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quinta-feira, 24 de março de 2011

O passeio turístico de Obama

O homem mais poderoso do mundo, segundo dizem, o presidente dos EUA Barack Obama esteve no Brasil para uma visitinha turística.
Além de mandar fechar quase um quarteirão do centro do Rio, fazendo meu ônibus dar uma volta gaigantesca e levar mais 40 minutos pra chegar no Castelo quando eu estava me dirigindo pra Niterói, o presidente discursou no Teatro Municipal, visitou a cidade de Deus, o Cristo e foi embora pro Chile. 
 
Mas afinal de contas... O que será que vossa excelência veio fazer no Brasil ?
É o que eu também me pergunto, pois... 
 
Se veio aqui para tentarmos com ele um acordo sobre questão das importações e exportações entre nós e eles. Então nada feito. Continuamos no mesmo patamar e com a mesma reclamação sendo feita e tão bem ouvida quanto pregação do deserto. Ou seja, ainda continuamos mais comprando deles do que vendendo pra eles e os nossos produtos são sobretaxados quando chegam lá, além dos produtos de lá contarem com subsídios por parte do governo americano, temos como exemplo o caso emblemático da laranja brasileira que é sobretaxada nos mercados americanos e os produtores locais ainda tem suas laranjas subsidiadas pelo governo, o que torna ainda mais difícil competir no mercado norte-americano. E as negociações para melhorar essa situação sequer ocorreram.
 
Se veio aqui para fazer acordos com o Brasil, bom isso ele conseguiu. Ao todo foram assinados vários acordos de cooperação nas mais diversas áreas como educação por exemplo. Mas acredito que deva funcionar mais ou menos assim: eles vem aqui e roubam o que lhes interessa, através de práticas como a biopirataria,  e nós vamos aprender lá o que eles já sabem faz tempo e não utilizam faz mais tempo ainda.  

Se a intenção dele era apenas fazer um papel de "bom moço" também conseguiu. Já que não há coisa mais demagógica e popular do que andar por lugares onde o Estado se faz mais ausente do que presente. Com certeza ele conseguiu alguns votos para sua reeleição... 
 
Lendo isto você deve estar se perguntando: "Ele conseguiu tanta coisa, como assim você afirma que ele veio a passeio ?" Pois é, de fato ele conseguiu algumas coisas, mas e nós ? o que conseguimos com ele ?
Nossas questões enquanto a balança comercial não andaram. 
O tão prometido discurso de apoio ao nosso país por um acento permanente da ONU, ficou nas entrelinhas e nada mais. Não teve nenhum tipo de apoio explícito.
E, ao que me parece, nada de concreto foi apresentado para nós em termos de acordo.  Esses acordo de cooperação não contam, são tão verdadeiros quanto nota de 3 reais, a meu ver.
 
Ou seja, para ele foi um mero passeio turístico. Mesmo que alguns possam até dizer que foi a primeira visita e que isso era apenas uma mera visita formal, eu acredito que muito mais poderia ser feito em uma visita normal do que simplesmente mostrar ao presidente Obama como são certos recortes espaciais do Brasil e algumas de nossas belezas...
Extraído de globovídeos.com

Fukushima x Angras 1 e 2 Absolutamente desnecessário

Com o ocorrido na usina de Fukushima no Japão, começaram as especulações sobre as usinas brasileiras de Angra 1 e 2 (existe a 3 mas ainda está em fase de construção). 

Em termos de submissão a fenômenos como os que ocorreram no Japão, não há com o que se preocupar. Já que nós estamos localizados no meio da placa tectônica sul-americana (como mostra a figura abaixo) e portanto, apesar de sim termos terremotos em nosso país, quase não percebemos os abalos sísmicos ou quando chegamos a sentir eles nem se comparam aos que foram sentidos no Japão. 
                                                                      Fonte: Info Escola

Já os japoneses ficam localizados no contato entre diversas placas e com isso os tremores são sentidos por eles com muito mais intensidade do que aqui, causando estragos como os que foram vistos na usina de Fukushima. 

Contudo, mesmo que a questão comaprativa seja de cunho bastante vazio, pra não dizer desnecessário pois as condições são bem diferentes. Cabe aqui analisar outras questões: mesmo que a usina atenda as normas internacionais, como mostra o vídeo abaixo, estamos mesmo preparados para algum acidente que possa a vir a acontecer em Angra ? E a população da cidade e dos arredores, recebem mesmo o treinamento adequado para lidarem com este tipo de situação ?

