sábado, 10 de setembro de 2011

África ganha mais um país: Sudão do Sul

A pedido dos leitores do blog que me escreveram por e-mail, aos quais eu agradeço, pois este blog nada seria sem vocês, neste post analisaremos por alto a criação do novo país no continente africano: o Sudão do Sul.

Confesso que já vinha querendo postar algo sobre isto antes, mas estava procurando um vídeo que ilustrasse melhor o meu ponto de vista diante desta situação. O vídeo é este que segue ao final deste post. 

O antigo Estado do Sudão, vinha sendo alvo de uma guerra civil entre o que é hoje o Sudão do Sul e o atual Sudão por conta, basicamente, de dois motivos: A questão religiosa e as divisas de Petróleo. 

A grande maioria da população que compõe hoje o Sudão do Sul é composta de cristãos, já a população que compõe o atual Sudão é composta por muçulmanos. 

Outra questão são as divisas de petróleo, já que a maioria delas estão concentradas onde hoje é o Sudão do Sul.

Pois bem, posto isto, caminharemos agora para como esta independência, com questões pendentes, se concretizou. 

Antes mesmo da independência o país já vivia uma guerra civil há mais de uma década. Acredito eu que pelo mesmo motivo que expus em um post anterior, me referindo a possível divisão do estado do Pará, ou seja, a disputa pelo poder, neste caso em específico, pelo petróleo. 

Apesar do vídeo abaixo falar que a divisão do Sudão foi uma tentativa de terminar com a guerra civil, eu não creio que isso ocorrerá. 

Primeiro porque a questão da divisão dos poços de petróleo entre os dois países não foi definida, como aparece ao final do mesmo. 

Segundo que nada impede que o Sudão ataque o Sudão do Sul, justamente para minar seus poços de petróleo, ou até mesmo que o Sudão do Sul ataque o Sudão sob a alegação de "defender" seu território ou ainda buscar os poços de petróleo que tenham ficado sob território do Sudão.

O que fizeram sob o pretexto de acabar com o conflito, foi "aumentá-lo de escala" ou seja, o que era um conflito interno em um país, agora pode acabar virando uma guerra entre dois países. Já que aqueles que perderam os poços de petróleo não vão deixar de lutar para tê-los de volta e aqueles que agora os controlam, que provavelmente eram os mesmos que controlavam antes quando o Sudão era um só, farão de tudo para ainda ficarem no controle dos poços e não deixar ninguém chegar perto. 

Sendo assim o que provavelmente presenciamos foi uma independência que veio a troco de muita pressão do atual Sudão do Sul para se separar do resto do Sudão e assim controlar as riquezas que estão em seu território, sem ter que reparti-las com o resto do Sudão, concentrando mais ainda a riqueza gerada do petróleo e que lhes fora concedida sob um pretexto de selar a paz entre os dois países. 

Vale lembrar que apesar do Sudão do Sul ser um dos países mais ricos em petróleo, é também um dos mais pobres do mundo. Vemos também neste fato como a distribuição da renda neste novo país já nasce extremamente concentrada. 


Extraído de globovideos.com

domingo, 4 de setembro de 2011

Descoberto planeta feito de Diamante

Astrônomos descobriram um planeta feito de diamante. Isso mesmo... 

O Planeta fica a 4 mil anos-luz da Terra e é composto por carbono cristalino, ou seja, grande parte dele é feita mesmo de diamante... 

Ta aí uma prova do quanto o Universo é enorme e quanto ainda o desconhecemos... 


