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sábado, 31 de julho de 2010

Será mesmo ?

Líder das FARC propõe ao novo presidente da Colômbia reatar os diálogos rompidos com o governo por conta da postura ofensiva que o presidente em exercício adotou contra as FARC.

Espero que dê certo, não só com as FARC mas com o presidente venezuelano também.


Só pra atrapalhar

Uma reunião foi convocada a pedido da Colômbia para resolver sua questão com a Venezuela na UNASUL.

Na reunião parecia tudo estar caminhando para uma resolução, mas aos 45 do segundo tempo a Venezuela decidiu voltar atrás em sua decisão e o acordo não saiu. Sendo assim o mesmo ficou para a próxima reunião.

Engraçado que a próxima reunião só se dará depois que a Colômbia já estiver com seu novo presidente; cabe lembrar que o presidente venezuelano não se dá muito bem com o atual presidente colombiano.

É... quando é pra derrubar tem gente que derruba até o fim. É uma pena que a guerra de egos fique acima da questões mais importantes.


Fim da Novela ?

Para essa semana a BP promete extinguir de vez o vazamento que ocorre no golfo do México desde abril e já se tornou o pior da história dos EUA.

De toda essa novela, além das consequências  ambientais (que ainda são de proporções desconhecidas) há também o lado econômico, pois agora com certeza a exploração de petróleo vai demandar mais garantias, ou seja, um aumento significativo nas regulamentações de exploração bem como o exigência por partes dos governos de garantias maiores por parte da empresas; o que levará a um aumento no preço do petróleo.

Infelizmente precisou ocorrer um acidente dessa magnitude para que medidas de segurança mais eficazes fossem implantadas... Mais uma conta que a natureza paga por conta de ganância de uns poucos...


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Nota

Caros leitores do blog !

Infelizmente, por motivos desconhecidos, não estou conseguindo colocar a notícia integralmente junto com os meus comentários como sempre faço nos posts. Já entrei em contato com os administradores do blog e aguardo resposta para resolver este problema; até lá colocarei nos posts apenas os links das notícias para que as mesmas possam ser acessadas

Apenas o óbvio

O presidente da Colômbia classificou como deplorável a declaração do presidente do Brasil onde o mesmo diz que o atrito entre Colômbia e Venezuela é de caráter verbal.

Não sei porque porque chegar a tanto, todos sabemos que o nosso presidente não falou nada além da verdade. Tanto esse conflito quanto o das Coréias são meramente verbais, o primeiro  por causa das condições financeiras (se a Colômbia não consegue controlar nem as FARC, bem verdade que também porque há interesse do governo em manter essa facção, imagina travar uma guerra com a Venezuela) e o segundo além da questão financeira, no caso da Coréia do Norte, tem a questão dos padrinhos também).


quarta-feira, 28 de julho de 2010

Para reestabelecer a paz

Mais um capítulo de desavença se desenhou entre Venezuela e Colômbia. Depois de denunciar a presença de membros das FARC e da ELN em solo venezuelano, Hugo Chávez decidiu cortar relações com o país (o que já acontecera antes em um episódio envolvendo os países anteriormente citados além do Equador).

Contudo parece que um acordo entre os dois parece se desenhar e assim as relações se restabeleçam...

É... sempre tem que rolar um atrito quando um país é governado pela extrema direita e outro pela extrema esquerda...


http://noticias.br.msn.com/artigo.aspx?cp-documentid=25018927

Mais pressão

Como se já não bastasse os EUA pressionando o Irã através de suas sanções aprovadas na ONU, a União Europeia agora resolveu seguir a onda de sanções mas dessa vez mais severas em relação as aprovadas na ONU.

Teerã, sentindo o que está por vir, já se mostra disposta a dialogar em busca de um acordo para a sua questão nuclear. Até porque o Irã pode chegar ao "colapso" com tantas pressões.

Infelizmente ainda se prefere usar a força ao invés do diálogo para se resolver as questões...

Sempre pela diplomacia

Mesmo após a descrença de muitos, leia-se EUA, com o acordo feito entre Brasil, Turquia e Irã em relação a questão nuclear deste último o nosso país ainda tenta pela via diplomática uma solução para esse questão e de quebra parece ter conseguido um novo aliado nessa via diplomática, o Japão.

Desculpem pela demora

Caros leitores do blog.

Desculpem pela longa ausência, andei enfrentando problemas com o meu computador que está pela hora da morte e com a minha internet também.

Ambos ainda não estão 100% mas a medida que eu conseguir vou colocando novos posts assim que possível.


Desculpem pela demora e um grande abraço a todos !

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Ego ferido é um problema sério

Já havia dito aqui em posts anteriores que acho que o motivo da ONU (leia-se EUA) passar por cima do acordo feito por Turquia e Brasil com o Irã é puro ego ferido; já que eles não conseguiram na base da pressão o que nós conseguimos na base da conversa, dando assim uma bela lição de diplomacia na ONU.

Mas ao que parece essa questão do ego ferido andou contagiando um país ou outro; ou então ainda é pressão dos EUA que ainda se recusa a aprender uma lição que o nosso país ensina com muito gosto: usar o diálogo ao invés de armas.

Moscou, 14 jul (EFE).- O ministro de Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, afirmou nesta quarta-feira que o Brasil e a Turquia não participarão das próximas negociações nucleares com o Irã, como foi proposto na véspera por Teerã.


"Não participarão. Não falaremos mais disso. O Conselho de Segurança da ONU reconheceu o sexteto (o grupo conhecido como P5+1, formado por Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia, China e Alemanha) como líder informal para lidar com a solução de todos os aspectos do programa nuclear do Irã", declarou Lavrov, em entrevista coletiva.


No entanto, o ministro reconheceu que "é evidente que existe um grupo de países interessados em ajudar a solucionar pacificamente este antigo problema. Brasil e Turquia estão entre eles".


O ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki, falou nesta terça, em Madri, sobre a necessidade de se ampliar as próximas reuniões de negociação sobre seu programa nuclear a outros atores internacionais, como Turquia e Brasil.


Mottaki lembrou que os dois países assinaram em junho, em Teerã, um acordo que prevê o envio de urânio iraniano enriquecido a 3,5% para a Turquia, que será recebido em forma de combustível nuclear a 20% para uso civil.


O chefe da diplomacia iraniana disse que tanto o chamado Grupo de Viena (EUA, França, Rússia) quanto o P5+1, além de Turquia e Brasil, poderiam estar nas negociações.


Por outro lado, Lavrov confia em que o Irã participe das próximas "consultas técnicas" em Viena, nas quais será abordado o início do acordo de troca nuclear.


"Esperamos uma resposta construtiva (...) e que a parte iraniana aceite o convite. A iniciativa de Brasil e Turquia em relação à provisão de combustível para o reator de pesquisa iraniana foi um passo muito conveniente e Rússia o aplaudiu", disse.


Lavrov espera que o P5+1 realize um encontro em agosto, com vistas a uma reunião ministerial em setembro em Viena.


Extraído de msn.com.br

Um paralelo interessante

A revista Carta Capital traça um brilhante paralelo entre dois países que a primeira vista não tem nada a ver mas que, ao olhar este artigo, Brasil e Turquia mostram que tem diversos ponto em comum.



Há muitas analogias entre o crescimento de Ancara como potência regional no Oriente Médio e o de Brasília na América do Sul
Além da parceria na tentativa de negociar um acordo do Irã com o Ocidente, há muitas semelhanças entre os momentos históricos vividos pelo Brasil e pela Turquia. Com cerca de 40% da população e do PIB e 67% das exportações do Brasil (mas volume maior de importações) o país do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan pesa menos na economia global, mas sua importância geopolítica é comparável, pois está numa das encruzilhadas estratégicas mais importantes do planeta e possui uma força militar considerável.
É o segundo país da Otan em contingente militar (depois dos EUA), tem a terceira maior força aérea (depois dos EUA e Reino Unido) e é uma potência nuclear informal, com 40 a 90 armas nucleares made in USA em seus arsenais, embora só possa usá-las de acordo com o comando da Otan (assim como a Alemanha, a Itália, a Holanda e a Bélgica).

Os dois países são comparáveis em termos de renda per capita e desenvolvimento humano. A Turquia está ligeiramente à frente no primeiro quesito e um pouco atrás no segundo, mas na mesma categoria. Ambos sofreram com décadas de alta inflação, controlada em 1995 no Brasil e em 2005 na Turquia (que converteu a antiga moeda à razão de 1 milhão para 1) e, por vezes, se alternaram no papel de paí-s com juros mais altos no mundo. Ambos também são exportadores de novelas de tevê – e as turcas, picantes pelos padrões da região, são tão populares em todos os países muçulmanos que as permitem quanto às brasileiras na América Latina.

Ao contrário do governo brasileiro, o turco tem um discurso religioso e conservador e é tido como de centro-direita, mas suas políticas social, econômica e externa não são tão diferentes quanto isso poderia fazer supor. O partido de Erdogan, Justiça e Desenvolvimento, é visto como o defensor dos interesses das maiorias contra a elite privilegiada. Seu viés conservador aparece mais na promoção do uso do véu e redução do número de mulheres em cargos executivos (de 15% para cerca de 11%), embora, por outro lado, 30 das 50 mulheres do Parlamento turco sejam de seu partido.

