sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Tensão na fronteira entre Brasil e Paraguai

Já havia comentado aqui em post anterior que a relação entre brasileiros e paraguaios na fronteira (figura abaixo) é alvo de tensões, principalmente entre agricultores brasileiros (principalmente os sojicultores) e traficantes também com os sem terra paraguaios. 

Segundo os sem terra, os brasileiros invadiram terras destinadas a reforma agrária uruguaia, já os brasileiros se defendem dizendo o oposto. Ambos os governos têm se reunido para tentar solucionar esse impasse e diminuir a tensão entre os dois grupos. 

Pra quem achava que a expansão da soja caminhava só em direção ao norte do país, pode perceber que a mesma também caminha para fora de nossos limites territoriais. É o nosso país demonstrando que aprendeu certas práticas de imperialismo direitinho tanto com o Tio Sam quanto com o os europeus... 

Região de conflito entre brasileiros e paraguaios. Reprodução: Agência Brasil


Brasília – A tensão no Alto Paraná, fronteira do Paraguai com o Brasil, foi reduzida nesta quinta-feira 2 diante da possibilidade de uma solução negociada pelo governo. Há mais de uma semana, os chamados brasiguaios, agricultores brasileiros que vivem na região, enfrentam a pressão dos sem-terra paraguaios, denominados carperos, que querem que eles abandonem as terras. Paralelamente, o governo do presidente Fernando Lugo aumentou a segurança no local.

O comandante das Forças Armadas do Paraguai, Felipe Melgarejo, foi na quarta-feira 1º ao Congresso para prestar explicações sobre os conflitos entre brasiguaios e sem-terra. Na audiência com os parlamentares, o militar disse que o governo pretende rever os procedimentos de medição das terras e comprometeu-se a buscar uma solução para o impasse.
Desde o mês passado, brasiguaios enfrentam a pressão dos sem-terra na região de Santa Rosa del Monday, no Alto Paraná. Para os sem-terra paraguaios, a área foi ocupada irregularmente, pois anteriormente estava previsto que ela seria utilizada para reforma agrária. No entanto, os brasileiros negam que as terras sejam irregulares.
No Paraguai, a delimitação de terras é submetida a uma legislação complexa. Mas as definições mas delicadas se referem às áreas de fronteira. A estimativa é que cerca de 350 mil brasileiros vivam em território paraguaio – a maioria é de agricultores.
A controvérsia envolvendo brasileiros e paraguaios é tema de reuniões diárias entre as autoridades dos dois países. A Embaixada do Brasil no Paraguai informou que o embaixador Eduardo Santos dedica-se nos últimos dias a conversar com integrantes do governo Lugo e parlamentares para encerrar a tensão.
No Brasil, o assunto é acompanhado pelo encarregado de Negócios do Paraguai no Brasil (o principal representante do governo em Brasília), Didier Olmedo.




Nasa divulga imagens da Terra com a maior resolução já apresentada

A Nasa divulgou imagens da Terra com a melhor resolução apresentada até o momento. As imagens são lindas... 






Extraído de yahoo.com.br e g1.com.br

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Inglaterra cada vez mais dura quanto a migrações

O primeiro ministro britânico, David Cameron, vem implementando duras restrições a imigração de pessoas à Inglaterra. 

Com a crise que se instalou na Europa, um dos alvos eleitos como responsáveis pela mesma passou a ser a migração. Desde que entrou no poder Cameron vem implementando uma série de medidas que já reduziram a migração ao seu país em 44%. Uma dessas medidas é reduzir ainda mais as profissões que os ingleses divulgam necessitarem em seu país (tal lista é usada para atrair mão de obra para a Inglaterra). 

Fato é que com a crise econômica o primeiro ministro resolveu realizar uma caça às bruxas contra os imigrantes e pretende ir cada vez mais a fundo na questão. Com discursos que incitam desde a denúncia de imigrantes ilegais até demonstrações claras de que suas restrições com a questão são severas ao dizer que seu país não precisa de gente desqualificada, Cameron pode estar perto de incitar uma onda de xenofobismo. 

Onde antigamente os imigrantes eram bem vindos tanto para reconstruir o país arrasado pelas guerras mundiais quanto para ocupar funções que os britânicos não se dignam a fazer, agora passam a ser vistos como um peso para a Inglaterra e que devem se retirados do país o quanto antes para recuperação inglesa da crise. 

Infelizmente, essas pessoas estão sendo tratadas como se tivessem prazo de validade, onde antes tinham um imenso valor para a terra da Rainha, mas agora parecem ter seu prazo vencido, sendo taxados até como desqualificados. Mas, isso só se aplica as pessoas que ocupam ocupações com "baixa exigência", os ingleses ainda estimulam a dita fuga de cérebros (vantajoso, não?...).

O primeiro-ministro inglês David Cameron está querendo promover uma verdadeira caça às bruxas no seu país. Explico: preocupado com os gastos públicos da saúde, Cameron pretende pedir à população que denuncie a presença de imigrantes ilegais na Inglaterra. Ou seja, Cameron quer montar um exército de delatores voluntários para resolver um problema de ordem governamental.

Tendências de xenofobismo sempre crescem em períodos de crise financeira. A falta de dinheiro e de postos de trabalho leva a população a se preocupar com a entrada de imigrantes no país que possam roubar as poucas oportunidades de emprego ainda disponíveis. Além disso, a necessidade de cortes de custos em áreas como educação e saúde faz os governos quererem evitar a entrada de novos usuários dos serviços públicos gratuitos.

