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quarta-feira, 23 de maio de 2012

Um problema ambiental eminente: Lixões

Pois é, volta e meia vemos reportagens sobre o destino final que damos ao nosso lixo diariamente. 

Grande parte deles vão para locais sem tratamento, contaminando solos e água, desencadeando assim futuros problemas ambientais. 

Medidas como a coleta seletiva foram implementadas através de campanhas, mas parecem não ser tão eficientes a ponto de se tornarem hábito da população como um todo (principalmente quando se faz coleta seletiva e na hora do lixo ser recolhido,  jogam tudo junto dentro do caminhão, desfazendo assim todo o trabalho que a pessoa teve de separar o lixo).

Mesmo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, não estamos nem perto do que se considera razoável em relação a metas para melhorar o destino final de nosso lixo. Pior, até agora o que foi feito já foi facilmente engolido pela nossa produção de lixo, que aumentou. 

Com certeza, nossos números seriam ainda piores se não fossem os catadores (que infelizmente fazem isso por necessidade e não por consciência ecológica). E ainda tem gente que recrimina essa população... Mal sabem eles o bem que essas pessoas fazem não só para os mesmos como para toda a população... Ainda mais com alto risco ambiental que o lixo causa. 

Desde 2010 quando entrou em vigor a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os otimistas acreditavam na sua implantação de maneira gradual e em ritmo constante ao longo dos anos subsequentes.
A verdade é que até o momento não temos muito a comemorar. Continuamos a gerar lixo e descartar de maneira incorreta a maior parte das sobras de nosso modo de vida irracional e consumista.
Pelo menos é o que revelam as informações divulgadas na última edição do Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil, realizado anualmente pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe). No ano passado foram coletadas 55,5 milhões de toneladas de resíduos.  Desse total, 58,06% (cerca de 32,2 milhões de toneladas) tiveram como destino os aterros sanitários. Já as outras 23,3 milhões de toneladas foram parar em lixões ou aterros controlados, quer dizer, sem qualquer tratamento ou cuidados especiais.
A melhora em relação a 2010 foram de expressivos… 0,5% na destinação mais correta. Como diria o saudoso e recém-falecido, Millôr Fernandes, “não é nada, não é nada…não é nada mesmo!!!”. Tal incrível melhora de meio ponto percentual ainda acabou por ser suplantada pelo aumento na geração total de lixo em nosso país que cresceu 1,8%.
Outro dado preocupante revelado pelo estudo da Abrelpe é o aumento de 7,2% na geração de entulho resultado do crescimento da construção civil. Só no ano passado foram coletadas 33 milhões de toneladas de resíduos produzidos unicamente por esse setor da economia nacional.
Situação difícil para os municípios
Se a quantidade de lixo não para de crescer, a proporção é semelhante quanto aos problemas enfrentados pelas cidades brasileiras. Segundo o cronograma estabelecido pela Política Nacional de Resíduos Sólidos até 2014 todos os municípios deverão ou, nessa altura do campeonato, deveriam liquidar os lixões e dar destino correto à geração de resíduos em suas divisas. Pois em 2011, conforme destacado no Panorama dos Resíduos Sólidos, 60,5% dos 5.565 municípios brasileiros ainda estão em desacordo e despejando de maneira incorreta os seus resíduos. Algo como 74 mil toneladas por dia. Os lixões representam um sério problema ambiental e de saúde pública, pois a precariedade no armazenamento dos resíduos provoca, invariavelmente, a contaminação do solo e da água.
Isso sem fazer referência as mais de 6,4 milhões de toneladas que, em 2011 além de não terem sido coletadas, foram parar em rios, córregos e terrenos baldios.
O colapso nas metrópoles
Para todas as cidades a gestão de resíduos é um fator de preocupação cada vez maior. Muitas delas não têm mais onde armazenar as toneladas de lixo produzidas por seus habitantes (esse número já atingiu o patamar de 381,6 quilos anuais per capita no Brasil).
Como exemplo, a cidade de São Paulo é obrigada a “exportar” metade do total de 12 mil toneladas de resíduos produzidos todos os dias em seu território. Cerca de 6 mil toneladas tem como destino um aterro sanitário localizado em Caieiras, município localizado a 35 quilômetros da capital paulista. A maior metrópole brasileira simplesmente já não tem capacidade de cuidar de seu próprio lixo.
É interessante observar que todos esses números revelam um problema colossal e, portanto, exigem ações urgentes e inadiáveis. Jogar “a sujeira debaixo do tapete”, como diz o dito popular, já está sendo feito e seus danos tem se revelado perversos.
A primeira tarefa seria a de “reciclar” as ideias e quebrar os paradigmas de todos, sejam eles, cidadãos, autoridades públicas ou líderes empresarias. Ao invés de enxergar lixo deveríamos ver matérias perfeitamente reutilizáveis ou recicláveis.  Ao gerir corretamente os resíduos produzidos por nós mesmos estaríamos dando os primeiros passos.
Coletar adequadamente, separar e tratar milhares de toneladas de materiais úteis ao invés de descartá-los, valorizar o trabalho dos catadores e cobrar das autoridades a gestão eficiente desses resíduos, trariam enormes e importantes mudanças para um problema que tende a se agravar se tudo permanecer no ritmo atual.
Ao setor produtivo caberia envidar esforços para tornar seus produtos menos descartáveis e colaborar com o consumidor para a adoção de práticas que evitem descartes e o uso indiscriminado de embalagens, entre outras ações importantes.
Como a própria Política Nacional de Resíduos Sólidos esclarece, a responsabilidade compartilhada é o caminho para o sucesso da lei.  A participação de todos e mudanças nas atitudes seriam fundamentais para reverter esse triste retrato em que todos perdem e as montanhas de lixo crescem sem controle e bom senso.


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