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sábado, 28 de janeiro de 2012

Ilhas Malvinas voltam a cena depois de 30 anos

Depois da famosa Guerra das Malvinas em 81. Argentina e Inglaterra voltam a discutir sobre a ilha que atualmente é de domínio inglês, mas é reivindicada pelos argentinos. 

Os ingleses afirmam que os moradores da ilha têm vontade de permanecer sob domínio britânico, tentando com isso esconder o verdadeiro intento que é a exploração de petróleo na região, além é claro de manter uma colônia disfarçada. Principalmente se a mesma pode render lucros aos ingleses. 

Já os argentinos, reivindicam a ilha para eles e agora, com o reconhecimento da União Europeia das Ilhas Malvinas como território do bloco, o fazem com ainda mais veemência e se apoiam exatamente nesta questão do petróleo, mas sob um outro prisma: o dos impactos ambientais provenientes dessa exploração na ilha que, é claro, não serão sentidos pelos ingleses. 

É uma questão típica de "uma faca de dois gumes". Se por um lado os ingleses mostram claramente que o colonialismo se faz até hoje, mesmo que de forma disfarçada (ou não), do outro o que garante que com as Malvinas sob domínio argentino a exploração de petróleo na região não seja feita ?

Fica difícil prever se isso é fogo de palha ou se a questão vai ser levada adiante, pois os ingleses não parecem nem um pouco dispostos a negociar (claro). Já para os argentinos, nesse caso para a presidente argentina, me parece uma tentativa de assegurar mais um mandato (algo que já está perto de ser feito, pois está tramitando um projeto de alteração da constituição que permita isso a presidente argentina) já que não a nada melhor que renda mais votos do que figurar como aquela que pode possívelmente conseguir um território tão almejado pelos argentinos por décadas. 

A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premiê britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.

Uma atualização política do currency board, sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.

Do convés do destroyer Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".

Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.

A autodeterminação dos kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de “independência”. Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.

Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.

Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.

Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes".

Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Mais um capítulo Irã x EUA

Já virou novela essa questão entre americanos e iranianos sobre a possível produção nuclear do Irã para fins bélicos ou pacíficos. 

Depois do embargo implementado pela União Européia ao país, seguido até pela Austrália, o Irã prometeu revidar a retaliação fechando o estreito de Ormuz (figura abaixo) que é local estratégico, pois é por onde se escoa boa parte de produção petrolífera do Oriente Médio. 

Fonte: estadao.com.br




Desses atos,  consequências poderão surgir:

A primeira delas diz respeito a União Européia. É notório que o bolco vive sua pior crise desde sua fundação e que países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal, mas principalmente o primeiro, estão de "pires na mão" e precisam urgentemente levantar suas economias. Pois bem, o petróleo utilizado por esses países vem exatamente do Irã via formas de pagamento facilitadas e com preços acessíveis a esses países. Se esse embargo for levado adiante, como esses países conseguirão melhorar, ou até mesmo manter, suas economias sem o petróleo do qual tanto necessitam ?

A segunda questão diz respeito ao fechamento do estreito. Se de fato isso ocorrer (posso estar errado, mas acho que não passa de um blefe) o preço do petróleo no mercado mundial vai subir certamente. Aliás só o embargo ao Irã já fará com que o preço suba, pois mesmo regulado pela OPEP, é menos um a vender petróleo "na praça". 

Posto isso, ainda temos mais um ponto a observar: as eleições americanas desse ano. 

Bush já nos mostrou no passado que fazer guerra dá dinheiro e movimenta a economia. Foi assim que ele manteve a economia norte-americana funcionando durante seus governos. Mas, o curioso dessa história é que Obama foi eleito, pois, em uma de suas plataformas políticas estava o fim de guerra no Iraque, o que de fato ocorreu, e retirou tropas americanas do Afeganistão, mas ao que parece tá querendo uma no Irã... Mesmo que ele não queira, parece que tem candidato a presidência dos EUA, achando que o fechamento do estreito é um ato de guerra. É, ao que parece Bush anda fazendo escola. 