Entretanto, em uma Europa cada vez mais integrada, é difícil que uma política de restrição a estrangeiros seja adotada com apoio total da sociedade. Um país multicultural como a Inglaterra é recheado de comunidades de imigrantes que já se mobilizam em atos contra as novas medidas e, com certeza, vão mostrar o seu descontentamento nas próximas eleições no país.

Apesar do risco nas urnas, políticas de restrição a imigrantes ilegais vem tomando diversos países na Europa. Na França, Nicolas Sarkozy já expulsou 30 mil imigrantes em 2011 e vem provocando a ira da comunidade cigana, a mais atingida pelos últimos atos. Na Dinamarca, o governo aumentou a fiscalização na fronteira para impedir a entrada de novos imigrantes, apesar de o país ter assinado o Tratado de Livre Circulação da União Europeia.


Portanto, David Cameron deveria pensar melhor na próxima vez que fosse convidado a entrar em uma guerra para derrubar algum ditador pelo mundo. De repente, o investimento em ações humanitárias em países pode sair muito mais barato do que alguma incursão de guerra ou os milhares de libras gastos pelo governo para evitar as imigrações ilegais para o seu país. Além de ser muito mais eficiente.
 



De "pires na mão" Merkel vai a China pedir investimentos para UE

Quem diria... Em um passado não tão distante a China, que era vista como "inimiga", agora é vista como uma tábua de salvação para, ao menos, amenizar a crise européia. 

Em viagem a China a chanceler alemã, Angela Merkel, fez um discurso incitando a China a investir principalmente na Alemanha, mas também no bloco europeu, baseado na força e na estabilidade do euro, a moeda do bloco. 

Merkel também não perdeu a viagem e solicitou uma abertura maior por parte da China as empresas alemãs de modo que as mesmas possam ter mais acesso ao mercado chinês. 

Chavões a parte, como esse mundo dá voltas, não é mesmo ? Se pararmos pra pensar quem antes emprestava dinheiro hoje recorre a ele desesperadamente em outras praças e quem hoje empresta dinheiro e tem ótimas condições econômicas já dependeu dele no passado. Estamos, portanto, vivendo um momento de transformação em que convém prestar muita atenção sobre como este processo está se dando, não só em relação a China com o bloco europeu, como é o assunto do post, mas até mesmo no nosso caso, pois, as coisas estão mudando e, no nosso caso por exemplo, pra melhor. 

A China estuda a possibilidade de uma maior participação nos esforços para resolver a crise da dívida europeia, afirmou hoje o premiê Wen Jiabao pouco depois de dialogar com a chanceler alemã, Angela Merkel.


Isso seria feito mediante entidades como o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira e o Mecanismo Europeu de Estabilidade, segundo declarou à imprensa o chefe de governo anfitrião.



Acrescentou que a China está disposta a ampliar a comunicação com a Alemanha através dos mecanismos bilaterais de cooperação financeira e a se manter em contato com todas as outras partes com o citado fim.



O chanceler da nação europeia iniciou hoje uma visita de três dias a este país com um programa que incluiu uma conferência na Academia de Ciências Sociais.



Nessa ocasião, assinalou que a ajuda da China à Eurozona impulsionará não só essa região, como também a economia global em geral.



Segundo informou-se, Merkel se reunirá também com o presidente Hu Jintao, entre outras autoridades.



Amanhã viajará a Guangzhou, capital da meridional província de Guangdong, onde, junto com Wen, participará de um fórum empresarial e visitará uma companhia alemã.



Além do apoio para a solução da referida crise, entre as prioridades desta visita menciona-se o prosseguimento aos acordos atingidos durante as primeiras consultas intergovernamentais, realizadas em junho passado e presididas por ambos chefes de governo.



sábado, 28 de janeiro de 2012

Ilhas Malvinas voltam a cena depois de 30 anos

Depois da famosa Guerra das Malvinas em 81. Argentina e Inglaterra voltam a discutir sobre a ilha que atualmente é de domínio inglês, mas é reivindicada pelos argentinos. 

Os ingleses afirmam que os moradores da ilha têm vontade de permanecer sob domínio britânico, tentando com isso esconder o verdadeiro intento que é a exploração de petróleo na região, além é claro de manter uma colônia disfarçada. Principalmente se a mesma pode render lucros aos ingleses. 

Já os argentinos, reivindicam a ilha para eles e agora, com o reconhecimento da União Europeia das Ilhas Malvinas como território do bloco, o fazem com ainda mais veemência e se apoiam exatamente nesta questão do petróleo, mas sob um outro prisma: o dos impactos ambientais provenientes dessa exploração na ilha que, é claro, não serão sentidos pelos ingleses. 

É uma questão típica de "uma faca de dois gumes". Se por um lado os ingleses mostram claramente que o colonialismo se faz até hoje, mesmo que de forma disfarçada (ou não), do outro o que garante que com as Malvinas sob domínio argentino a exploração de petróleo na região não seja feita ?

Fica difícil prever se isso é fogo de palha ou se a questão vai ser levada adiante, pois os ingleses não parecem nem um pouco dispostos a negociar (claro). Já para os argentinos, nesse caso para a presidente argentina, me parece uma tentativa de assegurar mais um mandato (algo que já está perto de ser feito, pois está tramitando um projeto de alteração da constituição que permita isso a presidente argentina) já que não a nada melhor que renda mais votos do que figurar como aquela que pode possívelmente conseguir um território tão almejado pelos argentinos por décadas. 

A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premiê britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.

Uma atualização política do currency board, sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.

Do convés do destroyer Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".

Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.

A autodeterminação dos kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de “independência”. Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.

Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.

Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.

Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes".

Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente.