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sábado, 28 de janeiro de 2012

Ilhas Malvinas voltam a cena depois de 30 anos

Depois da famosa Guerra das Malvinas em 81. Argentina e Inglaterra voltam a discutir sobre a ilha que atualmente é de domínio inglês, mas é reivindicada pelos argentinos. 

Os ingleses afirmam que os moradores da ilha têm vontade de permanecer sob domínio britânico, tentando com isso esconder o verdadeiro intento que é a exploração de petróleo na região, além é claro de manter uma colônia disfarçada. Principalmente se a mesma pode render lucros aos ingleses. 

Já os argentinos, reivindicam a ilha para eles e agora, com o reconhecimento da União Europeia das Ilhas Malvinas como território do bloco, o fazem com ainda mais veemência e se apoiam exatamente nesta questão do petróleo, mas sob um outro prisma: o dos impactos ambientais provenientes dessa exploração na ilha que, é claro, não serão sentidos pelos ingleses. 

É uma questão típica de "uma faca de dois gumes". Se por um lado os ingleses mostram claramente que o colonialismo se faz até hoje, mesmo que de forma disfarçada (ou não), do outro o que garante que com as Malvinas sob domínio argentino a exploração de petróleo na região não seja feita ?

Fica difícil prever se isso é fogo de palha ou se a questão vai ser levada adiante, pois os ingleses não parecem nem um pouco dispostos a negociar (claro). Já para os argentinos, nesse caso para a presidente argentina, me parece uma tentativa de assegurar mais um mandato (algo que já está perto de ser feito, pois está tramitando um projeto de alteração da constituição que permita isso a presidente argentina) já que não a nada melhor que renda mais votos do que figurar como aquela que pode possívelmente conseguir um território tão almejado pelos argentinos por décadas. 

A decisão da União Européia de reconhecer o arquipélago das Malvinas como seu território, endossando as posições belicistas do premiê britânico, David Cameron, que aprovou um plano para aumentar o contingente militar nas ilhas, serve para reacender um dado histórico que nunca deve ser esquecido: a tragédia dos países da América Latina, com seu fundo aberrante de exploração, miséria e desculturalização é uma só e com os mesmos inimigos: o neocolonialismo europeu e o imperialismo estadunidense.

Uma atualização política do currency board, sistema inventado pelo império inglês para controlar seus domínios. Se nele, a colônia não tem autonomia nenhuma e a economia flutua ao sabor do déficit comercial, na geopolítica, que se afigura ameaçadora, os países periféricos voltam a orbitar em torno dos ditames das grandes potências. Cameron tira as gravatas de seda e os ternos alinhados para, três décadas depois, reafirmar a retórica de Margareth Thatcher.

Do convés do destroyer Antrim, atravessado por uma bomba que não explodiu, Thatcher pronunciou o último discurso no seu giro de cinco dias pelas Malvinas: "Uma coisa tem que ficar clara: estas ilhas são britânicas, seus habitantes são súditos da rainha Elisabeth II e querem permanecer como tais". Dirigindo-se aos jornalistas que acompanhavam, ela reiterou que "não se pode negociar a soberania com os argentinos. Estendemos as mãos à Argentina. Não responderam. Confiamos em que eles o farão um dia. Mas não negociaremos a respeito de nossa posição soberana".

Cameron deve ignorar que o tempo histórico tem suas razões, que devem ser levadas em conta. A aventura do regime militar de Leopoldo Galtieri tinha como objetivo a permanência indefinida no governo, todo o tempo que fosse possível. Em 2012, Cristina Kirchner representa um modelo político em andamento na região há algum tempo, mais democrático de fato, humanizado e com ênfase nas reformas estruturais necessárias após o desmonte promovido pelo neoliberalismo. Ao contrário do "reel", dança típica inglesa, o tango se dança em silêncio, não contam tanto as palavras, mas os movimentos e os gestos.

A autodeterminação dos kelpers, argumento central de Thatcher e Cameron, encerra uma contradição difícil de superar. Como podem reivindicar a cidadania britânica e o direito à autodeterminação? O que temos, de fato, é uma ocupação colonial permanente travestida de “independência”. Não há mais condições objetivas para o oprimido fazer sua uma memória fabricada pelo opressor.

Convém recordar que se há 30 anos os países da América Latina foram muito além do previsível em seu apoio aos direitos argentinos, não cedendo um metro do seu território para que aviões militares fizessem escala, a resistência seria bem mais intensa com a região estruturada em comunidades como a Unasul e a Celac. Uma empreitada militar teria custos políticos bem mais profundos do que podem imaginar seus idealizadores.

Nada impede o início de discussões bilaterais sobre as Malvinas. Há para isso um antecedente importante: o documento celebrado em 1968 com a Argentina pelo governo trabalhista de Harold Wilson, que só não entrou em vigor, devido ao adiamento por causa da campanha eleitoral, e à vitória do conservador Edward Heath, depois, nas eleições de 1970.

Seu artigo 4 era bem explícito. "O governo de sua Majestade Britânica reconhecerá a soberania argentina sobre as ilhas a partir da data a ser combinada. Essa data será fixada tão logo o governo de sua Majestade Britânica esteja satisfeito com as garantias e salvaguardas oferecidas pelos governos argentinos para defender os interesses dos seus habitantes".

Como se vê, há uma saída para um impasse. Majestática, britânica e sensata. Algo que seria bem apreciado no sul do nosso continente.

2 comentários:

  1. È que eles tem aquela bombinha ne e los hermanos não se puede tener.

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  2. E que eles tem aquela bombinha e los hermaos no se puede tener e isto e uma ordem.

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