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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

A reaproximação história entre Cuba e EUA.

Ontem,  os respectivos governadores dos EUA e de Cuba vieram a público comunicar a reaproximação dos dois países depois de mais de meio século de distanciamento. 

O acordo, ao que parece, teve apoio dos canadenses e do Papa Francisco (que eu me recorde, é a primeira vez que vejo política e religião se misturarem para algo PROVEITOSO...) e inclui a libertação de presos políticos de ambos os lados, a abertura de embaixadas e até mesmo a modificação e possível fim do embargo econômico. 

Este último parece ser o mais difícil, pois depende do Congresso Nacional norte-americano, onde Obama possui forte oposição. A reabertura econômica é um grande passo depois de décadas de um isolamento imposto pelos EUA a ilha da América Central que, nos dizeres do próprio Obama, "só isolou os EUA de Cuba, pois todos os outros países continuaram a ter {em maior ou menor grau} relações comerciais com o país". Nós, aliás, somos um exemplo disso com os investimentos feitos na construção do porto de Mariel.

Ah, sim. Antes de começar a criticar que o governo está financiando ditadura cubana e outras besteiras que eu me nego a reproduzir aqui; sugiro o vídeo abaixo para que certos conceitos sejam revistos em relação a essa falácia que tem o fundamento tão profundo quanto um pires...      





Voltando ao título dos post, essa abertura que, acredito eu, será feita de forma lenta e gradual. E, é bom que se diga, as relações e a reaproximação entre os dois países parecem ser na esfera econômica, embora ocorra da abertura da embaixada em ambos os países, o que pincela tons políticos a conversa. Não a toa, há na ilha o temor de que essa reaproximação não influencie em nada a questão da liberdade em Cuba, haja visto que os irmãos Castro há anos estão no poder e conduzem Cuba com uma rigidez exemplar... 

Em termos de economia, o saldo pode ser positivo para ambos. Passando pelo aumento da quantidade de dinheiro enviada por cubanos que moram nos EUA para a ilha, até investimentos norte-americanos em Cuba - como já acontece há um bom tempo com empresas francesas e espanholas, no ramos das telecomunicações e hotelaria (só para citar exemplos) - pegando até mesmo carona no porto de Mariel. 

Dependendo de como essas relações caminhem, pode até ser que as constantes crises de abastecimento que a ilha sofre sejam amenizadas. Embora de nada adiante se o poder aquisitivo das pessoas continuar baixo. Contudo, só o fato de uma reaproximação política entre ambos já é de se considerar histórica. 

Você pode acompanhar um breve resumo da longa e conturbada história entre esses dois países aqui e do dia histórico aqui

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Cinema, Pipoca e Geografia! - Ilha das Flores

A indicação de hoje trata-se de um curta metragem clássico, mas que não perde sua contemporaneidade. Ilha das flores retrata a sociedade consumista que vivemos atualmente e o faz sob a perspectiva de uma fruta, o tomate (sim, tomate é fruta!). O mesmo é acompanhado desde sua plantação até o seu descarte. Durante essa curta jornada, o curta mostra todo o cruel processo de geração de riqueza, além das gritantes desigualdades que aparecem durante a "vida" do tomate. 

Mesmo sendo um clássico, o curta é ótimo e pode ser encaixado em diversos aspectos abordados pela Geografia como agricultura, produção de lixo, desigualdades sociais, entre outros. 



O curta pode ser assistido no link abaixo. 




Nessa mesma linha de pensamento, podemos retomar aqui uma indicação que já fora feira antes, a História das Coisas; cujos comentários e a sinopse você confere clicando aqui


Vale a pena conferir os dois curtas. Ambos são ótimos de serem trabalhados em sala de aula.   

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Obama e o novo acordo de imigração para os EUA

Na semana passada, o presidente dos EUA, Barack Obama, lançou um programa que atende aos imigrantes ilegais que vivem nos EUA. 

Segundo o programa, imigrantes ilegais que estejam há mais de cinco anos no país ou que tenham um filho com cidadania americana, podem solicitar um visto de trabalho de três anos nos EUA. A medida também é estendida a setores da chamada mão-de-obra qualificada como ciência, tecnologia, engenharia e matemática. 

