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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"Vende-se ar engarrafado"

Aproveitando que as últimas postagens foram sobre a COP, hoje vamos falar sobre algo que se achava inimaginável e, para alguns, até motivo de piada, mas que se provou ser uma triste realidade, embora com um certo quê cômico. 

Depois de, pela PRIMEIRA VEZ, a cidade de Pequim declarar alerta vermelho em relação à poluição da cidade, uma empresa chinesa começou a vender ar engarrafado do Canadá. A novidade, que parece absurda, logo pegou o gosto dos chineses e todo o estoque já foi esgotado na empresa. 

Facetas exploradoras, aproveitadoras e cruéis do capitalismo à parte, esta notícia, curiosa para não dizer outra coisa, nos convida a refletir sobre alguns questionamentos para o nosso futuro e o das gerações que nos sucederão. 

A primeira delas diz respeito a enorme cara de pau, na falta de um termo melhor, das autoridades da cidade de Pequim em ligar o alerta vermelho para a poluição da cidade, quando, já à época das olimpíadas, o nível de poluição nas áreas de competição, inclusive em Pequim, era 102 vezes acima do considerado aceitável pela ONU. 102 VEZES!  É só agora eles vêm dizer que o nível é alarmante?

Além disso, começamos a perceber, nas pequenas coisas, como esse acordo que vem sendo costurado na COP é de extrema importância para o planeta. Precisamos urgentemente de medidas globais para reverter esse quadro de poluição, agravamento do efeito estufa, aquecimento global, alterações climáticas e etc...

Do contrário, estaremos fadados a um cenário apocalíptico onde a guerra não será pelo petróleo, mas pela água. E isso já ocorre em alguns lugares, como no Oriente Médio, por exemplo, só pra citar um deles.

Contudo, fica um pouco difícil de você buscar soluções para um problema global quando nos deparamos com notícias como essa aqui.   

É de se revirar de raiva um discurso desse. Principalmente quando um símbolo da luta contra o desmatamento faria aniversário hoje, se estivesse vivo. 

Perdão, Chico Mendes, perdão. Mas a luta continua!

Aliás, o Google está prestando uma bela homenagem a este símbolo da luta contra o desmatamento. Vale a pena conferir. 


quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

A urgência por um acordo em Paris

Antes de iniciar a postagem desta semana, queria me desculpar pelo atraso na mesma. Ontem estava sem internet e só conseguir regularizar a situação hoje. 
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Na semana passada, comecei falando sobre mais uma COP, a 21ª, que está sendo realizada em Paris, e alertei sobre mais um jogo de empurra que seria feito sobre um acordo que tem uma pressa enorme para ser feito, mas anda a "passos de formiga e sem vontade". 

Quase que no mesmo tom, o fantástico publicou no domingo passado uma reportagem que faz um alerta sobre a importância dessa COP 21. 

A reportagem apresenta inclusive um vídeo que projeta como diversas cidades litorâneas serão atingidas pelo aquecimento global. Embora, é bom deixar bem claro que este é um problema numa lista enorme onde podemos também citar a migração compulsória, a perda de biodiversidade, de terrenos agricultáveis, uma reconfiguração espacial de países com áreas litorâneas, além da perda de território, aumento das médias térmicas da Terra, entre outros. 

Enquanto isso, vemos que o acordo ainda emperra numa questão antiga sobre o que cada país deseja em relação ao mesmo. Se de um lado temos os países centrais acreditando que todos devam arcar com os custos de maneira igual, de outro temos os países periféricos e em desenvolvimento alegando que a maior parcela de culpa cabe aos países centrais e, portanto, o maior esforço para resolver essa solução deve partir deles através de financiamentos de pesquisas, compartilhamento de informações e desenvolvimento de tecnologias capazes de retardar esse quadro alarmante. 

Muitos creem que a saída é amenizar ao máximo as fontes poluentes, não para que elas deixem de poluir, mas para que poluam menos. Já outros acreditam que uma mudança de matriz energética pode ser o fio condutor deste acordo, reduzindo assim sensivelmente os níveis de poluição. 

Neste cabo de guerra parece não haver vencedores, pois ambos estão corretos em suas posições; já que o certo seria que as mesmas se complementassem, e não fossem tratadas como opostos. 

Instalar filtros nas indústrias, obrigá-las a tratar seus rejeitos antes de despejá-los na natureza, por exemplo, é tão importante quanto investir no aproveitamento das energias solar e eólica em escala industrial, para que o custo de sua produção seja barateado e assim possamos realmente aproveitar uma energia limpa, sem grandes impactos ao meio ambiente. 

Além dessas medidas, somam-se leis ambientais mais rigorosas e que se façam cumprir através de uma fiscalização mais combativa e eficaz. Talvez uma universalização de leis ambientais em determinadas situações fosse também um grande avanço, desde que se respeite a soberania de cada país. 

Com um leque tão grande de sugestões e medidas, a costura de um acordo que guie o mundo na direção certa para reverter o agravamento do efeito estufa não parece ser um trabalho hercúleo. Mas enquanto esse cabo de guerra persistir, veremos inúmeras COPs que naufragarão junto com as cidades litorâneas das animações do link acima; e o nosso planeta, com isso, vai pelo mesmo caminho...

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

COP 21

Mais uma COP está ocorrendo e mais uma vez o mesmo tabuleiro se monta, as mesmas jogadas são postas na mesa e o final é tão anunciado que essa reunião mais parece uma pré-férias para os chefes de Estado do que outra coisa. 

O primeiro movimento mais batido dessa cúpula é a expressiva falta de vontade política dos países centrais em se empenharem por um acordo sobre os impactos ambientais. O que aliás chega a ser engraçado, pois quem mais polui é quem menos quer reduzir os impactos causados. 

