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terça-feira, 26 de abril de 2016

Chernobyl 30 anos depois

Hoje, completa-se o 30º "aniversário" do acidente nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, então pertencente à União Soviética. 

O acidente começava na madrugada do presente dia, com a explosão do reator 4 da usina nuclear que demoraria dias para ser controlado. 

Em 36 horas após o ocorrido, pessoas - sem saber do ocorrido - foram evacuadas das cidades próximas num raio de 30km, enquanto equipes já trabalhavam para isolar e limpar o local. 

Ainda hoje, mesmo 30 anos após o acidente, as cidades próximas a usina ainda permanecem fantasmas. Em algumas delas a floresta já tomou conta e animais selvagens já passeiam pelos prédios das antigas cidades. 

Visitar esses lugares hoje, embora haja um risco, é voltar ao passado e remontar ares dos tempos de guerra fria. Devido a evacuação às pressas, as cidades pararam no tempo e muita coisa foi deixada exatamente como estava. Escolas, hospitais, apartamentos, lojas, fábricas... tudo intocado, embora marcado pelo tempo, parece ser uma cicatriz de um acidente que o tempo não apagou e nem vai apagar... 

A usina já não funciona mais desde 2000, o reator que explodiu foi isolado por concreto e aço, mas a estrutura precisa ser refeita e modernizada. Talvez, após a sua conclusão, recomecem os trabalhos de limpeza da usina e de seus arredores, quem sabe, numa tentativa de maquiar esse terrível acidente que marcou uma época e que ainda gera consequências até os dias atuais e, por conta da radioatividade que o local ainda possui, sabe-se lá por mais quanto tempo. 

Embora a tecnologia tenha evoluído e muitos países se utilizem dessa energia, mesmo que seja em escalas diferentes, mas se utilizam, inclusive o Brasil; que o acidente de Chernobyl sirva de constante alerta para os perigos da produção deste tipo de energia que, apesar de ser considerada "limpa", gera impactos imensos com a produção de lixo nuclear, que não pode ser descartado e, portanto, deve ser armazenado; além é claro da convivência com um possível acidente todo o tempo de funcionamento da usina... 

Que a tragédia sirva de exemplo para que se tenha o máximo de cuidado, mesmo que isso ainda seja pouco, com a produção deste tipo de energia, ou, do contrário, as feridas causadas por um eventual desastre atravessarão gerações... 

terça-feira, 19 de abril de 2016

A luta constate do indígena pela sua existência

Hoje é "comemorado" o dia do índio, os legítimos donos das terras que habitamos e sobre os quais os pilares da colonização foram construídos. 

Embora a data seja lembrada e muitas escolas reforçam esse dia, a questão indígena está muito além de pintar o rosto e produzir sons batendo repetidamente na boca como o esteriótipo manda. 

Ser indígena no Brasil é ser minoria. Minoria essa que historicamente passou por um processo de aculturação, pelo genocídio, pelo esteriótipo do índio vagabundo, de cultura estranha entre tantas outras atrocidades que fizeram do ser índio uma questão de luta contante pela preservação de sua verdadeira identidade, seus costumes e da alienação que é feita sobre sua etnia. 

De uma cultura riquíssima e bastante desconhecida, os indígenas possuem uma estrutura social bem diferente da nossa; afinal de contas a organização social por tribos em nada se compara a nossa organização. O mesmo vale para costumes, ritos, língua, tradições... que o tempo (os colonizadores e, posteriormente, nós mesmos) quase apagou; o que só não ocorreu graças a resistência dos poucos remanescentes das tribos existentes desde a "descoberta" do Brasil. 

Com o passar dos anos, o contato com o "homem-branco" alterou alguns de seus costumes e tradições. O que é visto por muita gente como um absurdo, pois o argumento se fundamenta no sentido da preservação do esteriótipo da pena presa à cabeça e nada mais. Grave erro de quem não olha para o próprio umbigo e não percebe o quanto a própria cultura nada mais é do que uma colcha de retalhos de várias outras, então, por que com o indígena seria diferente?

