terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Brexit perto do capítulo final?

Mais um capítulo da novela do Brexit se desenhou esta semana quando a primeira ministra britânica decidiu adiar a votação do Brexit, o que soou como um recuo para evitar uma derrota eminente. 

Encurralada entre opositores (que não desejam o Brexit) e membros e aliados do seu partido (que acreditam que o acordo costurado entre UE e Reino Unido é insatisfatório), a primeira ministra parece não saber dar prosseguimento ao "divórcio" entre o Reino Unido e o bloco europeu. 

Aliás, essa novela se arrasta desde 2016 quando fora realizado o famoso referendo (consulta à população) sobre a possibilidade de saída do Reino Unido da União Europeia. Naquela época, o intento era retirar as "terras da rainha" do acordo, pois a guerra civil na Síria, que ocorre desde 2011, já havia levado para o velho continente, o maior contingente migratório desde a segunda guerra mundial, algo que incomodou extremamente os ingleses. 

Enquanto a guerra na Síria ocorria, na UE era decidido como seria feita a "distribuição dos imigrantes" oriundos do conflito que foi consequência da Primavera Árabe, onde, em linhas gerais, a quantidade de imigrantes seria definida de acordo com a economia dos países membros do bloco. Algo que foi considerado a gota d´água pela ala conservadora britânica. 

Diante deste cenário, surge o plebiscito para considerar a saída do Reino Unido ou não da UE. Curiosamente, esta consulta foi realizada em meio a diversas notícias que atacavam a permanência do Reino Unido na União Europeia e influenciavam a opinião da população sobre essa questão. 

Através de uma enxurrada de notícias, não era difícil prever que o resultado, apesar de apertado, daria a vitória ao "sim" e a partir disso, o processo de saída do Reino Unido da União Europeia, que mais tarde ficaria conhecido pela expressão "Brexit", teria seu início. 

Em contrapartida o "divórcio" em questão não seria dado de maneira simples, visto que envolve questões legislativas, financeiras, políticas, comerciais, administrativas e tantas outras instâncias que chegar a um denominador comum seria praticamente um trabalho de Hércules, até porque nem mesmo a UE se mostrara tão disposta ao divórcio

Os anos foram passando e a primeira ministra foi perdendo força, enquanto novas questões foram surgindo, principalmente relacionadas as duas Irlandas no pós-brexit. Aliás, esta questão é tão espinhosa que já motivou o pedido de demissão de um dos ministros de May por discordar do acordo que ela rascunhou junto com o bloco europeu. 

Aliás, o rascunho do acordo entre UE e Reino Unido, foi amplamente rejeitado tanto por aliados quanto pela oposição. Se os primeiros acharam o acordo muito "fraco" e que o mesmo deveria ser renegociado, os últimos, que já eram contra a saída, manifestaram seus descontento, procurando mostrar os prejuízos titânicos que o Reino Unido sofreria em caso de saída definitiva do bloco. (Não só para ambos, como para o mundo inteiro). 

O tempo passou, e o acordo não ganhou grandes avanços e a população britânica dá sinais de que cada vez mais que regredir de sua decisão e quer que o governo também o faça, algo que May não parece disposta a fazer. Porém continua cada vez mais solitária em sua campanha que parece murchar como balão não amarrado corretamente em festa. 

Provas disso são tanto o adiamento da votação de uma nova consulta à população sobre o Brexit; o que, para muitos, já é considerada um prenúncio de que o Brexit fracassou antes mesmo de ser oficializado; quanto uma decisão da corte europeia (que geralmente leva 2 ANOS para tomar uma decisão, mas essa foi em questão de dias) que dava ao Reino Unido a possibilidade de romper unilateralmente o Brexit com a UE, sem dar maiores explicações aos seus membros. 

Tais demonstrações, assim como o fato de que a UE já se pronunciou sobre não renegociar o acordo estipulado, empurram a primeira ministra britânica para o abandono do Brexit; o que significaria também o fim de seu mandato, visto que não conseguiria se sustentar caso o projeto tão defendido por ela, não se concretize. 

Embora tudo corrobore para o fim do Brexit, a primeira ministra ainda tenta achar a saída do beco em que se meteu, mas só ela parece disposta a isso. Do outro lado, população, UE, opositores e até mesmo aliados aumentam cada vez mais suas esperanças de que este acordo permaneça no papel e de preferência engavetado.  



terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Qatar anuncia que deixará OPEP ano que vem

Esta semana, o Qatar anunciou que no próximo ano não fará mais parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). 

Segundo o ministro o local, a medida estaria relacionada ao fato do Qatar ser um país com pequena representatividade na produção petróleo tanto dentro do grupo como fora dele. 

De fato, o forte desde país é a produção de gás natural liquefeito. Sua produção petrolífera é muito pequena (algo em torno de 610 mil barris/mês); ao contrário de sua produção de gás natural liquefeito (algo em torno de 77 milhões de toneladas por ano). Mas, ao contrário do que tudo indica, a sua saída da organização tem motivação política, não econômica. 

