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domingo, 22 de julho de 2012

Eternamente Ab’Saber !

Um belo texto sobre um dos maiores e melhores geógrafos de nosso país...

Herdeiro de uma filosofia nos moldes das antigas escolas de formação humanística, o professor Aziz Nacib Ab’Saber é dono de uma importante trajetória intelectual associada à geografia, às ciências humanas e à sociedade em geral. Emborageógrafo especializado em geomorfologia, Aziz fazia parte de uma geração de cientistas rara, com formação escolar holística, característica da educação pública brasileira até os anos 1960. Nela, valorizavam-se a transmissão do conhecimento, a preparação do aluno para compreender o mundo na sua totalidade e o saber como algo constituinte da soma interdisciplinar das diferentes ciências. Essa herança resulta dos ensinamentos das escolas da Grécia Antiga, em que os filósofos também possuíam conhecimento de Matemática, Medicina e Economia, entre tantos outros campos do saber. Enfim, dedicavam-se a resolver os mistérios da vida em todos os seus aspectos, do natural ao social, do universal ao particular.
Sua produção acadêmica tem grande relevância para vários campos do saber e vem carregada de inovações no uso do método para analisar as questões associadas à dinâmica da natureza e da relação do homem com seu espaço geográfico. Conhecedor como poucos do território brasileiro em suas múltiplas escalas, Ab’Saber foi um dos precursores da Teoria dos Redutos, importante para explicar a evolução e a dinâmica de determinados ambientes naturais do território nacional. Esse estudo pioneiro (complementar à Teoria dos Refúgios) foi acompanhado de muitos outros tratando de temas que possuem interface entre as ciências naturais e as humanas.
Pesquisou de maneira detalhada o relevo brasileiro, sua gênese e evolução desenvolvendo classificações que se tornaram referência tanto para os estudos geográficos quanto para os de outras ciências. Entre os muitos trabalhos, destaca-se a proposta de análise da estrutura e compartimentação do relevo brasileiro, estabelecendo associação da geomorfológica com os processos geológicos, edáficos, climáticos e botânicos. É a partir dessa concepção que o professor propôs uma classificação para o que ele chamou de os grandes domínios morfoclimáticos e fitogeográficos do País. Essa proposta de classificação do relevo brasileiro, juntamente com o material cartográfico e os desenhos esquemáticos elaborados é um rico acervo didático, amplamente utilizado no ensino da Geografia nos níveis da Educação Básica e Superior.
No campo da geografia humana, dedicou-se em parte à compreensão da interferência do homem no ambiente natural. Nesse sentido, uma de suas preocupações incidia sobre o papel da urbanização como fator de alteração da natureza e seus reflexos no conjunto da sociedade, especialmente de que maneira o crescimento urbano desordenado produzia exclusão e perigos para as pessoas que habitavam as vertentes íngremes e as várzeas inundáveis. Com o enfoque na geografia urbana, Ab’Saber desenvolveu vários trabalhos versando, entre outras, sobre as cidades de Salvador, Porto Alegre, Manaus e São Paulo. No que se refere à última, fez relevantes reflexões sobre o sítio urbano, descrevendo e analisando as diferentes regiões da cidade. Em sua tese de doutorado A Geomorfologia do Sítio Urbano de São Paulo, defendida em 1957, observou a ocupação da -planície do Rio Tietê com suas colinas no entorno, quando o rio ainda era meandrante e a planície uma várzea coberta de pastos onde os animais de serviço pastavam, frequentemente muares que transportavam em suas carroças mercadorias para o centro da cidade. Nessas áreas, havia também, além dos clubes de regata e natação, os campos de futebol de várzea, chamados “campos de várzea”, onde surgiram tradicionais clubes e importantes jogadores do futebol paulista.
Os grandes romances e o ambiente
A formação acadêmica e humanista de Aziz Ab’Saber foi também inspirada na produção literária, especialmente a de caráter regional. Ele fazia questão de lembrar que a leitura de importantes romancistas representava o passaporte para o resgate de uma gama de elementos presentes na paisagem e que as narrativas dos romances permitiam explicar a geografia no seu sentido mais amplo, incluindo tanto a natureza quanto o homem.  Foi um leitor atento dos seguintes romances: Os Sertões, de Euclides da Cunha; Vidas Secas, de Graciliano Ramos; Capitães da Areia e Jubiabá, de Jorge Amado, entre muitos outros. Em algumas dessas obras aparecem características associadas à dinâmica da natureza, mas também as mazelas humanas, como as grandes desigualdades sociais, em lugares marcados pela concentração da propriedade da terra e pela exploração da população mais pobre. Contrastes semelhantes ao que o professor verificou em seus trabalhos de campo tanto no sítio urbano da cidade de São Paulo e em seus arredores quanto nos distintos lugares do Brasil por onde ele passou.
Ab’Saber obteve reconhecimento também por seus estudos e atuações em favor da causa ambiental. No Brasil, foi um dos primeiros a ser reconhecido como ambientalista por sua obstinação pela preservação das áreas naturais, já prevendo que esse seria um dos grandes problemas que a humanidade enfrentaria no fim do século XX e início deste novo milênio. Quando foi presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de1993 a1995, conclamava os pesquisadores brasileiros a realizar estudos que tivessem caráter interdisciplinar e lhes chamava a atenção para nossas riquezas naturais. Foi, nesse sentido, um defensor da Amazônia e do uso racional dos seus recursos naturais e da preservação dos modos de vida das populações dessa região. Com essa mesma ênfase defendeu, nos anos1990, anão privatização da Companhia Vale do Rio Doce, um patrimônio da sociedade brasileira que estava sendo usurpado pelos representantes do neoliberalismo, sem que esses esboçassem qualquer compromisso pelo bem-estar da nossa população.
O professor Ab’Saber pertencia a um grupo de expoentes intelectuais que não via a academia apenas como um lugar de produção de conhecimento destinada a uma parcela privilegiada da população ou de poucas empresas hegemônicas. Antes, acreditava que a universidade deveria cumprir o seu papel social, de produzir conhecimento também para os excluídos, exatamente os que mais necessitam dos avanços conquistados pela academia. Por isso, pregava uma democratização desse espaço de produção do conhecimento, rompendo os seus muros e irradiando o conhecimento gerado para os diversos cantos do País.  Essa democratização, entretanto, passa também, segundo avaliava, pelo acesso dos pobres à universidade e, nesse sentido, foi um incansável defensor de melhorias nas escolas públicas do Ensino Básico, por achar que essa seria a melhor alternativa para que o Brasil verdadeiramente se transformasse numa nação. Foi com esse espírito humanista que ele também se juntou aos movimentos sociais, buscando apoiá-los em suas manifestações, especialmente naquelas que lhes davam mais possibilidades de exercer a sua cidadania.
O acesso das pessoas ao livro, por exemplo, foi uma das suas buscas obstinadas. Para ele, a leitura permitia ao ser humano alcançar novas descobertas e se emancipar das amarras das classes dominantes. Por isso, empreendeu uma luta para ampliar os canais de leitura nas periferias das grandes cidades, especialmente do estado de São Paulo.
A Geografia em sala
A mesma dedicação que possuía em relação à pesquisa, ao trabalho de difundir as atividades de leitura ou de defender a nossa biodiversidade, também demonstrava em relação ao ensino de Geografia. Preocupou-se sempre em fazer mais acessível às pessoas os seus estudos, produzindo material didático que pudesse ser utilizado no ensino da disciplina. Como professor, não fazia distinção se o local era uma universidade renomada ou um pequeno salão coberto por lona, se era para alunos de pós-graduação ou pré-vestibulandos da periferia, a postura sempre foi a mesma e com o mesmo entusiasmo discutia seus apontamentos.
A erudição era ponto de destaque em suas aulas, entretanto, sem que a análise de uma teoria se transformasse em algo que pudesse caminhar para a incompreensão de seus alunos e/ou ouvintes. Ab’Saber possuía uma didática invejável. Nas suas exposições eram transmitidos os conceitos de determinados fenômenos físicos ou humanos com todo o rigor acadêmico, mas também para ensiná-los recorria a situações do cotidiano, contadas frequentemente com muito humor.
Essa maneira de ensinar do professor Ab’Saber, combinada com o seu amplo conhecimento teórico e empírico das dinâmicas geográficas, especialmente do território brasileiro, fazia com que as salas de aula, os anfiteatros ou qualquer outro recinto estivessem sempre lotados por distintos tipos de público, especialmente por jovens estudantes que viam no discurso do velho professor a proposição de questões muito atuais sobre os problemas do mundo contemporâneo.