Enquanto isso, vemos o protocolo de Kyoto perder sua validade e seu vigor (se é que algum dia os teve) enquanto o novo acordo é costurado "com passos de formiga e sem vontade". Muitas questões e ideias são postas na mesa, algumas até de origem brasileira como a da responsabilidade comum, porém diferenciada. Nesta ideia, todos são responsáveis pelos impactos ambientais, mas cada um com sua parcela. Diante disso, cada país deveria apresentar formas de amenizar os impactos ambientais, cabendo, por exemplo, aos países desenvolvidos financiar, captar recursos e transferir tecnologias para combater os impactos ambientais causados pelo homem. 

A descrença, particularmente minha, diante dessas reuniões se dá pelo seguinte: em uma situação hipotética. um país se compromete a reduzir 50% das emissões em 100 anos. Por sua vez, outro país se compromete a reduzir os mesmos 50%, mas em 120 anos. Diante disso, o primeiro país resolve revogar seu acordo inicial, causando um efeito dominó, pois o segundo também resolve fazer o mesmo e, no final, não se chega a acordo nenhum. 

De uma forma bem simplista, esse tipo de situação, esse jogo de empurra na verdade, é o que acontece em toda COP. Os países centrais possuem a disposição de um caramujo para resolver criar um acordo, já os países periféricos pressionam por um acordo que jogue a conta pra cima quase que exclusivamente dos países centrais em que, destes últimos, partam as soluções e todo o financiamento possível para que o mundo consiga sair dessa crise. E assim, andamos em círculos durante reuniões cuja expectativa é que saia um acordo panaceia para a questão climática global que se agrava a cada segundo, mas a realidade passa ao largo disso.

Apesar de tudo, líderes como Obama inflamam discursos de salvar o Planeta. Contudo, ainda acho que teremos mais uma reunião para assistir um cachorro correr atrás do próprio rabo. Pior para a gente, para o Planeta e para as futuras gerações; se é que elas chegarão a existir...

terça-feira, 24 de novembro de 2015

Cinema, Pipoca e Geografia! - Cidade dos Homens (O Carteiro)

A indicação de hoje não se trata de um filme, mas sim de um episódio do seriado "Cidade dos Homens". 

Neste episódio, que você pode conferir abaixo, Laranjinha e Acerola ficam encarregados de entregar as correspondências na comunidade ondem moram, pois o carteiro fica impossibilitado de fazê-las. Ao toparem o trabalho, a dupla se depara com um problema: a falta de orientação. 

Ruas estreitas e sem nome formam um imenso labirinto que só quem foi nascido e criado no local sabe se orientar por lá. E é exatamente este o contexto em que o seriado converge para a Geografia, o da orientação. 

O episódio serve como um ótimo introdutório para a questão da importância de saber se orientar no lugar e como os códigos fornecidos para tal, como o nome das ruas - neste caso em específico - dentre outros nos ajudam a irmos onde queremos. 

O mesmo também mostra como informações de orientação erradas podem causar diversos prejuízos e nas mais variadas escalas. 

Enfim, sem dar muito spoiler sobre o episódio em questão, fica a dica de um ótimo introdutório sobre orientação no espaço e de sua importância em saber reconhecer seus elementos e a utilização dos mesmos; principalmente pra uma geração que acha que o Google Maps, Waze, dentre outros são a panaceia pra isso e, na verdade, não são... 




terça-feira, 17 de novembro de 2015

Pequenas considerações sobre o atentado terrorista na França

A postagem de hoje vai um pouco na contramão do que circula por aí sobre a tragédia francesa cujo número de vítimas já passou a casa da centena. 

Não, eu não vou defender o E.I. nem vou cair na esparrela de ficar comparando o que aconteceu na França com o rompimento da barragem de Mariana, MG. Isso é de uma desumanidade absurda e já tem muita gente se prestando a isso nas redes sociais, meu assunto aqui é outro... 

Este ataque terrorista à França serve como mais uma confirmação de uma série de acontecimentos que podem passar desapercebidos, dentre eles podemos destacar que:

O perfil dos conflitos está mudando, basicamente, do final dos anos 90 pra cá. Se antes você tinha países lutando contra países, vide as duas guerras mundiais só para citar um rápido exemplo; agora temos grupos que buscam suas autonomias diante de um ou mais países. Podemos citar como exemplo os bascos que buscam independência da Espanha, os Curdos na Turquia e mais recentemente o E.I. embora os meios para conseguir isso sejam diferentes entre si nos casos citados, dá pra notar que o perfil entre os conflitos está mudando. 

O que nos leva ao segundo ponto desta lista: Por que é tão difícil combater o E.I.?

Poderia responder que é por causa do conhecimento que eles possuem da região que dominaram, ou por causa do treinamento militar que dão aos seus soldados, ou até mesmo pela falta de "vontade" de outros países de extingui-lo porque ainda não os incomoda, mas prefiro acreditar que somado a tudo isso (é bom que se diga) há uma dificuldade muito maior: a de reconhecer o inimigo. 

Antigamente se reconhecia o inimigo pelo uniforme que usava: o soldado vermelho tinha que atirar no soldado azul; ou pela fisionomia, ou qualquer outra característica marcante, por exemplo. Mas e quando o seu inimigo não tem um "rosto"?

E quando o seu inimigo pode ser desde o cara alto de camisa social sentado ao seu lado no ônibus a mulher de vestido que passeia pela rua olhando vitrines? 

No caso do E.I. funciona bem por aí. Por ser um grupo que recruta pessoas de várias partes do mundo, ele não tem um rosto, uma identidade. O cara sentado do seu lado no ônibus pode ser um extremista e você jamais fará ideia disso. Este fato é um agravante que torna tão difícil a eliminação do grupo e de suas atividades. 

Uma saída? seria estrangular financeiramente o grupo que consegue dinheiro através de sequestros, roubos e da venda do petróleo das áreas que estão sob seu controle. Porém, como é que se pára isso também? 