Ambos passam por trajetórias políticas comparáveis há mais de cem anos. Na Turquia, como no Brasil, militares positivistas derrubaram uma monarquia anacrônica, impuseram uma modernização laica e conservadora, arrogaram-se o papel de guardiões da República e desferiram golpes de Estado contra governos democraticamente eleitos.

Nos dois, a elite econômica concentrou uma parcela desproporcional da riqueza nacional – Istambul é a quarta cidade do mundo em número de bilionários, depois de Moscou, Nova York e Londres –, desprezou o Terceiro Mundo e sua-s próprias massas “atrasadas” e quis fazer-se europeia ou norte-americana. As duas elites fracassaram ao alinhar-se às potências ocidentais com a esperança de entrar em seus clubes fechados – o Brasil no Conselho de Segurança da ONU, a Turquia na União Europeia.
As elites, cá e lá, resistiram e conspiraram – no Brasil, com a agitação em torno do “mensalão”, na Turquia com uma tentativa de golpe logo após a posse de Erdogan, em 2003, e agitação militar ante a eleição presidencial de Abdullah Gul, do partido de Erdogan, em 2007 –, mas foram forçadas a se conformar com a eleição de “populistas” e ver esses conseguirem inéditos êxitos sociais, econômicos e diplomáticos. De 2003 a 2010, o PIB da Turquia cresceu com inflação controlada a uma média de 4,3%, ante 4% do Brasil. Este cresceu menos até 2006, mas reagiu bem melhor à crise mundial que a Turquia, muito dependente da Europa no comércio exterior.

Neste ano, a Turquia além de se projetar no cenário internacional tanto quanto o Brasil, quando Lula e Erdogan mediaram a tentativa de acordo com o Irã juntamente com os chanceleres Celso Amorim e Ahmet Davutoglu, tornou-se uma estrela regional ao defender a flotilha que tentou romper o bloqueio a Gaza, liderada por uma ONG islâmica turca que tem o apoio oficioso do governo e do partido de Erdogan.
Após a ação brutal e desastrada de Israel, Ancara acusou Tel-Aviv de pirataria, arrancou uma condenação formal da Otan e exigiu a libertação imediata e incondicional dos tripulantes e passageiros, que Israel queria submeter a julgamento. Benjamin Netanyahu, que não se dobrava ante Barack Obama e Hillary Clinton quanto a fazer concessões aos palestinos, cedeu e em seguida viu-se forçado a relaxar o bloqueio a Gaza, que dizia ser o elemento mais importante de sua política de segurança. Foi um recuo como não se via em Israel desde que os EUA forçaram sua retirada do Sinai em 1978.
Da noite para o dia, o gesto de Erdogan fez mais pela causa palestina do que anos de retórica do iraniano Mahmoud Ahmadinejad, para não falar da solidariedade vazia dos líderes árabes. Uma pesquisa, logo após o incidente, mostrou que 43% dos palestinos consideravam a Turquia como seu maior aliado, ante apenas 6% que indicaram o Irã.

Os povos do Oriente Médio que, por várias gerações, viram a Turquia com desconfiança, pela aliança com a Otan ou pela lembrança do domínio otomano, passaram a enxergá-la como porta-voz do mundo muçulmano. A Turquia busca uma política de “problemas zero” com os vizinhos – principalmente o Irã e a Rússia, que lhe fornecem, respectivamente, 30% e 60% de suas necessidades de petróleo – e sua aproximação com os governos da Síria e do Irã, que os EUA quiseram relegar ao “eixo do mal”, vem mudando a geopolítica da região.

Com exceção do Tadjiquistão (que fala uma língua aparentada ao farsi iraniano), as nações da Ásia Central – Azerbaijão, Turcomenistão, Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão – falam línguas muito semelhantes ao turco e veem o país como modelo de nação que se modernizou sem abrir mão da identidade nacional e das raízes islâmicas. O crescimento da China e a recuperação da Rússia dissiparam os sonhos de hegemonia sobre a região que a Turquia alimentou após a queda da União Soviética, mas suas relações com esses países são boas e Ancara é a sua principal alternativa para reduzirem sua dependência dos dois gigantes e exportarem seu gás e petróleo ao Ocidente.

Ao mesmo tempo, a Turquia melhorou as relações com vizinhos europeus. A cúpula de 23 de junho, em Istambul, do Processo de Cooperação do Sudeste Europeu, que reúne a Turquia aos 12 países dos Bálcãs, apoiou oficialmente o governo de Ancara e condenou o ataque israelense à flotilha. A Sérvia esqueceu o rancor contra a antiga dominação otomana e pediu a mediação da Turquia em conflitos com as minorias muçulmanas do país.

O atual governo grego, em especial, tem procurado pôr um ponto-final em gerações de tensão com a Turquia, depois da amarga guerra pela independência contra os otomanos no século XIX, da derrota na guerra greco-turca de 1919-1922 (que causou a expulsão de 1,5 milhão de gregos da Ásia Menor) e da humilhação em Chipre, que, em 1974, fez cair a ditadura grega (que pretendia anexar a ilha, dividida a partir daí em duas repúblicas, uma das quais é um protetorado da Turquia). A necessidade tornou-se ainda mais premente com a crise financeira: a Grécia não tem mais como sustentar as Forças Armadas proporcionalmente mais caras da Europa contra a ameaça hipotética da Turquia, que é sua aliada na Otan. Suspendeu a compra de armas e quer negociar uma solução pacífica para a reunificação do Chipre, enquanto tenta atrair investimentos turcos para sua combalida economia.

A Turquia deixou de ser apenas uma periferia da Europa, ou uma cabeça de ponte para eventuais ações da Otan contra a Rússia ou o Oriente Médio, para ser uma liderança, se não o centro geopolítico de sua própria região. Mas seria simplista dizer que deixou de pretender ser a cauda da Europa para assumir o papel de cabeça do mundo muçulmano, ou do Oriente Médio.

O governo Erdogan elegeu-se prometendo pôr o país na União Europeia, que absorve 57% das exportações turcas e fornece 40% de suas importações. Por todos os critérios objetivos de estabilização da economia, gestão fiscal e reformas econômicas e políticas, fez mais para atender às exigências da organização que os governos seculares anteriores. Inclusive no que diz respeito aos direitos humanos: a ideologia islamista do partido de Erdogan mostrou-se mais compreensiva em relação à minoria curda que o nacionalismo extremado dos secularistas herdeiros da revolução de Kemal Atatürk.

Até os anos 1990, o governo turco negava a própria existência da língua curda, mas hoje há uma tevê e uma faculdade nessa língua. O governo tem aceitado o retorno de curdos que haviam se refugiado no norte do Iraque. Investimentos consideráveis têm sido feitos para promover o desenvolvimento da região curda, em busca de uma solução pacífica – por enquanto, frustrada pela intransigência dos separatistas curdos.

Apesar disso (e de a Turquia oferecer a possibilidade de reduzir a dependência europeia de gás russo intermediando exportações da Ásia Central e Oriente Médio), cresceu ainda mais a oposição à sua adesão, com Alemanha e França a insistir no caráter “cristão” da Europa. Por outro lado, o apoio popular turco à União Europeia caiu de 70%, em 2002, para 50% hoje. A crise europeia não eliminou, em princípio, o interesse de Erdogan, que continua a tentar mostrar-se otimista, mas tornou a aceitação na organização ainda menos provável. Desemprego em alta, exploração populista do ressentimento contra imigrantes e disputas entre os próprios europeus tornam ainda mais distante a possibilidade de um acordo para a integração de um grande sócio muçulmano, que implicaria a liberdade de seu povo migrar e trabalhar em países europeus.

A própria Europa, por seus preconceitos, e os EUA e Israel, por sua agressividade, vêm empurrando a Turquia para uma posição cada vez mais distante do Ocidente. O primeiro sinal da nova política, na primeira semana do governo Erdogan, foi o veto ao uso das bases e do e-spaço aéreo turco para a invasão estadunidense do Iraque, em 2003. Neoconservadores estrilaram, mas o novo governo recebeu total apoio dos militares e do povo e o próprio Bush júnior não ousou punir o país, dada sua importância estratégica.
Ainda em 2007, Israel via a Turquia como aliada e Shimon Peres foi o primeiro presidente israelense a falar no Parlamento turco. A virada deu-se com a retaliação desproporcional de Israel a Gaza em 2008. Isso ofendeu tanto a solidariedade religiosa dos turcos com os palestinos quanto a diplomacia turca, na época engajada em mediar um acordo entre Síria e Israel, a pedido de Tel-Aviv. No ano seguinte, com a eleição de um governo israelense ainda mais radical, as relações turco-israe-lenses esfriaram proporcionalmente.

O governo turco condenou repetidamente o terrorismo de Estado israelense, ajudou famílias palestinas com documen-tos otomanos provando sua posse da terra desde antes da chegada dos israelenses e não fez objeções a um seriado sobre Gaza que pintou os israelenses como vilões na tevê turca. O governo israelense não conteve o discurso agressivo de radicais como o chanceler Avigdor Lieberman, que rejeitou a mediação turca com a Síria e começou a congelar a venda de armas avançadas à Turquia. Em outubro de 2009, a Turquia suspendeu uma manobra militar conjunta da Otan com a aviação de Israel – e se essa ainda foi uma medida simbólica, que não suspendeu os acordos mais gerais e o comércio de armas entre os dois países, os acontecimentos deste ano precipitaram uma ruptura real.