Mais do mesmo ?

Durante anos nossa ocupação foi marcada pela concentração que se deu em seu litoral, muito por conta das atividades econômicas serem desenvolvidas exatamente neste local ou em suas proximidades, o que atraiu contingentes populacionais a essas áreas... 

Algumas tentativas foram realizadas para reduzir essa concentração populacional no litoral, o incentivo a ocupação da Amazônia e a construção de Brasília são exemplos disso (se foram eficazes ou não, isso é outra história). 

Mesmo com essas tentativas e com o processo de desconcentração industrial no nosso país, iniciado em 70 a relitoralização ainda pode voltar a ocorrer, pelo menos é o que defende um economista na reportagem abaixo. 

Sua tese se baseia principalmente na descoberta do pré-sal que alavancou a economia de cidades litorâneas. O Rio de Janeiro é o exemplo mais vistoso disso. 

Se pararmos pra pensar, de fato podemos correr esse risco de uma nova relitoralização, mas em que escala isso se daria ? Poderá ela ser significativa a ponto desse processo realmente fazer jus ao nome ?

Acho que são perguntas que só o tempo dirá, mas em caso positivo, como então tentar amenizar esse processo ?

Primeiro, vamos deixar uma coisa clara, essa questão da relitoralização deve ser relativizada... Não vai haver uma migração em massa para o litoral por conta do pré-sal, mas a migração ocorrerá e dentro de um todo, vai encorporar ainda mais a aglomeração de pessoas no litoral. 

A saída para isso, seria apostar na integração do país, mas... (sempre tem um "mas")

  • Vamos esbarrar no problema dos transportes... Nosso país é fracamente interligado e quando decidiu se debruçar sobre este propósito o fez pelo rodoviarismo, infelizmente. Isso sem contar que historicamente nossas vias de transporte foram feitas com o propósito pura e simplesmente de escoar produtos ao porto mais próximo e não de integrar o país como um todo. Essa integração seria um dos pontos chaves que ajudaria na questão. 
  • Outra questão é a concentração da economia, especialmente no eixo Rio-São Paulo. Seria essencial se pudéssemos criar novos pólos econômicos em outras áreas do país. Tudo bem que as outras regiões têm seus destaques, mas ainda está praticamente tudo nas costas dos estados citados. A criação de novos pólos que complementassem os atuais e também servissem como forma de aliviar a sobrecarga que os atuais pólos sofrem ajudaria e muito tanto na integração de nosso país, quanto na ocupação mais distribuída por assim dizer de nossa população. 
  •  Outra questão que se põe é a do pensar a longo prazo... É óbvio que as questões acima citadas levam tempo, e muito tempo, para serem resolvidas. Porém, não podemos esquecer que política em nosso país é pensada para 4, no máximo 8 anos e não como um legado que será construído aos poucos, mas por muitos... 

Pensar em que escala o processo de relitoralização irá acontecer, vai depender de a quantas caminhará a exploração do pré-sal e isso só o tempo dirá. Agora, a quantas andará o processo de incentivo a ocupação de nosso país afim de amenizar a intensa ocupação de nossos litorais, isso nós já sabemos... Infelizmente. 

Um dos mais respeitados especialistas em desenvolvimento regional do País, o economista Clélio Campolina Diniz, hoje reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), fala na entrevista a seguir sobre o risco de o desenvolvimento brasileiro concentrar-se nas próximas décadas novamente na faixa litorânea, a partir da exploração do pré-sal e da chamada Amazônia Azul.