A medida deve ter deixado os republicanos Putins da vida (parafraseando o nosso ex-presidente), mas Obama tem motivos de sobra para fazer essa reforma. 

Por anos os imigrantes ilegais foram relegados a status de cidadão de segunda classe (se é que chegam a segunda classe), embora sejam essenciais para a economia norte-americana. Afinal de contas boa parte do PIB americano provém do trabalho (exploração) desses imigrantes ilegais. 

Legalizando esses imigrantes, o Governo passa a arrecadar um montante considerável de impostos que antes não arrecadava pela ilegalidade desses trabalhadores. Além disso, o presidente favorece a competitividade entre as empresas, já que com o imigrante legalizado, (em teoria) a empresa não irá superexplorar seu trabalhado, pagando a ele assim melhores salários (volto a dizer, em teoria). 

Embora essa reforma tenha tudo para oxigenar o caixa norte-americano, a bancada republicana não parece nem um pouco feliz com esta atitude de Obama, visto que as reformas não passaram pelo Congresso Nacional e sim foram diretamente aprovadas pelo presidente. Claro que o descontentamento dos republicanos não se limita a isso. A raiz desse descontentamento está numa visão que enquadra o imigrante ilegal como um ser (nem se quer um cidadão) cuja função é a de se prestar a funções que os "norte-americanos legítimos" não julgam serem de seus níveis, como lavar banheiros, arrumar quartos, servir em restaurantes, determinadas funções da construção civil, etc. (a lista é imensa). 

Claro que também há o motivo de cunho eleitoral. O partido de Obama ganha simpatia dos imigrantes e sua popularidade subirá mais rápido de fogos de artifício em Copacabana no dia 31 do mês que vem. Demagógico? Talvez. Fato é que em anos não se viu uma medida que atendesse aos imigrantes ilegais como essa. Isso é se em algum dia se viram medidas assim...  

Resta saber agora as consequências políticas dessa reforma no jogo de poder entre republicanos e democratas, pois, acho muito difícil que os republicanos deixem por isso mesmo.

Nesse caso, na minha opinião, ponto para o Obama... 

Com informações da Carta Capital.  

A redução da desigualdade brasileira.

Segundos dados levantados pelo PNUD nosso país reduziu a desigualdade sensivelmente na última década. Para se ter uma ideia, a diferença entre a melhor cidade colocada e a pior cidade colocada foi reduzida pela metade ao longo da última década. 

Indicadores como a economia, a expectativa de vida e a escolaridade também melhoraram sensivelmente. Contudo, as disparidades ainda persistem, não só entre as regiões brasileiras, mas dentro das regiões brasileiras também. 

Ainda segundo o relatório, o país parece estar no caminho certo para a redução da desigualdade, mas muito ainda precisa ser feito. O relatório também aponta que políticas públicas multiescalares devem ser aplicadas afim de ser combater a desigualdade social. Tais políticas não devem ser pautadas somente no aspecto econômico, como os programas de transferência de renda (bolsa família, por exemplo.); mas também em outros aspectos como educação e saúde de qualidade que permitam a população em geral se desenvolver sem maiores obstáculos. 

Dentre os 3 aspectos citados (educação, saúde e economia), o que mais avançou segundo os dados foi a educação. Isso pode ser conferido através dos últimos resultados do IDEB brasileiro, embora ainda há muito o que melhorar nesse quesito. Soma-se a esses esforços programas criados pelo governo brasileiro como o PRONATEC. 

Apesar dos dados animadores e "estarmos no caminho certo" como aponta o relatório. É óbvio que ainda há muito a ser feito para que a desigualdade seja cada vez mais reduzida e (utopia) extinta. Contudo, traz certo alento saber que aos poucos ela vem sendo diminuída e da maneira certa... 


Os dados e demais informações podem ser conferidos clicando neste Link.   

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

China e EUA assinam acordo "histórico" pelo meio ambiente.

Parece mentira, mas não é. Foi anunciado ontem um acordo entre China e EUA para a redução das emissões de CO2 entre as duas nações. 

Os dois países mais poluidores do planeta selaram o acordo que vinha sendo conversado desde a última cúpula do clima em 2009 (aliás, a tábua de salvação dessa cúpula foi esse acordo) e que deve ser assinado no ano que vem, em Paris. Ambos prometem reduzir entre 20% a 30% de suas emissões até 2025, para os EUA, e 2028, para a China. 

O acordo foi celebrado pela comunidade científica que o considera um importante passo para frear o aquecimento global e impedir que suas consequências cheguem a níveis catastróficos e irreversíveis (como o derretimento das calotas polares, aumento do nível dos oceanos, desaparecimento de cidades litorâneas, perda de biodiversidade, etc...). Embora alguns defendam que os números foram bem tímidos, para países que juntos emitem 40% do CO2 lançado na atmosfera do planeta, o acordo deve ser sim  muito comemorado. 

Pelos dois lados o foco deve ser a implementação de energias renováveis. Principalmente pelo lado chinês, cuja base energética está saindo do carvão mineral e caminhando para as hidrelétricas com a construção da hidrelétrica de três gargantas que, quando pronta, será a maior hidrelétrica do mundo. 

Porém uma resistência maior aponta para o lado norte-americano. Apesar de ter firmado um acordo de 10 anos, Obama só tem mais dois te mandato e a oposição, maioria no congresso e no senado, já demonstrou ser cética quanto ao aquecimento global. Para eles essas medidas vão comprometer a geração de empregos nos EUA (sim... Nobre leitor, você já ouviu algo muito parecido em 97, durante a recusa deste mesmo país em assinar o Protocolo de Kyoto...), além de ser uma passada de bastão (na interpretação deles, bastão = problema) para o próximo presidente que deverá cumprir este acordo. Não a toa, as contribuições de Obama para o meio ambiente vieram de decretos presidenciais sem muita cooperação dos congressistas.  

Se é insuficiente ou não, o que importa é que um importante passo foi dado pelos dois países, que resolveram parar de trocar acusações e agora cooperam para melhorar o clima no planeta. O mundo agradece e espera que ambos cumpram com o acordo. Mas é bom lembrar que apesar dos dois países serem os maiores poluidores do planeta, eles não poluem sozinhos. Todos devem fazer a sua parte e tomar medidas que combatam o aquecimento global e reduzam o agravamento do efeito estufa, antes que seja tarde demais para o planeta. 

Com informações da Carta Capital

25 anos do Muro de Berlim


Antes de iniciar a postagem de hoje, queria me desculpar pela demora nas publicações. Tive problemas ao trocar de provedor e isso me deixou sem conexão durante uma semana, mas agora voltamos a nossa programação normal... 

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No último domingo comemorou-se os 25 anos da derrubada de um dos símbolos mais marcantes da Guerra-Fria e, segundo alguns autores, o primeiro sinal de quebra da URSS; a queda do muro de Berlim. 

O muro implementando durante a Guerra-Fria e diante da política da cortina de ferro, em uma Alemanha já dividida em Alemanha em Oriental e Ocidental durante anos. Sendo a mesma reunificada apenas em 1990. 

Fonte: pessoas.hsw.uol.com.br

O muro construído na década de 60, separou famílias, amigos e amores que foram impedidos durante anos de se verem, pois atravessar de um lado para o outro do muro era proibido. 

A construção do muro foi uma tentativa de impedir a passagem do lado soviético para o lado capitalista, haja visto que este último era bem mais desenvolvido. A política da cortina de ferro ganhava assim mais um capítulo. 

A derrubada do muro se deu em 1989 e foi um marco durante a guerra fria. Milhares de alemães, dos dois lados do muro, se dirigiram ao mesmo com marretas, picaretas e quaisquer objetos que pudessem abater aquele símbolo de um mundo bipolar que estava dando sinais de que iria ruir... O que não demorou muito a acontecer depois disso, é bom que se diga... 

A data foi lembrada e comemorada na Alemanha e balões representaram a divisão do muro de Berlim, já que o original foi posto a baixo e apenas partes dele ainda permanecem lá, e outras estão ao redor do mundo. 

Para os mais jovens fica o exercício da reflexão de como deveria ser difícil viver em um país dividido, tendo sua família e seus amigos divididos forçadamente. Já para os mais antigos é um exercício de memória daqueles tempos difíceis, mas que finalmente encontraram seu fim e que hoje e sempre merecem sim ter seu fim comemorado. 

Abaixo um vídeo de um doodle do Google sobre os 25 anos da derrubada do muro.   




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Depois do IRA e do ETA, agora é a vez da FLNC se desmilitarizar.

Desde o século passado acompanhamos grupos étnicos que lutam pela independência de territórios onde habitam dos países aos quais eles pertencem. Casos para isso é o que não faltam. 

Seja o povo basco na Espanha que luta pela independência da Catalunha, o IRA que buscou a libertação do império britânico, A Frente de Libertação Nacional de Córsega (FLNC) que busca a autonomia da ilha frente a França; todos os grupos buscam a autonomia de suas etnias. Além dessas casos podemos citar os curdos na Turquia com a intenção de criar o curdistão e etc. 

Fato é que esses grupos modificaram os tipos de conflitos durante a virada do século. Se antes os países entravam em conflitos, agora temos países com conflitos internos; ou seja, se antes a guerra era entre países ou grupo de países, agora ela ocorre entre grupos e os governos dentro do mesmo país. 

Apesar de, entre os grupos citados, a FLNC ser o menos conhecido, os mesmos apresentam uma mesma característica: sua desmilitarização.

Claro que cada situação difere da outra. Enquanto tanto IRA quanto ETA chegaram a esse ponto pois conseguiram avanços em relação ao que desejam em negociações travadas com seus respectivos países, a FLNC parece ter chegado a esta medida por um outro viés. 

Ao que parece as reivindicações do grupo perderam espaço quando um grupo moderado, e contrário a violência, se tornou maioria nos cargos políticos da ilha. Soma-se a isso também uma aproximação maior com a França que, por sua vez, não parece nem um pouco disposta a negociar autonomia para a ilha. 

A "cereja do bolo" fica por conta do surgimento de grupos mafiosos que estão aos poucos tomando conta da ilha. Esses grupos se aproveitam do fato de o governo francês perseguir apenas os nacionalistas da ilha, deixando-os assim livremente para atuarem. Antes esse grupos eram coagidos pela luta armada da FLNC, mas com a desmilitarização do grupo a ilha de Córsega não parece distante de um futuro nas mãos desses grupos. Futuro esse que não aparenta em nada ter um aspecto estável; o que talvez possa se desenhar como um fator para que até a própria FLNC volte às armas, nem que dessa vez seja para defender a ilha desses grupos ao invés de buscar sua autonomia perante a França. 


Com informações do Le Monde Diplomatique.  

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Cinema, Pipoca e Geografia! - 12 Anos de Escravidão

Fonte: tudocapasbr.blogspot.com. 

A indicação de hoje é uma história, baseada em fatos reais, apresenta Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), um escravo liberto que é sequestrado em 1841 e forçado por um proprietário de escravos (Michael Fassbender) a trabalhar em uma plantação na região de Louisiana, nos Estados Unidos. Ele é resgatado apenas doze anos mais tarde, por um advogado (Brad Pitt). Trata-se do filme "12 anos de escravidão". 

Em termos didáticos o filme é ótimo para trabalhar as questões antigas e atuais sobre trabalho escravo. Principalmente no campo brasileiro onde são inúmeros os casos de trabalhadores que vivem em condições análogas a escravidão (o que não anula a possibilidade de trabalhar essa temática nas cidades, onde também ocorre esse tipo trabalho). 

O filme também levanta a importante questão do preconceito que existe até hoje contra a etnia negra, não só o nosso país, mas no mundo como um todo e que em parte é explicado pela escravização da etnia negra que mesmo depois de "liberta" ainda sofre com a manutenção do preconceito que atravessa gerações e mais gerações em toda a sociedade. 

