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terça-feira, 26 de novembro de 2013

Irâ: um passo importante para reatar relações

Foi assinado neste fim de semana um acordo entre o Irã e seis potências sobre o programa nuclear iraniano. 

O Irã se comprometeria a enriquecer urânio apenas a 5%, utilizado para geração de energia; além de se desfazer ou diluir o urânio enriquecido a 20% utilizado para armas químicas. Também fez parte do acordo a cessão da expansão das usinas nucleares no Irã e a abertura das mesmas a inspetores internacionais. 

Em troca o Irã teve algumas sanções abolidas e outras medidas serão tomadas afim de liberar o país da asfixia que vivia desde o final da década de 70 com a Revolução Iraniana. 

O acordo foi imensamente celebrado pela comunidade iraniana, até por Khamenei, quem diria... 

Outras nações também manifestaram alegria (ou alívio?) com o acordo, sempre o identificando como um "importante passo" para o Irã. Até Obama se pronunciou em relação ao acordo, aliás, depois de mais de 30 anos de relações rompidas, EUA e Irã parecem estar, aos poucos, acertando seus ponteiros... 

Até a Arábia Saudita, principal aliada dos EUA na região e que andava meio avessa ao acordo, se manifestou, mesmo que timidamente, positivamente em relação ao acordo. 

O único país a ser contra  este acordo foi Israel que vociferou que isso seria um erro, pois estaria possibilitando o Irã a fabricar mais armas nucleares... Mas, alguém avisou a Israel que ela também tem armas nucleares (algo que, por mim, ninguém deveria ter...) e que ninguém vai em cima dela por isso? 

Rouhani, presidente iraniano, está dando importantes passos para restabelecer as relações diplomáticas do Irã perdidas desde a década de 70. O presidente parece mesmo disposto a, amigavelmente, se reaproximar de alguns de seus antigos desafetos. 

Se a intenção for tão boa quanto parece, esperamos que ele continue nesse viés e desafogue o Irã de décadas e décadas de sanções políticas e econômicas... 

Com informações do G1.com.br 

Um grito no silêncio: República Centro-Africana




Dos mais de 50 países do continente africano, esquecido por si só, a República Centro-Africana (RCA) certamente figura entre os mais esquecidos ou entre os sequer lembrados. 

Talvez por isso o país esteja vivendo um verdadeiro desfalecimento de seu Estado e a ONU não esteja dando a mínima... 

O presidente Bozizé, deposto e agora exilado em Paris, assiste o seu país ser dominado por um grupo chamado Seleka que, por sua vez, é composto por diversas facções que juntas tomam cada vez mais o controle do Estado, embora não tenham um "rosto" definido. 

O país, que parecia ter na França um aliado, vive aos mandos e desmandos desse grupo que trata a população de forma violenta e persegue os católicos (há bases islâmicas no grupo). Como se já não fosse pouco o Estado parece ser uma figura fantasma já que seus serviços são tão precários que chegam a ser embrionários e há partes do país que são completamente isoladas pela falta de estradas que simplesmente as conectem a outras partes do país. 

Esse total descaso não só interno, mas também interno está sendo um prato cheio para seus países vizinhos, de onde saem cada vez mais grupos que cometem saques e abusos contra a população, como se já não bastasse a Seleka pra isso.... 

Mas, como uma situação dessa não é noticiada nos jornais e televisões por aí?

Muito simples... 

A importância deste país, econômica e politicamente, no cenário mundial, mal comparando,  é a importância que nós damos a moeda de um centavo aqui no Brasil... 

Para a comunidade internacional, a importância da RCA não vale a intervenção da organização em um país que, devido a este cenário, se torna cada vez mais virtual. 

Já a França, "aliada" do país, que, inclusive, mantém parte de sua força militar guardando pontos importantes do país, simplesmente deu às costas para a RCA por estar ocupada demais com o Mali já há bastante tempo, o que o torna a atual "menina dos olhos" francesa... 

Organizações humanitárias e ONGs parecem gritar no silêncio em atenção a RCA. E, infelizmente, assim continuarão até que o mundo se torne mais generoso e menos ganancioso... 


Com informações do Le Monde Diplomatique

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Novos dados sobre mudanças climáticas no Brasil.

Novos dados foram divulgados sobre mudanças climáticas em nosso país e sobre futuros cenários advindos dessas mudanças... 

Nestes dados podemos destacar alguns pontos tais como:

  1. A temperatura em nosso país aumentará, especialmente nas regiões próximas a Linha do Equador. 
  2. As regiões Norte e Nordeste são as que mais sofrerão com secas. Aliás se pararmos pra pensar elas já sofrem. A seca no Nordeste é histórica, embora seja um problema de cerca. E a região Norte já passou por ciclos históricos de seca nos anos 2000. 
  3. O regime de chuvas irá aumentar na região Sul, embora na mesma haja áreas em que a seca ocorrerá com mais frequência. 
Com este painel nada promissor, olhamos o futuro e ficamos preocupados pois episódios de seca são desoladores em nosso país e o mesmo pode ser válido para os episódios de chuvas, com os deslizamentos que provém dos mesmos e que já nos levaram a cenas lamentáveis como as que ocorreram no Rio de Janeiro na Região Serra e em Niterói anos atrás... 