Nos últimos anos, Campolina participou ativamente de iniciativas dentro do governo federal para colocar o desenvolvimento regional na agenda, mas considera que essa foi uma batalha que se perdeu nos gabinetes de Brasília, sempre ocupados com a administração do curto prazo.
CartaCapital: O senhor já falou inclusive no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), ligado à Presidência da República, que o País vive o risco da relitoralização nas próximas décadas. A que o senhor se refere? 
Clélio Campolina Diniz: A primeira coisa importante é ver o papel do território no desenvolvimento econômico. O território não é um elemento passivo, mas contem atributos naturais, históricos, culturais, econômicos.  É construído, não é apenas algo natural. Mas é construído a partir dos atributos que possui ou que vai construindo. Isso é muito importante para não vermos o território apenas como o recorte do mapa. Toda a fundamentação teórica do pós-guerra, os trabalhos do Henri Lefebvre em torno do espaço, de região, toda a visão mais crítica dá ideia de uma geografia mais ativa, na linha que era a do professor Milton Santos, da Geografia da USP. Outro ponto importante é que estamos vivendo uma profunda mudança na geografia econômica e política do mundo, com uma crise profunda do capitalismo mais consolidado, na Europa e mesmo nos EUA. E a emergência de um conjunto de novas regiões ou países. A China é o destaque que todo mundo apresenta, mas tem a Índia, o Brasil etc. E para ter nova posição no cenário mundial, é preciso ter território, base econômica e população. Tanto é que quando se fala em BRICs, um conceito que não tem muita base econômica da integração, mas é pela sinalização que esses países contêm, eles têm território grande, população grande e base econômica. Por que a Coreia do Sul não pertence aos BRICs? A Coreia é um sucesso econômico, mas tem território de 100 mil quilômetros quadrados, população de 49 milhões de habitantes, então ela não tem escala nem territorial nem populacional nem econômica. Nesse novo cenário mundial, o Brasil emerge como uma das possibilidades, ainda que estejamos diante de muitos riscos. É um país que contem população, somos quase 200 milhões de habitantes, com base econômica, embora muito heterogênea, mas com várias fronteiras de modernidade, não só na base econômica, como na cultural e na científica. Muitos cientistas e universidades brasileiras estão nas fronteiras mundiais. Isso tudo é muito importante. Uma quarta questão é que pensar o território hoje significa pensar o conjunto da região e a rede urbana, que estrutura e comanda o território. Isso é muito importante porque tradicionalmente os economistas vinham tratando da região, e os urbanistas tratavam das cidades de forma separada. Bati muito nessa tecla com a Ermínia Maricato, que foi secretária-executiva do Ministério das Cidades. Eu falava para ela: “Erminia, não trata a cidade separada do território”. Também ia lá e falava para o Ciro (Gomes, então ministro da Integração Nacional), “não trata território separado da cidade”. A cidade estrutura o território, principalmente hoje com a modernidade dos meios de comunicação. O que aconteceu com o Brasil nas últimas décadas? Tínhamos um país formado como uma ex-colônia, que pela exclusividade do comércio, as regiões se veiculavam diretamente à metrópole, então não era um país integrado. Tanto é que não tivemos um sistema de transporte que integrasse o País. O sistema que foi construído tinha a função de ligar as várias regiões aos portos.
CC: Como isso evolui mais recentemente?
CCD: A primeira grande mudança nesse cenário foi Brasília, um marco da territorialidade brasileira. Ao construir a nova capital como sede política do País, foram reorientadas a malha de transportes e viária. O Plano de Metas (e tudo o que vem depois) é uma nova territorialidade, construída a partir da nova capital e do sistema de transporte rodoviário, aliás, infelizmente o rodoviário. Então Brasília é o primeiro elemento da mudança, o segundo também está articulado a Brasília, que é a modernização do sistema de transportes, aí fundamentalmente rodoviário, com muitas mazelas daí decorrentes, mas cujo resultado foi a integração do Brasil pela via rodoviária. Essa foi a verdadeira integração do País. Um terceiro elemento extremamente importante é a mobilidade da fronteira agrícola, com base em novas tecnologias, principalmente que permitiram a incorporação do Cerrado, que até a década de 1960 eram consideradas terras de baixa qualidade. As mudanças tecnológicas – e aí é Brasil mesmo, porque essa é uma questão brasileira – de adaptação para o uso do Cerrado, como a correção do solo, toda a mecanização, toda a parte da química, a questão dos adubos. Então existiam terras planas, relativamente baratas, o que deu no boom da fronteira agrícola, que ocorreu no Cerrado. E hoje o Mato Grosso é o maior celeiro do Brasil de produção de cereais, de algodão… A cana-de-açúcar está movendo o Cerrado, que ricocheteou… Hoje o Oeste da Bahia, o Sudoeste do Piauí, o Sudoeste do Maranhão, com Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, um pedaço de Minas Gerais, tudo isso constituiu essa nova fronteira agrícola. A ela se pode adicionar o início dos projetos de agricultura irrigada. Hoje os supermercados têm frutas no ano inteiro, antigamente existiam as safras. Inclusive hoje se colhe uvas no Nordeste duas vezes e meia por ano em cada parreira, enquanto o Rio Grande do Sul colhe uma. A agricultura teve um papel central nisso. O quarto elemento tem a ver com o crescimento industrial, que inicialmente foi muito contido em São Paulo. Em 1970, o estado de São Paulo chegou a ter 58% da produção industrial do País, sendo que 44% da produção industrial brasileira estava na região metropolitana de São Paulo. E há aí um processo de desconcentração industrial que decorre de vários elementos. O primeiro é uma competição intercapitais, que movem-se para ocupar as fronteiras, aí a fronteira nacional, não a agrícola. Da mesma maneira que os capitais internacionais se movem no espaço para buscar oportunidades no mundo, os capitais brasileiros também se movem no espaço atrás de oportunidades. O segundo elemento é a melhora da infraestrutura, inclusive da rede urbana que coloca outras oportunidades vocacionais. E um terceiro elemento é o sistema de incentivos fiscais, que cumprem um papel importante, principalmente no Nordeste. A expansão industrial nordestina é resultado de um processo que a rigor começou com a Sudene, muito criticada mas deixou resultado, estruturas de transportes e telecomunicações, além de ser o melhor diagnóstico da região. Mas o transporte é o elemento central, conforme mostra a literatura a respeito, inclusive as demais estruturas são parcialmente condicionadas pelas malhas de transporte. Não é à toa que a União Europeia, apesar da crise, mantem toda a sua política de coesão territorial, com a parte central disso sendo o sistema de transporte. E por outro lado há o aumento dos custos relativos nas regiões de ocupação mais densa, como era o caso do Rio de Janeiro e posteriormente de São Paulo. Tudo isso facilitou a desconcentração relativa da indústria. Aliás, não sou um adepto da tese da desindustrialização, acredito que o que está havendo é uma desconcentração relativa. O conceito da desindustrialização foi criado teoricamente e empiricamente a partir das experiências do Noroeste da Inglaterra e do Nordeste dos EUA, regiões onde a perda da indústria foi seguida da perda em todos os demais setores, inclusive pela migração da população, o que não aconteceu no Brasil. Aqui o fenômeno é um pouco mais complexo.
CC: Essa questão da desconcentração relativa aparece bem no mapa das cidades com mais de 5 mil empregos industrias, na comparação entre 1985 e 2010.
CCD: Ela aparece bem e com duas grandes dimensões macrossociais. Uma é a da reaglomeração espacial naquilo que chamei de polígono industrial no Brasil, que inclui Belo Horizonte, Uberlândia, Londrina, Porto Alegre, Florianopólis e novamente Belo Horizonte, um trabalho que fiz em 1993, mostrando que a indústria iria sair de São Paulo e iria se reaglomerar nesse macroespaço. Os mapas mostram bem isso. E o segundo fenômeno é a expansão industrial do Nordeste brasileiro. Um terceiro, de menor peso, são as indústrias vinculadas ao setor agropecuário, que estão acompanhando a fronteira agrícola, seja de beneficiamento ou a de insumos e as de bens não-duráveis de consumo que acompanha a urbanização. Esses são os fenômenos básicos. A ideia convencional é pensar a área geográfica do território, mas hoje é preciso acrescentar a ela a chamada Amazônia Azul, que é a plataforma continental, com aproximadamente 4,5 milhões de quilômetros quadrados e que as tecnologias do futuro poderão encontrar oportunidades. O pré-sal é uma coisa mais imediata, muito próxima e que será um sucesso, por isso é que digo que o pré-sal, dependendo da dimensão que ele assuma, pode ter uma força de relitoralização. Veja por exemplo o que está acontecendo no estado do Rio, o crescimento urbano do litoral norte-fluminense, exatamente em função das atividades relacionadas à exploração do petróleo. No caso do Nordeste, também o turismo. Por outro lado, também existe a busca da interiorização, ou seja, temos forças contraditórias, cujo resultante ainda não temos muita clareza sobre qual será. E nessa perspectiva uma questão muito importante é que, se há uma intencionalidade política brasileira, de ampliar a integração com a América Latina, particularmente a América do Sul, então essa integração econômica passa também por uma integração territorial. O futuro da malha de transportes precisa responder a essa intenção de integração. É por isso que quando fizemos o mapa do Brasil policêntrico, trabalho que coordenei por encomenda do Ministério do Planejamento, surgiu a ideia de novas centralidades, para não ficarmos com a centralidade muito concentrada em São Paulo. São Paulo é a centralidade brasileira, é a cidade para integrar com o mundo. Mas, dada a dimensão do Brasil, é preciso pensarmos em outras centralidades complementares, daí escolhermos três macropolos no Oeste do Brasil, exatamente para integrar com o restante da América do Sul. Sem desconhecer uma questão de altíssima importância que é a região amazônica. O Brasil precisa identificar um novo padrão produtivo para a Amazônia que seja capaz de combinar o aproveitamento da biodiversidade sem a antropização da região.
CC: O senhor poderia falar mais sobre esses macropolos regionais?
CCD: A criação desses macropolos regionais evitaria o risco da relitoralização, atenuaria um pouco a continuação da megaconcentração em São Paulo, que começa a criar desfuncionalidades. Outro dia vi que São Paulo tinha tido 200 e tantos quilômetros de engarrafamentos, isso não é uma sociedade para se viver. O mercado tem a sua lógica, não está preocupado com a construção de um país mais justo e solidário. O mercado busca lucro, então é preciso construir pontes entre o setor público e a sociedade civil com a lógica do mercado. O Estado existe para isso, mas não é algo simples. São questões estruturais que apontam para o médio e o longo prazo. Portanto, há uma dificuldade política para implementar políticas cujos resultados não são imediatos. Também não dá para radicalizar, contrariar o mercado em todas as instâncias, é preciso que haja intermediações. Seria preciso escolher as linhas de política prioritárias. Os polos foram escolhidos com base em critérios geográficos, econômicos e potencialidades, não queremos construir catedrais no deserto. O governo precisaria ter um planejamento de médio e longo prazo para reorientar a malha de infraestrutura, principalmente de transportes, que orienta o sentido dos fluxos. Isso para viabilizar o fortalecimento desses macropolos. Também precisaria haver a descentralização de vários serviços públicos já existentes, particularmente dois: o educacional e o de saúde pública, além da infraestrutura de pesquisa. Esses elementos formariam a mão pública, do governo, que se supõe criam as condições para o investimento privado. Não se trata, portanto, de um confronto entre as políticas públicas e privadas, mas de condicionar e estimular o investimento privado.
CC: O senhor propõe um redesenho das regiões administrativas, a partir de novas categorias que não a dos estados. Como seria isso?
CCD: Seria uma nova regionalização do País para efeito de políticas públicas, algo que tromba no federalismo brasileiro. O País é federado, com três entes: a União, os estados e municípios. O Brasil é atípico, aliás, aqui o município é um ente da federação, mas em outros países não é assim. E há ainda uma anomalia, as grandes aglomerações humanas, regiões metropolitanas ou não, compostas por vários municípios. No Brasil, não existe um ente institucional que possa gerir essas aglomerações na escala metropolitana. Nos EUA existe o condado, mas aqui não. Agora estão criando consórcios entre as cidades, mas eles não têm força institucional. A proposta é dividir o País em cinco grandes regiões geográficas, a partir das forças e das homogeneidades. Daí surgiu a proposta de dividir o País em 118 subrregiões, agrupando-as com tipologias que indicassem semelhanças e diferenças, o que daria maior consistência às políticas públicas. A política de incentivos, por exemplo, não precisaria ser para todo o Nordeste, mas poderia ser para um grupo de regiões de determinadas características, mas poderia incluir o Vale do Ribeira, em São Paulo, ou o sul do Rio Grande do Sul, que é uma região estagnada. Seria uma forma de dar consistência nacional às políticas regionais. Aliás, as políticas regionais não podem ser formuladas de maneira isolada, têm de ser nacionais. Eu falava para o Ciro Gomes quando ele era ministro: “Ciro, para de pensar o Nordeste, tem de pensar o Brasil, pô!”. O Brasil aprendeu a fazer planejamento, a partir da Segunda Guerra Mundial, criando uma burocracia pública no sentido positivo, weberiana, muito qualificada e especializada. Depois houve um diagnóstico crítico de que o planejamento era muito autoritário, por ser do regime ditatorial. Em seguida veio a onda neoliberal, segundo a qual o Estado era maléfico. O governo Collor afastou a boa burocracia, que no momento está sendo recriada. A máquina pública está sendo modernizada após décadas, pré-condição para o planejamento regional. Além disso, houve as privatizações, que em determinado momento foram exageradas.
CC: Está discussão sobre o desenvolvimento regional ocorre hoje no governo federal?
CCD: Infelizmente acho que não. Houve um esforço, eu mesmo participei desse trabalho, no início do primeiro mandato do Lula, quando fizemos um grande esforço para pensar o Brasil. Coordenei um grupo de 9 professores da UFMG que trabalharam ao longo de dois anos, fizemos muitos trabalhos. Depois houve um novo momento, com o Ministério de Planejamento, quando nasceu a proposta policêntrica. Mas eu disse insistentemente que, se isso não entrar na agenda do presidente da República, não dá em nada, vira lixo. O País não está pensando nisso, infelizmente. Falta pensar com uma visão macroestrutural de longo prazo.

