terça-feira, 21 de maio de 2019

A última cartada (desesperada) de May?

Não tardou muito desde a última notícia aqui no blog sobre o impasse do Brexit e a primeira ministra britânica deu mais uma cartada em direção ao Brexit "ordenado" que já está mais para desesperado a essa altura do campeonato. 

Agora, para tentar aprovar o seu acordo a qualquer custo, a primeira ministra atrelou a aprovação do atual acordo (o quarto proposto) a uma posterior consulta à população sobre a saída ou permanência na União Europeia. 

Parece que a ideia da primeira ministra era agradar a ala trabalhista do parlamento que barrava os acordos, por acreditar que um novo referendo era a melhor saída para decidir sobre o Brexit. Entretanto, o que parecia uma cartada de mestre, acabou saindo pela culatra. 

Pelo lado dos conservadores, a ideia foi prontamente rejeitada. Para eles um referendo só é o suficiente e não há necessidade de outro. Aliás, vale salientar, até partidários da mesma legenda que a primeira ministra compartilham desse posicionamento. 

Pelo lado dos trabalhistas, a ideia também foi rejeitada. O acordo, para eles, é uma cópia do terceiro, que também foi rejeitado não só por eles, mas por alguns correligionários da primeira ministra também. A aprovação do acordo pela simples votação pelo parlamento de um novo referendo sobre o Brexit não foi bem vista pela oposição que achou a ideia absurda e um insulto. 

Desta maneira, a primeira ministra parece, mais uma vez, ter fracassado no seu acordo com a UE para o Brexit. O prazo que era no final de março já foi estendido para outubro, como já fora duas outras vezes antes; levando a primeira ministra a ser pressionada cada vez mais contra a parede para costurar um acordo que parece cada vez mais próximo de não acontecer. 

quarta-feira, 8 de maio de 2019

Ciente da derrota próxima, May tenta agora acordo com a oposição

Depois de sucessivas derrotas no Parlamento britânico, seguidas de pedidos desesperados de adiamento à União Europeia para o Brexit, parece que a Primeira Ministra britânica agora vai tentar uma nova via para conseguir o tão sonhado acordo, que, a esta altura, já se tornou um trabalho hercúleo. 

Agora a Primeira Ministra tenta um acordo com a oposição para que, finalmente, o Brexit seja votado e aprovado no Parlamento. Anteriormente, o texto para a votação do Brexit já tinha sido recusado 3 vezes, o que acabou desgastando a imagem da primeira ministra e fazendo a União Europeia perder a paciência em relação a essa questão. 

Aliás, a saída era para ter sido concretizada em março, mas com as sucessivas derrotas e adiamentos, agora o prazo é até o outubro e May corre contra o tempo para tentar a aprovação do acordo, antes que sua cabeça fique a prêmio no parlamento. 

As concessões que pretende fazer à oposição dizem respeito aos direitos trabalhistas, circulação de mercadorias e tarifas alfandegárias. Assuntos um tanto espinhosos já que a ideia de May era justamente retirar a Grã-Bretanha da união alfandegária e do mercado comum europeu para voltar as controlar suas políticas comerciais e de imigração, sem depender da União Europeia para isso. 

Aliás, esse tem sido o pivô dessa saída da União Europeia, especialmente com a crise migratória causada pela guerra civil na Síria que já dura mais de 5 anos. 

A população, por sua vez, também já se mostra descontente e impaciente com esse novela do Brexit. Algo que foi refletido nas últimas eleições municipais onde o partido de May perdeu diversos assentos e outros partidos aumentaram sua representatividade. 

Talvez esse seja mais um aditivo para que May corra com o acordo e tente aprovar o Brexit com a oposição e antes de novas eleições na terra da rainha. Do contrário, pode ser que ela não seja mais a ocupante do cargo político mais alto da Inglaterra e o Brexit não passe de um rompante motivado por uma crise migratória. 

terça-feira, 30 de abril de 2019

Geoplaylist (Fala Mansa e Gabriel, O Pensador - Cacimba de Mágoa)

A indicação de hoje nos remete a uma tragédia que não deveria ter acontecido há 4 anos atrás e muito menos  deveria ter se repetido agora. 

Estamos falando dos "acidentes" de Mariana e Brumadinho em Minas Gerais. Ambos os acidentes são uma mistura de negligência com falta de fiscalização, seja pelas empresas, seja pelo Governo, seja pelas empresas contratadas para vistoriar as barragens, entre outros responsáveis. 

A música "Cacimba de Mágoa" traz a união do grupo Fala Mansa com Gabriel, O Pensador para questionarem o que foi feito em relação aos sobreviventes pelos responsáveis da tragédia, o posicionamento das autoridades sobre o assunto, por que ninguém foi de fato punido, entre outras questões que permanecem sem respostas, no caso de Mariana, e caminham no mesmo sentido em Brumadinho. 

Apesar da música ter sido feito quando ocorreu a tragédia em Mariana, a mesma se aplica a Brumadinho em sua totalidade e nos convidam a refletir sobre até que ponto vale a ganância e a exploração desenfreada e quantas vidas mais elas ainda irão custar.  