O maior problema diante deste quadro é a divisão que há entre aqueles que acreditam no aquecimento global e aqueles que não acreditam. Esta "luta" entre cientistas acaba gerando uma inércia das autoridades (que justifica apenas em parte) que por sua vez nada fazem para tentar evitar tragédias advindas das consequências deste fenômeno. 

Cabe lembrar que o aquecimento global tem sua origem no "efeito estufa" que é naturalmente realizado pela Terra, mas agravado pelo homem. Alguns defendem que as consequências vêm desse agravamento e outros defendem que a Terra passa por constantes ciclos de aquecimento e resfriamento; segundo eles, atualmente estaríamos passando pelo ciclo de aquecimento da Terra que precederia uma nova "era do gelo"... 

Opiniões dividas a parte, acredito que está mais para a primeira do que para a segunda, mas não descarto que ambas influenciem no panorama que estamos vivenciando e por vivenciar... 


O aquecimento global começou a ser foco da atenção mundial a partir de 1988, data de fundação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Desde então, o Painel produz relatórios científicos para melhorar o conhecimento sobre as mudanças climáticas. No quinto relatório liberado em setembro de 2013, o IPCC AR5, o diagnóstico é alarmante: o aquecimento global é uma realidade, observando-se um aumento na temperatura da ordem de 0,9 grau desde 1850. O IPCC AR5 atribui o aquecimento global observado nos últimos 50 anos majoritariamente às atividades humanas, com uma certeza de 95%.
Alguns dos resultados do IPCC AR5 afirmam ser muito provável que a temperatura suba em toda a América do Sul, com o maior aquecimento projetado para o sul da Amazônia. A previsão é de um aumento da temperatura média do Brasil de 0,5 grau (Centro-Sul) a 1,5 grau (Norte, Nordeste e Centro-Oeste) até o fim do século, no cenário mais otimista, e de 3 graus (Sul e litoral do Nordeste) a 7 graus (Amazônia), no pior cenário. Em relação às chuvas, porém, há incertezas, com diferentes estudos mostrando várias tendências. Mas existe grande confiabilidade para algumas regiões, como o Sul do Brasil e a Bacia do Prata, onde as chuvas vão aumentar.
A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera terrestre é a maior em pelo menos 800 mil anos, sendo 40% maior quando comparada à da era pré-industrial, por causa da queima de combustíveis fósseis. O aquecimento global é um processo natural intensificado pelo homem. Ou seja, há fatores antrópicos e há também fatores naturais.
Na escala nacional, e seguindo os moldes do IPCC, foi criado em 2009 o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (­PBMC) como um organismo científico composto por 345 pesquisadores, para reunir, sintetizar e avaliar informações científicas sobre os impactos relevantes das mudanças climáticas no Brasil.
Os resultados do primeiro Relatório de Avaliação Nacional do PBMC, publicado em 2013, reforçam as projeções de aumento de temperatura e de frequência de eventos extremos. O PBMC reúne os mais recentes resultados de pesquisas na área e sintetiza as principais tendências climáticas que, de acordo com os modelos, deverão ser observadas nas próximas décadas.
Os cenários sugeridos pelo relatório do PBMC assemelham-se aos indicados pelos relatórios do IPCC, incluindo o recente quinto relatório AR5. Para a Amazônia, fala-se de um aumento da ordem de 5 a 6 graus. Para o Nordeste, estima-se redução das chuvas em 20%, enquanto para o Sul e Sudeste poderemos observar aumento de extremos de precipitação – o que pode ser associado ao aumento da frequência de desastres naturais: chuvas intensas, deslizamentos, enchentes. De fato, essas oscilações de extremos são coincidentes com as mudanças climáticas. Para o Sul, espera-se um aumento de temperatura relativamente inferior ao da Amazônia – pode chegar a 3 graus. As chuvas poderão se concentrar em poucos dias ou meses do ano. Rios do leste do Amazonas e do Nordeste brasileiro podem sofrer uma redução de vazão de 20%. Os da Bacia do Tocantins, de até 30%. Já os da Bacia do Prata, na Região Sul, poderão ter aumento de 10% a 40%. O Nordeste é a região mais vulnerável aos extremos da variabilidade e da mudança de clima. Outro impacto poderá ser observado sobre os ecossistemas oceânicos. Nos próximos 40 anos, eles poderão sofrer redução de 6% do potencial máximo de pesca.
No Brasil, ao analisar o histórico de ocorrência de eventos climáticos extremos, observou-se que nos últimos 30 anos é maior a frequência de chuvas fortes (com mais de 60 milímetros de chuva) no inverno do Sul e do Sudeste, onde a estação é seca. Isso não ocorria antes dos anos 1970.  Outros exemplos são as ­grandes ­secas ­históricas experimentadas pela Amazônia, em 2005 e 2010, e as enchentes de 2009 e 2012, na mesma região. No Nordeste, temos uma seca severa que começou em 2012 e permanece em 2013.
Segundo o Atlas Brasileiro de Desastres Naturais, as catástrofes naturais afetaram 96,2 milhões de brasileiros no período entre 1991 e 2012. Muitas dessas tragédias são deflagradas por extremos de clima. Episódios como inundações e estiagens mataram 2.475 pessoas nesse mesmo período.
Considerando as projeções de clima , estima-se que, nos próximos anos, as tragédias devam ser intensificadas por causa das inexoráveis mudanças climáticas. Infelizmente, os municípios ainda não estão preparados para responder a desastres, como o deslizamento de encostas na região serrana do Rio em 2011. A estiagem, por exemplo, costuma ser associada apenas ao Nordeste, como a atual seca, e da Amazônia, em 2005 e 2010, mas também atinge o noroeste do Rio Grande do Sul e o oeste catarinense em 2013.  Ou seja, todo o País é vulnerável a secas.