(eu sei que o pára perdeu o acento, mas ainda não me acostumei a isso. Me perdoem professores de Português e entendidos do assunto, mas essa não dá pra aceitar) 

Agora um outro detalhe, que muito pouca gente se recorda, é que a origem do Estado Islâmico pode ser explicada em parte quando os EUA, sob alegações, comprovadamente falsas, de que o Iraque possuía armas nucleares, invadiu o país e depôs Saddam Hussein (líder sunita num país de maioria xiita), levando um grupo de sunitas radicais e se levantar contra o governo iraquiano, governado por xiitas agora, através de táticas terroristas dando origem ao que hoje se conhece como E.I.

O que nos convida a pensar que quando o Tio San comete terrorismo de Estado, tá tudo bem e tudo certo, mas quando grupos terroristas se levantam o mundo usa sua indignação seletiva e logo condena os ataques. 

Veja bem, com isso não estou defendendo o E.I. e muito menos que Saddam fosse mantido no poder no Iraque. O que me incomoda nessa questão toda é essa indignação seletiva que não se revolta quando um país invade o outro - contra a vontade da ONU, é bom que se diga - "instaura a democracia" e deixa para trás um rastro de rancor, sangue e violência que não poderia culminar em outra coisa que não o que estamos vendo agora. O que faz pensar: "será que algum dia eles serão apresentados a diplomacia ou mesmo farão questão de buscá-la?"

Para sintetizar a postagem de hoje, deixo abaixo uma charge do Latuff sobre o atentado na França que exprime belissimamente o que eu tentei colocar no texto acima dentre outras considerações. 


Fonte: http://noticias.uol.com.br/album/2015/11/14/charges-repercutem-ataques-terroristas-em-paris.htm

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Um oceano de lama que ninguém se dá conta...

O assunto desta semana não poderia ser outro que não o desastre ambiental ocorrido em MG com o rompimento de duas barragens de uma mineradora que já consta como o maior acidente do estado mineiro. 

Por baixo do oceano de lama que varreu bairros, casas, carros e ceifou vidas uma tonelada de dúvidas a respeito da tragédia se acumula e as respostas parecem cada vez mais obscuras. 

Ainda não se sabe ao certo o número de vítimas, até porque, curiosamente, apenas a empresa tem acesso ao local do acidente, mas se sabe que em cidades como Bento Rodrigues, metade da população não conseguiu escapar da enxurrada de lama que ocorreu com o rompimento das barragens.

Soma-se a isso um prejuízo estimado (repetindo: estimado) em R$ 500 milhões! Isso sem contar as vidas humanas que se perderam e não há estimativa que as façam voltar. 

Mas o que intriga é que estão mostrando o fato como se fosse algo simples... E não é! Para se ter uma ideia a quantidade de lama, com rejeitos minerais é bom que se reforce, está estimada em 62 milhões de litros! Como se isso já não fosse assustador o bastante, o acidente está afetando a maior bacia hidrográfica do Sudeste do país, onde alguns rios já começam a ter seus trechos cimentados pela lama com ferro contido em seus rejeitos. 

E a lista só aumenta quando paramos pra pensar na perda de biodiversidade local, na contaminação dos rios - tornando a água imprópria para o consumo - na perda de solos agricultáveis, assoreamento dos rios - com alguns podendo até desaparecer ou terem seu curso alterado; cobertura da vegetação pela lama, interferências na cadeia do ecossistema local, prejuízos econômicos que durarão ANOS!... A lista não para. 

E o oceano de lama continua seu curso de destruição, chegando ao estado vizinho (ES) - como você pode conferir no mapa abaixo - que já montou uma brigada para evitar a falta de água no estado, bem como já está fazendo a remoção de ninhos de tartarugas da foz dos rios que serão atingidos pela onda de lama que varreu cidades em MG. 



Ainda é cedo para se calcular o tamanho deste prejuízo economicamente, socialmente, ambientalmente e em todas as outras instâncias possíveis. Mas o mínimo que se espera dessa situação é que os culpados respondam por seus atos e que essa tragédia seja encarada como uma das maiores do país e não como mais uma. Os inocentes que perderam suas vidas merecem isso...


Com informações do Outras Palavras, Gazeta OnlineBrasil de Fato e G1

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Cinema, Pipoca e Geografia! - O Futuro da Comida

A indicação desta semana no blog é um documentário intitulado "O Futuro da Comida". 

Este documentário, de 2004, mostra como os alimentos geneticamente modificados estão sendo sorrateiramente introduzidos nos supermercados sem que a população se dê conta. 

O documentário também dá voz aos pequenos e médios agricultores que são afetados negativamente por este tipo de alimento e suas tecnologias envolvidas. Acompanha também o enredo as implicações na saúde, as políticas de governo e o impulso mundial para o consumo deste tipo de alimento cujo consumo, futuramente, apresenta consequências bastante nebulosas. 

Como mensagem final o documentário nos revela que há uma silenciosa revolução em torno do alimento que comemos e que já está transformando a própria natureza do que colocamos em nossos pratos. 

O documentário é um bom abre-alas para debater a questão de implicações na modernização da agricultura, desde a Revolução Verde, além de questões mais pontuais como a produção dos alimentos transgênicos e suas consequências para quem o consome. 

Vale a pena conferir! 



terça-feira, 27 de outubro de 2015

ENEM: "gabaritos", provas e a redação mais acertada de toda a sua história.

Este fim de semana, ocorreu o Exame Nacional do Ensino Médio em todo Brasil, pelo menos para aproximadamente 7 milhões de brasileiros. 

E, entre os dramas comuns dos atrasos e estórias de superação para fazer a prova, é claro que o assunto dessa semana não poderia deixar de ser a escolha acertadíssima do tema da redação. 