LONDRES (Reuters) - Astrônomos localizaram um exótico planeta que parece ser quase todo feito de diamante, girando em torno de uma pequena estrela nos confins da galáxia.
O novo planeta é bem mais denso do que qualquer outro já visto, e consiste praticamente só de carbono. Por ser tão denso, os cientistas calculam que o carbono deve ser cristalino, ou seja, uma grande parte dele é mesmo de diamante.
"A história evolutiva e a incrível densidade desse planeta sugerem que ele é composto de carbono, ou seja, um enorme diamante orbitando uma estrela de nêutrons a cada duas horas, numa órbita tão compacta que caberia dentro do nosso Sol", disse Matthew Bailes, da Universidade de Tecnologia Swinburne, em Melbourne.
A 4.000 anos-luz da Terra, ou cerca de um oitavo da distância entre o nosso planeta e o centro da Via Láctea, o planeta é provavelmente remanescente de uma estrela que já foi gigantesca, mas que perdeu suas camadas externas para a estrela que orbita.
Os pulsares são estrelas de nêutrons, pequenas e mortas, com apenas cerca de 20 quilômetros de diâmetro, girando centenas de vezes por segundo e emitindo feixes de radiação.
No caso do pulsar J1719-1438, seus feixes varrem a Terra regularmente e já foram monitorados por telescópios da Austrália, Grã-Bretanha e Havaí, o que permite aos astrônomos detectar modulações devido à atração gravitacional do seu companheiro planetário, que não é visto diretamente.
As medições sugerem que o planeta, com um "ano" de 130 minutos, tem uma massa ligeiramente superior à de Júpiter, mas é 20 vezes mais denso, segundo relato de Bailes e seus colegas na edição de quinta-feira da revista Science.
Além do carbono, o novo planeta também deve conter oxigênio, que pode ser mais abundante na superfície, tornando-se mais raro na direção do centro, onde há mais carbono.
Sua grande densidade sugere que os elementos mais leves -- hidrogênio e hélio -- que compõem a maior parte de gigantes gasosos, como Júpiter, não estão presentes.
O aspecto desse bizarro mundo de diamante, no entanto, é um mistério.
"Em termos do seu aspecto, não sei nem se eu posso especular", disse Ben Stappers, da Universidade de Manchester. "Não imagino que uma imagem de um objeto muito brilhante seja o que estejamos vendo aqui."


Extraído de yahoo.com.br

Descoberto novo rio na Amazônia

Fora descoberto nesses dias um rio de 6 mil Km de extensão na Amazônia. A descoberta foi apresentada em um congresso de geofísica. 


A descoberta, mostra, além de riqueza de nosso país, o quanto ainda o desconhecemos. 


Investimentos de pesquisa deveriam ser feitos em uma maior escala do que são atualmente, para que possamos ter conhecimento do que o nosso país possui, principalmente em se tratando de Amazônia. 


Digo isto, não só pelo fato de termos que conhecer o que nosso país possui, mas também para que não acabemos perdendo aquilo que seria nosso, mas acaba não sendo justamente porque outros vieram, pesquisaram e reconheceram antes de nós. 


Principalmente em se tratando de Amazônia, não é nenhuma novidade quando nos deparamos com notícias de cientistas que foram encontrados na Amazônia fazendo pesquisas ilegais ou até mesmo notícias que relatam práticas de biopirataria. 


Devemos sim cuidar do que é nosso, preservando e reconhecendo. Para isso investimentos em larga escala em pesquisas devem ser feitos. Não só para que tenhamos em mãos o conhecimento total, mas também para que outros não se apropriem do que é nosso. 


