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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Brasil e a grande deficiência em sua malha ferroviária


A questão em si, não é novidade. Afinal de contas, já não é de hoje que vários especialistas defendem que, para as nossas dimensões continentais, o melhor meio de transporte seria o ferroviário.

O transporte ferroviário deveria ser o principal meio de transporte para países com dimensões como a nossa. Seu custo de manutenção é barato, embora sua construção não seja; sua capacidade de transporte é enorme, seja ela de carga ou de passageiros; sua conectividade com outros meios de transporte também pode ser feita de maneira mais ágil. 

A questão é que aqui, no nosso país, outros pontos falaram mais alto. 

O primeiro deles diz respeito ao nosso pensamento político de curto prazo. Nossas obras não são feitas para a população. Nossas obras são feitas para a reeleição. Então aquilo que for barato e rápido ao ponto de ficar pronto antes da reeleição será feito, independentemente da sua eficiência ou não para a população. 

Outro ponto é que desde J.K. quando a indústria automobilística foi incentivada, muito por conta de incentivos ($$$) que deu ao então presidente, nosso país acabou "optando" por desenvolver o rodoviarismo como principal meio de transporte. 

O caminho pela opção rodoviária hoje em dia pesa muito contra o nosso país em termos de competitividade, o famoso risco Brasil, além, é claro, de prejudicar até internamente, em relação a integração do país.

Claro que não estamos defendendo a extinção do rodoviarismo como forma de transporte, mas sim que o mesmo deixe o seu protagonismo em favor do transporte ferroviário. 

O transporte ferroviário, apesar de ser caro de construir, possui a manutenção barata. Ao contrário do rodoviarismo, cuja construção é barata, mas a manutenção é cara (se nos voltarmos ao pensamento curto da reeleição de nossos políticos, fica fácil de entender, né?...)

Além do mais o transporte tanto de carga quanto de passageiros é bem maior em relação ao transporte rodoviário. Para se ter uma ideia, um trem de carga equivale a 13 caminhões e um trem de passageiros equivale a uns 3 ou 4 ônibus biarticulados. Então a vantagem é enorme. 

O transporte rodoviário seria um complemento ao ferroviário, visto que a vantagem da precisão do transporte rodoviário o ferroviário não tem. Ou seja, este meio de transporte é o único capaz de entregar "na sua porta" e isso deve sim ser explorado. 

Claro que, priorizando o transporte ferroviário em um país onde o principal meio de transporte é o rodoviário, teremos a questão da mão de obra empenhada neste setor que, não precisaria mais de tanta quantidade assim. 

Mesmo que não exista fórmula mágica, poderia ser proposto uma requalificação para esta parte da mão de obra que acabaria se tornando "excedente", sendo deslocada para o setor ferroviário, que, em expansão, demandaria mão de obra, quem sabe até mais do que a advinda do excesso do setor rodoviário. 

A questão é que, até para este raso raciocínio se concretizar, basta uma vontade política enorme e do governo federal enxergar que investir em malha ferroviária seria uma alavanca e tanto para impulsionar a nossa economia. O problema deve ser falar em investir com um governo que quer limitar os gastos...     

Deve se ter em mente também que não podemos apenas nos limitar a estes dois meios de transporte. O ideal seria apostar no transporte intermodal, ou seja, em que todas as modalidades contribuam para o transporte de passageiros ou de carga. Contudo, se apostar em um só já é difícil para os governos que tivemos, imagina em todos eles e na integração dos mesmos. 

Até porque criar Bilhete Único, apesar de um grande passo, não é uma forma de melhorar o transporte. Investir em sua expansão, integração e eficiência é que seria o ideal, mas, como sempre, esbarramos na vontade política dos nossos "representantes". 

Para nos ajudar a pensar, deixaremos abaixo dois mapas metroviários. O primeiro da cidade de São Paulo (a maior cidade da América Latina!) e o segundo da cidade de Nova York (uma ilha!, por assim dizer) para observarmos a diferença entre ambos. Claro que, guardadas as devidas proporções, principalmente a política e a econômica...


Mapa Metroviário da cidade de São Paulo.






Mapa Metroviário da cidade de Nova York







terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Questões a ponderar sobre a reforma da previdência...

Há tempos se discute a reforma da previdência. Não é uma especificidade do governo atual que parece ter se debruçado sobre a proposta tão logo a crise bateu na nossa porta. 

Contudo, há uma série de nuances que devem ser contempladas, mas que estão passando ao largo da discussão acerca desta proposta de reforma da previdência que mais está parecendo uma imposição, e bem amarga à população brasileira.

Não há o que se discutir com relação ao aumento da expectativa de vida do brasileiro. Embora não satisfatoriamente, não há como negar que a qualidade de vida do Brasil andou conferindo uns aninhos a mais à população brasileira.

Com isso, naturalmente, a longevidade faz aumentar o tempo pago de contribuição do INSS ao trabalhador que não é mais do que uma obrigação do órgão público, visto que contribuímos durante toda a nossa vida para tal. Porém, se pararmos para analisar que a população brasileira também está envelhecendo, podemos afirmar, de maneira simplória, que o número de aposentados será maior do que o número de trabalhadores, causando, portanto, rombo na previdência. 

Até aí, os argumentos se montam na necessidade de uma reforma da previdência brasileira. O problema é a forma como isso está sendo feito e as outras possibilidades que poderiam (deveriam) ser implementadas antes de chegarmos a esse extremo. 

Muito se fala por alto dessa tal reforma, mas não se vê um mísero esforço do governo para explicar a população em geral a forma como ela será feita e a necessidade da mesma. Ao invés disso, monta-se um circo que trata a reforma como ultra-secreta, mas não se faz um debate ou consulta pública para discutir seus pontos principais. 

Dizer que sentou com as centrais sindicais para debater a reforma, não é dizer que se discutiu ela com a população. Principalmente porque as pessoas podem discordar da instituição e, mais ainda, porque não se sabe o que foi discutido entre presidente e centrais sindicais. 

Assim, a tão balada reforma da previdência, vai passando de maneira que o principal interessado e afetado pela mesma é marginalizado nessa discussão e tenta se inteirar pescando notícias (que são dadas com a profundidade de um pires) nos telejornais das emissoras de TV. Sorte de quem tem internet e pode procurar ficar a par do que acontece (se souber procurar, é claro, pois também pode terminar tão marginalizado quando o pessoal da TV...)

Como se não fosse pouco tratar a reforma da previdência como um rolo compressor em cima do trabalhador, há ainda questões que sequer foram levantadas e que permanecem na penumbra. 

Podemos levantar aqui uma questão em relação as fraudes na previdência social. Sabe-se e não é de hoje que existem inúmeros casos de fraudes envolvendo a previdência social, mas o que parece não haver é um esforço para combatê-lo mais ostensivamente. Se bem que, ultimamente, parece que o trabalho da PF se resumiu à Lava Jato...

Quem sabe, talvez, se houvesse uma fiscalização maior em torno dos benefícios, essa reforma não precisasse ser tão brusca?

Outra questão que pode ser levantada e que também não é de hoje, diz respeito as super aposentadorias. Enquanto uns trabalham a vida toda e no final nem o salário integral recebem, outros recebem aposentadorias e pensões que equivalem, muitas vezes, a um carro popular! 

Por que isso não é revisto? Por que isso não é fiscalizado? Por que permitem que isso ocorra?

Outro ponto também importante se refere ao fato da reforma não contemplar todos os trabalhadores. Por que os militares ficaram de fora da reforma?

Se esses pontos fossem vistos antes, será mesmo que chegaríamos a situação em que chegamos hoje?

E como se esses pontos, apenas levantados aqui, não fossem suficientes para levantar inúmeros questionamentos acerca desta reforma, quem está pedindo à população que entenda (engula) essa proposta se aposentou com 55 anos... 

   

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Como a expansão da produção de energia chinesa pode afetar seus vizinhos?

De 5 em 5 anos a China lança uma espécie de documento onde traça suas estratégias nas mais diversas áreas para o período descrito (sim, são os famosos planos quinquenais que ouvimos falar do sistema socialista e que podem sim ser associados à China que, afinal de contas, vive uma economia mista ou socialismo de mercado, dependendo do termo que preferir).

O documento, que compreende os anos de 2016- a 2020 traça uma ambição chinesa em ampliar sua produção energética, mais especificamente a energia hidrelétrica. Para tanto, o país pretende aumentar o número de barragens nos rios de seus país, visando assim o aumento da produção de energia. 

O problema, dentre outros que salientaremos abaixo, é que a China é o berço de rios que também possuem larga importância para seus países vizinhos no continente asiático, como pode ser observado no mapa abaixo:

Fonte: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4278448/figure/fig01/

A intenção do governo chinês em ampliar sua produção hidrelétrica (que na verdade é uma continuação de uma iniciativa já tomada com a construção da hidrelétrica de 3 gargantas, a maior do mundo) é substituir sua matriz energética (principal fonte de obtenção de energia de um país), os combustíveis fósseis, por uma energia renovável. 

Apesar do motivo expressar preocupação com o meio-ambiente, a execução da implementação de tais barragens causará uma série de consequências graves aos seus países vizinhos que também dependem dos mesmos rios que China, com a desvantagem da nascente estar localizada justamente neste último. Como consequências podemos citar:

  • A redução do volume de água que chegaria ao delta dos rios, promovendo, por conseguinte, a salinização de suas áreas. 
  • Escassez de água para os mais diversos fins: alimentação, energia, turismo, transportes, etc...
  • Perda de biodiversidade. 
  • Aumento nos preços da energia elétrica nos países afetados. 
  • Racionamento de água e de energia. 
  • Perda de sedimentos carreados pelos rios, que ficarão presos nas barragens prejudicando largamente a fertilidade nos solos das margens dos mesmos. 
Além é claro dos motivos locais, ou seja, aqueles que afetariam a própria China como:
  • Assoreamento dos rios. 
  • Perda de biodiversidade. 
  • Perda de grandes áreas agricultáveis. 
  • Remoção de população ribeirinha. 
  • Eutrofização das águas. 

Apesar de todos esses pontos contra (que aliás toda energia limpa possui, só que a quantidade e os impactos são diferenciados em cada um - salientar isso não nos torna um defensor das energias poluentes, muito menos nos torna contrários a energia limpa. Nossa posição é a de que os impactos devem ser minimizados o máximo possível, pautado é claro na escolha pela energia limpa, sempre!) a China se mostra decidida em aplicar seus planos de expansão que afetarão diretamente uma série de países como Mianmar, Laos, Tailândia, Camboja, Vietnã, Bangladesh, Índia e Butão. 

A Índia inclusive já chegou a externar sua preocupação, mas China minimizou a questão. Aliás, isto pode reforçar ainda mais o clima tenso entre os dois países que já dura anos por conta da região do Tibet. Resta saber que posição a China tomará bem como os demais países afetados; talvez o caso chegue até a ONU, mas acho difícil de acontecer pela força que a China tem não só regionalmente como mundialmente, principalmente nos últimos anos. 

Com informações do Nexo Jornal

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Até que ponto Trump pode interferir (e prejudicar) no acordo de Paris?

Foram necessárias 22 COPs para se sair de um cabo de guerra que não levava os países ao seu principal objetivo, que era um acordo climático do agrado de todos, mas que agora se vê ameaçado pelo novo presidente dos EUA. 

O mesmo, aliás, já havia se pronunciado sobre o aquecimento global dizendo que é "uma invenção dos chineses para atrasar o desenvolvimento industrial norte-americano". Algo que até poderia colar se fosse antes de conceitos como desenvolvimento sustentável, preservacionismo, conservacionismo, Terra - Gaia, e até mesmo a chamada "tomada de consciência" da população em geral sobre os recursos naturais do planeta. 

Atualmente, como o cenário é outro e a consciência também, esta fase soa com uma atrocidade homérica. Daquelas que levam qualquer pessoa a limpar a boca com papel higiênico ao terminar de dizer uma frase. 

Fato é que a  linha de pensamento deste senhor pode ser prejudicial aos acordos de Paris, principalmente se ele - como prometeu em sua campanha - retirar os EUA (segundo maior poluidor do planeta, atrás apenas da China) do acordo. Alarmismo suficiente para trazer um clima de incerteza aos debates realizados na COP 22 que chegou ao seu fim na semana passada.

Afinal de contas, a saída dos EUA do acordo pode desestimular outros países a permanecerem nele ou mesmo vir a retardar os parâmetros exigidos pelo acordo em seus países; algo que condenaria novamente a COP ao antigo cabo de guerra que se estabeleceu durante anos na hora de firmar um acordo.

O motivo da realização dessa COP foi traçar um calendário para que os países se adaptem até vigorar o acordo, em 2020. Contudo, diante dessas incertezas acerca dos EUA, os esforços foram divididos entre o calendário e os apelos dos países (especialmente os mais afetados pelo aquecimento global, como o Kiribati, que corre o risco de desaparecer!) ao futuro presidente dos EUA para que ratificasse o acordo. 

Até mesmo o secretário-geral da ONU interveio na tentativa de sensibilizar o magnata sobre o acordo. Resta saber agora se Trump, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o assunto, mas extra-oficialmente está mobilizando uma equipe para viabilizar uma maneira rápida de retirar o país do acordo vai repensar suas ideias acerca do aquecimento global e ratificar o acordo de Paris. 

Contudo, caso o futuro líder na segunda nação mais poluidora do planeta ainda acredite que o aquecimento global é invenção dos chineses, talvez ele devesse conferir o vídeo abaixo que a própria agência espacial norte-americana, NASA, divulgou sobre mudanças em diversos lugares do planeta ao longo dos últimos 100 anos. 

  
Ou mesmo se ainda não estiver satisfeito, partindo de sua lógica empresarial, deva olhar para o seu vizinho do norte, Canadá, para descobrir como um país que se opôs ao próprio EUA na política de emissão de carbono continua mantendo crescimento econômico, pretendendo, inclusive, expandir a política de restrição a este gás agravante do efeito estufa para todo o país! 

E se ainda não estiver satisfeito. Pode também olhar para as quase 400 empresas que enviaram um comunicado a Trump pedindo que o mesmo respeite o acordo de Paris.   

Ao que parece, o mesmo empenho que ele está tendo para tirar os EUA do acordo, o mundo está fazendo para convencê-lo a manter o país no acordo. Resta esperar que ele tenha um pouco de lucidez e ouça os apelos mundiais sobre o acordo. 

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Decisão da Justiça pode (ou não) atrapalhar o Brexit

No início deste mês a justiça britânica entrou na discussão sobre o Brexit (termo como ficou conhecido a intenção de saída da Inglaterra da União Europeia) e pode atrasar o processo de saída da UE. 

Sem precedentes na história, a saída é pensada com cuidado pela atual primeira-ministra Theresa May que ainda tenta elaborar uma saída sem maiores traumas para ambos.

Contudo, uma decisão judicial parece ter frustado os planos da primeira-ministra. Três juízes entraram com uma ação determinando que a saída do país da UE deve ser votada pelo Parlamento. O que não anula a decisão do plebiscito que deu vitória apertada a saída do país da UE, mas impede a primeira-ministra de continuar as negociações. 

Muito se especula sobre o futuro de ambos, caso essa saída se concretize. Nós mesmos já andamos traçando alguns cenários acerca desta questão que se mostra cada vez mais embolada. Até a própria primeira-ministra, outrora contra o Brexit, agora já tem uma posição mais contundente acerca do fato e diz até ter uma carta na manga para convencer os juízes da saída da Inglaterra do bloco.

Ainda não se sabe que tal "carta" é essa, mas se sabe que o principal motivo da saída da "Terra da Rainha" do bloco econômico está ligado com a crise migratória no Oriente Médio, mas especificamente por conta da guerra na Síria, que já dura cinco anos.

A Inglaterra nunca foi favorável a acolher os imigrantes (não vamos confundir o governo inglês e a posição de uns poucos com toda sua população. Claro que alguns acolheram os imigrantes) e com a UE planejando acolher os imigrantes de acordo com cotas estabelecidas por suas posições econômicas dentro do bloco, acabaram incomodando ainda mais o país, uma das 3 maiores forças econômicas dentro do bloco. 

Não à toa, a questão gerou uma consulta à população sobre a saída do país do bloco que, por uma margem apertadíssima, acabou optando pela saída. 

A partir disso, vários analistas apresentaram seus cenários sobre o futuro de ambos; mas tratam-se apenas de especulações já que a decisão não possui precedentes na história e ainda não se sabe como será feita essa saída. 

