sexta-feira, 9 de março de 2018

Mercosul negocia com Canadá um dia após medida protecionista de Trump

Quase como uma resposta às medidas anunciadas pelo presidente dos EUA de sobretaxar produtos como alumínio e aço, o MERCOSUL anuncia negociações com o Canadá para uma área de livre comércio. 

O acordo entre as partes envolve várias esferas como a econômica, propriedade intelectual, trocas governamentais, barreiras não tarifárias, comércio de serviços e etc. 

Segundo o anúncio, o acordo ainda está sendo desenhado entre as partes, mas ainda parece longe de um desfecho. Não podemos esquecer que o Mercosul negocia um acordo semelhante com a "zona do euro" há 15 anos, o que pode nos levar a crer que o acordo como Canadá ainda leve algum tempo para ser concretizado.

Contudo, o mesmo deve ser motivo de celebração para o bloco que parece ter encontrado sobrevida além de seus domínios. 

A ideia de criação do bloco, na década de 90, era pregar a união entre as nações sul-americanas, além de frear a dominação norte-americana sobre o continente. Em sua formação, e até hoje, um dos maiores obstáculos do MERCOSUL se trata justamente dos aspectos econômicos de seus membros. 

Suas economias, em termos rasos, são praticamente as mesmas, o que dificulta a negociação entre os países do bloco, principalmente em questões de integração econômica e derrubada de tarifas alfandegárias. 

Claro que não estamos dizendo aqui que as economias são absolutamente iguais, mas sim que grande parte dos produtos que compõem suas economias são semelhantes; entretanto isso não impediu que o bloco continuasse ou mesmo o condenou ao seu fim, mas dificultou, e dificulta até hoje, que as negociações entre os países membros avancem para que, de fato, o MERCOSUL cumpra todas as etapas para ser considerado um bloco econômico. 

E, observando as últimas negociações feitas pelo bloco, parece que seus membros observaram essa semelhança e decidiram então se dedicar a expansão de suas negociações para além dos limites do bloco. 

Primeiro com a União Europeia e agora com o Canadá. Isso mostra que a busca por parceiros diversificados e que, principalmente, vendam produtos diferentes dos que oferecem tem sido uma constante no bloco, já que isso pode beneficiar todos os membros do bloco com as trocas comerciais ao mesmo tempo em que, nestas negociações, suprime a barreira da semelhança de produtos oferecidos pelos países do bloco. 

E assim, respondendo com acordo de abertura econômica e se lançando na busca por novos parceiros, o MERCOSUL expande o seu leque de negócios, confirma o nosso país cada vez mais como um global trader e dá uma resposta ao protecionismo de Trump um dia após as medidas anunciadas por ele. 


sexta-feira, 2 de março de 2018

Putin X Trump. Nova Guerra-Fria?

Desde que assumiu o poder na Casa Branca, o atual presidente norte-americano tem colecionado mais polêmicas do que feitos para o seu país. 

Estava faltando para a sua coleção um desentendimento direto com os russos, já que o indireto já teve por conta da guerra na Síria. Agora não falta mais.

Esta semana foi notícia em todo o mundo as promessas de campanha do candidato à presidência russa, Vladmir Putin, que até então estava quieto já que seu opositor ao cargo está proibido de concorrer, em relação as novas aquisições do arsenal bélico-nuclear russo.

Numa demonstração de força e poder, digna de Guerra Fria, o presidente russo (candidato ao seu quarto mandato) mostrou o poder de alcance de suas novas armas que, segundo o próprio, podem alcançar qualquer lugar do planeta

A reação dos EUA ao discurso de Putin foi quase imediata. Os norte-americanos acusaram os russos de violarem acordos de não proliferação de armas, embora deixando bem claro que já estavam preparados para isso, numa clara "resposta" ao discurso do presidente russo.

Com todo esse mal-estar, muitos já se perguntam se poderemos ter uma nova guerra fria. 

Ousamos dizer que este não seja o caso, pelo menos não nos mesmos moldes da que ocorreu no século passado. 

Primeiramente porque a bipolaridade capitalismo x socialismo já fora extinta com o fim da URSS e hoje o capitalismo é o sistema predominante no mundo, economicamente falando.