Além de retirar seu embaixador de Tel-Aviv – e ameaçar não restaurar relações diplomáticas plenas se Israel não pedir desculpas formais e suspender o bloqueio a Gaza –, a Turquia congelou praticamente todos os acordos militares com Israel, exceto as vendas já fechadas. São 16 acordos no valor total de 56 bilhões de dólares, incluindo mísseis, tanques e aviões de combate.

Após o confronto com Israel, sionistas e republicanos carregaram contra Ancar-a. O Instituto Judeu para Assuntos de Segurança Nacional (Jinsa) cobrou a expulsão da Turquia da Otan: “Como membro, tem acesso à inteligência relacionada a terrorismo e ao Irã... Se a Turquia acha que seus melhores amigos são o Irã, o Hamas, a Síria e o Brasil (olhando para a Venezuela no futuro), a segurança dessa informação (e a tecnologia ocidental nas armas no arsenal turco) está em risco”. O Wall Street Journal, representante da oposição, tem atacado a Turquia sistematicamente, acusando seu governo de cumplicidade com extremistas. O conservador The Weekly Standard sugeriu um golpe militar na Turquia como “mal menor”.

Washington reagiu de maneira destemperada à mediação turco-brasileira que tentou evitar sanções ao Irã, mas foi mais cauteloso ante a crise turco-israelense, que ameaça pôr a perder sua estratégia global. Para a centro-direita liberal, a democrática e basicamente ocidentalizada Turquia, por insubmissa que seja, é um contrapeso importante ao Irã e às forças radicais no Oriente Médio – assim como o nacionalismo moderado do Brasil é visto por muitos como contrapeso à Venezuela e ao bolivarianismo.

Sabe que a oposição é uma aposta arriscada e um golpe de Estado poderia radicalizar a população em um sentido antiocidental. Talvez todo o mundo árabe, visto que Erdogan tornou-se o líder mais popular da região. No momento em que o peso relativo dos EUA e do Ocidente no mundo está encolhendo, seus governos se debatem com crises financeiras e a estratégia militar no Afeganistão e Iraque caminha para um completo fracasso, Washington não está em condições de correr mais esse risco.

Robert Gates, o secretário de Defesa dos EUA, preferiu culpar a União Europeia por recusar à Turquia a ligação orgânica com o Ocidente que ela deseja. O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, respondeu responsabilizando a pressão de Bush júnior sobre o mundo muçulmano.

Mais lhes vale tentar reconquistar a Turquia com vantagens comerciais e políticas. O governo Erdogan não vai durar para sempre, mas a tendência natural do país, se não puder se integrar inteiramente ao Ocidente, é assumir um papel cada vez mais importante como potência emergente independente e mediadora entre o Ocidente e a Periferia, ao lado dos BRIC e do Irã.

Extraído de cartacapital.com.br

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um novo tempo

O maior acidente ambiental da história dos EUA vem reforçar uma tendência que já ocorre a um tempo: o encarecimento do petróleo.

Esse fato se dá a partir do momento em que depois desse acidente, as garantias de exploração segura bem como os equipamentos para a exploração de petróleo sofrerão um aumento considerável já que terão que ser, no primeiro caso, mais eficazes e, em termos econômicos, maiores, e, no segundo caso, os equipamentos terão que ser mais sofisticados para que desastres como esse não ocorram novamente, ou pelo menos que se evite ao máximo.

Com isso uma outra tendência surge, principalmente no setor automotor, que é a substituição (gradual e lenta, muito lenta diga-se de passagem) do petróleo pela energia elétrica. O que antes ganhara resistência inicial das grandes empresas do petróleo agora vem com força total, pois inclusive essas empresas estão diversificando suas receitas e começam também a investir no setor elétrico. Quem sabe assim, com a substituição do petróleo (tenhamos em mente que o petróleo não será deixado de lado jamais, apenas será utilizado em menor escala, no setor acima exposto, pelo menos até sua escassez definitiva) pela energia elétrica possamos respirar um ar mais limpo...


Há semanas o mundo assiste perplexo o fracasso da maior potência tecnológica do planeta em conter o vazamento de petróleo a 1.500 metros de profundidade no Golfo do México. Esse vazamento será estancado. Em Engenharia, geralmente, a grande questão não é se uma obra ou intervenção é possível, mas quanto ela custa.


O custo será muito alto. Além de estancar o derramamento, há os custos de recuperação ambiental e econômica das regiões atingidas. A British Petroleum foi obrigada a criar um fundo de 20 bilhões de dólares para cobrir as indenizações. Estima-se, entretanto, que essas possam atingir a cifra de US$ 60 bilhões.

A maior tragédia ambiental da história causada por derramamento ainda deverá trazer grandes impactos. Os impactos climáticos e de saúde causados pelo consumo de petróleo são muito conhecidos. A partir desse acidente, a indústria carregará para sempre uma percepção de alto risco ambiental na produção em águas profundas.

O petróleo em águas profundas é a grande esperança da indústria para suprir o crescimento da demanda nos próximos anos, e adiar o declínio da produção conforme os prognósticos da teoria do Pico do petróleo de Hubbert.

Essa nova percepção de risco ambiental elevará significativamente o custo de produção por exigência de medidas de segurança mais rigorosas, equipamentos mais sofisticados, regulação mais severa e prêmios de seguro mais abrangentes e caros. Implicará, assim, em preços futuros do insumo ainda maiores que o atual. Isso será duplamente positivo para o Brasil, porque exportará petróleo cada vez mais caro e porque agregará cada vez mais equipamentos, tecnologia e serviços nacionais em sistemas de exploração e prevenção de acidentes cada vez mais complexos.

Em nível global, o impacto será negativo. Preços de derivados de petróleo ainda maiores do que os atuais impactarão severamente nos custos dos transportes. Os dois principais destinos da energia primária no mundo são os transportes e a geração de eletricidade. O petróleo é a fonte de energia predominante para os transportes, mas secundária para a produção de energia elétrica.

Hoje, no mundo, a pesquisa e aplicação de tecnologias limpas para redução das emissões de carbono têm se concentrado mais na produção de energia elétrica: eólica, nuclear, solar, biomassa, melhorias nas termelétricas, captura de carbono etc. Nos transportes, umas das poucas experiências práticas são o etanol e o biodiesel. Porém, em relação a esses combustíveis, a capacidade mundial de produção não permite uma substituição significativa dos derivados de petróleo destinados aos transportes, a nível global. Mesmo no Brasil, não se vislumbra uma substituição muito superior a 50%. Mas, com exceção do Brasil, essas e outras alternativas à utilização do petróleo nos transportes recebem relativamente menos investimentos do que as tecnologias de redução de emissões na produção de energia elétrica. Isso é um aparente paradoxo, porque, tendo em vista que, por unidade de energia contida, o petróleo é significativamente mais caro do que o carvão e o gás natural, principais combustíveis fósseis usados na produção de energia elétrica.

Além do custo mais alto, os derivados de petróleo são utilizados de forma menos eficiente do que a energia elétrica nos meios de transporte. A eficiência dos motores elétricos é quase 4 vezes superior a dos motores a combustão e nos veículos elétricos é possível aproveitar as frenagens e descidas para poupar energia, gerando ganhos adicionais entre 20 e 40%.

Os veículos elétricos tornaram-se economicamente viáveis graças à elevação extraordinária do preço do petróleo a partir de 2003, à preocupação ambiental e ao desenvolvimento tecnológico. O acidente do Golfo tornou mais claro que o preço do petróleo não só não vai cair, como continuará aumentando. A era de socialização dos custos ambientais e do petróleo “barato” realmente acabaram.

Entretanto, ainda havia resistências à substituição do petróleo na matriz de transportes vindas da indústria do petróleo e parcialmente das grandes montadoras. Algumas delas enxergavam, no carro elétrico, um risco em razão da possibilidade da entrada de novos concorrentes e, principalmente, em razão de uma esperada depreciação de boa parte de seu capital tecnologico e social de produção. As velhas indústrias de petróleo e automobilística viveram em perfeita simbiose por quase cem anos. Não se pode também esquecer a resistência dos países cuja prosperidade, e mesmo a sobrevivência, depende do petróleo. Por anos, essas forças dificultaram o aparecimento de tecnologias alternativas.

Hoje essa resistência não é interessante para ninguém. A maioria das empresas do setor automotivo entraram na corrida para produzir veículos elétricos. As maiores empresas petrolíferas estão se tornando empresas energéticas, diversificando sua área de atuação. O contínuo crescimento da demanda por petróleo, especialmente na Ásia, combinado aos problemas de oferta, tende a aumentar seu preço e poderá até trazer o risco de desabastecimento e de conflitos. Assim, as resistências contra os carros verdes continuarão diminuindo.

Na próxima década, a preferência pelos veículos elétricos a bateria poderá ser limitada por restrições técnicas ao abastecimento rápido de baterias, e pelo seu alto custo e menor autonomia. Porém, a penetração dos carros a bateria deve aumentar na próxima década. A escassez de petróleo, os problemas ambientais e o desenvolvimento tecnológico tornarão as alternativas elétricas mais competitivas. Porém, o processo será suficientemente lento para todos se adaptarem. A indústria do petróleo, do etanol e os países exportadores de combustíveis, como o Brasil, não precisam resistir à expansão dos veículos elétricos. Pelo contrário, deveriam investir nas novas tecnologias, que respondem a condicionantes naturais e técnicos e motivações globais que acabarão por prevalecer. Poderão, assim, tirar proveito do novo mundo que emergirá. Se perderem o trem dessa grande revolução tecnológica, será impossível competir com as indústrias e nações que estarão na vanguarda, especialmente a China, que vem investindo pesadamente e tem a vantagem de poder queimar etapas, visto que sua indústria automotiva é das mais novas.

