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sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ainda sobre a crise

O secretário geral da ONU fez um pronunciamento esta semana pedindo aos países ricos para que não suspendam sua ajuda financeira aos países pobres para poder investir em suas próprias economias, o que pode ser feito por conta da crise que casou largos prejuízos aos mesmos.
Ou o secretário é muito ingênuo ao fazer um pedido desse e achar que vai ser atendido ou acha que o países pobres são a ponto de acreditar que ele está "fazendo a parte dele"...


NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, lançou um apelo a líderes mundiais nesta segunda-feira para que não desviem ajuda prometida a países pobres para reforçar suas próprias economias, que ainda estão em uma incerta recuperação após a crise global.
"Não devemos equilibrar nossos orçamentos à custa dos pobres", disse Ban a 140 líderes na abertura de uma reunião de cúpula de três dias promovida para rever as Metas de Desenvolvimento do Milênio, acordadas pela ONU para até 2015.
"Não devemos recuar em relação à assistência oficial ao desenvolvimento, uma ajuda vital de bilhões para bilhões", disse ele.
A ONU concorda que o mundo provavelmente irá reduzir a pobreza e a fome pela metade até 2015, mas está atrasado na implementação das outras metas da iniciativa, que vão desde o ensino infantil e igualdade de gêneros até a sustentabilidade ambiental.
A crise econômica e financeira global complicou os esforços para reduzir a pobreza e a fome nos países mais pobres do mundo, enquanto os doadores enfrentam pressões orçamentárias crescentes e combatem o desemprego em seus próprios países.
Com os países ricos já atrasados em relação a suas promessas de assistência, os doadores estão ansiosos por novas estratégias que assegurem que a ajuda não chegue a programas que desperdicem recursos e tenham pouco impacto sobre os pobres.
O secretário britânico do Desenvolvimento Internacional, Andrew Mitchell, pediu a criação de um plano que acompanhe os avanços em direção às metas de combate à pobreza nos cinco anos remanescentes da iniciativa Metas de Desenvolvimento do Milênio, que começou dez anos atrás.
Mitchell disse que a Grã-Bretanha quer mais transparência, mais coordenação e uma ênfase especial à ajuda às mulheres gestantes e seus filhos recém-nascidos.
"Queremos uma agenda correta de ação nos próximos cinco anos, não muito blablablá e grandes valores em dinheiro sendo transferidos, embora grandes valores em dinheiro sejam importantes", disse Mitchell a jornalistas.
"Queremos atenção focada sobre o que vamos realizar, sobre quais serão os resultados para os que vão ajudar."
O chefe da Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (Usaid), Rajiv Shah, disse à Reuters antes da cúpula que os EUA vão pressionar pela adoção de novas estratégias que destaquem o crescimento econômico, a prestação de contas e o combate à corrupção.
Shah disse que a administração do presidente Barack Obama está comprometida em elevar o orçamento de assistência dos EUA de cerca de 25 bilhões de dólares atuais para 52 bilhões.
Obama deve discursar perante a cúpula na quarta-feira.
Participam dela também o presidente francês Nicolas Sarkozy, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro chinês Wen Jiabao.
O diretor do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, avisou os líderes que, se os países ricos e pobres não implementarem políticas para restaurar o crescimento global, o mundo não conseguirá cumprir os compromissos assumidos sob as Metas de Desenvolvimento do Milênio.
Ele exortou as economias avançadas a cumprir suas promessas, feitas em 2005, de aumentar a assistência à África e aumentar o comércio com os países pobres que não onere seus orçamentos.
"O comércio é uma das maneiras mais importantes nas quais os países avançados podem ajudar seus vizinhos de baixa renda, sem incorrer em custos orçamentários", disse ele.