Nem vou entrar no mérito de ter sido o ENEM mais difícil de todos os tempos, porque não sou qualificado para examinar todas as áreas. Contudo, nas áreas ditas humanas, achei uma prova muito bem montada, com um nível um pouco acima do ano anterior; o que vejo como naturalmente normal, já que o exame tende a evoluir com o passar dos anos (veja bem, evoluir não significar se tornar mais difícil, mas sim apresentar questões mais bem elaboradas que exijam do candidato um poder interpretativo e estar antenado com o mundo. Não simplesmente avaliar o quanto de conhecimento ele conseguiu empilhar dentro de si pra despejar desenfreadamente em dois dias de prova. 

Mas, voltando ao tema da prova, achei o tema altamente pertinente, atual e, acima de tudo, necessário de ser discutido não só entre os jovens mas entre toda a população, entre todo o mundo. Num país que tem como referência a Lei "Maria da Penha" contra a violência doméstica, precisa sim colocar esse tema em tela. Aliás, não só a violência doméstica como também a questão do gênero, do preconceito dentre tantas outras que puxam uma extensa fila de assuntos que precisam ser discutidos sim pelos nossos jovens, pela nossa população. 

Fato é que, queira uma certa classe da nossa sociedade ou não, o tema foi brilhantemente escolhido, porque, volto a dizer, um exame do porte do ENEM, não pode avaliar a quantidade de conteúdo que você conseguiu engolir goela abaixo durante o ano, mas sim se, no mínimo, você é um cidadão consciente do mundo que te cerca, desde as questões mais simples até as mais complexas. 

Meu receio diante disso, são algumas redações que eu sei que irão sair dignas de um pensamento pré-histórico porque, infelizmente, como dizem os antigos: "o papel aceita tudo". Mas, como parecia constar no cabeçalho da redação que textos ofensivos à mulher serão automaticamente eliminados, fico um pouco aliviado, mas ainda sim com pena de quem for lê-los. 

Como o gabarito oficial só sai amanhã, deixo aqui um link com um gabarito extraoficial, com as questões comentadas, por cor de prova, inclusive as mais polêmicas. 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Arco Metropolitano do RJ: a aposta que virou descaso.

Projetado para ser um importante eixo de ligação entre Itaboraí e o Porto de Itaguaí, o Arco Metropolitano (figura abaixo) foi uma grande aposta do atual governador do RJ, sendo utilizado inclusive como plataforma eleitoral. Mas o que parecia ser uma grande aposta se tornou o arco fantasma metropolitano.

Fonte: www.inmetro.gov.br
Em teoria o arco traria mais competitividade ao estado do RJ, interligando Itaboraí ao porto de Itaguaí, passando do diversos complexos industriais como a REDUC e o COMPERJ, além de servir para amenizar o fluxo de veículos pesados em rodovias como a Av. Brasil, Via Dutra  e Washington Luiz. A estrada, pronta somente no trecho entre Itaguaí e Duque de Caxias tinha tudo para alavancar a economia do estado, além de trazer mais agilidade ao deslocamento não só das cargas, mas de pessoas também, pois o fluxo das rodovias arteriais do estado seria diminuído consideravelmente. 

Porém, a falta de planejamento e falhas na concepção e execução, além da falta de segurança que a estrada apresenta, fizeram com que o Arco Metropolitano ganhasse a alcunha de estrada fantasma. 

A lista de erros e falhas é enorme...

  • A estrada não possui um posto de combustível em seus mais de 70 km de extensão. E o usuário só fica sabendo disso quando já está na estrada.  
  • Não há segurança ou vigilância na estrada que, segundo relatos, já começa a ter trechos apropriados por milícias. Especialmente entre Japeri e Nova Iguaçu. 
  • Ocupações ilegais e precárias já começam a ser feitas à beira da estrada. Espaço esse que o governo poderia usar para atrair indústrias, gerando emprego para a população e renda para o estado sob a forma de impostos. 
  • A falta de segurança gera medo entre os motoristas que procuram evitar a estrada, o que acabou resultando no apelido de estrada fantasma. 
  • Não há um posto da PRF ou do gestor da estrada durante toda a sua extensão, o que inviabiliza ajuda ao usuário em caso de quebra ou problema com o seu veículo. 
  • Soma-se a isso a falta de manutenção da estrada, que se torna perceptível com o matagal que a margeia em quase toda a sua extensão.
  • Com a ocupação ilegal, o número de acessos ilegais criados no Arco gera uma série de riscos não só para quem habita essas ocupações como também para os motoristas que transitam pela via. 
  • Alguns trechos das pistas laterais apresentam crateras que põem em risco a vida dos motoristas que lá transitam. 
Com uma lista de erros enorme, uma rodovia que tinha tudo pra ser uma aposta altamente bem sucedida para o Rio de Janeiro, esbarra numa falta de planejamento ímpar, refletida no descaso com algo que deveria ser tratado com uma galinha dos ovos de ouro. 

Esperamos que ao longo do tempo os quase 2 bilhões de reais investidos na construção do arco passem a dar frutos. Caso contrário, poderemos ter a nossa própria versão da Transamazônica no Rio de Janeiro. 


Com informações do O Globo e O Dia

terça-feira, 13 de outubro de 2015

E se não fossem os EUA?

Na semana passada um hospital foi atacado no Afeganistão levando civis e voluntários do Médicos Sem Fronteiras, infelizmente, a óbito.

O fato por si só já é triste e de indignar qualquer um, mas o que mais espanta, e que acabou até virando o motivo da postagem de hoje, não foi o fato dos EUA terem sido culpados do ataque ao hospital, mas sim a repercussão do triste incidente em si. 

Antes do ataque "ter um pai" a ONU falava até em crime de guerra e vociferava contra quem quer que seja em defesa de uma punição ao ocorrido. Agora que se descobriu o pai do filho feio é de impressionar como a ONU tenta suavizar o acontecido. 

Entre o que antes era tido como crime que guerra que, da noite pro dia, passou a ser considerado um possível crime de guerra; e a ponderação nada tendenciosa da ONU de considerar precipitadas as tentativas dos médicos sem fronteiras de realizarem uma investigação independente em relação a casa branca; fica a pergunta: e se não fossem os EUA?

