Pesquise No Blog

Loading

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Estudos mostram que agrotóxicos podem modificar o comportamento das próximas gerações

Pois é... Cada vez mais conhecemos os problemas que o consumo de agrotóxicos trazem a nossa saúde. 

A bola da vez agora é a mudança de comportamento... Segundo um estudo pessoas expostas a um determinado tipo de agrotóxico ficam mais sensíveis ao estresse bem como a terem acessos  ansiedade. 

O estudo a princípio foi feito em ratos e essa manifestação se deu a partir da terceira geração dos mesmos. Contudo, segundos os pesquisadores, nós humanos estamos na terceira geração dos afetados por esse agrotóxico e reflexos disso já começam a se mostrar como o aumento do número de pessoas com autismo e transtorno bipolar... 

É... A cada dia mais e mais estudos são realizados sobre os malefícios dos agrotóxicos (que não possuem esse nome por acaso), mas nada é feito para que essa realidade mude... Pelo jeito só vão procurar tomar alguma atitude quando surtos de mortes por conta de uma substância dessas ocorrerem... 

Redação Internacional, 21 mai (EFE).- O contato com elementos ambientais tóxicos pode influir na resposta de futuras gerações ao estresse e causar desordens de conduta, segundo um estudo realizado nos Estados Unidos com ratos.

O estudo, realizado por pesquisadores das universidades de Washington e do Texas, comprovou que apenas uma exposição de fêmeas que esperavam filhotes a um fungicida utilizado em frutas e verduras, a vinclozolina, tinha consequências sobre a conduta da terceira geração de seus descendentes, apesar deles terem sido criados livres do agrotóxico.

Segundo os resultados do estudo, publicado nesta segunda-feira na revista "Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)", estes roedores se mostraram mais sensíveis às situações de estresse e experimentaram uma maior ansiedade do que os descendentes de ratos que não tiveram contato com o fungicida.

"Estamos atualmente na terceira geração humana desde o começo da revolução química, desde que os humanos ficaram expostos a estes tipos de toxinas", afirmou um dos autores da pesquisa, David Crews.
Até o momento, não se sabia que a resposta ao estresse pudesse depender dos fatores ambientais dos antepassados. Mas os mesmos pesquisadores já tinham demonstrado anteriormente que a vinclozolina podia afetar os genes.

Segundo o estudo, a socialização do indivíduo e os níveis de ansiedade com os quais ele reage perante ao estresse são condicionados não só pelos eventos de sua vida mas também pela herança ancestral epigenética (mudanças genéticas causadas por fatores externos ao organismo).

"Não há dúvida de que assistimos a um aumento real de problemas mentais como o autismo e o transtorno bipolar", declarou Crews, que opinou que isto não se deve apenas a vivermos num mundo mais frenético, mas também pelo efeito dos fatores ambientais.

Em seu estudo, os investigadores também observaram que os ratos cujos antepassados estiveram expostos à vinclozolina eram maiores e tinham níveis de testosterona mais altos. EFE.


Será mesmo que o problema é só o homem e não o urso também ?

Na reportagem abaixo, o entrevistado mostra seu opnto de vista sobre a crise que se anuncia desde que o consumismo se intensificou e em alguns lugares se tornou algo desenfreado. 

Nosso Planeta já vem dando sinais de que está no seu limite diante dessa situação e que as consequências podem ser graves se continuarmos desse jeito. 

Apesar de apontamentos interessantes e de conseguir mostrar como a raça humana poderá enfrentar problemas sérios a curto prazo, o que pode ser pior se pensarmos que os mesmos são desconhecidos, embora saibamos de sua gravidade, o entrevistado levanta uma questão que discordo: a de que o problema não é o urso e sim o homem (a princípio, havia entendido que poderia se referir a forma como lidamos com o Planeta, ou seja, que o problema não é a forma como os ursos lidam com o Planeta, mas sim a forma como o homem lida, mas...). 

De acordo com a entrevista, que está logo abaixo, parece que o entrevistado trata como absolutamente normal a extinção das espécies que podem vir a ocorrer; já que para ele "entra uma e sai outra". Ora, se fosse assim, seria natural então que a espécie humana fosse substituída por outra (de prferência que degradasse menos o ambiente), então pra que nos preocuparmos só conosco ?

Dizer que o problema não são os ursos e sim nós, a meu modo de ver, é um pensamento egoísta. É como assinar um atestado de isenção pelo que acontece com as espécies por conta das mudanças no Planeta que nós causamos em sua maioria. 

Dizer que o problema pesa só para o homem e não para o urso e todas as outras espécies, alegando que a extinção é natural e assim minimizá-la, é legitimar as atrocidades que estamos fazendo e que precisam ser corrigidas. Mas não pensando apenas em tirar o nosso da reta, como também em todas as espécies que convivem conosco.

Afinal de contas, não vivemos aqui sozinhos e somos dependentes de ursos, abelhas, vacas, cachorros, baleias e todos os outros animais que cohabitam a Terra conosco e que, ironia ou não, não dependem de nós... 

Aí, realmente poderemos pensar que o problema não é o urso, mas sim o homem no que tange a maneira como utilizamos os recursos naturais e nos problemas que isso acarretará para as gerações futuras... 

A Inglaterra está em recessão, a França conta 21% dos jovens desempregados, a Alemanha crescerá menos. Na contramão da crise europeia, a China, em quatro anos, aumentou em 4% sua fatia no PIB mundial. Neste cenário conflitante de escassez em países ricos e conquista de consumo nos emergentes, o que é sustentável no mundo atual?
Em primeiro lugar, precisamos entender a nova realidade do século 21. Não temos que proteger meio ambiente nenhum nem salvar as espécies, pelo simples fato de que a humanidade não é capaz de fazer o mínimo estrago que seja à natureza do planeta. Achar que a humanidade pode infringir algum mal ao planeta e, por isso, tem que adquirir consciência e salvá-lo, é uma ideia narcísica e infantil. Nós, os humanos, somos a imagem e semelhança de Deus, mas não somos deuses. Todas as empresas do mundo juntas, mais todo o exército norte-americano, a Nasa e os arsenais nucleares do mundo multiplicados cem vezes não seriam capazes de provocar sequer um arranhão na natureza, cujo tempo é completamente diferente do nosso, conta com milhões de anos. A natureza já passou por cinco apocalipses, enfrentando problemas muito maiores do que qualquer coisa que a humanidade possa vir a fazer daqui a séculos.

Então, o negócio é deixarmos tudo do jeito que está? Como ficam as futuras gerações?
A situação do mundo atual é muito grave - não para o urso polar, para o panda, para os pássaros. É claro que para os animais o quadro tem gravidade, mas é a vida, uma espécie sai e entre outra. Nós, os humanos, é que temos um problema sério. E as consequências são para hoje mesmo, não são para as futuras gerações. O fim da civilização dos combustíveis fósseis e a construção de uma economia de baixo carbono é uma inevitabilidade para a espécie humana. E isso significa que os preços vão mudar. Qualquer investimento feito hoje que calcule uma taxa de retorno para o futuro é uma fantasia. No tempo curto da história humana, relativo a um piscar de olhos do tempo da natureza, fomos muito poderosos. Alteramos muito a paisagem do planeta e cometemos a estupidez de não considerar a premissa mais defendida pelos homens de finanças: não existe almoço grátis. Mas, desde a Revolução Industrial, acreditamos que tinha almoço grátis com a natureza. Estamos a consumir os bens naturais de um planeta que é finito. Entretanto, o 'business as usual' acabou.


A estratégia de crescimento futuro implicará novos custos e preços?

