domingo, 4 de setembro de 2011

Descoberto planeta feito de Diamante

Astrônomos descobriram um planeta feito de diamante. Isso mesmo... 

O Planeta fica a 4 mil anos-luz da Terra e é composto por carbono cristalino, ou seja, grande parte dele é feita mesmo de diamante... 

Ta aí uma prova do quanto o Universo é enorme e quanto ainda o desconhecemos... 


LONDRES (Reuters) - Astrônomos localizaram um exótico planeta que parece ser quase todo feito de diamante, girando em torno de uma pequena estrela nos confins da galáxia.
O novo planeta é bem mais denso do que qualquer outro já visto, e consiste praticamente só de carbono. Por ser tão denso, os cientistas calculam que o carbono deve ser cristalino, ou seja, uma grande parte dele é mesmo de diamante.
"A história evolutiva e a incrível densidade desse planeta sugerem que ele é composto de carbono, ou seja, um enorme diamante orbitando uma estrela de nêutrons a cada duas horas, numa órbita tão compacta que caberia dentro do nosso Sol", disse Matthew Bailes, da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne.
A 4.000 anos-luz da Terra, ou cerca de um oitavo da distância entre o nosso planeta e o centro da Via Láctea, o planeta é provavelmente remanescente de uma estrela que já foi gigantesca, mas que perdeu suas camadas externas para a estrela que orbita.
Os pulsares são estrelas de nêutrons, pequenas e mortas, com apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro, girando centenas de vezes por segundo e emitindo feixes de radiação.
No caso do pulsar J1719-1438, seus feixes varrem a Terra regularmente e já foram monitorados por telescópios da Austrália, Grã-Bretanha e Havaí, o que permite aos astrônomos detectar modulações devido à atração gravitacional do seu companheiro planetário, que não é visto diretamente.
As medições sugerem que o planeta, com um "ano" de 130 minutos, tem uma massa ligeiramente superior à de Júpiter, mas é 20 vezes mais denso, segundo relato de Bailes e seus colegas na edição de quinta-feira da revista Science.
Além do carbono, o novo planeta também deve conter oxigênio, que pode ser mais abundante na superfície, tornando-se mais raro na direção do centro, onde há mais carbono.
Sua grande densidade sugere que os elementos mais leves -- hidrogênio e hélio -- que compõem a maior parte de gigantes gasosos, como Júpiter, não estão presentes.
O aspecto desse bizarro mundo de diamante, no entanto, é um mistério.
"Em termos do seu aspecto, não sei nem se eu posso especular", disse Ben Stappers, da Universidade de Manchester. "Não imagino que uma imagem de um objeto muito brilhante seja o que estejamos vendo aqui."


Extraído de yahoo.com.br

Descoberto novo rio na Amazônia

Fora descoberto nesses dias um rio de 6 mil Km de extensão na Amazônia. A descoberta foi apresentada em um congresso de geofísica. 


A descoberta, mostra, além de riqueza de nosso país, o quanto ainda o desconhecemos. 


Investimentos de pesquisa deveriam ser feitos em uma maior escala do que são atualmente, para que possamos ter conhecimento do que o nosso país possui, principalmente em se tratando de Amazônia. 


Digo isto, não só pelo fato de termos que conhecer o que nosso país possui, mas também para que não acabemos perdendo aquilo que seria nosso, mas acaba não sendo justamente porque outros vieram, pesquisaram e reconheceram antes de nós. 


Principalmente em se tratando de Amazônia, não é nenhuma novidade quando nos deparamos com notícias de cientistas que foram encontrados na Amazônia fazendo pesquisas ilegais ou até mesmo notícias que relatam práticas de biopirataria. 


Devemos sim cuidar do que é nosso, preservando e reconhecendo. Para isso investimentos em larga escala em pesquisas devem ser feitos. Não só para que tenhamos em mãos o conhecimento total, mas também para que outros não se apropriem do que é nosso. 


Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
Os dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
Características
A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.





Extraído de yahoo.com.br

China e América Latina: Parceria de mão dupla

Desde o final dos anos 2000, pelo menos de forma mais notória, a China vem galgando passos para se tornar a principal economia mundial, passando assim os EUA. 

Vislumbrando esta possibilidade vários países firmaram acordos com a China, visando se desvencilhar dos EUA como principal parceiro em trocas comerciais e acordos econômicos, até pelas cambaleadas que o mesmo vem apresentando em sua economia. Contudo, se olharmos atentamente, podemos ver que esse acordo é uma via de mão dupla.  