Mal teve início a corrida presidencial para a Casa Branca e o principal candidato republicano à disputa já se manifestou de forma contundente a respeito do Irã. Mitt Romney, o principal aspirante à indicação republicana para as presidenciais dos Estados Unidos, disse na segunda-feira 23 que consideraria um “ato de guerra” o fechamento pelo Irã do Estreito de Ormuz, uma rota de trânsito chave para o fornecimento de petróleo mundial.
“É apropriado e essencial para nossas forças armadas, para nossa marinha de guerra, manter aberta a navegação”. “É claro que é um ato de guerra”, disse Romney em um debate com os outros três pré-candidatos republicanos em Tampa, Flórida, onde no dia 31 de janeiro será realizada uma primária crucial.
Os líderes militares e políticos do Irã advertiram no início do ano que poderiam fechar o Estreito se a crescente pressão das sanções do Ocidente por seu programa nuclear detivessem suas exportações de petróleo.
O Estreito é uma rota importante para a saída de petróleo do Golfo.
O Irã tentou reduzir as tensões na semana passada, depois de ameaçar com uma resposta se os Estados Unidos reenviassem um porta-aviões ao Golfo.
Horas antes do debate, o Pentágono confirmou que o porta-aviões dos Estados Unidos “USS Abraham Lincoln” cruzou no domingo o Estreito de Ormuz e chegou ao Golfo Pérsico, depois que o Irã ameaçou fechar a estratégica rota marítima.
Embargo Australiano
Seguindo o exemplo da União Europeia (UE), o ministro australiano das Relações Exteriores, Kevin Rudd, anunciou nesta terça-feira 24 o embargo petroleiro contra o Irã.

“Não apenas aprovamos a ação tomada em Bruxelas para a Europa. Nós, é claro, vamos fazer o mesmo para a Austrália”, afirmou Rudd em uma coletiva de imprensa conjunta com seu homólogo britânico, William Hague.
“A razão é muito clara. É preciso enviar uma mensagem ao povo do Irã, às elites políticas do Irã e ao governo do Irã de que sua conduta é globalmente inaceitável”, acrescentou o ministro após se reunir com Hague.
O acordo proíbe que a Austrália e países europeus estabeleçam novos contratos no setor petroleiro com o Irã – segundo produtor da OPEP depois da Arábia Saudita – como castigo por seu programa nuclear, que, segundo os ocidentais, tem por objetivo construir uma bomba atômica.
Autoridades iranianas minimizaram o impacto de um embargo e afirmaram que ele contribuirá apenas para aumentar os preços do petróleo.
Com informações da Agência France Press




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Mais uma UPP, agora no Vidigal

Esta semana, mais uma UPP foi inaugurada, a do Vidigal. Já comentei aqui em posts anteriores (1, 2, 3) que apesar de, no papel, o projeto das UPPs serem ótimos, na prática ainda há muito o que ser feito, principalmente porque um projeto como esse não pode vir sozinho, ou seja, deve vir acompanhado de projetos sociais e da assistência do poder público em diversas áreas como saneamento, por exemplo. 

Mesmo realizando novas ocupações velhos problemas ainda continuam e parece que o governo ainda tem muito o que fazer por essas comunidades. Apenas ocupar não resolve, deve se fazer muito mais do que isso, deve se investir verdadeiramente em melhorias para a comunidade. 