Como o filme tem cenas fortes, fica a recomendação pessoal para que o mesmo seja preferencialmente aplicado aos alunos do Ensino Médio com a proposta de que os mesmos façam uma comparação sobre o caso retratado no filme com os casos de trabalho escravos que vemos hoje em dia. Seja em âmbito nacional ou internacional. 

Em si o filme é emocionante, daqueles que te prendem o início ao fim. Não a toa foi premiado diversas vezes. 

Também vale a pena salientar que o filme foi inspirado num livro de mesmo título que também vale a pena ser lido. 

Enfim, fica uma ótima sugestão a ser trabalhada com os alunos que vale (e muito!) a pena conferir. 

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Cinema, Pipoca e Geografia! - Getúlio

Fonte: Adoro Cinema.com



Apesar de já ter passado no cinema há um tempo, e até mesmo na TV aberta, a indicação de hoje trata-se de um dos presidentes que mais tempo ficou no poder no Brasil, Getúlio Vargas. 

Para alguns o "pai dos pobres" e para outros um ditador. Fato é que entre amor e ódio Getúlio foi um dos personagens mais marcantes de nossa História e o filme retrata o seus últimos dias de vida, quando ele "deixou a vida para entrar para história". 

Um filme muito bem feito que abarca o segundo mandato de Getúlio que à época já sofria pressão pela sua renúncia. Alguns até defendem que o suicídio dele "adiou" o golpe militar de 64. 

Controvérsias à parte, fato que é direitos trabalhistas foram conquistados no governo de Getúlio, bem como o empurrãozinho para o nosso processo de industrialização com a construção da CSN, hoje privatizada. (alguns autores defendem que foi Getúlio quem iniciou o processo de industrialização brasileira por conta da instalação das indústrias de base no Brasil, com a CSN, mas muitos se esquecem do Barão de Mauá e de suas investidas para uma diversificação de investimentos em um Brasil que, à época, era quase exclusivamente cafeeiro). Outros já defendem que ele foi um ditador pelo tempo que ficou no governo, de 30 a 45. 

Enfim, opiniões a parte, vale a pena conferir este bom filme brasileiro sobre um dos mais importantes presidentes do nosso país. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

As manifestações de Hong Kong.

Milhares de jovens foram às ruas de Hong Kong para protestar e pedir eleições livres para 2017 na ex-colônia britânica que está com a China desde 1997. 

Sob a égide de "um país, dois sistemas" Hong sempre teve certa liberdade em relação ao resto da China. A circulação de informações não é restrita como é para o resto da China, sua população possui direito a voto e Hong Kong é uma ZEE (Zona Econômica Especial) onde práticas capitalistas são realizadas, alguns preferem chamar de socialismo de mercado inclusive. 

Os manifestantes reivindicam a não interferência do governo chinês nas eleições de 2017, onde os candidatos teriam que ser aprovados pelo PCCh (partido comunista chinês) para poder concorrerem... 

Por sua vez o presidente chinês não parece nem um pouco disposto a ouvir a reivindicação dos estudantes. É conhecida a fama do presidente de ter pulso de ferro. O mesmo inclusive já chegou a declarar que a URSS chegou ao fim justamente pela falta de pulso de seus líderes... 

Em relação aos protestos a decisão do governo chinês parece ser a de vencer os protestantes pelo cansaço... Embates e o uso de gás lacrimogênio contra os protestantes parecem ser a esperança do governo para recuar o ímpeto dos estudantes. Ainda mais quando Hong Kong só tem 500 celas e, como o protesto foi considerado ilegal, prender todos os manifestantes não aparenta ser uma boa ideia. 

Além disso deve se considerar o fato de que, no pensamento do governo, se a manifestação tomar vulto, a mesma pode contaminar não só a  população de Hong Kong a ir às ruas protestar, como também do resto da China a fazer o mesmo. Embora devemos considerar que as informações que chegam ao restante da China são controladas pelo governo e podem ser facilmente extinguidas. 