Como se não fosse pouco, atualmente a questão indígena se debruça sobre o conflito de interesses que envolvem suas reservas. Se para os mesmos a demarcação destas terras é um dos marcos fundamentais para sua sobrevivência, para agricultores, garimpeiros e madeireiros as reservas nada mais são do que mais uma fonte de riqueza a ser explorada, mas com um pequeno empecilho à frente. 

Não à toa vemos a presença dos indígenas em Brasília constantemente, até mesmo discordando de projetos do Governo como a hidrelétrica de Belo Monte por conta das enormes terras que foram alagadas para a construção da mesma, devido ao relevo plano da Região Norte que exige um volume maior de água para a usina exatamente pela insuficiência de quedas d´água capazes de movimentar as turbinas. 

Fato é que o dia de hoje não pode passar despercebido como uma simples data e a cultura indígena não pode sucumbir ao esteriótipo do índio preguiçoso. Que o dia de hoje sirva para que escolas promovam acesso a essa vasta cultura e ajudem a desconstruir esse mito em torno do índio, derrubando assim barreiras que foram impostas entre o "homem-branco" e o indígena ao longo de séculos. 

terça-feira, 12 de abril de 2016

"Hoje o tempo voa (...) escorre pelas mãos"

Lulu Santos não estava errado ao cantar estes versos; há muito o tempo voa e a nossa percepção da passagem do tempo, ano após ano, tende a nos assombrar e sempre terminamos o ano com a mesma frase "como passou rápido!". 

Essa nossa sensação intrigou cientistas que pesquisaram sobre o porquê do tempo ter essa pressa toda e passar tão rápido. 

Segundo os cientistas a nossa percepção de tempo está associada ao quantitativo de atividades que costumamos fazer com frequência (trabalhar, ir à escola, malhar, cursos, etc). Quanto maior é a carga de atividades que temos, passamos mais tempo ocupados com elas e a nossa percepção de tempo se dilui em meio a tantas atividades que, quando nos damos conta, o dia, a semana, o mês, o ano... Já se esgotaram. 

Contudo, esse processo não é de hoje. Desde a primeira Revolução Industrial, o homem "abandonou" o tempo da natureza e passou a ter seu ritmo ditado não mais pelo nascer e pôr do sol, mas sim pelo tic-tac do relógio. Este mesmo tic-tac incessante e de compasso rápido passou a influenciar nossas vidas, sempre tão corridas, e com milhões de coisas a serem feitas; tudo ao mesmo tempo, sempre que possível, claro. 

Com tantas atividades a percepção do tempo nos escapa imerso em compromissos de trabalho, pessoais, familiares, problemas a serem resolvidos... E quando nos damos conta, estamos repetindo a mesma frase em todo mês de dezembro: "o ano passou tão rápido que eu nem vi". 

Isso pode gerar uma série de consequências para a população que, talvez, sem se dar conta, está modificando cada vez mais a sua forma de lidar com o outro e com as coisas ao seu redor. 

Podemos citar como exemplos o pouco contato entre as pessoas, onde o entulhamento de atividades ao qual nos submetemos faz com que uma mensagem de aniversário de whatsapp, por exemplo, substitua uma visita ao amigo aniversariante. Atitudes como essas nos mostram que hoje temos uma sociedade que mal sabe se relacionar com o outro, não sabe se expressar, tão pouco conversar (poderíamos citar o atual cenário político para destrinchar ainda mais este exemplo, mas sugerimos ao leitor que leia o post abaixo para entender melhor porque não preferimos utilizá-lo). 

Outro exemplo de como isso vem afetando a nossa população é que a muitos incomoda o simples fato de ficar quieto e concentrado por alguns instantes. Isso é facilmente percebido quando pedimos as pessoas que realizem uma leitura. Não precisa ser nem de um livro, pode ser de uma breve notícia mesmo. A maioria, antes de começar a ler, conta primeiro o número de parágrafos contidos na notícia para saber quanto do seu precioso tempo será "perdido" com a leitura. Alguns nem perdem "todo esse tempo" e se limitam tão somente a ler o título da notícia e depreender todo o resto da mesma apenas a partir disso. 

Há estudos que até revelam a dificuldade da geração atual de conseguir achar uma posição para leitura de um livro, simplesmente pelo fato de não conseguirem ficar paradas e se dedicarem à leitura. 

