sexta-feira, 11 de março de 2011

O Terremoto no Japão

Nesta madrugada, horário local, um terremoto ocorreu a nordeste do Japão mas pode ser sentido até ao sul do país. Como o epicentro do terremoto foi no oceano Pacífico, também ocorreu uma Tsunami que varreu algumas áreas do Japão, como mostra o primeiro vídeo.



Como o terremoto gerou um Tsunami e o mesmo agora corre por toda a costa asiática e americana do Pacífico vários países, como mostra o vídeo 2, já emitiram um alerta e estão atentos com a chegada dessas ondas gigantes. O parâmetro, pelo menos para os países da costa americana do Pacífico, saberem o quão forte chegarão as ondas é aguardar as mesmas alcançarem o Havaí que fica "no meio do caminho" entre o epicentro do terremoto e a costa americana. 



O Estado de alerta está ligado e resta agora aguardar pelos tremores secundários - que segundo notícias já estão ocorrendo - para saber quais são os verdadeiros estragos dessa tragédia. Algo que infelizmente só tende a aumentar, pois refinarias de petróleo e usinas nucleares foram atingidas pelo terremoto e o sistema de resfriamento do reator de uma das usinas apresentou falhas. 




Fonte: video.globo.com

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quer engordar seu porquinho? Invista no Brasil!

Pois é, mesmo que o título acima ganhe uma conotação até positiva ela esconde um grande problema que ocorre silenciosamente em nosso país. Ante a crise de 2008 o governo tomou diversas medidas para combater a tal "marolinha". Com isso diversos setores da indústria foram beneficiados, inclusive com as reduções no IPI. Assim, os lucros das montadoras, por exemplo, nunca foram tão grandes quanto nesse período, a ponto de mandar seus lucros para suas matrizes para cobrir os rombos causados pela crise. 
Com os incentivos realizados pelo governo, o nosso país se tornou um grande atrativo para os investidores externos. Nessa época da crise, o que foi investido aqui gerou lucros enormes. Contudo, o preço a se pagar por tanto lucro sequer foi cobrado pelo governo: que seriam maiores investimentos em nosso país para melhorarmos quantitativamente e qualitativamente e nos tornarmos mais competitivos. 
O resultado disso são déficits inéditos na balança comercial no que tange o setor automotivo onde vemos mais uma vez o lema do neo-liberalismo em destaque: o gasto é do Estado, o lucro é do privado. Infelizmente. 