Usaremos o gancho da reportagem abaixo para falar da América Latina e, em especial, do nosso país. 

Ao analisarmos esses acordos vemos que os países latino americanos caminham para uma futura dependência da China. Com o Brasil não é diferente. Há alguns anos a China já ultrapassou os EUA e se tornou o nosso maior parceiro comercial e isto pode ser usado como um indicativo desta  futura dependência.

Nosso país pode ao longo dos anos se tornar dependente da China, senão diversificar suas exportações. Apesar de exportarmos em larga escala para a China e isso representar uma boa injeção de capital em nossa economia, devemos prestar atenção que neste cenário, demais coisas ocorrem além do fato citado. 

Da mesma forma que produtos nossos são levados para China, produtos chineses chegam ao nosso país. Contudo, devido ao baixo custo de produção muito em virtude do custo de mão-de-obra ser baixo, muitos produtos chineses têm levado certas vantagens comerciais em cima dos nossos produtos dentro do nosso mercado interno. O resultado disso é que muitas indústrias tem ido a falência e fechado suas portas por conta disso, mas ainda tem coisa pior. 

Muito antes de quebrarem, algumas indústrias estão fechando suas portas aqui no Brasil e abrindo filiais na China, pois, acreditem, mesmo com todo o custo de transporte de lá pra cá e os impostos cobrados tanto lá, quanto aqui, o custo de produção do produto é mais barato lá do que aqui. 

Portanto, mesmo que, por agora, essa parceria econômica seja vantajosa para o nosso país, a longo prazo, senão diversificarmos nossas parcerias, correremos sério risco de uma dependência da China onde ficaremos preso a saúde econômica da mesma que apesar de hoje estar bem, não se sabe como estará amanhã. Os EUA que os digam....

O mesmo pode se dizer dos demais países da América Latina, que andam pegando empréstimos de altos valores da China. Não que seja o caso de todos os países da região, mas está ficando cada vez mais flagrante este fenômeno que também pode levar a dependência, e a diversificação pode ser uma boa saída para isso. Caso contrário será apenas uma troca de dependente, onde os EUA passarão o bastão lentamente para a China.


O forte crescimento do comércio entre China e América Latina tem sido benéfico por aumentar a demanda para as exportações de commodities da região, enquanto reduz a exposição de muitos países do continente a crescimentos cíclicos na economia americana. Todavia, inquietações a respeito dos riscos do crescente comércio da China com a região estão se tornando cada vez mais sonoras: o país asiático poderia comprar as commodities da América Latina sem garantir benefícios a longo prazo para a região; a competição dos importados chineses prejudica os produtores domésticos; projetos chineses vão trazer trabalhadores chineses ao invés de contratar funcionários locais; e o cultivo de laços com o país asiático pode dissuadir outros potenciais investidores. Há ainda riscos de dependência financeira significantes, enquanto a combinação de empréstimos leves e projetos de investimentos podem deixar alguns países perigosamente endividados ou dependentes da China.

