terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

Brexit: O divórcio sem acordo

Levou mais de 3 anos e 3 primeiros-ministros, mas finalmente o "brexit" virou realidade. Desde o último mês o Reino Unido já não integra mais o bloco europeu, sendo algo pioneiro na história, pois foi o primeiro país a deixar de fazer parte de um bloco econômico. 

Entretanto, há de se convir que o Reino Unido não fora parte efetiva do bloco, mas sim um eurocético que usou a expansão do próprio bloco no início dos anos 2000 e a guerra civil na Síria para arranjar a desculpa perfeita para abandonar a União Europeia. 

Quando dissemos que o Reino Unido não era entusiasta do bloco, isto pode ser visto no fato da "terra da Rainha" não participar ou deixar acordos como o Tratado de Schengen (que "derrubou" as fronteiras entre os países membros) e a União Econômica e Monetária, que deu origem ao euro, moeda do bloco. 

Nesse último, o Reino Unido optou por operar com a moeda local e o euro em seu país. 

Fatos esses que demonstravam que a relação entre ambos já não era boa, ficando ainda mais desgastada a cada passo que o bloco dava para se integrar. Tal integração, inclusive, era vista pelo Reino Unido como uma supressão da soberania estados-membros e uma concentração do poder nas mãos de órgãos institucionais criados pela União Europeia. 

Entra também como ingrediente desta mistura que deu em divórcio a expansão do bloco para o Leste Europeu no início dos anos 2000. À época esta ampliação do número de membros da UE representou um aumento do mercado consumidor, ampliando suas vendas. 

Entretanto, para os trabalhadores de baixa renda, representou uma "invasão" de imigrantes vindos dos novos membros da UE que buscavam as economias mais importantes do bloco para fixar morada... E o Reino Unido era a segunda economia do bloco, o que desgastou cada vez mais a relação entre ambos...  

Seguindo este ritmo de desavenças, veio a guera civil na Síria que provocou uma onda migratória nesta década. Em seu início e nos anos seguintes, calcula-se que mais de 6 milhões de pessoas saíram do país para tentar vida nova, especialmente na Europa. 

Infelizmente, alguns não chegaram ao outro lado do Mediterrâneo. Porém, aqueles que conseguiram, tentaram abrigo no continente europeu, mais notadamente nos países que compõem a União Europeia, levando o bloco a montar um esquema para recepcionar a maior onda migratória desde a Segunda Guerra Mundial. 

Para isso, ficou decido que os imigrantes seriam recebidos conforme a economia de cada membro da UE, ou seja, quanto maior a sua economia, maior o número de imigrantes a acolher. Nem é preciso dizer que tal medida desagradou o Reino Unido, levando a onda de protestos que pediam a saída do país do bloco. 

Como dissemos acima, 3 primeiros-ministros e 3 anos e meio depois, a saída foi oficializada, mas os termos nos quais ela se dará ainda não. Trocando em miúdos: o divórcio foi assinado, mas não se sabe ainda quem fica com a casa, o carro e o cachorro. 

Isto porque várias questões complexas ficaram ainda por discutir entre o Reino Unido e a União Europeia. Muitas delas têm desdobramentos em outras vertentes, extrapolando a questão econômica e política. Dentre elas podemos elencar as seguintes:

  • A circulação dos cidadãos da UE no Reino Unido e vice-versa (o que aliás já começa a preocupar diversos imigrantes, inclusive brasileiros, que veem sua permanência na "terra da Rainha" ameaçada e alguns já começaram a se dirigir para outros países dentro da UE). 
  • O que nos leva a outra questão: a permissão de residência e trabalho dos britânicos no bloco e dos europeus no Reino Unido. (serão revogadas? manterão o que já fora acordado? serão refeitas? todos terão que sair de seus respectivos empregos?)
  • O comércio entre ambos. Como ficam as taxas? A livre circulação de mercadorias?
  • O compartilhamento de dados de maneira geral. Por não ser mais membro do bloco, o Reino Unido ainda terá acesso a eles? A União Europeia ainda vai compartilhar seus dados com os britânicos?
  • A ideia por parte de Escócia e Irlanda do Norte (países que compõem o Reino Unido, além da Inglaterra) de organizarem uma tentativa de independência da Rainha para voltarem à União Europeia, pois nunca foi desejo de ambos deixar o bloco. Isto só aconteceu, pois ambos estão atrelados ao Reino Unido e, portanto, seguem a Rainha, ou melhor, a Inglaterra. 
  • A questão das Irlandas (aliás foi o que derrubou a segunda ocupante do cargo do Primeiro-Ministro britânico, Theresa May). A Irlanda do Norte (pertencente ao Reino Unido) e a República da Irlanda (país independente) são fronteiriços e, quando estavam sob o mesmo bloco, suas fronteiras não possuíam barreiras físicas; o que ajudou a amenizar os ânimos desses países que, durante o século passado, protagonizaram diversos ataques entre si, muito por conta da questão religiosa. (Na Irlanda predomina o catolicismo e no xará do Norte predomina o protestantismo). 

Obs.: Esta última questão promete ser a mais delicada de todas, pois muitos analistas temem que a volta do controle de fronteiras entre ambos, através das barreiras físicas, traga à tona questões do passado, que foram, em teoria, suplantadas com o acordo de paz de 99 e também pela livre fronteira entre ambos, proporcionada pelo pertencimento de ambos ao bloco econômico europeu. 

Porém, nem tudo parece ser abacaxis a serem descascados... 

Enquanto o lado britânico parece comemorar (não todos, pois a população se divide entre os que comemoram e os que lamentam o Brexit) a "retomada" de sua soberania com a saída do bloco. O lado europeu agora se mexe para "disputar" entre seus países membros as empresas que estavam fixadas em território britânico, mas que, com o brexit, terão que sair para não perder todas as vantagens comerciais destinadas aos membros do bloco e buscam novos países membros para se instalarem. 

França e Alemanha (as duas maiores economias do bloco, vibram com isso)... 

Mas como dissemos a conta do divórcio ainda não saiu, mas ela pode ser bem cara para ambos. O europeus perdem a segunda economia do bloco e 15% do seu PIB, além de um assento no conselho de segurança permanente da ONU. Já para os britânicos as vantagens comerciais com o bloco, podem cair por terra e o prejuízo pode ser milionário. 

Além disso, a conta pode ficar amarga até para quem não tem nada a ver com o divórcio deles. O Brasil pode ser prejudicado nisso, pois, com a saída de um membro da UE, o bloco deverá reduzir suas cotas de compras em acordos assinados com outros blocos (como o MERCOSUL, no nosso caso) ou mesmo com outros países. 

Essa redução de compras pode significar um impacto em nossa economia de proporções significativas, especialmente na agropecuária. 

Mas como só o divórcio é que foi sacramentado e não os termos em si, teremos que esperar os anúncios de UE e Reino Unido para ver como ficará o futuro dos dois (e de grande parte do mundo) nos próximos anos. 




terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Cinema, Pipoca e Geografia! - As vídeo reportagens do Nexo

Já faz um tempo que não postamos sobre isso aqui no blog, mas achamos que a dica vale a pena, embora não tenha a ver com cinema. 

Para você que quer estudar, mas anda num ritmo "sem tempo, irmão", acreditamos que esta dica pode lhe ser muito útil ou mesmo se você quer reforçar o que viu em sala de aula na sua casa ou aonde quiser. A dica de hoje são vídeos sobre assuntos que podem estar nos vestibulares e ENEM produzidos pelo jornal NEXO. 

Não, este post - assim como todo o blog - não é patrocinado. Apenas acreditamos que um trabalho bem feito e imparcial deve ser divulgado e utilizado como fonte de estudos. Neste caso, não seria diferente. 

Abordando diversos temas, o canal possui uma infinidade de vídeos sobre assuntos recorrentes em avaliações e concursos, desde a guerra da Síria até o El Niño. Embora tenha diversos temas, vamos deixar abaixo apenas alguns que achamos mais interessantes (mesmo assim a lista já ficou grandinha). Os vídeos são curtos, mas bem explicados e de uma maneira fácil de entender, servindo para os estudantes como uma ferramenta de auxílio em sua caminhada. 