Extraído de msn.com.br

População "madura" e os reflexos da crise na França

Muito já se falou, em posts anteriores, sobre os efeitos da crise econômica e como ela vem afetando especialmente os países da zona do euro. O efeito crise, levou muitos países da Europa a adotar medidas para recuperar seu superávit primário (obtenção de lucro entre o que o governo gasta e o que o governo arrecada) e com isso medidas, que logicamente desagradam a maioria da população, foram tomadas.
A mais recente está ocorrendo na França onde o presidente quer aumentar a idade para aposentadoria (assim o tempo de contribuição aumenta e o governo arrecada mais), gerando protestos da população. Apesar dessa medida estar fortemente associada a crise, também acredito que ela tenha sido tomada por um outro motivo, em escala menor é bem verdade, que é um velho conhecido do continente europeu: a população "madura".
Como a predominância da população é de adultos e idosos, há a necessidade de medida e políticas desse tipo para equilibrar as contas do governo, pois com a presença de poucos jovens e predominância de adultos e idosos as contribuições tendem a diminuir cada vez menos e a previdência tende a gastar cada vez mais.


PARIS (Reuters) - A França enfrenta uma nova onda de problemas sérios no tráfego ferroviário e aéreo com as greves que começam na noite de quarta-feira, com sindicatos procurando mobilizar milhões de manifestantes contra os planos do governo de elevar a idade mínima da aposentadoria.
Previstas para durar 24 horas, as greves acontecem apenas duas semanas depois de mais de 1 milhão de pessoas terem ido às ruas para protestar contra uma reforma das aposentadorias considerada injusta pelos sindicatos, mas vista como essencial pelo presidente Nicolas Sarkozy no momento em que a austeridade toma conta da Europa.
Os protestos espelham ações semelhantes em outras partes da Europa, à medida que governos endividados reduzem seus gastos, especialmente na Grécia e Espanha, onde mais protestos são previstos para as próximas duas semanas em resposta a algumas das mais duras medidas de austeridade adotadas na zona do euro.
"Este dia precisa ser suficientemente contundente -- cerca de 2 milhões de manifestantes -- para obrigar o governo a fazer novas concessões. Estou confiante", disse François Chereque, presidente da poderosa confederação sindical francesa CFDT.
Os sindicatos disseram que de 2,5 a 2,7 milhões de pessoas protestaram em 7 de setembro. A polícia estimou o número em 1,1 milhão.
A previsão é que as greves atinjam as escolas, mas sobretudo os transportes públicos.
A autoridade francesa da aviação civil pediu que as companhias aéreas reduzam seus voos a Paris em 50 por cento -- o dobro do número atingido no protesto anterior.
Os sindicatos avisaram que farão greve a partir de 19h desta quarta-feira (14h de Brasília) nas ferrovias e na rede RATP de transportes urbanos de Paris. Os trens do metrô estão previstos para cair pela metade.
A ferrovia nacional francesa SNCF também disse que os trens locais e interurbanos serão reduzidos por 50 por cento ou mais, mas que os serviços de trem Eurostar para a Grã-Bretanha funcionarão normalmente.
Bernard Thibault, presidente da CGT, uma das duas confederações sindicais principais, disse que ele e seus colegas sindicalistas se reunirão na sexta-feira para discutir os próximos passos, mas avisou que serão promovidos mais protestos.
Analistas dizem que uma adesão grande à greve provavelmente não resultará em mais do que concessões marginais além do essencial da reforma, vista por muitos como a principal do mandato de cinco anos de Sarkozy, que termina no início de 2012.
Sarkozy e seu governo de centro-direita se mantêm firmes em relação à elevação da idade mínima para a aposentadoria de 60 para 62 anos até 2018 e à elevação de 65 para 67 anos da idade a partir da qual as pessoas têm direito a uma aposentadoria integral.
O governo já fez modificações pequenas à lei, uma parte chave de seu plano para equilibrar as finanças e reduzir as dívidas do país.
A câmara baixa do Parlamento aprovou a lei em 15 de setembro, e agora ela irá a debate no Senado a partir de 5 de outubro. O partido governista UMP e seus aliados de centro-direito têm uma maioria menor no Senado.