domingo, 15 de julho de 2012

É uma questão de prioridade...

Copa do Mundo e Olimpíadas... Ambas acontecerão pela primeira vez em nosso país nos próximos anos... 

Enquanto alguns comemoram, outros se perguntam.... 

  • Dinheiro pra investir no Maracanã nós temos, mas na saúde e na educação não?
  • Precisou sediarmos uma Copa do Mundo e uma Olimpíada para "melhorias" nas cidades começarem a ser feitas ? (sim, aspas nessas melhorias porque em sua grande maioria, o tiro está saindo pela culatra... Não é a toa que a transcarioca está sendo chamada de transtorno carioca...). 
  • Qual é o legado que isso nos deixará ?

Eu tenho batido nessas teclas, faz um bom tempo já. E acho até que vou bater pela última vez, pois já está ficando chato... 


Enquanto pessoas definham nos hospitais públicos e nossa educação pública vai ralo abaixo, vemos os orçamentos de obras para a Copa e Olimpíadas ficarem cada vez maiores... Isso sem contar as paralisações dos operários que denunciam condições precárias de trabalho e um salário de fome. 

Como vivência, vejo a cidade do Rio de Janeiro se transformar num canteiro de obras e o trânsito ficar cada vez mais confuso e pior (quem mora nas proximidades de Madureira sabe o que eu estou falando..) e o que era pra ser a transcarioca, virou o transtorno carioca... Infelizmente é o que acontece quando a obra é feita para turistas e não para cariocas... 

Também, queríamos o que de uma política que só pensa a curto prazo e não a longo prazo? Agora, vão tentar solucionar um problema histórico de deslocamento na cidade (isso para não dizer os diversos outros que temos) em apenas 4 anos e acham mesmo que vão conseguir ?

O dia em que pararem de tratar paliativo como panaceia, talvez esses problemas comecem a ser resolvidos.

Volto a dizer... Não sou contra os eventos, sou contra um país mudar suas prioridades (é... Eu sei que essas não são as nossas prioridades, mas deveriam...) deixando de investir em setores muito mais importantes para despejar dinheiro em obras para eventos esportivos. Pois, Copa do Mundo e Olimpíadas passam, mas a educação e a saúde de uma nação não... Essas são prioridades constantes em um governo... Pelo menos deveriam ser...

E ainda tem a história do legado... Mas, para essa eu vou ser bem rápido... Você seria capaz de me dizer, de todas as obras feitas para o PAN aqui do Rio de Janeiro, algum legado diferente do Engenhão?

Pois é... Mas, é uma questão de prioridade, não é mesmo ?