A crise macroeconômica global e a retomada do crescimento e do investimento estão profundamente conectadas com o tema da sustentabilidade e alguns novos custos serão internalizados. Teremos o custo internalizado das emissões de carbono. Por exemplo, se emito gases de efeito estufa por conta de alguma atividade, isso tem um custo, porque esquenta o planeta. Os chefes de estado e os cientistas já concordaram que o aumento da temperatura do planeta em até 2,5 graus é um risco aceitável. Portanto, digamos que está contratado globalmente que iremos esquentar, porém não mais do que o previsto neste contrato entre as partes. Assim, precisaremos pegar o custo de emissão de gases efeito estufa e agregá-lo ao preço das mercadorias. Ou seja: quer andar de jipe? Pague o custo do esquentamento do planeta por isso. Considerando que 1 kg de carne bovina equivale a andar 3h30 de carro, se quiser comer picanha, pague pelo efeito estufa também.

Como equilibrar a conta?
Consumir Eça de Queiroz no Kindle, por exemplo, não esquenta o planeta. Se relacionar socialmente pelas redes não esquenta o planeta. Isso não diz respeito só às relações de amizade. Afinal, muita gente não precisará se deslocar para ir a um local de trabalho - essa coisa ridícula da cultura atual, em que o individuo acorda e senta perante um computador; depois esquenta o planeta duas horas para chegar a outro computador de novo, porque supostamente ainda vivemos na Idade Média e o chefe tem que ver se você está trabalhando ou não. Esses parâmetros vão mudar e não é porque vai sobrar boa vontade: mudarão porque os preços vão sinalizar aos donos de empresas, que calcularão o custo do trajeto do funcionário até a sede e orientarão esse indivíduo para trabalhar em casa, a fim de reduzir o custo da empresa.


Qual é a saída?
Temos que permitir que a natureza do nosso tempo continue a nos entregar serviços totalmente indispensáveis à qualidade da vida humana: clima, solo, biodiversidade. Mas os limites do planeta estão sendo forçados não é para amanhã, é hoje mesmo. O que quer dizer isso? Que vem aí o fim do mundo e outro apocalipse? Não. Quer dizer que vem por aí muito custo e sofrimento e que, com um pouquinho de inteligência, poderia ser evitada e barateada a nossa adequação aos limites do planeta.


Quais são as expectativas dos economistas?
A antiga dicotomia entre meio ambiente e crescimento econômico e social não apenas perdeu sentido, como é idiota. O sofrimento do futuro não será distribuído igualmente, como nada é distribuído igualmente em nossa sociedade atual. Ele vai se abater sobre os pobres, porque são aqueles os que estão em posição mais vulnerável e têm menos recursos para se defender. O mundo de hoje não é mais o mundo do passado. É uma ingenuidade imaginar que 1,5 bilhão de pessoas poderão consumir de uma determinada forma e centenas de milhões de outras pessoas poderão perder suas casas e safras, sem que isso dê em nada. Haverá reação e migração: estamos falando de dezenas de milhões de migrantes ambientais. E se não fizermos o dever de casa serão muitos mais.


Que dever de casa é este?
Já conhecemos os impactos do drama dos limites do planeta. Mas o principal é que não estamos recorrendo ao principal ferramental do economista ou do homem de negócios: o risco. Não estamos realizando uma análise de risco minimamente inteligente, mas de forma míope. Extinguir 30% das espécies até 2050 pode parecer apenas uma grande perda de riqueza em termos de moléculas, enzimas ou produção agrícola, mas pode incorrer em risco de acidentes mais graves, como colapso do sistema ecológico - 30% de extinção de espécies correspondem à velocidade de extinção registrada em um dos cinco apocalipses. Vai acontecer algo muitíssmo grave? Provavelmente não, mas existe a chance de acontecer. Há o risco - degelo dos mantos de gelo na Groenlândia ou a liberação do metano dos solos congelados da Sibéria, entre outros exemplos. Só que esses grandes riscos a humanidade nunca enfrentou antes. Como podemos agir levando em conta o que vai acontecer em 50 anos? Nunca passamos por isso, é agora que vamos descobrir se seremos capazes. Políticos podem ser pressionados por cidadãos a adotar políticas públicas que evitem riscos para daqui a 30 anos, por exemplo. Mas, conseguiremos isso?


O setor privado pode intervir mais diretamente?
As companhias estão aflitas porque sabem perfeitamente que estamos esbarrando nos limites do planeta e sabem que os preços de hoje ainda não refletem isso. Mas os preços de amanhã serão diferentes. Bem diferentes. Sabem que se continuarmos a emitir gases de efeito estufa como estamos fazendo hoje a temperatura vai aumentar até 5 graus e isso não vai ser o fim do mundo, nem da civilização, mas vai custar muito caro e seguramente provocará um colapso civilizatório. O que não dá para acreditar é que uma civilização que sabe que está caminhando para um colapso seja capaz de prosseguir a vida deixando o mundo permanecer o mesmo. No Brasil, e no resto do mundo, não haverá crescimento econômico nem competitividade, tampouco inclusão social, se não nos preparamos para um mundo que mudará completamente, sem almoço grátis.


E como planejar a vida adiante? A previdência, a aposentadoria...
O drama é exatamente este, não é o urso polar! É o homem. Os preços dos fundos de pensão vão mudar completamente. E o fundo de pensão que acha que está assegurando milhões para os professores do Estado de Nova Iorque ou dos servidores públicos do Brasil podem estar trabalhando com taxas de retorno que não têm nada a ver com a realidade. Qual é a taxa de retorno do pré-sal? Ninguém sabe. E o que aflige as grandes companhias é isso: os preços de hoje podem sofrer alterações radicais amanhã. Deveria ter sido ontem, todas sabem disso. Os empresários serão chamados para colocar toda a sua criatividade de economia de mercado a favor de novos caminhos para a mais acelerada revolução tecnológica da história. A solução não está em nenhum burocrata da ONU ou de cientista do IPCC. Ninguém sabe qual é o caminho certo. Temos que tomar a coragem política de assumir que não tem almoço grátis, estamos esquentando o planeta e quem esquenta tem que pagar por isso.


O que nós, cidadãos, podemos fazer?
Nós, cidadãos do planeta, vamos precisar desesperadamente que algumas dessas empresas acertem.


quarta-feira, 23 de maio de 2012

Mais um xadrez geopolítico, desta vez na Síria

Mais um xadrez geopolítico se desenha na Síria, desta vez envolvendo Irã, Líbano, países do Oriente Médio e os EUA (claro). 

Bashar al-Assad é um dos poucos ditadores que se manteve de pé durante a famosa primavera árabe. Muito por conta do não intervencionismo às claras que se deu no país; já que na época afirmavam que caso houvesse intromissão na Síria, poderia eclodir uma guerra civil com riscos de contagiar outras nações (uma desculpa fraca, que pode ser facilmente derrubada se olharmos para os outros países que passaram pela primavera árabe). 

Fato é que o intervencionismo na Síria, volto a dizer, não se deu, pelo menos às claras... 

Notícias, como a reportagem abaixo, dão conta de que há um jogo por trás dos panos entre EUA, Irã e alguns países do Oriente Médio que dificultam cada vez mais o processo de apaziguamento na Síria. 

Por um lado, temos os EUA, que colaboram com os rebeldes para tentar derrubar o ditador sírio; de outro temos o Irã que colabora com o ditador com o intuito de não perder um aliado regional; ainda correndo por fora temos a Al-Qaeda que está tentando se instalar na Síria por conta da fragilidade que o país vive, buscando também tirar al-Assad do poder. Como se não bastasse o Líbano está começando a ser influenciado pelo que acontece na Síria e começa a viver um clima de tensão, que pode ou não desencadear em guerra. 

Kofin Annan, enviado especial da ONU (tendo dito aqui sistematicamente que o atual secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, parece um peso morto pra tentar conciliar essas e outras questões a frente da ONU, ta aí mais uma prova disso), tenta resolver essa questão, mas se esse jogo político por trás dos bastidores continuar a se desenvolver, Annan tentará uma missão impossível praticamente. 

Em março de 2011, quando a crise na Síria teve início, um dos argumentos mais fortes contra uma intervenção internacional aos moldes da que houve na Líbia era a possibilidade de o conflito no país se tornar uma “guerra por procuração”. O medo era de que potências ocidentais e grupos e governos regionais interferissem na Síria fomentando uma guerra civil com potencial para espirrar para outros países da região. Como se sabe, não houve intervenção na Síria, mas nesta semana ficou claro que o país se tornou um campo de batalha mundial. Neste palco, disputam poder Estados Unidos, Irã, Turquia, países do Golfo Pérsico e outros grupos civis, como a Irmandade Muçulmana da Síria e, possivelmente, até a rede terrorista Al-Qaeda. Enquanto isso, as perspectivas de paz na Síria só fazem minguar e as de uma nova guerra civil no vizinho Líbano crescem.
A comprovação de que o governos dos Estados Unidos está tentando ajudar os rebeldes rivais ao ditador Bashar al-Assad surgiu em uma reportagem publicada pelo jornal The Washington Post na terça-feira 15. À publicação, um membro do Departamento de Estado americano afirmou que a Casa Branca está “aumentando a ajuda não-letal à oposição síria”. Essa ajuda inclui informações de inteligência sobre rebeldes sírios e também sobre infraestrutura de combate. Com esses dados, os países do Golfo Pérsico, especialmente Catar e Arábia Saudita, fazem chegar aos rebeldes sírios milhões de dólares em armas contrabandeadas. As duas principais rotas dos armamentos são o Líbano, um país também dividido entre setores pró e anti-Assad, e a Turquia, que fala abertamente em tirar Assad do poder. Os governos não são os únicos contrabandeando armas. A Irmandade Muçulmana da Síria (que nada tem a ver atualmente com a Irmandade Muçulmana no Egito) abriu também sua própria rota para abastecer os rebeldes.
Tão preocupante quanto a interferência externa na Síria é a possível entrada de militantes ligados, na prática ou ideologicamente, à Al-Qaeda. O atentado da semana passada em Damasco (uma dupla explosão de carro-bomba com 55 mortos) fez diversos especialistas crerem que a rede terrorista está tentando se instalar na Síria. Ironicamente, a Al-Qaeda e os Estados Unidos têm interessante coincidente por lá: derrubar Assad.
Do outro lado da briga, o comportamento é exatamente o mesmo. As suspeitas de que o governo do Irã está contrabandeando armas para o regime sírio ficaram mais fortes nesta semana. Na quarta-feira, um diplomata do Conselho de Segurança das Nações Unidas afirmou à agênciaAssociated Press que um novo relatório da entidade descobriu pelo menos dois carregamentos ilegais de armas enviados pelo Irã à Síria. O Irã tem em Assad seu principal aliado regional e não quer perde-lo. Assim, não tem ajudado a Síria apenas com armas. Nesta quinta-feira, o jornal Financial Timesafirma que a Síria está conseguindo romper o embargo a suas exportações de petróleo graças a um navio iraniano. A embarcação estaria usando diversas bandeiras e empresas diferentes para levar o petróleo sírio ao Irã.
O retrato é completado pelo drama do Líbano, um país muito influenciado pelo que ocorre na Síria. O Líbano tem comunidades sunitas, xiitas e alawitas que são fieis a seus correligionários na Síria. Nesta semana, a violência entre alawitas (como Assad) e sunitas (como os rebeldes sírios) deixou pelo menos oito mortos. O governo libanês tenta a todo custo abafar a crise antes que ela se agrave e abra as portas para uma guerra civil.
Assim, enquanto o enviado especial das Nações Unidas, Kofi Annan, tenta mediar a paz na Síria, diversos atores da comunidade internacional agem no submundo para tornar um acordo inviável. Somando-se a isso o comportamento assassino e insano de Bashar al-Assad, não é difícil perceber que a Síria caminha para um destino desolador.



Um problema ambiental eminente: Lixões

Pois é, volta e meia vemos reportagens sobre o destino final que damos ao nosso lixo diariamente. 

Grande parte deles vão para locais sem tratamento, contaminando solos e água, desencadeando assim futuros problemas ambientais. 

Medidas como a coleta seletiva foram implementadas através de campanhas, mas parecem não ser tão eficientes a ponto de se tornarem hábito da população como um todo (principalmente quando se faz coleta seletiva e na hora do lixo ser recolhido,  jogam tudo junto dentro do caminhão, desfazendo assim todo o trabalho que a pessoa teve de separar o lixo).

Mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não estamos nem perto do que se considera razoável em relação a metas para melhorar o destino final de nosso lixo. Pior, até agora o que foi feito já foi facilmente engolido pela nossa produção de lixo, que aumentou. 

Com certeza, nossos números seriam ainda piores se não fossem os catadores (que infelizmente fazem isso por necessidade e não por consciência ecológica). E ainda tem gente que recrimina essa população... Mal sabem eles o bem que essas pessoas fazem não só para os mesmos como para toda a população... Ainda mais com alto risco ambiental que o lixo causa. 