Isso sem contar com fato, já mencionado aqui em outros posts, que esse elefante branco foi construído em cima de uma falha geológica (!).






Fonte: globovideos.com

O Japão antes e depois da tragédia

Recentemente, após os eventos naturais ocorridos no Japão - o terremoto e a Tsunami - foram divulgadas imagens de satélite comparando as áreas atingidas pelo terremoto e pela Tsunami antes e depois da tragédia. As imagens são de impressionar...

Áreas inteiras foram devastadas, algumas ficam até irreconhecíveis. Plantações agrícolas e cidades inteiras foram destruídas. 
Segundo dados do governo japonês por volta de 26.000 pessoas estão desaparecidas e milhares estão mortas e esses números tendem a aumentar conforme as equipes de busca vão avaçando pelas cidades. 






Extraído de globovideos.com

domingo, 13 de março de 2011

A volta dos vaga-lumes

Desde que foi construída Angra 1 sempre foi motivo de desconfiança para as pessoas apesar dos investimentos e do convencimento do governo na construção do projeto. Porém, tempos depois a usina veio apresentando inúmeras falhas, o que lhe rendeu o apelido de vaga-lume pois vivia "acendendo" e "apagando". 
Pois é, parece que mais uma vez o vaga-lume voltou aparecer e em dose dupla: Angra 1 e Angra 2 apresentaram falhas e precisaram ser desativadas como mostra a reportagem abaixo.
É... me parece que o que se começa a construir em cima de uma falha geológica (!) sempre se mostrará uma falha constante... Por sorte aqui não ocorrem terremotos como o que ocorreu no Japão. Já pensou se ocorre por aqui e abala justamente a nossa usina que foi construída "sabidamente" em cima de uma falha geológica ?


Após o desligamento da usina nuclear Angra 2, na madrugada de segunda para terça-feira, o complexo nuclear em Angra dos Reis (RJ) enfrentou novos problemas na última noite. Devido a uma falha no medidor de pressão, foi a vez da usina Angra 1 ser retirada do Sistema Interligado Nacional (SIN). De acordo com a Eletronuclear, que opera o complexo, a falha ocorreu às 21h49 da noite de ontem e até agora não foi solucionada.
Para compensar a paralisação da usina Angra 1, cuja geração é de 625 megawatts (MW), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou o desvio de carga equivalente da Região Sul para o Sudeste. A Eletronuclear ainda não tem uma previsão oficial de religamento das duas usinas, mas o ONS prevê que a operação poderá ser concluída ainda hoje.
Ontem, o ONS havia determinado o aumento de geração de 600 megawatts (MW) em usinas termelétricas. Outros 700 MW seriam acrescidos ao sistema pelo aumento da geração de energia em hidrelétricas. A usina Angra 2 tem geração equivalente a 1.350 MW e está desligada desde às 3h25 da madrugada de ontem. O desligamento da unidade teve origem em problema detectado em uma turbina de alta pressão. Horas depois, a usina teve nova falha, na sinalização da chave de abertura em carga, o que inviabilizou a retomada das operações.


Extraído de msn.com.br

É de surpreender

É surpreendente ver como, desde o primeiro governo Lula, uma faxina geral vem ocorrendo na polícia do país. Diversas operações foram realizadas pela Polícia Federal e várias quadrilhas foram desmanteladas; diversos esquemas foram desfeitos; alguns "peixes grandes" foram parar na cadeia e até mesmo policiais corruptos estão indo parar na cadeia. 

A reportagem abaixo é apenas um exemplo de que a polícia anda sim fazendo uma verdadeira limpeza em sua instituição. Inicialmente acreditei que fosse por conta das eleições - porque operações assim sempre ocorrem em épocas de eleições - mas não acredito que seja. Talvez seja a própria polícia que resolveu acordar ou a nossa querida presidente mostrando serviço para se afirmando como tal e passando segurança a população. Aposto na segunda...