Diálogos e ações

Os relatórios do PBMC e do IPCC mencionam a influência antrópica sobre o sistema climático, porém, é muito difícil dizer qual a porcentagem da variação é natural e qual é condicionada pela ação humana.
O IPCC e o PBMC fornecem conhecimentos científicos que podem ser usados por governantes para definir políticas ambientais e ajudar a enfrentar o problema de mudanças de clima e os seus impactos. O diálogo entre cientistas e gestores públicos nunca foi fácil, mas tem melhorado nos últimos tempos. É clássica a falta de comunicação – ou, melhor, a dificuldade de comunicação. Traduzir o linguajar científico para a linguagem dos tomadores de decisão e para a população em geral ainda é um desafio. A população é vítima da falta de diálogo entre as esferas de governo e da inércia das autoridades locais. Falta coordenação. Os tomadores de decisão questionam a existência das mudanças climáticas. As autoridades estão cercadas por céticos e cientistas. Na dúvida, optam pela inércia, e esta falta de posicionamento culmina em um desastre com mortos.
No presente, mudanças políticas e econômicas têm sido adotadas para minimizar as emissões de gases de efeito estufa. As discussões nesse sentido foram iniciadas em 1992 com a Cúpula da Terra, conhecida como Rio-92. Nesse ano, foi estabelecida a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), embasada pelas avaliações do IPCC e que tinha como objetivo procurar soluções para problemas relacionados ao aquecimento global. É necessário um acordo para limitar as emissões dos gases de efeito estufa, o que poderia ter impactos econômicos, pois diminuiria o ritmo de crescimento das economias.
A principal medida adotada pelo ­UNFCCC foi o Protocolo de Kyoto, elaborado em dezembro de 1997 e que entrou em vigor em fevereiro de 2005. A demora de quase oito anos para a aprovação deu-se pela não ratificação dos Estados Unidos, à época o maior emissor de gases de efeito estufa. O objetivo do Protocolo de Kyoto foi controlar as emissões de seis tipos de gases de efeito estufa. No entanto, um problema importante foi apresentado em sua concepção: os países em desenvolvimento não tinham metas de redução de emissões dos gases, o que caracterizava um comportamento de carona, usufruindo eventuais ganhos sem nenhum tipo de custo. Suas metas vigoraram entre 2008 e 2012, e atualmente há negociação entre países para que um novo protocolo seja consenso e entre em vigor o mais rápido possível. Além do Protocolo de Kyoto, outras ações foram tomadas visando ao combate das mudanças climáticas, como é a redução do desmatamento na Amazônia e o favorecimento do uso de energias renováveis, como a solar e eólica.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Um acordo por outros...

Neste último fim de semana, o que seria um importante passo para uma reabertura diplomática ao diálogo entre o Irã e o "mundo ocidental" (leia-se Europa e EUA, neste caso) foi freado por conta do veto francês a um acordo nuclear, entre o  P5+1 e o Irã. 

Já tinha mencionado aqui em post anterior que o governo francês andava me decepcionando ultimamente, e esta foi mais uma pra coleção. Embora o motivo do veto seja essencialmente econômico e político, ou seja, em "defesa do deles" acho que não justifica tal medida. Explico o por quê... 

O acordo seria fechado no último dia 10, mas com o veto francês as conversas foram prorrogadas para o próximo dia 20. O veto francês veio como um balde de água fria na esperança do Irã em se reaproximar do Tio San com o qual rompeu suas relações diplomáticas em 1979 por conta da revolução iraniana. 