Como se não fosse pouco, ainda há aquela questão, tão antiga quanto o próprio tempo, de aproveitamento do mesmo. Passamos a vida tão lotados de atribuições e a fazeres que quando nos damos conta, parece que a trilha sonora de nossas vidas poderia ser resumida a "Epitáfio", dos Titãs. Com isso deixamos de aproveitar diversas coisas e passamos a lamentar pelas oportunidades perdidas; tudo em nome a da marcação cruel e intermitente do relógio que nos rege e, sem nos darmos conta, nos esvai entre seus tic-tacs.   

terça-feira, 5 de abril de 2016

Por que não discutimos política?

Caros leitores do blog, 

O texto desta semana trata-se de uma questão que já perdura no cenário nacional há anos e que atualmente é constantemente mostrada em jornais, revistas, programas de televisão e afins: a política brasileira. 

Diante de todo este alvoroço, sempre somos perguntados sobre o porquê de não nos pronunciarmos sobre. Como o assunto é recorrente e o número de e-mails que nos chegam perguntando sobre também, resolvemos escrever esse texto explicando porque não comentamos sobre o atual cenário político brasileiro.

Em primeiro lugar acreditamos que discutir política no Brasil ou em qualquer lugar que seja é muito além do que simplesmente atacar as ideias daquele que pensa diferente. Hoje a "discussão" política parece não ir além de uma bipolarização entre estrelas e tucanos onde a preocupação mor se resume a meros ataques sobre o pensamento do outro. 

Há ainda a questão midiática; essa, então, a mais delicada para nós. Como há de se realizar uma discussão sadia quando os meios que deveriam te informar, te deformam com a opinião deles do que é o certo? Dizemos isto não só pela emissora que, com certeza, lhes vieram à mente no início desse parágrafo. Até porque há canais que defendem ambos os lados. Nosso ponto aqui se firma no fato de que até mesmo que tem o papel de te informar de forma imparcial, acabou virando plataforma para lançar ataques, mesmo que veladamente, a opinião (ou partido) do outro. 

Graças a este pensamento de oposições, pessoas perdem cada vez a habilidade de trocar ideias, incitadas pelo ódio diário a ideia contrária do outro pelas quais são bombardeadas em qualquer telejornal que seja; tornando assim um mero debate em uma rivalidade que gera um certo clima de tensão no ar, além de violência gratuita. 

No meio disso tudo, entre tucanos e vermelhos, há ainda aqueles que tem um saudosismo um tanto quanto peculiar, para não dizer perverso, e pedem a volta do regime militar. Achamos que deveria ser perguntado à essa parte da população se metade do que eles dizem hoje poderia ser dito tranquilamente naquela época...  

Mas retornando ao tema deste post, nos abstemos de discutir política durante este período, pois, em nosso entender, isso está muito além de uma polarização de ideias defendidas pela estrela vermelha ou pelo tucano azul (que aliás, possuem os mesmos ideários, se analisarmos friamente, que é o de manter-se no poder). Discutir política é muito mais do que Dilma ou Aécio, legalidade ou não do impeachment, renúncia ou não do vice-presidente. 

Essas discussões não fazem nada além de escamotear o que realmente importa, a discussão que realmente deve ser feita não só aqui, mas em qualquer país do mundo: os problemas nacionais e as reivindicações de interesse geral da nação. 

Saneamento básico, transporte público de qualidade, geração de empregos, preconceito, marginalização das comunidades, responsabilidade sócio-ambiental, ampliação de direitos sociais etc. esses sim são temas que deveriam permear a pauta da política em nosso país. Temas que são de interesse geral e que atingem de fato a todos, independentemente se em maior ou em menor grau. 

Trocar farpas e agressões entre dois blocos que querem o poder não deve ser a discussão política de nosso país. Encontrar soluções para resolver os problemas comuns à nação é que sim. Mas enquanto houver a manipulação que lança uma cortina de fumaça sobre o que realmente importa através de uma adaptação doméstica da Guerra Fria que se estende a bares, lares, universidades, ruas, etc. nós vamos nos abster de escrever sobre a política brasileira.