Senão, vejamos: gastamos horrores para reformar estádios de futebol de escassa utilidade no futuro – como no caso do Maracanã – e, ao mesmo tempo, deixamos às traças, do outro lado da rua, uma universidade pública, como a Universidade do Estado do Rio de Janeiro, e nada fazemos para impedir seu hospital pegar fogo. Isso é subdesenvolvimento, sim, sem eufemismos ou meias palavras.
País que constrói uma Cidade da Música, um prédio faraônico e inútil na Barra da Tijuca, também no Rio, e não ensina nem flauta doce às crianças das escolas públicas, é subdesenvolvido, sim.
País, cuja população que trabalha nas charmosas pousadas do Nordeste para atender ao mais exigente turista, mora em casa com esgoto a céu aberto, é subdesenvolvido sim.
Foto de “Acorda Cidadão – Movimento de Cidadania e Politização”



Previdência Social e seu difícil equilíbrio de contas

Isso vem sendo acompanhado, noticiado e não resolvido há tempos. Não é de hoje que ouvimos falar que as contas da previdência social estão no vermelho e que o governo tenta reverter esse processo. 

A mais nova tentativa agora é o que estão chamando de 85/95 que seria aposentadoria pela soma da idade com o tempo de serviço fixada em 85 anos para as mulheres e 95 anos para os homens. 

Se a tentativa vai dar certo ou não, só o tempo dirá. O problema é que isso é um prenuncio de algo que pode se agravar dentro de algumas décadas. 

Apesar de hoje nossa população ser considerada jovem, dentro de algumas décadas, se acompanharmos a transição demográfica, nossa população será majoritariamente de idosos... Se a conta tá difícil de equilibrar agora, você imagina quando este cenário se fizer real ?

Pesa ainda sobre essa questão da previdência os rombos e fraudes, alguns históricos, sobre a instituição, o que dificulta ainda mais a para o governo equilibrar as contas... 

Entre equilibrar contas e acompanhar um futuro envelhecimento de nossa população, existem outros pormenores que devem ser levados em conta, por exemplo:

  • Se nossa população de fato envelhecer, os aumentos com saúde e adaptabilidade dos equipamentos urbanos a maioria idosa aumentarão; e os mesmos devem ser acompanhados pelo Estado (Utopia eu sei, já não fazem agora, que dirá mais pra frente... Ainda mais com o tamanho desrespeito que se tem com essa parte da população...).
  • Elaborar um sistema que fiscalize de forma eficiente as fraudes na previdência também ajudaria e muito a equilibrar as contas (só que no nosso país "fiscalize" e "eficiente" na mesma sentença ou é piada ou blasfêmia...). 
  • Se beneficiar desse cenário também é uma alternativa que pode, e já está sendo usada pelo governo. Programas como o Viaja Mais oferecem ao pessoal da melhor idade condições facilitadas para viajar, o que movimenta a economia do país e ajuda nas contas com a previdência.  

O equilíbrio é delicado e parece cada vez mais distante... Se continuar assim, é capaz do pessoal que se tornar PEA ou que já é PEA nos próximos anos verem a emenda 85/95 se tornar 100/110... Até porque, é mais fácil jogar nas nossas costas do que resolver o problema (como sempre fazem). 

44.240. Esse foi o número de cidadãos que nos últimos quatro anos entraram em contato com a Coordenação de Participação Popular da Câmara dos Deputados para fazer reclamações a respeito do Fator Previdenciário. Utilizado para definir as quantias das aposentadorias do INSS, o Fator recebe críticas porque, em geral, reduz o valor dos benefícios distribuídos aos contribuintes.

A conta não é simples: a fórmula para fazer o cálculo leva em conta a alíquota de contribuição, a idade do trabalhador, seu tempo de contribuição à Previdência Social e a sua expectativa de sobrevida na data da aposentadoria, conforme tabela divulgada pelo IBGE. De acordo com essa regra, quanto mais cedo uma pessoa pedir seu benefício, menor será a quantia que irá receber: para se aposentar por tempo de contribuição, o segurado deve contribuir durante 35 anos, se for homem, ou 30 anos no caso das mulheres. As alíquotas variam de 8% a 11%, e o teto do salário é de 3.916,20 reais.
“No Brasil, o fator previdenciário funciona como uma espécie de ‘calibrador’, porque nós temos quatro tipos de aposentadorias no regime geral e três delas não têm uma idade mínima para ser concedida”, explica Marcel Cordeiro, especialista em direito previdenciário e professor da Escola Paulista de Direito e da PUC/SP.
Para ele, o índice não está sendo eficiente em atender as necessidades do País. “O fator previdenciário foi criado para o que o governo contornasse a adoção de uma idade mínima para a aposentadoria. Uma coisa que nós ouvimos todos os meses na imprensa é que a Previdência fecha em déficit. Isso quer dizer que essa fórmula atual não está funcionando. Estamos achatando os benefícios das pessoas e mesmo assim não conseguimos equilibrar as contas”, analisa.
Em maio deste ano, o déficit da pasta foi de 2,6 bilhões de reais, valor 1,4% maior que o registrado no mesmo mês em 2011.
Como substituir o Fator Previdenciário?
Desde 2008 tramita na Câmara o Projeto de Lei 3299, que estabelece o fim do Fator Previdenciário. Idealizado pelo então deputado Paulo Paim (PT-RS), o texto está pronto para análise no plenário e, segundo a ministra das Relações Institucionais Ideli Salvatti, a intenção é que a mudança seja votada ainda em agosto deste ano.
A nova proposta está sendo chamada de “85/95” e será baseada na soma do tempo de contribuição ao INSS com a idade do contribuinte. Ao chegar ao total de 85 anos (mulheres) ou 95 anos (homens), o aposentado receberá o salário integral – respeitado o teto da Previdência, sem nenhum desconto. A expectativa é que, com o cálculo 85/95, haja aumento médio de 20% nas aposentadorias.
Outra alternativa também discutida por Ideli, pelo ministro da Fazenda Guido Mantega e por Garibaldi Alves, da Previdência Social, é a adoção de uma idade mínima combinada com o período de trabalho. O Brasil é um dos únicos países do mundo que ainda não estabeleceu esse número – junto dele estão Irã, da Grécia e do Equador.
Cordeiro acredita que a opção pela idade mínima é a mais adequada. Ele argumenta que com esse sistema é mais fácil prever qual será o montante necessário para contemplar todos os beneficiados sem que o setor fique endividado.  “Para um sistema de Previdência, essa ideia é perfeita, melhor do que esse fator 85/95. Com a adoção de uma idade mínima, me parece que o equilíbrio econômico atuarial e financeiro é mais forte porque se sabe desde logo quanto dinheiro será necessário para pagar os valores devidos. Você sabe mais ou menos com base naquela população que vai ser beneficiada”.
O professor arremata com um exemplo: “No fator 85/95, uma mulher de 60 anos poderá se aposentar com apenas 25 anos de trabalho. Esse é pouco tempo de contribuição para um sistema que precisa ter equilíbrio atuarial e financeiro”.
João Batista Inocentini, presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados e Pensionistas da Força Sindical (Sindnapi), tem opinião completamente oposta. “Nós somos radicalmente contra a adoção de uma idade mínima. Isso é uma injustiça com os trabalhadores das classes mais baixas, que geralmente começam a trabalhar muito mais cedo”, afirma.
O Sindicato apoia a proposta do 85/95. “Estamos lutando para que o governo decida adotar o fator 85/95. Ele ainda apresenta problemas, mas é menos injusto do que o fator previdenciário”, diz.
Os ministros teriam um encontro na terça-feira 10 para debater o tema, porém a reunião foi adiada e ainda não há uma nova data para acontecer. Especialistas acreditam que os brasileiros não contarão com mudanças no cálculo da aposentadoria ainda este ano, uma vez que, por estarmos em período de eleição, decisões polêmicas por parte do governo acabam sendo desfavorecidas.

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Entrada da Venezuela no Mercosul anda sendo vendida como crime hediondo

Já repararam que andam torcendo nariz para a entrada da Venezuela no Mercosul ?

Pelo menos o nosso noticiário parece não vender a entrada do país no bloco como algo positivo... 

O pior é que o motivo nem é a Venezuela em si, mas sim aquele que a preside: Chávez. 

Um dos representantes mais visados da esquerda em nosso continente, Chávez anda incomodando, não é de hoje, uma galera que atua pela direita (e que controla grande parte dos meios de comunicação) em nosso país. 

Não é a toa que a notícia de entrada da Venezuela no Mercosul tem sido pouco anunciada ou anunciada como se fosse um tiro no pé do bloco dado por seus países membros. 

Divergências a parte, acredito que temos a ganhar com a entrada deste país no bloco, principalmente nas trocas comerciais. Em tempos de crise, expandir as possibilidades de comércio com um mercado é sempre uma ótima pedida... Principalmente quando nem com a redução de impostos a nossa indústria vai bem... 

De par com a uniformidade ideológica de direita – ou seja, a inexistência do contraditório requerido pela democracia –, salta à vista a desconexão entre o interesse nacional e a mesquinhez editorial da grande imprensa brasileira.
Quando escrevo, nas linhas acima, “interesse nacional”, refiro-me, inclusive, aos interesses mais imediatos do empresariado. Do descompasso entre a chamada mídia e a nação, exemplo irretorquível é a campanha contra o ingresso da Venezuela no Mercosul, acesso o qual, sabem até os contínuos das redações, é do maior interesse para a economia brasileira e atende a necessidades geopolíticas nossas. É isso mesmo: o Brasil, mercê de sua extensão territorial, dos seus recursos naturais e da sua população, tem interesses geopolíticos legítimos; ademais, é a principal economia do continente. Gostem ou não os órfãos da política da subalternidade e as viúvas do alinhamento automático do Brasil aos interesses das grandes potências. Essa realidade, da qual evidentemente decorrem novas exigências, é incompatível com o “complexo de vira-lata” que domina a visão de mundo de nossas elites alienadas. A visão que elas têm de nosso povo e de nosso projeto de nação, uma nação que não poderia dar certo porque colonizada por portugueses de cabelos pretos e olhos escuros e não por franceses e holandeses. Povo que não poderia ansiar pela grandeza porque formado por europeus de segunda classe, índios preguiçosos e negros nostálgicos.
Por que, contrariando nossos interesses econômicos e políticos, essa “grande imprensa”, reflexa, combate o ingresso no Mercosul da terceira economia continental, uma das maiores reservas petrolíferas do mundo e o terceiro mercado consumidor da região? Na Venezuela, país ao qual me refiro, aliás, já operam inumeráveis empresas brasileiras, e para suas importações se voltam as esperanças da indústria manufatureira nacional, como alternativa às crises europeia e norte-americana – sim, por incrível que pareça, a crise é deles, do “pessoal de olhos azuis” como muito bem grafou o presidente Lula. Em resumo, é do interesse da economia brasileira, mais do que de todas as demais economias da região e do bloco, a expansão do Mercosul e nele o ingresso da Venezuela, já aprovado, antes da reunião de Mendonza, pelos parlamentos de Brasil, Argentina e Uruguai. Mas esse interesse não é só das empresas estritamente brasileiras (indústrias, construtores, bancos), pois é do interesse óbvio das multinacionais aqui instaladas, vez que elas atuam no Mercosul e em alguns casos com maior desenvoltura do que nossos empresários.
Mas os jornalões são contra.
Por quê?
No caso da incorporação venezuelana, simplesmente alegam que não gostam do sr. Hugo Chávez Frías, que amanhã, tragado pela tragédia biológica ou pela derrota eleitoral, pode não ser mais presidente da República Bolivariana da Venezuela. E, em qualquer hipótese, não mais o será daqui a seis anos, o que é um nada na vida das nações e do próprio Mercosul. E, afinal, para nossa direita caolha, o sr. Chávez é tão relevante que se torna mais importante do que seu próprio país?
Nossa velha imprensa se volta contra os interesses da economia brasileira porque as quatro famílias que controlam a opinião publicada não toleram Chávez, seja porque é criolo, seja porque é anti-americanista, seja porque é nacionalista, seja porque é falastrão, seja porque é “ditador”, seja porque ganha muitas eleições, seja por isso ou por aquilo. Não gostam e pronto. O motivo aparente é irrelevante, porque não passa de pretexto para a postura reacionária que, no extremo ideológico, não tem dúvidas de postar-se contra o interesse nacional quando este, ainda que de leve, de raspão mesmo, parece não coincidir com os interesses do mercado dos EUA.
Por isso mesmo são contra a política externa brasileira e para criticá-la têm sempre à mão meia dúzia de diplomatas de pijama, magoados, ressentidos, frustrados entre a pequenez pessoal e a grandeza de uma política que, na profissão, não souberam honrar. E essa gente pequena, loquaz, escrevente, está sempre nas páginas gráficas e na tevê, para dizer docilmente o que a pauta da mídia lhes encomenda. São os “especialistas” de que a grande imprensa carece para abonar sua pauta reacionária. Exemplar desse desserviço é um ex-embaixador fernandohenriquenho em Washington, em boa hora afastado da sinecura pelo presidente Lula, e agora aboletado pelo sr. Skaf na Fiesp para deitar regras contra o interesse nacional e perorar que a indústria paulista, em crise auto-anunciada, não precisa do mercado venezuelano.
Mas nossa imprensa tampouco gosta de Evo Morales, nem de Rafael Correa, nem de Cristina Fernandez, como não gostavam de Lugo, embora fosse simpática a Uribe, como chegou a ser de Fujimori quando o larápio, antes de ser pego com a mão na botija, era o implacável carrasco da esquerda peruana. Que haverá de comum entre esses governantes (Morales, Correa e o defenestrado Lugo) para atrair a má-vontade das quatro famílias? O fato de serem todos homens do povo, isto é, estranhos aos estratos dominantes, incrustados no poder há 500 anos? O fato de haverem chegado aos respectivos governos no cume de processos sociais caracterizados pela emergência das grandes massas? Ou porque todos estão comprometidos com a defesa da soberania de seus países?
Nos primeiros minutos, para logo corrigir-se, a imprensa nativa ecoou a correta postura do governo brasileiro de condenação do golpe de Estado parlamentar que destituiu a soberania do povo paraguaio e cassou – na 24ª tentativa! – o mandato de Fernando Lugo, golpe levado a bom termo pela aliança entre os Colorados (60 anos de poder) e os Liberais de seu vice, unificados, no esforço por restabelecer o modelo de país atrasado e de povo pobre. A partir do momento em que Brasil, Uruguai e Argentina consolidaram o ingresso da Venezuela, os humores mudaram. O golpe contra o Paraguai, um repeteco do golpe da “Justiça” hondurenha (em cujo episódio a diplomacia brasileira teve desempenho igualmente correto), traz para nosso continente a instabilidade com a qual, há tantos anos, os interesses forâneos o vinham alimentando, com golpes e contra-golpes e ditaduras, como a ditadura paraguaia de Stroessner, tão bem compreendida pela “imprensa livre”.
Seja qual for a opinião de cada um de nós sobre Chávez, o fundamental é que o ingresso da Venezuela no MERCOSUL é do nosso maior interesse político e econômico: em 2010, enquanto exportamos para a Venezuela U$ 4.592 milhões, importamos apenas U$ 1.266 milhões. Do total de nossas exportações (alô, sr. Skaf!), 65% foram manufaturados, 32% produtos básicos e 3% semi-manufaturados (dados: Secex/MDIC). Esta é a realidade: as relações comerciais se dão entre Estados e não entre governos O resto é mesmo cretinice ou picaretagem.



