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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Entre a Cruz e a Espada: A política externa dos EUA em relação ao Oriente Médio

As eleições norte-americanas estão chegando e cada vez mais os debates entre Romney e Obama estão se acirrando, embora Obama tenha apresentado um despenho meio fraco no último debate. 

Contudo, sempre que há eleições nos EUA, a uma questão sempre está em pauta: Como lidar com o Oriente Médio. 

Região do globo considerada um barril de pólvora, a política externa norte-americana para a região tem sido motivo de preocupações nessas eleições, principalmente quando os dois lados não tem posturas muito agradáveis para com a Região. É como se os eleitores tivessem que escolher a menos pior ou invés da melhor. 

Enquanto Obama se mostra contraditório: já que apoiou o Egito e a Tunísia em seus processos de democratização, embora os governos sejam fundamentalistas, ao mesmo tempo em que não mexe uma vírgula quando tentativas da primavera árabe rondam a Arábia Saudita, por exemplo. Como se isso não bastasse a omissão (ou lentidão) do governo de Obama em se pronunciar quanto a certas questões do Oriente Médio como a paz entre israelenses a palestinos (talvez seja por conveniência...) é outra postura que não agrada. 

Mesmo que tenha tirado as tropas do Afeganistão, Obama ainda tem muito o que remar... 

Já Romney... Bom, é parar para respirar e ir com calma... 

A postura que ele adota já é mais incisiva que a de Obama e isso pode ser o estopim para uma área que está sempre prestes a explodir...

Para Romney a questão se resolve com maior interferência militar dos EUA, maior apoio a Israel, retirada do apoio a governos já eleitos, associado a negação de que os EUA merecem se retratar com o Oriente Médio em relação a visão que foi criada pelos EUA em relação a essa área.

Mais parece receita para coquetel Molotov do que plataforma de campanha, não? Pois é, mas para Romney essa é a forma como o Oriente Médio deve ser visto pelos EUA. 

Entre a veemência de um e a passividade do outro, não resta dúvidas de que a menos pior é a segunda. Até porque, mesmo com essa lentidão, Obama até que tem conseguido suas conquistas; além disso, se com a diplomacia já anda difícil, imaginem com uma certa ostensividade ?

