terça-feira, 29 de novembro de 2016

Como a expansão da produção de energia chinesa pode afetar seus vizinhos?

De 5 em 5 anos a China lança uma espécie de documento onde traça suas estratégias nas mais diversas áreas para o período descrito (sim, são os famosos planos quinquenais que ouvimos falar do sistema socialista e que podem sim ser associados à China que, afinal de contas, vive uma economia mista ou socialismo de mercado, dependendo do termo que preferir).

O documento, que compreende os anos de 2016- a 2020 traça uma ambição chinesa em ampliar sua produção energética, mais especificamente a energia hidrelétrica. Para tanto, o país pretende aumentar o número de barragens nos rios de seus país, visando assim o aumento da produção de energia. 

O problema, dentre outros que salientaremos abaixo, é que a China é o berço de rios que também possuem larga importância para seus países vizinhos no continente asiático, como pode ser observado no mapa abaixo:

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4278448/figure/fig01/

A intenção do governo chinês em ampliar sua produção hidrelétrica (que na verdade é uma continuação de uma iniciativa já tomada com a construção da hidrelétrica de 3 gargantas, a maior do mundo) é substituir sua matriz energética (principal fonte de obtenção de energia de um país), os combustíveis fósseis, por uma energia renovável. 

Apesar do motivo expressar preocupação com o meio-ambiente, a execução da implementação de tais barragens causará uma série de consequências graves aos seus países vizinhos que também dependem dos mesmos rios que China, com a desvantagem da nascente estar localizada justamente neste último. Como consequências podemos citar:

  • A redução do volume de água que chegaria ao delta dos rios, promovendo, por conseguinte, a salinização de suas áreas. 
  • Escassez de água para os mais diversos fins: alimentação, energia, turismo, transportes, etc...
  • Perda de biodiversidade. 
  • Aumento nos preços da energia elétrica nos países afetados. 
  • Racionamento de água e de energia. 
  • Perda de sedimentos carreados pelos rios, que ficarão presos nas barragens prejudicando largamente a fertilidade nos solos das margens dos mesmos. 
Além é claro dos motivos locais, ou seja, aqueles que afetariam a própria China como:
  • Assoreamento dos rios. 
  • Perda de biodiversidade. 
  • Perda de grandes áreas agricultáveis. 
  • Remoção de população ribeirinha. 
  • Eutrofização das águas. 

Apesar de todos esses pontos contra (que aliás toda energia limpa possui, só que a quantidade e os impactos são diferenciados em cada um - salientar isso não nos torna um defensor das energias poluentes, muito menos nos torna contrários a energia limpa. Nossa posição é a de que os impactos devem ser minimizados o máximo possível, pautado é claro na escolha pela energia limpa, sempre!) a China se mostra decidida em aplicar seus planos de expansão que afetarão diretamente uma série de países como Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja, Vietnã, Bangladesh, Índia e Butão. 

A Índia inclusive já chegou a externar sua preocupação, mas China minimizou a questão. Aliás, isto pode reforçar ainda mais o clima tenso entre os dois países que já dura anos por conta da região do Tibet. Resta saber que posição a China tomará bem como os demais países afetados; talvez o caso chegue até a ONU, mas acho difícil de acontecer pela força que a China tem não só regionalmente como mundialmente, principalmente nos últimos anos. 

Com informações do Nexo Jornal

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Até que ponto Trump pode interferir (e prejudicar) no acordo de Paris?

Foram necessárias 22 COPs para se sair de um cabo de guerra que não levava os países ao seu principal objetivo, que era um acordo climático do agrado de todos, mas que agora se vê ameaçado pelo novo presidente dos EUA. 

O mesmo, aliás, já havia se pronunciado sobre o aquecimento global dizendo que é "uma invenção dos chineses para atrasar o desenvolvimento industrial norte-americano". Algo que até poderia colar se fosse antes de conceitos como desenvolvimento sustentável, preservacionismo, conservacionismo, Terra - Gaia, e até mesmo a chamada "tomada de consciência" da população em geral sobre os recursos naturais do planeta. 

Atualmente, como o cenário é outro e a consciência também, esta fase soa com uma atrocidade homérica. Daquelas que levam qualquer pessoa a limpar a boca com papel higiênico ao terminar de dizer uma frase. 

Fato é que a  linha de pensamento deste senhor pode ser prejudicial aos acordos de Paris, principalmente se ele - como prometeu em sua campanha - retirar os EUA (segundo maior poluidor do planeta, atrás apenas da China) do acordo. Alarmismo suficiente para trazer um clima de incerteza aos debates realizados na COP 22 que chegou ao seu fim na semana passada.

Afinal de contas, a saída dos EUA do acordo pode desestimular outros países a permanecerem nele ou mesmo vir a retardar os parâmetros exigidos pelo acordo em seus países; algo que condenaria novamente a COP ao antigo cabo de guerra que se estabeleceu durante anos na hora de firmar um acordo.

O motivo da realização dessa COP foi traçar um calendário para que os países se adaptem até vigorar o acordo, em 2020. Contudo, diante dessas incertezas acerca dos EUA, os esforços foram divididos entre o calendário e os apelos dos países (especialmente os mais afetados pelo aquecimento global, como o Kiribati, que corre o risco de desaparecer!) ao futuro presidente dos EUA para que ratificasse o acordo. 

Até mesmo o secretário-geral da ONU interveio na tentativa de sensibilizar o magnata sobre o acordo. Resta saber agora se Trump, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas extra-oficialmente está mobilizando uma equipe para viabilizar uma maneira rápida de retirar o país do acordo vai repensar suas ideias acerca do aquecimento global e ratificar o acordo de Paris. 

Contudo, caso o futuro líder na segunda nação mais poluidora do planeta ainda acredite que o aquecimento global é invenção dos chineses, talvez ele devesse conferir o vídeo abaixo que a própria agência espacial norte-americana, NASA, divulgou sobre mudanças em diversos lugares do planeta ao longo dos últimos 100 anos. 

  
Ou mesmo se ainda não estiver satisfeito, partindo de sua lógica empresarial, deva olhar para o seu vizinho do norte, Canadá, para descobrir como um país que se opôs ao próprio EUA na política de emissão de carbono continua mantendo crescimento econômico, pretendendo, inclusive, expandir a política de restrição a este gás agravante do efeito estufa para todo o país! 

E se ainda não estiver satisfeito. Pode também olhar para as quase 400 empresas que enviaram um comunicado a Trump pedindo que o mesmo respeite o acordo de Paris.   

Ao que parece, o mesmo empenho que ele está tendo para tirar os EUA do acordo, o mundo está fazendo para convencê-lo a manter o país no acordo. Resta esperar que ele tenha um pouco de lucidez e ouça os apelos mundiais sobre o acordo. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Decisão da Justiça pode (ou não) atrapalhar o Brexit

No início deste mês a justiça britânica entrou na discussão sobre o Brexit (termo como ficou conhecido a intenção de saída da Inglaterra da União Europeia) e pode atrasar o processo de saída da UE. 

Sem precedentes na história, a saída é pensada com cuidado pela atual primeira-ministra Theresa May que ainda tenta elaborar uma saída sem maiores traumas para ambos.

Contudo, uma decisão judicial parece ter frustado os planos da primeira-ministra. Três juízes entraram com uma ação determinando que a saída do país da UE deve ser votada pelo Parlamento. O que não anula a decisão do plebiscito que deu vitória apertada a saída do país da UE, mas impede a primeira-ministra de continuar as negociações. 