Embora tenha ganhado notoriedade por ser uma instituição marcada pela violência e a corrupção, a polícia no Rio de Janeiro, civil e militar, vive um momento de graça com a sociedade desde a implantação das unidades de Polícia Pacificadora em várias comunidades faveladas e, principalmente, após a espetacular operação de tomada do perigoso Complexo do Alemão, principal eixo de ação do tráfico. Vive ou, pelo menos, vivia até a sexta-feira 11, já que uma ação desfechada pela Polícia Federal pode ter botado um ponto final nessa fase de congraçamento entre a população e os policiais. A ação fulminante da PF, batizada de “Operação Guilhotina” prendeu 27 policiais acusados de corrupção e de proteger traficantes, bicheiros e milicianos. As três pragas cariocas.
Os envolvidos são acusados ainda de uma prática comum entre os policiais, embora de certa forma surpreendente: saque de bens de moradores durante a ocupação do Alemão. A operação foi desfechada, com apoio da Secretaria de Segurança e do Ministério Público estadual, após mais de um ano de investigações e está sustentada, segundo as autoridades, em centenas de horas de telefonemas gravados, com autorização judicial, filmagens e depoimentos de testemunhas. A guilhotina baixou sobre a cabeça de bagrinhos e, desta vez, de alguns peixes bem mais graúdos. Foi preso, por exemplo, o delegado Carlos de Oliveira que, até o ano passado era o poderoso braço direito do chefe da Polícia Civil Allan Turnowski, por sua vez homem de confiança de José Mariano Beltrame, secretário de Segurança Pública do estado.
Alguém vazou para a imprensa que Turnowski era citado por uma testemunha. A Polícia Federal convocou o chefe de polícia para depor. Mas, antes, ele reagiu e comandou uma desafiadora incursão à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) chefiada pelo delegado Cláudio Ferraz, que tinha participado da Operação Guilhotina. Mais grave. Ferraz estava subordinado diretamente ao secretário Beltrame. Com a situação insustentável Beltrame e Turnowski sentaram-se para uma conversa classificada por ambos como “franca e aberta”. Turnowski foi demitido com um brilhante elogio de Beltrame gravado em comunicado oficial.
Alguém deu um troco pesado. Documento “vazado” para o jornal O Globo tinha trechos do depoimento da testemunha de acusação de Turnow-ski, identificado apenas como um ex-informante da polícia. O então chefe da Polícia Civil estaria recebendo mensalmente cerca de 500 mil reais para proteger as milícias na capital e, mais ainda, 100 mil reais para não reprimir a venda de produtos piratas no chamado “Camelódromo”, no centro da cidade. Turnowski rompeu com Beltrame, policial acreditado e popular no estado. Oriundo da Polícia Federal, ele age com rigor e fé calvinista contra a corrupção. Tem a frieza de um frade de pedra. Perfil que, nesse sentido, lembra Robespierre, líder da Revolução Francesa que mais acionou a guilhotina. Só que no final daquela história Robespierre acabou também guilhotinado.
Extraído de cartacapital.com.br 

Entenda como ocorreu o Tsunami no Japão

Todos acompanhamos essa semana o terremoto que aconteceu no Japão que acarretou também em uma Tsunami. Para entender como isso ocorre peguei na internet um vídeo do Jornal Nacional com uma animação bem fácil de compreender como este fenômeno natural ocorre. 
(...)
Dados dão conta de que uma usina nuclear japonesa sofre o acidente mais grave desde de Chernobyl (o acidente na usina japoesa ganhou nível  4 numa escala de 1 a 7. Chernobyl ganhou 7). Apesar das autoridades japonesas tentarem minimizar o acidente, há sim riscos desse acidente se agravar infelizmente. Algumas pessoas já foram levemente infectadas por radiação, mas já estão em tratamento. 

   


Extraído de video.globo.com

sexta-feira, 11 de março de 2011

O Terremoto no Japão

Nesta madrugada, horário local, um terremoto ocorreu a nordeste do Japão mas pode ser sentido até ao sul do país. Como o epicentro do terremoto foi no oceano Pacífico, também ocorreu uma Tsunami que varreu algumas áreas do Japão, como mostra o primeiro vídeo.



Como o terremoto gerou um Tsunami e o mesmo agora corre por toda a costa asiática e americana do Pacífico vários países, como mostra o vídeo 2, já emitiram um alerta e estão atentos com a chegada dessas ondas gigantes. O parâmetro, pelo menos para os países da costa americana do Pacífico, saberem o quão forte chegarão as ondas é aguardar as mesmas alcançarem o Havaí que fica "no meio do caminho" entre o epicentro do terremoto e a costa americana. 



O Estado de alerta está ligado e resta agora aguardar pelos tremores secundários - que segundo notícias já estão ocorrendo - para saber quais são os verdadeiros estragos dessa tragédia. Algo que infelizmente só tende a aumentar, pois refinarias de petróleo e usinas nucleares foram atingidas pelo terremoto e o sistema de resfriamento do reator de uma das usinas apresentou falhas. 




