domingo, 3 de outubro de 2010

Depois da tempestade...

Com as eleições legislativas a Venezuela espera começar um período de ressurgimento econômico depois de um ano de forte recessão, como o de 2009 onde o PIB do país teve sucessivas retrações ao longo dos dois semestres, fora o fato que uma seca excepcional se abateu sobre o país prejudicando assim o abastecimento de água e energia elétrica. E o que muitos acharam que serviria de motivo para derrubar o presidente venezuelano, viram que isso sequer o arranhou pois Chávez parece ter apoio incondicional de grande parte da população.



As eleições legislativas na Venezuela ocorrem num momento economicamente ruim. Após cinco anos de bonança, com elevadas taxas de crescimento, a Venezuela conheceu uma recessão em 2009, registrando uma retração de 3,3% no PIB (Produto Interno Bruto), puxada pela crise econômica mundial e pela queda no preço do petróleo.
A crise energética, provocada por uma seca excepcional e por investimentos abaixo do necessário no setor, foi um dos fatores que impediram que a Venezuela acompanhasse outros países da América Latina na retomada do crescimento em 2010: Brasil e Argentina, por exemplo, projeto uma expansão de 7% em no ano, enquanto o PIB da Venezuela recuou 3,5% no primeiro trimestre de 2010 e 1,9% no segundo trimestre.
A recuperação dos preços do petróleo venezuelano (mais pesado e, portanto, mais barato que o cotado em Nova York), que chegou a 70 dólares no primeiro semestre, contra 57 dólares em 2009, não foi suficiente para resolver os problemas de caixa da estatal petroleira PDVSA. O resto da economia também sofreu novas quedas: -20% no setor da mineração, -6% na construção civil e -6% no comércio.
Apesar dos problemas conjunturais, no entanto, o PSUV de Chávez conta com alguns trunfos acumulados ao longo dos anos. Há também a expectativa de que a situação melhor, pois o governo ainda conta com mecanismos para estimular uma retomada econômica.
“A inflação, a recessão, e a insegurança afetam os setores populares”, reconhece o sociólogo Antonio González Plessman. “Mas aqueles que acreditam que Chávez está derrubado estão enganados”.
Menos miséria – Segundo Plessman, as pessoas não esquecem que, durante a última década, a pobreza foi reduzida em 47% e a miséria, em 70%. Os investimentos sociais per capita triplicaram e o atendimento médico gratuito foi estendido a milhões de pessoas. Em maio deste ano, a Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), da ONU, afirmou que a Venezuela era o país do continente onde a desigualdade mais caiu entre 2002 e 2008.
O país também tem dificuldades com a inflação, que pode chegar a 30% ao ano em 2010. Apesar da retração econômica, o consumo é elevado diante da demanda, pois é puxado por essas bem sucedidas políticas de distribuição de renda, que permitiram aos mais pobres entrarem no mercado consumidor e ter, entre outras coisas, acesso a uma alimentação melhor.
“Evidentemente, a tendência decrescente do PIB vai continuar diminuindo. Já passamos a parte mais difícil”, avalia o ministro das Finanças, Jorge Giordani.
Incentivos – A retomada das relações diplomáticas com a Colômbia também deveria ajudar uma recuperação mais rápida, já que, antes da crise, o vizinho era o principal parceiro econômico do país na região.
“Para acabar com a recessão, o governo deve retomar políticas contracíclicas com investimentos significativos”, diz Weisbrot. Recentemente, Chávez lançou o programa “Minha Casa Equipada” para a aquisição de eletrodomésticos chineses a preços baixos ou a crédito. A medida faz parte dos convênios bilaterais adotados entre Venezuela e China.
“O governo deve, porém, incentivar mais as produções locais”, reconhece um economista próximo do Palácio Miraflores, sede da presidência.
Racionamento – Para enfrentar a crise no setor elétrico, nacionalizado em 2009, o governo do presidente Hugo Chávez decretou um racionamento drástico de água e eletricidade, forçando parte das empresas a reduzir ou parar atividades. Nos domicílios, os cortes de energia foram limitados às províncias – para os críticos do governo, por razões políticas: “O que não acontece em Caracas não acontece na Venezuela”, diz um lema político no país.
Em 2009, o fluxo de investimento estrangeiro direto foi negativo (-3,1 bilhões de dólares), decorrente em parte à política de nacionalização, que afasta alguns investidores estrangeiros. Além disso, a inflação dos últimos anos provocou uma valorização artificial do bolívar, a moeda nacional, dificultando a diversificação de uma economia que depende, basicamente, do petróleo: as vendas do óleo representam 95% das exportações e mais da metade da arrecadação fiscal do país.
“Se o governo quiser mesmo diversificar a economia do país, vai precisar de um câmbio mais competitivo”, avalia o economista Mark Weisbrot, co-diretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington.
Previsões erradas – A desvalorização decretada em janeiro é considerada insuficiente por Weibrot. O governo instituiu duas taxas oficiais do dólar: 2,6 bolívares para importações prioritárias, fundamentalmente do Estado, e 4,3 bolívares para o resto.
A falta de dólares obriga uma parte das empresas a trocar bolívares no mercado paralelo, as taxas muito mais altas, o que encarece diversos produtos.
Weisbrot ressalta o fato de que as previsões negativas erraram muitas vezes em relação à Venezuela. Embora muito forte, a inflação não está fora de controle. Além disso, a diminuição de 1,9% no PIB no segundo trimestre é menos forte do que esperavam os analistas.

