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terça-feira, 28 de junho de 2016

O(s) futuro(s) depois do "sim"

Semana passada, em plebiscito bem apertado, o Reino Unido decidiu sair da UE. 

A notícia tomou o mundo de assalto e está causando um alvoroço não só do outro lado do Atlântico, como no mundo inteiro.

Em votação apertada, a população decidiu pela saída do bloco. Por mais que plebiscito seja "apenas" uma consulta, em um termo mais raso, o ainda primeiro-ministro já disse que ela deverá ser cumprida. 

Aliás, o mesmo primeiro-ministro, era favorável a permanência do país no bloco, embora com certas restrições, e, ao final da votação, acabou entregando o cargo e delegando a espinhosa função ao seu sucessor. 

As consequências dessa possível saída se mostraram quase que imediatamente. A moeda britânica desvalorizou quase 30% após o anúncio, bancos já ameaçam a sair da UE e o fantasma do desemprego já assombra a terra da Rainha. 

Os prenúncios desse desfecho já vinham se desenhando com a crise migratória do Oriente Médio e da África para o continente, mas não só por isso. 

Primeiro, temos que levantar aqui a questão da "realeza". O Reino Unido sempre se viu um pouco acima do resto do continente. Afinal de contas "britânicos são britânicos e europeus são apenas europeus". Esse ar de superioridade contido na frase, já evidencia um pouco do descontentamento de se "misturar" com o resto do grupo. 

Se com o europeu já era difícil, não à toa eles não aceitaram o euro como moeda única e mantiveram o peso da libra durante todos esses anos, imagina com quem vem do outro lado do Mediterrâneo? 

Pois é... Essa xenofobia travestida de "questão de segurança" fez o Reino Unido se apoiar em discursos tão profundos quanto um pires e esquecer um passado bem recente para tentar se justificar. 

Profundos quanto um pires porque imigrantes não disputam o mesmo nicho de mercado que os europeus (ops, ingleses). Soma-se a isso o fato de, por mais que seja alegado que membros da ISIS possam se infiltrar nessas levas migratórias, ficou provado que essa questão é deficitária não é de hoje no bloco. Vide os atentados de Madri e Paris para citar rápidos exemplos.  

Então alegar que eles poderiam "passar" pelas fronteiras mais soa como requentar um argumento antigo, porém não utilizado porque não convinha, do que um argumento cabal para justificar isso. 

Tanto é que ficou claro o descontentamento dos britânicos com a política de distribuição de imigrantes pelo bloco que estabelecia uma cota para cada país de acordo com a sua economia. Claro que isso incomoda demais se você já tem uma visão de realeza e uma das economias mais importantes do bloco porque isso significa que o seu contingente de imigrantes será um dos maiores do bloco. 

Engraçado que há algumas décadas atrás, quando o continente era palco de mais uma guerra e milhões saíram para diversos outros países pelo mundo, não houveram protestos desse gênero por parte dos outros países... 

Motivos à parte, o "não" prevaleceu e já se começa a se especular sobre o futuro de ambos. Dentro disso, podemos pensar em algumas situações. 

Num primeiro cenário, o Reino Unido pode simplesmente não sair do bloco e tudo voltará a ser como antes. Afinal de contas, plebiscito é "apenas" uma consulta à população sobre algo a ser decidido. Embora a voz do povo seja a voz de Deus, o plebiscito pode simplesmente ser desconsiderado. 

Num segundo cenário, pode ser realizado um novo plebiscito. Como a vitória foi apertada, pode ser usar isso como argumento para uma nova consulta. Mas mesmo com um documento de 1,5 milhão de assinaturas feito logo após a votação pedindo uma nova votação, não se vê uma vontade do governo britânico em realizar novo plebiscito.  

Num terceiro cenário, a Escócia pode simplesmente se negar a sair. Pois é... O Reino Unido é composto pela Inglaterra, Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales. A Escócia foi o único país onde o não ganhou do sim; talvez isso possa ser utilizado pelos escoceses como fato para emperrar o processo e, quem sabe, impedir a saída do Reino Unido. Afinal de contas, o Reino Unido são 4 em 1 e se 1 dos 4 não concordar, pode ser que a coisa trave. 

Num quarto cenário, o Reino Unido pode permanecer no bloco, mas com uma participação "menor". Segundo o regimento do bloco, os membros, ao pedirem para sair do bloco, tem até dois anos para chegar a um acordo com o bloco. Se mesmo após o período não chegarem a um acordo, serão automaticamente expulsos. 