Fonte: video.globo.com

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quer engordar seu porquinho? Invista no Brasil!

Pois é, mesmo que o título acima ganhe uma conotação até positiva ela esconde um grande problema que ocorre silenciosamente em nosso país. Ante a crise de 2008 o governo tomou diversas medidas para combater a tal "marolinha". Com isso diversos setores da indústria foram beneficiados, inclusive com as reduções no IPI. Assim, os lucros das montadoras, por exemplo, nunca foram tão grandes quanto nesse período, a ponto de mandar seus lucros para suas matrizes para cobrir os rombos causados pela crise. 
Com os incentivos realizados pelo governo, o nosso país se tornou um grande atrativo para os investidores externos. Nessa época da crise, o que foi investido aqui gerou lucros enormes. Contudo, o preço a se pagar por tanto lucro sequer foi cobrado pelo governo: que seriam maiores investimentos em nosso país para melhorarmos quantitativamente e qualitativamente e nos tornarmos mais competitivos. 
O resultado disso são déficits inéditos na balança comercial no que tange o setor automotivo onde vemos mais uma vez o lema do neo-liberalismo em destaque: o gasto é do Estado, o lucro é do privado. Infelizmente. 

Os números divulgados pelo Banco Central na última semana com relação aos fluxos recordes de investimento direto estrangeiro (IDE) em 2010 no montante de 48,4 bilhões de dólares (soma da entrada líquida de recursos externos na modalidade de participação em capital mais empréstimos intercompanhias) ensejaram comemorações no governo e no meio empresarial. Ao superar os volumes pré-crise internacional em 2008, de 45,1 bilhões de dólares, o Brasil consolida-se como importante receptor de investimento externo, atrás apenas da China entre as economias emergentes, superando, inclusive, algumas tradicionais economias avançadas e importantes receptoras de investimento. Para entender melhor a importância dos fluxos de IDE, eles foram suficientes para financiar o expressivo rombo nas contas correntes de 47,5 bilhões de dólares em 2010.
Mas os números  também trouxeram preocupações entre os especialistas. A própria deterioração da conta corrente foi um dos principais destaques negativos, com a redução do superávit comercial e, principalmente, com a elevação das remessas de lucros e dividendos realizadas pelas empresas estrangeiras para suas matrizes. As remessas já haviam crescido de forma expressiva em 2008, no auge da crise internacional, quando atingiram o patamar de 33 bilhões de dólares, refletindo a estratégia das grandes corporações globais de transferir fluxos de caixas de suas filiais esparramadas mundo afora para suas matrizes com grandes dificuldades financeiras. Em 2009, embora as remessas tenham se reduzido para 25 bilhões de dólares, superaram a própria entrada de IDE. Em 2010, com a explicitação dos diferenciais de crescimento entre países desenvolvidos e emergentes, as remessas saltaram para 30 bilhões de dólares.
 Diferentemente dos investimentos que se distribuíram de forma relativamente equilibrada entre as atividades extrativas, industriais e de serviços, as remessas estiveram fortemente concentradas em alguns setores industriais com forte presença de multinacionais, com especial destaque para o setor automotivo (montadoras e autopeças). As remessas das filiais automotivas para os debilitados caixas de suas  matrizes atingiram a expressiva soma de 4 bilhões de dólares em 2010, o que representou um valor quase dez vezes maior que os investimentos externos realizados por essas filiais no mesmo período (450 milhões de dólares). Repete-se assim o movimento já observado durante e após a crise. Se considerarmos o período 2008-2010 as remessas de lucros e dividendos de empresas automotivas totalizaram 12,4 bilhões de dólares ante investimentos externos de apenas 3,6 bilhões de dólares, o que significa um saldo líquido negativo de 8,8 bilhões de dólares, em que pese o excelente desempenho das vendas e da produção na economia brasileira.