Em julho, a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apontou que até 2015 a China poderá se tornar o segundo maior parceiro comercial da região, atrás apenas dos EUA (a nação asiática já é a principal parceira comercial de alguns países, incluindo o Brasil). Em 2010, o comércio entre China e América Latina totalizou 178,6 bilhões de dólares (cerca de 284 bilhões de reais), um impressionante incremento de 51% em relação a 2009. Enquanto esse grande salto, em parte, reflete a recuperação de um período mais lento de negócios durante a depressão econômica internacional de 2008-09, também destaca o fato de que intensificar o comércio com a China é agora uma consideração importante aos países da América Latina, particularmente aqueles ávidos por diversificar laços de comércio para além dos EUA.
Por um barril
Um exemplo recente da crescente dependência do finaciamento chinês é o Equador. O país assinou cinco grandes acordos de empréstimos com a China, com a vasta maioria dos fundos sendo direcionada a projetos de infraestrutura. O Equador não tem condições de financiar esses projetos sozinho e está amplamente excluído do financiamento global devido a um calote prévio. A recessão global e o próprio clima regulatório incerto do país também significam que há menos investimentos estrangeiros diretos vindos de outras nações. Em particular, o fato de a política equatoriana estender o controle estatal para setores econômicos estratégicos, como a indústria do petróleo, tem dissuadido investidores.
Em junho, o Equador anunciou um acordo de uma linha de crédito de 2 bilhões de dólares com a China, que será usada para construir novas plantas hidroelétricas e projetos de irrigação. Em seguida, em julho, ambos os países fecharam um acordo petrolífero pelo qual o Equador vai fornecer 130 milhões de barris de óleo bruto e mais 18 milhões em combustível derivado de petróleo entre 2011 e 2018. Os dois acordos realçam a crescente dependência do Equador em financiamentos chineses, o que pode favorecer a China em futuros acordos a envolver petróleo. A China se tornou o primeiro porto do Equador para solicitação de empréstimos, o que substancialmente aumentará o endividamento do país latino-americano com os asiáticos. Isso coloca em risco a dependência econômica para com os EUA, que o governo de esquerda do Equador tenta reduzir, e que será substituída pela elevada confiança no investimento chinês e comércio.
Bom Equilíbrio
O risco de se tornar excessivamente endividado com a China é basicamente limitado a países como Equador e Venezuela, ambos membros da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA, um grupo de esquerda regional anti-EUA liderado pela Venezuela). A decisão ideológica de diversificar para além do comércio e investimento dos EUA os tem levado a confiar de modo crescente na China. Na Venezuela, isso diz respeito majoritariamente ao setor de energia pela exploração conjunta e ao setor de projetos de desenvolvimento. Entretanto, Caracas também já selou diversos acordos de empréstimos com a China. A preocupação crescente do investidor em relação ao ambiente regulatório e de investimentos venezuelano pode elevar a participação da China no setor de energia, bem como o seu papel como provedor de financiamentos.
Isso está em contraste com o caso do Brasil, onde crescentes exportações para a China têm sido balanceadas por um crescimento robusto do mercado doméstico e investimento direto de outros países. O Brasil também não é dependente de empréstimos da China. Neste caso, os riscos a longo prazo giram em torno da elevada dependência da demanda de um único mercado, mesmo de um grande mercado em expansão como o da China, particularmente visto que as exportações brasileiras para o país asiático são basicamente de commodities. Há também preocupações no Brasil com a rápida expansão do déficit comercial com a China em bens manufaturados. Não obstante, o papel da China no Brasil e na região provavelmente continuará a aumentar da mesma forma que seu peso na economia e sua insaciável demanda por commodities continua a subir.
Enquanto isso, países como o Equador e a Venezuela em particular – e em menor extensão a Bolívia, Nicarágua e Cuba – parecem prontos para aprofundar seus relacionamentos estratégicos com a China. A pragmática superpotência asiática quer aumentar sua potencial influência em áreas do mundo ricas em recursos naturais e abrir oportunidades para suas empresas no exterior, reforçando seu espaço para manobras em negociações contratuais. Como tal, assumindo que a economia chinesa continue a florescer, empréstimos provavelmente devem continuar a fluir.

Extraído de cartacapital.com.br 

Reformas econômicas em Cuba: mercado imobiliário

Desde que Cuba se viu sozinha, desde o fim da URSS quando perdeu sua "madrinha", a situação da ilha, que já não era das melhores, veio sofrendo perdas sensíveis, associadas também ao embargo econômico imposto pelos EUA. 

Com problemas de abastecimento para com sua população, além de uma economia cambaleante por conta dos embargos, em grande parte, Cuba se viu obrigada a implementar reformas econômicas para reaquecer sua economia. Uma das apostas iniciais, e que tem dado certo para a ilha, é o turismo. 

Contudo, as reformas não pararam por aí. Além de "abrir suas portas" aos estrangeiros, pelo menos via turismo, Cuba agora realiza reformas em seu mercado imobiliário. Numa tentativa de implementar reformas econômicas visando melhorar a saúde de sua economia, Cuba agora tenta implementar leis que regulem um mercado privado imobiliário, atingindo não só o mercado de compra e venda de imóveis, mas também o de reformas. 

E as reformas não param no mercado imobiliário não, as mesmas pretendem chegar ao mercado de automóveis, pelo menos até o fim deste ano. Pelo jeito, parece que Cuba está mesmo mudando sua economia que durante anos foi comandada por Fidel Castro e que agora sob a batuta de seu irmão e o antigo modelo de economia parece enfraquecer diante de um novo que parece surgir em meio as reformas, um sistema menos controlador, menos preso ao Estado. 

