terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Acordo Transpacífico

Esta semana foi assinado o acordo transpacífico entre diversos países do mundo, dentre eles: EUA, Japão, México, Chile e Austrália. 

O acordo mexe com aproximadamente 40% da economia do planeta e advoga nas mais diversas áreas: comercial, ambiental, internet e propriedade intelectual. O acordo propõe a redução de tarifas alfandegárias e o estabelecimento de padrões comuns entre os países que assinaram o acordo. 

Segundo especulações, o acordo foi uma tentativa de frear a China, que corre por fora e está fazendo seus próprios acordos. Por outro lado, alguns defendem até mesmo a entrada do país, que acompanha os acordos a distância. 

A intenção com o acordo é aumentar o fluxo e aquecer a economia em escala global, mas principalmente entre os países que assinaram o acordo, óbvio. 

Para os EUA, reincidente histórico em usar medidas protecionistas para proteger a sua economia, o acordo tem sido uma bandeira do governo Obama vê com bons olhos e mostra-se muito entusiasmado com o acordo. 

Acordo aliás que toca em um ponto chave nos últimos anos: a segurança dos dados que circulam na rede. Desde o vazamento de casos de espionagem norte-americana para com outros países, a proteção ao fluxo de dados foi um dos pontos chave do acordo. Com ele, os países prometem não bloquear as transferências realizadas pela internet por exemplo, embora esbarre em questões de defesa dos dados no exterior. 

Outro ponto do acordo é o comércio. Com o acordo a tentativa é de nivelamento dos países em termos de competitividade, acompanhado de leis ambientais mais rigorosas, além de normas trabalhistas e direitos de propriedade intelectual. 

O acordo tem tudo para ser o maior da história, regionalmente falando. Não só pela quantidade de países, que tende a aumentar,  mas em termos econômicos já que movimenta as primeiras colocadas na economia mundial, com exceção da China é bem verdade. Ainda falta o acordo ser aprovado pelos governos signatários, mas, ao que tudo indica, não haverá muitos impedimentos ao acordo, que tende a ser tornar ainda maior...

Mas e nós?

Pois é. O Brasil pode ser afetado com esse acordo e ver suas exportações serem reduzidas. Tudo porque grande parte dos produtos que entram na lista do acordo são exportados pelo Brasil a esses países. Com o acordo, os produtos se tornam relativamente mais baratos em relação aos nossos e a preferência, é claro, vai para eles. 

A resposta a isso?

A resposta a esse acordo estaria num estreitamento de relações entre o MERCOSUL e a UE. O problema é que os acordos até existem, mas não saem da gaveta há quase duas décadas. E essa demora pode ser um problema para nós. 

Uma outra saída a esse acordo seria um estreitamento entre o nosso país com os países andinos e o México, ainda mais com os que participam do acordo transpacífico. 

Alguns defendem até mesmo que o Brasil corra e faça um acordo de livre comércio com o Tio San (pra mim a pior e a mais limitada das opções). 

Fato é que ainda não se tem como dimensionar o impacto desse acordo nem sobre nós, nem sobre a economia global, pois ele ainda está sendo votado pelos signatários e alguns detalhes do mesmo são desconhecidos. O jeito é esperar para ver, pois até então, tudo não passa de especulações...

Com informações do O Globo, Folha de São Paulo, EL País e EBC  

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Mitos e verdades sobre a migração para a Europa

Há praticamente um mês venho postando sobre a questão dos refugiados na Europa e todos os outros assuntos a eles relacionados. Da primavera árabe ao Estado Islâmico, passando por uma perspectiva de futuro, os assuntos andam cada vez mais em tela não só neste blog como no mundo todo. 

As referidas postagens acima poderão ser encontradas logo abaixo desta, nesta página. 

Hoje, não vou dizer para fechar o assunto porque acho que vai render pano pra manga, separei o vídeo abaixo que explica, de forma resumida mas bem elaborada, como tudo isso começou e ainda derruba diversos mitos acerca dos refugiados que foram ventilados não só na Europa como em diversos lugares do mundo. 

O vídeo foi feito pela ONU e possui legendas em português. Vale muito a pena conferir, principalmente para os vestibulandos e concurseiros de plantão.





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Rússia, Síria, EUA, Irã, Israel, União Europeia e Estado Islâmico - Mais um xadrez geopolítico pode ter início.

Há  rumores de uma possível intervenção russa na Síria, contra o E.I. e por incrível que pareça, pelo fim do regime político de Bashar Al-Assad no país. Se for confirmada essa intervenção, que cada vez mais ganha ares de verdadeira, mais um xadrez geopolítico está para ser montado. 