Um discurso de Mitt Romney, candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, marcou o debate político norte-americano nesta semana. Na segunda-feira 8, Romney foi ao Instituto Militar da Virgínia e acusou o presidente Barack Obama de ser um líder fraco, responsável pela redução da influência norte-americana no mundo, especialmente no Oriente Médio, e pelos questionamentos à liderança de Washington. É difícil, por enquanto, mensurar a influência do tema política externa nas eleições de 6 de novembro, mas pode-se vislumbrar os impactos das ações de cada um na região mais tensa do mundo.
A política externa dos Estados Unidos para o Oriente Médio é marcadamente hipócrita. A contradição emerge do conflito entre os valores americanos (a democracia) e os interesses do país na região (petróleo, evitar ataques contra os EUA, a segurança de Israel e prevenir a obtenção de armas nucleares pelo Irã). Os dois pesos e duas medidas ficam claros quando Washington propaga a democratização do Oriente Médio e, ao mesmo tempo, apoia governos ditatoriais. Esta situação não foi inventada por Obama. O atual “comandante-em-chefe”, no entanto, deu continuidade a ela, marcadamente ao apoiar (com entusiasmos diferentes) protestos populares no Egito, na Tunísia e na Líbia e se calar quando o mesmo ocorreu na Arábia Saudita e no Bahrein.
Se eleito, Romney vai acentuar a hipocrisia da política externa americana. Em seu discurso, prometeu insistir para o Egito criar instituições democráticas e apoiar os opositores sírios que “compartilham os valores” americanos. Ao mesmo tempo, entretanto, prometeu “aprofundar a cooperação com os parceiros no Golfo”, as monarquias absolutistas de Arábia Saudita, Bahrein e Catar. Romney é um “falcão” na política externa, como dizem os analistas em contraposição a ideia do pacifismo das “pombas”. Romney deseja uma Casa Branca mais assertiva, capaz de “evitar questionamentos” de aliados sobre o compromisso de Washington e de evitar “dúvidas nos inimigos” a respeito da determinação norte-americana para derrotá-los. Para o candidato republicano, esta é a forma ideal para EUA defenderem seus interesses e fazerem prevalecer seus ideais.
A visão de Romney, entretanto, é um equívoco. A contradição valores x interesses, somada ao apoio a Israel e à intensa presença militar americana no Oriente Médio, é o combustível para o sentimento negativo direcionado aos EUA da maioria da população em todos os países árabes-muçulmanos. Os inúmeros protestos contra os EUA em setembro foram abastecidos por este ódio, e não motivados pela suposta fraqueza de Obama ou por um duelo entre “liberdade e tirania”, como Romney afirma.
Como já dito, Obama mantém as contradições da política externa americana. Ele faz isso porque abrir mão das alianças com Israel ou a Arábia Saudita é uma tarefa política e praticamente impossível atualmente. Obama, entretanto, entende que grande parte da hostilidade aos Estados Unidos emana de ações que o próprio governo americano tomou ao longo das últimas décadas, como apoiar golpes de Estado, ditadores e realizar invasões. Esta não é uma visão partidária ou ideológica. É uma simples constatação, feita até mesmo pelo governo de George W. Bush. Em 2005, num famoso discurso, a ex-secretária de Estado americana Condoleezza afirmou que os EUA passaram décadas tentando defender seus interesses em detrimento de seus valores e não conseguiram nem uma coisa nem outra.
É por ter esta visão que Obama enxerga a proteção aos interesses americanos como um processo de longo alcance. Assim, busca, aos poucos, reduzir as impressões negativas a respeito dos Estados Unidos no Oriente Médio. Conta contra Obama o fato de ele buscar a remenda das relações com as populações árabes de forma errática. O ponto positivo de sua política externa na região é o apoio dado aos governos islamistas eleitos na Tunísia e no Egito. Este apoio ainda é tímido, pois a estratégia é delicada a curto prazo. A Primavera Árabe libertou inúmeras forças nas sociedades árabes, inclusive algumas contrárias à democracia, aos direitos das minorias e das mulheres. Essas forças são minoritárias, mas capazes de realizar estragos grandes, como o assassinato do embaixador Chris Stevens em Benghazi, na Líbia. Há, no entanto, espaço para os EUA trabalharem com as forças mais moderadas, e Obama demonstra entender isso.
Em seu discurso, Romney apresentou poucas alternativas práticas ao atos do governo Obama. As diferenças eram majoritariamente na forma. Romney acredita no “excepcionalismo” americano e rejeita a ideia de que os EUA devem algum pedido de desculpas aos árabes pelo atos do passado. Para Romney, e para muitos no Partido Republicano, o fundamentalismo muçulmano surgiu de forma espontânea no Oriente Médio, sem contribuições do Ocidente. Muitos republicanos defendem, inclusive, o fim do apoio dos EUA aos governos eleitos, porém fundamentalistas, da Tunísia ou do Egito. Talvez por isso Romney tenha deixado de fora de seu discurso a palavra mais comum nas análises do Oriente Médio atualmente: o islamismo, como sinônimo de Islã político.
Obama deve ser criticado por sua lentidão em responder a alguns desdobramentos (como no início da Primavera Árabe e na morte de Chris Stevens) e por não dar a atenção devida a determinados temas (como a paz entre israelenses e palestinos). Esses erros, ao menos, são corrigíveis. Romney, por sua vez, prega mais pressões políticas, econômicas e militares contra os “inimigos do EUA” no Oriente Médio e mesmo contra potenciais aliados. É um caminho que, se pode dar algum alívio aos americanos no curto prazo, sem dúvida servirá como combustível para o antiamericanismo a médio prazo, colocando num risco ainda maior os interesses norte-americanos.




quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Da notoriedade a atuação discreta: o novo perfil das milícias

Quem assistiu tropa de elite 2 tem uma certa noção de como as milícias agem. Se você mora no Rio de Janeiro, especialmente na Zona Oeste ou na Baixada, aí você realmente faz ideia, infelizmente, de como elas agem. 

Se antes elas atuavam de forma notória, talvez com o intuito de mostrar que uma nova força paramilitar surgira, as milícias agora agem de forma discreta. 

Talvez isso tenha algo a ver com o efeito UPP que diminuiu mas, não encerrou, vamos ser francos, a atividade do tráfico nas áreas que ocupou. Depois de figurarem nos principais noticiários durante a década passada, atualmente não se houve falar tanto nessas milícias. O que não quer dizer que suas ações diminuíram. 