Acho que ainda é cedo para avaliarmos todas essas mudanças e o que elas podem acarretar na economia de Cuba, mas já podemos ver que mudanças significativas estão sendo feitas na Ilha cubana.

Entre as principais mudanças que estão sendo planejadas pelo governo de Cuba como parte de profundas reformas econômicas, está a criação de um mercado imobiliário legal. Além do recente aumento de possibilidades para o autoemprego, esta reforma poderia muito bem ter o maior e mais amplo impacto na população cubana. Isso não só legitimaria a propriedade privada, como também seria o pontapé inicial para um grande reassentamento, melhoras nas moradias, uma indústria da construção privada e um mercado de crédito novo. A reforma também poderia alavancar um novo fluxo de dinheiro de cubanos que vivem no exterior.
No período entre novembro de 2010 e  abril de 2011 em debates sobre as reformas da política econômica — diretrizes aprovadas durante o congresso do Partido Comunista Cubano (PCC), em abril —, a compra e venda de casas foram os temas a receber maior número de comentários públicos. Isto revelou fortes apelos para o mercado imobiliário ser liberalizado, o que não surpreendeu, dadas as grandes restrições sobre os reassentamentos e a baixa demanda por habitação em meio há décadas de escassas moradias. Embora, tecnicamente, os cubanos sejam donos de suas casas, eles não estão autorizados a comprá-las ou vendê-las, e isso levou a um mercado próspero, mas ineficiente para swaps e vendas de casas.
Acredita-se que a liberalização a permitir um mercado imobiliário livre não só facilita esse processo, mas também leva a grandes melhorias no parque habitacional existente. E criaria oportunidades para a criação de emprego e lucros que superaria somas ganhas por qualquer cubano por meio de autoemprego de pequena escala. Além disso, a maior preocupação das autoridades nesse caso seria a geração de disparidades de riqueza, como as que se desenvolveram após a posse da propriedade tornou-se possível em lugares como o antigo bloco soviético e a China.
Esperando as regras do jogo
Autoridades dizem que as regras a reger um mercado imobiliário não estarão prontas o final de 2011. Há muitas questões complexas que têm de ser abordadas, incluindo a política de preços, os impostos e financiamentos de moradias, entre outros. A liberalização do mercado de automóveis usados, também prometida para até o final do ano, será simples em comparação à do mercado imobiliário. Os novos regulamentos para carros removerão as proibições de venda direta de automóveis de fabricação pós-1959, e sobre a propriedade de mais de um carro, mas parece que o direito de comprar carros novos continuará a ser restrito. O nível de imposto sobre automóveis ainda não foi determinado.
O desejo para a criação de um mercado oficial de moradias surge principalmente da frustração com os intermináveis processos burocráticos ​​envolvidos na mudança de uma casa para outra. A redistribuição das propriedades após a Revolução de 1959, combinada com a concessão de propriedade aos arrendatários, resultou em um parque habitacional atualmente ocupado por mais de 80% dos proprietários, mas transferências de propriedades só podem ser realizadas através do Estado a preços fixos. Com as transferências de casas agora administradas por um relatório com 188 regulamentos, existe um ascendente mercado negro de compras ´´por debaixo da mesa´´, facilitado por subornos. O governo prometeu introduzir uma transação simplificada a envolver apenas a aprovação de um tabelião, uma transferência bancária e o pagamento de um imposto ainda não especificado.
O novo mercado trará várias implicações e mudanças importantes a curto e a longo prazos, incluindo as seguintes:
a) Modelo de propriedade privada. Quando as vendas são legalizadas, um aumento nas vendas de ricas propriedades é provável. Mas, as famílias de baixa renda precisam monetizar seus ativos, enquanto aquelas com poupança compram espaços maiores. O padrões de propriedades habitacionais refletirão, portanto, a distribuição da renda mais de perto. Embora a permissão seja de apenas uma propriedade por pessoa, há uma expectativa de que as autoridades não procurarão impedir a propriedade de segundas residências (por exemplo, chalés de fim de semana), que já existem.
A propriedade será provavelmente restrita a cidadãos cubanos e estrangeiros residentes em Cuba. Regras terão de ser claras em casos de herança, de doação e de transferência para parentes no caso da imigração permanente.
b) Construção civil. À medida que novos proprietários investem em melhorias nas suas casas, uma área completamente nova da atividade econômica será criada no setor privado da construção. Esta atividade irá receber um impulso súbito, no período que segue imediatamente ao da criação de um mercado imobiliário, porque a demanda reprimida para a transferência irá libertar um enorme estoque de capital pessoal. De forma eficaz, irá representar o descongelamento de ativos congelados.
c) Criação de crédito e hipotecas. A demanda por empréstimos para financiar a compra da casa própria incentivará a criação de um mercado de hipotecas. Isso pode também ajudar a estimular o eventual desenvolvimento de empréstimos a pequenas empresas. O sistema bancário cubano tem, até agora, cedido crédito às famílias para compra apenas de bens de consumo duráveis e para empresas privadas do setor agrícola (onde, segundo relatos da imprensa no início de julho, mais de 13 mil agricultores receberam empréstimos a taxas de juros de 3 a 7%). O desenvolvimento de um mercado imobiliário poderia facilitar novos tipos de empréstimos, com a casa própria servindo como uma espécie de garantia para pessoas que desejam iniciar um pequeno negócio.
d) Comunidades e bairros. O mercado imobiliário terá efeitos de longo alcance e a longo prazo sobre a sociedade cubana e sobre o desenvolvimento urbano. Famílias mais ricas estarão concentradas em bairros mais procurados, enquanto os cubanos mais pobres permanecerão em zonas degradadas, conforme os mais pobres vão se mudando.  Este processo já está em curso, como resultado do mercado negro de venda de imóveis, mas  a legalização poderá acelerá-lo. Ao longo do tempo, a tendência será a agravação do privilégio social e da pobreza, a menos que políticas sejam introduzidas para combater a “guetização".