Só para constar, curioso como as UPPs estão majoritariamente na Zona Sul do Rio de Janeiro e as outras regiões, serão verdadeiramente atendidas quando ? Ou será que só existem comunidades dominadas pelo tráfico no Zona Sul ? Bom, pensando bem, quando se trata das comunidades que os turistas da Copa e das Olimpíadas irão conviver, a resposta é sim. O que explica muita coisa...
Depois de ocupar informalmente o Vidigal, na última quarta-feira 18 foi inaugurada oficialmente a UPP – Unidade de Polícia Pacificadora – na favela do Vidigal.
O bairro do Vidigal é contornado pela Avenida Niemeyer, na costa litorânea que liga São Conrado ao Leblon. Faz parte do conjunto das favelas da Rocinha, em São Conrado e Chácara do Céu, já no Leblon.
O próprio secretário de Segurança do Rio, Mariano Beltrame, executor das ocupações e pacificação de favelas, lembra que não basta afastar os grupos criminosos. É necessária a entrada de ações sociais que apóiem os moradores dessas comunidades. Caso contrário, a desordem retoma as regiões conquistadas.
Leblon e São Conrado são dois bairros nobres da Zona Sul carioca. Os contrastes, por isso, são gritantes: mansões e prédios de luxo são vizinhos de casas populares e barracos.
Exatamente por esses motivos, a visibilidade dessa nova região pacificada pelas autoridades legais é muito grande.
E, nestes dois meses depois da presença do Estado nas favelas, as discussões dos prós e contras as ações de pacificação, mais que nunca, são os focos de estudiosos e da população em geral.
Constatações controversas
Estatísticas oficiais mostram que a criminalidade cai vertiginosamente no Rio. A cidade, de acordo com pesquisa do Instituto Sangari, teve uma queda de 53,7% na taxa de homicídios – saltando para a 23ª posição do Mapa da Violência, ou a quinta menor do país. São Paulo, pela mesma pesquisa, tem a melhor posição em queda de homicídios do Brasil, entre 2000 e 2010.
O secretário de Segurança Pública, com propriedade, comemora o resultado da estatística.
Nas favelas de São Conrado/Leblon, ainda não se pode calcular o que está acontecendo, já que só agora estão sendo pacificadas.
O que se comenta é que o número de assaltos vem aumentando, em relação à época da ocupação pelo tráfico. São opiniões desencontradas das pessoas que tentam analisar os resultados.
Economicamente, as controvérsias também estão soltas. Cabeleireiros, por exemplo, se queixam que os salões estão com pouco trabalho. Dizem que, com o fim dos bailes funks semanais em toda a favela, as clientes desapareceram.
Um levantamento não oficial, porém, concluiu que os empresários locais avaliam a situação dos seus negócios como estável (71,8%) ou em crescimento (20,3%) – apenas 2,4% os consideraram “decrescendo”.
Mas existem atividades econômicas visíveis também. Grandes magazines e supermercados já estão se instalando na Rocinha, que conta também com três agências de bancos – Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, que está na favela desde 1998 e neste ano, vai abrir sua segunda agência, bem no seio da comunidade e outra no Vidigal, primeira agência bancária do bairro. Hoje, fora as casas lotéricas e conveniadas, a CEF disponibilizou mais duas agências móveis – na verdade dois ônibus especialmente construídos para ser uma agência, com banheiros, caixas eletrônicas, gerente e oferta de todos os serviços sociais, como os ligados a Fundo de Garantia, Bolsas Sociais, Salários Desemprego – e financiamentos para pequenas empresas, formais ou o não.
Diferente do que muitos dizem, que os bancos só entram para fazer negócios, mas a CEF, por exemplo, aparece entre os importantes serviços sociais oferecidos e com taxas diferenciadas.
Nessas três favelas também começam a aparecer hostels e o turismo se desloca rapidamente para a região, que tem uma vista maravilhosa da Zona Sul.
Os serviços estão caros: um refrigerante chega a custar R$ 4,50, bem mais caro que no asfalto. A subida de moto táxi custa R$ 2,50. Em compensação, um motorista de van ligando o morro a Copacabana chega a ganhar mais de R$ 5 mil líquidos por mês.
Com uma população estimada mais de 150 mil pessoas na Rocinha e 50 mil no Vidigal, a região conta com duas rádios comunitárias e um canal de TV a cabo.
O sucesso ou não da revitalização dessas comunidades carentes só poderá ser contatada a médio prazo. Afinal, a pacificação da região é muito recente.
Mas o secretário de Segurança tem razão ao afirmar que o estado tem que estar presente em todas as áreas. Principalmente no Vidigal, há comentários – absolutamente sigilosos, no gênero omertà das máfias italianas, de uma facção do tráfico, rival à que estava lá, entrando. E já botando as manguinhas de fora, cobrando pedágio das vans e oferecendo serviço de TV a cabo, o gatonet. E, sutilmente, os moradores dizem que alguns policiais também cobram taxas. Segundo as pessoas, as autoridades policiais já estão tomando conhecimento dessa pequena recaída na área da pacificação.
Deixando para as autoridades resolverem essas graves denúncias que correm a boca pequena, o ideal é que o atual quadro social realmente melhore nos próximos meses. Hoje, 71,8 % dos empresários locais vêem como estáveis seus negócios e 20,3% consideram que estão crescendo.
Também é alto o índice de emprego entre os moradores: 30,8% têm carteira assinada e 13,8% têm atuação informal. Os estudantes chegam a 23,5%.
Numa ação da Petrobras, na segunda-feira, dia 16, uma reunião de 32 empresas participaram de um encontro na quadra da escola de samba Acadêmicos da Rocinha, onde ofereceram cerca de mil vagas para trabalho a cerca de dois mil candidatos que se inscreveram.
Toda a população do Rio vê, com esperança, o desenvolvimento do programa que tem tudo para elevar o nível de vida dos moradores das favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu – o que promoverá a elevação de melhoria social a toda a cidade. O Rio merece!