Desde 2010 quando entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os otimistas acreditavam na sua implantação de maneira gradual e em ritmo constante ao longo dos anos subsequentes.
A verdade é que até o momento não temos muito a comemorar. Continuamos a gerar lixo e descartar de maneira incorreta a maior parte das sobras de nosso modo de vida irracional e consumista.
Pelo menos é o que revelam as informações divulgadas na última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, realizado anualmente pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). No ano passado foram coletadas 55,5 milhões de toneladas de resíduos.  Desse total, 58,06% (cerca de 32,2 milhões de toneladas) tiveram como destino os aterros sanitários. Já as outras 23,3 milhões de toneladas foram parar em lixões ou aterros controlados, quer dizer, sem qualquer tratamento ou cuidados especiais.
A melhora em relação a 2010 foram de expressivos… 0,5% na destinação mais correta. Como diria o saudoso e recém-falecido, Millôr Fernandes, “não é nada, não é nada…não é nada mesmo!!!”. Tal incrível melhora de meio ponto percentual ainda acabou por ser suplantada pelo aumento na geração total de lixo em nosso país que cresceu 1,8%.
Outro dado preocupante revelado pelo estudo da Abrelpe é o aumento de 7,2% na geração de entulho resultado do crescimento da construção civil. Só no ano passado foram coletadas 33 milhões de toneladas de resíduos produzidos unicamente por esse setor da economia nacional.
Situação difícil para os municípios
Se a quantidade de lixo não para de crescer, a proporção é semelhante quanto aos problemas enfrentados pelas cidades brasileiras. Segundo o cronograma estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos até 2014 todos os municípios deverão ou, nessa altura do campeonato, deveriam liquidar os lixões e dar destino correto à geração de resíduos em suas divisas. Pois em 2011, conforme destacado no Panorama dos Resíduos Sólidos, 60,5% dos 5.565 municípios brasileiros ainda estão em desacordo e despejando de maneira incorreta os seus resíduos. Algo como 74 mil toneladas por dia. Os lixões representam um sério problema ambiental e de saúde pública, pois a precariedade no armazenamento dos resíduos provoca, invariavelmente, a contaminação do solo e da água.
Isso sem fazer referência as mais de 6,4 milhões de toneladas que, em 2011 além de não terem sido coletadas, foram parar em rios, córregos e terrenos baldios.
O colapso nas metrópoles
Para todas as cidades a gestão de resíduos é um fator de preocupação cada vez maior. Muitas delas não têm mais onde armazenar as toneladas de lixo produzidas por seus habitantes (esse número já atingiu o patamar de 381,6 quilos anuais per capita no Brasil).
Como exemplo, a cidade de São Paulo é obrigada a “exportar” metade do total de 12 mil toneladas de resíduos produzidos todos os dias em seu território. Cerca de 6 mil toneladas tem como destino um aterro sanitário localizado em Caieiras, município localizado a 35 quilômetros da capital paulista. A maior metrópole brasileira simplesmente já não tem capacidade de cuidar de seu próprio lixo.
É interessante observar que todos esses números revelam um problema colossal e, portanto, exigem ações urgentes e inadiáveis. Jogar “a sujeira debaixo do tapete”, como diz o dito popular, já está sendo feito e seus danos tem se revelado perversos.
A primeira tarefa seria a de “reciclar” as ideias e quebrar os paradigmas de todos, sejam eles, cidadãos, autoridades públicas ou líderes empresarias. Ao invés de enxergar lixo deveríamos ver matérias perfeitamente reutilizáveis ou recicláveis.  Ao gerir corretamente os resíduos produzidos por nós mesmos estaríamos dando os primeiros passos.
Coletar adequadamente, separar e tratar milhares de toneladas de materiais úteis ao invés de descartá-los, valorizar o trabalho dos catadores e cobrar das autoridades a gestão eficiente desses resíduos, trariam enormes e importantes mudanças para um problema que tende a se agravar se tudo permanecer no ritmo atual.
Ao setor produtivo caberia envidar esforços para tornar seus produtos menos descartáveis e colaborar com o consumidor para a adoção de práticas que evitem descartes e o uso indiscriminado de embalagens, entre outras ações importantes.
Como a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos esclarece, a responsabilidade compartilhada é o caminho para o sucesso da lei.  A participação de todos e mudanças nas atitudes seriam fundamentais para reverter esse triste retrato em que todos perdem e as montanhas de lixo crescem sem controle e bom senso.


segunda-feira, 21 de maio de 2012

Trabalho escravo denunciado em construções por São Paulo

Para quem achava que a prática era comum apenas em fazendas no interior do país, agora pode ser dar conta de que ela é praticada também nas grandes cidades. 

Denúncias surgem sobre trabalhadores em condições de trabalho análogas a de escravidão por diversas construções em São Paulo. 

Em um país de herança escravocrata, não é de se espantar, infelizmente, que esse tipo de prática ainda ocorra. A mesma não se estende apenas aos trabalhadores locais; migrantes também são vítimas dessas condições (antes mesmo dessa denúncia de trabalhadores em construções civis, já é conhecido que em São Paulo bolivianos, em sua maioria, trabalham em condições de escravidão; principalmente para indústrias ligadas ao setor têxtil). 

Mas, isso não é motivo para justificar tais atos que devem ser combatidos e reprimidos com total severidade. A PEC 438 se mostra como uma ferramenta de combate ao trabalho escravo e esperamos que seja eficiente em sua execução. Ainda mais quando estão querendo praticamente legalizar o trabalho escravo


Dados do Ministério Público do Trabalho (MPT) mostram que casos de trabalhadores da construção civil flagrados em situação análoga à de escravidão vêm crescendo de “forma preocupante” no estado de São Paulo. Apenas em 2012, nas operações que contaram com atuação do MPT, 140 pessoas foram encontradas nessa situação.

“Na construção civil, certamente, a cada ano está ficando pior. Não existiam situações no passado, era quase inimaginável. Agora, está se tornando permanente, comum. Isso nos preocupa demais”, diz o procurador da Coordenadoria Nacional de Erradicação de Trabalho Escravo do MPT, Rafael de Araújo Gomes.

Está prevista para o dia 22 de maio, a votação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 438) do Trabalho Escravo. A PEC é considerada um dos maiores instrumentos de enfrentamento do trabalho escravo porque estabelece que “serão expropriados, sem qualquer indenização, os imóveis urbanos, assim como todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência da exploração do trabalho escravo.”

Interior de São Paulo

Em abril, o Ministério do Trabalho e Emprego e o MPT em Bauru (SP) constataram que a construtora Croma mantinha 50 trabalhadores em situação análoga à escravidão em obras de um conjunto habitacional na cidade de Bofete (SP). A empresa foi contratada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU).

Procurada, a construtora Croma disse que concordou em assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT para quitar os débitos trabalhistas com os 50 funcionários. A empresa se comprometeu também a pagar todos os salários atrasados aos empregados, assim como indenizações individuais no valor de R$ 500 para cada migrante encontrado em situação irregular.

Em maio, fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) flagraram 90 trabalhadores em situação análoga à de escravidão em uma obra do Programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, no município de Fernandópolis (SP). A empresa Geccom, responsável pelo empreendimento, foi autuada por diversas irregularidades, como jornada de trabalho até 15 horas, emprego de trabalhadores sem registro em carteira, alojamentos em situação precária e falta de equipamentos de segurança.

A empresa providenciou a rescisão de contrato dos empregados, pagou as verbas indenizatórias e os salários devidos. O advogado da Geccom, Shindy Teraoka, disse que a empresa irá comprovar ao MTE que os trabalhadores não estavam em condição análoga à escravidão e que já acertou todos os débitos com os empregados.

De acordo com o procurador Gomes, com a “explosão” do crédito imobiliário, especialmente devido a programas do governo federal como o Minha Casa, Minha Vida, algumas construtoras buscam firmar o maior número de contratos possível, sem ter condições de realizar as obras. “[As empresas não sabem] como vão contratar, qualificar e dar andamento a essas obras. Se vão ter funcionários suficientes ou não. Aparentemente está ocorrendo isso. Uma ganância de fechar a maior parte de contratos, assegurar os recursos e só depois se preocupam se vão conseguir entregar o imóvel. E não conseguem”, destaca.

De acordo com o vice-presidente de Relações Capital-Trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP), Haruo Ishikawa, há falta de mão de obra no setor, o que leva empreiteiras a subcontratar empresas não qualificadas para fornecer os trabalhadores.

“São os subempreiteiros contratados que estão praticando isso. Estamos sugerindo para as empresas que, ao contratar o subempreiteiro, verifiquem realmente as condições de trabalho apresentadas”, destaca. “A responsabilidade também é da empresa contratante, que é a empresa construtora principal”, acrescenta.
De acordo com o vice-presidente, o Sinduscon está fazendo uma campanha com seus associados para coibir a situação análoga à escravidão, além de incluir a questão no acordo coletivo do setor. “Da nossa convenção coletiva de 2009 para frente, nós, preocupados com essas questões da contratação de mão de obra, colocamos na Cláusula 10 a maneira como as construtoras deverão contratar as subempreiteiras: verificando todos os itens regulares regidos pela CLT”, destaca.

Segundo o MPT, no ano passado, em todo o país, foram resgatados 2.428 trabalhadores em situação análoga à escravidão. Até março deste ano, os fiscais resgataram 339 trabalhadores. O coordenador da Campanha Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, vinculado ao Ministério Público do Trabalho, frei Xavier Plassat, estima que, no país, haja de 20 mil a 50 mil pessoas exercendo atividades em condições análogas à escravidão.