É importante e urgente buscar o consenso em torno de políticas para viabilizar o carro elétrico no Brasil, pois nossa energia elétrica é gerada, predominantemente, por fontes renováveis, podendo no futuro distante praticamente zerar a emissão de gases do efeito estufa no automóveis. Mas é preciso entender que isso pode ser feito sem prejudicar as apostas brasileiras no etanol e no pré-sal. Hoje o diesel é o principal combustível consumido no país. Novas tecnologias permitem que os veículos pesados possam substitui-lo por etanol. Os ônibus a etanol com os eficientes motores híbridos seriam uma benção contra o ar tóxico das grandes cidades. Em um segundo momento, a meta é os caminhões. Assim, o ar das grandes cidades será cada vez mais saudável e se economizará na importação de diesel, que alcançou US$ 4 bilhões em 2008. A utilização do etanol em veículos de ciclo diesel manterá suas exportações crescentes.

De qualquer forma, convém lembrar que a expansão dessas tecnologias será irremediavelmente lenta para superar o declínio da oferta de petróleo frente ao crescimento da demanda por energia. O mundo ficará mais limpo, mas continuará sedento pelo petróleo do pré-sal.
Extraído de cartacapital.com.br

Um exemplo a ser seguido

A União Européia, a partir de 2012, proibirá o comércio de madeira cuja origem não possa ser comprovada, trocando em miúdos madeira ilegal.

A medida afeta diretamente a Amazônia brasileira que exporta grande parte de sua madeira para a região. Com essa lei, quem sabe o controle sobre a exploração madeireira no país seja exercido de forma mais eficaz assim como a sua propagação como exemplo a ser seguido, e que de fato seja, se dê por todo o mundo...


A União Europeia proíbe o comércio de madeira ilegal em seu território. A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira

Depois de sete anos de discussões, promessas e adiamentos, a União Europeia decidiu proibir, a partir de 2012, o comércio de madeira sem garantia de origem em seus 27 países. O produto só terá permissão para entrar nesses territórios se os compradores puderem comprovar que rastrearam sua origem e dispõem de informações completas sobre todos os elos da cadeia produtiva, inclusive os nomes das pessoas responsáveis pelo corte das árvores e os locais de onde elas foram retiradas.

A legislação foi aprovada pelo Parlamento Europeu com 644 votos a favor, 25 contra e 16 abstenções. O texto da nova lei estipula que quem não tiver as informações solicitadas perderá a licença para operar. podendo, inclusive, ser preso. Isso vale tanto para os importadores de madeira quanto para os revendedores, a indústria moveleira, a construção civil, o varejo, enfim todos que operam com o produto.

A votação no Parlamento Europeu será agora encaminhada ao Conselho Europeu, o órgão que reúne os chefes de Estado e de governo dos 27 países, para ser homologada – já existe um acordo prévio para isso. Em seguida, cada país realizará sua própria regulamentação, prevendo os casos passíveis de condenação e as penas para os infratores.

A decisão terá impacto direto sobre a Amazônia brasileira, pois 47% da madeira consumida na Europa têm sua origem na região. É um golpe pesado no esquema que controla a exportação de madeira obtida de forma predatória. O produto é cortado ilegalmente e esquentado por esquemas de corrupção que envolvem empresas, e até funcionários públicos, numa trama que vai além da madeira.

Conexões Sustentáveis - De acordo com a pesquisa “Quem Se Beneficia com a Devastação da Amazônia”, realizada em 2008 pela Papel Social e pela ONG Repórter Brasil, os elos da devastação começam com a grilagem de terras públicas, o corte das árvores para limpeza do terreno, a entrada da pecuária e, em seguida, o plantio de grãos. A pesquisa também revelou que a maior parte dos produtos oriundos da devastação acaba chegando a São Paulo, direta ou indiretamente. Carne, madeira e grãos vêm da região amazônica praticamente direto para os consumidores. Já o carvão, outro derivado do desmatamento, é usado na fabricação do ferro gusa, fundamental para a indústria de autopeças.

Para mobilizar as cadeias de valor dos setores da pecuária e da madeira em prol da preservação da floresta em pé, o Fórum Amazônia Sustentável, o Instituto Ethos, o Movimento Nossa São Paulo e outras entidades organizaram a iniciativa
Conexões Sustentáveis São Paulo–Amazônia.

Por meio de pactos setoriais, os agentes das principais cadeias de valor ligadas ao desmatamento comprometeram-se com o financiamento, a distribuição e a comercialização apenas de produtos com certificação (ou que estejam em processo de regularização) e provenientes de fornecedores que não façam parte da “Lista Suja do Trabalho Escravo” do Ministério do Trabalho nem estejam em áreas embargadas pelo Ibama.

A Prefeitura de São Paulo também se comprometeu a desenvolver políticas públicas que contribuam para uma Amazônia Sustentável. Bom exemplo desse compromisso é a Lei 15.120, de 15 de janeiro de 2010, que estabelece controle ambiental e social para a compra de carne bovina pelo município.

Além disso, prefeituras de vários municípios do Brasil também estão exigindo madeira com garantia de origem nas compras públicas.

Tais legislações, no entanto, ainda carecem de regulamentação. De qualquer maneira, tanto as iniciativas nacionais quanto a da União Europeia servem de exemplo para que Estados e municípios brasileiros adotem medidas semelhantes. Já é possível rastrear a madeira e, mais importante, a madeira legal já é um dos itens mais importantes da economia brasileira.

Em 2003, o Instituto de Economia Agrícola do Estado de São Paulo calculou que o PIB gerado pelo setor florestal brasileiro estava no patamar dos US$ 20 bilhões anuais. Dessa quantia, US$ 8 bilhões vinham da indústria da madeira, sendo que US$ 5,5 bilhões eram oriundos da exportação de madeira sólida vinda de florestas plantadas no Sudeste e Sul do país. O setor emprega 13% da população economicamente ativa do país.

Extraído de cartacapital.com.br

Mais um ?

Mal o mundo vem se recuperando da crise do final de 2008 e já se pronuncia outra crise. Desta vez para a UE, coitada de Grécia, que pode se ver as voltas mais uma vez com uma nova crise caso não controle a relação receita/despesa e que já se ensaia através de indicativos como o aumento da pobreza; contudo, isso ainda não pode ser dado como certo.

Equilibrar receitas e despesas é uma lição simples mas parece que o mundo insiste em não querer aprender, salvo algumas exceções como o nosso país que também só se salvou por causa de seu mercado interno diga-se de passagem.



O crescimento dos níveis de pobreza nos desenvolvidos mantém a economia mundial sob estresse.
O próximo ato da crise pode ser ainda mais trágico


Nesta primeira semana de julho, as várias tribos de economistas deste nosso espaço globalizado foram chamadas a se manifestar sobre o ceticismo do respeitado professor Roberto Shiller quanto à recuperação dos países da Eurolândia atingidos pela segunda crise financeira provocada pela irresponsabilidade fiscal dos governos, aliada às patifarias dos mercados financeiros.

Numa recente entrevista, ele revelou sua frustração diante da falta de confiança que existe nos países desenvolvidos quanto a uma resposta positiva à crise na maioria das economias europeias. O professor Shiller acredita que é maior que 50% a probabilidade de que o mundo entre em um novo período de recessão por conta dessa crise europeia, que na verdade é a continuação daquela de setembro de 2008.
As opiniões do professor Shiller são ouvidas porque se trata de um profundo conhecedor dos problemas que tumultuam os sistemas financeiros, particularmente o mercado imobiliário. Escreveu obras extraordinárias, dentre as quais o famoso texto Animal Spirit, que tem edição em português.
É preciso relativizar, no entanto, o peso do seu comentário a respeito da probabilidade de outra recessão. Ele mesmo fez questão de chamar a atenção para o fato de que não está apoiado em nenhum estudo novo, mas apenas no seu próprio sentimento. “Não tenho atrás de mim nenhuma teoria nem o resultado de alguma experiência; apenas eu sinto, simplesmente, que existe essa probabilidade de um segundo mergulho no nível de atividade da economia mundial ...”

Como podem ser medidos, então, os 50% ou mais de probabilidade? Ela é apenas a frequência com que um fato se repete e, como não houve nenhuma experiência, não há nada a medir. Então, tanto faz dizer que a probabilidade é de 50%, ou menos, que as coisas não mudam, neces-sariamente. Agora, por que é preciso prestar atenção a uma conjectura como esta? Porque as consequências de um segundo tombo, quando ainda não estão curadas as fraturas do primeiro, são simplesmente aterradoras.

É evidente que a maior parte dos 30 milhões de desempregados desde a crise iniciada nos Estados Unidos em 2008 não foi reabsorvida no mercado de trabalho. O crescimento dos níveis de pobreza nos países desenvolvidos continua a manter a economia mundial sob estresse, o comércio global reduz as perspectivas de expansão e aumenta a volatilidade nos mercados financeiros. Isso, obviamente, põe dificuldades para a aceleração do desenvolvimento nos países que não contribuíram para o primeiro ato da tragédia nem são responsáveis pelo segundo, que, se confirmado o sentimento do professor Shiller, conduzirá a um desenlace ainda mais trágico.