Mas esse veto se explica quando há a notícia de que no dia anterior, 9, o governo francês fechou diversos acordos na região do Oriente Médio de venda de equipamentos militares para países que são avessos ao Irã, isso sem contar os acordos que foram fechados com outros países nos meses anteriores, na casa dos bilhões de euros. 

Esses acordos sugerem que a França pretende aumentar sua influência, principalmente na região do Golfo Pérsico e negociar cada vez mais com os países de lá, principalmente se as negociações continuarem na casa dos bilhões de euros; Agora resta saber se essas negociações continuarão se dando ao custo de gerar cada vez mais empecilhos entre o Irã e o Tio San, mantendo assim uma tensão entre os dois países que estão, ao menos aparentemente, se esforçando para que isso não ocorra. 

Dia 20, a próxima rodada de negociações será feita na tentativa de fechar um acordo definitivo. Nesta nova chance, será que a França colocará novamente seus interesses na frente de uma questão que gerou e gera uma tensão tão grande entre dois países por mais de 30 anos? Esperamos que não...

Até porque, hipoteticamente, se os acordos não saírem e os dois países acabarem se desentendo de vez e um conflito acontecer, com toda certeza a região do golfo será afetada de uma forma ou de outra e, nesse caso, será que as negociações entre a França e os países da região continuarão a ocorrer?... 

Com informações da Carta Capital.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Egito: Uma primavera que está virando inverno?

Com a deposição de Mubarak o Egito parecia ter aderido a onda da Primavera Árabe e assim iniciaria um processo para um governo democrático. 

Em seu lugar, eleito democraticamente, assume Mursi com um discurso de novos tempos para o Egito. Mas o que parecia sinais de novos tempos se mostraram os velhos tempos de Mubarak. 

Escândalos de corrupção, violação dos direitos humanos e a continuada perseguição aos cristãos levaram a população novamente as ruas, desta vez para depor Mursi... Depois de protestos e conflitos, Mursi foi deposto e uma junta civil-militar assumiu o controle do Egito até que novas eleições sejam realizadas... 

Com isso, o futuro do Egito parece incerto, pois os relatos de violação dos direitos humanos ainda continuam e a nova junta resolveu caçar a "irmandade muçulmana" (grupo do qual Mursi fazia parte) ao invés de se preocupar com a eleição de um novo governo. O panorama não parece dos melhores visto que os partidos, por sua vez, se tornaram omissos diante desta situação, muito por conta de também não terem apoio da população... 

O panorama não é dos melhores, mas a população está de olho e, se for preciso, disposta a ir às ruas novamente protestar por um governo democrático. Desta vez, por um que valha a pena...  