Depois dessa decisão judicial, agora mesmo é que o processo de saída se torna ainda mais complicado, ganhando mais um capítulo cujo desfecho teremos que aguardar... 


terça-feira, 1 de novembro de 2016

3º Guerra Mundial: Há realmente o que temer?

Tem circulado algumas notícias [1] [2] [3] alarmantes sobre uma possível 3ª guerra mundial, envolvendo EUA e Rússia por causa da guerra civil na Síria que já dura alguns anos. 

Apesar de toda a balbúrdia acerca do possível conflito, achamos que ele está condicionado a diversos fatores que podem fazer com que simplesmente não aconteça, injustificando assim todo esse alarde acerca do tema. 

Primeiro porque ambos possuem armas nucleares e de destruição em massa que se forem usadas, condenarão a raça humana praticamente à extinção. Como se isso não fosse pouco, outros envolvidos poderiam entrar no conflito, como os aliados regionais que cada país possui no Oriente Médio, por exemplo, o que só faria aumentar a proporção do conflito e da destruição em caso de guerra. 

Outra questão que pode ser levantada é que isso talvez não passe de um blefe, especialmente do lado russo. Mostrar seus novos armamentos ao mundo não é uma tática nova, a Coreia do Norte faz isso com maestria, mas até agora (ainda bem) apenas latiu, nada de mordidas. Embora alguns considerem isso algo perigosíssimo, pode ser que não passe apenas de uma pequena demonstração de poder, nada além.

O que seria de preocupar no meio dessa questão, está na linha de pensamento de um dos candidatos a presidência dos EUA. Caso a ex senhora Clinton ganhe, fazendo a linha de Obama, acreditamos que ela agirá por meio da diplomacia, mas chegando até as sanções, para frear os ímpetos russos em levantar um combate (se for o caso). O problema está no outro candidato, aquele mesmo, que acha que o aquecimento global é invenção dos chineses e que os problemas ambientais não existem ou não são tão graves assim. 

Com uma linha de pensamento dessas, não é de se imaginar que com um poder militar-bélico que os EUA tem, uma pessoa dessas não declare guerra a torto e a direito. Ainda mais se o conflito se concentrar do outro lado do Atlântico, ou seja, bem longe da sua confortável residência. 

Claro que, voltamos a dizer, acreditamos que a terceira guerra seja praticamente impossível de ocorrer, mas não podemos descartar a pior das possibilidades nesse xadrez geopolítico. Uma vez, um antigo professor nos contou que, quando questionado no início de 1989 sobre o fim da URSS, ele afirmou que isso era impensável... Dois anos depois... 

Contudo, apesar da guerra ser improvável, acreditamos que a paz será impossível...

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Tempo Geológico e Tempo Histórico

O assunto desta semana refere-se a uma comparação que pode até não gerar confusão entre as pessoas, mas acaba passando despercebido e suas diferenças são enormes.

Trataremos da distinção entre Tempo Geológico e Tempo Histórico. 

Ambos consideram eventos diferentes e possuem objetos de estudos diferentes; por isso, são medidos em escalas diferentes. Enquanto o tempo geológico refere-se a história da Terra e seus acontecimentos mais importantes; o tempo histórico refere-se ao surgimento do Homem no planeta e suas conquistas mais importantes que marcaram o tempo histórico e, portanto, suas épocas e períodos. 

Claro que por se tratar de objetos diferentes, as escalas de medidas de ambos são diferentes. No caso do tempo geológico, estamos nos referindo à Terra, uma planeta de aproximadamente 5 bilhões de anos!

A princípio esta marca pode até assustar, mas se pararmos para pensar que o Universo tem 11 bilhões de anos, podemos considerar o nosso planeta um jovem nesta escala. Como os processos da natureza são bem mais lentos em relação as transformações humanas, geralmente a escala do tempo geológico vai dos milhares aos bilhões de anos. 

Para facilitar os estudos à cerca do tempo geológico, foram criadas as Eras Geológicas, onde cada evento importante que aconteceu na Terra como o aparecimento dos vegetais ou mesmo o surgimento do Homem, por exemplo, marca uma Era. Com isso, fica mais fácil de estudar a história da Terra, sua formação e transformação ao longo dos milhares, milhões e bilhões de anos de sua existência. 

Você pode conferir esta tabela com as Eras Geológicas na imagem abaixo:

Fonte: http://www.cienciamao.usp.br/tudo/exibir.php?midia=lcn&cod=_representacaodotempogeol

Como podemos perceber, os acontecimentos na história da Terra demandam uma escala de tempo bastante extensa, já que a natureza "trabalha" de forma lenta se comparado as transformações causadas pelo Homem. 

Até mesmo o surgimento do Homem na Terra, apesar de datar de 400 mil anos atrás, podemos considerar como recente, se compararmos com toda a história não só da Terra como do Universo. Afinal de contas, o que são 400 mil anos perto de 11 bilhões de anos?!

Em contraponto, o tempo histórico, encarregado de narrar as transformações mais importantes pelas quais o Homem passou, e ainda passa, ao longo do tempo, possui uma escala temporal bem menor se comparado ao tempo geológico. 

Se o tempo da Terra é medido na casa dos milhões de anos até os bilhões, com o tempo histórico essa escala é sensivelmente reduzida para as décadas, centenas, chegando no máximo aos milhares de anos. 

Mas, apesar do pouco tempo de história que o Homem tem aqui na Terra, suas transformações (e estragos) são feitos numa velocidade muito superior às transformações realizadas pela natureza. Cada vez mais o Homem cria novas tecnologias e novas ferramentas para transformar a Terra; nem sempre as transformações são para melhor e as consequências acabam sendo gravíssimas. Esta aí o aquecimento global que não nos deixa mentir, mas este é um assunto para um outro post. 