Os governos que socorreram a banca envolvida na patifaria, com recursos extraídos do setor produtivo parecem não entender que haverá alguns milhões de trabalhadores a menos, que já não terão renda para ser expropriada numa segunda oportunidade. A lerdeza com que estão trabalhando para aprovar a regulação que proteja a sociedade da concupis-cência dos agentes financeiros e suas inovações tóxicas é uma indicação de que não aprenderam nada com a história. Nem a do século passado e suas terríveis consequências nem a da última década com o empobrecimento dos povos.

Quando se olha de perto o que aconteceu, não podemos deixar de lembrar a célebre descoberta de Hegel na sua Introdução à Filosofia da História: “O que a experiência e a história nos ensinam é que os povos e os governos nunca aprendem nada com a história ou usam os princípios dela deduzidos”.
Nunca foi tão útil entender e tirar da história as lições que reduzam a probabilidade de novo erro. Essas lições não se circunscrevem à necessidade de construção de um sistema monetário e financeiro hígido, estável e devidamente regulado para financiar o sistema produtivo e as inovações que são a base do crescimento da produtividade do trabalho. Um fato importante que se pode extrair da crise é que ela mostrou a velocidade com que controles fiscais aparentemente bem-sucedidos podem deteriorar-se e ameaçar o equilíbrio dos países.

A lição maior da crise é que a percepção da existência de um sólido equilíbrio fiscal de longo prazo e uma apropriada relação Dívida Pública/PIB (corretamente medida) são fundamentos do sucesso da boa governança. Esses fundamentos dão aos governos a capacidade de bem cumprir o seu papel no enfrentamento das crises de oferta ou procura globais.
O Brasil tem sido até agora um bom exemplo do sucesso dessa lição.

Extraído de cartacapital.com.br

Pra não assumir o erro

A Coréia do Norte, acusada de derrubar uma corveta sul coreana, não compareceu a reunião na ONU para discutir as causas do afundamento do navio alegando "motivos administrativos".

Claro que isso não significa que o país "abandonou" as conversações como diz a matéria abaixo, mas sim mostra indícios de que o país tem "culpa no cartório" e que talvez queira ganhar tempo para poder se defender da melhor forma das acusações que com certeza serão proferidas contra ele...

Resta saber se esse tempo que eles conseguiram vai servir para alguma coisa... acredito que não...

SEUL (Reuters) - A Coreia do Norte cancelou abruptamente negociações que estavam programadas para esta terça-feira com o comando da Organização das Nações Unidas (ONU), liderado pelos EUA, que supervisiona a trégua da Guerra da Coreia, ao deixar de comparecer à primeira reunião para discutir o naufrágio de um navio de guerra sul-coreano.


Representantes militares da Coreia do Norte pediram um adiamento "por motivos administrativos", disse o Comando da ONU em comunicado. Segundo uma autoridade, o país pode ter decidido que não estava pronto para as negociações. Uma nova data ainda não foi estabelecida.


Uma equipe conjunta de investigadores envolvendo autoridades militares e especialistas civis da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e da Suécia acusaram em maio a Coreia do Norte de lançar um torpedo contra a corveta sul-coreana Cheonan em março, matando 46 marinheiros.


O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da China, Qin Gang, reiterou um pedido para que todos os partidos retomem os diálogos, e demonstrou novamente preocupação com os exercícios militares programados entre os Estados Unidos e Coreia do Sul.


"Problemas na Península Coreana só poderão ser resolvidos por métodos pacíficos de diálogos e negociações", disse Qin durante coletiva de imprensa em Pequim. "Uma guerra de palavras, ou até usando meios militares, não poderá resolver fundamentalmente as questões."


O Conselho de Segurança da ONU condenou o ataque em um comunicado na sexta-feira, mas não acusou diretamente a Coreia do Norte. O país nega seu envolvimento no naufrágio e acusou o Sul de fabricar o incidente para adquirir vantagem política.

Extraído de msn.com.br

domingo, 11 de julho de 2010

Cinema, Pipoca e Geografia! - Diamantes de Sangue

A indicação de hoje vem de um trabalho que fiz para umas das minhas disciplinas na faculdade. Trata-se de "Diamantes de Sangue"


Diamantes de Sangue


Inicialmente é abordado pelo filme o conflito entre o governo de Serra Leoa e a FRU (Frente Revolucionária Unida) em 1999, pelo controle das minas de diamantes. Os conflitos sempre são marcados no filme pelo massacre mais intenso de civis do que a morte dos envolvidos de fato nessa guerra.

É em um desses ataques da FRU a vilarejos que a história do filme começa. Um pescador vê seu vilarejo ser atacado pela FRU e tenta defender sua família, mas seu filho acaba sendo levado pelo grupo para ser treinado por eles, o que mais tarde resultará em uma cena marcante no filme onde filho tentará matar seu pai, o pescador, que o convence a não praticar tal ato[1]; já sua mulher e filhas sobrevivem ao ataque e conseguem fugir; e o pescador é capturado pela FRU sendo forçado pelo grupo a trabalhar no garimpo de diamantes. Ao mesmo tempo em que um traficante de armas está em outro local do país negociando armas em trocas de diamantes com a mesma FRU.

Posto a história dos dois personagens principais o filme, posteriormente, faz um bom apanhado dos motivos pelos quais a guerra existe, dentre os quais estão a exploração das minas de diamantes, por parte dos rebeldes, para trocar por armas e a venda dos diamantes para o mercado externo através de um esquema ilegal que envolve países por todo o mundo, mas que possuem como grandes compradores e, por conseguinte, mantenedores desse conflito a Europa e os Estados Unidos que os compram com a finalidade de vendê-los como adornos de luxo.

É no meio desse esquema gigante que as histórias dos principais personagens se fundem: o pescador ao trabalhar forçadamente explorando diamantes para a FRU acha um diamante de enorme valor e tenta ficar com ele para si, mas não consegue, pois o capataz percebe o seu intento e, concomitantemente a este fato, a área de exploração de diamantes onde ele trabalha é encontrada pelo exército do governo causando um conflito no local que permite ao pescador esconder o diamante enterrando-o, mas também que culmina com a sua prisão e de seu capataz.

Já o traficante é detido por tentar atravessar diamantes para a Libéria, onde segundo o filme há um esquema no qual os diamantes extraídos sem controle de Serra Leoa são atravessados para o seu fronteiriço, a Libéria, para serem vendidos legalmente neste país, que o legaliza alegando serem diamantes extraídos de seu território. Nesta parte do filme presenciamos também diversos esquemas utilizados pelo traficante para tentar atravessar os diamantes pela fronteira entre os países supracitados e os esquemas vão desde o suborno até esconder os diamantes sob a pele de animais.

Assim os dois personagens acabam na cadeia e no local o antigo capataz do pescador revela a todos na cadeia que o mesmo escondera um diamante de valor inestimável e que oferecia uma recompensa a qualquer um que fizesse o pescador dizer onde ele escondeu exatamente o diamante. Ninguém na cadeia dá crédito ao capataz, exceto o traficante que se utiliza de seus contatos para sair da cadeia e, posteriormente, retirar o pescador de lá.

Os dois travam um acordo entre si onde em troca do diamante o traficante ajuda o pescador a reunir novamente sua família. Diante deste acordo os dois praticamente cruzam o país em meio à guerra e, ao longo desse percurso, aspectos do conflito são abordados como os constantes embates entre os rebeldes e o governo que se dão quer seja no campo, quer seja na cidade onde os civis são sempre os mais atingidos; a fuga em massa da população das áreas de conflito para outras áreas do país onde a ONU dava guarita ou os conflitos ainda não tinham ocorrido e até mesmo para outros países como a Guiné, onde o pescador encontraria parte da sua família; e a existência de milícias que não possuem ligações nem com o governo e nem com a FRU e cujo intuito, pelo menos o único visível no filme, era o de recuperar que eles conseguiram resgatar das mãos da FRU.

Ao longo do filme são vivenciados por ambos os personagens situações que podem ser utilizadas inclusive como base para as nossas críticas quanto ao mesmo que serão explanadas mais adiante. As situações dizem respeito à mentalidade colonialista que se faz presente em uma conversa entre os protagonistas do filme onde o pescador diz ao traficante que uma vez lhe haviam dito que o país nem sempre fora dessa forma e que era muito melhor quando governado pelos brancos e continuaria a ser assim se os mesmo ainda governassem.

Já a outra situação mostra o quanto o país, ou melhor, o continente, sempre fora explorado e sempre foi explorado e vítima de conflitos e crueldades; o que é retratado no filme quando os personagens encontram uma milícia onde o que parece ser o presidente da mesma lhes explica que o continente sempre conviera com guerras e atrocidades muito antes daquela vivenciada por eles. Para exemplificar o que ele diz o mesmo cita o rei Leopoldo que, quando da dominação belga em parte do continente africano, mandava cortar a mão de 1 em cada 100 escravos como forma de controle.

