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terça-feira, 26 de julho de 2016

Os "vazios demográficos" da UE

Passado o reboliço sobre a saída emperrada do Reino Unido do bloco, hoje abordaremos um assunto ainda dentro do bloco e que também envolve saídas, mas essas não chamam tanto a atenção assim, embora ocorram por atacado. 

Não é novidade que a União Europeia compartilha da livre circulação de pessoas e mercadorias. Na prática, isto significa que com apenas a sua identidade, um cidadão oriundo de um dos países do bloco, pode circular livremente por todos os países-membros; assim como as mercadorias circulam entre esses mesmos membros sem pagar impostos. 

Essa livre circulação de pessoas tem gerado um impacto que pode estar passando despercebido, talvez porque não ocorra nos grandes centros dentro do bloco, mas sim em países de menor expressão. Trata-se de cidades fantasmas, surgidas pelo movimento migratório da população (principalmente jovens em idade de trabalhar) que procuram os grandes centros da economia da UE (Como a Alemanha e, até então, o próprio Reino Unido, por exemplo) em busca de melhores condições de vida. 

Como resultado dessa migração, cidades pequenas e médias de países de menor expressão dentro do bloco acabam se tornando cidades-fantasma, seja pela falta de habitantes, seja pela falta de movimento do comércio. 

Para o país, isto pode se tornar um problema, pois dependendo do volume migratório, o país pode se deparar com a escassez de mão-de-obra, desequilíbrio na previdência social, além de ter que criar políticas natalistas para repôr esse êxodo.

Mas nem tudo está perdido. Se pode ocorrer falta mão-de-obra por um lado, por outro o fluxo de dinheiro que pode entrar nesses países pode subir absurdamente. Trabalhadores erradicados em outros países podem enviar dinheiro para sua terra natal aos seus familiares ou até mesmo guardarem com o intuito de retornarem para seus países de origem e abrirem seu próprio negócio. 

Porém essa não é uma exclusividade do bloco. Este fenômeno acontece com frequência em todo o planeta e nas mais diversas escalas. Podendo atrapalhar ou não o desenvolvimento do país envolvido. 

Podemos aqui citar exemplos como brasileiros e mexicanos que procuram os EUA e até mesmo a Europa como locais para recomeçar a vida, deixando assim seus países de origem para começar vida nova em outro. Nesses casos, em específico, ainda não se vê um impacto significativo na pirâmide etária, embora a economia agradeça pelos dólares enviados por esses emigrantes. 

Contudo, não podemos desprezar impactos futuros, haja visto que essas pirâmides apontam para o encolhimento de suas bases com o passar dos anos, o que significa que as pessoas tendem a ter um menor número de filhos, se comparado ao passado.

Também, podemos citar, numa escala bem menor, o caso das cidades dormitórios. Assim são denominadas as cidades onde as pessoas apenas "dormem", pois trabalham e, por consequência, acabam passando a maior parte de seu tempo em outra cidade. Como é o caso de cidades que circundam áreas centrais. Podemos citar as cidades da baixada fluminense como exemplo. 

Fato é que, dependendo da etapa da evolução demográfica em que esteja o país, este fenômeno pode ou não apresentar maiores riscos. Em países como o Brasil, por exemplo, cuja pirâmide ainda se encontra em transição para uma população adulta, estes efeitos ainda vão demorar para serem sentidos, se é que chegarão a isso, haja visto o nosso contingente populacional. 

Já para outros países, como você pode conferir aqui, esse problema já começa a incomodar, embora o dinheiro mandando pelos emigrantes para seus países de origem ainda parece compensar esse fenômeno. 


terça-feira, 19 de julho de 2016

Mais um recorde negativo para o clima

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica divulgou este ano que tivemos o Junho mais quente da história moderna. 

As medições são feitas desde 1880 e alcançaram mais um recorde negativo: este foi o 14º mês seguido em que as médias térmicas foram quebradas, o período mais longo desde a série histórica. 

Como pode ser facilmente observado, o homem ainda continua agravando o efeito estufa (sim, nobre leitor, o homem não causa o efeito estufa, ele o agrava. O efeito estufa acontece naturalmente e é realizado pelo próprio planeta. Caso contrário a vida na Terra seria impossível) e as consequências se mostram cada vez mais negativas. 