Mas, a questão mais preocupante é que, segundo estudo publicado pela UERJ, as milícias estão ultrapassando as barreiras do estado carioca e migrando para outras regiões do Brasil. Ainda é cedo para dizer se vai figurar em escala nacional mas, só o fato de sua expansão se fazer notória já é motivo de preocupação para o Governo dar a devida atenção e solução a esse problema.

Já não bastasse termos que lidar com as facções criminosas, termos que lidar com organizações que se travestem de protetoras quando na verdade se mostram uma verdadeira indústria da extorsão é demais. 

Rio de Janeiro – Os grupos de milicianos estão reinventando o modo de agir para não chamar a atenção do Estado e poder continuar a operar negócios criminosos altamente lucrativos. A conclusão é parte do estudo No Sapatinho – Evolução das Milícias no Rio de Janeiro (2008-2011), lançado ontem (10) à noite na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).
A pesquisa coordenada por Ignacio Cano e Thais Duarte, do Laboratório de Análise da Violência (LAV-Uerj), teve o patrocínio da Fundação Heinrich Böll, da Alemanha. O resultado foi transformado em um livro de 150 páginas, com textos sobre a origem das milícias no Rio, depoimentos, gráficos, tabelas e mapas que traduzem a atuação desses grupos armados no estado, principalmente na região metropolitana.
Cano explicou que as milícias foram enfraquecidas pela ação do Estado e por problemas internos de disputas, mas continuam operando nos mesmos territórios que tinham há quatro anos, só que de forma menos ostensiva.
“O esforço do Estado foi muito importante para cortar o avanço desses grupos e sua expansão, mas não conseguiu erradicar o problema. A nova milícia é muito mais discreta que a antiga. Não tem mais 50 homens armados andando por aí, não marcam mais as casas, mas é igualmente violenta e intimidadora. É um fenômeno mais sutil, eles não se candidatam na proporção que faziam antes aos cargos públicos, mas o terror e a extorsão continuam da mesma forma”, apontou o pesquisador.

Ele destacou que as evidências mostram que os grupos milicianos têm menos força do que antes, controlam menos atividades econômicas, mas continuam matando com frequência. Só que de forma dissimulada, para não chamar a atenção. Se anteriormente fazia questão de matar desafetos à luz do dia, como exemplo, agora a tendência é assassinar as vítimas e fazer desaparecer seus corpos.
Os pesquisadores constataram, observando as estatísticas oficiais, que há um aumento no número de desaparecidos, ao mesmo tempo em que se observa um declínio no de mortes violentas, em áreas de milícia.
“Há muitos assassinatos, torturas e o clima de terror nas comunidades é ainda mais alto do que anos atrás. É um sinal de alarme comprovar que a razão entre mortes violentas e desaparecidos aumenta justamente nas áreas onde a milícia atua. É um sinal sobre a possibilidade de que as milícias estejam desaparecendo com os corpos das vítimas em vez de matá-las publicamente.”

O pesquisador destacou que o apogeu de expansão das milícias foi o período 2006-2007 e que, atualmente, a repressão do Estado, inclusive com a prisão dos principais líderes, mudou sua forma de agir. “Em 2008, começou a repressão a elas e hoje em dia são muito mais tímidas em sua exposição pública. Estão se afastando do modelo do tráfico, de controle de entrada e saída [do território], de ter alguém sempre presente e indo mais na direção de grupos de extermínio ou da máfia, de forma mais sigilosa, para manter os lucros, com uma exposição menor. Os grupos não estão mais se exibindo, como eles faziam antes. Hoje, a investigação ficou mais complicada, justamente em função da discrição dessas milícias.”
Cano alerta que ao mesmo tempo em que há certa diminuição do poder miliciano no Rio, em outras partes do país novos grupos estão se organizando, nos mesmos moldes. São igualmente formados por militares, ex-militares e policiais que oferecem serviços de combate ao crime, aliados à exploração clandestina de produtos e serviços, incluindo a venda de botijões de gás, comercialização de sinal de televisão a cabo e o transporte de vans.
“Temos informações de outros estados de que fenômenos semelhantes estão começando a ocorrer. Então, o Brasil como um todo tem que começar a olhar para este problema, porque daqui a pouco não será exclusivo do Rio de Janeiro. Milícia é um negócio, você tem que conseguir pegar o dinheiro ou, pelo menos, aumentar os custos desse negócio. Prender pessoas é importante mas, em sua grande maioria, são descartáveis e acabam substituídas. Atacar o coração do negócio é essencial para poder desarticular esses grupos.”