Acreditamos que tais fatos, acima citados, expostos no próprio filme servem para criticar a utilização da frase “AEA – A África é Assim”. A mesma é utilizada por diversas vezes no filme e sempre com o intuito de mostrar que a guerra de Serra Leoa está ocorrendo por que na África as coisas são assim mesmo e só se resolvem dessa forma.

Porém o próprio filme dá elementos, como o supracitados, além é claro da história e da geografia que derrubam essa visão fatalista exposta na frase, revelando que não só em Serra Leoa, mas no continente africano com um todo os conflitos ocorreram e ocorrem em virtude de longas décadas de exploração desenfreada por outros países que até mesmo quando se retiraram deixaram traços que permitissem, disseminassem ou até mesmo mantivessem conflitos dentro do continente; dentre esses traços podemos citar tanto as fronteiras artificiais quanto a concentração do poder de um país na mão de uma única etnia.

Quanto ao desfecho do filme acreditamos que foi o mais sensato já que pescador além de conseguir reunir sua família, conseguiu ficar com o diamante e ainda denunciou o esquema de compra dos diamantes extraídos de forma ilegal de seu país; conseguindo assim tanto ter a sua família de volta e em paz quanto ficar com aquilo que fora extraído com seu esforço e não mais será vendido de forma ilegal a terceiros vindo a não gerar para o seu país divisas que possam ser investidas na melhoria das condições sociais da nação. O final foi uma utopia que, mesmo se tratando de um final de filme, poderia ser uma realidade mais do que justa com um continente que ao longo dos séculos vem sendo sistematicamente castigado.

Contudo acreditamos que o filme retrata muito bem a questão da guerra civil em Serra Leoa bem como o tráfico internacional de armas e diamantes; o mesmo também serve como instrumento de apoio em aulas visando uma melhor compreensão de como se dão as guerras neste continente assolado por tantos e tantos conflitos.






[1] Podemos presenciar essa mesma situação, o uso de crianças em exércitos rebeldes, em outros filmes que tratam da mesma temática como “O Senhor das Armas”

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Jogo de interesses

Os EUA agora estão dando uma força para a Turquia entrar na União Européia; o que não ocorre por questões históricas de rivalidade entre a Turquia e a Grécia (que já é membro da União Européia); bem como pelo fato do país ser pobre. E isso nem tem nada a haver com fato dos EUA querem se aproximar ainda mais do único país muçulmano que é seu aliado tanto politicamente, fazendo parte da OTAN, quanto econômicamente, em transações comerciais.

É... o jogo de interesse não para, aliás, é o que move o mundo, infelizmente.

Roma, 8 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aposta em fazer a Turquia se sentir parte da "família" da União Europeia (UE) para propiciar que este país que tem influência "positiva" no mundo muçulmano fomente os laços com o Ocidente.


Em entrevista publicada nesta quinta no jornal italiano "Corriere della Sera", o presidente americano fala do futuro do Afeganistão e do momento atual das relações internacionais da Turquia, depois do ataque à embarcação que seguia para Gaza, que provocou a morte de nove pessoas e ferimentos em dezenas, tenha esticado a diplomacia com Israel.


Turquia é um "aliado da Otan e sua economia está em expansão. Além disso, o fato de ser uma democracia e um país de maioria islâmica o torna modelo importante para outros países muçulmanos. Por estas razões, consideramos positivo cultivar fortes relações com Ancara", comenta Obama.


"E esta é a razão pela qual, embora não somos membros da UE, sempre expressamos a opinião que seria sábia aceitar à Turquia na União. Reconheço que isto desperte sentimentos fortes na Europa e não acho que o ritmo lento ou a rejeição europeia seja o único ou predominante fator na raiz de algumas orientações observadas recentemente no comportamento turco", acrescenta.


Mas, como diz o presidente americano, a não aceitação da Turquia na UE influencia no modo como o povo turco vê à Europa: "Se não se sentem parte da família europeia, é natural que terminem olhando para outro lado para buscar alianças".


"Apesar de que algumas coisas vistas, como a tentativa de mediar um acordo com o Irã sobre o tema nuclear, foram desafortunados, acho que foram motivadas pelo fato de que a Turquia tenha uma longa área de fronteira com o Irã e não quer nenhum tipo de conflito", comenta Obama.


"O que nós podemos fazer com Ancara é mantê-la em nossos compromissos, mostrar-lhe as vantagens que tem para eles a integração com Ocidente, com respeito a sua qualidade específica, a de uma grande democracia islâmica, e não atuar com medo por isto", acrescenta.


O presidente dos Estados Unidos assegura que ainda resta muito trabalho por fazer para estabilizar o Afeganistão, com uma estratégia que "prevê um aumento das tropas no terreno para debilitar a recuperação dos talibãs e conseguir um maior compromisso na construção dos aparatos militares e de segurança afegãos".


"Antes da metade do ano que vem deveríamos começar a transição, mas isso não significa que será de uma tacada só. É mais, começaremos a ver tropas da Polícia afegã a tomar nosso lugar e, portanto, uma gradual redução de nossa presença, compensada por um maior esforço afegão", incide Obama.


"Será duro, será difícil, mas penso que é possível. Sobretudo se olharmos para o feito que os talibãs não têm o apoio do povo afegão: esta não é uma insurreição que tem o apoio popular. As pessoas ainda lembram quando eles estavam no poder. Mas o terreno é duro e o país, pobre. O Governo nacional tem ainda pouca capacidade, mas cresce", acrescenta.


O chefe da Casa Branca acredita que este é o motivo pelo qual se deve vencer não só no terreno militar, mas também ter êxito no treinamento das forças afegãs e no desenvolvimento econômico do país.

Extraído de msn.com.br

Claro que iria acabar nisso

A ONU tornou público esta semana um texto dizendo que condena o ataque a corveta sul-coreana e, não de forma direta, responsabilizou a Coréia do Norte pelo ataque.

Era lógico que a ONU iria fazer parte da turma do "deixa disso" nessa questão, leia-se os padrinhos dos dois países envolvidos na questão que já fora explicado em posts anteriores, para tentar silenciar os dois países.

A guerra, nesse caso, é improvável assim como a paz é impossível.


NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou nesta sexta-feira o que chamou de ataque que levou ao afundamento de uma embarcação sul-coreana em março, mas em uma concessão à China não responsabilizou explicitamente a Coreia do Norte.

Em declaração aprovada por todos os seus 15 membros, o Conselho manifestou "profunda preocupação" com os achados de um painel investigativo, liderado pela Coreia do Sul, de que a Coreia do Norte afundou a corveta naval Cheonan, mas ressaltou que Pyongyang negou responsabilidade no caso.

O embaixador da Coreia do Norte na ONU, que advertira que qualquer ação do Conselho sobre o incidente provocaria uma resposta militar de Pyongyang, descreveu o comunicado como uma "grande vitória diplomática" para seu país.

O diplomata Sin Son-ho também afirmou em uma breve declaração a jornalistas que Pyongyang espera "continuar com o processo de desnuclearização na península coreana por meio das conversações a seis", com Coreia do Norte, Estados Unidos, China, Rússia, Coreia do Sul e Japão.

Não estava claro se Pyongyang agora gostaria de voltar às negociações, declaradas encerradas pelo país no fim de 2007.

A declaração do Conselho foi praticamente idêntica ao esboço aprovado pelos cinco membros permanentes, incluindo a China, e ainda pelo Japão e pela Coreia do Norte. O esboço foi passado pelos Estados Unidos a todos os membros na quinta-feira.

A Coreia do Sul atribui o afundamento ocorrido em 26 de março, no qual 46 marinheiros sul-coreanos morreram, a um ataque de torpedo da Coreia do Norte. O país levou a questão ao Conselho de Segurança em 4 de junho, solicitando medidas para deter "novas provocações da Coreia do Norte."

A redação da declaração do Conselho levou semanas, e o processo foi atrasado pela China. Acredita-se que a China esteja preocupada com a perda de influência sobre Pyongyang no momento em que o líder norte-coreano, Kim Jong-il, prepara o caminho para sua sucessão.

O Conselho de Segurança afirmou que o ataque --termo que descarta a possibilidade de acidente no afundamento da Cheonan-- "coloca em risco a paz e a segurança na região e além."

"O Conselho de Segurança condena o ataque que levou ao afundamento da Cheonan", lê-se na declaração.

O documento elogia Seul pela reação comedida ao naufrágio, salientando "a importância de se evitar novos ataques do tipo ou hostilidades contra (a Coreia do Sul)" e pediu pela manutenção da paz e da segurança na península coreana.


Extraído de msn.com.br

quarta-feira, 7 de julho de 2010

As consequências da tragédia no NE

Os prejuízos causados pelas chuvas em Alagoas devem passar de R$ 1 bilhão, somados os danos materiais, ambientais, econômicos e sociais, segundo dados preliminares da Defesa Civil Estadual, com base nos relatórios de avaliação de danos produzidos pelas prefeituras dos municípios atingidos pelas enchentes. A Defesa Civil alagoana divulgará amanhã o valor total de prejuízos.


Entre os prejuízos materiais, calculados em torno de R$ 800 milhões, estão incluídos os danos provocados em cerca de 80 escolas públicas e mais de 45 unidades de saúde destruídas ou danificadas pelos temporais. Nos danos econômicos, contabilizados em mais de R$ 102 milhões, estão computados os prejuízos causados na agricultura, principalmente na lavoura de cana-de-açúcar e na produção de laranja lima, na região de União dos Palmares e Santana do Mundaú, segundo a Defesa Civil.