Extraído de cartacapital.com.br

A produção de carros aumenta nos países emergentes e entra em estagnação nos países desenvolvidos

O artigo abaixo da revista Carta Capital ilustra o crescimento na produção de veículos pelos países emergentes, principalmente os da Ásia e o Brasil e a estagnação dos chamados mercados maduros: o norte-americano e o europeu. Apesar de traçar brilhantemente este panorama, ficam perguntas no ar: Onde serão colocados todos estes carros produzidos ? Há espaço para todos eles ? E a poluição que eles causam ?
Perguntas essas cujas respostas causam aflição a humanidade, muito por conta das consequências desse crescimento de produção de carros, mas que em contra partida parece não importar (óbvio) aqueles que ganham rios de dinheiro degradando e poluindo...



No ano passado, a China assumiu o posto de principal fabricante de veículo do mundo. E até o fim da década, o Brasil será o terceiro maior mercado
Dois mil e nove. A China assume pela primeira vez o posto de maior produtor mundial de veí-culos, à frente dos Estados Unidos e do Japão. Um ano mais tarde, o Brasil passa a Alemanha e se torna o quarto maior mercado mundial de veículos. A crise financeira, que comprometeu o consumo nos países ricos, pode ter contribuído, mas não fez mais do que antecipar a realidade que deve imperar nas próximas décadas. Cada vez mais, as montadoras voltam seus olhos para o Oriente e para as economias em desenvolvimento. Eles serão os grandes produtores e consumidores de carros do século XXI.
A velocidade com que a produção se desloca para novos mercados impressiona. Na virada do século, a China montava pouco mais de 2 milhões de automóveis por ano, um quinto da produção norte-americana e um sexto da japonesa. Em 2009, menos de dez anos depois, os chineses viram sua produção crescer quase sete vezes, para 13,8 milhões de veículos – 73% mais que a do Japão e 141% mais que a dos Estados Unidos.
Nesse mesmo período, os principais fabricantes de veículos – Estados Unidos, Japão e Alemanha – passaram a produzir menos ou, na melhor das hipóteses, tiveram de se conformar com a estagnação.
Os norte-americanos, que no início dos anos 2000 colocavam 12,8 -milhões- de automóveis novos no mercado ao ano, viram sua produção encolher a menos da metade. No ano passado, foram apenas 5,7 milhões. Já o Japão viu seu número cair 21,7%, de 10,1 milhões para 7,9 milhões de veículos. A Alemanha, que se saiu um pouco melhor, também esteve longe de se destacar. Sua produção em 2009, estimada em 5,2 milhões de unidades, foi apenas um pouco menor do que a registrada em 2000, ao redor de 5,5 milhões.
Em parte, a queda pode ser atribuída à crise econômica, que deprimiu a demanda nos países ricos. Em 2009, os consumidores norte-americanos licenciaram 35,6% menos carros novos do que em 2007, ano que antecedeu o estouro da bolha financeira. No mesmo período, a produção caiu quase pela metade, e as grandes montadoras, sob a ameaça de falência, tiveram de ser socorridas pelo governo.
Passado o pior da tempestade, o setor vive a perspectiva de recuperação. Até 2014, prevê a consultoria Pricewater-houseCoopers (PWC), a produção de veículos dos Estados Unidos deve crescer, aproximadamente, 80% em relação aos patamares do ano passado. Japão e Alemanha, que sofreram menos com a crise, devem experimentar uma expansão próxima de 15% e 18%, respectivamente. Apesar disso, em nenhum desses países a produção vai alcançar os picos registrados ao longo da década passada. “O que teremos daqui para frente é uma estagnação nos mercados maduros e forte crescimento nos emergentes”, afirma Marcelo Cioffi, sócio da PWC.