Extraído de msn.com.br

Regiões Norte e Nordeste podem sofrer ainda mais com o aquecimento global

Todos acompanhamos notícias sobre o aquecimento global e os estragos que o mesmo vem causando, seja nos mais diversos aspectos e em todas as áreas do planeta. Recentemente saiu um estudo publicado (reportagem abaixo) onde as regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas por conta das mudanças climáticas.
Cabe lembrar que um dos agravantes para esse aquecimento global ocorre justamente nessas regiões com a pratica das queimadas, mais fortemente caracterizadas na região Norte. Contudo, também há maneiras de amenizar, não chegaria a dizer reverter, essas práticas que têm sua contribuição para o agravamento do efeito estufa. Basta vontade política para fazê-lo.



Brasília - As populações das regiões Norte e Nordeste serão as mais afetadas nas próximas décadas se houver agravamento das condições climáticas no Brasil, o que pode aprofundar as atuais desigualdades regionais e de renda. O diagnóstico consta do Boletim Regional, Urbano e Ambiental número 4, elaborado por pesquisadores do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e feito com a participação de especialistas de diversos setores no país.
O documento associa os problemas climáticos ao aquecimento global e prevê resultados de longo prazo. A perspectiva macroeconômica traçada pelo estudo indica em uma das simulações que o Produto Interno Bruto (PIB) nacional poderia ser, numa primeira hipótese prevista para 2050, de R$ 15,3 trilhões (no valor do real em 2008). Em outra alternativa, com menos danos para o meio ambiente, poderá chegar a R$ 16 trilhões, se o clima ajudar.
O Ipea estima o risco de reduções de 0,55% ou 2,3% respectivamente para esses valores. O aquecimento global poderá elevar a temperatura no Norte e Nordeste em até 8 graus Célsius (ºC) em 2100 como consequência do desmatamento da floresta amazônica.
Entre os compromissos assumidos pelo país no Protocolo de Kyoto, a redução do desmatamento figura como a contribuição de menor custo. O valor médio de carbono estocado na Amazônia foi estimado em US$ 3 por tonelada ou US$ 450 por hectare. Se estes valores forem utilizados para remunerar os agentes econômicos poluidores, seriam suficientes para desestimular até 80% a pecuária na Amazônia. Seria possível reduzir em 95% o desmatamento com o custo de US$ 50 por tonelada de carbono, aponta o Boletim Regional, Urbano e Ambiental divulgado pelo Ipea.

Extraído de msn.com.br 

sábado, 18 de setembro de 2010

A copa que você não vê

Esse título já está quase virando série, mas vamos ao que interessa.

Segundo dados divulgados na reportagem abaixo, os investimentos feitos pelas cidades que sediarão a Copa do Mundo ultrapassam em larga escala os investimentos destinados a habitação (!!!!!!!!!!!). A situação se torna ainda pior quando paramos pra pensar que cidades como o Rio de Janeiro e Pernambuco tiveram casas destruídas, gerando problemas de habitação que apenas uma pequena parcela dos investimentos pra Copa poderia resolver facilmente.
Não sou contra os mega eventos esportivos, mas acho que ao aceitar um evento deste porte deve-se pensar em como os legados desses eventos serão convertidos em benefícios à população nos mais diversos prazos e não apenas pensar no evento limitando-o aos lucros pontuais que o mesmo dará.