Países sul-americanos pedem o fim do embargo econômico dos EUA a Cuba

Desde 1962, quando houve a crise dos mísseis entre Cuba, URSS e os EUA que o embargo econômico foi lançado à ilha pelo Tio Sam.  

À época, aviões espiões norte-americanos descobriram a implantação de mísseis na ilha cubana por parte dos soviéticos, que estavam apontados para os Estados Unidos. A descoberta gerou o episódio mais tenso da dita guerra fria entre EUA e URSS. 

O conflito foi resolvido 13 dias mas, para Cuba, os efeitos desse episódio duram até hoje. 

(Se você ficou curioso sobre como esse episódio aconteceu e como ele foi resolvido, fica a nossa sugestão para você conferir).

Após o embargo e, com o fim da URSS, Cuba fica só e a ilha começa a conhecer as faces de uma economia impossibilitada de crescer e que vive as voltas com o racionamento. 

Findada a União Soviética, a troca cana-de-açúcar por petróleo entre soviéticos e cubanos é encerrada e Cuba sofre um baque econômico do qual não conseguiu se recuperar até hoje. Mesmo com Fidel no comando fazendo uma postura que parecia não se incomodar com o embargo, a ilha andava a tons cambaleantes e, mesmo com toda restrição, chegavam relatos de que as condições de vida e da economia eram bastante frágeis. 

Com a saída de Fidel do poder e a entrada de seu irmão Raúl, Cuba tentou abrir ainda mais (Fidel já vinha realizando uma abertura da economia cubana de forma tímida abrindo o país ao turismo para atrair capital externo e relegando a telefonia e a hotelaria a empresas espanholas e francesas) a economia da ilha para tentar se desvencilhar deste embargo. 

Agora, com o aniversário de 50 anos do embargo, países sul-americanos vêm a público pedir pelo fim do mesmo aos EUA. Brasil, Bolívia e Argentina vieram a público por meio de seus presidentes interceder por Cuba e mostrar para os EUA que além de ter sido criado por puro orgulho norte-americano de não aguentar ver uma país socialista no seu "quintal", esse embargo já está ultrapassado e, conforme anos passam, se torna cada vez mais sem sentido (mais até do que o de sua criação). 

O governo de Cuba comemora os discursos feitos na semana passada durante a 67ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). Os discursos foram iniciados pela presidenta Dilma Rousseff e seguidos por vários líderes latino-americanos, como Cristina Kirchner (Argentina) e Evo Morales (Bolívia), cobrando o fim do embargo econômico, financeiro e comercial aos cubanos imposto pelos Estados Unidos. O embargo completou em 2012 meio século de vigência.

O embaixador de Cuba no Brasil, Carlos Zamora, disse à Agência Brasil que os discursos de Dilma e dos demais presidentes da República refletem o inconformismo internacional ao que os cubanos chamam de "bloqueio econômico", imposto em 1962, que limita as negociações e impede a economia do país de avançar.

"Esperamos uma reação dos Estados Unidos a tudo isso", disse o embaixador. "É uma situação que não pode durar mais", acrescentou, lembrando que a ONU aprovou 20 resoluções condenando o embargo e recomendando o governo norte-americano a encerrar o bloqueio.

O embargo econômico, comercial e financeiro a Cuba cerceia o crescimento interno e coloca a população em situação delicada. Com restrições às negociações externas, o país sofre com o racionamento de energia, de combustíveis, de alimentos e produtos básicos, como os de higiene e vestuário. A população faz adaptações constantes às circunstâncias, assim como o governo.

Na tentativa de escapar à pressão exercida pelos efeitos do embargo, o governo de Raúl Castro abriu a economia cubana, estimulando a demissão de mais de 178 mil funcionários públicos, autorizando a compra de veículos utilizados como táxis e de atividades autônomas, como a abertura de lojas e mercados, assim como profissões diversas, entre elas as de cabelereiros e barbeiros.

Não há dados oficiais sobre o percentual de desemprego, mas em Cuba as pessoas se queixam da falta de oportunidades. Muitos cubanos se oferecem aos turistas como guias informais e assumem tarefas bem diferentes das quais se formaram. Professores e médicos, por exemplo, se transformam em taxistas e gerentes de hotéis de luxo.