Pesquisadores do Observatório Nacional (ON) encontraram evidências de um rio subterrâneo de 6 mil quilômetros de extensão que corre embaixo do Rio Amazonas, a uma profundidade de 4 mil metros. Os dois cursos d’água têm o mesmo sentido de fluxo - de oeste para leste -, mas se comportam de forma diferente. A descoberta foi possível graças aos dados de temperatura de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras nas décadas de 1970 e 1980, na região amazônica. A estatal procurava petróleo.
Fluidos que se movimentam por meios porosos - como a água que corre por dentro dos sedimentos sob a Bacia Amazônica - costumam produzir sutis variações de temperatura. Com a informação térmica fornecida pela Petrobras, os cientistas Valiya Hamza, da Coordenação de Geofísica do Observatório Nacional, e a professora Elizabeth Tavares Pimentel, da Universidade Federal do Amazonas, identificaram a movimentação de águas subterrâneas em profundidades de até 4 mil metros.
Os dados do doutorado de Elizabeth, sob orientação de Hamza, foram apresentados na semana passada no 12.º Congresso Internacional da Sociedade Brasileira de Geofísica, no Rio. Em homenagem ao orientador, um pesquisador indiano que vive no Brasil desde 1974, os cientistas batizaram o fluxo subterrâneo de Rio Hamza.
Características
A vazão média do Rio Amazonas é estimada em 133 mil metros cúbicos de água por segundo (m3/s). O fluxo subterrâneo contém apenas 2% desse volume com uma vazão de 3 mil m3/s - maior que a do Rio São Francisco, que corta Minas e o Nordeste e beneficia 13 milhões de pessoas, de 2,7 mil m3/s. Para se ter uma ideia da força do Hamza, quando a calha do Rio Tietê, em São Paulo, está cheia, a vazão alcança pouco mais de 1 mil m3/s.
As diferenças entre o Amazonas e o Hamza também são significativas quando se compara a largura e a velocidade do curso d’água dos dois rios. Enquanto as margens do Amazonas distam de 1 a 100 quilômetros, a largura do rio subterrâneo varia de 200 a 400 quilômetros. Por outro lado, a s águas do Amazonas correm de 0,1 a 2 metros por segundo, dependendo do local. Embaixo da terra, a velocidade é muito menor: de 10 a 100 metros por ano.
Há uma explicação simples para a lentidão subterrânea. Na superfície, a água movimenta-se sobre a calha do rio, como um líquido que escorre sobre a superfície. Nas profundezas, não há um túnel por onde a água possa correr. Ela vence pouco a pouco a resistência de sedimentos que atuam como uma gigantesca esponja: o líquido caminha pelos poros da rocha rumo ao mar.





Extraído de yahoo.com.br

China e América Latina: Parceria de mão dupla

Desde o final dos anos 2000, pelo menos de forma mais notória, a China vem galgando passos para se tornar a principal economia mundial, passando assim os EUA. 

Vislumbrando esta possibilidade vários países firmaram acordos com a China, visando se desvencilhar dos EUA como principal parceiro em trocas comerciais e acordos econômicos, até pelas cambaleadas que o mesmo vem apresentando em sua economia. Contudo, se olharmos atentamente, podemos ver que esse acordo é uma via de mão dupla.  

Usaremos o gancho da reportagem abaixo para falar da América Latina e, em especial, do nosso país. 

Ao analisarmos esses acordos vemos que os países latino americanos caminham para uma futura dependência da China. Com o Brasil não é diferente. Há alguns anos a China já ultrapassou os EUA e se tornou o nosso maior parceiro comercial e isto pode ser usado como um indicativo desta  futura dependência.

Nosso país pode ao longo dos anos se tornar dependente da China, senão diversificar suas exportações. Apesar de exportarmos em larga escala para a China e isso representar uma boa injeção de capital em nossa economia, devemos prestar atenção que neste cenário, demais coisas ocorrem além do fato citado. 

Da mesma forma que produtos nossos são levados para China, produtos chineses chegam ao nosso país. Contudo, devido ao baixo custo de produção muito em virtude do custo de mão-de-obra ser baixo, muitos produtos chineses têm levado certas vantagens comerciais em cima dos nossos produtos dentro do nosso mercado interno. O resultado disso é que muitas indústrias tem ido a falência e fechado suas portas por conta disso, mas ainda tem coisa pior. 

Muito antes de quebrarem, algumas indústrias estão fechando suas portas aqui no Brasil e abrindo filiais na China, pois, acreditem, mesmo com todo o custo de transporte de lá pra cá e os impostos cobrados tanto lá, quanto aqui, o custo de produção do produto é mais barato lá do que aqui. 

Portanto, mesmo que, por agora, essa parceria econômica seja vantajosa para o nosso país, a longo prazo, senão diversificarmos nossas parcerias, correremos sério risco de uma dependência da China onde ficaremos preso a saúde econômica da mesma que apesar de hoje estar bem, não se sabe como estará amanhã. Os EUA que os digam....

O mesmo pode se dizer dos demais países da América Latina, que andam pegando empréstimos de altos valores da China. Não que seja o caso de todos os países da região, mas está ficando cada vez mais flagrante este fenômeno que também pode levar a dependência, e a diversificação pode ser uma boa saída para isso. Caso contrário será apenas uma troca de dependente, onde os EUA passarão o bastão lentamente para a China.