Neste tabuleiro, as peças se apresentam da seguinte maneira:

A Rússia se apresenta diante desta intervenção com segundas intenções, assim como todos no tabuleiro. Para os russos uma intervenção e possível fim do E.I. pode representar alguns pontos com países da Europa, mas por outro lado também pode significar uma pedra no caminho do Tio San, visto que, com a intervenção russa, a mira norte-americana teria que ser bem mais precisa, digamos assim, para evitar o risco do primeiro país em armamento nuclear do mundo acertar o segundo... 

Esta possível intervenção da Rússia, pode ter consequências para outra peça do xadrez, o Irã. Principal aliado sírio na região, o país é inimigo declarado do E.I. mas parece se aproveitar da situação para ver a Síria se dividir em diversas etnias diferentes. Não à toa os xiitas iranianos apoiam Assad na Síria (um dos motivos pelos quais ele ainda está de pé). 

E se os xiitas iranianos entram neste xadrez, os sunitas da Arábia Saudita, mais uma peça, não poderiam ficar de fora. Já que em uma Síria destroçada pela guerra civil, xiitas e sunitas poderiam travar nova batalha pelos escombros de um país que se vê numa situação cada vez mais insustentável. Esse possível clima de instabilidade na região, talvez possa elevar o preço do petróleo e, neste caso, a economia russa baseada no petróleo e no gás natural, agradece. 

Se realmente intervir, Moscou ainda reforçará sua presença no mediterrâneo, ganhará pontos com a Europa e, de quebra, quem sabe, ainda pode ver sanções pela anexação da Crimeia serem abrandadas ou até "esquecidas" e a questão com a Ucrânia ser tratada de forma mais diplomática. 

Quanto ao Tio San, que não poderia faltar neste xadrez, claro; a intenção é minar o Irã com a deposição de Assad da Síria. Até porque a relação Irã - EUA já vem azeda desde a revolução iraniana de 79 e de lá pra cá não tem dado sinais de significativa melhora. Com isso derrubar um dos aliados iranianos, atenderia as intenções norte-americanas, já que a perda de um aliado pode significar seu enfraquecimento.  

Correndo por fora neste xadrez, ainda temos Israel que observa com preocupação este cenário e pode usá-lo com desculpa para um recrudescimento ainda maior em relação aos palestinos. 

Fato é que neste jogo, o primeiro movimento, ao que tudo indica, será o russo. Pelo menos suas peças já estão sendo postas no tabuleiro, como você pode conferir no mapa abaixo. Agora, as consequências desse movimento só saberemos quando o xadrez começar de fato. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/09/1681322-acao-da-russia-na-siria-pode-reconfigurar-regiao.shtml






terça-feira, 15 de setembro de 2015

Estado Islâmico e França: atitudes e consequências diante do "incômodo"

Esta semana, aventou-se a possibilidade de que membros do Estado Islâmico estariam infiltrados entre os refugiados em direção ao mediterrâneo. Apesar da notícia não ter sido confirmada, especialistas acham a medida plausível. 

Como o número de refugiados embarcados é alto, governos de países de origem desses refugiados não têm o controle sobre quem deixa suas fronteiras em direção ao velho continente. 

Aliás, diante desta situação, tenho repetido diversas vezes aqui que não veríamos esforços do lado europeu até que a situação os "incomodasse". Contudo, parece que a situação está começando a incomodar e algo já começa a ser feito

Como não poderia deixar de ser, a França inicia uma tomada de ações contra o grupo E.I. não porque o sentimento de compaixão seja maior, sejamos francos. Mas sim porque, apesar de ter um governo mais de esquerda no poder, o país tem um nacionalismo forte que chega a beirar a xenofobia. 

Já não é de hoje que isso se mostra aflorado em específico neste país. Não que os outros não tenham, mas volta e meia a França se vê em meio a polêmicas por conta disso. A última delas aliás, foi notícia hoje. (Só pra constar, EU não sou Charles Hebdo)

Aliás, um pequeno adendo. Me parece um tanto quanto hipócrita hostilizar os imigrantes, sejam eles refugiados ou não, quando na verdade se precisa deles mais do que se imagina. Seja para servir como mão-de-obra, seja para suprir uma natalidade decrescente comum a todos os países europeus; o lado positivo da imigração sempre é escamoteado pelos europeus que torcem o nariz para os imigrantes, a menos é claro quando o mesmo possui incontáveis diplomas. 

