terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

Questão da Caxemira volta à cena depois de 30 anos de calmaria

Uma questão que já dura pra lá de seus 70 anos na Ásia volta a preocupar não só a região, como o mundo inteiro. 

A Caxemira (mapa abaixo), região fronteiriça entra Índia, Paquistão e China, sempre foi um dos espinhos entre os dois primeiros países citados. E essa questão já é bem antiga, como dissemos anteriormente. 

Com a independência do "mundo indiano" a Índia era "cercada" por dois "paquistões", o ocidental e o oriental. O Ocidental se tornou o atual Paquistão enquanto o Oriental se tornou Bangladesh. Com a independência deste último, milhares da paquistaneses se mudaram para o atual Paquistão, mais notadamente para a Região da Caxemira. 

Entretanto as diferenças religiosas entre os dois países promoveram uma série de episódios, muitos deles conflituosos, envolvendo exatamente a região em questão. Algo que seria uma disputa local, acabou ganhando a atenção do mundo pelo fato dos dois lados possuírem armas nucleares (herança da guerra fria). Então, toda vez que alguma tensão ocorria entre os dois países, os demais corriam para acalmar os ânimos e assim evitar um possível confronto nuclear. 

Nos últimos 30 anos, os dois países enfrentaram um certo período de paz, mas isso durou até um atentado que vitimou fatalmente mais de 40 policiais indianos na região da Caxemira. O atentado foi reivindicado por um grupo terrorista que, segundo o governo indiano, possui o apoio de Islamabad.

Diante deste atentado, a ONU já se pronunciou externando sua preocupação em relação a este episódio, temendo que uma escalada de violência ocorra na região, principalmente porque já houveram confrontos logo após o ocorrido. O medo aqui é o mesmo de 70 anos atrás e continuará pelos próximos 70 anos ou mais: uma guerra nuclear entre dois países que terá consequências mundiais.  


Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/folha/reuters/ult112u16171.shtml

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

4 anos depois e o que mudou?

4 anos se passaram desde Mariana e o que mudou? Absolutamente nada! 

Continuamos explorando nossos recursos naturais sem o mínimo de cuidado e com uma fiscalização risível que levou a mais um acidente de incalculável perda não só ambiental como humana. 

Mais uma vez, assistimos perplexos vidas serem levas pelo descaso, pela negligência e por uma série de erros e ausências que nem por uma tragédia anterior foram sequer alcançadas por uma tentativa de esboço de um controle de exploração dos recursos ambientais do nosso país de forma mais efetiva. 

Nem mesmo a tragédia de Mariana levou as autoridades a tomarem providências em relação não só as barragens de rejeito de minérios, mas a toda e qualquer questão ambiental que mereça atenção especial por parte dos órgãos fiscalizadores. Isso se reflete em dados da ANA que mostram que em 2017 apenas 3% das barragens no Brasil foram fiscalizadas

Como se não fosse pouco, a técnica utilizada pela Vale para armazenagem dos rejeitos era simplesmente a mais barata possível. Consequentemente não é difícil de imaginar que também é a mais frágil. 

E não há justificativa para o que ocorreu. Por mais caro que seja o dinheiro remanejado para que os órgãos responsáveis façam sua fiscalização de forma eficiente; não se comparada as tragédias sofridas por nós em menos de 5 anos. 

Perda de vidas humanas, destruição de patrimônio, perda de biodiversidade, perda de áreas agricultáveis, degradação ambiental em larga escala, levando décadas para se recuperar ou, muita das vezes, de forma irreparável, compõem uma lista imensa de perdas incalculáveis que a negligência da fiscalização ambiental em nosso país não poderá reaver jamais. 

Enquanto isso, existem pessoas que ainda tem a audácia de dizer que o IBAMA é uma indústria de multa. Algo que pode esvaziar ainda mais o poder de combate de um órgão que parece ter sido engavetado e que raras vezes mostra serviço; seja por falta de investimento, seja por corrupção ou mesmo negligência. 

Entretanto, mais uma vez, vemos o nosso país inteiro de comover com o fruto do descaso e falta de uma fiscalização mais efetiva, chancelado por anos de parco investimento em um órgão que deveria ser de fundamental importância para o nosso país, mas que é tratado como um parente que raramente é lembrado por alguém. 