O forte crescimento do comércio entre China e América Latina tem sido benéfico por aumentar a demanda para as exportações de commodities da região, enquanto reduz a exposição de muitos países do continente a crescimentos cíclicos na economia americana. Todavia, inquietações a respeito dos riscos do crescente comércio da China com a região estão se tornando cada vez mais sonoras: o país asiático poderia comprar as commodities da América Latina sem garantir benefícios a longo prazo para a região; a competição dos importados chineses prejudica os produtores domésticos; projetos chineses vão trazer trabalhadores chineses ao invés de contratar funcionários locais; e o cultivo de laços com o país asiático pode dissuadir outros potenciais investidores. Há ainda riscos de dependência financeira significantes, enquanto a combinação de empréstimos leves e projetos de investimentos podem deixar alguns países perigosamente endividados ou dependentes da China.

Em julho, a Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (CEPAL) apontou que até 2015 a China poderá se tornar o segundo maior parceiro comercial da região, atrás apenas dos EUA (a nação asiática já é a principal parceira comercial de alguns países, incluindo o Brasil). Em 2010, o comércio entre China e América Latina totalizou 178,6 bilhões de dólares (cerca de 284 bilhões de reais), um impressionante incremento de 51% em relação a 2009. Enquanto esse grande salto, em parte, reflete a recuperação de um período mais lento de negócios durante a depressão econômica internacional de 2008-09, também destaca o fato de que intensificar o comércio com a China é agora uma consideração importante aos países da América Latina, particularmente aqueles ávidos por diversificar laços de comércio para além dos EUA.
Por um barril
Um exemplo recente da crescente dependência do finaciamento chinês é o Equador. O país assinou cinco grandes acordos de empréstimos com a China, com a vasta maioria dos fundos sendo direcionada a projetos de infraestrutura. O Equador não tem condições de financiar esses projetos sozinho e está amplamente excluído do financiamento global devido a um calote prévio. A recessão global e o próprio clima regulatório incerto do país também significam que há menos investimentos estrangeiros diretos vindos de outras nações. Em particular, o fato de a política equatoriana estender o controle estatal para setores econômicos estratégicos, como a indústria do petróleo, tem dissuadido investidores.
Em junho, o Equador anunciou um acordo de uma linha de crédito de 2 bilhões de dólares com a China, que será usada para construir novas plantas hidroelétricas e projetos de irrigação. Em seguida, em julho, ambos os países fecharam um acordo petrolífero pelo qual o Equador vai fornecer 130 milhões de barris de óleo bruto e mais 18 milhões em combustível derivado de petróleo entre 2011 e 2018. Os dois acordos realçam a crescente dependência do Equador em financiamentos chineses, o que pode favorecer a China em futuros acordos a envolver petróleo. A China se tornou o primeiro porto do Equador para solicitação de empréstimos, o que substancialmente aumentará o endividamento do país latino-americano com os asiáticos. Isso coloca em risco a dependência econômica para com os EUA, que o governo de esquerda do Equador tenta reduzir, e que será substituída pela elevada confiança no investimento chinês e comércio.
Bom Equilíbrio
O risco de se tornar excessivamente endividado com a China é basicamente limitado a países como Equador e Venezuela, ambos membros da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA, um grupo de esquerda regional anti-EUA liderado pela Venezuela). A decisão ideológica de diversificar para além do comércio e investimento dos EUA os tem levado a confiar de modo crescente na China. Na Venezuela, isso diz respeito majoritariamente ao setor de energia pela exploração conjunta e ao setor de projetos de desenvolvimento. Entretanto, Caracas também já selou diversos acordos de empréstimos com a China. A preocupação crescente do investidor em relação ao ambiente regulatório e de investimentos venezuelano pode elevar a participação da China no setor de energia, bem como o seu papel como provedor de financiamentos.
Isso está em contraste com o caso do Brasil, onde crescentes exportações para a China têm sido balanceadas por um crescimento robusto do mercado doméstico e investimento direto de outros países. O Brasil também não é dependente de empréstimos da China. Neste caso, os riscos a longo prazo giram em torno da elevada dependência da demanda de um único mercado, mesmo de um grande mercado em expansão como o da China, particularmente visto que as exportações brasileiras para o país asiático são basicamente de commodities. Há também preocupações no Brasil com a rápida expansão do déficit comercial com a China em bens manufaturados. Não obstante, o papel da China no Brasil e na região provavelmente continuará a aumentar da mesma forma que seu peso na economia e sua insaciável demanda por commodities continua a subir.
Enquanto isso, países como o Equador e a Venezuela em particular – e em menor extensão a Bolívia, Nicarágua e Cuba – parecem prontos para aprofundar seus relacionamentos estratégicos com a China. A pragmática superpotência asiática quer aumentar sua potencial influência em áreas do mundo ricas em recursos naturais e abrir oportunidades para suas empresas no exterior, reforçando seu espaço para manobras em negociações contratuais. Como tal, assumindo que a economia chinesa continue a florescer, empréstimos provavelmente devem continuar a fluir.