Cioffi afirma que a mudança vai ficar ainda mais evidente a partir de 2012, quando a produção de carros nos países em desenvolvimento deverá superar o total fabricado nas nações ricas. No ano passado, os “mercados maduros” montaram 30,1 milhões de automóveis, cerca de 4 milhões a mais do que os emergentes. Em dois anos, prevê a PWC, o quadro deverá se inverter: as economias industrializadas deverão colocar 38,4 milhões de novas unidades no mercado, ante 39,6 milhões dos emergentes. “A partir de então, a tendência é que a distância apenas cresça”, espera Cioffi.
Cada vez mais, o crescimento da indústria automobilística global será puxado pelos países em desenvolvimento. Dos quase 16 milhões de novos carros que serão acrescidos à produção mundial global até 2015, na comparação com o patamar de 2008, cerca de 13 milhões serão montados nos chamados BRIC. O grupo, que em 2008 respondia por apenas 21% da produção mundial, verá sua fatia crescer para 32% em cinco anos. Apenas a China deverá responder por 49% do crescimento da produção mundial acumulada entre 2008 e 2015. Índia com 16%, Brasil com 8%, Tailândia com 5% e Irã com 2% completam a lista.
Se nos países ricos a produção de automóveis terá cada vez mais o objetivo de repor parte da frota existente, nas economias em desenvolvimento ainda há muito mercado a se conquistar. Nos Estados Unidos, por exemplo, a frota de veículos supera a barreira dos 250 milhões, o equivalente a 1,2 unidade por habitante – um padrão de consumo semelhante ao europeu. Na China, estimativas sugerem haver não mais que 38 milhões de veículos, um para cada 35 habitantes. No ritmo em que a produção cresce, os chineses poderão ampliar sua frota para impressionantes (e assustadores) 300 milhões de veículos em menos de duas décadas.
Com o crescimento da demanda rumo à Ásia e o aumento das pressões ambientalistas nos países ricos, a indústria automobilística passa por um processo de forte transformação. Seja por fatores econômicos, ambientais, políticos ou tecnológicos, a tendência aponta para a busca cada vez maior por veículos leves, eficientes e baratos. A Ford estima que participação dos carros pequenos nas vendas globais deve chegar a 61% em 2013. São produtos montados para famílias na China, na Índia e no Brasil que estão comprando seus primeiros veículos. Mesmo nos Estados Unidos, país mais afeito a carros pesados, como caminhonetes e utilitários esportivos, os veículos pequenos devem responder por 36% das vendas até 2013. Em 2000, sua participação não passava de 15%.
O cenário também é de forte expansão no Brasil. Embora seus números não sejam comparáveis aos da China, o País pode terminar a década como o terceiro maior mercado consumidor de automóveis. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), temos um carro para cada sete habitantes. Ficamos distantes não apenas das economias avançadas, mas também de países como México, que possui um carro para cada quatro habitantes, e a Argentina, onde a relação é um para cinco.
Para alcançar o patamar do México, o Brasil precisaria acrescentar, aproximadamente, mais 20 milhões de carros à sua frota, atualmente próxima de 30 milhões. “Mais do que uma demanda aquecida, o Brasil possui uma demanda reprimida”, afirma André Beer, consultor da Beer Consult & Associados. “O automóvel está no topo da lista de bens duráveis do consumidor brasileiro. Depois da casa própria, é o que ele mais deseja.”