Desde aumento do nível dos oceanos, passando por alterações climáticas e até o desaparecimento de países, o agravamento do efeito estufa, causado por atividades como as queimadas e a queima de combustíveis fósseis, pode ser ainda mais catastrófico para o nosso planeta se nada for feito. 

Cabe lembrar que o mundo sim corre o risco de acabar, porém o planeta ainda permanecerá aqui... (mundo refere-se ao aspecto cultural, ou seja, nós. Já o planeta refere-se ao aspecto físico) Então, surge com urgência a necessidade de enfrentarmos o problema de frente e não protelarmos como se simplesmente ele não existisse; até porque as gerações futuras dependem disso... 

Cada vez mais "armas" são criadas para combater este quadro. Desde painéis solares até a reciclagem, passando por programas públicos de proteção ao meio-ambiente, cada gesto conta por mais insignificante (nunca o é!) que seja. 

Contudo ainda é preciso mais. Ainda é preciso que os governantes passem a se debruçar sobre esses problemas sem colocar seus interesses à frente do planeta. De nada adianta termos um pensamento individualista para discutir algo de interesse coletivo mundial. 

Não à toa, as COPs andam a passos de tartaruga. E isso ocorre não apenas pela complexidade de um acordo que satisfaça a todos, mas também pela defesa dos interesses de cada país que, ao final das contas, acaba se sobrepondo ao acordo e, assim, sobre o propósito maior destas conferências. 

O resultado disso são notícias como as de hoje, onde recordes e mais recordes negativos são estabelecidos para as mudanças climáticas na Terra. Só esperamos que elas não precisem chegar ao ponto do irreversível para que algo de concreto e de impacto global seja feito, pois já não adiantará mais nada...

Com informações do Uol.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Cinema, Pipoca e Geografia! - Ele Está de Volta

A indicação de hoje trata-se de um filme que te convida a pensar e que pode gerar uma ótima discussão nas séries finais do Ensino Médio. Estamos indicando hoje o filme "Ele está de volta".



O filme, baseado num livro de mesma tradução, aborda uma questão um tanto delicada, mas que te convida a uma reflexão profunda: Como seria se Hitler vivesse nos dias de hoje?

Fazendo uma "ressuscitação" de Hitler para os dias de hoje, o filme especula quais seriam suas atitudes e pensamentos frente aos dias atuais. A partir de uma história elaborada, o mesmo viaja pela Alemanha, num estilo documentário, onde aborda e é abordado por pessoas (não atores, pessoas!) nas ruas e conversa com as mesmas. 

O chocante disso tudo, sem dar muitos spoilers no filme, é que seu discurso de décadas atrás, que todos sabem como terminou (ou será que não terminou?), encontra ecos na população atual. Suas ideias, com uma roupagem mais moderninha, encontram simpatizantes em sua jornada pela Alemanha.

Não vamos entrar aqui num reducionismo de achar que todo o alemão sente saudade do fuhrer. Podemos até usar um outro filme para ilustrar isso, também muito bom, chamado "Operação Valquíria". O ponto aqui é que seus discurso ainda reverbera, só que agora sobre outra roupagem e outro nome: "xenofobia". 

Não é difícil de encontrar, em uma busca rápida, notícias que relacionem a xenofobia aos dias atuais, principalmente ligadas ao continente europeu. Não à toa, cada vez mais partidos de extrema direita estão ganhando força e posições nos congressos europeus. 

A ideia do filme é te convidar a refletir sobre como atualmente temos condições semelhantes as que encontramos há uns 70 anos e que levaram o povo alemão, à época, a eleger este cidadão. Além de também mostrar como ele tinha a famosa lábia, mas principalmente quem verdadeiramente era a pessoa por trás dela. 

Sem nos estendermos mais, deixamos aqui a nossa recomendação sobre esse filme que pode gerar um ótimo debate para os alunos do Ensino Médio. É um ótimo filme e que vale, e muito, a pena conferir!