No último dia 5, a Folha Online publicou uma interessante matéria na qual compara os investimentos que estão sendo feitos para a Copa do Mundo de 2014 com os recursos investidos em habitação e saneamento básico por nove dos doze estados que sediarão os jogos.
Segundo a reportagem, o orçamento previsto pelos governos do Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro e Distrito Federal apenas para as suas arenas – que são públicas (as de São Paulo, Curitiba e Porto Alegre são privadas) – é de R$ 4,8 bilhões, cerca de oito vezes os investimentos feitos em habitação – R$ 589 milhões – por estes estados juntos em todo o ano de 2009.
O orçamento previsto por estes estados para a Copa equivale ainda a cerca de quatro vezes o que foi investido no ano passado em saneamento básico – R$ 1,26 bilhão – e gestão ambiental – R$ 1,17 bilhão – e corresponde a 13 anos de investimentos em esporte e lazer.
Vale lembrar que estados como Pernambuco e Rio de Janeiro tiveram milhares de famílias desalojadas este ano por conta das chuvas. O empréstimo que o governo pernambucano contrairá com o BNDES para a construção da Arena Capibaribe (R$ 464 milhões) seria mais do que suficiente para a renovação ou reconstrução das casas das famílias atingidas no estado.
Commonwealth Games 2010 – Nova Dehli – Um estudo realizado pelo Housing and Land Rights Network sobre os Commonwealth Games de 2010 – que serão realizados na cidade de Nova Delhi, na Índia, em outubro – questiona os argumentos que defendem os megaeventos esportivos como grandes dinamizadores econômicos, especialmente em países em desenvolvimento.
Segundo o estudo, estes países estariam mais sujeitos a impactos negativos sobre suas finanças, gerando grandes endividamentos. A capital indiana adotou a prática constante de cortar gastos sociais para cumprir os prazos e compromissos dos jogos e já comprometeu seus próximos dois orçamentos anuais.
É regra que o orçamento previsto antes dos eventos ultrapasse as estimativas de gastos. Os Jogos Olímpicos de 1972 e 1976 já eram exemplo disso com o déficit gerado de cerca de US$ 1 bilhão para Munique e para Montreal.
A própria experiência brasileira do Pan do Rio, em 2007, também comprova que os investimentos reais sempre superam os valores estimados e demandam aportes extras, onerando os cofres públicos: a prefeitura declarou um gasto de mais de R$ 1,2 bilhão, contra os R$ 186 milhões previstos inicialmente.
Lições para o Brasil – Como já mencionei outras vezes, o Brasil tem condições de aprender com as experiências do passado e aproveitar os Jogos Olímpicos de 2016 e a Copa do Mundo de 2014 para realizar investimentos que significarão ganhos sociais para a população depois dos eventos.
Mas não é bem o que temos visto neste início de preparação para os jogos. Exemplos disso são os atrasos em obras de mobilidade urbana e a aprovação, pelo senado, de resolução que autoriza o endividamento de estados e municípios, fora dos limites previstos em lei, com obras da Copa e das Olimpíadas, sem que uma pauta mínima de investimentos sociais tenha sido incluída no portfólio dos investimentos das cidades.

Extraído de cartacapital.com.br  

Repugnante

É repugnante que o presidente francês continue levando este ato de preconceito de extraditar os ciganos búlgaros e romenos adiante, pior ainda é ainda encontrar apoio a esta medida como o mesmo encontrou em Berlusconi.
O que ameniza a situação é que a própria UE já começa a se mobilizar para instaurar contra a França medidas punitivas por conta deste ato lamentável. Maldita xenofobia...


