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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Geoplaylist - (Gabriel, O Pensador - Bala Perdida)

A indicação de hoje se trata de uma música que reflete bem a sensação de insegurança que algumas capitais brasileiras vivem hoje, especialmente a do Rio de Janeiro. 

Trata-se de bala perdida, de Gabriel, O Pensador. Na canção, o autor retrata um dia na vida de um pai de família que revela suas angústias ao sair de casa todo dia para trabalhar sem a certeza de voltar pra casa ou encontrar seus familiares em segurança. 

A tônica da canção gira em torno do medo e passa a sensação de insegurança que o pai de família vive junto de sua família e que, infelizmente reflete o dia-a-dia de muitos brasileiros. 

A música pode ser trabalhada tanto com o Fundamental II quanto com o Ensino Médio sob a forma de um debate onde todos possam relatar as sensações que possuem ao ir e vir de suas casas, além de abordar temas que pendam para geografia urbana como violência, organização espacial, segregação socioespacial, gentrificação entre outros. 

A mesma também pode ser utilizada como abre-alas para questões como a urbanização desordenada, muito comum em nosso país, sendo trabalhada como um dos reflexos da mesma; além de gerar debates onde os alunos possam expressar quais os porquês, segundo eles, que seriam fomentadores de tamanha insegurança. 

É uma ótima atividade para trabalhar conceitos e sondar o que essa geração pensa sobre toda essa violência e insegurança que ronda, em maior ou menor grau, a todos. 



terça-feira, 7 de novembro de 2017

Mais uma COP começa e os desafios são enormes...

Mais uma COP começa este ano com a missão de dar continuidade aos acordos firmados em Paris que deram origem ao acordo de mesmo nome da cidade em que foi concebido. 

Já escrevemos aqui em algumas ocasiões sobre o jogo de empurra e os entraves que dificultaram a progressão de um acordo global sobre medidas de mitigação ao agravamento do efeito estufa e, consequentemente, ao aquecimento global. 

A COP foi criada logo após a Rio-92 ou Eco-92, em 94, e se traduz na sigla em inglês para "Conferência das Partes" que visa discutir vias para que os países reduzam suas emissões de gases que agravam o efeito estufa, como o dióxido de carbono, o metano, o dióxido de enxofre e etc. 

Anualmente e com a presença de diversos países que se reúnem durante a COP visa-se costurar um acordo global onde países se comprometem (voluntariamente) a estabelecer metas e mitigações em relação às mudanças climáticas. O protocolo de Kyoto, assinado em 97, foi um dos frutos das COPs realizadas anteriormente. 

Após diversas discussões e muitos esforços conjuntos, o acordo de Paris (tido como substituto do Protocolo de Kyoto) estipula que cada país, voluntariamente, deve definir suas próprias metas para reduzir os níveis de gases estufa lançados na atmosfera, mas que os resultados devem ser apresentados à ONU com periodicidade de 5 anos. 

Também fica estipulado que os países desenvolvidos devem contribuir através de um fundo para ajudar os países em desenvolvimento com a redução na emissão de seus gases poluentes. Seja para medidas de mitigação ou para pesquisas que procurem reduzir de alguma forma as emissões de gases estufa desses países. 

No meio da costura deste acordo, algumas questões ainda ficaram pendentes e devem ser resolvidas (esperamos que sim) na conferência deste ano ou mesmo na próxima conferência. 

A primeira diz respeito a eterna queda de braço em relação a redução dos gases estufa entre países centrais com os países em desenvolvimento e os periféricos. Enquanto o primeiro conjunto de países acredita que as propostas mitigadoras devem ocorrer sem distinção entre os países; o segundo bloco afirma que deve sim receber mais ajuda para fomentar programas e pesquisas que visam reduzir suas emissões vindas os países centrais. 

A segunda questão nos remete ao "norte" que o acordo de Paris deve tomar. O mesmo ainda possui diretrizes muito superficiais que praticamente delegam a cada país estabelecer suas próprias metas e cumpri-las, ou não; embora este acordo não preveja sanções a quem estabelecer suas metas, mas não alcançá-las. (Talvez, este ponto seja modificado nesta COP). 