Outro motivo que nos conduz a acreditar que uma nova guerra fria não irá ocorrer é justamente a questão bélica. 

Embora a Rússia tenha declarado que seu objetivo não é começar uma nova corrida armamentista com os EUA, acreditamos ser muito difícil uma reedição da guerra fria pela série de implicações que isso poderia trazer ao xadrez geopolítico atual, isso nos atentando somente a questão bélica. 

Podemos começar observando os vários acordo bélicos existentes assinados não só pelos países citados como por outros países também, dentre os quais podemos citar os acordos de não proliferação de armas nucleares. 

Caso haja uma corrida armamentista entre as duas potências, de fato, isso abrirá espaço para que outros países também entrem nessa "corrida" como China, Índia, Paquistão, Coréia do Norte, Coréia do Sul, entre outros; o que levaria anos de acordo para o lixo e provocaria a suscetibilidade de episódios como a "crise dos mísseis de Cuba" em maior escala, mas possivelmente não com o mesmo desfecho.

Além disso, em caso de possível conflito, não só a integridade dos países estariam ameaçadas, mas a integridade do mundo. A tecnologia nuclear pode até ter consigo alguns benefícios, mas a contrapartida da mesma tem proporções de destruição global que colocam em risco a presença humana na Terra. 

Logicamente que os dois lados sabem disso, o que então os parece conduzir apenas ao discurso das trocas de farpas e demonstração de poder, mas desta vez sem o financiamento de conflitos em outros países do mundo como era costumeiro em tempos de guerra fria. 

Ao nosso ver, Putin apenas se valeu deste discurso não por estar em ano eleitoral, já que como dissemos acima, seu opositor foi impedido de concorrer, mas sim por querer impor respeito, especialmente ao presidente norte-americano que gosta de gerar uma polêmica e colocar o mundo em estado de alerta a cada declaração. 

Podemos encontrar essa imposição russa não só na apresentação de seus novos armamentos, mas também na fala de Putin no tocante às sanções aplicadas a Rússia onde, segundo ele, mesmo em vigor, em nada atrapalharam o desenvolvimento do país. 

Para, talvez, dar um tom de campanha ao seus discurso, o candidato também fez promessas como levar internet aos russos, aumentar o salário dos professores, diminuir a desigualdade e etc. compromissos que se perderam em meio a sua demonstração de força, mas que podem ser usados numa tentativa de mascarar sua fala como um discurso de campanha. 

Mas, como não poderia deixar de ser, tal episódio já estremeceu a delicada relação diplomática entre dois que, um dia depois do discurso de Putin, sofreu um novo golpe, o cancelamento do diálogo entre as duas nações referente a cybersegurança

Com isso, não é de se espantar novos discursos de ambas às partes ainda repercutindo a declaração de Putin que podem, ou não caminhar para outras esferas além da bélica, como a econômica. Diante disso, o mundo acompanha, apreensivo, os próximos passos dos presidentes com temperamento difícil, mas com um poder bélico imenso. 




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cinema, Pipoca e Geografia! - Mãe


A indicação de hoje se trata de um filme cercado de signos e simbologias que exigem bastante atenção do leitor para que o mesmo não só compreenda o enredo do filme, mas do que ele realmente se trata. 

Hoje, nossa indicação é sobre o filme "Mãe". 

O filme retrata a relação de um escritor com uma dona de casa que recebem a visita inesperada de um médico que se perdeu em sua viagem. A partir daí vários acontecimentos ocorrem e a dinâmica entre o casal se transforma drasticamente. 

Contudo, o leitor deve ficar atento a esta história para perceber que isto é apenas uma história que esconde a verdadeira história por trás do enredo. Logicamente que não é de nossa intenção darmos spoiler e acabar com a graça do filme, portanto, deixaremos por conta do leitor a sua própria visão do sub-texto que na verdade é o principal dentro do filme. 

Entretanto, se você preferir assisti-lo já sabendo do que se trata, sugerimos continuar lendo o texto que se segue após o cartaz. 




Imagem relacionada

Alerta de SPOILER! - SÓ LEIA ESTA PARTE APÓS TER VISTO O FILME!)