Impulsionadas pelo crescimento da renda, combinada com a expansão do crédito, as montadoras batem seguidos recordes de vendas. O número de automóveis leves licenciados mais do que dobrou ao longo da última década. Na mesma trilha, a produção, que havia crescido apenas 17% nos anos 80 e 90, foi multiplicada por duas e chegou à casa dos 2,57 milhões de unidades em 2009.
Como resultado, a receita em dólar e a participação da indústria automobilística na economia bateram recorde em 2009. Ao todo, as montadoras faturaram 62,2 bilhões de dólares, o equivalente a 19,8% do Produto Interno Bruto (PIB) – em 1999, o segmento respondia por apenas 13,3% das riquezas do País. Os investimentos também alcançaram patamares inéditos. A indústria investiu 2,9 bilhões de dólares, em 2008, e 2,51 bilhões no ano passado – os dois melhores resultados da série histórica. Trata-se de uma expressiva recuperação em relação ao período entre 2002 e 2004, quando a média dos investimentos anuais ficou abaixo dos 800 milhões de dólares – o menor nível desde o fim da década de 1980.
A Anfavea acredita que a produção automobilística brasileira deve fechar o ano com crescimento de 6,5%, um volume próximo de 3,4 milhões de unidades. Só a produção de veículos leves, que fechou 2009 em 2,8 milhões de unidades, deve atingir 3,9 milhões em 2015 – um crescimento de 40% – prevê a Price. Outras estimativas apostam em crescimento médio anual próximo de 5% até o fim da década. Sob qualquer perspectiva, as projeções são sempre otimistas. “O setor vive uma fase excepcional. Mantivemos o crescimento mesmo enquanto outros países amargavam a crise”, afirma Beer.
O consultor, veterano executivo do setor, afirma que as políticas de incentivo ao consumo, como a redução da cobrança do IPI sobre o preço dos veículos, tiveram um papel importante durante a crise. Pondera, no entanto, que o fim do benefício, em abril desde ano, não comprometeu o ímpeto do mercado. “As promoções, o lançamento de novos modelos, a queda dos custos e o alongamento nos prazos de financiamento permitiram que o mercado se mantivesse aquecido.”
De olho no potencial de crescimento, as montadoras recentemente anunciaram vultosos planos de investimento. A previsão é de que os desembolsos totalizem 11,2 bilhões de dólares até 2012. O mercado brasileiro chama a atenção até mesmo das montadoras asiáticas. A Chery, principal indústria chinesa do setor, anunciou investimentos de 700 milhões de dólares na construção de uma fábrica em Jacareí, no interior de São Paulo, com o objetivo de montar carros compactos.
Apesar disso, especialistas alertam que a produção pode não crescer no mesmo ritmo da demanda. “É muito provável que a oferta cresça num ritmo mais lento. A indústria automobilística é formada por atores globais que avaliam o investimento sob a ótica do retorno ao acionista. Dessa forma, eles podem priorizar o investimento onde há mais escala”, explica Cioffi. O consultor observa que, mesmo sendo atualmente o quarto maior consumidor, o Brasil é apenas o sexto produtor. “É uma situação que causa estranheza e deveria gerar mais preocupação.”