1. Ontem, a França expulsou do seu território, manu malitari, 220 ciganos e os enviou para a Romênia e a Bulgária.
Pelo populista decreto baixado pelo presidente francês Nicolas Sarkozy, nos próximos 3 meses, deverão ser deportados os imigrantes que residem em 300 acampamentos e a começar pelos ciganos. Atenção: a começar por ciganos.
A respeito do decreto, a primeira-dama Carla Bruni, mantém-se em total silêncio, apesar de se apresentar como defensora dos direitos humanos, em entrevistas e eventos fora da França.
Pelo que se nota, La Bruni está mais interessada na repercussão da autobiografia que não autorizou (“Carla, une Vie Secrete”) e onde foi detonada pela autora, uma jornalista Besma Lohouri do L´Express. Com o título ‘Une vie secrete’, a obra será lançada hoje à noite nas livrarias francesas e já está sendo lida por Gianni Carta, correspondente de CartaCapital onde, revolucionários do século XVIII, bateram-se pela “liberdade, fraternidade e igualdade”.
O Parlamento europeu expediu resolução, aprovada por maioria, de censura a Sarkozy e com pesadas críticas a José Manuel Durão Barroso, presidente da Comissão Européia, por não ter atuado de modo a brecar o “repatriamento” de ciganos.
2. Hoje, em entrevista ao jornal ‘Le Figaro’, o premier italiano, Silvio Berlusconi, defendeu o acerto de Sarkozy e criticou a comissária e vice-presidente da Comissão européia para a Justiça, Viviane Reding. A respeito, o ministro do Interior do governo Berlusconi prepara, há meses, um decreto de expulsão de ciganos, lá chamados de “rom’, a completar a
recente legislação italiana de criminalização de imigrantes clandestinos e o acordo com o ditador líbio Muamar Kadafi, que aceita os deportados e vigia os portos e as águas territoriais para evitar a saída para a Itália de pessoas de várias partes da África.
A comissária Reding disse que o decreto de Sarkozy é vergonhoso e chega ao cúmulo ao priorizar uma etnia, ou seja, os ciganos. Sarkozy, atolado até o pescoço no escândalo a envolver a milionária herdeira de 87 anos do grupo L´Oreal, recomendou à comissária, seguramente inspirado em algum cafajeste do bas-fonds, para que levasse os ciganos que estão na França para Luxembrurgo, terra natal de Reding.
Para Berlusconi, a comissária não deveria tratar publicamente de um tema candente e a Comissão Européia precisaria, em reunião com chefes de estados e de governos, discutir a matéria, em defesa dos estados-membros, vítimas das deslocações de pessoas.
Ao ser informada da resposta de Sarkozy, a comissária Reding criticou dois ministros francês, Eric Besson e Pierre Lellouche, por terem mentido ao afirmar que o decreto de Sarkozy não fazia menção a ciganos, como alvos prioritários.
3. PANO RÁPIDO. A violação pela França de normas comunitárias européias sobre direitos humanos é de uma clareza solar.
Essas normas asseguram a livre circulação de pessoas, de bens e de capitais, nos 27 países que integram a União Européia. Os ciganos que estão sendo expulsos, e são considerados indesejáveis por Sarkozy, provém da Romênia e da Bulgária, que são membros da União Européia.
Por feliz iniciativa da supracitada comissária Reding, instaurou-se, contra a França, um procedimento infracional por violação de princípios e regras da Comunidade Européia. O próximo, seguramente, contemplará ato de Berlusconi.

Extraído de cartacapital.com.br

Mulheres no poder

Não se sabe se é uma tendência ou talvez até mesmo um trunfo do neo-populismo, mas o fato é que as mulheres têm alcançado cargos de presidência, principalmente no Cone Sul. Começou no Chile, depois na Argentina e agora o Brasil pode ter uma mulher no cargo de presidente.
Com isso todos temos a ganhar e principalmente as mulheres, que podem lutar pela igualdade neste ramo que é completamente dominado pelos homens, mas que já começa a ganhar outros contornos. Além disso, deve-se salientar que a mulher possui uma figura muito mais idônea do que o homem, e tal idoneidade tem seus fundamentos.


