sexta-feira, 2 de março de 2018

Putin X Trump. Nova Guerra-Fria?

Desde que assumiu o poder na Casa Branca, o atual presidente norte-americano tem colecionado mais polêmicas do que feitos para o seu país. 

Estava faltando para a sua coleção um desentendimento direto com os russos, já que o indireto já teve por conta da guerra na Síria. Agora não falta mais.

Esta semana foi notícia em todo o mundo as promessas de campanha do candidato à presidência russa, Vladmir Putin, que até então estava quieto já que seu opositor ao cargo está proibido de concorrer, em relação as novas aquisições do arsenal bélico-nuclear russo.

Numa demonstração de força e poder, digna de Guerra Fria, o presidente russo (candidato ao seu quarto mandato) mostrou o poder de alcance de suas novas armas que, segundo o próprio, podem alcançar qualquer lugar do planeta

A reação dos EUA ao discurso de Putin foi quase imediata. Os norte-americanos acusaram os russos de violarem acordos de não proliferação de armas, embora deixando bem claro que já estavam preparados para isso, numa clara "resposta" ao discurso do presidente russo.

Com todo esse mal-estar, muitos já se perguntam se poderemos ter uma nova guerra fria. 

Ousamos dizer que este não seja o caso, pelo menos não nos mesmos moldes da que ocorreu no século passado. 

Primeiramente porque a bipolaridade capitalismo x socialismo já fora extinta com o fim da URSS e hoje o capitalismo é o sistema predominante no mundo, economicamente falando.

Outro motivo que nos conduz a acreditar que uma nova guerra fria não irá ocorrer é justamente a questão bélica. 

Embora a Rússia tenha declarado que seu objetivo não é começar uma nova corrida armamentista com os EUA, acreditamos ser muito difícil uma reedição da guerra fria pela série de implicações que isso poderia trazer ao xadrez geopolítico atual, isso nos atentando somente a questão bélica. 

Podemos começar observando os vários acordo bélicos existentes assinados não só pelos países citados como por outros países também, dentre os quais podemos citar os acordos de não proliferação de armas nucleares. 

Caso haja uma corrida armamentista entre as duas potências, de fato, isso abrirá espaço para que outros países também entrem nessa "corrida" como China, Índia, Paquistão, Coréia do Norte, Coréia do Sul, entre outros; o que levaria anos de acordo para o lixo e provocaria a suscetibilidade de episódios como a "crise dos mísseis de Cuba" em maior escala, mas possivelmente não com o mesmo desfecho.

Além disso, em caso de possível conflito, não só a integridade dos países estariam ameaçadas, mas a integridade do mundo. A tecnologia nuclear pode até ter consigo alguns benefícios, mas a contrapartida da mesma tem proporções de destruição global que colocam em risco a presença humana na Terra. 

Logicamente que os dois lados sabem disso, o que então os parece conduzir apenas ao discurso das trocas de farpas e demonstração de poder, mas desta vez sem o financiamento de conflitos em outros países do mundo como era costumeiro em tempos de guerra fria. 

Ao nosso ver, Putin apenas se valeu deste discurso não por estar em ano eleitoral, já que como dissemos acima, seu opositor foi impedido de concorrer, mas sim por querer impor respeito, especialmente ao presidente norte-americano que gosta de gerar uma polêmica e colocar o mundo em estado de alerta a cada declaração. 

Podemos encontrar essa imposição russa não só na apresentação de seus novos armamentos, mas também na fala de Putin no tocante às sanções aplicadas a Rússia onde, segundo ele, mesmo em vigor, em nada atrapalharam o desenvolvimento do país. 

Para, talvez, dar um tom de campanha ao seus discurso, o candidato também fez promessas como levar internet aos russos, aumentar o salário dos professores, diminuir a desigualdade e etc. compromissos que se perderam em meio a sua demonstração de força, mas que podem ser usados numa tentativa de mascarar sua fala como um discurso de campanha. 