Extraído de cartacapital.com.br

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entenda o que motiva os protestos dos estudantes do Chile

Pelos noticiários, acompanhamos os protestos dos estudantes do Chile que reivindicam uma profunda reforma educacional que o Governo chileno insiste em postergar para o nunca, ou então se propõe apenas a fazer reformas superficiais que em nada atendem as reivindicações dos estudantes. 

O Chile é vítima de um processo tipicamente vivido pelos países latino americanos, notadamente nos anos 90: O Neoliberalismo. Contudo, podemos dizer que o processo de transição para o neoliberalismo foi vivido de forma mais intensa, pois o Chile serviu de "laboratório" para os EUA e a Inglaterra, nos anos 80, como forma de ver os cursos pelos quais o neoliberalismo poderia tomar antes de seguir com sua implantação na América Latina.

Com a implantação feita, diversos setores do Governo sentiram, e muito, as mudanças vindas com essa ideologia que pregava o "Estado mínimo". Com a educação não foi diferente. 

No Chile o sistema educacional funciona, seguindo as seguintes caraterísticas:

- O Governo investe tanto nas escolas particulares quanto nas públicas. Sendo que as particulares podem exercer o direito de cobrar das famílias pelo educação de seus filhos, e cobram ! E as públicas não podem.

- O serviço de ensino público no Chile é municipalizado, ou seja, não fica sob guarda de um Ministério da Educação, mas sim de responsabilidade dos prefeitos. (podemos perceber aqui o discurso do Estado mínimo se mostrando, já que o Governo Federal não se mostra nem um pouco intencionado em administrar a educação pública).

- Para entrar no respectivo ao Ensino Médio de lá, deve se fazer uma prova, que as escolas particulares se utilizam para acolher apenas os alunos bem sucedidos, deixando aqueles que não obtém notas satisfatórias no mesmo relegados ao ensino público. (podemos perceber aqui uma exclusão social gritante via educação que se faz a partir deste exame).

- As faculdades  do Chile exigem taxas de matrículas altíssimas e, mesmo que o governo financie o custeio da faculdade, as formas como esse financiamento é feito são cruéis com quem se submete a eles. 

Diante deste panorama assustador, estudantes universitários foram as ruas revindicar melhorias no sistema educacional como Universidade Pública e de qualidade e o fim da municipalização do ensino escolar. 

Em 2006, estudantes do correspondente ao Ensino Médio foram as ruas no Chile também lutar por reformas na educação. Contudo, suas reivindicações foram esvaziadas no texto que foi levado a votação, escamoteando assim as verdadeiras reformas que precisam ser feitas. 

Infelizmente, vemos não só no Chile, mas em outros lugares da América Latina, e o nosso país não escapa disso, que o neoliberalismo fez estragos em nossa estrutura que serão difíceis de serem contornados a não ser que se lute por elas, assim como os estudantes no Chile estão fazendo. 