Se os brasileiros elegerem, no próximo mês, uma mulher como presidente, o que parecia casualidade ou fato isolado na Argentina e no Chile ganhará o selo de tendência no Cone Sul da América.
No dia 3 de outubro o Brasil poderá passar a ser o terceiro país da região a eleger uma presidente com poucos anos de diferença. A candidata do PT, Dilma Rousseff, segundo as pesquisas, tem 20 pontos de vantagem sobre seu adversário, José Serra, do PSDB, e a incógnita agora é se vencerá no primeiro turno ou se haverá segundo.
Contudo, uma mulher chegar no ponto mais alto do governo não implica protagonismo da agenda de gênero, com temas como participação política equitativa, saúde sexual e reprodutiva, igualdade de oportunidades ou distribuição das tarefas familiares, ressaltaram políticas e especialistas da área à IPS.
“O corpo de mulher não garante preocupação pelos assuntos das mulheres”, afirmou Natalia Gherardi, da Equipe Latino-Americana de Justiça e Gênero na Argentina. “Na verdade, o que assegura é uma melhor qualidade da democracia”, resumiu.
Além disso, a chegada de mulheres à Presidência “vai criando a ideia de que as lideranças femininas em política podem ser iguais às masculinas, e isso é bom porque se naturaliza como algo já instalado”, comemorou.
Luiza Erundina, deputada federal pelo PSB e ex-prefeita de São Paulo (1982-1992), disse que uma presidente “não é suficiente para impulsionar mudanças com vistas a um equilíbrio de gênero, por mais capaz que seja. É necessário o apoio dos homens e da sociedade organizada”, disse.
Ainda assim, a prevista chegada de Dilma à Presidência “é por si só um sinal de mudanças na política machista do Brasil”, acrescentou Erundina.
O fenômeno começou com Michelle Bachelet, primeira presidente do Chile (2006-2010) e primeira a formar um gabinete com paridade de gênero na América Latina. Sua gestão impulsionou numerosas medidas para reduzir a discriminação das mulheres.
Seu trabalho, de fato, fez com que, no dia 14 deste mês, fosse designada chefe da Entidade para a Igualdade entre os Gêneros da Organização das Nações Unidas (ONU-Mulheres), a nova agência da ONU que a partir de janeiro promoverá os discriminados direitos das mulheres.
Um ano após Bachelet, foi a vez da atual presidente argentina, Cristina Fernández, uma legisladora de destaque em várias mandatos. Seu triunfo foi preparado pela gestão de seu antecessor – e marido –, Néstor Kirchner (2003-2007).
Estas conquistas são resultado de um processo de participação muito mais amplo do que a simples aplicação das leis de cotas em muitos países latino-americanos há 20 anos, para facilitar o acesso feminino.
A Argentina foi pioneira mundial em uma lei de cotas e ocupa o segundo lugar, após a Costa Rica, entre as nações latino-americanas com maior proporção de mulheres no parlamento: 38,5% na Câmara dos Deputados e 35% no Senado.
Entretanto, as ações afirmativas não explicam a ascensão de Bachelet no Chile, porque nesse país não há lei de cotas e a atual participação feminina no parlamento é baixa: 14% de deputadas e 13% de senadoras.
E mais, o país onde as cotas são um fracasso é o Brasil, onde as deputadas somam 8,8% do total e as senadoras 12,3%, e nos governos estaduais e prefeituras é ainda pior.
Erundina explicou que, no Brasil, as cotas “são apenas uma conquista formal” porque, ao contrário da Argentina, o cumprimento é voluntário. Só a partir destas eleições os partidos serão castigados se não tiverem 30% de candidatas mulheres, mas não existem listas fechadas e sua eleição é mais difícil.
De todo modo, “os partidos têm de apostar nas mulheres, não dificultar-lhes o acesso, e capacitá-las, porque só assim as cotas serão efetivas”, assegurou.
Patrícia Rangel, do brasileiro Centro Feminista de Estudos e Assessoria, disse que não há relação automática entre “mais mulheres no poder, mais direitos para a coletividade feminina”, e destacou que “não basta apenas eleger mais mulheres, mas eleger mulheres com consciência de gênero”.
A deputada argentina Marcela Rodríguez, da opositora Coalizão Cívica, concorda com essa afirmação, e destaca que quanto mais mulheres participarem, mais provavelmente serão incorporados temas fundamentais para elas.
A articulação das legisladoras é fácil quando se trata de direitos das mulheres. Porém, em temas como o orçamento, embora se tenha um olhar de gênero, muitas legisladoras votam com “disciplina partidária”, ressaltou.
Erundina mostrou outro lado dessa questão: “o encastelamento das mulheres em termas sociais” quando chegam ao governo ou ao parlamento, “como se não tivessem aptidão para políticas mais estratégicas”, como as econômicas.
“Isso reflete um déficit da democracia e da sociedade e limita as mulheres a contribuírem com sua especial capacidade para combinar a economia com o social”, disse.
Em outros países sul-americanos o panorama é diferente, mas todos mostram avanços em participação e igualdade nas candidaturas.
Desde janeiro, a Bolívia é o segundo país com um gabinete paritário e uma mulher, Ana María Romero, presidente da bicameral Assembleia Plurinacional, o segundo cargo institucional do país.
Além disso, as mulheres controlam inéditos 28% das bancadas e a maioria delas se comprometeu formalmente a promover uma agenda de gênero pactuada com a não governamental Coordenadoria da Mulher, recordou sua responsável de Incidência, Mónica Novillo.
No Uruguai, a lei de cotas será aplicada a partir de 2014 e atualmente conta com 15,2% de mulheres na Câmara de Deputados e 12,9% no Senado. Apesar disso, as legisladoras encontraram um atalho para empurrar a agenda de gênero: uma Bancada Bicameral Feminina, criada em 2000.
A lei no Paraguai fixa em 20% a cota feminina, desde 1996. Mas as deputadas são apenas 12,5% do total e as senadoras 15,6%.
A ministra da Mulher, Gloria Rubin, disse que em seu país ainda “são os homens que decidem, inclusive se uma mulher vai constar, ou não, da lista de candidatos”.
No entanto, destacou que as mulheres conquistaram maior participação e protagonismo político nos últimos anos e recordou que nas eleições presidenciais de 2008 o então governante Partido Colorado concorreu com uma mulher, Blanca Ovelar. Envolverde/IPS
Extraído de cartacapital.com.br