Osmar Sanches, economista da corretora Lafis, chama ainda a atenção para o fato de que o segmento de autopeças investe menos do que as montadoras, o que impõe um limite ao crescimento. “A expectativa é de que, mais protegidas com o fim do redutor de 40% na alíquota de importação, as empresas do setor se sintam mais estimuladas a investir”, afirma. As montadoras, por outro lado, reclamaram da medida, anunciada em maio. A maior dificuldade em importar componentes, sustentam, pode tirar a competitividade de alguns carros produzidos no Brasil, o que acabaria por estimular a importação de veículos prontos.
Com o mercado aquecido e o real valorizado, as importações crescem em ritmo acelerado. Segundo a Anfavea, o licenciamento de veículos importados bateu recorde em 2009. Foram mais de 314 mil unidades, o que significa um crescimento de 36% sobre o volume registrado em 2008. Cinco anos antes, em 2004, esse número foi de apenas 32 mil. Nesse período, a participação dos importados no total de licenciamentos cresceu de 2,5% para 12,5%.
Em contrapartida, as exportações perderam fôlego. No ano passado, o País embarcou pouco mais de 373 mil veículos, 33% menos que no ano anterior. Em relação a 2005, quando as vendas para o exterior bateram recorde, a queda é de 45%. Com isso, a balança comercial do setor sofreu forte deterioração. As associadas da Anfavea registraram em 2009 um déficit de 4,1 bilhões de dólares em suas transações com o exterior – o pior resultado da história. O número indica uma drástica reversão em relação aos anos anteriores. Entre 2004 e 2007, o setor registrou um superávit anual médio de 4,3 bilhões de dólares.
Em parte, o número precisa ser ponderado à luz da crise que afetou os importadores e ao fôlego da demanda brasileira. “Em 2010, o Brasil já observa uma tendência mais favorável. Devemos fechar o ano com exportações da ordem de 12 bilhões de dólares, ante 8,3 bilhões em 2009”, observa Beer. Contudo, a ascensão dos competidores asiáticos coloca um ponto de interrogação sobre o papel que o Brasil vai ocupar no mercado internacional nos próximos anos. O País terá condições de disputar mercados, ou deverá ser um importador?
Embora esteja alinhado com a tendência global, de privilegiar veículos mais leves e econômicos, o Brasil enfrenta uma situação curiosa. De um lado, ainda não produz carros com a sofisticação e a tecnologia necessárias para competir nos mercados maduros. Do outro, não é competitivo o bastante para brigar com China e Índia pelos segmentos de baixo custo. A indiana Tata Motors, por exemplo, tem planos de exportar o Nano para a América do Sul e África. Na Índia, o carro custa cerca de 2,5 mil dólares. É o mais barato do mundo. No Brasil, os chineses da EFA são vendidos por 24 mil reais, apesar de uma alíquota de 35% na importação. Em 2009, a importação de veículos asiáticos mais que dobrou, de 15,5 mil para 39 mil unidades. O crescimento foi puxado principalmente por carros sul-coreanos, de 11 mil para 36 mil unidades. “Montadoras como a Kia e a Hyundai adotam estratégias extremamente agressivas e têm obtido um expressivo crescimento no País”, observa Sanches.
O Brasil é de longe o país que mais tributa veículos em todo o mundo, segundo levantamento da Anfavea. Na média, o consumidor paga 30,4% em impostos na compra de um carro zero. No Japão, essa fatia é de 9,1%. “O Brasil não é um país de baixo custo, especialmente com o câmbio na faixa de 1,70 real. É preciso tomar medidas estruturais que aumentem essa competitividade”, afirma Cioffi. Segundo ele, as exportações brasileiras devem voltar a crescer nos próximos anos, mas não retornarão aos níveis observados antes da crise.