Extraído de cartacapital.com.br 

Reformas econômicas em Cuba: mercado imobiliário

Desde que Cuba se viu sozinha, desde o fim da URSS quando perdeu sua "madrinha", a situação da ilha, que já não era das melhores, veio sofrendo perdas sensíveis, associadas também ao embargo econômico imposto pelos EUA. 

Com problemas de abastecimento para com sua população, além de uma economia cambaleante por conta dos embargos, em grande parte, Cuba se viu obrigada a implementar reformas econômicas para reaquecer sua economia. Uma das apostas iniciais, e que tem dado certo para a ilha, é o turismo. 

Contudo, as reformas não pararam por aí. Além de "abrir suas portas" aos estrangeiros, pelo menos via turismo, Cuba agora realiza reformas em seu mercado imobiliário. Numa tentativa de implementar reformas econômicas visando melhorar a saúde de sua economia, Cuba agora tenta implementar leis que regulem um mercado privado imobiliário, atingindo não só o mercado de compra e venda de imóveis, mas também o de reformas. 

E as reformas não param no mercado imobiliário não, as mesmas pretendem chegar ao mercado de automóveis, pelo menos até o fim deste ano. Pelo jeito, parece que Cuba está mesmo mudando sua economia que durante anos foi comandada por Fidel Castro e que agora sob a batuta de seu irmão e o antigo modelo de economia parece enfraquecer diante de um novo que parece surgir em meio as reformas, um sistema menos controlador, menos preso ao Estado. 

Acho que ainda é cedo para avaliarmos todas essas mudanças e o que elas podem acarretar na economia de Cuba, mas já podemos ver que mudanças significativas estão sendo feitas na Ilha cubana.