Os danos sociais, estimados em mais de R$ 32 milhões, incluem os prejuízos causados pelo desemprego nas cidades e no campo. Em Branquinha, a 69 quilômetros de Maceió, todas as lojas do comércio foram destruídas. Os prejuízos ambientais, calculados inicialmente em torno de R$ 23 milhões, devem dobrar ou triplicar de valor, de acordo com a Defesa Civil, com a incorporação dos danos causados às lagoas Mundaú e Manguaba.






Extraído de msn.com.br

Subindo !

É inegável que a economia brasileira tem crescido como há muito não se via... mesmo com a crise econômica de 2008/2009  que ainda tem seus resquícios, a Grécia que o diga, o nosso país conseguiu se sair muito bem, foi o segundo menos afetado no mundo perdendo apenas pra Índia, e consegue ir caminhando na direção do crescimento econômico.

Falta apenas melhorar a distribuição da renda...



A economia brasileira finalmente reencontrou sua capacidade de crescimento. O avanço atual
do PIB per capita equivale ao do período entre 1948 e 1984, quando o nosso desenvolvimento permaneceu em um dos ritmos mais elevados do Ocidente

A divulgação dos índices de expansão da economia entre o último trimestre do ano passado e o primeiro trimestre deste ano produziu uma grande excitação envolvendo as estimativas sobre qual a taxa de crescimento do PIB que estamos vivendo e, por extensão, qual vai ser o resultado neste último ano de governo Lula.

O ritmo forte de aumento de 2,7% do PIB entre os dois trimestres confirma que estamos num processo de crescimento bastante robusto. Não vejo motivo para que não continue a ocorrer vigorosamente. Não devemos apenas estimar níveis de desenvolvimento que estão fora da capacidade brasileira de produzir com equilíbrio interno e externo. De fato, é pouco provável que a economia possa manter a mesma intensidade de crescimento até o fim do ano.

O mais importante de tudo é compreender que o Brasil finalmente recuperou a sua capacidade de desenvolvimento. Esse não é um aspecto novo na economia brasileira. Vamos olhar um pouco no retrovisor, por exemplo, para o período pós-Segunda Guerra Mundial, a última grande guerra do século XX: de 1948 a 1984, o Brasil cresceu 7,5% ao ano, até o desenvolvimento ser interrompido durante a dupla crise de energia (como importadores de petróleo) e do balanço de pagamentos, devido à necessidade do endividamento entre 1975 e 1979 para pagar as importações.

Aquela economia robusta prevaleceu por mais de 30 anos seguidos, quando o crescimento brasileiro foi um dos maiores (se não o maior) dentre os países do Ocidente. A partir da metade dos anos 80, o desenvolvimento foi interrompido por vários desequilíbrios, em várias crises, e o Brasil reduziu sua taxa de crescimento a 2,4% anuais, em média, até este início do século XXI, quando a economia finalmente reencontrou sua capacidade de crescimento.

As estimativas do governo, moderadas, são de crescimento de 0,35% do PIB entre trimestres, significando um crescimento anual de 6,3% ou 6,4% em 2010, o que já seria um resultado muito bom. Minha estimativa é mais otimista: acredito que o Brasil vai crescer em torno de 8% em 2010, mas sem esquecer que a taxa de crescimento vai declinando no período e deverá estar rodando lá pelo fim do ano em alguma coisa parecida com 6,5%. Vamos caminhar depois para níveis de expansão anuais entre 5% e 6%, que são as taxas de crescimento normal de uma economia como a brasileira. É nesse intervalo, aliás, que se situa a estimativa (5,5% a.a.) para o crescimento sustentável da economia a longo prazo, abrangendo o período de realização das obras da fase 2 do Programa de Aceleração do Crescimento até 2014.

Hoje um crescimento do PIB nesses níveis é equivalente àquela formidável aceleração do desenvolvimento à taxa anual de 7,5% do PIB no passado, porque o índice de crescimento da população brasileira caiu de 2,4% anuais para menos de 1% ao ano. O que interessa realmente é o crescimento per capita, que vai ocorrer praticamente à mesma taxa daqueles momentos de grande e robusto crescimento dos anos 50 até o início dos 80 no século passado. Não devemos, portanto, ficar assustados, como se a rapidez do crescimento atual colocasse em risco a estabilidade, porque o que está rolando no Brasil é um processo altamente positivo, que já aconteceu naqueles períodos de maior progresso econômico.

Temos apenas de ter consciência de que a taxa de crescimento vai se amenizar (aliás, já está amenizando). Se admitirmos um crescimento entre trimestres de 0,35%, como estima o governo, vamos terminar o ano com 6,3% ou 6,4%. Minha estimativa, porém, é de que a relação de crescimento entre trimestres será declinante, o que resultará em um crescimento entre 7,5% e 8% do PIB em 2010, mas terminando o ano com menor velocidade, crescendo um pouco abaixo de 6%. Em seguida, devemos continuar convergindo para o intervalo entre 5% e 6%, que é o crescimento suficiente e necessário para retornar ao desenvolvimento robusto que já tivemos no passado.

Extraído de cartacapital.com.br

Mineração e Siderurgia no país

Este artigo da Carta Capital traça um belo panorama sobre a siderurgia e a mineração no país no que tange o futuro de ambas sob a regência da maior empresa privada do país, a Vale.

A empresa começa  a dar seus passos na siderurgia mas não larga a sua maior fonte de lucro, a mineração. O problema é que os investimentos na mineração estão pautados em uma falsa segurança que pode se desfazer ao longo dos anos de que o mercado chinês absorverá grande parte do minério de ferro exportado pela Vale; outro problema que se faz presente é a lentidão do grupo em investir na siderurgia, o que permitiria agregar valor ao minério exportado pela empresa além de prover para a mesma um outro mercado consumidor de seus minérios que não somente a China, que seria o mercado interno.

Até porque, de que adianta quase que duplicar a capacidade de produção de minério de ferro se não tiver para quem vender...


Até 2016, a indústrial nacional pode produzir 77 milhões de toneladas
Poucos dias depois de participar da inauguração da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), o presidente da Vale, Roger Agnelli, fez questão de esclarecer que a participação da companhia no setor deve ser transitória. A maior empresa privada do País tende a continuar a apostar suas fichas na exportação de minério de ferro, a principal matéria-prima para a produção do aço. “A Vale continua focada em mineração. A participação em siderurgia é uma participação de fomento”, disse Agnelli em entrevista a O Estado de S. Paulo na terça-feira 22. Com a declaração, o Executivo mais uma vez assegurou aos acionistas e ao mercado financeiro que a companhia não vai se desviar de sua atividade mais lucrativa, apesar das pressões para que agregue valor ao seu negócio.

Localizada no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, a CSA é uma das maiores e mais modernas usinas de aço do mundo. No Brasil é o maior investimento realizado no setor desde 1986, quando a Açominas inaugurou sua siderúrgica em Ouro Branco, Minas Gerais. O complexo da CSA engloba dois altos-fornos, porto e uma termoelétrica abastecida pelos gases gerados no próprio processo de produção das chapas. Quando operar no limite de sua capacidade, produzirá até 5 milhões de toneladas de aço bruto por ano. Sua construção consumiu 8,2 bilhões de dólares e empregou cerca de 30 mil trabalhadores. A Vale colocou pouco mais de 2,2 bilhões de dólares na CSA, da qual detém 26,8% do capital. Os 73,13% restantes pertencem à ThyssenKrupp Steel (TKCSA), maior produtora de aço da Alemanha.

Além da CSA, a Vale está envolvida em três novos projetos de siderurgia, com capacidade para produzir mais 13,5 milhões de toneladas de aço. São eles a Aços Laminados do Pará (Alpa), a Companhia Siderúrgica do Pacém (CSP), no Ceará, e a Companhia Siderúrgica Ubu (CSU), no Espírito Santo. Agnelli ainda procura parceiros estrangeiros para tirar todos os projetos do papel, o que vai exigir mais 12,8 bilhões de dólares, mas encontra dificuldades. Por enquanto, apenas a CSP conta com um investidor estrangeiro, a coreana Dongkuk. Especialistas dizem ter dúvidas se a Vale vai realmente levar os projetos adiante se os parceiros não aparecerem. A companhia assegura que sim.

Em contrapartida, especula-se que a Vale tenha planos de investir até 40 bilhões de dólares em novos projetos de minério de ferro nos próximos quatro anos. O objetivo da companhia é aumentar a produção da matéria-prima em 50%, dos atuais 300 milhões de toneladas para até 450 milhões, em 2014. Se a companhia hesita em investir em siderurgia, na área de mineração a ordem é colocar o pé no acelerador. A razão é simples: ao exportar minério para a China, os lucros da Vale são muito maiores. Em 2010, observa Felipe Reis, analista de siderurgia e mineração do Santander, o preço do material subiu 120% em relação ao nível praticado no ano passado. “A tendência é de que os preços se mantenham em níveis bastante elevados pelos próximos quatro anos”, afirma.