Extraído de cartacapital.com.br 

Registro da taxa de desemprego é a menor em 8 anos, segundo IBGE

Segundo dados do IBGE, o país obteve a menor taxa de desemprego em oito anos. É um dado a se comemorar já que foram prognósticos do mês de agosto e geralmente o nível de desemprego bate recordes de queda em dezembro, por conta dos empregos temporários abertos em função das festas de fim de ano. Mas, mesmo que os dados sejam animadores, ainda há muito o que fazer não só para combater o desemprego mas também para reduzir os chamados trabalhos informais, procurando uma forma de torná-los formais ou então qualificando a mão-de-obra para que a mesma consiga uma oportunidade melhor de emprego e não se submeta a condições humilhantes para adquirir seu sustento. 
Ainda há muito o que fazer, mas pelo visto já temos um começo.



A taxa de desemprego no País registrada em agosto é de 6,9%, a menor já registrada desde o início da série histórica, iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em março de 2002. O resultado é 1,4 ponto percentual menor em relação ao mesmo período do ano anterior e estável em comparação com o mês de julho deste ano. Segundo o estudo, a população desempregada registrada é de 1,6 milhão e permanece estável na comparação mensal, mas reduziu-se em 15,3% (ou menos 289 mil pessoas) em relação a agosto de 2009. A população empregada que soma 22,1 milhões de brasileiros, manteve-se estável na comparação mensal e cresceu 3,2% (ou mais 691 mil postos de trabalho) no ano.
A taxa média de desemprego no Brasil entre janeiro e agosto deste ano foi 7,2% inferior aos 8,2% dos oito primeiros meses de 2008. Para Cismar Azeredo, “a pesquisa revela uma melhora expressiva do mercado de trabalho em 2010. Mostra que o Brasil saiu da crise. Se ainda não saiu, está saindo numa velocidade muito mais rápida do que tem sido observada com outros países”.
Os postos com carteira assinada registraram alta de 7,2% ou 685 mil novos trabalhos criados no mês.
Entre as regiões metropolitanas, a menor taxa de desemprego foi observada em Porto Alegre (4,6%), seguida por Belo Horizonte (5,2%) e Rio de Janeiro (5,7%). Já as maiores taxas de desemprego foram registradas em Salvador (11,7%), Recife (9,0%) e São Paulo (6,8%).
As áreas com o maior número de novos empregados foram Educação, saúde, serviços sociais, administração pública, defesa e seguridade social, 4,9% e dos Outros serviços, 9,4%. Apenas o grupamento dos Serviços domésticos apresentou retração, 7,1%.
“O emprego com carteira tem crescido de forma bastante satisfatória. A carteira de trabalho, em termos relativos, está crescendo mais do que a população ocupada. A geração de postos de trabalho tem atendido em parte à população desocupada. Esse resultado deve ser muito comemorado, visto que a gente está batendo recorde da taxa de ocupação num mês de agosto. Geralmente isso acontece em dezembro”, disso Azeredo.
O rendimento médio real também bateu recorde e subiu 1,4% na comparação mensal e 5,5% frente a agosto do ano passado. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 32,9 bilhões) cresceu 1,8% em relação a julho e 8,8% em relação a agosto do ano passado.

Extraído de cartacapital.com.br

Sucessão presidencial

Hoje a noite conheceremos aquele ou aquela que governará o nosso país pelos próximos 4 anos, sucedendo o presidente Lula que foi nosso presidente por 8. Mas, independentemente de quem seja, é inegável que perderemos consideravelmente o carisma que o nosso presidente constituiu junto a imagem do nosso país, idem o seu "jogo de cintura". Mesmo que o nosso presidente não tenha conseguido coisas importantes para nosso país como uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU ou conseguir que se firmasse um acordo climático não há como negar que a sua figura a frente de nossa nação elevou o país a um outro patamar no cenário mundial que até pode continuar com o novo presidente, mas não com a mesma força...