É importante observar que o setor automotivo foi um dos mais contemplados com reduções tributárias no âmbito das políticas públicas anticíclicas de enfrentamento da crise no Brasil (e também em outras economias, como EUA, Alemanha, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido). Para se ter uma dimensão das desonerações fiscais envolvidas, a arrecadação federal com o IPI automotivo reduziu de 6 bilhões de reais, em 2008, para pouco mais de 2 bilhões de reais, em 2009. Nesse ano foram comercializados 3,1 milhões de veículos ante 2,8 milhões, em 2008. Em 2010, a arrecadação recuperou-se com o final das reduções tarifárias e o forte aumento das vendas (3,5 milhões de unidades vendidas), atingindo 5,7 bilhões de reais. 
Ao mesmo tempo que as remessas ao exterior se elevaram, as empresas do setor automotivo tomaram financiamentos de 8,7 bilhões de dólares (aproximadamente, 16,3 bilhões de reais) ao BNDES no período 2008-2010. Por outro lado, a média anual de investimentos produtivos foi da ordem de 2 bilhões de dólares para as montadoras e de 1,3 bilhão de dólares para as autopeças nos últimos anos. Isso significa que quase a totalidade dos recursos necessários para financiar seus investimentos saiu dos cofres públicos, enquanto parcela expressiva dos lucros foi transferida para as matrizes.
Além do ajuste financeiro,  as montadoras utilizaram os acordos comerciais, o câmbio valorizado e as vantagens de uma estrutura corporativa fortemente internacionalizada para otimizar seus fluxos produtivos e comerciais, reduzindo a capacidade ociosa em mercados relativamente mais estagnados com vendas para mercados mais dinâmicos. É o caso do Brasil. Beneficiando-se da forte demanda doméstica, as montadoras ampliaram sistematicamente as importações de veículos, totalizando 1,5 milhão de unidades no período 2008-2010, com 660 mil apenas em 2010. Com isso a balança comercial de automóveis, que historicamente sempre foi superavitária, se tornou negativa já em 2009 e deve superar 3 bilhões de dólares em 2010. Se somada ao déficit no segmento de autopeças, os valores ultrapassam 5 bilhões de dólares, com importações superiores a 21 bilhões de dólares.
A utilização de instrumentos tributários, fiscais e financeiros para incentivar o investimento não só é justificável como tem sido decisiva para viabilizar a atratividade de alguns projetos estratégicos. Cabe destacar que a elevação da taxa de investimento da economia brasileira constitui-se em precondição para um crescimento sustentável de longo prazo e o melhor antídoto anti-inflacionário. O que nos parece injustificável é a concessão de benefícios e de recursos públicos para empresas privadas sem a exigência de contrapartidas. Nesse caso, a contrapartida deveria ser a ampliação dos investimentos no desenvolvimento de novos produtos e processos, na ampliação da capacidade produtiva (em torno de 4,3 milhões de unidades) e em atividades inovativas.
 Deve se destacar que esses investimentos são ainda mais prementes quando se considera a intensidade das mudanças que vêm ocorrendo no setor depois da crise internacional. No plano tecnológico, a busca por maior eficiência energética e por novas formas de propulsão alternativa tem avançado de forma rápida. No plano geo-gráfico, tem ocorrido um deslocamento rápido do dinamismo da demanda para países em desenvolvimento, com impactos profundos também sobre a distribuição da produção. Finalmente, essas mudanças no padrão geográfico da demanda e da oferta vêm sendo acompanhadas pela entrada de novos players, com destaque para produtores chineses (a produção e demanda de veículos na China aproxima-se de 15 milhões de unidades, em 2010, ante apenas 2 milhões, em 2000).
Nesse contexto, sem mais e melhores investimentos, o País e o próprio setor automotivo correm sério risco de perder competitividade e de reduzir quantitativa e qualitativamente sua inserção na rede corporativa global.


Extraído de cartacapital.com.br

O preço da arrogância

Todos acompanhamos a crise econômica dos EUA que se espalhou pelo mundo em 2008 e não parou de fazer vítimas desde então. A Grécia que o diga. Tempos depois, relatórios foram confeccionados para apontar as causas dessa crise e se chegou a conclusão que simplesmente "passaram o trator" nos avisos que a economia já vinha dando sobre o aumento dos empréstimos de risco e suas consequências. 
Talvez o posto de maior economia do mundo fosse suficiente para superar isso - na visão deles - e, então, os avisos foram sumariamente deixados de lado. Pura arrogância ? Diria que sim, mesmo sabendo que vão dizer que não e colocar a culpa na bolha especulativa...
Fato é que a arrogância cobrou seu preço não só nos EUA mas também no mundo todo...