Extraído de cartacapital.com.br 

E a crise grega vai ficando cada vez pior

Como já vinha comentando em posts anteriores ( 1, 2, 3) a crise na Grécia vem se agravando cada vez mais e já dá sinais claros de que está afetando os países da zona do Euro. 

Empréstimos, amortecimento da dívida por descontos juntos aos credores e até a compra de suas dívidas não parecem surtir o efeito desejado ao país que parece ter entrado em uma espiral sem fim.

A crise está tomando proporções tão grandes que países como a França já começam a sentir seus efeitos, prova disso foi o rebaixamento do país pela S&P nesse mês, que para Sarkozy soou mais como um duro golpe em ano de eleições francesas. 

Mas o rebaixamento não se restringiu só a França, mas também a outros países da zona do Euro. Enquanto isso os gregos se veem cada vez mais perdidos e isso ainda pode ficar pior já que os 130 bilhões de Euros prometidos podem nem vir. 

Fato é que a crise que vem engolindo a Grécia desde as olimpíadas de 2004, sendo agravada pela norte americana em 2008, está abarcando demais países da zona do Euro. A continuar pelo andar da carruagem, podemos ter uma medida jamais vista: a retirada de um país da zona do Euro. 

Nicolas Sarkozy passou o fim de semana passado cuidando de seu orgulho ferido depois que a Standard & Poor’s retirou da França sua nota AAA em um anúncio no final da noite de sexta-feira. Mas durante toda esta semana a Grécia mais uma vez esteve no centro da tempestade da zona do euro, enquanto inspetores da chamada “troica” — a Comissão Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu — chegam para decidir se Atenas ainda merece o resgate de 130 bilhões de euros que foi prometido em outubro passado.
E depois do rebaixamento em massa, que salientou o fato de que os investidores acreditam que os governos dos 17 membros da moeda única estarão em dificuldades se a crise se deteriorar, os parceiros da Grécia talvez não estejam mais no clima para com ela se comprometer.
Desde o alto drama político da cúpula de Bruxelas em dezembro, quando David Cameron usou o veto britânico e impediu um novo tratado da zona do euro, tivemos algumas semanas de calma assombrosa. Sob a liderança de Mario Draghi, o BCE disponibilizou meio trilhão de euros em empréstimos baratos para os bancos desprovidos de caixa, em uma aposta para desbloquear os mercados de crédito congelados e evitar o colapso do setor financeiro. Ao mesmo tempo, o BCE entrou nos mercados de títulos para comprar bilhões de euros de dívida italiana e espanhola, para ajudar a reduzir seus custos financeiros.