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Mais uma de horror

A postagem de hoje, visa acompanhar o caos que se instaurou na cidade do Rio de Janeiro e da sua falência não só financeira, mas moral que se aproxima com o megaevento do ano. 

De certo que as olimpíadas serão um sucesso para quem estiver aqui no Rio apenas para assisti-las e depois pegar suas malas, lembranças, selfies e tomar seu caminho de volta para casa, mas e para o morador do estado do Rio de Janeiro que sensação fica?

Não é difícil imaginar que reviveremos tempos de ECO-92 com as forças armadas nas ruas (guarde seu entusiasmo defensor de regime militar para outro blog, aqui não compartilhamos essa opinião, mas respeitamos o pensamento alheio. Afinal de contas, o que seria do amarelo se todos tivessem bom gosto...?), mas e o depois?

Nem vamos entrar no mérito da discussão do legado, pois até hoje o legado o pan de 2007 é aguardado pelos cariocas. Inclusive porque o maior deles teve que ser reformado para ser entregue novamente à população, estamos nos referindo, claro, do estádio "Engenhão". 

O ponto aqui, se baseia na crise em que o estado carioca está atolado, para além de seu pescoço, poderíamos dizer. Salários atrasados, falta de equipamentos em diversos setores, dívidas astronômicas e um orçamento tão difícil de equacionar quanto "aprender japonês em braile"...

Talvez por ingerência de gestões anteriores, talvez por falta de planejamento, talvez pela simples negligência, fato é que os meios de comunicação hoje não falam de outra coisa a não ser a tal crise, que aliás já está sendo acompanhada de pertinho pela imprensa internacional dada a proximidade com os jogos olímpicos. 

Medalha de ouro em vergonha pública alheia, o governo do estado patina em meio aos seus próprios deslizes. Um estado que viveu tempos de bonança, não pareceu preocupado em poupar para os tempos de tempestade. 

A conta dessa negligência sobra para o servidor, ativo e inativo, além dos prestadores de serviço do estado e empresas em geral que estão há meses sem receber por seus serviços prestados e se veem obrigados a receber seus vencimentos em doses homeopáticas enquanto acompanham o estado agonizar. 

A população como um todo, resta a insegurança, a incerteza, o medo e, porque não, a raiva de ser tão descaradamente aviltado, humilhado e abandonado à sua própria sorte.  

Em meio a essa tempestade, mais e mais fatos surgem para corroborar com essa crise que, ao que parece, foi sendo construída aos poucos, mas não parece ter sido notada. Talvez pelo pensamento imediatista de se governar não pelo bem da população, mas pela reeleição. 

Diante disso descobre-se que certas manobras feitas antes pelo governo poderiam nos tirar facilmente da crise. Afinal de contas, em matemática básica, quando se pede uma ajuda equivalente a um terço das isenções fiscais concedidas pelo governo, talvez as contas estivessem equilibradas.

Isso sem contar a história da isenção em 50% no IPVA dos ônibus do estado que, ainda bem, foi impedida pela justiça do Rio...   

A crise anda num nível tão esdrúxulo que até o prefeito do Rio de Janeiro, do mesmo partido que o atual governador licenciado (é bom salientar), andou fazendo seus disparates contra o governo do estado [1] [2] [3].

O resultado disso já se reflete nas ruas: arrastões [1] [2] [3] e tiroteios sendo cada vez mais frequentes, com interrupções não só no trânsito, mas na vida da população. Associado a isso, ainda temos as mortes de policiais, que já superam a marca de 64, e infelizmente, contando. Tanto para eles, quanto para a população em geral, a frase "bem vindo ao inferno" nunca fez tanto sentido. 

A situação chegou a tal ponto que um aplicativo foi criado para mapear a ocorrência de tiroteios no Rio de Janeiro para ajudar a população a fugir dos conflitos e assim se esquivar dessa onda de violência que assola a cidade. 

Resta ao moradores (sobreviventes) desse caos que se tornou o estado do Rio de Janeiro, a lição de termos a consciência na hora de votar, a começar por este ano, e rezar, rezar muito para nos livrarmos desse inferno que se tornou, infelizmente, esse estado.


Com informações do Yahoo, Folha de São Paulo, G1 e O Globo.