Embora os números comprovem, e sejam uma ótima justificativa para a saída do país do grupo que praticamente dita o preço do petróleo no mercado mundial, o Qatar não tem uma boa relação com parte dos membros da OPEP. Países como a Arábia Saudita e o Egito, só para citar alguns, acusam o Qatar de financiar o terrorismo, algo que sempre foi desmentido pelo próprio país dissidente do grupo. 

Soma-se a isso o fato da maior base militar norte-americana do Oriente Médio, estar no Qatar. Algo que também desagrada, e muito, os países membros da organização da qual o Qatar pretende se retirar, até mesmo por conta do cerne em que a OPEP surgiu. 

De forma bem simplista, podemos dizer que a OPEP surgiu como uma forma de retaliação ao apoio norte-americano dado a Israel desde sua independência e nas consequentes guerras com a Palestina, que se daria através do controle do, atualmente, bem mais "precioso" não só para os americanos, como para o mundo. A criação da OPEP chegou a, inclusive, proporcionar uma das crises do petróleo. 

Além da questão política,  parece contribuir para a saída do Qatar da OPEP a oportunidade do próprio país produzir a quantidade que desejar de petróleo, não ficando mais "presa" as políticas acordadas no grupo. Decisão que parece pouco justificável, visto que sua produção não tem relevância mundial e nem mesmo para o país, cujo forte, como mostrado acima, é o gás liquefeito. 

Apesar da saída não ter grande relevância no cenário mundial, a mesma acaba evidenciando que as relações no Oriente Médio entre os países que o compõem não é das mais amistosas, como aliás, arriscamos dizer, parece nunca ter sido; e a saída do Qatar da OPEP parece ser apenas mais um capítulo na conturbada história desta região da Ásia. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Cinema, Pipoca e Geografia! - O Último Samurai

A indicação de hoje, apesar de antiga, serve para ilustrar fatos relacionados ao Japão que sempre entram em tela quando explicamos sobre esse país aos alunos. Geralmente, nos anos finais do Fundamental II. Nossa indicação trata-se de o "Último Samurai"


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A história do filme em si não é o ponto exato de nosso interesse, mas sim certas passagens do filme que servem como ilustrações para a explicação sobre o Japão. Vamos a eles:

Não há como falar em modernização do Japão sem falar em Era Meiji. Essa dinastia protagonizou um salto "modernizante" no Japão ao investir em educação, militarização, industrialização, trazendo inclusive técnicos europeus para ensinar aos japoneses a lidar com os equipamentos que eram importados pelo país, entre outras medidas. 

Dois dos fatos citados aparecem no filme, onde o imperador é inclusive representado no filme e mencionado algumas vezes, bem como também é ilustrada a chegada de europeus com o intuito que mencionamos acima. 

Há também no filme, que acaba até sendo usado como pano de fundo, uma certa resistência à modernização do Japão, que, no filme, causa um embate entre o "Japão feudal" e o "Japão moderno", onde o primeiro lado é representado por espadas, ao passo que o segundo é representado pelas armas. 

Como dissemos, o filme pode ser usado para representar parte da explicação dada sobre o Japão, principalmente no tocante a Era Meiji e a modernização do país com o intuito de se lançar na corrida imperialista. 

Enquanto sugestão, pode ser solicitado aos alunos que relatem de quais formas, no filme, é retratado essa cisão entre o Japão Feudal e o Moderno, seja através de uma apresentação, redação ou mesmo debate após o filme ou em aula subsequente. 

Como sempre, vale a pena conferir!

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Bata no peito e comemore, cidadão de bem!

Bata no peito e comemore, cidadão de bem!

Bata no peito e comemore que você ganha tão bem que votou contra o 13° salário, porque ele jamais fará falta para acertar suas temidas contas de janeiro, a reforma de sua casa ou mesmo aquela merecida viagem de férias. (mesmo que constitucionalmente isso seja quase inviável, o pensamento é válido)

https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/09/27/13-salario-adicional-de-ferias-general-mourao.htm

Bata no peito e comemore que você elegeu o Ead como o melhor modelo educacional para uma criança de 6 anos ter como ensino. Afinal de contas, para que ela precisa socializar em uma escola? Para que conhecer opiniões diferentes, aprender em conjunto e crescer pessoalmente?

Bom mesmo é ficar em casa o dia todo com um computador e uma internet que todos os brasileiros podem pagar. 