Antes de mais nada, precipitada pra quem? Cara pálida?!... Se quem não deve, não teme, qual seria o problema de uma investigação independente em relação à norte-americana. Não que a investigação por parte deles esteja sendo posta em xeque, mas qual o problema?

Retomo o questionamento que dá título a este post, especulando sobre quantas tantas sanções unilaterais, repreensões (com os EUA sendo o primeiro da fila a fazê-lo) e moções de repúdio seriam levantadas contra o país que cometesse esse acidente. 

Acidente esse, aliás, que me parece praticamente impossível quando se fala do maior exército do mundo em termos tecnológicos, mas consideraremos a possibilidade de uma falha; de que forma ela será tratada? que punições terão os culpados? que repercussão isso tomará daqui pra frente?

Se fosse qualquer outro país, não seria estranho o fato da tal investigação independente ter sido empurrada goela abaixo do mesmo, que seria feita em tempo recorde diga-se de passagem, acompanhada de inúmeras sanções econômicas e políticas vindas da própria ONU e não é difícil de imaginar por quem elas seriam lideradas. 

Mas como estamos falando da maior potência bélica mundial, que volta e meia acusa um ou outro de terrorismo, embora use seu poderio bélico para pura intimidação e como trunfo para o atendimento dos seus interesses, poderemos ver culpados sofrerem penas tão pesadas como uma pluma, uma investigação que será prolongada ao esquecimento e um cheque "reparatório" a organização pelos danos irreparáveis...

Posso estar redondamente enganado, e espero mesmo estar, contudo, mesmo correndo o risco de comer letra por letra da postagem de hoje (algo que só o tempo poderá mostrar), a pergunta continuará ecoando: E se não fossem os EUA?

Com informações do Bol e do Estadão.  

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O Acordo Transpacífico

Esta semana foi assinado o acordo transpacífico entre diversos países do mundo, dentre eles: EUA, Japão, México, Chile e Austrália. 

O acordo mexe com aproximadamente 40% da economia do planeta e advoga nas mais diversas áreas: comercial, ambiental, internet e propriedade intelectual. O acordo propõe a redução de tarifas alfandegárias e o estabelecimento de padrões comuns entre os países que assinaram o acordo. 

Segundo especulações, o acordo foi uma tentativa de frear a China, que corre por fora e está fazendo seus próprios acordos. Por outro lado, alguns defendem até mesmo a entrada do país, que acompanha os acordos a distância. 

A intenção com o acordo é aumentar o fluxo e aquecer a economia em escala global, mas principalmente entre os países que assinaram o acordo, óbvio. 

Para os EUA, reincidente histórico em usar medidas protecionistas para proteger a sua economia, o acordo tem sido uma bandeira do governo Obama vê com bons olhos e mostra-se muito entusiasmado com o acordo. 

Acordo aliás que toca em um ponto chave nos últimos anos: a segurança dos dados que circulam na rede. Desde o vazamento de casos de espionagem norte-americana para com outros países, a proteção ao fluxo de dados foi um dos pontos chave do acordo. Com ele, os países prometem não bloquear as transferências realizadas pela internet por exemplo, embora esbarre em questões de defesa dos dados no exterior. 

Outro ponto do acordo é o comércio. Com o acordo a tentativa é de nivelamento dos países em termos de competitividade, acompanhado de leis ambientais mais rigorosas, além de normas trabalhistas e direitos de propriedade intelectual. 

O acordo tem tudo para ser o maior da história, regionalmente falando. Não só pela quantidade de países, que tende a aumentar,  mas em termos econômicos já que movimenta as primeiras colocadas na economia mundial, com exceção da China é bem verdade. Ainda falta o acordo ser aprovado pelos governos signatários, mas, ao que tudo indica, não haverá muitos impedimentos ao acordo, que tende a ser tornar ainda maior...

Mas e nós?

Pois é. O Brasil pode ser afetado com esse acordo e ver suas exportações serem reduzidas. Tudo porque grande parte dos produtos que entram na lista do acordo são exportados pelo Brasil a esses países. Com o acordo, os produtos se tornam relativamente mais baratos em relação aos nossos e a preferência, é claro, vai para eles. 

A resposta a isso?

A resposta a esse acordo estaria num estreitamento de relações entre o MERCOSUL e a UE. O problema é que os acordos até existem, mas não saem da gaveta há quase duas décadas. E essa demora pode ser um problema para nós. 

Uma outra saída a esse acordo seria um estreitamento entre o nosso país com os países andinos e o México, ainda mais com os que participam do acordo transpacífico. 

Alguns defendem até mesmo que o Brasil corra e faça um acordo de livre comércio com o Tio San (pra mim a pior e a mais limitada das opções). 

Fato é que ainda não se tem como dimensionar o impacto desse acordo nem sobre nós, nem sobre a economia global, pois ele ainda está sendo votado pelos signatários e alguns detalhes do mesmo são desconhecidos. O jeito é esperar para ver, pois até então, tudo não passa de especulações...

Com informações do O Globo, Folha de São Paulo, EL País e EBC  

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Mitos e verdades sobre a migração para a Europa

Há praticamente um mês venho postando sobre a questão dos refugiados na Europa e todos os outros assuntos a eles relacionados. Da primavera árabe ao Estado Islâmico, passando por uma perspectiva de futuro, os assuntos andam cada vez mais em tela não só neste blog como no mundo todo. 

As referidas postagens acima poderão ser encontradas logo abaixo desta, nesta página. 

Hoje, não vou dizer para fechar o assunto porque acho que vai render pano pra manga, separei o vídeo abaixo que explica, de forma resumida mas bem elaborada, como tudo isso começou e ainda derruba diversos mitos acerca dos refugiados que foram ventilados não só na Europa como em diversos lugares do mundo. 