Os números divulgados pelo Banco Central na última semana com relação aos fluxos recordes de investimento direto estrangeiro (IDE) em 2010 no montante de 48,4 bilhões de dólares (soma da entrada líquida de recursos externos na modalidade de participação em capital mais empréstimos intercompanhias) ensejaram comemorações no governo e no meio empresarial. Ao superar os volumes pré-crise internacional em 2008, de 45,1 bilhões de dólares, o Brasil consolida-se como importante receptor de investimento externo, atrás apenas da China entre as economias emergentes, superando, inclusive, algumas tradicionais economias avançadas e importantes receptoras de investimento. Para entender melhor a importância dos fluxos de IDE, eles foram suficientes para financiar o expressivo rombo nas contas correntes de 47,5 bilhões de dólares em 2010.
Mas os números  também trouxeram preocupações entre os especialistas. A própria deterioração da conta corrente foi um dos principais destaques negativos, com a redução do superávit comercial e, principalmente, com a elevação das remessas de lucros e dividendos realizadas pelas empresas estrangeiras para suas matrizes. As remessas já haviam crescido de forma expressiva em 2008, no auge da crise internacional, quando atingiram o patamar de 33 bilhões de dólares, refletindo a estratégia das grandes corporações globais de transferir fluxos de caixas de suas filiais esparramadas mundo afora para suas matrizes com grandes dificuldades financeiras. Em 2009, embora as remessas tenham se reduzido para 25 bilhões de dólares, superaram a própria entrada de IDE. Em 2010, com a explicitação dos diferenciais de crescimento entre países desenvolvidos e emergentes, as remessas saltaram para 30 bilhões de dólares.
 Diferentemente dos investimentos que se distribuíram de forma relativamente equilibrada entre as atividades extrativas, industriais e de serviços, as remessas estiveram fortemente concentradas em alguns setores industriais com forte presença de multinacionais, com especial destaque para o setor automotivo (montadoras e autopeças). As remessas das filiais automotivas para os debilitados caixas de suas  matrizes atingiram a expressiva soma de 4 bilhões de dólares em 2010, o que representou um valor quase dez vezes maior que os investimentos externos realizados por essas filiais no mesmo período (450 milhões de dólares). Repete-se assim o movimento já observado durante e após a crise. Se considerarmos o período 2008-2010 as remessas de lucros e dividendos de empresas automotivas totalizaram 12,4 bilhões de dólares ante investimentos externos de apenas 3,6 bilhões de dólares, o que significa um saldo líquido negativo de 8,8 bilhões de dólares, em que pese o excelente desempenho das vendas e da produção na economia brasileira.
É importante observar que o setor automotivo foi um dos mais contemplados com reduções tributárias no âmbito das políticas públicas anticíclicas de enfrentamento da crise no Brasil (e também em outras economias, como EUA, Alemanha, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido). Para se ter uma dimensão das desonerações fiscais envolvidas, a arrecadação federal com o IPI automotivo reduziu de 6 bilhões de reais, em 2008, para pouco mais de 2 bilhões de reais, em 2009. Nesse ano foram comercializados 3,1 milhões de veículos ante 2,8 milhões, em 2008. Em 2010, a arrecadação recuperou-se com o final das reduções tarifárias e o forte aumento das vendas (3,5 milhões de unidades vendidas), atingindo 5,7 bilhões de reais. 
Ao mesmo tempo que as remessas ao exterior se elevaram, as empresas do setor automotivo tomaram financiamentos de 8,7 bilhões de dólares (aproximadamente, 16,3 bilhões de reais) ao BNDES no período 2008-2010. Por outro lado, a média anual de investimentos produtivos foi da ordem de 2 bilhões de dólares para as montadoras e de 1,3 bilhão de dólares para as autopeças nos últimos anos. Isso significa que quase a totalidade dos recursos necessários para financiar seus investimentos saiu dos cofres públicos, enquanto parcela expressiva dos lucros foi transferida para as matrizes.
Além do ajuste financeiro,  as montadoras utilizaram os acordos comerciais, o câmbio valorizado e as vantagens de uma estrutura corporativa fortemente internacionalizada para otimizar seus fluxos produtivos e comerciais, reduzindo a capacidade ociosa em mercados relativamente mais estagnados com vendas para mercados mais dinâmicos. É o caso do Brasil. Beneficiando-se da forte demanda doméstica, as montadoras ampliaram sistematicamente as importações de veículos, totalizando 1,5 milhão de unidades no período 2008-2010, com 660 mil apenas em 2010. Com isso a balança comercial de automóveis, que historicamente sempre foi superavitária, se tornou negativa já em 2009 e deve superar 3 bilhões de dólares em 2010. Se somada ao déficit no segmento de autopeças, os valores ultrapassam 5 bilhões de dólares, com importações superiores a 21 bilhões de dólares.
A utilização de instrumentos tributários, fiscais e financeiros para incentivar o investimento não só é justificável como tem sido decisiva para viabilizar a atratividade de alguns projetos estratégicos. Cabe destacar que a elevação da taxa de investimento da economia brasileira constitui-se em precondição para um crescimento sustentável de longo prazo e o melhor antídoto anti-inflacionário. O que nos parece injustificável é a concessão de benefícios e de recursos públicos para empresas privadas sem a exigência de contrapartidas. Nesse caso, a contrapartida deveria ser a ampliação dos investimentos no desenvolvimento de novos produtos e processos, na ampliação da capacidade produtiva (em torno de 4,3 milhões de unidades) e em atividades inovativas.
 Deve se destacar que esses investimentos são ainda mais prementes quando se considera a intensidade das mudanças que vêm ocorrendo no setor depois da crise internacional. No plano tecnológico, a busca por maior eficiência energética e por novas formas de propulsão alternativa tem avançado de forma rápida. No plano geo-gráfico, tem ocorrido um deslocamento rápido do dinamismo da demanda para países em desenvolvimento, com impactos profundos também sobre a distribuição da produção. Finalmente, essas mudanças no padrão geográfico da demanda e da oferta vêm sendo acompanhadas pela entrada de novos players, com destaque para produtores chineses (a produção e demanda de veículos na China aproxima-se de 15 milhões de unidades, em 2010, ante apenas 2 milhões, em 2000).
Nesse contexto, sem mais e melhores investimentos, o País e o próprio setor automotivo correm sério risco de perder competitividade e de reduzir quantitativa e qualitativamente sua inserção na rede corporativa global.