A terceira questão, talvez a mais espinhosa, seja em relação a retirada dos EUA do acordo de Paris por seu atual presidente. Como Obama assinou o acordo antes do fim do seu mandato, os EUA estão obrigados a permanecer no acordo até 2020; mas já é sabida a decisão de Donald Trump de retirar o segundo maior poluidor do planeta do acordo, ainda mais quando a justificativa usada foi afirmar que o aquecimento global se trata de uma invenção chinesa para frear a economia norte-americana e acelerar a chinesa. 

Mesmo o presidente, agora, se interessando pela COP em busca de um acordo que julgue ser benéfico aos EUA, ainda há o receio que a retirada definitiva dos EUA do acordo de Paris, esvazie politicamente o mesmo, embora diversos países como China, Itália, Argentina e etc. tenham manisfestado interesse em ficar e condenado a posição norte-americana sobre a saída do tratado, caso a mesma se concretize. 

Enquanto isso, mais uma rodada de negociações está aberta na COP, visando nortear o acordo e assim representar um avanço significativo na mitigação ao altos níveis de emissão dos gases estufa com ou sem os EUA.     

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Um exit from brexit? - Parte 2

O tempo passa cada vez mais rápido para UE e Reino Unido em relação a uma definição deste último de sua saída do bloco. Contudo, à medida que o tempo avança, as negociações emperram. 

O entrave da vez gira em torno da indenização que o Reino Unido teria que pagar à UE para deixar o bloco. Ambos ainda não chegaram a um valor e as negociações, iniciadas desde o dia 19 de junho, ficaram praticamente paralisadas. 

Com isso, a credibilidade da primeira ministra britânica começa a minar, e muitos já consideram como possibilidade que o Reino Unido desista de sua saída da UE, ainda mais quando os cenários desenhados pós Brexit são cada vez mais desanimadores

Além disso, já ocorre a especulação de que o bloco negocia por fora com parlamentares da "terra da Rainha" que são favoráveis a permanência no bloco, gerando acusações contra o negociante da União Europeia que foram desmentidas pelo mesmo logo em seguida. 

Fato é que a novela já é de longa data e a primeira ministra, antes tão convicta de uma separação, já começa a considerar um cenário onde um "não acordo" é provável e, talvez, a inédita saída de um país de um bloco econômico, seja frustrada por tais entraves nas negociações

Vale ressaltar que, de acordo com a constituição do bloco, um país possui um determinado tempo para negociar e concretizar sua saída do bloco. O  tempo do Reino Unido se esgota em 2019 e, mesmo com a UE acenando com a possibilidade de estender esse período para 2020 sob o nome de transição, tanto o país quanto o bloco ainda parecem longe de um acordo e, ao que parece, cada vez mais perto de uma desistência. 

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Presidente da China deixa seu nome na história do país.

O atual presidente da China, Xi Jinping, acaba de ter sua linha de pensamento colocada no estatuto do Partido Comunista Chinês.

Antes dele, apenas Mao Tsé-Tung (fundador da China comunista) Deng Xiaoping (que implementou reformas econômicas como as ZEEs que modernizaram e alavancaram o "dragão vermelho") tiveram esta mesma honraria. 

O "Pensamento Xi" como ficou conhecido foi incluído ao estatuto de maneira unânime, o que reforça o poder e o prestígio político do qual o atual presidente parece desfrutar. 

Nesta doutrina há o pensamento de modernizar a China para fazê-la despontar como líder da economia mundial até 2050, além de modernizar o exército chinês. Ambas as perspectivas indicam que o atual presidente chinês pretende se manter no poder por vários anos ainda. 

Mesmo na China, ocorrendo uma velada aposentadoria compulsória ao 68 anos, o presidente, que tem 60 e acabou de ser reeleito até 2020, parece ter pretensões de permanecer no poder, mesmo que ainda não no cargo máximo do país. 

Podemos notar também que em sua política está clara a vontade de "tomar o bastão" dos EUA como principal economia do planeta. E, ao que tudo indica, o país possui plenas condições para fazê-lo, pautado em suas ZEEs e, claro, em sua mão de obra extremamente barata. 

Apesar de todo esse discurso de modernização, aspectos como os direitos humanos e partidos de oposição permanecerão da mesma maneira: reprimidos e vigiados ao extremo. Isso porque o sistema de partido único será mantido, o que não é novidade alguma, e a questão dos direitos humanos sequer foi mencionada em seu discurso. 