O vídeo foi feito pela ONU e possui legendas em português. Vale muito a pena conferir, principalmente para os vestibulandos e concurseiros de plantão.





terça-feira, 22 de setembro de 2015

Rússia, Síria, EUA, Irã, Israel, União Europeia e Estado Islâmico - Mais um xadrez geopolítico pode ter início.

Há  rumores de uma possível intervenção russa na Síria, contra o E.I. e por incrível que pareça, pelo fim do regime político de Bashar Al-Assad no país. Se for confirmada essa intervenção, que cada vez mais ganha ares de verdadeira, mais um xadrez geopolítico está para ser montado. 

Neste tabuleiro, as peças se apresentam da seguinte maneira:

A Rússia se apresenta diante desta intervenção com segundas intenções, assim como todos no tabuleiro. Para os russos uma intervenção e possível fim do E.I. pode representar alguns pontos com países da Europa, mas por outro lado também pode significar uma pedra no caminho do Tio San, visto que, com a intervenção russa, a mira norte-americana teria que ser bem mais precisa, digamos assim, para evitar o risco do primeiro país em armamento nuclear do mundo acertar o segundo... 

Esta possível intervenção da Rússia, pode ter consequências para outra peça do xadrez, o Irã. Principal aliado sírio na região, o país é inimigo declarado do E.I. mas parece se aproveitar da situação para ver a Síria se dividir em diversas etnias diferentes. Não à toa os xiitas iranianos apoiam Assad na Síria (um dos motivos pelos quais ele ainda está de pé). 

E se os xiitas iranianos entram neste xadrez, os sunitas da Arábia Saudita, mais uma peça, não poderiam ficar de fora. Já que em uma Síria destroçada pela guerra civil, xiitas e sunitas poderiam travar nova batalha pelos escombros de um país que se vê numa situação cada vez mais insustentável. Esse possível clima de instabilidade na região, talvez possa elevar o preço do petróleo e, neste caso, a economia russa baseada no petróleo e no gás natural, agradece. 

Se realmente intervir, Moscou ainda reforçará sua presença no mediterrâneo, ganhará pontos com a Europa e, de quebra, quem sabe, ainda pode ver sanções pela anexação da Crimeia serem abrandadas ou até "esquecidas" e a questão com a Ucrânia ser tratada de forma mais diplomática. 

Quanto ao Tio San, que não poderia faltar neste xadrez, claro; a intenção é minar o Irã com a deposição de Assad da Síria. Até porque a relação Irã - EUA já vem azeda desde a revolução iraniana de 79 e de lá pra cá não tem dado sinais de significativa melhora. Com isso derrubar um dos aliados iranianos, atenderia as intenções norte-americanas, já que a perda de um aliado pode significar seu enfraquecimento.  

Correndo por fora neste xadrez, ainda temos Israel que observa com preocupação este cenário e pode usá-lo com desculpa para um recrudescimento ainda maior em relação aos palestinos. 

Fato é que neste jogo, o primeiro movimento, ao que tudo indica, será o russo. Pelo menos suas peças já estão sendo postas no tabuleiro, como você pode conferir no mapa abaixo. Agora, as consequências desse movimento só saberemos quando o xadrez começar de fato. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/09/1681322-acao-da-russia-na-siria-pode-reconfigurar-regiao.shtml






terça-feira, 15 de setembro de 2015

Estado Islâmico e França: atitudes e consequências diante do "incômodo"

Esta semana, aventou-se a possibilidade de que membros do Estado Islâmico estariam infiltrados entre os refugiados em direção ao mediterrâneo. Apesar da notícia não ter sido confirmada, especialistas acham a medida plausível. 

Como o número de refugiados embarcados é alto, governos de países de origem desses refugiados não têm o controle sobre quem deixa suas fronteiras em direção ao velho continente. 

Aliás, diante desta situação, tenho repetido diversas vezes aqui que não veríamos esforços do lado europeu até que a situação os "incomodasse". Contudo, parece que a situação está começando a incomodar e algo já começa a ser feito

Como não poderia deixar de ser, a França inicia uma tomada de ações contra o grupo E.I. não porque o sentimento de compaixão seja maior, sejamos francos. Mas sim porque, apesar de ter um governo mais de esquerda no poder, o país tem um nacionalismo forte que chega a beirar a xenofobia. 

Já não é de hoje que isso se mostra aflorado em específico neste país. Não que os outros não tenham, mas volta e meia a França se vê em meio a polêmicas por conta disso. A última delas aliás, foi notícia hoje. (Só pra constar, EU não sou Charles Hebdo)

Aliás, um pequeno adendo. Me parece um tanto quanto hipócrita hostilizar os imigrantes, sejam eles refugiados ou não, quando na verdade se precisa deles mais do que se imagina. Seja para servir como mão-de-obra, seja para suprir uma natalidade decrescente comum a todos os países europeus; o lado positivo da imigração sempre é escamoteado pelos europeus que torcem o nariz para os imigrantes, a menos é claro quando o mesmo possui incontáveis diplomas. 

Para refletirmos melhor sobre essa questão, deixo aqui dois vídeos sobre uma escritora senegalesa que ganhou o mundo com suas palavras acerca da imigração e de como os europeus tratam isso. (só pra constar, essa sim me representa).







terça-feira, 8 de setembro de 2015

A guerra civil na Síria

O assunto dessa semana não poderia ser diferente do que vem sendo discutido e corre o mundo inteiro: a movimentação em massa de migrantes oriundos da África e do Oriente Médio para a Europa. 

O caso mais em tela se trata da guerra civil na Síria que se arrasta desde a Primavera Árabe, que teve início em 2010. 

Venho publicando sistematicamente na Página do Facebook que essa questão só ganharia a atenção do mundo quando atravessa-se o Mediterrâneo ou o Atlântico... Por questões de proximidade geográfica, a travessia para o Mediterrâneo ganhou.