Sustentabilidade com a nossa estrutura econômica não dá

Pois é... Nós sabemos que não dá, os políticos sabem que não dá, os chefes de Estado idem... Mas, enquanto a ganância imperar, nada será feito... Ou será que sim ?

Já venho batendo na mesma tecla há tempos: Eco-92, Rio + 20, COPs e todos os outros tratados ou conferências acerca do meio ambiente e em defesa da sustentabilidade não passarão de um jogo de empurra entre chefes de Estado se a nossa estrutura econômica continuar do jeito que está (no famoso olho por olho e dente por dente, onde, continuando o dito popular, todos ficaremos cegos e banguelas...). 

É claro que há pessoas que estão verdadeiramente engajadas em mudar esse modelo, mas são poucas e, consequentemente, têm fraca expressão. 

Contudo, como também insisto em dizer aqui, parece que a corda está apertando em certos pescoços que agora estão tentando correr contra o tempo para tentar mudar esse quadro. Eu explico... 

Todos conhecemos aquela velha equação (que alguns defendem e alguns não) aquecimento global + derretimento das calotas polares + aumento do nível do mar = supressão das cidades litorâneas, ilhas e depressões absolutas. 

Essa pequena equação, da qual você fica livre para concordar ou discordar, tem suscitado certo furor (MEDO é a palavra) em países como Holanda (depressão absoluta), Inglaterra (ilha), Suécia (península)... Que estão vendo a corda apertar no pescoço ou seria a água chegar no pescoço ? Em relação as questões climáticas e ao futuro do planeta (leia-se deles próprios). 

Cabe salientar que nós não ficamos de fora não tá... Lembre-se que a maioria esmagadora da nossa população vive no litoral... Sim; você pode pensar que nós temos terras no interior do Brasil e de fato temos, mas... Teriam elas estrutura suficiente para nos acomodar ? (acho que você já sabe a resposta... Mesmo tendo ciência que este processo, o de inundação das cidades, não ocorreria em 15 segundos e sim um tempo muito maior; sabemos que está questão também esbarra naquela coisinha chamada vontade política... ).

Em virtude disso, alguns países têm se engajado verdadeiramente na busca por uma economia sustentável... O problema é que querem fazer isso sem mudar o modo como produzimos e a estrutura econômica em que vivemos... Não, não estou dizendo para pararmos de produzir, principalmente com tantas pessoas ascendendo socialmente e saindo da miséria; isso seria relegá-los a exclusão novamente... O que deve ser feito é repensar essa estrutura econômica bem como combater o desperdício... Esse último então é essencial... 

Mas então, o que fazer ?... Pois é... Essa é a pergunta que não quer calar... Acredito que o começo dessa resposta esteja na reportagem abaixo da brilhante geógrafa Bertha Becker da qual sou partidário de suas opiniões tanto acerca da Rio+20 quanto do caminho a seguir para mudar o rumo das coisas... 


Bertha Becker é direta em suas frases: “Onde estão as grandes reservas de recursos naturais? Nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. E as tecnologias estão no norte. Há interesse dos desenvolvidos em ampliar o controle sobre esses recursos”. A objetividade se mantém quando ela comenta um dos pontos centrais da Rio+20: “Economia verde é abertura de novos mercados. O que causa a perda da biodiversidade é a emissão de gases, é justamente a estrutura econômica que aí está”.

Bertha, que há mais de trinta anos acompanha o avanço da pecuária e da agricultura na Amazônia com graves prejuízos para a floresta, destaca sempre o papel do Estado como indutor do desenvolvimento. Nesta entrevista, ela examina os temas da Conferência – a chamada economia verde, a erradicação da pobreza e a produção e o consumo de recursos naturais – e afirma: “O Brasil, em vez de adotar mecanicamente as cartilhas que são apresentadas, poderia construir suas próprias alternativas”.

Desafios do Desenvolvimento - Qual a importância da Conferência Rio+20 e sua expectativa sobre o evento?

Bertha Becker - Não vejo muita força na Rio+20. Os principais governos estão muito preocupados com as próprias dívidas e suas crises econômicas.

Desenvolvimento - Há blocos de países com propostas comuns?

Bertha Becker - Vejo um bloco formado pela Europa, que está muito mal, e a China, muito independente e poderosa hoje. Apesar dela, os Brics formam outro bloco, no qual o Brasil apresenta dados sobre reflorestamento que impressionam, mas as informações estão sendo refeitas por estarem incorretas. Estamos descobrindo que os desmatadores usam artifícios para não serem detectados por satélites. Mantêm as copas de algumas árvores e desmatam por baixo. De qualquer forma, além da redução do desmatamento, temos a ascensão das classes C e D, que também impressiona a comunidade internacional. Talvez o Brasil queira formar outro bloco, com a América do Sul, para manter uma liderança que sempre teve.

Desenvolvimento - Há outros grupos, como o G77, que reúne 131 países em desenvolvimento. Que propostas podem apresentar?

Bertha Becker - Não vejo que tenham grande força. Sob a liderança da Europa, estão tentando sair do conceito de desenvolvimento sustentável para o de sustentabilidade global. Prefiro o primeiro, pois não gosto da ideia do global acima de tudo. Temos que nos preocupar com o global, mas não se pode achar que diferentes países, Estados e regiões do planeta são iguais. Seria bom avaliarmos o quanto essa abordagem interessa ao Brasil.

Desenvolvimento - Há textos seus destacando que, após a década de 1970, o desenvolvimento sustentável passou a ser uma nova feição da geopolítica internacional. A Rio 92 aconteceu em plena ascensão do modelo neoliberal. Já a Rio+20 acontece quando o modelo está desacreditado. Na questão ambiental isso muda alguma coisa?

Bertha Becker - A dimensão geopolítica continua. Há gente honesta, legitimamente envolvida, que se preocupa com os problemas do planeta. E há também interesses geopolíticos. Onde estão as grandes reservas de recursos naturais? Nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. E as tecnologias estão no norte. Há interesse dos desenvolvidos em ampliar o controle sobre esses recursos.

Desenvolvimento - Há outras disputas a destacar?