A queda de Hosni Mubarak, em 2011, após 30 anos no poder, provocou uma onda de esperança no Egito. Quase três anos depois da Primavera Árabe o quadro é desolador. Mohamed Morsi, primeiro presidente eleito democraticamente no país, foi deposto em julho de 2013 após um ano de crescente autoritarismo. Em seu lugar, emergiu um governo cívico-militar cujos objetivos são erradicar a Irmandade Muçulmana, grupo ao qual Morsi pertence, e restabelecer o chamado “Estado profundo” que sustentava Mubarak. Nesta entrevista aCartaCapital, concedida por ocasião XIII Colóquio Internacional de Direitos Humanos, organizado pela Conectas Direitos Humanos em São Paulo, o ativista Hossam Bahgat diz ver ingenuidade na estratégia do novo governo. Diretor executivo da ONG Iniciativa Egípcia para Direitos Individuais, Bahgat afirma que o Egito está em um “modo revolucionário” que vai persistir até reformas democráticas de verdade se tornarem realidade.
CartaCapital: Nos últimos dois anos o Egito teve inúmeros episódios de violência. Após a queda de Mubarak as violações aos direitos humanos aumentaram ou se tornaram mais visíveis?
Hossam Bahgat: A maior parte das instituições e políticas do período Mubarak continuaram a existir sem mudanças. Alguns aspectos da situação dos direitos humanos se deterioraram, não porque Mubarak era melhor, mas por conta dos novos desafios. Sob Mubarak, não tínhamos esse grau de mobilizações e protestos de massa.
CC: Nos 16 meses de governo militar [o SCAF] após a queda de Mubarak o Egito teve episódios marcantes de abusos, como o massacre de Maspero, os testes de virgindade e o espancamento da “mulher do sutiã azul”. Em 2013, na derrubada de Morsi, as Forças Armadas foram aclamadas. O que se passa?
HB: Há muitos fatores aqui. O mais forte é o fato de que as pessoas estavam muito traumatizadas pelo ano de Morsi no poder. Não necessariamente por conta das maciças e graves violações de direitos humanos, que foram muito sérias, mas porque temiam por seu futuro, segurança e liberdade. Sob o SCAF, houve sérias violações de direitos humanos, mas elas não eram direcionadas a todos, e sim aos que desafiavam o SCAF. Sob Morsi, todos eram afetados, mesmo que às vezes isso fosse apenas uma impressão. Todos temiam que a Irmandade estivesse mudando a natureza do Estado egípcio, de que tinham um plano para islamizar a sociedade e que iriam tirar as liberdades individuais. Temiam também essa organização secreta, fechada e hierárquica que estava sequestrando o país. Os egípcios começaram a temer que o Egito estivesse a caminho de se tornar o Irã ou um Estado teocrático e que a Irmandade não tivesse respeito pelas regras do jogo democrático. O povo confiou na Irmandade, dando a ela um mandato para orientar a transição, mas durante esse processo a Irmandade estava se infiltrando no Estado, escrevendo a Constituição de forma exclusiva, atacando o Judiciário ao tentar aposentar compulsoriamente mais de três mil juízes, ameaçando a mídia privada, monopolizando a mídia estatal. No fim, era uma organização secreta que estava em guerra com todo mundo. Por isso a população precisava de alguém para salvá-la, e olhou para os militares. Nas primeiras semanas depois da derrubada de Morsi, seus apoiadores usaram violência, houve ataques sem precedentes contra os cristãos ao redor do país, aumentou a violência na Península do Sinai. As pessoas começaram a ver a Irmandade como uma organização que estava usando terrorismo para voltar ao poder, e isso aumentou o apoio aos militares. Finalmente, há uma narrativa produzida após a queda de Morsi, de que essa é uma organização de terroristas, traidores, que trabalham para organizações estrangeiras e estão tentando desestabilizar o Egito, enquanto os militares estão trabalhando para proteger o Egito. Essa é a narrativa que está no controle agora.
CC: Esse apoio será duradouro?
HB: Não acho que isso vai durar, porque a popularidade dos militares era igualmente alta após a derrubada de Mubarak. Os egípcios acreditavam neles cegamente, não queriam falar sobre os julgamentos militares de civis, os testes de virgindade etc. Então, duas coisas ocorreram. Um, as violações dos militares de tornaram mais visíveis e óbvias; dois, as falhas de governança fizeram surgiu perguntas sobre a economia, o custo de vida, a conduta e o comportamento da polícia. Quando isso começa, a opinião pública muda. Hoje, quatro meses após a queda de Morsi, você pode ver lentamente essa mudança. Mais e mais egípcios têm tido a coragem de fazer perguntas.
CC: E a atuação do governo da Irmandade Muçulmana no que diz respeito aos direitos humanos?
HB: Foi desastrosa. Tínhamos expectativas altas por termos o primeiro presidente civil com um mandato para cumprir os objetivos da revolução. De julho de 2012, quando tomou posse, até novembro, quase houve oposição e ele teve o apoio de muitas facções não islamista. Muitos dos que aceitaram ser conselheiros tinham ideologias políticas diferentes e nós procuramos as novas autoridades pois queríamos apresentar propostas. Nós demos a Morsi o benefício da dúvida. Em outubro, houve demonstrações contra ele na praça Tahrir e seus apoiadores marcharam para lá. Espancaram manifestantes e destruíram a plataforma [usada para discursos]. Aquele foi o primeiro sinal do que viria pela frente: um sinal perigoso de que a Irmandade estava disposta a usar violência física contra seus oponentes políticos, o que é algo que nunca ocorreu durante [o governo] Mubarak ou depois de Mubarak. Um mês depois, com a declaração constitucional, chegou realmente o fim do mandato de Morsi. Quando ele decidiu que podia escrever sua própria Constituição, se declarar imune de questionamentos judiciais e escolher seu próprio procurador-geral, deu dois avisos. O primeiro foi o de que não há regras e quem conseguir forçar suas regras vai ganhar. O segundo é que este não seria o presidente da revolução. Em dezembro tivemos os confrontos na frente do palácio presidencial. Em janeiro, no segundo aniversário da revolução, ele nomeou um novo ministro do Interior, Muhamed