Achamos genial a sacada do diretor de colocar um casal representando Deus e a "mãe natureza" para mostrar, com foco na "mãe" como a mesma é desrespeitada e mal tratada não só por um deus (proposital porque ele não é Ele) como também por todos que frequentam o mundo (representado pela casa deles). 

Mesmo com todo desrespeito e uma visão machista que trata a mãe natureza como ser inferior e que, portanto, é ignorada do princípio ao fim do filme, vemos que o "amor de mãe" sempre a faz passar por cima de tudo, mas que o mesmo possui seu limite.

Assim, o filme nos convida a pensar sobre a relação que possuímos com a mãe natureza, principalmente em tempos onde o aquecimento global e o agravamento do efeito estufa são cada vez maiores no planeta. Assim como a mãe do filme, a nossa mãe natureza também vem dando seus sinais de esgotamento dessa situação, mas nós, assim como os personagens no filme, continuamos a fazer parecê-la pregar no deserto e ignoramos seus constantes avisos, ou colocamos a culpa nos chineses como um certo presidente teve a ignorância suprema em fazê-lo. 

Fato é que o filme, numa associação magistral, nos convida a pensar na relação sociedade-natureza, onde o primeiro elo da relação vem ao longo dos tempos, cada vez mais e mais saqueando e maltratando o segundo elo. E, se nada for feito sobre a maneira como agimos, não tardará a própria mãe natureza, assim como a mãe do filme, dar um basta nesta situação.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cinema, Pipoca e Geografia! - A Grande Aposta

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A indicação de hoje se trata de um filme recente e que andou colecionando algumas estatuetas: "A Grande Aposta". 

O filme, de forma bem descontraída e com algumas sacadas geniais, busca explicar a crise da bolha de 2007, através de um grupo de pessoas que decidem se beneficiar da crise através da previsão da mesma. 

O assunto, bem comum nos dias atuais e sempre recorrente em vestibulares é bem abordado pelo filme e de forma "didática" por assim dizer. 

Não entrando muito em detalhes para evitar spoilers, a grande aposta é um filme que merece a atenção dos vestibulandos e alunos. 

Como atividade, podemos solicitar aos alunos os reflexos da crise em escala global e nacional também. O resultado das pesquisas podem ser apresentados em forma de seminário, individual ou em grupo. 

Vale a pena conferir!!!!!!!!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mais uma cúpula do clima começa

Esta semana teve início a cúpula do clima, onde países buscam reafirmar o Acordo de Paris, firmado há 2 anos.

Em pauta um dois dos maioes desafios da reunião: como reforçar e avançar no Acordo de Paris e como suprir a ausência dos EUA que se retiraram do acordo.

O primeiro parece ser mais fácil de ser resolvido, já que é inegável o esforço dos 200 países signatários do Acordo. Esta questão parece estar com amarras relacionadas aos detalhes sobre o que cada país pode fazer.

Ao que parece, a antiga rixa entre os países sobre porque a meta de um é diferente do outro foi superada. Isso coloca os países em um novo desafio: o de cumprir as obrigações que os próprios países delimitaram e que tipos de ajuda eles terão para atingirem suas metas. O que parece (parece!) não haver empecilhos para tal, mas esbarra em minuciosos detalhes que levam certo tempo para serem acordados.

Já o segundo desafio, parece um trabalho hercúleo: Tentar suplantar a ausência dos EUA do Acordo de Paris.

Ao que foi demonstrado até agora, o atual presidente parece irredutível em relação a esta questão é continua a creditar a conta do aquecimento global nos chineses. Com isso, fica extremamente difícil, para não dizer impossível, uma redução efetiva dos gases que agravam o efeito estufa no planeta.

Se não há como fazer o presidente mudar de opinião. Infelizmente resta esperar para que o próximo presidente coloque novamente os EUA no acordo de Paris.

Até lá, podemos contar com a boa vontade de alguns estados norte-americanos e várias empresas privadas dos EUA se uniram por conta própria e decidiram apoiar o Acordo de Paris. A medida é um grande passo para amenizar o aquecimento global, mas a participação dos EUA como um todo se faz essencial para que o aquecimento global provocado pelos gases estufa recue de forma efetiva.