Nas últimas semanas foram produzidos dois importantes documentos sobre a crise financeira deflagrada entre 2007 e 2008. No dia 27 de janeiro, a Comissão de Investigação do Congresso americano deu a público o Financial Crisis Inquiry Report e ontem, 10 de fevereiro, o Fundo Monetário Internacional liberou o trabalho do Independent Evaluation Office, órgão interno encarregado de avaliar o desempenho da instituição no aconselhamento dos países. Resumo da peça: a coisa foi mal. Entre tanta autocrítica, sobressai a lamentosa constatação da pagina 25. “A autocensura parece ter sido um fator significativo (para inúmeros equívocos), mesmo na ausência de pressões políticas.”
 Poucas matérias jornalísticas cuidaram do relatório elaborado pela Comissão do Congresso sobre a crise financeira. O Financial Times e a revista The Economist, entre outros menos votados, são honrosas exceções. Em vários artigos, seus jornalistas e colunistas apresentaram avaliações do relatório, algumas críticas e ácidas. É divertido observar que mesmo em publicações de alta qualidade como as supracitadas, as opiniões se dividem apaixonadamente entre a turma da “culpa é de Wall Street” e os que atribuem a responsabilidade aos reguladores, ou seja, ao governo intrometido.
Before Our Very Eyes, assim  é denominado o primeiro capítulo do Relatório do Congresso. Em linguagem popular: “Estava na Cara”. É difícil negar que ao longo dos anos de gestação da crise, os olhos – os da mídia incluídos – estiveram vendados pela trava que os hipócritas apontam na visão alheia (palavras de Cristo, de admirável sabedoria). Já no caso de muitos economistas eminentes, sempre procurados para opinar, os olhos estavam travados, mas as imagens e palavras do documentário de Charles Ferguson, Inside Job, sugerem que os bolsos estavam arreganhados para a grana que escorria das façanhas da haute finance.
No relatório do Congresso, o percurso em direção é ana lisado mediante a narrativa de episódios esdrúxulos e de depoimentos patéticos de banqueiros, altos executivos e autoridades. A articulação entre as falas e as narrativas permite uma avaliação do papel desempenhado pelos vários fatores e protagonistas que levaram a economia global da euforia à depressão: as inovações financeiras geradoras de instabilidade, a omissão sistemática das autoridades encarregadas de supervisionar os mercados de hipotecas e, finalmente, a farra da emissão de securities lastreadas em empréstimos imobiliários.
 O episódio Ed Parker é emblemático. Parker era chefe do Departamento de Investigação de Fraudes da Ameriquest, então líder no mercado de financiamento de hipotecas. Em 2003, um mês após sua contratação, o diligente funcionário detectou fraude nos empréstimos efetuados pela companhia. Comunicou à administração superior da empresa. Os relatórios foram ignorados. Enquanto isso, os demais departamentos queixavam-se da excessiva preocupação do chefe de investigação de fraudes com a qualidade dos empréstimos. Em 2005, Parker foi rebaixado de manager a supervisor.  Em maio de 2006 recebeu um aviso, outrora chamado de “bilhete azul”.
Em 2003,  o subprocurador-geral de Minnesota, Prentiss Cox, pediu informações à Ameriquest sobre os empréstimos hipotecários realizados pela empresa. Recebeu dez caixas de documentos. Examinou aleatoriamente os contratos e, perplexo, observou que, em quase todos, os tomadores eram designados como “corretores de antiguidades”, um eufemismo para designar a condição de desempregados dos pretendentes ao crédito. Essas falsificações empalidecem diante da descrição do emprego de um senhor de 80 anos que só conseguia se locomover com o auxílio de um andador. Profissão? “Trabalhos Leves na Construção.”
Cox indagou-se das razões que levaram uma empresa de tal porte ao cometimento de malfeitorias. Um amigo atilado sugeriu: “Olhe para cima”. Cox acordou para a realidade: as instituições que concediam créditos hipotecários estavam simplesmente gerando produtos para Wall Street empacotar e distribuir mundo afora.
As instituições federais bloquearam sistematicamente as tentativas de regulamentar e coibir a multiplicação de empréstimos irregulares. No pelotão de frente estavam duas autoridades federais: o Office of the Controller of the Currency (OCC), encarregado de fiscalizar os bancos comerciais nacionais – incluídos o Bank of America, o Citibank e o Wachovia; e o Office of Thrift Supervision (OTS), incumbido de vigiar as instituições nacionais de poupança. Em 2001, Julie Willians, chairman do conselho do Controller of de Currency, ministrou uma palestra para as autoridades estaduais. Em sua arenga, Willians advertiu os presentes de que iria “aniquilar” quem insistisse na investigação das práticas das instituições nacionais de crédito. Bingo!