Ibrahim, que é o atual ministro do Interior, e ordenou a repressão contra os manifestantes em Port Said, Ismailiya, Suez... e declarou um Estado de emergência ao redor do Canal de Suez. Em uma semana, a polícia matou 50 manifestantes, em situações bastante similares à que estamos vendo agora. E, novamente, Morsi estava na tevê elogiando a polícia e pedindo que usassem ainda mais força. Então tivemos alguns meses de prisões em massa de opositores, detenções arbitrárias, abuso sexual. Durante este período, a polícia foi ficando cada vez mais agressiva. As mortes e prisões passaram a se tornar lugar comum, como eram sob Mubarak. Os ataques à mídia se intensificaram, o Conselho Shura [equivalente ao Senado], eleito por apenas 7% dos egípcios e dominado por islamistas, passou a examinar legislações contra o Judiciário, contra ONGs, contra manifestações. Ali ficou claro que se permitissem a esse regime governar por quatro anos, em quatro anos poderíamos não ter eleições, e a legitimidade do processo democrático perdeu a validade, porque todos entraram num “modo existencial”, com a Irmandade querendo ficar no poder a qualquer custo e a oposição querendo tirá-los de lá a qualquer custo. Quando você chega neste estágio, é muito difícil voltar.
CC: Há alguma possibilidade de o Egito ter estabilidade a curto prazo?
HB: É muito improvável que haverá calma se os dois lados da atual crise continuarem a operar sob a mesma mentalidade. O regime apoiado pelos militares de hoje é amplamente controlado por um grupo que pode ser descrito como o dos erradicacionistas. Essas pessoas sentem que essa é uma oportunidade histórica para destruir a Irmandade Muçulmana, se livrar da organização como força de oposição. Eles sentem que essa é uma oportunidade que não devem perder, porque a população está do seu lado, a Irmandade fracassou no governo, a liderança inteira está presa e a mídia é controlada por eles. Por outro lado, a Irmandade Muçulmana não tem interesse em negociar e fazer concessões. É melhor para eles se tornarem vítimas perfeitas, absolutas. Desta forma, a narrativa deste período não será sobre uma organização que foi eleita, perdeu apoio popular, tinha multidões contra si na rua e foi tirada do poder. Eles têm interesse em uma narrativa diferente, de uma ditadura militar tentando destruir brutalmente o movimento islamista.
CC: O que pode romper o impasse?
HB: Os dois lados já causaram danos suficientes um ao outro. Em algum ponto, ambos vão perceber que o único caminho da crise atual é fazer um acordo. Até um acordo ser alcançado, não teremos estabilidade ou calma no Egito. Mesmo que o número de manifestações pró-Morsi seja pequeno, é muito fácil desestabilizar o país com pequenas marchas que provocam os militares e a polícia a responder violentamente. Se continuarem a desafiar a legitimidade da nova ordem, do novo regime, isso afetará o retorno do turismo e do investimento estrangeiro. E a Irmandade sabe disso. A única arma que tem é a habilidade de desestabilizar o país. Até agora não há sinais de que estamos mais perto de um acordo do que estávamos quatro meses atrás, mas não vejo nenhuma esperança da crise acabar sem um acordo.
CC: Estamos vendo um retorno da retórica da “guerra ao terror” no Egito. Quais são os impactos disso para o país?
HB: Esse é um discurso muito perigoso que as novas autoridades decidiram usar para legitimar sua campanha contra os islamistas e evitar simpatia do público com relação a eles. O que ocorreu, também, é que a Irmandade caiu na armadilha, ao realmente usar violência contra seus oponentes a ponto de provocar mortes. Além disso há violência crescente no Sinai e ataques sem precedentes contra cristãos. Isso tornou mais fácil para as autoridades pintarem a Irmandade como uma organização terrorista. Não achamos que a Irmandade Muçulmana é uma organização terrorista e [sabemos] que a maior parte dos integrantes não usa violência física. Mas eles permitiram que pessoas armadas estivessem presentes em suas ocupações e permitiram que elas usassem essas armas. Eles falharam ao se diferenciar desses ataques contra cristãos e no Sinai, então caímos facilmente neste discurso do Estado lutando contra o terrorismo. Acho que em algum ponto a Irmandade percebeu que isso era muito perigoso para ela. Temos visto menos violência por parte dos apoiadores de Morsi, mas uma continuação na violência por parte do Estado.
CC: A Irmandade Muçulmana sofreu grandes perseguições durante sua trajetória. É possível afastá-la do Egito?
HB: A coalizão do governo atual é muito ampla e os setores de maior sucesso por enquanto são aqueles que desejam exterminar a Irmandade, mas isso simplesmente não é possível. Se estamos falando de um quinto da população, como fazê-los desaparecer? O que os erradicacionistas estão fazendo é perpetuar este ciclo de violência, porque serve a seus interesses. Os islamistas também se beneficiam disso. Este jogo de soma zero precisa acabar em algum ponto se o país for sobreviver. A questão é quando, porque pode levar dez anos, como na Argélia, e aí o país inteiro terá entrado em colapso por conta de uma guerra civil, ou pode ocorrer na semana que vem e nos poupar de mais sangue e destruição.
CC: Há especulações de que o general Abdul Fatah Khalil Al-Sissi, chefe das Forças Armadas e ministro da Defesa, pode ser candidato à Presidência. Como isso pode afetar o Egito?
HB: Ou Sissi vai concorrer ou vai escolher um testa de ferro para apoiar e continuar no poder. Em ambos os casos, o regime estará tentando prolongar a vida do Estado que deveria ter entrado em colapso em 2011. Há forças na burocracia, nas Forças Armadas, no aparato de segurança, que estão tentando proteger o estado estabelecido por [Gamal Abdel] Nasser [nos anos 1950] e que na realidade morreu desde então. Eles tiveram sucesso, após 2011, em proteger o núcleo do Estado e tentam reconsolidá-lo. No entanto, não têm as ferramentas de repressão que Nasser ou mesmo Mubarak tinham, o país está num modo revolucionário e será muito difícil suprimir e calar a todos. Eles não têm os meios financeiros para manter os egípcios felizes enquanto estabelecem o controle e autoridade e gradualmente sua legitimidade e popularidade vão erodir. Então seja Sissi ou alguém que ele apoie, qualquer tentativa de preservar o Estado que Mubarak tentou salvar vai fracassar. Temos um país de jovens, que estão bravos, ainda exigindo dignidade e que sofreram ainda mais nos últimos três anos na esperança de que suas vidas vão melhorar. Achar que se pode usar os mesmos métodos de Mubarak e ter sucesso, ao contrário dele, é simplesmente ingênuo.