*Matéria originalmente publicada em Agência Brasil


Para refletirmos

Na reportagem abaixo Marcio Pochmann defende que não há uma nova classe média se formando, mas sim um novo ramo dentro dela. O mesmo também é defensor de que a ascensão dos trabalhadores está com seus dias contados...

Seus argumentos nos convidam a pensar sobre essas questões e achei conveniente colocar aqui para refletirmos sobre e quem sabe construirmos um debate acerca de tais questões. 

CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?

Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.

Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.

Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.
Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.

Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.

CC: Há uma explicação para isso?

MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.

CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?

MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.

Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.

CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…

MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.

CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?

MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores.

CC: No livro, o senhor diz que as pessoas que acenderam socialmente nos últimos anos não podem ser consideradas de uma nova classe média. Por quê?

MP: Uma classe média tem ocupações diferentes dessas que foram geradas. Se fossem vinculadas a bancários, professores ou dirigentes de empresas, possivelmente nós poderíamos associar isso a classe média, mas não foram essas ocupações que deram razão a essa mobilidade social.

No caso brasileiro, parcelas significativas das ocupações não são geradas pela indústria, mas sim por serviços. Por isso, entendemos que são novos segmentos no interior da classe trabalhadora. A classe média tradicionalmente tem uma estrutura muito diferente desses segmentos novos que surgiram no Brasil. Ela tem mais gastos com educação e com saúde. O peso da alimentação é muito menor do que o que se identifica nesse segmento de renda de até 1,5 ou 2 salários mínimos mensais.

Ao mesmo tempo, a classe média poupa, não gasta tudo que ganha. Nela, a elevação da renda não se traduz necessariamente na elevação do consumo. Especialmente porque os bens que mais têm sido dinamizados no país, como eletrodomésticos, são bens que a classe média já possui. Então a classe média poupa. E isso é uma diferença que nós não identificamos nos segmentos agora em ascensão.

A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.

CC: Essas particularidades mudam, alguma forma o foco das políticas voltadas a essa parcela da população?

MP: Esse debate, de como se identifica essa ascensão social no Brasil, tem implicações evidentes no posicionamento do Estado brasileiro, das políticas públicas. Se nós identificarmos essa ascensão como um movimento vinculado à classe média, certamente o papel do Estado estaria ligado à difusão dos serviços privados, por intermédio de subsídios, como através do Imposto de Renda, que subsidia gastos do setor privado da classe média. Hoje é possível descontar despesas de educação, saúde e previdência privada. São interesses diferentes da classe trabalhadora, que são por bens públicos de interesse coletivo: saúde pública, educação pública, transporte público.



sábado, 19 de maio de 2012

ONU desenvolve sua obviedade, dessa vez com a África

É impressionante como a ONU não perde essa sina de obviedade em relação ao que produz em seus relatórios. 

A bola da vez agora foi anunciar que o desenvolvimento na África, em especial a parte subsaariana, não pode se dar sem uma distribuição de alimentos que atenda minimamente a sua população (!). 

O relatório aponta que políticas devem ser implementadas para combater a fome, como o aumento da produção agrícola e uma maior justiça social (!). 

Óbvio, não ?!

Agora por que a ONU também não relata que o continente como um todo está assim por conta de décadas e mais décadas de exploração por europeus e norte-americanos, cuja recuperação disso ainda não se fez completa até hoje ? (até porque o continente ainda é explorado por eles...).

Por que também a ONU ao invés de só dizer o que os países devem fazer, não faz algo construtivo e ajuda de fato os mesmos a reverterem esse processo ? Dizer o que está errado é fácil e isso todo mundo sabe, agora ajudar a reverter a situação que é bom ninguém ajuda... 


Nairóbi, 15 mai (EFE).- A África Subsaariana não pode manter seu atual indice de crescimento econômico se não acabar com a fome que afeta mais de 200 milhões de pessoas na região, advertiu nesta terça-feira o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) em Nairóbi.

"Os impressionantes índices de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) na África não se traduzem na eliminação da fome e da desnutrição. O continente necessita de um crescimento inclusivo e de políticas centradas nas pessoas e na segurança alimentar", afirmou a administradora do Pnud, Helen Clark, em comunicado.

Essas declarações marcaram a apresentação do "Relatório do Desenvolvimento Humano de África 2012: Em direção a um futuro de segurança alimentar", elaborado pelo Pnud e divulgado hoje na sede da ONU na capital queniana.

O documento aponta que a desnutrição afeta um quarto dos 856 milhões de habitantes da África Subsaaariana, que continua sendo "a região de maior insegurança alimentícia do mundo".

"Neste momento, mais de 15 milhões de pessoas estão em risco somente em Sahel (...) um número similar ao registrado no Chifre da África, que continua sendo vulnerável após a crise alimentícia do ano passado em Djibuti, Etiópia, Quênia e Somália", ressalta o texto.

Essa situação entra em contradição com "as elevadas taxas de crescimento registradas na África Subsaariana nos últimos anos, algumas delas entre as mais rápidas do mundo, e com as melhorias da esperança de vida e da escolarização, que não resultaram em uma melhora da segurança alimentar".

Além disso, o relatório ainda exalta "um duro paradoxo: em um mundo com excedente de comida, a fome e a desnutrição continuam onipresentes em um continente com grandes recursos agrícolas", disse o diretor do Pnud para a África, Tegegnework Gettu.

De acordo com Clark, a construção de um futuro com segurança alimentar na África só será conquistado se "os esforços incluírem todas as políticas de desenvolvimento".

Nesse sentido, o relatório pede que sejam aplicadas ações "imediatas", como o aumento da produção agrícola e uma maior justiça social.

A segurança alimentar, segundo a definição esgrimida na Cúpula da Alimentação de 1996, significa que "as pessoas devem ter acesso de maneira consistente e suficiente à comida nutritiva para satisfazer suas necessidades e poder levar uma vida saudável", lembra o relatório. EFE

Hollande assume presidência da França e tenta dar novos rumos ao país

Derrotado pela estagnação da economia francesa e pela crise na Europa, Sarkozy sai de cena (ainda bem ! Pelo menos espero que o próximo presidente não seja xenofóbico) e dá lugar a Hollande, presidente socialista que pretende tirar a França dessa situação. 

Mesmo sendo fortemente sentida pela Grécia, os efeitos da crise européia começam a respingar em outros países, e a não reeleição de Sarkozy foi um reflexo disso. Hollande vem como uma resposta da população a tentativa de contornar uma economia estagnada e uma taxa de desemprego tão alta como não se via a mais de uma década. 

Segundo o novo presidente francês o primeiro passo para contornar essa situação é uma conversa com a chanceler alemã Angela Merkel que se mostra pró medidas de austeridade, ao contrário do novo presidente. 

São apenas os primeiros passos de Hollande, se o mesmo conseguirá ou não cumprir o que diz é uma questão de tempo... Apesar disso, também nota-se que a crise européia começa a derrubar governos; Sarkozy caiu, será que outros também cairão ?

François Hollande assumiu nesta terça-feira como presidente da França, numa cerimônia que traz um socialista ao poder num momento em que a crise fiscal da zona do euro se agrava cada vez mais e a economia francesa dá sinais de estagnação.

Hollande, que derrotou o então presidente Nicolas Sarkozy no segundo turno da eleição presidencial, no último dia 6, começará a lidar imediatamente com a crise europeia ao viajar ainda hoje para Berlim para se reunir com a chanceler alemã, Angela Merkel.

"Meu mandato é fazer uma reviravolta na França de maneira justa e abrir um novo caminho na Europa", disse Hollande durante o discurso de posse.