untamente com uma aposta concertada do novo governo “tecnocrata” de Roma para convencer os mercados e seus parceiros da zona do euro de que fala sério sobre reduzir a dívida italiana, a abordagem do BCE parecia ter pago dividendos. Os primeiros poucos eventos no calendário lotado de leilões de dívida este ano, em que os governos precisam levantar bilhões de euros nos próximos meses, se passaram tranquilamente, com custos de empréstimos mais baixos.
Mas esse breve hiato chegou a um fim dramático na sexta-feira. Primeiro, as negociações em Atenas destinadas a convencer os credores da Grécia a aceitar voluntariamente um desconto no que lhes é devido estagnaram, em meio a rumores de que os fundos hedge — que se garantiram contra o risco de colapso com swaps de moratória de crédito, e portanto receberão um pagamento em qualquer caso — estão se recusando a aderir.
Enquanto os mercados ainda digeriam a notícia do impasse em Atenas, começaram a surgir rumores de que a Standard & Poor’s estava decidida a reduzir as notas de uma série de países da zona do euro, incluindo a França. A S&P havia avisado no final de 2011, ao se aproximar a fatídica cúpula de Bruxelas, que estava examinando a classificação da maioria dos países da zona do euro porque se preocupava com sua exposição à crise da dívida soberana e não estava convencida pela reação dos políticos.
Então, depois que os mercados europeus haviam fechado, a S&P confirmou que realmente retirava da França sua cobiçada nota AAA e rebaixava outros oito países, desde o já socorrido Portugal até a ilha de Malta. Em toda a zona do euro, somente Alemanha, Holanda, Finlândia e Luxemburgo hoje mantêm a nota máxima da S&P.
Os rebaixamentos foram um pesado golpe para o orgulho dos líderes políticos, principalmente Sarkozy, que esperava mostrar a seu eleitorado que ele os havia isolado da crise, antes das eleições francesas no final deste ano. Mas também tornaram mais difícil construir um corta-fogo financeiro ao redor da Grécia.
O Fundo Europeu de Estabilização Financeira (EFSF, na sigla em inglês) de 440 bilhões, o fundo de socorro da moeda única, só é tão forte quanto os governos que o compõem, e sua própria nota AAA hoje parece seriamente ameaçada. Isso tornará muito mais difícil para os governos europeus convencer investidores estrangeiros, como a China e o Brasil, a colocar seu dinheiro em risco ao subscrever o EFSF, como se pretendia.
“Isto dificultará ainda mais a tarefa de alavancar o EFSF, na medida em que ainda era possível”, diz Sony Kapoor, do grupo de pensadores Re-Define, de Bruxelas.
A baronesa Vadera, ex-assessora do G20 que hoje é consultora sobre a crise da zona do euro, disse recentemente: “Sempre foi um absurdo os líderes sugerirem que o EFSF poderia se alavancar quatro a cinco vezes, por isso estamos exatamente no mesmo lugar há muito tempo: para a Itália e a Espanha, o BCE, com uma pequena ajuda do FMI, continua sendo seu único apoio para liquidez”.
Os bancos da Europa, que estão fortemente expostos aos títulos da zona do euro, têm probabilidade, por sua vez, de enfrentar uma nova onda de rebaixamentos em consequência das ações da S&P. O rendimento dos títulos — na verdade, a taxa de juros cobrada dos governos nacionais quando eles pedem emprestado — poderá não aumentar em consequência das reduções das notas, enquanto investidores se livram das dívidas dos países afetados, especialmente aqueles que foram rebaixados para a posição de lixo (embora, como indica Kapoor, “os investidores não podem fugir em massa do maior mercado de dívida soberana do mundo, a área do euro”).
Mas também existe um risco de que, ao trazer o impacto da crise na faixa mediterrânea da zona do euro até a porta do Palácio do Eliseu, o rebaixamento possa endurecer a atitude do governo francês no que poderiam ser algumas semanas críticas. “Sarkozy está em um ano eleitoral. Ele precisa decidir para que lado vai saltar”, diz Simon Derrick, do Bank of New York Mellon. “Ele precisa ser visto fazendo alguma coisa para restaurar a nota AAA, e a última coisa que quer fazer é dar mais dinheiro à Grécia.”