Extraído de cartacapital.com.br

10% da P.U.E.A. ainda procura emprego

Segundo pesquisas realizadas, 10% da população urbana econômicamente ativa (PUEA) está desempregada. Apesar do fato, é possível ver algumas boas coisas nas pesquisas, como o aumento da porcentagem de mulheres no mercado de trabalho e uma dedicação maior para com os estudos. Contudo, há ainda coisas que se devem melhorar e muito: o tempo que as pessoas estão procurando emprego está muito alto, (a maioria está há 6 meses - alguns chegam até a passar mais de 1 ano - procurando emprego) as pessoas não recebem o que consta na carteira (provavelmente o salário real é bem menor) o que preocupa pois pode acarretar em problemas com a previdência e também serve pra exemplificar o  tanto de descontos que temos nos nossos salários por conta de taxas e mais taxas. 


Só para esclarecer....

A população econômica, basicamente, se divide em duas categorias principais:

PEA - População Econômicamente Ativa - corresponde aos indivíduos entre 14 e 65 anos, sendo homens e mulheres que estão aptos a trabalhar (seja na condição de aprendiz, carteira assinada, trabalhador informal, etc.). Contudo, são contabilizados nessa população os que trabalham e os que não trabalham, o critério para essa categoria é a faixa etária permitida por lei para o trabalho. 

PEI - População Econômicamente Inativa - Corresponde aos indivíduos abaixo dos 14 anos e acima dos 65 anos. Esses indivíduos, teoricamente, não trabalham. No primeiro caso porque as crianças estão protegidas por lei e o trabalho infantil é crime, já no segundo caso é a idade em que se atinge a aposentadoria e, portanto, não se faz mais parte do mercado de trabalho. Apesar de sabermos que não é assim, pois a exploração infantil existe bem como vários pessoas continuam trabalho depois de aposentadas, esses parâmetros foram criados justamente para embasar as pesquisas feitas pelo governo e assim tentar identificar o que deve ser corrigido e o que deve ser mantido.


Cerca de 10% da população brasileira economicamente ativa com mais de 18 anos e que vive nas áreas urbanas está desempregada, revela o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Considerando toda a amostra, que também embarca pessoas inativas (que apenas realizaram atividade não remunerada no próprio domicílio ou não trabalharam nem procuraram emprego na semana em que foram pesquisadas), o porcentual de desempregados é de 7%.
A metodologia do Ipea considerou desempregadas aquelas pessoas que não exerciam atividade remunerada e não procuraram trabalho na semana de referência da pesquisa.
Realizado ao longo do segundo semestre do ano passado, responderam ao levantamento do Ipea  2,773 mil pessoas de todos os estados e do Distrito Federal. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira 16 pelo técnico de Planejamento e Pesquisa do instituto, Bruno Amorim. O trabalho do Ipea faz parte do Sistema de Indicadores de Percepção Social – trabalho e renda.
Do total de pessoas inativas (29%), 31,3% nunca procuraram emprego. Destes, 88% são mulheres.
Apesar do dado evidenciar que as mulheres ainda participam menos do mercado de trabalho, o fato de que a proporção de mulheres que nunca procurou emprego aumentar com a idade é sinal de que as novas gerações buscam cada vez mais espaço no mercado. Entre os homens, acontece o inverso: a maioria das pessoas que nunca procurou emprego está entre a população mais jovem, o que indicaria, segundo o documento, que nessa faixa-etária as pessoas estão se dedicando mais aos estudos.

Procura
Entre os desempregados, 45% procuram trabalho há mais de seis meses e 25% estão há mais de um ano procurando uma ocupação. Bruno Amorim destacou que esse cenário é preocupante porque representa risco de perda de habilidades e vínculos profissionais.

Informalidade
Enquanto a maioria dos trabalhadores informais não recebe direitos trabalhistas como um terço de salário nas férias e o décimo terceiro, 97% dos registrados têm seus direitos trabalhistas em dia. Entretanto, 18% dos trabalhadores formais afirmam que estão registrados com um valor de salário diverso do que recebem de fato, número considerado alto pelo instituto.