O novo presidente francês prometeu desafiar Merkel, que tem imposto duros cortes de gastos como o melhor remédio para curar as finanças públicas dos países europeus endividados, com a recomendação de políticas pró-crescimento.

No entanto, o encontro de Hollande e Merkel tem como pano de fundo as difíceis negociações entre os líderes gregos para a formação de um governo de coalizão. O fracasso das conversas pode levar a Grécia a deixar a zona do euro.

Em casa, Hollande herda uma economia sem fôlego. Números divulgados hoje mostram que a economia francesa ficou estagnada no primeiro trimestre e expandiu apenas 0,1% nos últimos três meses de 2011.

O crescimento anêmico - o Banco da França prevê nova estagnação no segundo trimestre - tornará difícil a tarefa de Hollande de controlar a taxa de desemprego, que chegou a 10%, o maior nível em 13 anos.

Além disso, a Comissão Europeia alertou a França na semana passada que, sem mudanças na política econômica, o país não conseguirá reduzir o déficit orçamentário a 3% do produto interno bruto (PIB) em 2013, como foi estabelecido para todos os países da zona do euro. As informações são da Dow Jones.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Grécia a beira do abismo

Cada vez mais enrolada com sua situação econômica, a Grécia agora se vê entre a cruz e a espada. Se de um lado há o receio de aprovar o pacote de austeridades imposto pelo FMI e pela UE em troca do pacote bilionário para tirar a Grécia do fundo do poço, por outro há cada vez mais manifestações nas ruas contrárias a aprovação deste pacote. 

No governo então é que as coisas se complicam... Os que são pró e contra o pacote de austeridade não conseguem chegar a um acordo sobre um governo de coalizão capaz de contornar esse problema. O resultado que é tanto UE quanto FMI estão perdendo a paciência com esse impasse e o resultado já se refletiu em um bloqueio parcial da primeira remessa de dinheiro para tentar tirar o país da crise. 

Com essa indecisão a Grécia só tem a perder, pelo menos com o pessoal do FMI e da UE. Alguns já falam até da saída do país do Euro, algo que pode afundar a Grécia ainda mais. Fato é que a Grécia precisa de ajuda externa, principalmente para pagar seus credores. Contudo, enquanto esse impasse de governo não se resolve (aliás, vão convocar novas eleições se não for resolvido) quem mais perde com isso é o povo grego que vê seu país caminhar cada vez mais para a beira do abismo.

A crise financeira está destruindo a dívida pública da Grécia e os líderes do país sofrem forte pressão da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para adotar intensas medidas de austeridade. Em troca, o país receberia dois pacotes de resgate de cerca de 240 bilhões de euros para continuar a tentativa de salvamento de sua economia. O problema é que os líderes políticos não conseguem criar um consenso para formar um novo governo, após as eleições legislativas do último domingo 6.

Alexis Tsipras, líder do Syriza – partido da esquerda radical segundo colocado nas eleições legislativas -, não conseguiu formar uma coalisão, assim como Antonis Samaras, chefe da legenda conservadora Nova Democracia, vencedora do pleito. A tarefa recai sobre Evangelos Venizelos, do Pasok, que terá três dias para tentar sessar a intensa polarização de correntes políticas, a favor e contra o acordo de resgate financeiro do país, enquanto uma nova eleição se torna cada vez mais provável.

Um cenário de incerteza que, segundo analistas ouvidos por CartaCapital, deve levar ao bloqueio de novos empréstimos internacionais, recolocando a falência grega e a possibilidade de saída do euro em discussão – é bom lembrar que o país depende de ajuda externa para pagar seus credores.

A Grécia deveria receber nesta quinta-feira 10 uma parcela de 5,2 bilhões de euros do acordo, mas os governos europeus retiveram 1 bilhão da quantia em um movimento que demostra insatisfação. “O bloqueio deve permanecer até a formação de um governo minimamente a favor dos princípios básicos do plano de resgate. Mas isso já atrasa o processo político em andamento para implementar as medidas de austeridade”, diz Elena Lazarou, doutora em estudos internacionais e especialista em Grécia, a CartaCapital.

Em 15 de maio, o país deve devolver cerca de 450 milhões de euros de obrigações que seus credores se negaram a trocar em uma grande operação realizada em março. Analistas apontam que a Grécia tem reservas apenas até o final de junho. Logo, caso o embargo se confirme, o governo deve enfrentar dificuldades para manter serviços básicos, como escolas e hospitais, o que deve provocar uma piora dos índices sociais e novos protestos.

Centro-direita e centro esquerda punidas nas urnas

Neste cenário, os gregos votaram contra os socialistas do Pasok (centro-esquerda) e o ND (centro-direita), adversários políticos que se uniram em novembro passado em um movimento inédito para formar um governo de coalisão comprometido com o corte de gastos e benefícios sociais.

Após o pleito, o ND saiu de 33,5% nas eleições de 2009 para menos de 19%, ou 108 cadeiras no Parlamento. O Pasok despencou de 43% para 13% dos votos e elegeu apenas 41 deputados, enquanto o Syriza conquistou 52 representantes e tornou-se a segunda força política grega, defendendo a revogação das medidas de austeridade implementadas e a investigação do sistema bancário do país.

Conciliar os interesses e visões destes partidos em um momento de crise é uma tarefa complexa, pois as legendas antiausteridade que ganharam espaço também possuem outros questionamentos sobre a UE. “Esses grupos criticam a maneira como a Grécia se inseriu no grupo e ao paradigma da liberalização financeira e da mobilidade de capital no bloco, mas sem uma política unificada em direitos trabalhistas ou de uma rede de proteção social entre os 27 países membros”, explica Mauricio Santoro, doutor em Ciências Políticas e professor de Relações Internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Por isso, Lazarou acredita que as chances de se formar um governo de coalisão com maioria absoluta no Parlamento são remotas. “Mesmo a ND e o Pasok não conseguiram um acordo sobre o plano da UE. Não vejo como formar um governo de salvação nacional”, vaticina Kai Enno, PhD em Relações Internacionais e professor da Universidade de São Paulo.

Segundo ele, uma provável nova eleição fortaleceria ainda mais os partidos extremos da esquerda e direita, “porque a incapacidade [da atual coalisão] em formar um governo evidencia os problemas do país.”

Santoro, no entanto, acredita que uma coalisão instável e sujeita a pressões externas deve se formar. Mas em um novo pleito, diz, as correntes mais afastadas do centro ganhariam espaço, embora seja improvável a formação de um governo contra austeridade entre extrema direita, esquerda e centro-esquerda. “Nunca houve uma coalisão assim, pois mesmo que as visões econômicas sejam semelhantes, há uma diferença grande em outros valores destes partidos.”

A retórica da renegociação do resgate econômico grego proposta pelo Syriza, entre outros partidos menores, vai de encontro às pressões de diversas autoridades europeias, segundo as quais a austeridade é necessária. Não há espaço para uma visão distinta. “Deve ficar claro para a Grécia que não há alternativa ao programa de consolidação acordado, caso queira continuar a ser membro da Eurozona”, alertou Jörg Asmussen, membro da diretoria do Banco Central Europeu no início da semana.

Mas os analistas ouvidos por CartaCapital acreditam que a possibilidade da saída do euro ainda não está posta, embora o cenário possa mudar rapidamente. O fator chave para a manutenção da moeda única na Grécia, apontam, seria o resultado de um acordo entre França, que tem em seu novo presidente, François Hollande, um defensor de estímulos ao crescimento, e a Alemanha de Angela Merkel, pró-austeridade.