Segundo dados, o fluxo migratório já supera o da segunda guerra mundial e levanta diversas questões acerca desta movimentação que vitima cada vez mais pessoas seja nos conflitos, seja tentando cruzar o mar mediterrâneo na esperança de dias melhores. 

Como ponto (não diria principal, mas de maior destaque) temos a guerra na Síria entre oposicionistas e um governo que já está no poder há décadas. Mesmo com toda a repercussão e força da Primavera Árabe, na Síria, o movimento parece ter se perdido em meio a um governo que controla sua população com mãos de ferro, castigando-os sempre que pode e uma oposição que não consegue ter uma unidade sequer e que encontra cada vez mais opositores que querem fazer a mudança ao seu modo. 

Soma-se a este cenário apocalíptico um xadrez geopolítico entre EUA e UE de um lado e Rússia, China e Iraque do outro. 

Os conflitos começaram desde a Primavera árabe e desde então EUA e a UE, através da ONU reivindicam uma intervenção militar no país, além de sanções econômicas unilaterais que nem chegam a ser tão pesadas assim; do outro lado temos Rússia, China e Iraque que defendem abertamente o regime de governo da Síria e defendem que a maneira correta de intervir na situação é com uma missão de paz. 

No meio desse xadrez, um fogo cruzado entre governo e rebeldes, jihadistas e braço da Al-Qaeda no qual a população síria se vê entregue a própria sorte, e, aqueles que podem, fogem do horror da guerra e buscam a paz além do mediterrâneo. 

O drama que já não é pouco, se torna ainda maior quando os refugiados esbarram em questões como a possibilidade de serem roubados e enganados em relação a realização da travessia, tendo o pouco dinheiro que resta roubado. Além disso, passam por condições sub-humanas durante a travessia que, infelizmente, levam muitos a não conseguirem completá-la. 

Há também a questão da acolhida em um continente desconhecido. Nem todos têm parentes na Europa ou dominam o idioma do destino almejado (em sua maioria, neste caso, a "Europa Rica" > França, Alemanha e Inglaterra). Enquanto isso do doutro lado do Mediterrâneo e, portanto, longe de tudo isso, A UE começa a se articular para distribuir entre os países os refugiados que cada vez mais chegam. Fugidos da guerra que dizima cada vez mais sua terra-natal. 

No meio da discussão, há aqueles que defendem o fechamento das fronteiras para os refugiados como medo que suas economias, culturas e valores sejam perdidos com a entrada dos refugiados em seus países; do outro lado, gestos de solidariedade e de humanidade (adjetivo meu) tomam conta de capas de jornais e revistas, revelando que mesmo em meio a esse horror, a solidariedade ainda acalenta os corações mais aterrorizados. 

Enquanto esse xadrez  geopolítico parece ter chegado ao momento decisivo, pessoas tentam reconstruir suas vidas e esquecer o que vivenciaram em meio aos horrores de uma guerra civil, onde parece que a intensão é deixar que se destruam e depois lançarem novamente os refugiados de volta, só que dessa vez em meio aos escombros e ao pó do que um dia eles chamaram de pátria.


Se você, caro leitor, quiser buscar mais informações sobre esse conflito, o "Terra" desenvolveu um material muito didático sobre o assunto que você pode conferir clicando aqui.    

Obs.: Me furtei a falar do menino encontrado na praia da Turquia porque já acho essa situação pesada demais para ficar colocando ainda mais drama. Faço isso não porque acho que sua história e seu drama não devam ser contados, muito pelo contrário. Faço isso porque acho que já está mais do que na hora de deixarmos aquela alma inocente descansar em paz. 



terça-feira, 1 de setembro de 2015

Cinema, Pipoca e Geografia! - Infância Roubada

A indicação de hoje se trata de um filme que já levou até estatueta. "Infância Roubada" relata o dia a dia e os dramas vividos por milhões de crianças no mundo que são submetidas ao trabalho infantil. 

O filme mostra como crianças são forçadas, escravizadas e até mesmo sequestradas para exercerem atividades que vão desde o colheita de gêneros alimentícios, passando pela confecção de vestimentas até mesmo a prostituição. 

Apesar de ser relativamente antigo, o filme é de 2004, o mesmo não deixa de ser atual, pois aborda uma temática global que acontece em maior ou menor escala nos países e que deve ser combatido na mesma proporção em que ocorre, talvez até maior. 

É ideal para trabalhar questões como o trabalho infantil, a escravidão, o abuso, precárias condições de trabalho, a exploração da mão-de-obra, entre outros. Apesar de chocante, o filme levanta inúmeros questionamentos que podem ser postos em tela em sala de aula, gerando um ótimo debate acerca destas questões. 

O filme é ótimo e vale a pena conferir!!!!!!!  




Foto da capa: https://capadedvd.files.wordpress.com/2008/09/infanciaroubada.jpg


terça-feira, 25 de agosto de 2015

Brasil e Alemanha estreitam suas relações comerciais

Semana passada a chanceler alemã, acompanhada de uma junta de políticos, veio ao Brasil para estreitar relações conosco. Com isso, entramos para um seleto grupo de países com os quais a maior economia da Europa mantém relações estreitas. A saber: França, Itália, Polônia, Espanha, Israel, Rússia, Índia e China.

Os acordos preveem visitas a cada 2 anos entre os países por seus representantes (Merkel veio este ano, Dilma irá em 2017). Os acordos assinados estreitam as relações em diversas áreas que vão desde uma tentativa de reforma conjunta da ONU a investimentos em infraestrutura e expansão do ensino do idioma alemão no Brasil.

Na área ambiental a expectativa fica sobre o depoimento conjunto das duas sobre a COP que ocorrerá no final do ano, em Paris. Além disso, há também investimentos da Alemanha na proteção a floresta Amazônica e áreas de transição para o Cerrado. Fecha o pacote ambiental os investimentos em redução dos gases estufa. 