Contribuição
Quase a totalidade dos trabalhadores com carteira assinada contribui para a previdência (95%). Já entre os informais, o porcentual daqueles que não contribuem é alto, 68%. Deste, cerca da metade diz não contribuir por falta de renda.
Leia as conclusões da pesquisa no site do Ipea

Extraído de cartacapital.com.br

Kadafi a caminho de receber seu xeque-mate

O efeito dominó que começou com a derrubada do ditador da Tunísia agora atinge a Líbia. Kadafi, há décadas no poder, resiste da forma que pode (leia-se violentamente) aos protestos da população que exige sua renúncia. 
Vários membros de seu governo já pediram a renúncia de seus cargos no governo do ditador que agora usa a força pra tentar se mânter no poder. 
Sua queda parece questão de tempo, mesmo que ele ainda mostre resistência. Fato é que a Líbia parece estar a um passo de dar xeque-mate em Kadafi que pode deixar o país que comandou durante décadas pela porta dos fundos.


O ditador líbio ordenou às forças armadas do país que combatessem os manifestantes nas ruas de Tripoli e Bengazi, incluindo ataques aéreos contra a população civil. Mais de 230 já morreram
A onda de protestos que tomou o Norte da África desde que o povo da Tunísia conseguiu derrubar o ditador Ben Ali encontrou a repressão mais violenta desde seu início ao chegar à Líbia. A população começou a ir às ruas na quinta-feira 17 e, desde então, tem sido atacada pelas forças de segurança, com saldo calculado de mais de 230 mortos até o momento.
Kadafi ainda não se pronunciou sobre os protestos que exigem sua queda, mas o filho do ditador, Said Kadafi, foi à rede de TV oficial líbia. Em entrevista, o herdeiro afirmou que o regime do pai não cairia com as manifestações e que haveria “rios de sangue” correndo pelas ruas caso o povo insistisse em seguir os exemplos de Tunísia e Egito.
A população continuou os protestos na capital Tripoli e em Bengazi, a segunda maior cidade do país. Nesta segunda-feira 21, a ameaça de Saif Kafadi confirmou-se. O governo ordenou ao exército que abrisse fogo pesado contra os manifestantes e centenas foram feridos e mortos.
Testemunhas do massacre também afirmam às agências de notícias que mercenários foram contratados para atacar a população. Vídeos enviados pelo Youtube e pelo Facebook mostram diversos feridos sendo atendidos em hospitais. As imagens são fortes.
Além da repressão por terra, Kadafi ordenou que helicópteros militares atacassem os manifestantes com metralhadoras. Há informações de que aviões bombardearam as ruas onde ocorrem os protestos, mas ainda não existe confirmação. Jornalistas não conseguem entrar no país. A rede de TV britânica BBC anunciou que um correspondente conseguiu entrar na Líbia, mas ainda não há maiores informações.
Em meio à repressão brutal, dois pilotos da força aérea líbia pousaram seus caças na ilha de Malta. Segundo as primeiras informações de agências de notícias, os dois receberam as ordens para atacarem a população em Trípoli, mas se recusaram a cumpri-la, desviando a rota para desertarem e pedirem abrigo na ilha.
O representante líbio na Organização das Nações Unidas (ONU), Ibrahim Al Debashi, foi uma das vozes dos “desertores” de Kadafi. Em entrevista à Al Jazeera, ele lamentou a repressão aos manifestantes. “O coronel Kadafi declarou guerra a seu próprio povo e está cometendo um genocídio na Líbia. A comunidade internacional precisa se posicionar contra o regime. Ninguém pode ficar em silêncio diante do que está acontecendo.”
Além da postura de Al Debashi, durante toda a segunda-feira embaixadores líbios em diversos países renunciaram a seus postos e exigiram a queda de Kadafi. Os representantes abandonaram os cargos na Inglaterra, na Indonésia, na Suécia, na Bélgica, na Liga Árabe e na União Europeia.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil divulgou uma nota oficial sobre a situação na Líbia na sexta-feira 18. Segundo o texto, “o Governo brasileiro acompanha com apreensão a situação na Líbia e repudia os atos de violência ocorridos durante as recentes manifestações populares, que resultaram em mortes de civis”.
Nesta segunda-feira, o ministro da pasta, Antonio Patriota, também se manifestou contra a violência na Líbia: “O Brasil repudia atos de violência contra manifestantes desarmados e vemos com grande preocupação os desenvolvimentos na Líbia, que parece que alcançaram padrão de violência absolutamente inaceitável”



Extraído de cartacapital.com.br