“Há uma mudança de visão, temos a ascenção do Hollande na França e talvez a UE vai reconsiderar a forma de enfrentar os problemas. Além disso, os três partidos que ganharam as eleições e parte de legendas menores são a favor do euro”, comenta a professora da FGV.

Santoro também destaca o posicionamento fraco-alemão como fundamental para a Grécia, mas aventa a possibilidade de uma nova moratória do país. “A saída do euro ainda não chegou à mesa.”

Mas a demora para a definição do novo governo também pode forçar a Grécia a deixar o euro, diz Enno. “É possível que a Grécia siga o exemplo da Bélgica, que ficou mais de um ano sem um líder eleito, mas isso seria péssimo. Neste cenário, o país estaria em falência, uma vez que depende de empréstimos, e teria que sair da moeda única. Isso significa que a Zona do Euro enfrentaria um temor de contágio, pois o que impediria a Itália ou outros países de fazer o mesmo?.”


Brasil Carinhoso

No pronunciamento em cadeia nacional para o Dia das Mães (aliás, parabéns a todas as mães) a nossa presidente aproveitou para lançar o Programa Brasil Carinhoso, que pretende tirar da miséria famílias que possuam crianças na dita primeira infância. 

O programa é mais um passo dado na tentativa de melhorar a distribuição de renda em nosso país (um pequeno passo para um grande problema, é bom que se diga...), mas... 

Mesmo que o programa venha acompanhado intentos de melhorar a saúde das pessoas que se encaixam no perfil dessa nova bolsa; ainda acho que simplesmente dar o dinheiro ajuda, mas não resolve o problema. 

Meu receio se coloca aqui na antiga mania que nosso governo tem, e isso em todas as suas instâncias, de tomar soluções paliativas como panacéias. 

Nesse meio tempo que o programa dá o peixe a quem precisa, poderia também ministrar meios para que essa população possa aprender a pescar. Entendem ?

Trocando em miúdos, o programa tem sim sua validade e deve ser utilizado como forma de melhora na distribuição de renda; contudo, o mesmo deveria ser acompanhado de meios que possam qualificar essas pessoas para que as mesmas também consigam sair da linha de pobreza por seus próprios esforços... 

Tenho consciência de que pessoas nessa situação geralmente tem pouco ou nenhum estudo. Mas estaria aí uma boa oportunidade de tentar reverter esse quadro; além de tirar as pessoas da miséria absoluta que tal também melhorar a situação da escolaridade em nosso país ?

Volto a dizer, o programa é importante para o nosso país sim. Mas deve ser acompanhado de outras medidas que visem melhorar as condições de vida das pessoas atendidas por ele, fazendo mais do que simplesmente garantir uma renda fixa por mês.

A presidenta Dilma Rousseff acaba de anunciar na noite deste domingo (13), em seu pronunciamento do Dia das Mães em cadeia nacional de TV e rádio, o lançamento da Ação Brasil Carinhoso. Segundo a presidenta, o programa vai tirar da miséria absoluta todas as famílias brasileiras que tenham crianças com até 6 anos de idade.

“O Brasil Carinhoso faz parte do grande Programa Brasil sem Miséria, que estamos desenvolvendo com sucesso em todo o território nacional. Será a mais importante ação de combate à pobreza absoluta na primeira infância já lançada no nosso país”, disse.

O primeiro eixo do programa, que deve beneficiar cerca de 4 milhões de famílias, vai garantir uma renda mínima de R$ 70 a cada membro das famílias extremamente pobres que tenham pelo menos uma criança nessa faixa etária, sendo um reforço ao Bolsa Família. Os outros dois eixos são o aumento do acessos dessas crianças à creche e a ampliação da cobertura dos programas de saúde para elas.

Dilma ressaltou que a principal bandeira do seu governo é acabar com a miséria absoluta no país e que, historicamente, a faixa de idade na qual o país tem mais dificuldade em reduzir a pobreza é a de crianças de até seis anos. Além de estar concentrada entre os jovens, a presidenta observou que a pobreza absoluta atinge principalmente as regiões Norte e Nordeste, onde vivem 78% dessas crianças.

“Por essas razões, o Brasil Carinhoso, mesmo sendo uma ação nacional, vai olhar com a máxima atenção para as crianças dessas duas regiões mais pobres do país”, destacou Dilma, explicando que, assim como outros programas do Brasil sem Miséria, será uma parceria do governo federal com os governos estaduais e municipais.

Em relação ao terceiro eixo do programa Brasil Carinhoso, Dilma disse que, além de ampliar a cobertura dos dos atuais programas de saúde, será lançado um amplo programa de controle da anemia e deficiência de vitamina A e disponibilizado gratuitamente, em unidades de farmácia popular, remédios contra a asma.

Antes de anunciar o novo programa, Dilma disse que devia ser a primeira vez que um presidente fazia um pronunciamento no Dia das Mãe e, no caso, uma presidenta, “que é uma mulher, que é filha, mãe e avó”. Ela deixou um abraço a todas as mães brasileiras, “em especial às que mais sofrem”.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

VETA DILMA !

É um absurdo que o novo código florestal tenha sido aprovado - não tão absurdo se olharmos a bancada ruralista que temos no Congresso - com artigos que legitimam uma agressão ainda maior a natureza, bem como anistiam aqueles que por anos depredaram o meio ambiente.

Diante desse absurdo, parte da sociedade e parte da imprensa andam se mobilizando em torno da campanha VETA DILMA, para que nossa presidenta vete total ou parcialmente os termos dispostos no novo código florestal (se é que algo que praticamente condena ao fim nossas florestas pode ser chamado de código florestal).

Estamos de olho e temos sim que pressionar nossa presidente a vetar este abuso contra nossas florestas. Ainda mais quando se prega a anistia a quem tanto as destruiu. 


Há uma semana o Congresso Nacional “Ruralista” infringiu uma acachapante derrota ao Governo Dilma, aos ambientalistas e, o que é ainda pior, ao futuro equilibrado e sustentável do país.

O exaustivo processo de discussão em torno do novo texto para o Código Florestal e que havia sido acordado por meio de delicadas negociações no Senado Federal foi, simplesmente, “rasgado” pelas forças mais atrasadas que dominam a Câmara dos Deputados e a votação determinou com o placar de 274 votos a favor 184 contrários e duas abstenções.

Entre as diversas alterações em relação ao proposto pelo Senado, os deputados retiraram a possibilidade de o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) de vetar a emissão de documento de controle de origem da madeira explorada em estados que não integram o sistema nacional de dados sobre a extração; a interrupção temporária das atividades agrícola ou pecuária em no máximo cinco anos até 25% da área produtiva e a exigência de planos diretores dos municípios, ou leis de uso do solo, observarem os limites gerais de áreas de preservação permanente (APPs) em torno de rios, lagos e outras formações para proteção em áreas urbanas e regiões metropolitanas.

Uma vitória de Pirro

Mas determinadas vitórias podem rapidamente se transformar em derrota quando os seus resultados forem vistos como algo pouco enobrecedor. Foi o que aconteceu na noite da quarta-feira da semana passada. Ao contemplar apenas o interesse de alguns, os ruralistas afrontaram não só o governo, mas boa parte da sociedade brasileira que já havia demonstrado através de pesquisas esperar do Congresso uma visão equilibrada e que de lá saísse um Código Florestal que contemplasse a produção agrícola com a preservação de nossos recursos naturais.

Felizmente, manifestações de repulsa a toda essa truculência tem surgido de muitos setores e não só daqueles comprometidos diretamente com a defesa do meio ambiente. Entre elas, a da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) que divulgou nota oficial afirmando sua profunda preocupação com o projeto de lei recém aprovado e de senadores de várias correntes, participantes da negociação anterior, perplexos com o desfecho desse processo.