CC: Analistas avaliam que os partidos seculares do Egito usam a estratégia de “evitar a política” o máximo possível, pois não têm organização e base de apoio. Você concorda?
HB: A maioria dos partidos políticos seculares cometeu o erro fatal de se aliar com os militares e não condenar o assassinato de manifestantes e as prisões em massa de pessoas com base na afiliação política. Em algum momento, no entanto, precisará haver um processo político no qual os islamistas possam participar. O cálculo de alguns partidos seculares é o de que devem fazer as novas autoridades provocarem o máximo de dano possível [aos irmãos muçulmanos] para que estejam mais fracos se forem reintegrados e não tenham chances de vencer. A reviravolta virá do fato de que os irmãos muçulmanos estão agora capitalizando a simpatia gerado entre seus possíveis apoiadores, por serem os mártires, as vítimas diante desta repressão. Antes disso, a popularidade dos islamistas estava numa baixa histórica... se houvesse uma eleição eles certamente perderiam. Quanto mais violenta for a repressão, maior a chance dos irmãos muçulmanos e outros islamistas reconsolidarem sua base eleitoral. Por isso a estratégia dos partidos seculares é míope.
CC: Os ditos “liberais” do Egito defenderam o que foi visto por muitos como um golpe contra Morsi e, depois disso, o assassinato de islamistas. Onde estão os liberais de verdade do Egito?
HB: Os partidos políticos formais, sejam aqueles estabelecidos sob Mubarak ou depois de sua queda, fracassaram moralmente.  No entanto, acredito que há uma forte presença [no Egito] de setores progressistas ou liberais que são contrários à Irmandade Muçulmana e a qualquer forma de autoritarismo religioso, mas também completamente contra o governo militar e os abusos cometidos por ele. Essas forças, no entanto, não são organizadas, nem representadas nos partidos da era Mubarak ou nos novos. Há algumas tentativas de se agruparem e organizarem e, talvez, forjarem um terceiro caminho. Acredito que essa mensagem tem muito potencial, mas de fato se você olhar para os partidos seculares hoje, não se pode dizer que darão um futuro progressista ao Egito.
CC: Há relatos crescentes de hostilidade contra estrangeiros no Egito, em especial refugiados sírios. A que você atribuiu isso?
HB: Não é uma coincidência. Especialmente em julho e agosto, por meio da manipulação e do controle da mídia, [os militares] promoveram o pior tipo de propaganda que já vimos. Essa propaganda pintou um retrato de uma conspiração internacional contra o Egito, na qual norte-americanos e europeus estavam tentando recolocar Morsi no poder, e na qual palestinos e sírios estavam se infiltrando no país para fazer atos de terrorismo. Isso provocou, claro, a maior onda de ataques xenófobos contra ocidentais, palestinos e sírios que já vimos na história moderna do país. Os refugiados são os que estão pagando o maior preço.
CC: Os cristãos continuam sendo alvo após o golpe, como foram sob Mubarak, sob o SCAF e sob Morsi. Há espaço para os cristãos no futuro do Egito?
HB: Você está falando provavelmente de 8 milhões de pessoas, então não é uma pequena minoria que enfrenta a possibilidade de ser extinta. Sob o governo islamista havia grande temor de que estavam sendo expulsos do país, deixados de fora da Constituição e quase virando hóspedes em seu próprio país. Com essa narrativa de nacionalismo, os cristãos se tornaram parte do discurso de um Egito para todos os egípcios. No entanto, continua o fracasso, mesmo por parte das novas autoridades, em lidar com as causas do sectarismo, que tiveram início na década de 1970 e continuam até hoje. O sectarismo vem de leis que discriminam os cristãos, especialmente em áreas como a prática religiosa e construção e a reforma de igrejas. Há ainda uma falha do Estado em proteger os cristãos, processar aqueles que agem violentamente contra os cristãos, acabar com o discurso sectário na educação e na mídia. Nada disso está sendo feito pelas novas autoridades. Se você acompanhar as conversas sobre a nova Constituição, vai ver que os itens relacionados aos cristãos vão continuar da mesma forma. Se observar o número de ministros cristãos ou o de cristãos no grupo que formula a Constituição, não há uma grande diferença. Até agora é só a retórica que está tentando usar a questão cristã para consolidar a imagem nacionalista das novas autoridades. Ainda assim, uma das poucas coisas boas dos tempos atuais é que os cristãos estão apostando no futuro do país e sentindo que devem fazer parte da política. Como eles vão exercer esses direitos políticos ainda não sabemos. Precisamos ter tempos normais para saber isso.
CC: Você acredita que algum dia haverá punição para as violações aos direitos humanos cometidas no Egito hoje e nos últimos anos?
HB: Com certeza. É pensando nisso que eu sempre olho para esta parte do mundo para ter inspiração. Olhe os julgamentos no Peru, na Argentina, no Chile... e até no Brasil, onde vocês não tiveram um processo de responsabilização, mas começam a lidar com o legado do passado. Até a Romênia agora está tendo julgamentos. Em muitos países esse processo levou 20 ou 30 anos... então tenho certeza que vai haver um dia em que a verdade será estabelecida. O problema é que em 2011 pensamos que estávamos diante da transição e teríamos o começo de um Egito democrático, o momento para reconstruir as instituições do país e lidar com o passado. Agora sabemos que os últimos três anos foram uma extensão do passado e não o começo do futuro.