Segundo dados da Aço Brasil, o País possuía até a inauguração da CSA capacidade para produzir cerca de 42 milhões de toneladas de aço em seu parque siderúrgico – nos últimos 12 meses, a produção foi de 31,4 milhões de toneladas. Participantes do mercado calculam que o setor pretenda investir até 40 bilhões de dólares a fim de aumentar essa capacidade para 77 milhões de toneladas, em 2016. “No entanto”, pondera Reis, “provavelmente nem todos os projetos já anunciados vão sair do papel”. Além de ser uma atividade menos atraente do ponto de vista do retorno financeiro, se comparada à mineração, a siderurgia brasileira esbarra em questões conjunturais. Anualmente, a China aumenta sua produção de aço em mais de 50 milhões de toneladas – mais do que toda a capacidade atualmente instalada no Brasil. O país atualmente responde por metade de toda a produção de aço do planeta, estimada pela World Steel Association em 1,2 bilhão de toneladas. A maior preocupação dos potenciais investidores é que, num futuro não muito distante, o gigante asiático não consiga absorver todo esse volume. Se isso acontecer, os chineses podem inundar o mundo com aço barato.

Por essa razão, as siderurgias brasileiras tentam atrelar os novos investimentos a parcerias internacionais capazes de assegurar a demanda pelo aço a ser produzido no País. Esse é o modelo adotado na parceria entre a Vale e a Thyssen na construção da CSA. A mineradora brasileira vai fornecer todo o minério de ferro a ser consumido pela nova siderúrgica, um volume estimado em 8 milhões de toneladas. E todo o aço bruto que a CSA produzir será exportado para as unidades da Thyssen na Europa e nos Estados Unidos, onde será realizada a laminação – um estágio mais avançado de processamento.

Acredita-se que outras empresas estrangeiras possam transferir suas fundições para o Brasil, onde os custos e as restrições ambientais são menores, com o objetivo de importar produtos semiacabados e laminá-los em seus próprios países. “Atualmente, só faz sentido investir em uma siderúrgica no Brasil se houver um comprador cativo no exterior. A Usiminas mantém engavetado um projeto de usina para 5 milhões de toneladas, porque não tem uma ponta compradora lá fora”, afirma Pedro Galdi, analista de mineração e siderurgia da SLW Corretora.

Apesar das incertezas, é grande a pressão do governo para que a Vale ajude a desenvolver o setor siderúrgico no Brasil. Especialistas afirmam que a mineradora precisa diminuir sua dependência das exportações para a China, assegurando uma maior demanda interna – dessa forma, a companhia inverteria a vantagem geográfica de que gozam suas principais concorrentes, as australianas BHP e Rio Tinto, mais próximas da China. Para o Brasil, agregar valor às exportações é fundamental para assegurar que o crescimento econômico não esbarre na deterioração das contas externas. Além disso, o País pode se ver obrigado a importar aço no futuro, caso mantenha o ritmo de expansão atual e não invista no setor. Por fim, desenvolver um parque siderúrgico em estados como o Pará, de onde a Vale extrai boa parte de suas riquezas, seria um passo fundamental para gerar empregos e diminuir as desigualdades regionais.

“Há um contraste entre a lógica privada e a lógica do Estado, no caso da Vale. O governo, por meio do BNDES e dos fundos de pensão, que participam do controle acionário da empresa, tenta fazer convergir essas duas lógicas”, avalia Marcelo Pinho, professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Um ex-diretor da companhia, que pediu para não ser identificado, nega que a Vale tenha investido em siderurgia devido a pressões governamentais. Por outro lado, considera legítimo que o Estado e a sociedade pressionem a companhia para agregar valor às suas exportações. “É uma forma de controle absolutamente legítima. No capitalismo contemporâneo, as grandes corporações precisam prestar contas à sociedade e não apenas aos acionistas. Não à toa empresas e bancos privados vão à tevê dizer que são sustentáveis, que investem na cultura popular e ou na preservação do meio ambiente. A sociedade espera que as empresas façam sempre mais do que apenas dar lucro”, afirma.
Extraído de cartacapital.com.br

A Copa que você não vê

Estádios faraônicos, vuvuzelas e muita festividade. Essas são as imagens desta copa que todos temos, contudo isso se encerrará no próximo dia 11; apesar do belo espetáculo há coisas que ocorrem durante a copa que não são transmitidas...

Casos como a derrubada de uma escola para a construção de um estádio para a copa, estádios esses que estão sendo carinhosamente chamados de elefantes brancos pelos sul-africanos pois a maioria deles foram construídos apenas para a copa do mundo e não terão serventia alguma após o término do evento; isso sem falar que a manutenção desses queridos elefantes brancos giram em torno de 2 milhões de reais anuais, dinheiro que poderia ser muito bem investido em outros setores que melhorariam a qualidade de vida dos sul-africanos; ou até mesmo protestos por parte dos funcionários que trabalharam temporariamente durante a copa e que receberam da FIFA, segundo eles, um valor menor do que o valor estipulado.

Não há como negar que a copa do mundo é um belo espetáculo, mas o preço que se paga para isso, com certeza, não é nada bonito...

A Copa do Mundo criou aproximadamente 35 mil vagas de trabalho na África do Sul, conforme informação de uma consultoria contratada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa). Apesar da Copa ainda não ter terminado, o efeito dos empregos temporários já são sentidos pelos trabalhadores sul-africanos. De acordo com o índice Adcorp de Emprego, o nível de emprego no país caiu 6,2% entre os meses de abril e maio.

O índice oficial de desemprego continua alarmante, atingindo 25% dos sul-africanos. O desemprego cresce desde 2008, quando 21% da população já não tinha nenhuma ocupação. Segundo a Fifa, os efeitos da crise econômica mundial na África do Sul poderiam ser ainda mais devastadores sem o evento uma vez que 174 mil postos de trabalho não foram fechados em razão da Copa.

A situação é ruim também entre aqueles que se mantêm empregados. Manifestação de trabalhadores por salários maiores foram constantes antes do início do mundial e mesmo durante o evento. Protestos de trabalhadores foram duramente reprimidos pela polícia.

Seguranças contratados pela Fifa também denunciam que não estão recebendo o valor combinado, o equivalente a R$ 275 por partida. Depois do início dos jogos, o valor recebido foi de apenas R$ 90. Enquanto isso, a Federação já anunciou que os lucros da Copa sul-africana já superaram o da Copa da Alemanha e estão em torno de US$ 3,2 bilhões, quase R$ 6 bilhões.

Extraído de cartacapital.com.br



Para não ser uma nova Cuba

Apesar de ser uma organização cujas forças estão se esvaindo ao longo do tempo a OEA ainda mantém sua importância e Honduras, sabendo disso, tenta retornar a organização após ter sido retirada quando seu então presidente, Manoel Zelaya, fora deposto por um golpe de Estado.

A vontade de retornar a organização reside na intenção de Honduras de não ser uma nova Cuba, que foi expulsa da OEA e ficou isolada, e ainda está. Pressão que Honduras não suportaria.

Só para constar, Cuba foi readmitida na OEA em 2009.

Brasília - Há mais de um ano suspensa na Organização dos Estados Americanos (OEA) depois que houve um golpe de Estado no país, Honduras tenta a reintegração na comunidade internacional. O presidente hondurenho, Porfirio 'Pepe' Lobo se reuniu com o secretário-geral da organização, José Miguel Insulza, na tentativa de retomar as negociações e encerrar a punição. A conversa ocorreu em Miami, na última segunda-feira (5).


No diálogo com Pepe Lobo, Insulza ressaltou que a reintegração de Honduras no órgão regional 'não deve ocorrer em meio a um confronto, mas no contexto de um relacionamento cordial com outros países'. Pepe Lobo lembrou que recentemente esteve com o ex-presidente Manuel Zelaya em Santo Domingo, na República Dominicana, em um encontro amistoso.


As informações são da Presidência da República de Honduras. Até o dia 30, uma comissão de juristas da OEA apresenta um relatório informando sobre as condições políticas do país. O objetivo é indicar se há respeito aos direitos humanos e políticos, autonomia entre os Poderes e instituições e liberdade de expressão.


Em seguida, deve ser convocada uma reunião para avaliar o quadro e votar o fim da suspensão de Honduras da OEA. No mês passado, o assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou que para o Brasil, é fundamental garantir os direitos políticos e anistia ao presidente deposto, Manuel Zelaya, e correligionários.


Segundo Pepe Lobo, alguns países exigiram, como condição para o reconhecimento das Honduras, a concessão de imunidade a Zelaya. De acordo com ele, esta é uma prerrogativa aprovada em 2002. O atual presidente informou ainda que há 'vontade' de vários setores no país de 'ajudar' Zelaya a retornar a Honduras. 'Se ele [Zelaya] não vier é porque ele não quer, é um problema pessoal dele', afirmou.


Pepe Lobo fez uma análise sobre a conjuntura política no país. 'Nós sempre dissemos: queremos garantir que não haja contaminação de natureza política, mas há situações que são enfrentadas aqui em Honduras e que não temos imunidade alguma', disse. 'Temos protocolos internacionais que proíbem anistia cobrindo casos de corrupção.'


Em 28 de junho de 2009, Zelaya foi deposto do poder por integrantes do Congresso Nacional, das Forças Armadas e da Suprema Corte de Honduras. No lugar dele assumiu o deputado Roberto Micheletti. Em novembro do ano passado, houve eleições presidenciais e Lobo foi vitorioso. Durante o período, Zelaya passou quase quatro meses abrigado na sede da Embaixada do Brasil em Tegucigalpa (capital hondurenha). Hoje ele vive na República Dominicana.




Extraído de msn.com.br