado este mês em Cochabamba, na região central boliviana, emitiu a conclusão de que o governo de Evo Morales não deve levar adiante a construção de usinas no meio da floresta.

O principal alvo de críticas é Cachuela Esperanza, próxima ao estado brasileiro de Rondônia. A hidrelétrica terá potencial de geração de 990 megawatts, afetando uma superfície de 690 quilômetros quadrados. Estima-se que os efeitos serão a perda de parte da biodiversidade com a alteração no fluxo e no curso do rio Madeira. Os impactos sociais são o deslocamento de populações originárias e a perda de terras agricultáveis.

“Os projetos sobre o Rio Madeira são muito caros. Precisa-se grandes investimentos, e são grandes projetos para fomentar o desenvolvimento industrial do Brasil”, afirmou Enrique Gómez, especialista em eletricidade. “Com os preços atuais do gás, o mais rentável e econômico é a termeletricidade.”

A acusação é de que a energia gerada pela hidrelétrica será transferida ao país vizinho a um pagamento baixo em troca de um custo socioambiental muito alto. É aventada a possibilidade de que a Bolívia use boa parte desta energia para consumo interno, utilizando menos as termelétricas e, por consequência, tendo maior excedente de gás para a exportação a Brasil e Argentina.

Outra queixa diz respeito ao fato de a Bolívia desembolsar os US$ 2 bilhões previstos para a construção. Como o financiamento será feito pelo BNDES, uma grande empreiteira brasileira será contratada para conduzir os trabalhos.

Guilherme Carvalho, representante da Federação das Organização para Assistência Social e Educacional (FASE) de Belém, no Pará, afirmou em Cochabamba que os projetos voltados à integração sul-americana são, na verdade, uma maneira de garantir o crescimento econômico brasileiro e o benefício de suas empresas. “O Brasil tem uma estratégia muito clara, que é de transformar empresas brasileiras em multinacionais, então há todo um conjunto de medidas que são implementadas pelo governo brasileiro.”

A desconfiança no departamento de Beni, vizinho a Rondônia, começou ainda quando do início das obras de Jirau e Santo Antônio, próximas a Porto Velho. Organizações não governamentais e comunidades indígenas temiam que a mudança na vazão do Rio Madeira pudesse lhes prejudicar, provocando inclusive o alagamento de terras do outro lado da fronteira.

Já os projetos brasileiros estão em foco desde que nasceu a Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-americano (IIRSA), durante a 1ª Cúpula de Presidentes, que teve lugar em Brasília no ano 2000. São diversos projetos com financiamento de bancos regionais ou do BNDES para a construção de estradas, pontes e hidrelétricas em toda a região. Alguns pesquisadores consideram que a finalidade da IIRSA é abrir todos os caminhos possíveis para facilitar a exportação brasileira e a expansão de seu mercado.

Outro vizinho

 

O Peru cancelou este mês as concessões para a construção da hidrelétrica de Inambari, outra que abasteceria majoritariamente o mercado brasileiro. O governo apresentou a justificativa de que é preciso fazer uma consulta prévia à população local, medida determinada pela convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Com capacidade instalada de 2 gigawatts, metade do consumo anual peruano, e investimento de R$ 4 bilhões, a usina ficaria a 300 quilômetros da fronteira com o Brasil e seria tocada por OAS, Eletrobrás e Furnas. Seria a primeira de cinco hidrelétricas que o país planeja implementar no vizinho, mas a chegada de Ollanta Humala ao governo deve tornar mais rigoroso o processo de discussão.

Extraído de cartacapital.com.br

Calote à la Grega

Desde a crise americana da bolha especulativa de 2008, que alguns acreditam ser pior que a de 1929, diversos países foram acometidos pelos ecos da mesma, e com a Grécia não foi diferente. 
Talvez um dos países que mais tenha sofrido com a crise, que também tem sua parcela de culpa lá atrás nas olimpíadas de Atenas, a Grécia vive uma crise que parece ter entrado numa espiral sem fim. 
O déficit público só aumenta e a saída foi recorrer ao Banco Mundial e ao FMI para obter empréstimos para tentar se reerguer. Contudo estes empréstimos só virão sob concessões que o governo grego terá de fazer (Já vi esse filme antes... Pra ser mais exato no início dos anos 90 e na América Latina com o neoliberalismo) incluindo redução dos gastos públicos (pode-se ler demissão e redução dos investimentos público em setores essenciais como saúde e educação no meio disso). 
Entretanto alguns apontam que uma solução para a Grécia sair dessa crise é fazer o mesmo que a Argentina fez no início dos anos 2000: decretar a moratória. No caso argentino o calote até que deu certo, mas não bastou somente isso para reerguer o país. 
Atrelado a esta saída estava também a medida de desvincular o câmbio da moeda nacional com o Dólar, causando assim ma desvalorização da moeda permitindo assim o país argentino a se reerguer da crise. 
Contudo em comparação com a situação grega o caso se complica ainda mais. Se copiarem os moldes argentinos além do calote, que em si não resolveria, o governo grego teria que abandonar o euro e voltar a sua moeda antiga, o Dracma. Contudo, ao fazer isso o governo arcaria com prejuízo econômico e político ainda maiores, pois todos os acordo feitos na Grécia são feitos em Euro e até serem todas as correções monetárias ao Dracma a economia grega congelaria por meses, piorando ainda mais a situação do país.
Pelo que parece, a única saída grega para essa situação deve ser mesmo a reestruturação de sua economia via cartilha do FMI e do Banco Mundial que afetarão principalmente a população grega. O governo grego está acuado e parece não ter outra saída, infelizmente.