O governo chileno anunciou na quarta-feira 10 que não apresentará novas propostas às reivindicações dos estudantes que há quase três meses promovem manifestações nas ruas de Santiago e de outras cidades do país. Na semana passada, o governo do conservador Sebastián Piñera apresentou medidas de reforma para o sistema educacional, consideradas insuficientes pelos estudantes. Basicamente, a proposta do palácio La Moneda não contempla os três pontos-chave pelos quais a sociedade chilena tem se mobilizado: uma garantia constitucional de qualidade e gratuidade do ensino público, a proibição do lucro nas instituições que recebem aportes do estado e a desmunicipalização da gestão educacional. Os estudantes sabem por experiência recente que aceitar um acordo de reforma pontual, sem combater as estruturas desiguais do modelo chileno, apenas adiará a discussão.
Em 2006, os alunos secundaristas saíram às ruas exigindo melhorias no sistema e a anulação de um modelo educacional arquitetado durante a ditadura de Augusto Pinochet, no que ficou conhecido como movimento dos pinguins – em alusão ao uniforme dos estudantes da escola básica. Na ocasião, a recém-empossada presidenta Michelle Bachelet criou um Conselho Assessor Presidencial, presidido pelo educador Juan Eduardo García-Huidobro, hoje decano da Faculdade de Educação da Universidade Alberto Hurtado, para agregar todas as propostas de reforma educacional possíveis. Muitas das medidas defendidas pelos pinguins foram esvaziadas quando o texto chegou ao parlamento. Assim, manteve-se no Chile um sistema descentralizado e municipalizado, com permissão para que as escolas privadas que recebem fundos do estado cobrem mensalidades dos pais dos alunos. Nas palavras da pesquisadora aposentada da Fundação Carlos Chagas, Dagmar Zibas, foi um pacto político digno de um Leopardo de Lampedusa: diante da pressão, algumas coisas precisavam mudar para que o status quo permanecesse intacto.
Nos protestos de 2011, há muita semelhança com as reivindicações do movimento dos pinguins. Há, também, fatores novos. Desta vez, as revoltas são capitaneadas por estudantes do ensino superior, contrários às altas cobranças de matrículas mesmo em universidades públicas – que chegam a 12 mil reais anuais – e um modelo de financiamento que têm condenado muitos recém-egressos ao endividamento.
Em entrevista ao site de CartaCapital, o educador Juan Eduardo García-Huidobro, que acompanhou todo o processo de mediação dos protestos dos pinguins e segue de perto as atuais reivindicações dos estudantes, não mede palavras. “Há relações muito fortes com os pinguins de 2006”. Na conversa, ele explica as peculiaridades do modelo educacional chileno forjado na era Pinochet e diz que, diante do apoio popular, o governo Piñera terá de sentar a mesa e conversar. Confira a entrevista.
CartaCapital: Há relação entre os protestos deste ano e os que ocorreram em 2006?
