Extraído de cartacapital.com.br

O preço da arrogância

Todos acompanhamos a crise econômica dos EUA que se espalhou pelo mundo em 2008 e não parou de fazer vítimas desde então. A Grécia que o diga. Tempos depois, relatórios foram confeccionados para apontar as causas dessa crise e se chegou a conclusão que simplesmente "passaram o trator" nos avisos que a economia já vinha dando sobre o aumento dos empréstimos de risco e suas consequências. 
Talvez o posto de maior economia do mundo fosse suficiente para superar isso - na visão deles - e, então, os avisos foram sumariamente deixados de lado. Pura arrogância ? Diria que sim, mesmo sabendo que vão dizer que não e colocar a culpa na bolha especulativa...
Fato é que a arrogância cobrou seu preço não só nos EUA mas também no mundo todo...

Nas últimas semanas foram produzidos dois importantes documentos sobre a crise financeira deflagrada entre 2007 e 2008. No dia 27 de janeiro, a Comissão de Investigação do Congresso americano deu a público o Financial Crisis Inquiry Report e ontem, 10 de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional liberou o trabalho do Independent Evaluation Office, órgão interno encarregado de avaliar o desempenho da instituição no aconselhamento dos países. Resumo da peça: a coisa foi mal. Entre tanta autocrítica, sobressai a lamentosa constatação da pagina 25. “A autocensura parece ter sido um fator significativo (para inúmeros equívocos), mesmo na ausência de pressões políticas.”
 Poucas matérias jornalísticas cuidaram do relatório elaborado pela Comissão do Congresso sobre a crise financeira. O Financial Times e a revista The Economist, entre outros menos votados, são honrosas exceções. Em vários artigos, seus jornalistas e colunistas apresentaram avaliações do relatório, algumas críticas e ácidas. É divertido observar que mesmo em publicações de alta qualidade como as supracitadas, as opiniões se dividem apaixonadamente entre a turma da “culpa é de Wall Street” e os que atribuem a responsabilidade aos reguladores, ou seja, ao governo intrometido.
Before Our Very Eyes, assim  é denominado o primeiro capítulo do Relatório do Congresso. Em linguagem popular: “Estava na Cara”. É difícil negar que ao longo dos anos de gestação da crise, os olhos – os da mídia incluídos – estiveram vendados pela trava que os hipócritas apontam na visão alheia (palavras de Cristo, de admirável sabedoria). Já no caso de muitos economistas eminentes, sempre procurados para opinar, os olhos estavam travados, mas as imagens e palavras do documentário de Charles Ferguson, Inside Job, sugerem que os bolsos estavam arreganhados para a grana que escorria das façanhas da haute finance.
No relatório do Congresso, o percurso em direção é ana lisado mediante a narrativa de episódios esdrúxulos e de depoimentos patéticos de banqueiros, altos executivos e autoridades. A articulação entre as falas e as narrativas permite uma avaliação do papel desempenhado pelos vários fatores e protagonistas que levaram a economia global da euforia à depressão: as inovações financeiras geradoras de instabilidade, a omissão sistemática das autoridades encarregadas de supervisionar os mercados de hipotecas e, finalmente, a farra da emissão de securities lastreadas em empréstimos imobiliários.
 O episódio Ed Parker é emblemático. Parker era chefe do Departamento de Investigação de Fraudes da Ameriquest, então líder no mercado de financiamento de hipotecas. Em 2003, um mês após sua contratação, o diligente funcionário detectou fraude nos empréstimos efetuados pela companhia. Comunicou à administração superior da empresa. Os relatórios foram ignorados. Enquanto isso, os demais departamentos queixavam-se da excessiva preocupação do chefe de investigação de fraudes com a qualidade dos empréstimos. Em 2005, Parker foi rebaixado de manager a supervisor.  Em maio de 2006 recebeu um aviso, outrora chamado de “bilhete azul”.
Em 2003,  o subprocurador-geral de Minnesota, Prentiss Cox, pediu informações à Ameriquest sobre os empréstimos hipotecários realizados pela empresa. Recebeu dez caixas de documentos. Examinou aleatoriamente os contratos e, perplexo, observou que, em quase todos, os tomadores eram designados como “corretores de antiguidades”, um eufemismo para designar a condição de desempregados dos pretendentes ao crédito. Essas falsificações empalidecem diante da descrição do emprego de um senhor de 80 anos que só conseguia se locomover com o auxílio de um andador. Profissão? “Trabalhos Leves na Construção.”
Cox indagou-se das razões que levaram uma empresa de tal porte ao cometimento de malfeitorias. Um amigo atilado sugeriu: “Olhe para cima”. Cox acordou para a realidade: as instituições que concediam créditos hipotecários estavam simplesmente gerando produtos para Wall Street empacotar e distribuir mundo afora.
As instituições federais bloquearam sistematicamente as tentativas de regulamentar e coibir a multiplicação de empréstimos irregulares. No pelotão de frente estavam duas autoridades federais: o Office of the Controller of the Currency (OCC), encarregado de fiscalizar os bancos comerciais nacionais – incluídos o Bank of America, o Citibank e o Wachovia; e o Office of Thrift Supervision (OTS), incumbido de vigiar as instituições nacionais de poupança. Em 2001, Julie Willians, chairman do conselho do Controller of de Currency, ministrou uma palestra para as autoridades estaduais. Em sua arenga, Willians advertiu os presentes de que iria “aniquilar” quem insistisse na investigação das práticas das instituições nacionais de crédito. Bingo!