Como sempre, vale a pena conferir!!
































terça-feira, 3 de dezembro de 2019

O "coração" do mundo

Em tempos de emergência climática e onde cada vez mais países se juntam para propôr soluções e traçar metas para frear o aquecimento global, andamos na contramão do movimento ao criminalizar ONG´s, populações indígenas e ribeirinhas, além da tentativa pífia de legitimar um discurso na ONU usando uma indígena que tem tanta representatividade quanto um grão de areia no meio do deserto. 

Já postamos aqui, em outras oportunidades (1- 2 - 3) sobre a importância da Floresta Amazônica ser não só climática como também relacionada a sua biodiversidade. 

No entanto, os índices de desmatamento só aumentam e a escala destrutiva dos mesmos alcança escalas para além da Amazônia Legal, prejudicando até mesmo a Cordilheira dos Andes. Vale lembrar que é dela que surge a nascente do que, alguns quilômetros a frente, forma o rio amazonas. 

Entretanto o governo parece não enxergar isso e continua estimulando uma postura agressiva e contundente contra os povos da floresta, digna de um AI-5, que aliás já foi evocado publicamente por figuras da atual gestão. Algo que jamais deveria ser sequer comentado novamente, mas num país onde grande parte da população, desinformada e nada criteriosa com o que lê, é incitada constantemente a animosidade e não ao diálogo, não é se estranhar que este tipo de comentário fique impune. 

Enquanto isso, os povos da floresta, lutam, pagando até mesmo com suas vidas, para defender a floresta que tanto teimam em destruir sob o jargão de que a Amazônia é do Brasil. Algo que em si já é uma contradição, pois se bradam aos 4 ventos que a floresta é nossa, não deveriam destruí-la, mas protegê-la. 

Mas essa proteção só é feita de fato pelos que lá vivem e dela sobrevivem, mas de maneira sustentável. No entanto, são criminalizados, execrados e exterminados em silêncio já que os holofotes não estão lá, mas sim na próxima verborreia dita por alguma figura de Brasília que, intencionalmente, visa desqualificar a luta e suprimir os horrores que ocorrem na Região Amazônica. 

Diante dessa luta, extremamente desigual, vemos os povos da floresta resistindo em meio a massacres, invasões, estupros, perda de terras e ameaças de grileiros e fazendeiros que veem na floresta amazônica não o coração do mundo que bombeia milhões de litros para a atmosfera, mas um terreno amplamente favorável a especulação imobiliária e repleto de riquezas minerais em seu subsolo, apoiados pelo governo que, seja pela desinformação, entreguismo e/ou influência ($$) da bancada ruralista, instaura na floresta um AI-5 velado e, aos poucos, vai preparando o terreno para se apropriar da Amazônia da maneira mais destrutiva possível. 

A nós, cabe a resistência, a união de forças entre ambientalistas, povos da floresta e corpo acadêmico (sério), para manter a floresta "em pé", fazendo-os entender que a Amazônia pode não ser o pulmão do mundo, mas é o coração dele. Um coração que bombeia para atmosfera milhões de litros de água, de extrema importância para o clima e para a biodiversidade e um fator que nos remete a certa importância no cenário mundial, que precisa ser preservado para que as gerações futuras não testemunhem um mundo cada vez mais quente e caótico, construído pela ganância.  

terça-feira, 26 de novembro de 2019

O que é o "Ponto de não retorno" da Amazônia?

Infelizmente, não é nenhuma novidade quando vemos as últimas notícias sobre o desmatamento da Amazônia e vemos recorde negativo atrás de recorde negativo. 

Depois do pior agosto dos últimos 30 anos, os dados preliminares de agora nos mostram um aumento de aproximadamente 30% no desmatamento da Floresta Amazônica. Dados que chocam e que já fazem a comunidade científica pensar no chamado ponto de não retorno da floresta, mas o que é isso?

O ponto de não retorno é quando a floresta não irá mais conseguir se recuperar das agressões feitas pelo homem e, assim, começará a virar uma savana, como é o nosso Cerrado. O que traria uma série de consequências negativas em termos local, nacional e internacional, mas antes de irmos a estas consequências, vamos abrir um parêntese rápido aqui. 