A soja no Paraguai

A soja no Paraguai segue o modelo brasileiro bem como suas implicações: destruição de floresta nativa, "empurrar" a criação de gado para outras áreas, redução dos empregos (pois o cultivo de soja é altamente mecanizado), supressão do cultivo de outros gêneros alimentícios pela soja e, assim como em nosso país, a soja é produzida para alimentar o mercado externo.
Para se ter um modelo de expansão e cultivo da soja nesse moldes, é melhor nem tê-lo, muito menos exportá-lo.



Pesquisa inédita relata a disseminação dos problemas sociais e ambientais associados à ampliação das lavouras da soja no Paraguai. Na safra 2009/2010, Brasil, Argentina e Paraguai devem produzir 50% de toda soja mundial
Estudo inédito realizado pelo Centro de Monitoramento de Agrocombustíveis da ONG Repórter Brasil em parceria com a Base Investigaciones Sociales, tradicional organização social do Paraguai, analisa os impactos da expansão da soja no país vizinho e apresenta cadeias produtivas envolvendo empresas dos dois países. A pesquisa relata a disseminação dos problemas sociais e ambientais enfrentados por camponeses e indígenas paraguaios que estão associados ao crescimento expressivo das lavouras de soja no país vizinho.
Na safra 2009/2010, Brasil, Argentina e Paraguai atingirão juntos uma espantosa marca: os três países serão responsáveis por 50% da produção mundial de soja. A colheita esperada em conjunto pelos três parceiros de Mercosul é de 130,7 milhões de toneladas, ante uma produção global estimada em 259,7 milhões de toneladas. O Brasil se destaca com 69 milhões de toneladas colhidas (26,5% do total mundial), e é o segundo maior produtor global, atrás apenas dos Estados Unidos, que colhe 91,4 milhões (35,1%). A Argentina é o terceiro maior produtor, com 54,5 milhões (20,9%), e o Paraguai é o sexto, com 7,2 milhões (2,7%), atrás apenas da China e da Índia.
A expansão da soja nos três países tem várias explicações, que passam pelo clima favorável, o desenvolvimento de variedades locais, a presença de uma cultura agropecuária e políticas públicas favoráveis à expansão da fronteira agrícola. Mas um fator historicamente se destaca: o baixo preço relativo da terra. É esta variável econômica que tem permitido a agricultores da região atenderem ao aumento da demanda mundial por soja.
No caso do Paraguai, a soja passou de 1,2 milhão de hectares em 2000 para 2,7 milhões cultivados na safra atual. Tal avanço tem se dado por meio de poucos produtores e propriedades. Dados do mais recente censo agrícola da nação vizinha (relativo ao ano de 2008) apontam que somente 703 sojicultores possuem propriedades com mais de mil hectares no Paraguai. Somadas, essas fazendas atingem 1,1 milhão de hectares, ou 48% do total da área de soja do Paraguai e 35% da área de todos os cultivos do país
A expansão da soja no Paraguai se deu a partir da fronteira com o Brasil. Por conta dessa influência, o modelo implantado em terras paraguaias possui muitas semelhanças com o brasileiro. Da fronteira leste, os agricultores brasileiros partiram em busca de terras mais baratas, num processo que se acentua desde os anos 1970 e atinge seu ápice na última década.
ReflexosA soja chegou inicialmente a departamentos (região administrativa que equivale a um Estado brasileiro) como Alto Paraná e Itapúa, causando a destruição da floresta original remanescente. Na Mata Atlântica do Alto Paraná, os oito milhões de hectares originais do bioma foram reduzidos nas últimas décadas a 700 mil hectares – menos de 10% da cobertura inicial.
