terça-feira, 18 de abril de 2017

Um velho e requentado xadrez geopolítico

Ultimamente não tem sido difícil você "dar um Google" e achar notícias envolvendo a Coreia do Norte e os EUA. 

A guerra de palavras e ameaças entre as duas nações não é nova. Na verdade trata-se de uma herança da Guerra fria. 

Até a metade do século passado a península coreana era uma só. Com o surgimento da guerra fria, houve a separação com a criação da Coreia do Norte (socialista) e da Coreia do Sul (capitalista). Nesse entremeio há também aqueles que buscam a reunificação da coreia. 

Posteriormente a guerra das coreias, culminando na divisão das mesmas; diversas foram as tensões entre os dois países cujos respectivos aliados sempre tentaram acalmar os nervos. Voltamos então ao princípio dos padrinhos, relatado em post anterior para o conflito na Síria.

Se de um lado a Coreia do Sul tem os EUA e o Japão como padrinhos, do outro lado, está a Coreia do Norte e a China como seu padrinho. Apoiados não só em seus padrinhos, mas no armamento nuclear que possuem, ambas as coreias viveram trocando suas farpas enquanto seus padrinhos acalmavam os nervos para evitar não só um conflito nuclear como também de terem que intervir de forma mais direta e dar ao conflito uma proporção mundial de destruição. 

A questão é que nos últimos anos, desde que assumiu o comando da Coreia do Norte, o presidente vive as voltas com a desconfiança dos militares de seu governo, principalmente os mais velhos, sobre sua capacidade de governar ser tão "boa" como a de seu pai e antecessor.

Essa preocupação pode ser notada com as viagens que seu pai fazia com ele para "apresentá-lo" aos seus aliados bem como a maquiagem sobre a sua idade, o envelhecendo um ano.  

Talvez, por este motivo, o jovem líder esteja se sentindo pressionado a "mostrar serviço" e nada melhor para isso do que iniciar uma guerra verbal com o país mais poderoso do planeta. 

Isto não é novidade e seu pai já usava esse artifício. Naquela época uma ameaça a vizinha do sul já era o bastante para os EUA acenarem com um acordo. Acordos esses que já envolveram até barrinhas de cereal para salvar o país que vivia uma crise alimentícia devastadora (mais por questões políticas do que climáticas, é bem verdade). 

E desta vez não parece ser diferente. Como levantado anteriormente, talvez todo este alarde seja simplesmente para tentar conseguir uma barganha para que o regime seja mantido ou mesmo para que seu líder consiga o "respeito" de seus subordinados, principalmente os mais antigos que podem enxergar nele uma fragilidade para comandar o país devido a sua pouca idade e, quem sabe, iniciar um golpe para derrubá-lo ou algo do gênero. 

Fato é que estamos diante de mais um capítulo de "guerra improvável, paz impossível". Mesmo tendo dos dois lados líderes de temperamento forte, ambos sabem bem o poderio bélico nuclear que têm nas mãos e o que ele pode fazer não só com o outro país, mas também como o mundo. Não à toa, a qualquer sinal de maior tensão, sempre surge alguém para pedir um acordo. Desta vez não está sendo diferente. 

terça-feira, 11 de abril de 2017

Mais uma guerra improvável com paz impossível?

Desde a semana passada, notícias e mais notícias circulam sobre a tensão envolvendo Síria, Rússia e EUA. 

As declarações em tom ameaçador não são novas, mas a subida de tom entre as nações sim. 

A Síria foi um dos poucos países que resistiu a "Primavera Árabe" e, desde então, trava uma guerra civil que já perdura anos. E só está tendo esta validade toda por conta dos padrinhos envolvidos neste conflito, o que nos remete a uma história bem semelhante a rixa entre as Coreias. 

Se por um lado o governo sírio conta com apoio russo, os rebeldes contam com apoio norte-americano para derrubar o regime de um ditador cuja família está há mais de 40 anos no poder.

Desde os primeiros movimentos da "Primavera Árabe" o governo sírio se mostra relutante em deixar o comando. Seja por ter o exército ao seu lado, seja pelo apoio russo. Já do outro lado, os rebeldes tentam uma coalizão capaz de combater o governo, ao passo que o seu "padrinho" o ajuda belicamente, mas também com o intuito de pôr no governo alguém que atenda prontamente os interesses do Tio San. 

Por anos, o conflito não "incomodou" ninguém pelo simples fato de estar restrito a própria Síria. Contudo, nos últimos dois anos, vemos uma onda migratória proveniente desde conflito (entre outros motivos) como nunca se viu desde a segunda guerra, buscando principalmente o outro lado do Mar Mediterrâneo. 