Apesar dos dados alarmantes levantados por órgãos oficiais sobre o desmatamento, esta questão não é novidade em nosso país. Há pelo menos 50 anos, isso de forma consecutiva pelo menos, a floresta Amazônica vem sendo desmatada. Embora eventos anteriores tenham ocorrido como as drogas do sertão e os ciclos da borracha, podemos dizer que, de maneira efetiva e contígua, a devastação ocorre desde o a ditadura militar pautada em seus slogans como "integrar para não entregar". 

Pois bem, embora o desmatamento seja algo histórico, algo que você pode observar nestes mapas, desde 2017 os número tem aumentado cada vez mais e floresta já está começando a dar sinais de atingir o seu ponto de não retorno. 

Áreas ao sul e a leste da floresta já estão com temperaturas maiores e a estação das secas já está começando a se prolongar por lá. Sinais de que não estamos longe de atingir o ponto de não retorno. Aliás, pesquisadores já calculam que, nesse ritmo, podemos atingi-lo em 15 anos

Caso isso ocorra, vários fatores serão afetados, principalmente os climáticos. Embora os estudos ainda não seja precisos, podemos elencar alguns deles:

  • Aumento da temperatura local. 
  • Queda nos índices de chuva não só nas localidades próximas, como em outras regiões do Brasil, podendo também afetar outros países, já que prejudicaria o fenômeno dos rios voadores. 
  • Prolongamento das estação seca na região. 
  • Savanização da Amazônia, o que aumentaria a temperatura, tornando-a tão quente quanto o Cerrado. 
  • Perda de biodiversidade, já que animais e plantas não suportariam as temperaturas mais quentes. 
  • Perda de produtividade agrícola e extrativista. Pois nem todo cultivo sobreviveria as novas temperaturas do local. 

Entre outros que ainda estão em estudo. 

Contudo, a postura do atual governo parece ignorar esta triste realidade e o reflexo disso se dá em ações que vão desde a tentativa de fusão entre ministérios da agricultura e do meio ambiente, passando pela demissão do então presidente do INPE por divulgar dados que ratificam o aumento agressivo do desmatamento, a falas que denigrem o IBAMA e ONGs que procuram preservar o que ainda resta da nossa floresta. 

Atitudes como essa, mostram o descaso com a nossa floresta, que possui importância climática ímpar, como já explicamos em posts anteriores (1 e 2). Ainda mais quando essa atitude descabida é sustentada por uma falácia que nos remete a questão da exploração econômica da Amazônia. 

Tal argumento se mostra infundado pois na histórica exploração da floresta amazônica, não há um estudo sequer que comprove a relação entre exploração da floresta e enriquecimento ou melhora na qualidade de vida da população, muito pelo contrário. Os que de fato enriquecem correspondem a um pequeno grupo de fazendeiros e pecuaristas que utilizam alta tecnologia em suas produções e contratam pouquíssima mão de obra que, quando muito, recebe um salário mínimo. 

Casos em que a população consegue seu sustento e melhorar seu padrão de vida estão relacionados a exploração da "floresta em pé" como os coletores de açaí. 

Aliás, vamos abrir aqui outro parêntese. 

Um pouco mais acima, dissemos que o desmatamento tem aumentado na Amazônia, especialmente ao sul e ao leste. Não coincidentemente são áreas que costumam receber o nome de "arco do desmatamento", pois são vítimas do avanço da agropecuária para a região da floresta amazônica. 

O que nos permite arriscar a dizer que até pode sim haver um desenvolvimento sustentável na Amazônia, mas, com certeza, não é da forma que se apresenta atualmente em alguns casos. 

Vale lembrar também que a culpa não pode recair somente sobre essas atividades. Grande parte do desmatamento da floresta vem de atividades criminosas, onde grileiros queimam áreas de floresta visando sua apropriação futura. 

Como vemos, a lista de problemas é longa, ainda mais por ser tratar de um problema histórico. Entretanto, adotando a postura que o atual governo tem para com a situação. A lista só vai aumentar.  

terça-feira, 19 de novembro de 2019

Um assunto por minuto

Caros leitores do blog! 