Um preconceito velado

Apesar da série já ter sido exibida no canal pago VIVA, ontem "Sai de Baixo" voltou a ser exibido em rede nacional depois de onze anos... 


Mesmo já tendo visto pelo canal pago e feito a ligação que mais a frente dividirei com vocês, esperei ser divulgado em rede aberta para que a maioria possa ter acesso. Se bem que, o Youtube me pouparia todo esse tempo (e me poupou já que o episódio pode ser visto no vídeo acima), mas vamos ao que interessa... 

No episódio que se segue há um, me perdoem a expressão, "saudosismo reacionário" quando o personagem de Miguel Falabella pede à nossa presidente que salve os aeroportos brasileiros. Como de habitual costume ele se refere a quantidade de pessoas se deslocando dentro do aeroporto, numa clara referência àqueles que ascenderam socialmente recentemente... 

Pois bem, o que parece uma simples esquete do personagem esconde um preconceito velado contra esse novo grupo que ascendeu socialmente. É fato que nos governos Lula e Dilma o número de pessoas que ascenderam socialmente "nunca antes na história deste país" foi tão grande. A melhora da economia associado a programas de distribuição direta de renda como o "Bolsa Família" (que você pode achar assistencialista o quanto quiser, mas não é) possibilitaram, em parte, que houvesse essa ascensão, o que andou deixando a velha classe média muito incomodada. 

Se antes os aeroportos viviam vazios e viajar era só para quem tivesse condições para tal, hoje a realidade é bem diferente. Com medidas para facilitar o brasileiro a viajar e assim movimentar a economia, principalmente a interna, o brasileiro se lançou ao turismo e os aeroportos, que já não tinham estrutura nem para absorver a antiga classe média que dirá a mesma associada a nova parcela, lotaram e começaram a incomodar a antiga classe média. 

Mas a "revolução" não para na questão dos aeroportos... Vai além e nas mais diversas esferas; o que deve incomodar ainda mais... Por exemplo, as operadoras de TV a cabo perceberam essa nova remessa de potenciais clientes e se adaptaram eles... Hoje em dia você pode ter um "plano condominal" que é vendido com desconto e cada morador paga sua própria fatura. Isso barateia o custo e atrai esse novo cliente que, dependendo do caso, pode até deixar o seu "gato net" e trocá-lo por uma operadora. 

Ainda no ramo acima, você já reparou que a rede "Tele Cine" agora apresenta seus filmes em versão dublada? Se você nunca se perguntou o porque disso a resposta está no fato da nova classe média não gostar de ver filmes legendados; fato esse justificado, na maioria das vezes, pelo argumento de que "ou eu leio ou eu presto atenção no filme" (eu sou um desses...). Mas, em virtude do protesto da antiga classe média, a rede agora oferece as duas possibilidade e cabe ao assinante escolher a que lhe agrada... 

Aqui faço o meu ponto com este post. O que me irrita profundamente é esse preconceito de menosprezar a classe que emerge e se junta a antiga para formar uma nova classe média. É como se fosse uma afronta evoluir socialmente e cruzar os portões da classe média. Reclamar e defender isso é tão mesquinho e tão pequeno que nem deveria ser comentado, mas acho que deixar passar despercebido esse preconceito velado não poderia. 

Principalmente quando quem assina o texto do supracitado programa, também assina um texto de teor que, a meu ver, só confirma o que eu digo. Assim, seja em forma de piada, seja em forma de uma "crônica" esse teor preconceituoso contra essa ascensão social deve sim ser exposto e combatido...