Neste cenário o "incômodo" passa a ser sentido, pois extrapola os limites do território sírio e ganha o continente europeu com um fluxo migratório tão grande para a região que foi até capaz de impulsionar o Brexit. 

Entra em tela então o retrato de uma situação já vista anteriormente, por diversas vezes na história: o continente europeu pede ajuda ao Tio San para resolver os problemas que ela mesmo negligenciou e agora já não é capaz de contornar sozinha. 

Travestido de salvador do velho mundo, mais uma vez, os EUA tentam achar uma solução para o conflito, não porque possuem a melhor estima pelo continente europeu, mas sim porque, para uma economia com base no petróleo, ter mais um país de quem comprar expande seus mercados e torna o preço ainda mais atraente, principalmente quando o governo é seu aliado... 

A questão é quando paramos pra perceber que do outro lado, o governo sírio tem um aliado que possui um poder de fogo que pode até não ser o mesmo dos EUA, mas sua capacidade de destruição não fica longe. Isso sem contar que a Rússia é herdeira da antiga URSS e a mesma e os EUA rivalizaram por décadas acerca da hegemonia mundial; o que ainda rende ranços de ambas as partes. 

Assim vemos um conflito de escala local ter condições reais de se tornar um conflito de escala global. Mas isso não pelo envolvimento de diversos países, mas sim numa perspectiva bélica, já que o "padrinho" de cada um dos envolvidos possui armamento suficiente para reduzir o mundo todo a poeira. 

Claro que o confronto entre ambos é descartado, até por eles mesmos. Eles sabem das armas que possuem e das consequências do uso delas em caso de conflito. O que parece então deixar as coisas no campo das sanções, onde o Tio San tentará "estrangular economicamente" o governo sírio e seu aliado russo através de sanções econômicas para tentar obter alguma vitória. 

O problema vai ser tentar fazer isso quando 1/3 do gás do continente europeu é fornecido pela Rússia. Entretanto, o ponto principal nem é esse. Pois com EUA e Rússia travando uma queda de braço via governo sírio e seus rebeldes, quando o principal objetivo que é a devolver a ordem e a estabilidade em todas as suas esferas ao país será concretizado?

Até lá, nos resta acompanhar pelo noticiário mais um capítulo do que seria um resquício da guerra fria e que já acontece com as coreias, acontecer também na Síria. Enquanto isso, o povo sírio padece e perde cada vez mais a esperança em cada bomba que é lançada sobre os escombros do que um dia foi o lar deles. 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Protestos na Guiana Francesa lembram a França de que ela existe!

Caros leitores do blog, 

Depois de alguns problemas técnicos, estamos retomando, aos poucos, a nossa programação normal. Os textos de terça-feira permaneceram e continuarão em nossas publicações semanais, mas agora também voltam as publicações diárias em nossa página do Facebook e no Twitter

Agradecemos a compreensão de todos!. 

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Em época de eleições, os candidatos costumam prometer mundos e fundos para chegar ao posto almejado. Principalmente quando este posto refere-se ao patamar mais alto dentro do seu país. Com a França não é diferente... 

Os candidatos à presidência, dentre outras questões, resolveram voltar suas atenções para o departamento ultramar francês que há muito anda esquecido, a Guiana Francesa. 

Nosso vizinho na América do Sul, a Guiana Francesa é um departamento ultramarino francês, parte da UE, inclusive adotando o euro como moeda. Suas principais riquezas são as minerais, além da base espacial de Kourou (o que justifica o interesse francês em manter a área sob seu domínio até hoje). 

Contudo, parece que, mais do que nunca, o território vive uma crise gigantesca: mais de metade da população não possui saneamento básico, o desemprego é alarmante (especialmente entre os jovens), além da taxa de homicídios ser bem elevada. 

Esta série de fatores, associados ao ano eleitoral francês levaram a população da Guiana Francesa às ruas para reivindicarem mais investimentos franceses no território. Um grupo chamado "500 irmãos" reivindica um investimento na ordem de 10 bilhões de euros e já convocou greve geral como forma de se fazer ouvir não só pelo atual governo, como por seus candidatos ao posto. 

O território também sofre com a imigração ilegal, por conta de interessados na mineração no país, principalmente na exploração do ouro. 

Fato é que o local só serviu mesmo como mero quintal da França que retira de lá apenas o que lhe é interessante e lucra com as atividades da base espacial de Kourou que realiza diversos lançamentos de satélites para outros países, inclusive para o nosso. 