Assim como a Terra possui uma tabela que permite a melhor compreensão no estudo de sua história, o Homem também possui uma linha do tempo com seus principais acontecimentos, marcando assim as "Idades históricas", ensinadas pelos colegas da História. Contudo, podemos observar esta divisão na imagem abaixo:



Para concluir, podemos então estabelecer a diferença entre Tempo Geológico e Tempo Histórico, basicamente, pelos objetos de estudo de cada um; onde o Tempo Geológico se dedica a Terra e o Histórico se dedica ao Homem e ambos narram seus principais acontecimentos; porém a escala de tempo é bem distinta já que as transformações da natureza são bem mais lentas se compararmos ao poder de transformação do Homem. Posto isso, não à toa, a escala geológica passeia entre os milhares e bilhões de anos, enquanto a escala histórica abarca as décadas e os milhares de anos. 

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

A pior seca desde o último século aguarda o Nordeste.

Esta semana, foi divulgado que a Região Nordeste enfrentará mais um ano de seca (o sexto consecutivo) tornando esta a pior seca que a região já enfrentou nos últimos 100 anos!. 

Parecendo estar mais preocupado em resolver o problema da sua imagem do que o problema da seca no Nordeste, o Governo já está investindo em propaganda para explicar que a culpa não é dele... Melhor seria se investisse para acelerar as obras que, para variar, não ficarão prontas a tempo de enfrentar a seca que se anuncia. 

Esta questão da seca levanta uma discussão já antiga sobre a causa deste fenômeno na Região Nordeste. 

Claro que podemos levantar aqui as causas políticas desse mal que assola a região Nordeste, mas acreditamos que isso pode ser bem (mas não completamente) sintetizado nos dizeres de um ex-presidente que dizia ser a seca no Nordeste um problema de cerca... 

Quanto as demais causas de ordem física podemos citar duas:

A primeira delas diz respeito aos ventos alísios que são ventos que sopram de forma concêntrica em direção à áreas próxima da linha do Equador. Estes ventos "empurram" as frentes úmidas e quentes que são enviadas pela mEa (massa equatorial atlântica), fazendo com que as chuvas ocorram nas áreas litorâneas do Nordeste, dificultando a sua penetração no interior da Região.

A segunda diz respeito ao Planalto da Borborema que, por ser tratar de uma barreira orográfica, força o acontecimento da chamada chuva orográfica (esquema abaixo). 

Fonte: geoprotagonista.blogspot.com
Neste esquema percebemos que a nuvem não consegue transpor a barreira orográfica (o planalto da Borborema, no caso) permanecendo estagnada a barlavento até que a precipitação ocorra e a nuvem se torne mais "leve" e, assim, consiga "passar por cima" do planalto e chegar ao outro lado, a sotavento. Contudo chegará com menos água e, consequentemente, o regime de chuvas será bem menor. 

De maneira básica, são esses dois fatores que interferem na seca do Nordeste, mas também podemos citar a interferência do El Niño (aquecimento das águas do oceano Pacífico) e da La Niña (resfriamento das águas do Pacífico). 

Claro que, apesar desses fatores desfavoráveis, se tivéssemos um pouco de vontade política, a região Nordeste talvez hoje não estivesse passando por mais um ano de seca. Mas enquanto o problema da região também envolver a cerca presenciaremos notícias lamentáveis como essa. 

Com informações do Estadão

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Mais um capítulo na história "A Catalunha não é a Espanha"...

Caros leitores do blog, 

Esta semana o texto saiu com um pouco de atraso, mas vamos à ele... 


"A Catalunha não é a Espanha!"

Provavelmente, se você acompanha o campeonato espanhol, já deve ter visto esta frase em jogos do Barcelona, time de futebol da liga espanhola. Esta pequena frase carrega um peso histórico em seu significado e que pode ter mais um capítulo no ano que vem. 

A Catalunha, região que fica no nordeste da Espanha, é a morada do povo basco. Esta nação, que vive em território espanhol, não se reconhece enquanto espanhol, mas sim como povo basco. Portanto, lutam por sua independência da Espanha para formar um novo país independente, a Catalunha. 

Para alcançar tais objetivos, até um grupo terrorista já foi criado, o ETA. Este grupo já realizou alguns ataques na Espanha em busca da independência do território catalão. Porém, atualmente, este grupo se utiliza da via política para tentar alcançar seus objetivos; e parece estar dando mais um passo a frente esta semana. 

Na última quinta-feira o parlamento catalão aprovou a realização (sem consentimento do governo espanhol) de um referendo (que se trata de uma consulta à população) sobre a separação do território catalão da Espanha. 

Claro que a notícia não agradou em nada o governo espanhol que já tomou suas medidas para tentar interromper essa medida. Tal fato se explica pela Catalunha ser uma das regiões mais ricas da Espanha e, ao se tornar um país independente, fica claro as perdas que o país terá se esta parte de seu território for para os catalães. 

Aliás, se pararmos para analisar mais friamente, vamos perceber que o perfil dos conflitos vem se modificando desde a virada do milênio. 

Se antigamente tínhamos tríplice entente contra tríplice aliança, capitalistas e socialistas, etc... Hoje a situação é bem diferente. Os conflitos entre países não são mais tão comuns hoje em dia. Se repararmos bem, os conflitos são "internos", ou seja, nações que buscam a independência de territórios dentro dos países nos quais estão estabelecidos. 

Sejam os catalães na Espanha, os curdos na Turquia, entre outros; O perfil dos conflitos desde a virada do milênio vem se modificando. Sejam eles conflitos internos ou contra um inimigo que não tem rosto, como no caso dos terroristas, vemos uma mudança nesse sentido. 