No meio disso tudo, a música composta para o desastre de Mariana, infelizmente, mais uma vez, se torna o retrato de mais uma tragédia ambiental. 

E o questionamento permanece: Até quando desastres como esses continuarão acontecendo sem que nada seja feito, de fato, para preveni-los?




terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Brexit perto do capítulo final?

Mais um capítulo da novela do Brexit se desenhou esta semana quando a primeira ministra britânica decidiu adiar a votação do Brexit, o que soou como um recuo para evitar uma derrota eminente. 

Encurralada entre opositores (que não desejam o Brexit) e membros e aliados do seu partido (que acreditam que o acordo costurado entre UE e Reino Unido é insatisfatório), a primeira ministra parece não saber dar prosseguimento ao "divórcio" entre o Reino Unido e o bloco europeu. 

Aliás, essa novela se arrasta desde 2016 quando fora realizado o famoso referendo (consulta à população) sobre a possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia. Naquela época, o intento era retirar as "terras da rainha" do acordo, pois a guerra civil na Síria, que ocorre desde 2011, já havia levado para o velho continente, o maior contingente migratório desde a segunda guerra mundial, algo que incomodou extremamente os ingleses. 

Enquanto a guerra na Síria ocorria, na UE era decidido como seria feita a "distribuição dos imigrantes" oriundos do conflito que foi consequência da Primavera Árabe, onde, em linhas gerais, a quantidade de imigrantes seria definida de acordo com a economia dos países membros do bloco. Algo que foi considerado a gota d´água pela ala conservadora britânica. 

Diante deste cenário, surge o plebiscito para considerar a saída do Reino Unido ou não da UE. Curiosamente, esta consulta foi realizada em meio a diversas notícias que atacavam a permanência do Reino Unido na União Europeia e influenciavam a opinião da população sobre essa questão. 

Através de uma enxurrada de notícias, não era difícil prever que o resultado, apesar de apertado, daria a vitória ao "sim" e a partir disso, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, que mais tarde ficaria conhecido pela expressão "Brexit", teria seu início. 

Em contrapartida o "divórcio" em questão não seria dado de maneira simples, visto que envolve questões legislativas, financeiras, políticas, comerciais, administrativas e tantas outras instâncias que chegar a um denominador comum seria praticamente um trabalho de Hércules, até porque nem mesmo a UE se mostrara tão disposta ao divórcio

Os anos foram passando e a primeira ministra foi perdendo força, enquanto novas questões foram surgindo, principalmente relacionadas as duas Irlandas no pós-brexit. Aliás, esta questão é tão espinhosa que já motivou o pedido de demissão de um dos ministros de May por discordar do acordo que ela rascunhou junto com o bloco europeu. 

Aliás, o rascunho do acordo entre UE e Reino Unido, foi amplamente rejeitado tanto por aliados quanto pela oposição. Se os primeiros acharam o acordo muito "fraco" e que o mesmo deveria ser renegociado, os últimos, que já eram contra a saída, manifestaram seus descontento, procurando mostrar os prejuízos titânicos que o Reino Unido sofreria em caso de saída definitiva do bloco. (Não só para ambos, como para o mundo inteiro). 

O tempo passou, e o acordo não ganhou grandes avanços e a população britânica dá sinais de que cada vez mais que regredir de sua decisão e quer que o governo também o faça, algo que May não parece disposta a fazer. Porém continua cada vez mais solitária em sua campanha que parece murchar como balão não amarrado corretamente em festa. 

Provas disso são tanto o adiamento da votação de uma nova consulta à população sobre o Brexit; o que, para muitos, já é considerada um prenúncio de que o Brexit fracassou antes mesmo de ser oficializado; quanto uma decisão da corte europeia (que geralmente leva 2 ANOS para tomar uma decisão, mas essa foi em questão de dias) que dava ao Reino Unido a possibilidade de romper unilateralmente o Brexit com a UE, sem dar maiores explicações aos seus membros. 

Tais demonstrações, assim como o fato de que a UE já se pronunciou sobre não renegociar o acordo estipulado, empurram a primeira ministra britânica para o abandono do Brexit; o que significaria também o fim de seu mandato, visto que não conseguiria se sustentar caso o projeto tão defendido por ela, não se concretize. 