Mas, como não poderia deixar de ser, tal episódio já estremeceu a delicada relação diplomática entre dois que, um dia depois do discurso de Putin, sofreu um novo golpe, o cancelamento do diálogo entre as duas nações referente a cybersegurança

Com isso, não é de se espantar novos discursos de ambas às partes ainda repercutindo a declaração de Putin que podem, ou não caminhar para outras esferas além da bélica, como a econômica. Diante disso, o mundo acompanha, apreensivo, os próximos passos dos presidentes com temperamento difícil, mas com um poder bélico imenso. 




terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Cinema, Pipoca e Geografia! - Mãe


A indicação de hoje se trata de um filme cercado de signos e simbologias que exigem bastante atenção do leitor para que o mesmo não só compreenda o enredo do filme, mas do que ele realmente se trata. 

Hoje, nossa indicação é sobre o filme "Mãe". 

O filme retrata a relação de um escritor com uma dona de casa que recebem a visita inesperada de um médico que se perdeu em sua viagem. A partir daí vários acontecimentos ocorrem e a dinâmica entre o casal se transforma drasticamente. 

Contudo, o leitor deve ficar atento a esta história para perceber que isto é apenas uma história que esconde a verdadeira história por trás do enredo. Logicamente que não é de nossa intenção darmos spoiler e acabar com a graça do filme, portanto, deixaremos por conta do leitor a sua própria visão do sub-texto que na verdade é o principal dentro do filme. 

Entretanto, se você preferir assisti-lo já sabendo do que se trata, sugerimos continuar lendo o texto que se segue após o cartaz. 




Imagem relacionada

Alerta de SPOILER! - SÓ LEIA ESTA PARTE APÓS TER VISTO O FILME!)

Achamos genial a sacada do diretor de colocar um casal representando Deus e a "mãe natureza" para mostrar, com foco na "mãe" como a mesma é desrespeitada e mal tratada não só por um deus (proposital porque ele não é Ele) como também por todos que frequentam o mundo (representado pela casa deles). 

Mesmo com todo desrespeito e uma visão machista que trata a mãe natureza como ser inferior e que, portanto, é ignorada do princípio ao fim do filme, vemos que o "amor de mãe" sempre a faz passar por cima de tudo, mas que o mesmo possui seu limite.

Assim, o filme nos convida a pensar sobre a relação que possuímos com a mãe natureza, principalmente em tempos onde o aquecimento global e o agravamento do efeito estufa são cada vez maiores no planeta. Assim como a mãe do filme, a nossa mãe natureza também vem dando seus sinais de esgotamento dessa situação, mas nós, assim como os personagens no filme, continuamos a fazer parecê-la pregar no deserto e ignoramos seus constantes avisos, ou colocamos a culpa nos chineses como um certo presidente teve a ignorância suprema em fazê-lo. 

Fato é que o filme, numa associação magistral, nos convida a pensar na relação sociedade-natureza, onde o primeiro elo da relação vem ao longo dos tempos, cada vez mais e mais saqueando e maltratando o segundo elo. E, se nada for feito sobre a maneira como agimos, não tardará a própria mãe natureza, assim como a mãe do filme, dar um basta nesta situação.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Cinema, Pipoca e Geografia! - A Grande Aposta

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A indicação de hoje se trata de um filme recente e que andou colecionando algumas estatuetas: "A Grande Aposta". 

O filme, de forma bem descontraída e com algumas sacadas geniais, busca explicar a crise da bolha de 2007, através de um grupo de pessoas que decidem se beneficiar da crise através da previsão da mesma. 

O assunto, bem comum nos dias atuais e sempre recorrente em vestibulares é bem abordado pelo filme e de forma "didática" por assim dizer. 

Não entrando muito em detalhes para evitar spoilers, a grande aposta é um filme que merece a atenção dos vestibulandos e alunos. 

Como atividade, podemos solicitar aos alunos os reflexos da crise em escala global e nacional também. O resultado das pesquisas podem ser apresentados em forma de seminário, individual ou em grupo. 

Vale a pena conferir!!!!!!!!

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mais uma cúpula do clima começa

Esta semana teve início a cúpula do clima, onde países buscam reafirmar o Acordo de Paris, firmado há 2 anos.

Em pauta um dois dos maioes desafios da reunião: como reforçar e avançar no Acordo de Paris e como suprir a ausência dos EUA que se retiraram do acordo.