Isso sem contar que esse modelo é exemplo mundial...

https://novaescola.org.br/conteudo/12923/ead-nao-e-politica-nos-melhores-sistemas-educacionais-do-mundo?fbclid=IwAR1zM-vX2__Za4CJVa0f7F052waDbgSFHuASrg77s7INq9AUXNpCoFf16Og

Bata no peito e comemore, cidadão de bem, pois você optou pela extinção do ministério do meio ambiente ou mesmo pelo papel dele de mero subordinado ao ministério da agricultura cujos pedidos já foram feitos. Dentre eles, a revisão do acordo de Paris que deve ser um documento inútil, afinal de contas o aquecimento global é invenção dos chineses...

https://www.terra.com.br/noticias/brasil/no-domingo-brasileiros-decidem-tambem-sobre-o-meio-ambiente,e2b411f1fec22a2306dbe83f02e4fc7asy7u4i5l.html

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas você votou pela família, porque casa que não tem figura paterna "é fábrica de desajustados". Algo que deve dar um orgulho imenso as chefes de famílias e mães solteiras... 

https://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/casa-so-com-mae-e-avo-e-fabrica-de-desajustados-para-trafico-diz-mourao.shtml

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas o homem branco, o negro, a mulher, o nordestino, o gay e o pobre são todos iguais tanto em direitos quanto em oportunidades. Você acabou com esse vitimismo deles com seu voto e decretou o fim do coitadismo. 

https://exame.abril.com.br/brasil/bolsonaro-promete-fim-do-coitadismo-de-negro-gay-mulher-e-nordestino/

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas você gosta tanto de trabalhar que agora vai trabalhar até morrer! Aposentadoria? Coisa de gente fraca! E a única previdência superavitária do mundo precisava sim de uma reforma para cobrir os rombos... Ainda mais sabendo-se que se o salário e os benefícios de cada político fossem cortados à metade, haveria uma economia de MEIO BILHÃO DE REAIS. 

https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2018/10/29/interna_politica,1001240/reforma-da-previdencia-sera-prioridade-do-governo-bolsonaro.shtml

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas você votou contra a velha política. Porque 16 anos de um partido ninguém atura, mas 28 de um deputado com 3 projetos aprovados, nenhum com relevância alguma, a gente elege!

https://br.sputniknews.com/brasil/201707238935795-propostas-aprovadas-bolsonaro-congresso/

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas o exército irá para as ruas!. Principalmente no Rio de Janeiro, onde o exército já está há 6 MESES e a segurança é total. 

https://www.dw.com/pt-br/ex%C3%A9rcito-no-rio-25-anos-de-fracassos/a-42750301

Bata no peito e comemore, cidadão de bem. Afinal de contas, você, definitivamente, escolheu o certo para a nação verde e amarela...

terça-feira, 23 de outubro de 2018

Mais um jogo político de Trump

Esta semana o atual presidente dos EUA deu uma entrevista sugerindo que sairia do acordo nuclear feito junto à Rússia nos idos da guerra fria por, segundo ele, os russos terem descumprido o acordo que prevê que ambos os países não produziriam mais armas nucleares de curto e médio alcance. 

Os russos negaram a produção de tais armas e afirmaram que caso os EUA realmente se retirem do tratado, retaliações podem ser causadas pelos russos aos EUA. 

Como já era de se imaginar, representantes de governos europeus mostraram preocupação com o caso; afinal de contas a Europa foi uma espécie de campo de guerra nuclear entre EUA e URSS à época da guerra fria. (aliás, um pouco dessa tensão vivida entre ambos, em um outro episódio envolvendo mísseis, durante esse período pode ser assistida no filme "Os 13 dias que abalaram o mundo" que já comentamos aqui em outra oportunidade). 

Este movimento de Trump, mais um diga-se de passagem, revela mais uma vez o perigoso jogo político que o presidente parece gostar de jogar com seus adversários comerciais ou mesmo políticos no sentido de influência global. 

A intenção por dentro desta ameaça a sua retirada do tratado parece não se dar somente pelo fato de medir forças com a Rússia e, assim, voltar aos tempos de Guerra Fria, numa repaginação mais moderna e perigosa do que nunca. Seu intento parece residir na questão de utilizar a Rússia para atingir a China. 

Como?

Entre as declarações do presidente dos EUA, foi afirmado que não só a Rússia deveria parar de produzir as armas que, em tese, estariam produzindo, como a China também deveria parar de produzi-las. Mas, a China não faz parte do acordo, então por que citá-la?

Não é novidade para ninguém que até o fim deste século a China passará o bastão para o EUA como país mais rico do mundo e de quebra, já possui o maior exército do mundo (em termos de contingente e não de armas, ainda). Tal fato parece estar incomodando Trump além da conta; não à toa há mais de um mês ambos entraram em uma guerra comercial que, talvez, seja outra tentativa desesperada do presidente norte-americano de frear a economia chinesa e, quem sabe assim, tardar a passar o bastão da hegemonia econômica mundial. 

Nos parece que além de tentar conter a China economicamente, Trump está usando a Rússia para conter a China em termos bélicos também. Tudo isso para (ainda) se manter como maior potência econômica mundial; fato que  também deve ser creditado ao uso do seu poder bélico como "arma política" no mundo e que pode ser ameaçado pelo China. 

Talvez este seja mais um blefe de Trump numa tentativa desesperada de frear a China e manter a águia na frente do dragão; talvez não. Fato é que, como sempre, deveremos aguardar cenas dos próximos episódios...