Desculpem a longa ausência, mas uma luxação no dedo e um forte resfriado me mantiveram afastado dos textos por umas semanas, embora as postagens nas redes sociais se mantiveram. 

Como o tempo passou e muita coisa aconteceu, resolvi fazer a postagem desta semana com os últimos acontecimentos, mas de uma maneira mais resumida, assim poderemos comentá-los de uma maneira mais dinâmica. 

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De início, começaremos com as novas eleições para o Parlamento britânico no mês que vem

A novela é antiga e já vimos isso com antiga Primeira-Ministra na mesma tentativa de conseguir maioria na câmara para aprovar o Brexit praticamente na marra. Entretanto, como vimos na eleição anterior, não foi o que aconteceu e terminou, tempos depois, com a saída dela do cargo e a chegada do terceiro Primeiro-Ministro que tenta aprovar o Brexit. 

Aliás, não perca a conta, é o terceiro prazo de extensão do Brexit e o terceiro Primeiro-Ministro que tenta sair da União Europeia. 

O cenário inclusive é dos mais imprevisíveis. Cada ala parlamentar espera alcançar sua estratégia com as novas eleições. Enquanto os pró-Brexit tentam aumentar sua quantidade no Parlamento e procuram retirar de lá os que se opõem ou apresentam dúvidas sobre o Brexit, a ala dos opositora pensa em aumentar o número de seus representantes exatamente para impedir o Brexit ou ao menos fazê-lo através de um acordo que agrade a todos. 

Já pelo lado da UE, o presidente do Conselho Europeu, afirmou que o prazo de 31 de Janeiro será o último dado pela União Europeia, algo que já vinhamos comentado aqui no blog quando falávamos que um dia a paciência do bloco se esgotaria, e parece que se esgotou mesmo. 

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Depois protestos e um aviso das forças armadas bolivianas, o agora ex-presidente, Evo Morales, renunciou a presidência depois de mais de uma década no poder. Junto com ele também renunciaram os presidentes do senado e das câmaras, deixando o cargo "vago". 

Nessa sucessão de renúncias, a segunda vice-presidente do senado Jeanine Áñez, se autoproclamou presidente da Bolívia, o que foi ratificado pelo Tribunal Constitucional do país. 

A missão da presidente interina é organizar novas eleições presidenciais na Bolívia. A opositora do ex-presidente também afirmou que vai tentar pacificar o país que ficou imerso em uma onda de protestos contra e a favor de Evo Morales. 

Para entender como essa situação chegou a este ponto, sugerimos esse link.  

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Semana passada ocorreu mais uma reunião dos BRICS (lembra deles?) aqui no Brasil. 

A reunião, que acontece anualmente desde 2006 (de maneira informal) e de maneira oficial desde 2009, reúne países que possuem notoriedade em seus respectivos continentes e apresentariam um enorme potencial de crescimento. Esse "bloco" foi "projetado" por um economista britânico, lá em 2001. 

Pois bem, quase duas décadas se passaram, Brasil Rússia Índia, China e África do Sul fizeram constantes reuniões e... Quase nada mudou... 

Em todas essas reuniões, o que se fez de concreto foi a criação de uma espécie de "banco dos BRICS" que teria como objetivo financiar obras de infraestrutura e desenvolvimento sustentável, além de uma rede de pesquisa sobre a Tuberculose, já que os países juntos respondem por quase metade dos casos desta doença no mundo. E é só... 

Mesmo fazendo a ressalva de que as reuniões só se tornaram oficiais e anuais em 2009 e que só no ano seguinte a África do Sul passou a integrar o "bloco", podemos dizer, sem receio, que muito pouco foi feito de concreto por eles, a ponto do próprio "criador do bloco" questionar a importância das reuniões

Mesmo que tenhamos uma crise mundial que se arrasta desde 2008, embora teve início em 2007, e que os tempos de recessão ainda nos assolam, convenhamos que é muito pouco o que foi conquistado até aqui pelo conjunto de países que formam os BRICS. 

A reunião da semana que passou até trouxe novos acordos, especialmente nas áreas de infraestrutura, agricultura e tecnologia, mas dadas as reuniões anteriores, parece mais do mesmo.