Como a questão do Reino Unido com o bloco é basicamente migratória, resolvida esta pauta, durante esses dois anos, o mesmo pode continuar no bloco a exemplo da Noruega que não é membro da UE, mas participa do mercado comum e da política de fronteiras abertas. 

Num quinto a cisão é feita de forma total e o Reino Unido não faz mais parte da UE. Países como a Suíça (que não participa da UE), mostraram que isso é possível. As questões aqui são que cada país é um país (econômica, política, cultural e socialmente...) e como será possível uma vida (saudável) pós saída da UE?

Talvez essa seja a questão mais espinhosa de todas atualmente. 

Seja como for, apenas podemos especular, montar cenários e etc. sobre essa conturbada possível saída do Reino Unido do bloco. Só o tempo irá dizer como ambos irão se comportar. É esperar pra ver...




quinta-feira, 23 de junho de 2016

O plebiscito inglês e as consequências do "sim" e do "não"

Demorou, mas saiu. Por problemas técnicos, a publicação desta terça, acabou sendo "adiada" para esta quinta, mas vamos à ela...

Hoje, britânicos vão às urnas para decidir a permanência do país na União Europeia. 

Depois de anos de participação no bloco, os ingleses se dizem prontos para deixar o bloco e seguirem sua caminhada longe da UE. Pelo menos é o que defende o primeiro-ministro, que procura tratar o assunto de forma velada. 

Diante disso, fica contundente a questão da xenofobia dentro da Inglaterra. A terra da rainha, usa da habitual sobriedade inglesa para expressar o seu descontentamento em relação a política adotada pelo bloco em meio a atual crise migratória, a maior desde a segunda guerra. Não à toa, costuraram um acordo a parte em relação a essa questão dentro do bloco que ainda pode gerar um racha dentro do mesmo.

Para os adeptos do discurso xenofóbico, o imigrante que chega em território europeu (leia-se inglês) disputa empregos com a população local, além é claro de se tornarem um "peso" para as contas do Estado. 

Infundado por um lado e pelo outro, o discurso se mostra carente de consistência, pois é sabido que, não só na Inglaterra como nos demais países da UE, os imigrantes que para lá se dirigem, não disputam as mesmas vagas que os ingleses, por exemplo. 

Trocando em miúdos e muito mal comparando, mas não desmerecendo qualquer profissão, um refugiado não sai de um terror no Oriente Médio, por exemplo, para assumir a presidência da Ford ou virar gerente geral da Siemens... O nicho de mercado dele é "outro"... Ele vai buscar lavar pratos, ser garçom, taxista... 

Mesmo assim, apoiado neste "discurso", muitos defendem o desligamento do país do bloco, alegando que, assim, as fronteiras inglesas poderiam ser menos (com o perdão da expressão) condenavelmente fechadas; ou, mesmo que fossem, não caberia a Inglaterra dar maiores explicações. 

Ainda bem que esse pensamento paira somente sobre os mais idosos. Entre a população jovem, há um certo consenso sobre a permanência do país no bloco... Nada como uma juventude com ideias novas para tirar uma população do senso comum e das armadilhas feitas por teorias mais profundas que um pires... 

Contudo, há que se pesar os dois lados da moeda...

Se de um lado, ao permanecer no bloco, a Inglaterra mantém as vantagens nas trocas comerciais com os demais membros, ganha com o turismo intra-bloco, tem seu PIB encorpado graças trocas comerciais dentro do bloco; por outro, se decide sair do bloco, perde essas vantagens todas, o que pode ser um baque significativo para o país economicamente falando, mas também pode buscar novos mercados, especialmente na Ásia, além de promover um "esvaziamento" do bloco. 

Fato é que, saindo do bloco, ambos perdem. Seja pela perda de força e esvaziamento do bloco que a UE poderá sofrer, seja pelo baque econômico que a Inglaterra sofrerá ao perder as vantagens econômicas que possui ao fazer parte da UE, além é claro, do enorme mercado consumidor do bloco. 

O sim ou o não, fica por conta da população inglesa. A nós, cabe somente mais um exercício de especulação sobre os desdobramentos de ambos os casos... É esperar pra ver... 

quarta-feira, 15 de junho de 2016

"As pessoas não morrem de frio" (sic)

Caros leitores do blog. 

Hoje a publicação saiu com um dia de atraso por motivos de saúde, mas vamos a ela. 