As negociações com os detentores de títulos da Grécia deveriam continuar # durante o fim de semana. Atenas advertiu repetidamente que o tempo está se esgotando e que um acordo com seus credores é uma parte essencial para receber a segunda fatia do dinheiro de resgate necessário para evitar a moratória dentro de algumas semanas.
Mas depois que as negociações estagnaram na sexta-feira o Instituto de Finanças Internacionais — o órgão obscuro de Washington que está negociando em nome dos bancos — disse em uma declaração que está na hora de “uma pausa para reflexão sobre os benefícios de uma abordagem voluntária”. Rumores vêm girando há vários dias de que o primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, exasperado pela abordagem dos investidores, está considerando aprovar uma lei para obrigá-los a aceitar um prejuízo.
Derrick diz que o colapso das negociações implica que um grande número de investidores está se recusando a jogar. “Sugere que há uma retenção realmente significativa.” E Vadera acredita que sempre foi um engano insistir que qualquer desconto deveria ser voluntário: “Para tornar a dívida da Grécia sustentável, é preciso uma profundidade de desconto que nunca foi realmente possível em uma base voluntária. É isso que a negociação está finalmente enfrentando”.
Nick Dearden, da Campanha Jubilação da Dívida, que foi fundada para combater dívidas insustentáveis nos países mais pobres do mundo, disse que o comportamento teimoso dos fundos hedge e outros chamados investidores “abutres” — alguns dos quais compraram dívida grega muito depois que ficou claro que o país estava em dificuldades — estão exacerbando o sofrimento. “A economia grega foi destruída, e é chocante ver os abutres mergulhando para recolher o que restou. É imperativo para o mundo inteiro que a Grécia e outros países endividados peçam e recebam amplo cancelamento da dívida, combinado com regulamentações estritas sobre as atividades dos abutres.”
Os fundos abutres são investidores especializados em comprar títulos de governos em dificuldades por um valor muito abaixo do nominal, e então processá-los para obter o pagamento do valor integral da dívida. Muitas vezes eles são os últimos detentores de títulos que concordam com propostas de reestruturação, mesmo quando um acordo já foi aceito por outros credores; Dearden sugere que essa é a abordagem atualmente adotada por alguns dos investidores na Grécia.
O tempo está se esgotando para Atenas. Poucos analistas acreditam hoje que uma redução de 50% do valor de seus títulos, discutida nas negociações, seja suficiente, mesmo que se chegue a um acordo — e também houve relatos de que o FMI acredita que a Grécia vai precisar de um socorro ainda maior que os 130 bilhões de euros prometidos.
A menos que o dinheiro seja liberado, o governo grego deixou claro que está correndo para “o risco imediato de uma moratória desordenada” ainda em março, quando deve repagar 14,5 bilhões de euros em títulos.
No auge da crise sobre o ameaçado referendo grego, quando George Papandreou foi forçado a deixar o poder, Sarkozy disse que havia sido um erro admitir a Grécia na zona do euro. Sua atitude, e a de governos de todo o resto da zona, agora será crítica para determinar se a Grécia se tornará o primeiro membro a abandonar a moeda única.
Os rebaixamentos
A agência de classificação de dívida Standard & Poor’s rebaixou nove países da zona do euro. Todos, exceto a Eslováquia, também foram colocados em uma perspectiva negativa, o que significa que poderá haver novos rebaixamentos.
FRANÇA. Caiu um ponto, AAA para AA+
ÁUSTRIA. Caiu um ponto, AAA para AA+
MALTA. Caiu um ponto, A para A-
ESLOVÊNIA. Caiu um ponto, AA- para A+
ESLOVÁQUIA. Caiu um ponto, A+ para A
CHIPRE. Caiu dois pontos, BBB para BB+
ITÁLIA. Caiu dois pontos, A para BBB+
PORTUGAL. Caiu dois pontos, BBB- para BB
ESPANHA. Caiu dois pontos, AA- para A