Para refletirmos melhor sobre essa questão, deixo aqui dois vídeos sobre uma escritora senegalesa que ganhou o mundo com suas palavras acerca da imigração e de como os europeus tratam isso. (só pra constar, essa sim me representa).







terça-feira, 8 de setembro de 2015

A guerra civil na Síria

O assunto dessa semana não poderia ser diferente do que vem sendo discutido e corre o mundo inteiro: a movimentação em massa de migrantes oriundos da África e do Oriente Médio para a Europa. 

O caso mais em tela se trata da guerra civil na Síria que se arrasta desde a Primavera Árabe, que teve início em 2010. 

Venho publicando sistematicamente na Página do Facebook que essa questão só ganharia a atenção do mundo quando atravessa-se o Mediterrâneo ou o Atlântico... Por questões de proximidade geográfica, a travessia para o Mediterrâneo ganhou.

Segundo dados, o fluxo migratório já supera o da segunda guerra mundial e levanta diversas questões acerca desta movimentação que vitima cada vez mais pessoas seja nos conflitos, seja tentando cruzar o mar mediterrâneo na esperança de dias melhores. 

Como ponto (não diria principal, mas de maior destaque) temos a guerra na Síria entre oposicionistas e um governo que já está no poder há décadas. Mesmo com toda a repercussão e força da Primavera Árabe, na Síria, o movimento parece ter se perdido em meio a um governo que controla sua população com mãos de ferro, castigando-os sempre que pode e uma oposição que não consegue ter uma unidade sequer e que encontra cada vez mais opositores que querem fazer a mudança ao seu modo. 

Soma-se a este cenário apocalíptico um xadrez geopolítico entre EUA e UE de um lado e Rússia, China e Iraque do outro. 

Os conflitos começaram desde a Primavera árabe e desde então EUA e a UE, através da ONU reivindicam uma intervenção militar no país, além de sanções econômicas unilaterais que nem chegam a ser tão pesadas assim; do outro lado temos Rússia, China e Iraque que defendem abertamente o regime de governo da Síria e defendem que a maneira correta de intervir na situação é com uma missão de paz. 

No meio desse xadrez, um fogo cruzado entre governo e rebeldes, jihadistas e braço da Al-Qaeda no qual a população síria se vê entregue a própria sorte, e, aqueles que podem, fogem do horror da guerra e buscam a paz além do mediterrâneo. 

O drama que já não é pouco, se torna ainda maior quando os refugiados esbarram em questões como a possibilidade de serem roubados e enganados em relação a realização da travessia, tendo o pouco dinheiro que resta roubado. Além disso, passam por condições sub-humanas durante a travessia que, infelizmente, levam muitos a não conseguirem completá-la. 

Há também a questão da acolhida em um continente desconhecido. Nem todos têm parentes na Europa ou dominam o idioma do destino almejado (em sua maioria, neste caso, a "Europa Rica" > França, Alemanha e Inglaterra). Enquanto isso do doutro lado do Mediterrâneo e, portanto, longe de tudo isso, A UE começa a se articular para distribuir entre os países os refugiados que cada vez mais chegam. Fugidos da guerra que dizima cada vez mais sua terra-natal. 

No meio da discussão, há aqueles que defendem o fechamento das fronteiras para os refugiados como medo que suas economias, culturas e valores sejam perdidos com a entrada dos refugiados em seus países; do outro lado, gestos de solidariedade e de humanidade (adjetivo meu) tomam conta de capas de jornais e revistas, revelando que mesmo em meio a esse horror, a solidariedade ainda acalenta os corações mais aterrorizados. 

Enquanto esse xadrez  geopolítico parece ter chegado ao momento decisivo, pessoas tentam reconstruir suas vidas e esquecer o que vivenciaram em meio aos horrores de uma guerra civil, onde parece que a intensão é deixar que se destruam e depois lançarem novamente os refugiados de volta, só que dessa vez em meio aos escombros e ao pó do que um dia eles chamaram de pátria.


Se você, caro leitor, quiser buscar mais informações sobre esse conflito, o "Terra" desenvolveu um material muito didático sobre o assunto que você pode conferir clicando aqui.    

Obs.: Me furtei a falar do menino encontrado na praia da Turquia porque já acho essa situação pesada demais para ficar colocando ainda mais drama. Faço isso não porque acho que sua história e seu drama não devam ser contados, muito pelo contrário. Faço isso porque acho que já está mais do que na hora de deixarmos aquela alma inocente descansar em paz.