Extraído de cartacapital.com.br

10% da P.U.E.A. ainda procura emprego

Segundo pesquisas realizadas, 10% da população urbana econômicamente ativa (PUEA) está desempregada. Apesar do fato, é possível ver algumas boas coisas nas pesquisas, como o aumento da porcentagem de mulheres no mercado de trabalho e uma dedicação maior para com os estudos. Contudo, há ainda coisas que se devem melhorar e muito: o tempo que as pessoas estão procurando emprego está muito alto, (a maioria está há 6 meses - alguns chegam até a passar mais de 1 ano - procurando emprego) as pessoas não recebem o que consta na carteira (provavelmente o salário real é bem menor) o que preocupa pois pode acarretar em problemas com a previdência e também serve pra exemplificar o  tanto de descontos que temos nos nossos salários por conta de taxas e mais taxas. 


Só para esclarecer....

A população econômica, basicamente, se divide em duas categorias principais:

PEA - População Econômicamente Ativa - corresponde aos indivíduos entre 14 e 65 anos, sendo homens e mulheres que estão aptos a trabalhar (seja na condição de aprendiz, carteira assinada, trabalhador informal, etc.). Contudo, são contabilizados nessa população os que trabalham e os que não trabalham, o critério para essa categoria é a faixa etária permitida por lei para o trabalho. 

PEI - População Econômicamente Inativa - Corresponde aos indivíduos abaixo dos 14 anos e acima dos 65 anos. Esses indivíduos, teoricamente, não trabalham. No primeiro caso porque as crianças estão protegidas por lei e o trabalho infantil é crime, já no segundo caso é a idade em que se atinge a aposentadoria e, portanto, não se faz mais parte do mercado de trabalho. Apesar de sabermos que não é assim, pois a exploração infantil existe bem como vários pessoas continuam trabalho depois de aposentadas, esses parâmetros foram criados justamente para embasar as pesquisas feitas pelo governo e assim tentar identificar o que deve ser corrigido e o que deve ser mantido.


Cerca de 10% da população brasileira economicamente ativa com mais de 18 anos e que vive nas áreas urbanas está desempregada, revela o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Considerando toda a amostra, que também embarca pessoas inativas (que apenas realizaram atividade não remunerada no próprio domicílio ou não trabalharam nem procuraram emprego na semana em que foram pesquisadas), o porcentual de desempregados é de 7%.
A metodologia do Ipea considerou desempregadas aquelas pessoas que não exerciam atividade remunerada e não procuraram trabalho na semana de referência da pesquisa.
Realizado ao longo do segundo semestre do ano passado, responderam ao levantamento do Ipea  2,773 mil pessoas de todos os estados e do Distrito Federal. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira 16 pelo técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto, Bruno Amorim. O trabalho do Ipea faz parte do Sistema de Indicadores de Percepção Social – trabalho e renda.
Do total de pessoas inativas (29%), 31,3% nunca procuraram emprego. Destes, 88% são mulheres.
Apesar do dado evidenciar que as mulheres ainda participam menos do mercado de trabalho, o fato de que a proporção de mulheres que nunca procurou emprego aumentar com a idade é sinal de que as novas gerações buscam cada vez mais espaço no mercado. Entre os homens, acontece o inverso: a maioria das pessoas que nunca procurou emprego está entre a população mais jovem, o que indicaria, segundo o documento, que nessa faixa-etária as pessoas estão se dedicando mais aos estudos.

Procura
Entre os desempregados, 45% procuram trabalho há mais de seis meses e 25% estão há mais de um ano procurando uma ocupação. Bruno Amorim destacou que esse cenário é preocupante porque representa risco de perda de habilidades e vínculos profissionais.

Informalidade
Enquanto a maioria dos trabalhadores informais não recebe direitos trabalhistas como um terço de salário nas férias e o décimo terceiro, 97% dos registrados têm seus direitos trabalhistas em dia. Entretanto, 18% dos trabalhadores formais afirmam que estão registrados com um valor de salário diverso do que recebem de fato, número considerado alto pelo instituto.