Com tudo isso, Xi Jinping continua a comandar a China entre a vontade de modernizar e o status quo imutável dentro de seu país, pretendendo assim levar o dragão chinês a alçar voos cada vez maiores.  

terça-feira, 17 de outubro de 2017

A velha polêmica do fim do horário de verão

Apesar do Governo brasileiro até ter feito consulta pública e realizado estudos sobre o horário de verão, o mesmo ainda vigorará por mais esta temporada entre outubro e fevereiro do ano que vem. Mesmo assim, a polêmica continua: para que serve o horário de verão?


O intuito da adoção do horário de verão consiste no aproveitamento do Solstício de verão (Quando a intensidade dos raios solares é maior no hemisfério Sul em relação ao hemisfério norte, temos o solstício de verão. Isto ocorre por conta do movimento de translação da Terra e da inclinação do seu eixo) para economizar energia. 

Nesta época os dias costumam durar mais do que as noites e o adiantamento dos relógios em uma hora faz com que aproveitemos ainda mais a luz do sol. 

No entanto, nem todas as cidades brasileiras adotam essa medida. As regiões Norte e Nordeste do país não adotam o horário de verão, pois estão localizadas à linha do Equador (área de maior incidência dos raios solares) não havendo, portanto, a necessidade de adoção do horário já que, naturalmente, a luz do sol "dura mais tempo" nessas regiões. 

Contudo, com o passar dos anos, o questionamento sobre a economia de energia com a adoção do horário de verão, além de questões de ordem biológica fomentam o debate sobre a continuidade de sua adoção. 

Entram em discussão questões como:

  • Quem realmente economiza com o horário de verão? 
Sabe-se que a ideia do horário de verão é alternar os horários de pico de modo a não sobrecarregar a rede de eletricidade. Mas, ao chegar em casa, por mais que você não acenda a luz, é quase imperativo ligar o ventilador, ou ventiladores dependendo do tamanho da sua família, ou o ar-condicionado. 

Isso sem contar que o abrir e fechar de geladeiras e refrigeradores em busca daquela bebida gelada aumenta consideravelmente no verão. 

O resultado disso vem na conta de luz que ainda vem com o ônus daquela bandeira vermelha que te faz pagar ainda mais caro por ela. 

Mas, então, quem economiza?

As fábricas e suas milhares de lâmpadas que são desligadas para aproveitamento da luz solar... 

  • A crescente queda da economia (de energia) com o horário de verão.

Ao longo dos últimos anos a economia de energia com o horário de verão tem sido cada vez menor e a tendência é que continue diminuindo. 

Isto ocorre não só por conta das lâmpadas que não são acesas em detrimento de eletrodomésticos, mas sim por conta da "evolução" da própria lâmpada.

As lâmpadas incandescentes (as populares lâmpadas amarelas) que consumiam quantidade considerável de energia estão sendo substituídas pelas lâmpadas fluorescentes (as populares lâmpadas brancas) que consomem menos energia se comparada a primeira. Soma-se a isso a lâmpada de LED que consegue consumir ainda menos energia que as duas anteriores. Com isso, o consumo de energia vem diminuído e, por consequência, a economia que se faz com a adoção do horário de verão também, visto que o consumo energético dessas lâmpadas é sempre baixo.  

  • A adaptação do organismo ao horário de verão. 

Muitas são as reclamações quando se fala em adaptar o organismo ao horário de verão. O fato de ter que comer mais cedo e dormir mais cedo de uma hora para outra, afeta consideravelmente o organismo da pessoa

Cada indivíduo possui seu próprio relógio biológico, ou seja, sua hora de dormir, comer, descansar e etc. como a mudança do horário de verão é feita de um dia para o outro, nosso organismo sente essa mudança de forma abrupta. 

Como resultado, temos problemas para dormir, comer, nos concentrarmos e realizar atividades cotidianas. A situação é ainda mais grave quando nos remetemos ao trânsito. 

Com a alteração do horário, muitas pessoas acabam saindo de casa na hora em que ainda estariam dormindo. Isto pode lhes causar sonolência ao volante e, consequentemente, o risco de um acidente aumenta consideravelmente. Não à toa, os acidentes de trânsito aumentam aproximadamente 10% neste período



Embora os argumentos apontem para um horário de verão cada vez mais obsoleto, o mesmo ainda se mantém. Contudo, é cada vez mais flagrante que sua eficácia está se perdendo com o tempo, o levando, talvez, à sua extinção.