Muito se especula sobre o futuro de ambos, caso essa saída se concretize. Nós mesmos já andamos traçando alguns cenários acerca desta questão que se mostra cada vez mais embolada. Até a própria primeira-ministra, outrora contra o Brexit, agora já tem uma posição mais contundente acerca do fato e diz até ter uma carta na manga para convencer os juízes da saída da Inglaterra do bloco.

Ainda não se sabe que tal "carta" é essa, mas se sabe que o principal motivo da saída da "Terra da Rainha" do bloco econômico está ligado com a crise migratória no Oriente Médio, mas especificamente por conta da guerra na Síria, que já dura cinco anos.

A Inglaterra nunca foi favorável a acolher os imigrantes (não vamos confundir o governo inglês e a posição de uns poucos com toda sua população. Claro que alguns acolheram os imigrantes) e com a UE planejando acolher os imigrantes de acordo com cotas estabelecidas por suas posições econômicas dentro do bloco, acabaram incomodando ainda mais o país, uma das 3 maiores forças econômicas dentro do bloco. 

Não à toa, a questão gerou uma consulta à população sobre a saída do país do bloco que, por uma margem apertadíssima, acabou optando pela saída. 

A partir disso, vários analistas apresentaram seus cenários sobre o futuro de ambos; mas tratam-se apenas de especulações já que a decisão não possui precedentes na história e ainda não se sabe como será feita essa saída. 

Depois dessa decisão judicial, agora mesmo é que o processo de saída se torna ainda mais complicado, ganhando mais um capítulo cujo desfecho teremos que aguardar... 


terça-feira, 1 de novembro de 2016

3º Guerra Mundial: Há realmente o que temer?

Tem circulado algumas notícias [1] [2] [3] alarmantes sobre uma possível 3ª guerra mundial, envolvendo EUA e Rússia por causa da guerra civil na Síria que já dura alguns anos. 

Apesar de toda a balbúrdia acerca do possível conflito, achamos que ele está condicionado a diversos fatores que podem fazer com que simplesmente não aconteça, injustificando assim todo esse alarde acerca do tema. 

Primeiro porque ambos possuem armas nucleares e de destruição em massa que se forem usadas, condenarão a raça humana praticamente à extinção. Como se isso não fosse pouco, outros envolvidos poderiam entrar no conflito, como os aliados regionais que cada país possui no Oriente Médio, por exemplo, o que só faria aumentar a proporção do conflito e da destruição em caso de guerra. 

Outra questão que pode ser levantada é que isso talvez não passe de um blefe, especialmente do lado russo. Mostrar seus novos armamentos ao mundo não é uma tática nova, a Coreia do Norte faz isso com maestria, mas até agora (ainda bem) apenas latiu, nada de mordidas. Embora alguns considerem isso algo perigosíssimo, pode ser que não passe apenas de uma pequena demonstração de poder, nada além.

O que seria de preocupar no meio dessa questão, está na linha de pensamento de um dos candidatos a presidência dos EUA. Caso a ex senhora Clinton ganhe, fazendo a linha de Obama, acreditamos que ela agirá por meio da diplomacia, mas chegando até as sanções, para frear os ímpetos russos em levantar um combate (se for o caso). O problema está no outro candidato, aquele mesmo, que acha que o aquecimento global é invenção dos chineses e que os problemas ambientais não existem ou não são tão graves assim. 

Com uma linha de pensamento dessas, não é de se imaginar que com um poder militar-bélico que os EUA tem, uma pessoa dessas não declare guerra a torto e a direito. Ainda mais se o conflito se concentrar do outro lado do Atlântico, ou seja, bem longe da sua confortável residência. 

Claro que, voltamos a dizer, acreditamos que a terceira guerra seja praticamente impossível de ocorrer, mas não podemos descartar a pior das possibilidades nesse xadrez geopolítico. Uma vez, um antigo professor nos contou que, quando questionado no início de 1989 sobre o fim da URSS, ele afirmou que isso era impensável... Dois anos depois... 

Contudo, apesar da guerra ser improvável, acreditamos que a paz será impossível...