No Centro-Sul do Brasil, a soja vem deslocando atividades como a pecuária em direção à Amazônia. No Paraguai, ocorre um fenômeno semelhante: a soja que vêm dos departamentos mais próximos à fronteira com o Brasil empurra a criação de gado ao norte, onde está o Chaco – área em que os índices de desmatamento aumentaram nos últimos anos.
O Paraguai também acumula experiências parecidas com a do Brasil a respeito dos impactos sociais causados pela soja. O modelo pelo qual se expande a cultura, baseado na grande propriedade monocultora, no intenso uso de agrotóxicos e no reduzido emprego de mão de obra não é compatível com as tradicionais formas de vida no campo representadas pelo campesinato. Onde uma predomina, a outra tem de se afastar. Daí tantos conflitos agrários vivenciados entre grandes proprietários e militantes de movimentos sociais dos dois lados da fronteira nos últimos anos.
No caso específico do Paraguai, o cenário se torna ainda mais grave pela internacionalização extrema do setor sojicultor do país. Os grandes produtores são brasileiros que atuam de modo integrado com grandes conglomerados internacionais de grãos. Além disso, organizações instaladas no Brasil têm importado soja do Paraguai para a manutenção de suas atividades. Das oito maiores companhias brasileiras importadoras de produtos paraguaios, cinco trabalham com soja: Bunge, ADM, Sadia, Agrícola Horizonte e Multigrain. Também importam em menor escala empresas como Cargill, Caramuru e cooperativas como Aurora e Cocamar.
Destaques
Além da avaliação geral da produção da soja no Paraguai, o estudo destaca outras relações fundamentais entre os respectivos setores produtivos. As grandes siderúrgicas brasileiras compraram carvão vegetal no Paraguai, onde o produto é feito com baixos critérios ambientais, em geral em fornos de pequenas propriedades e a partir de madeira nativa.
É o caso, por exemplo, da siderúrgica Gerdau. Questionada sobre quais parâmetros socioambientais a companhia exige de seus fornecedores, a empresa afirmou: “A Gerdau esclarece que realizou importações pontuais de carvão vegetal do Paraguai, seguindo rigorosamente a legislação ambiental vigente. A última importação do produto do Paraguai foi realizada em 2008 pela empresa”. O carvão também é adquirido por siderúrgicas como Mat-Prima e Valinho, ambas de Divinópolis (MG), Cisam, de Pará de Minas (MG), e Ferguminas, de Itaúna (MG) – todas em Minas Gerais.
Criada em 1993, a Mat-Prima tem capacidade de produzir 12 mil toneladas de produtos siderúrgicos por mês. A maior parte é exportada, através dos portos do Rio de Janeiro e de Vitória, este no Estado do Espírito Santo. A empresa compra o produto paraguaio através de pequenas importadoras e também usa combustível brasileiro fabricado nos Estados de Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso. No caso do produto paraguaio, a Mat-Prima avalia que qualquer controle ambiental é de responsabilidade do produtor e da importadora.
Também fabricante de ferro-gusa, a Cisam opera com carvão vegetal produzido no Brasil e no Paraguai. De acordo com representante da empresa, o carvão é totalmente produzido com madeira oriunda de florestas plantadas, inclusive os carregamentos oriundos do Paraguai. A área de reflorestamento localizada no Paraguai foi implantada na cidade de San Juan Nepomuceno, no departamento de Caazapá, e é comandada por brasileiros.
Já as siderúrgicas Ferguminas e Valinho estão com os fornos desligados atualmente, à espera da recuperação do mercado. Quando em funcionamento, as duas empresas utilizam carvão fabricado no Paraguai.

Extraído de cartacapital.com.br