Enquanto atividade, podemos sugerir que os alunos pesquisem sobre as áreas onde ocorreram os acidentes. O que se produzia lá, qual sua utilidade para a economia do país, as causas dos acidentes, os impactos ambientais, que medidas o Governo poderia ter tomado e não tomou, que punições foram aplicadas e quais foram de fato cumpridas. Essas são questões que podem nortear apresentações em forma de seminário em uma turma divida em grupos, cada qual com seu "tema" dentro desta questão. 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

O fim do horário de verão

No início desse mês o presidente da República anunciou que pretende suspender o horário de verão neste ano

A medida, apesar de conquistar alguns e tentar melhorar um pouco da imagem já desgastada em tão pouco tempo de governo, está embasada em estudos que datam de 2013 e que vem acompanhando o consumo de energia durante o horário de verão. 

Tais estudos mostram que o objetivo do horário de verão não vem sendo cumprido já faz tempo. A economia de energia que seria alvo do horário especial criado por Getúlio Vargas não está ocorrendo. Isto, em parte, deve-se a popularização do ar condicionado nos últimos anos. 

Se antes o aparelho atingia facilmente valores próximos a 3 mil reais, hoje em dia, modelos podem ser encontrados por 700 reais. Associando isso a venda parcelada, a aquisição do aparelho pelas camadas menos favorecidas da sociedade apresentou números significativos; o que contribuiu para que a economia de energia fosse minada ao longo dos anos até se tornar, atualmente, irrelevante a aplicação deste horário para os estados do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. 

Também podemos relacionar, em menor escala, a abertura constante das geladeiras em busca de água gelada ou a aquisição de filtros domésticos que refrigeram a água; ambos demandando um consumo de energia considerável e que também pode ter servido de base para a decisão do presidente. 

Mesmo com o horário de verão sendo suspenso, a decisão não é inédita. O continente europeu já havia decidido pela suspensão do horário de verão, e, agora, nós seguimos o mesmo caminho. Contudo, apesar do foco do horário de verão ser a economia de energia, há que se pensar também no turismo. Afinal de contas uma hora a mais de luz solar durante o verão, significa mais tempo de turistas nas ruas e mais tempo de turistas nas ruas significa mais dinheiro movimento a economia. 

Assim, a suspensão do horário de verão ainda merece estudos mais profundos que abarquem outros aspectos além de economia de energia, como o turismo, por exemplo. Talvez a desse ano seja um bom exemplo de estudo de caso para o turismo. Resta saber se o governo vai se aprofundar nessa questão ou simplesmente, vai acabar com o horário de verão e pronto. 

Nota: As regiões Norte e Nordeste não adotam o horário de verão, pois são cortadas pela Linha do Equador, o que lhes confere, naturalmente, a maior incidência de luz solar e, portanto, um maior aproveitamento da luz solar, sem a necessidade do horário de verão. Por isso essas regiões não adotam o horário de verão. 

terça-feira, 2 de abril de 2019

Brexit: Uma novela que se arrasta

Mais um fracasso da primeira ministra britânica se apresentou nesta última semana, quando o seu acordo para saída da União Europeia, que ficou apelidado de "Brexit", foi, pela terceira vez, negado

A ministra, que já chegou a pedir adiamento do prazo para um acordo com o bloco econômico, obteve mais um insucesso diante de seu parlamento enquanto o prazo final (o segundo) se esgotará no dia 11 de Abril e tudo indica que teremos um Brexit sem acordo. 

Nesse meio tempo, a União Europeia já está começando a perder a paciência com essa novela que se arrasta e que parece ter sido motivada por um "impulso de momento" que agora cobra, e caro, o seu preço. O que pode ser exemplificado por declarações por parte do bloco que já começam a considerar uma saída sem acordo entre as partes, o que prejudicaria ambos, mas o golpe seria mais sentido pelos britânicos do que pela UE.  

Pelo lado britânico, a primeira ministra recolhe os cacos de uma nova derrota e pensa em pedir o terceiro adiamento para a saída definitiva do bloco. A questão no meio disso é que ela terá que explicar a UE o porquê de mais um prazo e, nos parece, que o bloco não está mais disposto a ouvir. 

Em meio a crise que se tornou essa situação, parece que a primeira ministra tem poucas opções a considerar:

Ela pode convocar novas eleições para tentar mudar sua situação no parlamento britânico. Algo que apesar de ser uma possibilidade, podemos considerar impossível de ocorrer por conta do desgaste que essa situação causou à terra da rainha; o que se reflete no apoio crescente da população à manutenção do Reino Unido na União Europeia. 

Também poderia solicitar um novo prazo, como falamos acima, mas, para isso, será preciso convencer o bloco de que ela merece um terceiro adiamento. Algo que também acreditamos não ocorrer porque a UE já está apresentando desgastes dessa novela política que se tornou o Brexit. 

Outro cenário possível é a convocação de um novo referendo, delegando assim a decisão de sair ou permanecer no bloco à população britânica. Algo que poderia causar um racha declarado na terra da rainha e agravar a crise política que já existe em torno disso. 

E, no mais apocalíptico e provável dos cenários, o Reino Unido sairá da UE sem acordo e questões como a fronteira entre as Irlandas poderão reacender grupos violentos que outrora usavam a violência para defender os pontos de vista que vão desde o separatismo até a unificação, passando pela supremacia de um lado sobre o outro entre Irlanda e Irlanda do Norte. Algo que estava "frio" desde a adesão ao bloco tanto pela Irlanda quanto pelo Reino Unido. 

Fato é que mais um capítulo dessa novela se arrasta para um acordo que parece não estar nem perto de ser concretizado e, o que teria sido movido por um impulso alimentado por fake news, cobrará de verdade o seu preço.