Mas, voltando ao caso dos catalães, aguardaremos cenas dos próximos capítulos para ver se esse referendo será realizado ou não até o ano que vem, além dos desdobramentos que isso poderá causar dentro da Espanha. Até lá, é esperar pra ver...


Com informações do UOL

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Primavera Atípica

Dia 22/09 começou oficialmente a primavera ao sul da Linha do Equador, mas pelo visto parece que a "estação das flores" só estreou mesmo no calendário porque ainda há a sensação da estarmos vivendo no inverno.

Apesar desta estação ser chuvosa, o que já se evidenciou em algumas regiões do país, o que torna esta primavera atípica são as baixas temperaturas que ainda nos remetem ao inverno. 

Se traçarmos um paralelo com 2015, quando as temperaturas já estavam maiores, veremos que este começo de primavera pode ser caracterizado como atípico, e isso tem uma explicação. 

No ano passado, estávamos sobre o efeito do El Niño que, por sua vez, se caracteriza como o aquecimento das águas do Pacífico, interferindo no clima brasileiro (e em outros países também), especialmente no que tange às temperaturas e ao regime de chuvas.  


Fonte: Climatempo

Já neste ano, como podemos ver no gráfico acima, há indícios de que seremos influenciados pela La Niña, que corresponde ao resfriamento das águas do Pacífico, interferindo também nas temperaturas e no regime de chuvas não só do nosso país como também de outros. 

Contudo, esta interferência da La Niña não perdurará toda a primavera. Segundo estimativas meteorológicas, essa onda de frio deve durar apenas até o começo de outubro. Após isto, devemos retornar  "a nossa programação normal" de primavera, a estação da flores e das chuvas... 

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Para refletirmos

Hoje, as palavras não serão nossas, mas vale a pena refletir sobre elas nos dizeres do Prof. Mário Sérgio Cortella que responde, com maestria, a nosso ver, a uma pergunta espinhosa mas que deve sim ser discutida. 

Afinal de contas, qual é o papel da escola?


terça-feira, 13 de setembro de 2016

É Paralimpíada ou Paradetransmitir mesmo?

Caros leitores do blog,

Primeiramente, perdoe-nos o trocadilho, mas hoje o assunto que abordaremos se desdobra em outro que deveria ser também mais uma conquista para os cidadãos cariocas, o famoso legado olímpico, mas que está passando despercebida, assim como o evento das paralimpíadas. 

Infelizmente, as transmissões que suspendiam novelas e programas, as emissoras com seus 300 canais para cobrir por completo as olimpíadas, deram lugar a meros boletins (geralmente na madrugada, no caso da TV aberta) e a "flashes" durante a programação tão rápidos quanto o próprio herói dos quadrinhos de nome semelhante. 

Jogos como os paralímpicos deveriam ter, no mínimo, a mesma importância dada para os olímpicos. Superação define esses atletas que driblam as dificuldades e se tornam exemplos disso ao buscarem, mesmo com todas as limitações, a prática de esportes. Porém, parece que a esse enorme exemplo de humanidade e superação não é dado a mínima. 

A abertura sequer foi mostrada nas grandes redes, pouca gente sabe que o evento está rolando na cidade e, salvo engano, apenas a tv que pertence ao governo federal está realizando transmissões dos jogos ao vivo e na íntegra na tv aberta. 

Um evento importantíssimo que serviria para se levantar várias bandeiras defendidas pelas pessoas que apresentam alguma deficiência, principalmente no tocante a acessibilidade está sendo apagado pela pouca, ou nenhuma, importância ao mesmo dada. Esta questão, que não é um problema exclusivo da cidade que realiza os jogos, poderia voltar os olhos da população - e do poder público, claro - a questão da acessibilidade aos portadores de necessidades especiais. 

São pouquíssimos os lugares, públicos ou privados, que são pensados também para atender a esta questão. Algumas conquistas foram alcançadas como os ônibus que possuem vagas reservadas para cadeirantes, mas isso ainda é pouco. 

Espaços precisam se adequar as necessidades de TODOS os cidadãos. Já não cabe mais a humilhação e dependência da boa vontade alheia para que obstáculos como rua esburacadas e calçadas sem rampas ou com piso especial, por exemplo, sejam vencidos. 

Os jogos paralímpicos seriam uma vitrine e tanto para chamar a atenção dos governantes por todo o mundo; já que se trata de um evento mundial, a se dedicarem para questões ligadas a acessibilidade. Infelizmente, parece que se faz questão de manter as paralimpíadas e a questão da acessibilidade nos espaços, invisíveis a sociedade em geral.  

Com isso, perdemos nós por não termos um acesso pleno a este tipo de evento que na verdade é uma lição de vida e tanto, assim como se perde uma ótima oportunidade de se divulgar a causa da acessibilidade e cobrar das autoridades propostas que permitam cada vez mais o deslocamento de todos os cidadãos. Afinal de contas, o direito de ir e vir pertence a todos, sem exceção. 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Até 2030 a população brasileira será de maioria idosa. O que isso representa para o nosso país?

Segundo publicação do site UOL, estima-se que até 2030 a população brasileira será de maioria idosa. 

Essa mudança na nossa estrutura etária, causará uma série de impactos em nosso país. Impactos esses que exigirão mudanças na economia, na gestão pública, nos transportes e até mesmo na forma como os espaços se montam e remontam para atender a este montante da população que será maioria em menos de duas décadas. 