Os Bancos e a adoção dos mesmos pela sustentabilidade

Ultimamente virou moda essa questão da sustentabilidade. Não quero dizer com isso que desmereço o ideário por trás disso, pelo contrário, apoio veementemente. 

O que me incomoda, e muito, é a forma como certas instituições se apropriam desse conceito e se vendem como empresas verdes e ambientalmente responsáveis... 

Por exemplo, os bancos. Virou modinha eles propagarem que são empresas responsáveis que zelam pelo "verde", alguns fazem até propagandas "fofinhas" na televisão pra te convencer disso. 

Tudo bem, de fato eles fazem isso, mas não pelos motivos que divulgam. Nunca foi para defender o ambiente em que vivemos, mas sim porque isso gera um corte de custos imenso para eles, pois menos papel = menos gasto, já que tudo pode ser enviado por meio eletrônico. Ou seja, e-mail é de graça, já a carta que chega pra você todo mês com seu extrato, não. 

A questão aqui é simples, ainda não levam a questão da sustentabilidade a sério. Nesse caso, ela só entra na jogada para mostrar ao povo um motivo de fachada para verem como tal banco se importa com o ambiente em que vivemos, quando na verdade é uma forma que eles descobriram pra ganhar mais dinheiro. 

Enquanto isso, o nosso planeta vai pagando a conta e reuniões como as COPs da vida vão acontecendo para que nossos governantes possam fingir que estão fazendo algo, quando na verdade travam um jogo de empurra baseado em quem vai "parar sua economia primeiro em favor do ambiente", isso segundo eles. 

Eu só me pergunto até onde isso irá nos levar... 

Os bancos, essas generosas instituições, sempre preocupadas com o bem-estar coletivo de seus clientes, estão engajadas em nova e meritória campanha. Trata-se de um movimento em defesa da sustentabilidade, essa palavra nova que passou a frequentar nossas vidas para nos ensinar a viver melhor, aproveitando com sabedoria os recursos que a Mãe Natureza proporciona.

E a defesa da sustentabilidade que os bancos pregam é defender a Natureza, recebendo pilhas e baterias para dar um encaminhamento ecológico a elas, ou economizando de papel. Ou seja, preservar nossas florestas, reduzir a massa de detritos que suja as ruas, economizar a energia gasta na produção e por aí afora, numa infinidade de desdobramentos, todos positivos.
Campanha mais meritória, impossível. Ser contra isso torna você um perdulário consumidor de recursos naturais, um egoísta insensível para com o futuro da humanidade, um pária, indigno de viver numa sociedade moderna.
Porém, talvez valha a pena olhar por trás dessa bela fachada de boas intenções que agita a internet, aparece toda hora na televisão, gera entrevistas dos criadores da campanha e insere, independentemente do conjunto da obra, os bancos na lista das instituições socialmente responsáveis.
O papel que eles nos pedem para economizar é aquele que, por norma do Banco Central ou lei federal, seja lá o que for, os bancos são obrigados a enviar regularmente (acho que por mês, embora não o façam) com o resultado da nossa movimentação financeira: cheques emitidos, contas pagas, serviços prestados etc.
sso tem de vir em papel que, como sabemos, custa dinheiro. Sem contar o gasto com o pessoal encarregado de cuidar desse papel e de sua remessa até nós, além da tarifa do Correio. Multiplique por milhares (milhões) de clientes e veja quanto isso custa para os bancos.
A economia que querem que façamos para eles é abrir mão dessa correspondência toda e aceitarmos receber nossa movimentação por via digital: e-mail, Facebooks, Orkuts, Twitters e o que mais estiver disponível nesse incrível mundo da comunicação de hoje. Para eles, o custo será quase zero, as florestas e o planeta agradecerão, viveremos numa sociedade melhor.
Ótimo, mas benefícios institucionais, indiretos, à parte, o que é que nós, nosotros, ganhamos concretamente com isso? Tempo? Praticidade? Mais espaço nas gavetas e armários? Sim, tudo isso e pouca coisa, ou nada, mais. Eles, sabidamente devotados ao dinheiro, ganharão mais uma montanha dele, para nos emprestar com aqueles juros modestíssimos que conhecemos e com aquela generosidade que, por vezes, quase nos leva às lágrimas. Nós ganhamos, a consciência de ser bons cidadãos, amantes do planeta etc.
Ora, vamos falar sério! Que tal, em troca da nossa adesão à “sustentabilidade banqueira” ganharmos um desconto nas tarifas, uma reduçãozinha na taxa de juros, um premiozinho na nossa conta de poupança? Ou até, que sabe, uma panela, um liquidificador, uma escarradeira, uma coleção dos pensamentos de Lenin sobre banqueiros etc? Gostam da ideia?
Vamos ver se eles gostam. De minha parte, continuo com o papel, mesmo à custa de ser qualificado de predador insensível. E me recordo sempre de como banqueiro gosta de rezar o Pai Nosso pela metade, só a parte que diz: “Venha a nós o Vosso reino”…



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Nova meta da ONU: Energia sustentável para todos até 2030

O primeiro post do ano vem relatar essa nova empreitada da ONU que pretende até 2030 que o mundo forneça energia sustentável a todos. 

Apesar da proposta ser de muito bom grado, no papel (como todas elas são), há questões ou como diria Drummond há pedras no meio desse caminho. 