Juan García-Huidobro: Eu acredito que, a fundo, trata-se exatamente da mesma coisa. Em boa parte, a situação atual se deve ao fato de o governo Bachelet não ter chegado a uma “solução” que conseguisse confrontar os problemas reais. O que os estudantes pediram em 2006, continuam pedindo hoje: fortalecer a educação pública e não o lucro. O que causa tudo isso é um sistema em que 50% da educação básica, mesmo recebendo subsídios do estado, têm autorização para cobrar mensalidades das famílias. A distribuição da educação para a população ocorre não em função de um conceito democrático, mas sim em função da capacidade de pagamento da família. Isso gera diferentes redes sociais, em que as crianças provenientes de famílias mais pobres, que na maioria das vezes têm menos hábito de leitura, por exemplo, ficam confinadas em uma determinada escola. Já os filhos de famílias mais abastadas vão estudar todos juntos. Isso gera uma desigualdade de preparo muito grande quando se chaga à universidade.
CC: E as provas de seleção de alunos do ensino básico, também não estimulam a desigualdade? 
JGH: Isso foi uma das conquistas do movimento de 2006. Na teoria, nunca foi permitido fazer provas de seleção para separar os “melhores” e os “piores” alunos, mas era tolerado. O que acontecia é que as escolas privadas, mesmo recebendo fundos públicos, selecionavam os alunos que não tinham dificuldade e deixavam os demais para o sistema totalmente público. Desde 2009 essa prática está proibida até o ensino secundário (fundamental brasileiro), mas ainda é permitida para o ensino médio. Pelo menos avançamos na metade do ciclo, mas a seleção mais brutal ocorre por meio do dinheiro, e isso não está proibido.
CC: Como funciona exatamente o sistema de financiamento pelo estado das escolas públicas e privadas?
JGH:
 No Chile o sistema educacional funciona pelo chamado financiamento compartido. Ou seja, tanto a escola pública quanto a privada tem o mesmo direito de receber do estado para educar. O problema é que a escola pública não pode cobrar nada dos pais, enquanto que a escola privada cobra um adicional que pode chegar ao dobro. Assim, hipoteticamente, 50% da população é educada por um valor de 100 pesos por aluno, enquanto que a outra metade é educada com o mesmo valor pago pelo estado, mais 100 pesos da família. Assim temos escolas subsidiadas pelo estado para cada nível socioeconômico distinto.
CC: Os protestos de 2011 são comandados pelos estudantes universitários. Isso é um elemento novo que garante mais força ao movimento?
JGH:
 Isso é algo novo, as manifestações de 2006 foram de estudantes secundários, não de universitários. Hoje, os alunos do ensino superior são os mais ativos e lutam para chegarmos a um sistema com muito mais gratuidades. Eles querem que 70% dos universitários tenham educação gratuita, enquanto que os outros 30% com mais condições financeiras paguem.
CC: Como funciona esse sistema?
JGH:
 São dois créditos. O primeiro, bem pouco abrangente, começa a cobrar do estudante dois anos depois da formatura. É um crédito do estado e a mensalidade nunca pode superar 5% do salário. Os desempregados não pagam e a dívida é perdoada se a pessoa não conseguir quitá-la em 20 anos. O problema é que há uma enorme quantidade de inadimplentes, até porque as universidades são pouco eficientes em realizar as cobranças. Com isso, os inadimplentes aparecem em listas de devedores e não conseguem crédito para financiar uma casa, por exemplo.
O restante do sistema, cerca de 70% dos matriculados, recebe um crédito chamado “com aval do estado”. É muito mais cruel que o anterior. Quem cobra é o banco privado, por isso os boletos costumam ser entregues com bastante eficiência. A taxa de juros anual é de 5,7%, comparado a 2% do crédito estatal. Não há perdão da dívida, se o ex-estudante está desempregado tem de pagar, se o valor ultrapassa 5% do seu salário paga da mesma forma. É verdade que isso possibilitou um aumento expressivo no acesso ao ensino superior. Mas os estudantes que começaram um curso em 2007 percebem que pagar essa dívida é algo complicado. O governo chegou a propor baixar os juros desse crédito para 4%, assumindo os custos da diferença, e formar uma comissão de estudos para elaborar um projeto de apenas um crédito, que deixe pelo menos os 40% dos estudantes mais pobres numa situação de bolsa de estudo e não de crédito.
CC: O senhor acredita que um dia o Chile caminhará para a total gratuidade da universidade pública, como, por exemplo, no Brasil?
JGH:
 É preciso ter cuidado. É verdade que no Brasil a universidade pública é gratuita. Mas também é verdade que o investimento educacional é tremendamente regressivo do ponto-de-vista social. O dinheiro vai para os mais ricos. Diante disso, eu defendo um modelo que seja um meio termo. O que se cobra hoje no Chile é excessivo, mas eu acho justo que haja algum tipo de devolução ao estado pelo menos para os 50% mais ricos da população. O que temos que fazer é considerar todos os meios possíveis para fazer da educação superior um canal de mobilidade social. Não cobrar nada, mas permitir que somente os ricos cheguem à faculdade é igualmente perverso. Temos que assegurar o ingresso a todos fazendo com que os mais ricos devolvam um pouco de dinheiro e os mais pobres não devolvam nada.