Dentre os impactos dessa mudança no nosso perfil populacional, podemos citar os seguintes:

  • Repensar os equipamentos urbanos > Com uma população de maioria idosa, certos equipamentos urbanos terão de ser repensados. Os ônibus terão que apresentar pisos mais baixos (isso já acontece em algumas cidades), sinais de trânsito terão um tempo maior de travessia para os pedestres, locais terão que ter seus acessos facilitados por meio de rampas e elevadores. Enfim, diversos equipamentos urbanos terão de ser repaginados para atender a esta fatia de nossa população. 
  • Investimentos cada vez maiores na saúde pública > As esferas de governo terão que investir cada vez mais na saúde. Desde a contratação de mais geriatras para os hospitais públicos como campanhas de vacinas voltadas para esta faixa etária da população, como já acontece com a vacina da gripe, por exemplo. Haverá também que se investir em pesquisas para doenças que afetam mais os idosos, como o Alzheimer, por exemplo, para descobrir formas de combatê-las ou retardá-las. 
  • Incentivo a políticas natalistas > Também caberá ao governo investir em políticas natalistas para que, a longo prazo, a nossa pirâmide etária volte a ter o predomínio da população jovem. Em curto e médio prazo, a solução pode ser um incentivo à migração. Visto que os imigrantes chegariam aqui já em idade de poder trabalhar. 
  • Cobrir o "rombo" da Previdência Social > Com uma população de maioria idosa, é natural que se tenha um número maior de aposentados do que de trabalhadores. No entanto essa conta simples se torna nociva à Previdência Social que, logicamente, estaria "gastando" mais e "arrecadando" menos. Uma das soluções para isso pode ser o ponto acima levantado. Outra consiste em prolongar o tempo em atividade da população idosa. Essa questão, meio duvidosa - pelo menos para nós - se pauta no aumento da expectativa de vida ter aumentado em nosso país nos últimos anos. Embora esse ganho de anos a mais não signifique que serão vividos com qualidade, a ideia é estender para cada vez mais tarde a idade para poder se aposentar. Neste caso a experiência dos idosos seria aproveitada para ensinar e treinar os mais jovens, aqueles que estarão começando a trilhar o caminho que os idosos já percorreram e, portanto, tem muito a lhes ensinar.
  • Outro ponto que também podemos destacar refere-se a participação dos idosos na economia, especialmente no setor de turismo. Se o atual governo não resolver extinguir, existe um programa do governo federal chamado viaje mais melhor idade que incentiva os idosos a viajarem pelo Brasil. Com isso, ganha o setor de turismo, pois geralmente essas viagens são realizadas em época de baixa temporada; ganha a economia do país, em suas mais diversas escalas, com o consumo dos idosos desde a alimentação até as famosas lembrancinhas pra família; e, claro, ganha o idoso, com a possibilidade de entrar e explorar um mercado que, verdade seja dita, não é voltado para eles. 


Fato é que com o perfil etário de nossa população se modificando, e rapidamente, mudanças deverão ocorrer nos mais diversos departamentos. As ações que elencamos acima são apenas o começo dos impactos e das mudanças que são necessárias para atender aquela que será a maior parcela da nossa população tão logo se inicie a terceira década deste milênio. 

Se elas serão feitas - e a contento - serão cenas dos próximos capítulos... 

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Cinema, Pipoca e Geografia! - Memórias Secretas

A indicação de hoje é de uma temática que pode parecer batida, mas os assuntos e as formas de abordá-los são inesgotáveis.

Trata-se do filme "Memórias Secretas" que conta a história de um idoso, chamado Zef, que possui problemas mentais, em sua saga para encontrar o executor de sua família inteira no período em que ficou detido em Auschwitz durante a segunda guerra mundial e fazê-lo pagar com a morte pelo extermínio de sua família. 

Com a ajuda de um amigo, acompanhamos Zef enfrentando várias situações que o fazem recordar os horrores da segunda guerra, além de ter que lidar com seu problema mental relacionado a perda de memória, cruzando os EUA e cruzando até a fronteira com o Canadá em sua busca. A história é muito bem elaborada e o final é surpreendente!

O filme é ótimo para permear questões relacionadas à segunda guerra mundial e pode render outros assuntos que são abordados ao longo do filme, mas que não revelaremos aqui para não estragar a graça do mesmo. 

Com um enredo fantástico e um final impressionante, o filme é uma ótima pedida! Seja para um debate em sala de aula ou para acumular conhecimento, vale a pena conferir!

Fonte: www.gigantedascapas.net

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A medalha foi de prata, mas a causa foi de ouro

Apesar de não ter ganho grande repercussão na mídia, que ainda festeja os louros da primeira olimpíada da América do Sul, o protesto do etíope sobre as condições de seu povo em seu país, feito ao ganhar a medalha de prata na maratona, valeu ouro. 

O maratonista conseguiu trazer à tona uma questão que, como muitas na África, vivem no esquecimento e não são amplamente divulgadas. Talvez o panorama fosse outro se o continente estivesse do outro lado do mediterrâneo, mas isso são "outros quinhentos..."

Fato é que o maratonista, pertencente ao povo de Oromia, relata que o governo etíope persegue, prende e até mata o seu povo por protestarem contra o mesmo. Segundo estimativas, mais de 400 pessoas já morreram desde que os protestos começaram no país. 

Infelizmente, esta é mais uma de milhares de histórias de horror que são contatas no continente africano; isso sem contar as que não sabemos. De regimes ditatoriais, passando por guerras civis, sem esquecer do apartheid e massacres de povos por governos, o leque de atrocidades é imenso. 

Essa história remete mais uma vez a uma antiga problemática que permeia o continente: as fronteiras artificiais. Que se desenham da seguinte forma: 

Culturalmente, a organização das sociedades africanas é bem diferente da nossa (europeia). Enquanto nós nos organizamos em estados, províncias, países e etc. os africanos se organizam em tribos, assim como os indígenas. 