Bertha Becker - Sim. A vulnerabilidade dos europeus à elevação do nível do mar e o fato de que os Brics estão retirando populações da miséria. Elas entrarão no mercado de consumo. Há também uma entrada firme do capital nas questões ligadas às cidades. São os casos de saneamento e reciclagem. A meu ver isso cria condições para a reprodução da força de trabalho, pois nunca antes entraram nessa área. O grande problema dos europeus é que se houver realmente o aquecimento global, algumas regiões desaparecem. A Inglaterra é uma ilha. A Noruega e a Suécia são uma grande península cercada por mares. A Holanda já está abaixo do nível do mar. Não é por acaso que esses países comandam a questão global do clima. A maior parte de nossa população está na costa, mas temos alternativas de grandes territórios. Os Brics têm grandes territórios. A Amazônia está se tornando uma área de imigração. Não é por acaso que Japão e Holanda estão fazendo investimentos bilionários para se proteger. No Brasil, mesmo tendo território, deveríamos estar planejando a interiorização.

Desenvolvimento - Podemos aceitar um acordo para reduzir o consumo justamente agora que estamos liberando gente da miséria?

Bertha Becker - Podemos pensar como fazê-lo, mas jamais deixar de incluir. No mundo desenvolvido é preciso mudar padrões de produção e de consumo. Nós aqui temos que mudar os padrões de produção – digo isso há anos em relação à Amazônia – mas será difícil mudar o padrão de consumo.

Desenvolvimento- Outro conceito recente, ligado à ideia de sustentabilidade, é o de economia verde. O que acha dele?
Bertha Becker - Não gosto desse conceito. Dizem que a economia verde está ligada aos três pilares do desenvolvimento sustentável (econômico, social e ambiental), mas na verdade é um pilar meramente econômico. Os textos das Nações Unidas não definem muito bem esse conceito, assim como o de desenvolvimento sustentável. Com uma ideia vaga, a adesão é muito maior, ninguém pode ser contra.
Desenvolvimento - O que está por trás disso?

Bertha Becker - Uma tentativa de superar a crise econômica através da expansão do sistema em múltiplos outros meios e atividades, inclusive sobre os recursos naturais. Poucos fazem a ligação entre a crise econômico-financeira e a crise ambiental. A chamada economia verde representa a abertura de novos mercados, implica tomar conta de recursos naturais e entrar nas cidades. Além de não se fazer a diferenciação entre países, Estados e regiões, ninguém fala nas causas econômicas dos problemas. Antes era tudo ambiental. Agora incorporaram a questão social. Virou socioambiental. Existe a ideia que a ciência e a tecnologia salvarão o planeta. Mas acho muito difícil, se não houver mudanças nas causas da degradação. Nesse sentido não há dúvida que o neoliberalismo ainda impera.

Desenvolvimento - O meio ambiente tornou-se uma questão de mercado?

Bertha Becker - Sim. Já escrevi sobre isso há alguns anos: existe a mercantilização dos elementos da natureza. O que a economia verde quer é tentar superar obstáculos, inclusive da crise, abrindo novas fronteiras. Recursos naturais, produção de energia e, como parte disso, reprodução da força de trabalho. Tanto que estão entrando nas cidades. Ninguém pode ser contra a reciclagem, ao saneamento, mas o que está havendo é abertura de novos mercados. O capitalismo contemporâneo está passando por transformações e tem mesmo que mudar. A pergunta é: Quem vai promover a mudança?

Desenvolvimento - Qual o papel dos Estados nacionais e dos movimentos sociais nessa história? 

Bertha Becker - O Estado tem papel central. Os movimentos sociais e a ciência podem ser aliados, no sentido de demarcar os limites para o mercado. Mas os governos e movimentos sociais sozinhos não têm força e, se o Estado está fraco, os cientistas muito mais. Estão muito afastados da questão sociopolítica, no sentido mais amplo. Ficam muito restritos às suas especialidades. Quem pode criar externalidades positivas para os povos, no meio da trama financeira, são os Estados. No entanto, o complexo financeiro está comandando o mundo. Ninguém toca nisso. Não se trata apenas de salvar o planeta, acabar com as emissões, mas de saber se isso vai resolver o problema dos pobres do mundo. Não gosto da expressão “erradicar a pobreza”. É discurso de Banco Mundial. Nesse sentido, a Rio+20 pode até fortalecer o neoliberalismo. Há um pool de agências financeiras voltadas para a pesquisa. Já financiavam muitas ONGs, agora a carga é sobre a pesquisa.

Desenvolvimento - Há uma unidade entre ativistas e entidades da sociedade sobre os rumos a tomar?

Bertha Becker - Eu acho que houve um grande avanço dos movimentos sociais. Na Amazônia, por exemplo, nunca houve antes movimentos de reivindicação, que, dialeticamente, foram alavancados pela questão da terra, tendo o Estado como grande indutor da migração. Houve primeiro uma grande mobilização em torno da questão espacial, já que o peão é expropriado continuamente da terra, daí essa denominação – ele está sempre “girando” territorialmente. Isso trouxe uma conscientização política. Os assassinatos também. A igreja ajudou muito. Mas se isso será suficiente para enfrentar forças tão poderosas não se sabe.

Desenvolvimento - A perda de poder do Estado não debilita a alternativa do planejamento?

Bertha Becker - Sim. Por isso temos que lutar pelo restabelecimento do papel do Estado, até porque no momento não há perspectiva de nenhuma revolução mais profunda. E o Brasil, em vez de adotar mecanicamente as cartilhas que são apresentadas, poderia construir suas próprias alternativas.

Desenvolvimento - Por onde começar?

Bertha Becker - Primeiro, interromper o desflorestamento. Isso é histórico. A América Latina toda cresceu no processo de economia de fronteira, ou seja, apropriação de mais terra e recursos naturais. Esse padrão tem que mudar. Depois, acabar com o desperdício em todos os setores, não apenas no lixo urbano. De todos os recursos naturais usados, aproveitamos ínfima parte, em todas as atividades. Na construção civil é um horror. Temos ainda que desenvolver tecnologias inovadoras. Não podemos ficar dependentes de importação de tecnologias e financiamentos externos.

Desenvolvimento - Inovar em que direção?

Bertha Becker - No sentido de limpar nossos produtos. O diesel brasileiro é sujo e emite muito mais que o diesel comum. Boa parte da frota de caminhões do Brasil tem média de 50 anos. Teria que ser toda renovada. Há várias coisas fundamentais a fazer, inclusive usando o dinheiro do petróleo. Ou o Brasil desenvolve tecnologia industrial, inclusive para melhorar nossa produção, ou permanecerá dependente.


segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cinema, Pipoca e Geografia! - Invictus

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A indicação de hoje é uma das minhas preferidas... 

Recém liberto da prisão no início dos anos 90 e presidente de uma nação divida pelo Racismo em 1994, a indicação de hoje trata de como um dos maiores ícones de nossa história deu seus primeiros passos para tentar contornar esse problema que ficou enraizado durante anos. 

Sim, estou falando de Nelson Mandela e o início de sua caminhada para combater o Racismo na África do Sul. Assim, a indicação de hoje trata-se do filme "Invictus" onde, em uma atuação brilhante de Morgan Freeman, no papel de Mandela, é retratado como o presidente da África do Sul recém eleito busca integrar duas etnias divididas por anos e anos de preconceito, através do esporte. 

Claro que sabemos que até hoje o preconceito existe, e não só na África do Sul é bom que se diga. Mas vale e muito a pena vermos como Mandela tentou inteligentemente unir duas etnias que se rivalizaram durante anos e que, infelizmente, ainda continuam até hoje. Porém, com a ajuda de Mandela, podemos dizer que essa rivalidade está mais amena. Embora o desejo seja para que ela fosse extinta, não só lá como em todo o mundo.