Assumir uma moratória foi a saída encontrada pela Argentina para recuperar o crescimento em meio à crise de dívida. A situação grega, no entanto, é mais complexa, e o país não tem opções.

“A Grécia pode passar por uma crise bem mais profunda que a Argentina”, diz o economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman.

O governo da Grécia conseguiu sobreviver ao Parlamento esta semana, em votação apertada. Com a vitória, aumentam as chances de que o primeiro ministro, George Papandreou, aprove as medidas de austeridade exigidas pelas autoridades europeias.

Pressionado pelo peso de suas dívidas, o país depende dos empréstimos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O PIB da Grécia recuou 4,5% em 2010, e deve cair mais 3% este ano.

A situação vivida pela Argentina é muito parecida com o caso grego. Pressionada por um alto endividamento e com sua moeda atrelada ao dólar, o país entrou em recessão no fim da década de 90.

Após assumir a moratória, em dezembro de 2001, amargou uma retração de 11% em sua economia. Contudo, nos anos seguintes, a recuperação foi rápida. Segundo Schwartsman, uma das principais diferenças é que o governo da Grécia mantém uma pior situação fiscal.

“Mesmo em 2001, no auge da recessão, o governo nacional argentino ainda apresentava um modesto superávit primário, da ordem de 0,5% do PIB. Ou seja, no momento em que parou de pagar a dívida o governo ainda tinha acesso a um fluxo de recursos suficiente para pagar suas demais despesas.”

Esse não é o caso da Grécia. Em 2010, o déficit público atingiu 10,4% do PIB, e o FMI exige que a cifra se reduza a 7,5% do PIB este ano.

“Se a Grécia parar de pagar a dívida, teria, em tese, que tomar recursos emprestados para pagar as outras despesas. Quem, porém, irá emprestar a um governo que acaba de anunciar não ter condições de honrar sua dívida?”

O alto déficit fiscal não é a única dificuldade grega. Na Argentina, após o calote das dívidas, o câmbio foi desvalorizado e o comércio exterior reanimou a economia.

“Basicamente o que impulsionou a recuperação foi a desvalorização do câmbio”, explica o argentino Osvaldo Cado, economista da gestora de recursos QFD (Quantitative Financial Developments).

“A recuperação da Argentina arrancou via exportações, através da melhora significativa da rentabilidade dos setores de commodities e derivados, e pequenas e médias empresas”, diz.

Já para Grécia, desvalorizar o câmbio implicaria sair da Zona do Euro e reestabelecer o dracma, sua moeda anterior. Assim, apenas um calote não garantiria o crescimento nos próximos anos.

Schwartsman explica que, se houver a moratória e a moeda comum for mantida, o efeito negativo nos preços e salários minaria a retomada do crescimento.

“Se a Grécia não pagar sua dívida, mas decidir continuar na área do euro, a depreciação da taxa de câmbio continuará ocorrendo pela deflação, com reflexos negativos sobre crescimento”, diz.

Por outro lado, a saída do euro teria outros custos políticos e econômicos. “O que ocorre com os bancos, contratos, estas questões podem paralisar a economia por meses a fio”, explica.

“Uma saída para a Grécia seria que os países centrais, como Alemanha e França, assumam esses problema e comecem a emitir euros para financiar os países endividados, sem juros”, diz Cado. Mesmo assim, o economista diz que a renegociação das dívidas seria necessária, além de um ajuste gradual do gasto público.

“A alternativa a isso seria uma saída desordenada”, diz. Para Cado, sem a ajuda da Europa, a Grécia terá que abandonar o euro, e decretar uma moratória completa da dívida pública e privada. Entretanto, os países centrais da Zona do Euro não dão sinais de que vão assumir o peso da dívida grega.

Também para Schwartsman, a reestruturação da dívida é certa. ”Não se trata de ser a melhor alternativa, simplesmente porque não hã outra”, resume.

“Eu tendo a acreditar que a reestruturação passa também pela saída da área do euro, mas tenho menos convicção a respeito disso do que acerca da reestruturação em si”.

Extráido de cartacapital.com.br 

domingo, 31 de julho de 2011

Aviso aos navegantes

Caros leitores do blog, 

Sei que ando em falta com as atualizações do blog, mas foi por um bom motivo: estive ocupado durante esse tempo com a minha monografia. 

No próximo fim de semana, voltarei ao normal com as atividades do blog. 

Desculpas pelo longo atraso. 

domingo, 10 de julho de 2011

Cinema, Pipoca e Geografia! - Grande Demais Para Quebrar

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A indicação desta vez trata-se de um tema que ainda é muito recorrente e muito recente: a crise americana de 2008. O filme "Grande demais para quebrar" explica como ocorreram os acontecimentos que levaram a crise de 2008, bem como mostra os desdobramentos da mesma e como o governo americano interviu para contornar essa crise.

Apesar do filme se utilizar muito do "economêshá uma parte que se passa no ministério da fazenda deles que explica de uma forma bem palatável como ocrreu a crise. 

É um ótimo filme para se entender a crise e como ela se deflagrou, bem como seus desdobramentos e também serve para mostrar (fica aqui uma provocação) se realmente o Estado deixou de intervir na economia alguma vez...