Durante o processo de colonização do continente africano, os europeus dividiram o continente (diz a lenda que a divisão foi feita com uma régua sobre o mapa africano, literalmente!) em diversos países, impondo as tribos africanas organizações territoriais diferentes das quais elas estavam acostumados. A questão é que a criação desses países acabou fragmentando tribos por diversos países, como também acabou colocando tribos inimigas dentro de um mesmo Estado. 

O resultado dessa receita de bolo mais que explosiva são conflitos que permearam o continente durante décadas. Um deles até virou filme, que já recomendamos neste blog. Trata-se de Hotel Ruanda.   

A disputa pelo poder entre tribos rivais, gerou e gera até hoje, conflitos e guerras como a relatada pelo etíope durante sua entrevista após o protesto ao final da maratona. 

O maratonista agarrou a imensa oportunidade que teve de jogar um pouco os holofotes para os horrores vividos em seu país e, quem sabe, mobilizar o interesse público sobre mais um caso de violência e morte neste continente que parece ser esquecido pelo mundo. 

Mesmo após o protesto, o maratonista agora teme ser morto pelo governo. Pode parecer até exagero da parte dele, mas se pararmos pra pensar que o "foco" da atenção pública ainda se remete aos jogos olímpicos e que Etiópia não é um país que se vê com frequência nos noticiários, a possibilidade disso realmente acontecer, devido ao "esquecimento" da questão, é considerável. 

Embora o governo tenha acenado com boas-vindas ao atleta, é uma triste possibilidade que deve sim ser considerada. Ainda mais se levarmos em conta que, até então, não se tinha notícias desse conflito em larga escala e o interesse no mesmo não parece ser tamanho a ponto de acompanhar o desenrolar dessa história. 

Esperamos que os "minutinhos de fama" do etíope para expôr a sua causa, sejam mais do que apenas isso; e que os olhos do mundo se voltem para mais este triste capítulo da história deste tão sofrido continente. 


Com informações do IG, Globo Esporte, Zero Hora e ESPN

terça-feira, 26 de julho de 2016

Os "vazios demográficos" da UE

Passado o reboliço sobre a saída emperrada do Reino Unido do bloco, hoje abordaremos um assunto ainda dentro do bloco e que também envolve saídas, mas essas não chamam tanto a atenção assim, embora ocorram por atacado. 

Não é novidade que a União Europeia compartilha da livre circulação de pessoas e mercadorias. Na prática, isto significa que com apenas a sua identidade, um cidadão oriundo de um dos países do bloco, pode circular livremente por todos os países-membros; assim como as mercadorias circulam entre esses mesmos membros sem pagar impostos. 

Essa livre circulação de pessoas tem gerado um impacto que pode estar passando despercebido, talvez porque não ocorra nos grandes centros dentro do bloco, mas sim em países de menor expressão. Trata-se de cidades fantasmas, surgidas pelo movimento migratório da população (principalmente jovens em idade de trabalhar) que procuram os grandes centros da economia da UE (Como a Alemanha e, até então, o próprio Reino Unido, por exemplo) em busca de melhores condições de vida. 

Como resultado dessa migração, cidades pequenas e médias de países de menor expressão dentro do bloco acabam se tornando cidades-fantasma, seja pela falta de habitantes, seja pela falta de movimento do comércio. 

Para o país, isto pode se tornar um problema, pois dependendo do volume migratório, o país pode se deparar com a escassez de mão-de-obra, desequilíbrio na previdência social, além de ter que criar políticas natalistas para repôr esse êxodo.

Mas nem tudo está perdido. Se pode ocorrer falta mão-de-obra por um lado, por outro o fluxo de dinheiro que pode entrar nesses países pode subir absurdamente. Trabalhadores erradicados em outros países podem enviar dinheiro para sua terra natal aos seus familiares ou até mesmo guardarem com o intuito de retornarem para seus países de origem e abrirem seu próprio negócio. 

Porém essa não é uma exclusividade do bloco. Este fenômeno acontece com frequência em todo o planeta e nas mais diversas escalas. Podendo atrapalhar ou não o desenvolvimento do país envolvido. 

Podemos aqui citar exemplos como brasileiros e mexicanos que procuram os EUA e até mesmo a Europa como locais para recomeçar a vida, deixando assim seus países de origem para começar vida nova em outro. Nesses casos, em específico, ainda não se vê um impacto significativo na pirâmide etária, embora a economia agradeça pelos dólares enviados por esses emigrantes. 

Contudo, não podemos desprezar impactos futuros, haja visto que essas pirâmides apontam para o encolhimento de suas bases com o passar dos anos, o que significa que as pessoas tendem a ter um menor número de filhos, se comparado ao passado.

Também, podemos citar, numa escala bem menor, o caso das cidades dormitórios. Assim são denominadas as cidades onde as pessoas apenas "dormem", pois trabalham e, por consequência, acabam passando a maior parte de seu tempo em outra cidade. Como é o caso de cidades que circundam áreas centrais. Podemos citar as cidades da baixada fluminense como exemplo. 

Fato é que, dependendo da etapa da evolução demográfica em que esteja o país, este fenômeno pode ou não apresentar maiores riscos. Em países como o Brasil, por exemplo, cuja pirâmide ainda se encontra em transição para uma população adulta, estes efeitos ainda vão demorar para serem sentidos, se é que chegarão a isso, haja visto o nosso contingente populacional. 

Já para outros países, como você pode conferir aqui, esse problema já começa a incomodar, embora o dinheiro mandando pelos emigrantes para seus países de origem ainda parece compensar esse fenômeno.