Entre as principais mudanças que estão sendo planejadas pelo governo de Cuba como parte de profundas reformas econômicas, está a criação de um mercado imobiliário legal. Além do recente aumento de possibilidades para o autoemprego, esta reforma poderia muito bem ter o maior e mais amplo impacto na população cubana. Isso não só legitimaria a propriedade privada, como também seria o pontapé inicial para um grande reassentamento, melhoras nas moradias, uma indústria da construção privada e um mercado de crédito novo. A reforma também poderia alavancar um novo fluxo de dinheiro de cubanos que vivem no exterior.
No período entre novembro de 2010 e  abril de 2011 em debates sobre as reformas da política econômica — diretrizes aprovadas durante o congresso do Partido Comunista Cubano (PCC), em abril —, a compra e venda de casas foram os temas a receber maior número de comentários públicos. Isto revelou fortes apelos para o mercado imobiliário ser liberalizado, o que não surpreendeu, dadas as grandes restrições sobre os reassentamentos e a baixa demanda por habitação em meio há décadas de escassas moradias. Embora, tecnicamente, os cubanos sejam donos de suas casas, eles não estão autorizados a comprá-las ou vendê-las, e isso levou a um mercado próspero, mas ineficiente para swaps e vendas de casas.
Acredita-se que a liberalização a permitir um mercado imobiliário livre não só facilita esse processo, mas também leva a grandes melhorias no parque habitacional existente. E criaria oportunidades para a criação de emprego e lucros que superaria somas ganhas por qualquer cubano por meio de autoemprego de pequena escala. Além disso, a maior preocupação das autoridades nesse caso seria a geração de disparidades de riqueza, como as que se desenvolveram após a posse da propriedade tornou-se possível em lugares como o antigo bloco soviético e a China.
Esperando as regras do jogo
Autoridades dizem que as regras a reger um mercado imobiliário não estarão prontas o final de 2011. Há muitas questões complexas que têm de ser abordadas, incluindo a política de preços, os impostos e financiamentos de moradias, entre outros. A liberalização do mercado de automóveis usados, também prometida para até o final do ano, será simples em comparação à do mercado imobiliário. Os novos regulamentos para carros removerão as proibições de venda direta de automóveis de fabricação pós-1959, e sobre a propriedade de mais de um carro, mas parece que o direito de comprar carros novos continuará a ser restrito. O nível de imposto sobre automóveis ainda não foi determinado.
O desejo para a criação de um mercado oficial de moradias surge principalmente da frustração com os intermináveis processos burocráticos ​​envolvidos na mudança de uma casa para outra. A redistribuição das propriedades após a Revolução de 1959, combinada com a concessão de propriedade aos arrendatários, resultou em um parque habitacional atualmente ocupado por mais de 80% dos proprietários, mas transferências de propriedades só podem ser realizadas através do Estado a preços fixos. Com as transferências de casas agora administradas por um relatório com 188 regulamentos, existe um ascendente mercado negro de compras ´´por debaixo da mesa´´, facilitado por subornos. O governo prometeu introduzir uma transação simplificada a envolver apenas a aprovação de um tabelião, uma transferência bancária e o pagamento de um imposto ainda não especificado.
O novo mercado trará várias implicações e mudanças importantes a curto e a longo prazos, incluindo as seguintes:
a) Modelo de propriedade privada. Quando as vendas são legalizadas, um aumento nas vendas de ricas propriedades é provável. Mas, as famílias de baixa renda precisam monetizar seus ativos, enquanto aquelas com poupança compram espaços maiores. O padrões de propriedades habitacionais refletirão, portanto, a distribuição da renda mais de perto. Embora a permissão seja de apenas uma propriedade por pessoa, há uma expectativa de que as autoridades não procurarão impedir a propriedade de segundas residências (por exemplo, chalés de fim de semana), que já existem.
A propriedade será provavelmente restrita a cidadãos cubanos e estrangeiros residentes em Cuba. Regras terão de ser claras em casos de herança, de doação e de transferência para parentes no caso da imigração permanente.
b) Construção civil. À medida que novos proprietários investem em melhorias nas suas casas, uma área completamente nova da atividade econômica será criada no setor privado da construção. Esta atividade irá receber um impulso súbito, no período que segue imediatamente ao da criação de um mercado imobiliário, porque a demanda reprimida para a transferência irá libertar um enorme estoque de capital pessoal. De forma eficaz, irá representar o descongelamento de ativos congelados.
c) Criação de crédito e hipotecas. A demanda por empréstimos para financiar a compra da casa própria incentivará a criação de um mercado de hipotecas. Isso pode também ajudar a estimular o eventual desenvolvimento de empréstimos a pequenas empresas. O sistema bancário cubano tem, até agora, cedido crédito às famílias para compra apenas de bens de consumo duráveis e para empresas privadas do setor agrícola (onde, segundo relatos da imprensa no início de julho, mais de 13 mil agricultores receberam empréstimos a taxas de juros de 3 a 7%). O desenvolvimento de um mercado imobiliário poderia facilitar novos tipos de empréstimos, com a casa própria servindo como uma espécie de garantia para pessoas que desejam iniciar um pequeno negócio.
d) Comunidades e bairros. O mercado imobiliário terá efeitos de longo alcance e a longo prazo sobre a sociedade cubana e sobre o desenvolvimento urbano. Famílias mais ricas estarão concentradas em bairros mais procurados, enquanto os cubanos mais pobres permanecerão em zonas degradadas, conforme os mais pobres vão se mudando.  Este processo já está em curso, como resultado do mercado negro de venda de imóveis, mas  a legalização poderá acelerá-lo. Ao longo do tempo, a tendência será a agravação do privilégio social e da pobreza, a menos que políticas sejam introduzidas para combater a “guetização".


Extraído de cartacapital.com.br