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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Não poderia ser diferente

As políticas racistas adotadas pelo presidente da França repercutiram de forma negativa pelo mundo. Logicamente que isso não poderia ser diferente, já que é um absurdo que nos dias de hoje esse tipo de coisa ainda aconteça. Como já disse em posts anteriores, muito dessa atitude provém dos europeus  começarem a tratar os imigrantes como indesejáveis já que antes os mesmos possuíam grande valia para ajudar a reconstruir um continente arrasado pela guerra, mas agora já não se fazem mais tão valorosos para os europeus pois seu continente já se recuperou dos estragos da guerra. Tal desejo ficou ainda mais agravado com a crise de 2008/2009 pois, segundos os europeus, os mesmos passaram a disputar emprego com os imigrantes, empregos esses que, por direito - ainda segundo os europeus - devem ser deles e não dos imigrantes.
É lamentável que isso ainda ocorra.


Após o anuncio feito pelo governo da França sobre as novas medidas de “segurança”, que afetam diretamente aos imigrantes, diversas entidades pelo mundo se pronunciaram condenando a intenção e acusando o presidente francês, Nicolas Sarkozy, de promover o racismo e a xenofobia.
A decisão incide em retirar a nacionalidade dos franceses de origem estrangeira, englobando “todas as pessoas de origem estrangeira que voluntariamente tenham atentado contra um funcionário da política, um agente das forças de segurança ou qualquer outra autoridade pública”.
O Ministro da Imigração, Éric Besson, anunciou que o Governo reformará a legislação vigente para poder expulsar aos estrangeiros que “ameaçarem a ordem pública”. Brice Hortefeux, Ministro do Interior, informou que a França já desmantelou 128 acampamentos de ciganos e expulsou 977 ocupantes em um mês e disse que a medida está relacionada a um projeto de lei sobre segurança interna que será apresentado aos senadores amanhã (7).
No entanto, a política considerada racista não é bem vista por organizações em prol dos direitos humanos, nem pelas populações afetadas, como é o caso, principalmente, dos ciganos da Romênia e da Bulgária. Algumas autoridades francesas, integrantes da esquerda e republicanos conservadores, também divergem diante da nova medida.
Na semana passada, a Federação Sindical Mundial (FSM) se manifestou e condenou energicamente as novas medidas racistas do governo francês. Para a entidade, “Estados capitalistas como a França estão criando, através de legislação, condições extremamente duras para os imigrantes que são a parte mais vulnerável da classe operária em todos os países”.
“Sublinhamos a necessidade de expressar nossa solidariedade e o internacionalismo aos imigrantes e refugiados, assim como das minorias. Nossa prioridade deveria ser dada para restringir fenômenos de xenofobia, racismo e discriminação racial. Nossa tarefa é não deixar nenhum espaço para o desenvolvimento das teorias fascistas (FASCHIST)”, ressalta a Federação.
De acordo com a FSM, os imigrantes estão sendo perseguidos com acusações relacionadas à cor de pele e religião. “Trabalhadores do mundo, em todos os países devem estar unidos independentemente da religião, sexo, cor de pele ou origem. É uma necessidade imperiosa de unir as demandas dos trabalhadores contra os governos capitalistas, o capital e os monopólios. Os problemas dos povos são criados pelo capitalismo e não pela cor da pele das pessoas”, ressalta a Federação.
O Comitê da Organização das Nações Unidas (ONU) para a Eliminação da Discriminação Racial (CERD) também criticou a França pelas repatriações coletivas dos ciganos romenos, e aconselhou ao país que atue respeitando plenamente aos direitos humanos. A entidade classificou a política de Sarkozy como “manifestação violenta de caráter racista contra os romenos”.
O Comitê recomendou ao país que evite as repatriações coletivas (de ciganos a Romênia) e pediu respeito às normas da Convenção Internacional da ONU sobre a Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial.
Reação
Diante das políticas racistas de Sarkozy, associações e líderes ciganos da Romênia decidiram boicotar produtos originários da França e realizar um protesto internacional contra a cúpula sobre a deportação dos romenos estrangeiros convocada pelo ministro da Imigração, para esta semana.
A Aliança Cívica dos ciganos da Romênia publicou um manifesto no qual justifica o boicote aos produtos e serviços franceses para lembrar às autoridades do país que sem direitos fundamentais não se negocia.

Extraído de cartacapital.com.br

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