O primeiro parece ser mais fácil de ser resolvido, já que é inegável o esforço dos 200 países signatários do Acordo. Esta questão parece estar com amarras relacionadas aos detalhes sobre o que cada país pode fazer.

Ao que parece, a antiga rixa entre os países sobre porque a meta de um é diferente do outro foi superada. Isso coloca os países em um novo desafio: o de cumprir as obrigações que os próprios países delimitaram e que tipos de ajuda eles terão para atingirem suas metas. O que parece (parece!) não haver empecilhos para tal, mas esbarra em minuciosos detalhes que levam certo tempo para serem acordados.

Já o segundo desafio, parece um trabalho hercúleo: Tentar suplantar a ausência dos EUA do Acordo de Paris.

Ao que foi demonstrado até agora, o atual presidente parece irredutível em relação a esta questão é continua a creditar a conta do aquecimento global nos chineses. Com isso, fica extremamente difícil, para não dizer impossível, uma redução efetiva dos gases que agravam o efeito estufa no planeta.

Se não há como fazer o presidente mudar de opinião. Infelizmente resta esperar para que o próximo presidente coloque novamente os EUA no acordo de Paris.

Até lá, podemos contar com a boa vontade de alguns estados norte-americanos e várias empresas privadas dos EUA se uniram por conta própria e decidiram apoiar o Acordo de Paris. A medida é um grande passo para amenizar o aquecimento global, mas a participação dos EUA como um todo se faz essencial para que o aquecimento global provocado pelos gases estufa recue de forma efetiva.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Com a crise, novas favelas surgem no continente europeu

Antes de mais nada, gostaríamos de salientar alguns pontos sobre o assunto que vamos abordar hoje. 


1 - Favela, numa forma de classificação bem simplista, pode ser considerada como qualquer ocupação irregular. Não necessariamente, isto significa que ela precisa ser em cima de um morro ou em uma encosta ou qualquer outro lugar de elevada altitude. (Caso se interesse por uma explicação mais aprofundada, clique aqui)

Dizemos isso porque é muito comum, especialmente no Rio de Janeiro, as pessoas associarem favelas com ocupações de encostas de morro ou áreas de grande altitude. Isto ocorre porque, historicamente, as primeiras favelas surgidas no Brasil estavam localizadas no alto de morros e, até hoje, principalmente no Rio de Janeiro, essa prática se mantém, o que reforça ainda mais essa associação entre favela e lugares elevados. 

2 - De forma alguma, queremos dar a entender que o meio principal do surgimento e, em alguns casos, do ressurgimento, de favelas no continente europeu se deve aos imigrantes. Essa questão é antiga e este fator pode até ser um agravante, mas a principal causa, não mesmo. 



Feitas essas duas afirmações, começamos o texto de hoje abordando um tema que, a esta altura, não é mistério para mais ninguém: o aparecimento e reaparecimento de favelas no continente europeu

Salientamos que isto é um caso antigo e alguns países como Alemanha e França até conseguiram reduzir significativamente a quantidade de favelas em seus países, chegando até a erradicação das mesmas, mas hoje a situação é outra. 

Com a crise migratória, endossada pelo conflito civil na Síria, uma onda migratória, superior até a da Segunda Guerra Mundial, se dirigiu ao continente europeu, especialmente aos países integrantes da União Europeia.

Logicamente que nenhum país estava preparado para receber de forma adequada tal onda, o que acabou levando muitos imigrantes a ficarem em situação de calamidade e, na esteira dessa situação, à saída da Inglaterra da UE. 

Claro que, apesar de este ser um fator agravante, não é o único responsável pela geração de favelas em território europeu. Afinal de contas, existe sim uma taxa de pessoas de baixa renda nesses países e estamos falando de nativos, não de imigrantes.

Diante disso, deve-se tomar o devido cuidado ao analisar esse processo do aumento do número de favelas europeias, tendo sempre em mente que ele não é de hoje e também não ocorre exclusivamente por conta da onda migratória que se avoluma há 5 anos. 

O bloco europeu, possui sim seu lado pobre, mas que faze questão de escondê-lo e o resultado do escamoteamento disso pode te conduzir a um raciocínio errôneo.