A população que vive uma situação lastimável, tenta se fazer ouvir do outro lado do Atlântico e dirigir a agenda dos presidenciáveis também para suas reivindicações. A questão é se realmente farão algo pela Guiana depois de eleitos. Principalmente quando um candidato acha que se trata de uma ilha, enquanto a outra acha que se resume tudo a questão da imigração. 

Com um cenário como esse, parece que a população da Guiana Francesa está a sua própria sorte e terá que se organizar e se mobilizar cada vez mais para ser ouvida pelo próximo presidente francês. 



Com informações da BBC 

terça-feira, 21 de março de 2017

Geoplaylist - (Guilherme Arantes - Planeta Água)

Na véspera do dia mundial da água, a nossa indicação de hoje não poderia outra além de "Planeta Água", de Guilherme Arantes. 

Várias são as possibilidades a serem exploradas com esta música. Passando pelo sexto ano até o Ensino Médio, podemos usar a música para discutir ciclo da água, uso consciente da água, corpos hídricos, seca no Nordeste, usos econômicos da água e etc. 

A dinâmica envolvendo a música pode conter pesquisas, seminários, debates, além, é claro, de um trabalho interdisciplinar com ciências/biologia, dependendo da série em que se aplicará o trabalho.  

Não necessariamente o trabalho precisa da data de amanhã para ser utilizado, mas a data é um ótimo dia para reforçar o intuito do trabalho que pode ser o de conscientizar e alertar sobre o uso que fazemos deste bem tão essencial a vida. 


terça-feira, 14 de março de 2017

Mais um problema envolvendo imigrantes na UE

Caros leitores do blog, 

Antes de começar o texto, gostaríamos de pedir desculpas pela longa ausência. Estamos enfrentando problemas técnicos que não nos permitem, por hora, publicar diariamente como de costume, além dos textos semanais. 

Dentro do possível estaremos tentando manter a regularidade pelo menos dos textos semanais. Assim que a questão for resolvida, retomaremos a nossa rotina de postagens. 

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Mais uma vez a questão dos refugiados de um lado do Mediterrâneo acaba refletindo em sua outra margem. 

Se as guerras civis na Ásia e na África que levaram a uma onda migratória maior até do que a da 2ª guerra foram capazes de fazer a terra da Rainha "pedir pra sair" da UE por não querer se misturar aos demais. A crise dos refugiados ganha mais um capítulo dentro do bloco. 

Pioneiro em sua organização, cujo exemplo é seguido pelos demais blocos que vieram logo após, a UE parece não saber lidar com a questão migratória em seu bloco. Pelo menos não que tange os migrantes que não são intra-bloco e de poder aquisitivo pífio. 

Sabe-se que não é fácil encontrar unanimidade entre pessoas, que dirá entre países. Mas esta questão em particular, tem tirado o sono da UE nos últimos tempos. 

Embora os conflitos da outra margem do Mediterrâneo já ocorressem há anos; o pessoal da margem europeia não se mostrou incomodado ou solícito em ajudar a resolver as questões exatamente pelo problema estar "do outro lado". 

O problema é que a partir do momento em que começou a cruzar o Mediterrâneo, embora de forma precária e, muitas vezes, não chegando a completar a travessia, a indiferença deu lugar a preocupação. Não a preocupação com o próximo, mas a preocupação com o seu. 

Várias hipóteses sobre a melhor forma de abrigar os refugiados foram levantadas, assim como vários pontos de discordância sobre cada uma delas. Enquanto uns tentavam empurrar o problema para os países de "segunda classe" dentro da UE, outros lutavam por uma distribuição mais justa dentro do bloco que levasse em conta a saúde financeira de cada país para determinar a quantidade de refugiados. 

Diante deste impasse, a terra da Rainha arrebitou o seu nariz real e pediu para se retirar da brincadeira dando início a uma situação sem precedentes: a saída de um membro do bloco. 

Os termos do acordo ainda estão sendo costurados, mas a fragilidade do bloco em relação à migração parece ser o início de um efeito dominó que assombra o bloco. Mais um destes movimentos ocorreu esta semana, desta vez entre Holanda e Turquia. 

Postulante assíduo a uma vaga no bloco, a Turquia rompeu relações com a Holanda pelo que achou ser uma democracia seletiva por parte do bloco ao apoiar a Holanda cujas autoridades impediram ministros turcos de discursarem para expatriados em solo holandês. O ato rompeu a relação entre os dois países e estremece mais uma vez o bloco em relação aos refugiados. 

Em meio a isso tudo, temos um bloco que agora anda cambaleante não só pela questão da imigração e pela saída de um dos seus membros mais ricos (como se não fosse pouco), mas também pela crise que desde 2008 tem dado trabalho ao bloco para reerguer-se... Que o digam os gregos...