O governo também já se pronunciou e espera-se nos próximos dias o veto total ou parcial ao texto do novo Código. A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, sinalizou que a presidenta Dilma Rousseff deverá vetar “aquilo que representar a anistia (aos desmatadores), não terá respaldo do governo”.

Insegurança Jurídica 

Toda a celeuma em torno do que vai valer ou não para a produção agrícola brasileira traz prejuízo e insegurança generalizada no campo. Muita gente encontra-se num limbo jurídico e deixa de investir ou regularizar suas propriedades por falta de clareza nas regras vigentes. Uma lei justa e equilibrada teria o mérito de esclarecer o proprietário rural sobre o que efetivamente ele deve ou não fazer para estar regular e poder assim se beneficiar da lei para produzir com todo apoio e tranquilidade.

Esse é caso do projeto “Agricultura Legal – Produzindo Sustentabilidade em Piedade”, desenvolvido em parceria entre a ONG Iniciativa Verde, o Funbio (Fundo Brasileiro para a Biodiversidade) e a Prefeitura de Piedade, cidade localizada na região sudoeste do Estado de São Paulo detentora de 39% de seu território constituído por remanescentes da Mata Atlântica e 53% de sua população vivendo na zona rural.

O programa tem o objetivo de colaborar com os proprietários rurais para que eles consigam a regularização ambiental de suas terras e desse modo estejam aptos, entre outros, a receber créditos agrícolas para os processos de licenciamento ambiental; a facilitação na outorga do uso da água; além de obterem as condições para participar dos programas de PSA – Pagamentos por Serviços Ambientais – e de Servidão Florestal, o que poderá representar uma nova fonte de renda para esses agricultores.

Os custos do projeto estão totalmente cobertos pelo Funbio e parceiros. Isso quer dizer que os agricultores não precisam pagar nada para participar. Mesmo assim, a adesão tem sido baixa, em parte graças às indefinições relativas ao novo Código Florestal.

Este é apenas um caso, entre milhares, que aguardam a prevalência do bom senso para alcançarmos a paz no campo. O primeiro passo é garantir que a campanha “VETA DILMA” atinja seu objetivo de excluir os artigos polêmicos e assim retomar as bases para um diálogo construtivo.


 

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Governo brasileiro investe para ampliar malha ferroviária

A presidente Dilma anunciou que está investindo na construção de mais de 3 mil Km de ferrovias. Com isso, ainda segundo a presidente, o Brasil concluiu só nos últimos 9 anos 753km de ferrovias; o que é um grande avanço se compararmos que no período de 1986 a 2002 foram construídos apenas 215. 

A intenção da presidente é integrar todas as regiões do Brasil através desse meio de transporte. Já que se olharmos nossa malha ferroviária, notaremos que é tipicamente uma malha de antiga colônia, pois a malha parte de antigos grandes centros econômicos para os portos, visando somente o escoamento de produção. 

O Ideal é que essa integração visasse não só o transporte de carga, mas também o transporte de passageiros. Assim como traçar um plano que a longo prazo utilizasse as ferrovias como principal meio de transporte e não apenas uma alternativa, como é hoje em dia. 

Digo isso pelos seguintes motivos:

  • Apesar de ser caro para construir, uma ferrovia tem custo de manutenção barato. E essa proporção se inverte quando nos voltamos para as rodovias, ou seja, são baratas para construção, mas caras para manutenção. Só nesse ponto o que polparíamos em dinheiro poderia ser revertido para outras áreas ou até mesmo na melhoria do sistema ferroviário. 
  • A questão ambiental também entra nesse jogo, já que um trem equivale a 13 caminhões. Então teremos menos caminhões poluindo. 
  • A logística também entra nessa questão, pegando um gancho na questão acima, pois se 1 trem equivale a 13 caminhões, teremos menos caminhões circulando nas ruas o que significa menos trânsito e agilidade na entrega. Fora que nunca ouvimos falar em engarrafamento de trens. 
  • O mesmo vale se compararmos os trens de passageiros aos ônibus. Isso sem contar o tempo de deslocamento que seria sensivelmente reduzido. 

Claro que outras questões surgem como, por exemplo, os rodoviaristas não seriam acometidos por um desemprego conjuntural com essas medidas ? 

Sim e Não. Eu explico... 

De certa forma, eles seriam sim acometidos pelo desemprego conjuntural com essas medidas. Mas, ao passo que o setor rodoviário seria esvaziado, o setor ferroviário cresceria. Então podemos relocar a mão de obra rodoviária para o setor ferroviário. Além disso, não podemos esquecer que as ferrovias não são tão precisas quanto os rodovias, ou seja, uma ferrovia não conseguirá entregar produtos para o mercadinho da sua esquina, por exemplo, pois não tem alcance pra isso. Ao contrário das rodovias que podem fazer esse tipo de entrega. Com isso, devemos ter em mente que a implementação das ferrovias em larga escala seria para melhorar e agilizar o deslocamento em grandes e, até certo ponto, médias distâncias; já para pequenas distâncias e deslocamentos mais pontuais ainda será preciso o rodoviarismo. Assim, tal setor não será esvaziado por completo; mas, aqueles que fossem atingidos por tal esvaziamento, poderiam ser relocados para o setor ferroviário via cursos de capacitação.

Tal raciocínio pode ser aplicado tanto para o transporte de cargas, quanto para o transporte de pessoas. 

Espero sinceramente que a presidente continue investindo de forma consistente e eficiente nesse meio de transporte, buscando favorecer tanto o deslocamento de mercadorias quanto de pessoas.


BRASÍLIA - Em sua coluna semanal distribuída nesta terça-feira a veículos de comunicação, a presidente Dilma Rousseff defende a integração ferroviária de todas as regiões do país. Ela informa que há mais de 3 mil quilômetros de ferrovias em construção e que o governo federal, tanto na gestão dela quanto na do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, voltou a investir no setor.

- O meu governo tem absoluta convicção da importância das ferrovias. Por isso, temos, hoje, mais de 3 mil km de ferrovias em construção. Estamos em um período de retomada dos investimentos no setor porque queremos, finalmente, promover uma interligação ferroviária entre todas as regiões do país - diz Dilma.

Segundo a presidente, de 1986 e 2002, foram construídos apenas 215 km de linhas férreas, enquanto nos últimos nove anos foram concluídos 753 km.

- Com a ampliação da malha que estamos promovendo, haverá uma participação muito mais efetiva das ferrovias na matriz de transportes do Brasil - afirma Dilma.

Ela cita trechos em construção da Ferrovia Norte-Sul, entre Palmas (TO) e Estrela D'Oeste (SP); da Nova Transnordestina, entre Eliseu Martins (PI) e os portos de Suape (PE) e Pecém (CE); da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, entre Ilhéus (BA) e Figueirópolis (TO); e o trecho da Ferronorte entre Alto Araguaia (MT) e Rondonópolis/MT.

A presidente tratou do assunto ao responder à seguinte pergunta do gestor ambiental de Vespasiano (MG) Daniel Muniz de Alvarenga, de 31 anos: "Os principais países desenvolvidos possuem extensas redes ferroviárias, mas no Brasil as ferrovias não são alternativas para transporte de longa distância. O que se vê hoje é um completo abandono. O que o governo pretende fazer?"

Segundo Dilma, além dos trechos em obras, foram concluídos projetos para outros 3,7 mil quilômetros e estão em fase de elaboração estudos e projetos de ferrovias que somam mais 3,5 mil quilômetros.