Será mesmo que grandes empresas do ramo das "energias poluidoras" vão mesmo deixar que isso ocorra ? Mesmo que permitam, com certeza será através delas mesmas que podem até investir nesse mercado, mas até realizarem essa mudança, essa situação implicará em tempo e investimento. Aliás nem precisamos tocar nesse ponto, pois o próprio prazo já torna o plano praticamente irrealizável. 

Mesmo havendo alternativas limpas como o aproveitamento da energia solar, da energia eólica e até a que vem dos alimentos; as mesmas não atendem as necessidades pela demanda de energia e tão pouco conseguem fazê-lo ainda que em pequena escala, como para atender pequenas cidades por exemplo.

Tais energias ainda estão em processo de desenvolvimento, de formas viáveis para abastecimento em larga escala e para isso há que se ter investimento em pesquisa para a construção de tecnologias que permitam a produção desse tipo de energia em larga escala ou em escala industrial como dizem.  

O plano é ótimo, a proposta melhor ainda. O problema está na execução do mesmo, bem como em sua eficácia.





Estamos chegando um ponto irreversível", sentenciou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, alertando a comunidade internacional sobre as consequências da mudança climática e a necessidade de acabar com a pobreza energética mundial de forma sustentável.
Os comentários foram feitos durante a  sessão de abertura da Cúpula Mundial Sobre a Energia do Futuro, que marcou o início oficial do Ano Internacional da Energia Sustentável para Todos. Antes que você revire os olhos diante de outra iniciativa da ONU de nome pomposo, analise seus objetivos. Eles tentam solucionar dos grandes desafios do nosso tempo: levar eletricidade a bilhões de cidadãos pobres do mundo sem causar o colapso do sistema climático global.
"Eu entendo o poder da energia de forma direta. Quando era menino na Coreia do pós-guerra, uma única lâmpada me permitiu estudar dia e noite”, recordou Ban Ki-moon. “Quero que meninos e meninas de todo o mundo tenham a mesma oportunidade”.
Energia Sustentável para Todos é o resultado da Resolução 65/151 da Assembléia Geral da ONU, aprovada em 2010. Segundo sua carta, "esta iniciativa envolverá governos, o setor privado e parceiros da sociedade civil em todo o mundo com o objetivo de garantir energia sustentável para todos, e atingir três grandes metas até 2030".

Estas metas são:

•    Garantir o acesso universal aos modernos serviços de fornecimento de energia

•    Dobrar a taxa de crescimento da eficiência energética

•    Dobrar a participação da energia renovável no mundo

"A pobreza energética ainda condena bilhões à escuridão, a oportunidades perdidas”, declarou Ban Ki-moon. "A pobreza energética precisa acabar. O desenvolvimento não é possível sem energia".
Em seguida, o secretário-geral citou algumas estatísticas conhecidas: uma em cada cinco pessoas do mundo não tem acesso à eletricidade;  três bilhões ainda precisam de carvão e esterco para cozinhar (o que gera sérios riscos à saúde devido à aspiração da fumaça).
No entanto, se a eletricidade para estes  três bilhões de pessoas viesse de usinas movidas a carvão (como muitos de nós), o planeta estaria em apuros. A Agência Internacional de Energia calcula que a demanda de energia global aumentará 50% em meados do século, estimulada sobretudo pelo crescente acesso à internet dos países em desenvolvimento. Diante disso, a ONU quer que a energia necessária aos mais pobres venha de fontes limpas, e não da queima de combustíveis fósseis, o que é essencial para que o planeta permaneça habitável.

Segundo Ban Ki-moon, “temos que disseminar exemplos de energia climpa, precisamos de inovações que possam ser aplicadas nos países em desenvolvimento. Precisamos de parcerias com o setor privado. Precisamos de lideranças visionárias. Acabar com a pobreza energética é só metade da equação”. 
"Nosso planeta está superaquecido. Precisamos desligar o termostato global. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas afirma que as emissões de gases do efeito-estufa precisam ser reduzidas pela metade até 2050 para que se mantenham as temperaturas nos níveis pré-industriais”.
E qual é a urgência de optarmos por fontes limpas de energia em detrimento dos combustíveis fósseis para alimentar o crescimento nas próximas décadas?
"Segundo a Agência Internacional de Energia”, alertou Ban Ki-moon, “estamos chegando a um ponto irreversível”.