Já no que se refere à ONU, tanto Alemanha quanto Brasil querem a reforma da instituição (leia-se um lugar no conselho de segurança permanente, pra cada um). Soma-se a isso a relação ambígua que ambos têm com um certo Tio San e que, portanto, aproximam os dois em torno de um objetivo comum. 

Ainda em termos políticos, outro ponto que une os dois é a defesa dos dados de ambos os países da espionagem pela internet. Desde a revelação dos casos de espionagem que os dois países sofreram por parte dos EUA, ambos têm apresentado propostas à ONU para melhorar essa questão. Também, é claro, há uma cooperação maior por parte da Alemanha em relação ao Brasil, por ter tecnologia mais avançada, na proteção dos dados do governo brasileiro. 

Na economia, a questão fica por conta da expansão do ensino da língua alemã em nosso país, dos investimentos da Alemanha na exploração de matérias-primas utilizadas para a produção de Smartfones, por exemplo. (atualmente, praticamente a China explora as matérias-primas necessárias; o que leva os outros países a temerem um certo monopólio por parte dos chineses). Além disso outros investimentos na área de logística, ainda serão anunciados pela Alemanha. Claro que não com tanto "estardalhaço" como fez o presidente chinês quando aqui esteve. 

A parceria promete render bons frutos ao nosso país, mas, a princípio, nada imediato. Os alemães pensam em longo prazo, muito diferente da nossa cultura imediatista, o que pode conduzir a um erro de raciocínio de que essa parceria é só pra "inglês ver". 


Com informações do Terra e da BBC.       

terça-feira, 18 de agosto de 2015

13/08/15 Dia da Sobrecarga da Terra

Desde o início deste milênio o dia da Sobrecarga da Terra faz parte de nossas vidas... Apesar de já lidarmos com ele, basicamente desde a primeira Revolução Industrial, o dia da Sobrecarga da Terra se comemora sempre que a demanda de recursos naturais da Terra para o ano é esgotada antes do tempo pelo homem. 

Há 15 anos atrás, esse dia foi "comemorado" em outubro. Agora, o dia chega com dois meses de antecedência em relação ao ano de 2000, revelando o quão desenfreado anda o consumismo e o desperdício por parte dos seres humanos. 

Cientistas alertam que se continuarmos nesse ritmo, a Terra, obrigada a trabalhar "no vermelho", sofrerá consequências irreversíveis, dificultando cada vez mais a nossa existência aqui. Tais fatos se refletem nos números relacionados ao desmatamento, a escassez de água e a arenização dos solos. 

Por mais que medidas estejam sendo tomadas para minimizar essa situação, ainda estamos longe do ideal para que o planeta volte a trabalhar "no azul". Por mais que tecnologias que buscam o desenvolvimento sustentável estejam em voga há mais de 40 anos, ainda estamos engatinhando no objetivo de reverter este quadro que se apresenta desolador. Mas, nem tudo é pessimismo. 

Uma solução para que essa data seja extinta do calendário é um trabalho global que conte com o empenho de todas as nações, mas sem aquele famoso jogo de empurra que acontece em toda COP, por exemplo. Sem uma união que supere nacionalidades, credos e ideologias em prol do bem da humanidade, vamos assistir a raça humana definhar aos poucos e datas como essa se proliferarem aos montes.  

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Clima e Tempo significam 6 e meia dúzia?

Antes de iniciar a postagem de hoje, queria pedir desculpas aos nossos leitores pela longa ausência deste blog. 

Passei por uns "problemas técnicos" durante os últimos 6 meses e por isso me mantive afastado das postagens semanais, mas, desde a semana passada, tenho retomado o ritmo semanal de postagens do blog, além das constantes publicações em nossa página no Facebook, que você pode curtir na coluna da direita dentro deste blog. 

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O tema de hoje nos remete a uma confusão cometida há muito tempo sobre os conceitos de tempo e clima. 

No meio em que os conceitos foram criados, a distinção entre ambos é facilmente percebida. Mas para quem não vive nesse meio, a indução a pensar que tempo e clima são "6" e "meia dúzia", ou seja, a mesma coisa só que com nomes diferentes, é grande...

Essa antiga questão entre tempo e clima nos foi reavivada graças o quadro de previsão do tempo do Jornal do SBT, intitulado de "nosso clima", como você pode ver na imagem abaixo.



A intenção talvez, e pelo visto com certeza não é, não é propagar essa confusão que existe entre os dois conceitos. Mas um quadro chamado "nosso clima" que faz previsão do tempo pode sim acabar colocando "tudo dentro do mesmo saco". 

Para tentar desfazer esse mal intendido, tão comum na mídia atualmente - pois isso não é uma exclusividade da emissora supracitada - coloco abaixo os dois conceitos para que haja uma pequena luz em relação ao esclarecimento e diferenciação sobre quando se trata de tempo e quando se trata de clima.

Quando estamos falando de TEMPO, estamos nos referindo ao estado momentâneo da atmosfera. Ou seja, como ela se apresenta num dado momento. Como exemplo podemos usar as seguintes frases:

Chove neste momento no Rio de Janeiro. 
Amanhã o teremos nuvens carregadas no interior do Acre. 
Céu claro e sem nuvens da Bahia a Sergipe. 

Agora, se estamos falando de CLIMA, estamos nos referindo a um estudo atmosférico de longa data que permite elencar características comuns. Geralmente, esse período de tempo corresponde a décadas. Podemos usar como exemplo as seguintes frases. 

O inverno no Rio Grande do Sul é sempre rigoroso. 
Todo ano chove muito no Rio de Janeiro. 
O verão nordestino é sempre muito intenso. 



Insistimos em dizer que talvez o referido exemplo não tenha a menor intenção de acalentar ainda mais essa confusão de conceitos; nós apenas o utilizamos por ser o que aparece mais frequentemente. Contudo, agora, de posse desta pequena diferenciação, esperamos que o leitor consiga diferenciar tempo de clima e vice-versa e não mais achar que ambos são "6 e "meia dúzia".