Contribuição
Quase a totalidade dos trabalhadores com carteira assinada contribui para a previdência (95%). Já entre os informais, o porcentual daqueles que não contribuem é alto, 68%. Deste, cerca da metade diz não contribuir por falta de renda.
Leia as conclusões da pesquisa no site do Ipea

Extraído de cartacapital.com.br

Kadafi a caminho de receber seu xeque-mate

O efeito dominó que começou com a derrubada do ditador da Tunísia agora atinge a Líbia. Kadafi, há décadas no poder, resiste da forma que pode (leia-se violentamente) aos protestos da população que exige sua renúncia. 
Vários membros de seu governo já pediram a renúncia de seus cargos no governo do ditador que agora usa a força pra tentar se mânter no poder. 
Sua queda parece questão de tempo, mesmo que ele ainda mostre resistência. Fato é que a Líbia parece estar a um passo de dar xeque-mate em Kadafi que pode deixar o país que comandou durante décadas pela porta dos fundos.


O ditador líbio ordenou às forças armadas do país que combatessem os manifestantes nas ruas de Tripoli e Bengazi, incluindo ataques aéreos contra a população civil. Mais de 230 já morreram
A onda de protestos que tomou o Norte da África desde que o povo da Tunísia conseguiu derrubar o ditador Ben Ali encontrou a repressão mais violenta desde seu início ao chegar à Líbia. A população começou a ir às ruas na quinta-feira 17 e, desde então, tem sido atacada pelas forças de segurança, com saldo calculado de mais de 230 mortos até o momento.
Kadafi ainda não se pronunciou sobre os protestos que exigem sua queda, mas o filho do ditador, Said Kadafi, foi à rede de TV oficial líbia. Em entrevista, o herdeiro afirmou que o regime do pai não cairia com as manifestações e que haveria “rios de sangue” correndo pelas ruas caso o povo insistisse em seguir os exemplos de Tunísia e Egito.
A população continuou os protestos na capital Tripoli e em Bengazi, a segunda maior cidade do país. Nesta segunda-feira 21, a ameaça de Saif Kafadi confirmou-se. O governo ordenou ao exército que abrisse fogo pesado contra os manifestantes e centenas foram feridos e mortos.
Testemunhas do massacre também afirmam às agências de notícias que mercenários foram contratados para atacar a população. Vídeos enviados pelo Youtube e pelo Facebook mostram diversos feridos sendo atendidos em hospitais. As imagens são fortes.
Além da repressão por terra, Kadafi ordenou que helicópteros militares atacassem os manifestantes com metralhadoras. Há informações de que aviões bombardearam as ruas onde ocorrem os protestos, mas ainda não existe confirmação. Jornalistas não conseguem entrar no país. A rede de TV britânica BBC anunciou que um correspondente conseguiu entrar na Líbia, mas ainda não há maiores informações.
Em meio à repressão brutal, dois pilotos da força aérea líbia pousaram seus caças na ilha de Malta. Segundo as primeiras informações de agências de notícias, os dois receberam as ordens para atacarem a população em Trípoli, mas se recusaram a cumpri-la, desviando a rota para desertarem e pedirem abrigo na ilha.
O representante líbio na Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Al Debashi, foi uma das vozes dos “desertores” de Kadafi. Em entrevista à Al Jazeera, ele lamentou a repressão aos manifestantes. “O coronel Kadafi declarou guerra a seu próprio povo e está cometendo um genocídio na Líbia. A comunidade internacional precisa se posicionar contra o regime. Ninguém pode ficar em silêncio diante do que está acontecendo.”
Além da postura de Al Debashi, durante toda a segunda-feira embaixadores líbios em diversos países renunciaram a seus postos e exigiram a queda de Kadafi. Os representantes abandonaram os cargos na Inglaterra, na Indonésia, na Suécia, na Bélgica, na Liga Árabe e na União Europeia.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota oficial sobre a situação na Líbia na sexta-feira 18. Segundo o texto, “o Governo brasileiro acompanha com apreensão a situação na Líbia e repudia os atos de violência ocorridos durante as recentes manifestações populares, que resultaram em mortes de civis”.
Nesta segunda-feira, o ministro da pasta, Antonio Patriota, também se manifestou contra a violência na Líbia: “O Brasil repudia atos de violência contra manifestantes desarmados e vemos com grande preocupação os desenvolvimentos na Líbia, que parece que alcançaram padrão de violência absolutamente inaceitável”



Extraído de cartacapital.com.br