Rio de Janeiro, 29 set (EFE).- O resultado das eleições presidenciais no país manterá sem grandes mudanças a política externa e colocará o vencedor diante do desafio de preservar a liderança regional exercida por Luiz Inácio Lula da Silva.
Em seus oito anos de Governo, Lula se transformou no porta-voz informal da América Latina e dos países em desenvolvimento, o que não será fácil de manter por quem for eleito nas eleições do dia 3 de outubro.
A favorita é Dilma Rousseff, do PT, escolhida por Lula como sua candidata para sucedê-lo, mas ganhe ela ou o opositor José Serra (PSDB), o que parece improvável a julgar pelas pesquisas, os especialistas acreditam que as mudanças na política externa serão mínimas, principalmente nas relações regionais.
"Não haverá maiores mudanças. O Brasil vai continuar sendo um país ativo e vigoroso na política externa", disse à Agência Efe o ex-diplomata Marcos Azambuja, que foi secretário-geral da Chancelaria brasileira e embaixador em Paris e Buenos Aires.
Segundo Azambuja, se Dilma ganhar "vai manter a política de aproximação com regimes como Cuba e Venezuela, enquanto Serra tenderia a dar mais força a outras relações".
"Independentemente do vencedor, a tendência é que se mantenha a linha que este Governo seguiu", assinala a analista política Maria do Socorro Souza Braga, professora da Universidade Federal de São Carlos.
Isso se explica porque além da simpatia ideológica ou da conveniência comercial que levou Lula a estreitar relações com Governos pouco apegados à democracia na América, Ásia e África, a política externa do país é marcada pelo Ministério das Relações Exteriores.
"O PT pretendeu fazer da política externa algo partidário, mas essa não é a tradição brasileira", explica Azambuja.
Nesta campanha eleitoral as relações internacionais foram ignoradas, mas também passaram por alto assuntos cruciais como a necessidade das reformas fiscal e trabalhista, e escassamente foram tocadas as reformas política e tributária.
Embora a política externa não sofra maiores variações, o perfil internacional do Brasil mudará a partir do dia 1º de janeiro de 2011, porque nenhum dos candidatos a suceder Lula tem seu carisma ou seu prestígio.
Desde sua chegada ao poder em 2003, Lula deu ênfase à integração física regional e ao fortalecimento do Mercosul, impulsionou a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e liderou os países emergentes nas reuniões do Grupo dos Vinte (G20) para discutir soluções para a crise mundial.
Seu Governo também buscou, sem sucesso, um assento permanente para o Brasil no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a conclusão da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e acordos sobre meio ambiente nos fóruns internacionais.
Da mesma maneira, fomentou a participação do país em foros como o Bric (Brasil, Rússia, Índia e China), o IBSA (Índia, Brasil e África do Sul) e o Aspa (América do Sul-Países Árabes), tentando ser mediador nos conflitos do Oriente Médio e promovendo a cooperação com os países centro-americanos e africanos.
Os analistas consideram que seu sucessor não manterá uma atividade internacional tão intensa porque algumas dessas iniciativas respondem mais a projetos pessoais do presidente que a políticas de Estado, tanto que se diz que quando deixar o poder, Lula criará uma fundação para trabalhar contra a pobreza na África.
Como nem Dilma nem Serra têm a simpatia de Lula, isso também diminuirá a febre que nos últimos anos o Brasil gerou no exterior.
"São políticos com características bem distintas e com visões diferentes do internacional", opina Maria do Socorro, que assinala que Dilma, embora seja a sucessora de Lula, não poderá herdar "o carisma e jogo de cintura do presidente, e Serra, que também não é nada simpático, tem uma visão diferente da política externa".
De fato, as únicas referências internacionais na campanha foram feitas por Serra, crítico da estagnação do Mercosul, da amizade de Lula com Evo Morales, presidente da Bolívia, de onde provém, segundo disse, a maior parte da cocaína que entra no Brasil, e das "relações de carinho e amizade com o ditador iraniano" Mahmoud Ahmadinejad.
"As críticas são poucas mas verdadeiras, há um envolvimento excessivo com o Irã e com o Oriente Médio, e isso é uma imprudência", ressalta Azambuja. EFE
Extraído de msn.com.br

Nada mais correto

Anteriormente já havia dedicado algumas postagens em relação a essa preconceituosa decisão do governo francês de deportar ciganos que são oriundos de outros países de seu território. A decisão causou uma repercussão negativa pelo mundo e logo foi cobrada uma resposta a esse vergonhoso episódio por parte da União Européia, que já começa a dar suas respostas...
Já estava mais do que na hora...


PARIS (Reuters) - A União Europeia vai iniciar procedimentos legais contra a França por causa da expulsão de ciganos do país, disse nesta quarta-feira a comissária de Justiça da UE, Viviane Reding.
"A França não está pondo em prática as leis europeias como deveria fazer na questão da livre movimentação (pelo bloco). Por isso, estamos iniciando um processo contra a França por infração", disse Reding à emissora de TV France 24.


Extraído de msn.com.br