CC: De que forma o atual modelo educacional chileno é consequência do regime de Pinochet?
JGH:
 Na América Latina existe uma penetração muito forte do neoliberalismo nas políticas sociais. A diferença é que no Chile isso ocorreu da noite para o dia em uma ditadura. Mesmo se não tivéssemos vivido a desgraça de Pinochet, ainda assim teríamos que lidar com a desgraça das políticas neoliberais na educação. Hoje mesmo ainda existem países centro-americanos que se aventuram nesse conto da municipalização, mesmo após ver no Peru e no Chile que claramente isso não funciona. Existe uma espécie de senso comum na América Latina de que o mercado distribui melhor do que o estado, o que nos levou a essa situação.
CC: Quais são as críticas a um sistema municipalizado?
JGH:
 A municipalização foi algo decretado de um dia para o outro, em 1980, durante a ditadura. Queriam acabar com o centralismo, até então todas as políticas educacionais dependiam do Ministério da Educação em Santiago. O problema é que junto a isso quiseram criar um mercado da educação, e, portanto, deram às escolas privadas os mesmos benefícios das escolas públicas, com a falsa ideia de que a competição entre o público e o privado geraria uma melhora educacional.
Há outras críticas. Em um país com realidades tão díspares como o Chile, uma educação sob a tutela do município faz com que o estado perca sua capacidade de assegurar a todos os cidadãos uma educação de qualidade, independentemente de onde vivam. A educação começa a mimetizar-se à pobreza e à incultura do local onde está localizada. Nos municípios ricos, há o aporte do estado e o próprio município tem condições de colocar mais dinheiro. Nos locais mais pobres, os prefeitos têm de fazer cortes em outras áreas se querem equipar suas escolas com vídeos e projetores, por exemplo. Então, gera-se uma desigualdade, que vai crescendo. A desmunicipalização era uma luta em 2006 e continua muito forte agora.
CC: O governo é reticente a desmunicipalizar pelo custo financeiro que isso teria? O Chile teria de gastar mais do seu Produto Interno Bruto (PIB) em educação?
JGH:
 Não é um problema de dinheiro, é um problema ideológico. É um conceito da direita que crê necessário ter um estado pequeno, que faça o menos possível. Tudo o que esteja relacionado a entregar o controle ao estado é mal visto. Mas, se pegarmos uma calculadora, não ter a educação administrada por 350 órgãos distintos e sim tê-la administrada por 50, que é o número aproximado de províncias, já geraria uma economia brutal. Ressalto que assim continuaria a ser um sistema descentralizado. É preciso lembrar, é claro, que não estamos falando do Brasil, e sim de um país com 16 milhões de habitantes.
CC: Qual a sua análise do pacto educacional de 2006, quando o senhor foi presidente do Conselho Assessor Presidencial?
JGH:
 O papel do conselho era deixar bem claro quais eram as propostas tanto da direita, quanto da esquerda e do centro. Em alguns aspectos, como a gratuidade, o fim dos exames de seleção e a desmunicipalização, havia um consenso maior por parte da esquerda. Como a lei precisava de uma aprovação de quatro sétimos para ser validada, o governo negociou um pacto que ao final não fez as alterações que as pessoas pediam. A situação não mudou muito do que já existia na ditadura. Os protestos mostram que claramente a sociedade chilena está mais avançada do que a lei. O atual sistema permite que muitos negociantes entrem na área da educação unicamente porque vêm boas oportunidades de lucro. Alguns argumentam que não existiria a expansão educacional que o Chile viveu nos últimos 20 anos sem esse componente do privado e do lucro. Mas eu, assim como boa parte da população, encaro essa análise com desconfiança.
CC: O senhor acha que o governo Piñera promoverá mudanças mais estruturais?
JGH:
 Hoje o movimento social é bem mais forte do que em 2006. Mas eu não sou otimista ao ponto de acreditar que a curto prazo haverá mudanças radicais, porque a ideologia deste governo caminha na direção contrária. Algumas propostas deste governo são razoáveis. Mas não há nenhuma proposta para que deixemos uma situação regulada pelo mercado para uma regulada pela democracia. Há bastante incerteza, os protestos crescem a cada dia e em algum momento Piñera terá que entrar de verdade nas negociações.
CC: Por que esses protestos estudantis mobilizaram tanto a sociedade chilena? Havia já um descontentamento coletivo?
JGH:
 Existe um descontentamento diante de um momento de melhora econômica. As pessoas não protestam porque a situação está pior do que há uma década, e sim porque a economia está melhor, mas a desigualdade permanece igual. Se analisarmos o crescimento econômico do Chile desde os anos 90, houve um aumento de riqueza brutal, mas o índice Gini, que mede a desigualdade, não sofreu alterações. Há mais emprego, mas os salários dos mais pobres não aumentaram. E isso gerou uma sensação de descontentamento geral.



















































































































































Extraído de cartacapital.com.br