Não sei se todos acompanharam a reportagem abaixo que retrata o frio recorde em São Paulo durante a madrugada do último domingo. 

Abaixo, assista a reportagem e tenha especial atenção a declaração da representante da assistência social de São Paulo. 


(Pausa para digerir a entrevista acima...)

Tudo bem, vamos concordar que não passamos o frio sulista aqui no Sudeste do país. Embora o frio de Minas Gerais e das regiões serranas dos demais estados da região concorram páreo a páreo. Também concordaremos que este não é o frio do hemisfério norte e que não chega perto do inverno canadense ou russo, mas dizer que não se morre por frio é demais. 

Será que é do desconhecimento dessa pessoa a hipotermia e as consequências disso?

É de se abismar que essa seja a posição oficial de um órgão do governo. Pode-se até pensar que talvez ela tenha sido obrigada a dar este tipo de declaração, mas, teorias da conspiração à parte, soa, no mínimo, como um absurdo. 

Mesmo não sendo especialista da área, não é difícil concluir que hipotermia pode sim levar à morte. No caso dos moradores de rua, que são desprovidos de vestimentas adequadas e de uma moradia que os aqueça, é óbvio que a onda de frio atua com maior força sobre seus corpos e que, com certeza, isso pode levar à morte.

Contudo, consultamos um especialista da área de medicina que nos afirmou que é possível sim morrer de frio, pois em casos de baixa temperatura, ainda mais as que vem ocorrendo neste inverno, o corpo começa a apresentar disfunções como taquicardia, contração dos vasos sanguíneos, calafrios, disartria, hipotensão, broncoespasmo, amnésia, alucinações entre outros, além, é claro de matar. 

Claro que os casos variam de pessoa pra pessoa, pois cada organismo responde de uma forma e o ambiente em que ela vive também interfere, mas no caso dos moradores de rua, as condições precárias em que vivem funcionam como um agravante para favorecer o óbito por frio excessivo.

(Outras consequências da hipotermia podem ser conferidas aqui, na página 153).

O frio pode até ser o desencadeador de alguns distúrbios que levem ao quadro de óbito, mas também pode ser o principal fator responsável por ele. Então dizer que o frio não mata é improcedente.

Aliás, tão improcedente que está, infelizmente, ficando recorrente, como você pode conferir clicando aqui.  

Para não abandoná-los a própria sorte, fortalecemos aqui campanhas como a campanha do agasalho e a do varal solidário. Com certeza o casaco que você deixa guardado no armário criando mofo, pode ser útil para aquecer alguém neste inverno. 


Com informações da Folha de São Paulo, reportagem do SBT Brasil e a colaboração de Daniel Pires. 

terça-feira, 7 de junho de 2016

Os absurdos de mais um episódio da escravidão moderna

Parece notícia do Sensacionalista, mas não é. 

Esta semana foi publicada uma denúncia feita por um sindicato norte-americano na qual trabalhadores de uma montadora seriam obrigados a usar fraldas geriátricas para que possam produzir mais já que, neste caso, não haveria a necessidade de pausas para ir ao banheiro, não interrompendo assim a produção. 

Investigando mais afundo, foram descobertas em outras empresas as mesmas práticas. Em alguns casos a pausa até existe, mas se limita ao número de duas... Por semana!. 

De dar inveja a qualquer Taylorista, não?

Em pleno século XXI, vemos práticas trabalhistas ainda medievais ou talvez até com requintes de crueldade piores, pelo menos das que temos conhecimento porque são denunciadas. Se pararmos para pensar nas que nem conhecemos e do que o ser humano é capaz... 

Para combater este tipo de violência contra os trabalhadores é preciso que as empresas sejam fiscalizadas, que ações sejam feitas de forma eficiente, que normas rigorosas sejam criadas e obedecidas para que se garanta pelo menos o mínimo de condições dignas para o trabalhador desenvolver suas atividades. 

Infelizmente, a realidade parece estar longe disso. Sejam países centrais, emergentes ou periféricos, os casos de condições de trabalho precárias ou até mesmo degradantes como é o caso citado, mostram o quão frágil é a fiscalização em cima de empresas que, com certeza, não ousariam praticar tais atos se eficientes fossem os órgãos responsáveis por fiscalizar suas condutas. 

Casos como esse são um grão de areia em meio ao deserto, mas esperamos que as denúncias continuem numa proporção maior do que os casos de abuso. Assim, quem sabe, poderemos coibir práticas deploráveis como essa que humilham o trabalhador.


Com informações da Revista Fórum.