Embora tudo corrobore para o fim do Brexit, a primeira ministra ainda tenta achar a saída do beco em que se meteu, mas só ela parece disposta a isso. Do outro lado, população, UE, opositores e até mesmo aliados aumentam cada vez mais suas esperanças de que este acordo permaneça no papel e de preferência engavetado.  



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Qatar anuncia que deixará OPEP ano que vem

Esta semana, o Qatar anunciou que no próximo ano não fará mais parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). 

Segundo o ministro o local, a medida estaria relacionada ao fato do Qatar ser um país com pequena representatividade na produção petróleo tanto dentro do grupo como fora dele. 

De fato, o forte desde país é a produção de gás natural liquefeito. Sua produção petrolífera é muito pequena (algo em torno de 610 mil barris/mês); ao contrário de sua produção de gás natural liquefeito (algo em torno de 77 milhões de toneladas por ano). Mas, ao contrário do que tudo indica, a sua saída da organização tem motivação política, não econômica. 

Embora os números comprovem, e sejam uma ótima justificativa para a saída do país do grupo que praticamente dita o preço do petróleo no mercado mundial, o Qatar não tem uma boa relação com parte dos membros da OPEP. Países como a Arábia Saudita e o Egito, só para citar alguns, acusam o Qatar de financiar o terrorismo, algo que sempre foi desmentido pelo próprio país dissidente do grupo. 

Soma-se a isso o fato da maior base militar norte-americana do Oriente Médio, estar no Qatar. Algo que também desagrada, e muito, os países membros da organização da qual o Qatar pretende se retirar, até mesmo por conta do cerne em que a OPEP surgiu. 

De forma bem simplista, podemos dizer que a OPEP surgiu como uma forma de retaliação ao apoio norte-americano dado a Israel desde sua independência e nas consequentes guerras com a Palestina, que se daria através do controle do, atualmente, bem mais "precioso" não só para os americanos, como para o mundo. A criação da OPEP chegou a, inclusive, proporcionar uma das crises do petróleo. 

Além da questão política,  parece contribuir para a saída do Qatar da OPEP a oportunidade do próprio país produzir a quantidade que desejar de petróleo, não ficando mais "presa" as políticas acordadas no grupo. Decisão que parece pouco justificável, visto que sua produção não tem relevância mundial e nem mesmo para o país, cujo forte, como mostrado acima, é o gás liquefeito. 

Apesar da saída não ter grande relevância no cenário mundial, a mesma acaba evidenciando que as relações no Oriente Médio entre os países que o compõem não é das mais amistosas, como aliás, arriscamos dizer, parece nunca ter sido; e a saída do Qatar da OPEP parece ser apenas mais um capítulo na conturbada história desta região da Ásia. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Cinema, Pipoca e Geografia! - O Último Samurai

A indicação de hoje, apesar de antiga, serve para ilustrar fatos relacionados ao Japão que sempre entram em tela quando explicamos sobre esse país aos alunos. Geralmente, nos anos finais do Fundamental II. Nossa indicação trata-se de o "Último Samurai"


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A história do filme em si não é o ponto exato de nosso interesse, mas sim certas passagens do filme que servem como ilustrações para a explicação sobre o Japão. Vamos a eles:

Não há como falar em modernização do Japão sem falar em Era Meiji. Essa dinastia protagonizou um salto "modernizante" no Japão ao investir em educação, militarização, industrialização, trazendo inclusive técnicos europeus para ensinar aos japoneses a lidar com os equipamentos que eram importados pelo país, entre outras medidas. 

Dois dos fatos citados aparecem no filme, onde o imperador é inclusive representado no filme e mencionado algumas vezes, bem como também é ilustrada a chegada de europeus com o intuito que mencionamos acima. 

Há também no filme, que acaba até sendo usado como pano de fundo, uma certa resistência à modernização do Japão, que, no filme, causa um embate entre o "Japão feudal" e o "Japão moderno", onde o primeiro lado é representado por espadas, ao passo que o segundo é representado pelas armas. 

Como dissemos, o filme pode ser usado para representar parte da explicação dada sobre o Japão, principalmente no tocante a Era Meiji e a modernização do país com o intuito de se lançar na corrida imperialista. 

Enquanto sugestão, pode ser solicitado aos alunos que relatem de quais formas, no filme, é retratado essa cisão entre o Japão Feudal e o Moderno, seja através de uma apresentação, redação ou mesmo debate após o filme ou em aula subsequente. 

Como sempre, vale a pena conferir!