Fato é que o clima tenso visto em Hong Kong - que não se via desde 1997 - deu um "toque a mais" na comemoração dos 65 anos da "Revolução Chinesa" no dia 1 de outubro. O governo chinês tenta reprimir o protesto e extingui-lo o quanto antes, chegando até mesmo a acusar os líderes do movimento de terem ligações com países estrangeiros, principalmente com os EUA... (se essa ligação existe ou não, não se sabe; contudo, parece óbvio que as ideias vieram "de fora"...). 

Depois de quase uma semana de protestos, os manifestantes começam a diminuir e as ruas de Hong Kong por eles tomadas começam a voltar a sua "programação normal" tudo porque o governo acenou com a possibilidade de um diálogo. Mas bastou os estudantes recuarem que o governo chinês já cortou as conversas alegando que as mesmas sejam improváveis de serem construtivas... 

Certamente isso criará uma reação por parte dos manifestantes de Hong Kong. Resta-nos esperar para saber qual será, mas provavelmente os manifestantes voltem as ruas para reivindicar as eleições livres que tanto desejam... 



Com informações do último segundo (IG) e G1.com.br 

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Brasil, EUA e o acordo sobre o algodão.

Esta semana saiu um acordo entre os governos brasileiro e norte-americano acerca das exportações de algodão feitas do Brasil para a terra do tio Sam.

O acordo encerra um "mal-estar" entre os dois países por conta de uma conhecida prática norte-americana: a de subsidiar seus produtores. 

O governo norte-americano é conhecido por subsidiar a produção agrícola, fato este que incomoda e muito os demais países e, aliás, foi um dos motivos pelos quais a ALCA não foi pra frente. 

O subsídio trata-se de uma "ajuda de custo" que o governo oferece aos seus produtores, visando baratear seus produtos e assim tornar a competição com os produtos estrangeiros desleal. Para exemplificar, suponhamos que o algodão seja vendido a 1,25. O governo pagaria uma parte da produção desse algodão a seus produtores e assim o preço do mesmo poderia cair sensivelmente, dependendo, é claro, da porcentagem da produção subsidiada pelo governo. Soma-se a isso o fato das taxas que os produtores estrangeiros pagam para que seus produtos cheguem até o mercado norte-americano, o que pode elevar o preço do produto estrangeiro. 

Como tais práticas podem ser consideradas, dependendo do caso, ilegais, o governo brasileiro, em 2002, entrou com uma representação na Organização Mundial do Comércio contra os EUA por essa prática de subsidiar a produção de algodão. A OMC concluiu que a reclamação procedia e autorizou o nosso país a retaliar o Tio Sam em quase 830 milhões de dólares por ano. Essa retaliação poderia ser feita através da elevação de taxas de produtos importados por nós dos EUA. 

Para evitar essa retaliação os EUA logo tentaram fazer um acordo com o Brasil, onde seria paga uma compensação de 300 milhões de reais aos produtores de algodão do Brasil em parcelas; o acordo também contemplou a criação do Instituto Brasileiro do Algodão que ficaria responsável por gerir os recursos e incentivar a produção algodoeira em nosso país. 

Contudo, mais um entrave se formaria pois no ano passado os EUA deixaram de pagar o acordo. Porém, novamente os dois países sentaram e selaram um novo acordo que não só evita a possibilidade de retaliação por parte dos brasileiros, como traça novas regras para que o Instituto Brasileiros do Algodão possa gerar o recurso. 

Ao que tudo indica, este acordo pode ser a pedra no mal-estar entre o Tio Sam e o Brasil. Contudo, é bom que se diga que não foi o primeiro e acredito que não será o último. Essa questão do subsídio da produção agrícola norte-americana já causou outros impasses, onde podemos citar os ocasionados em relação a laranja e a soja. Já virou até questão de impedimento, entre outros fatores, da criação do bloco econômico da ALCA, visto que os EUA não abriam mão de subsidiar suas produções agrícolas; o que vai contra os preceitos que um bloco deveria ter para se considerado como tal, visto que os passos iniciais são a união aduaneira e a livre circulação de mercadorias entre os países do bloco. 

No mais, resta esperar se esse novo acordo será cumprido em sua totalidade ou se os EUA farão uma nova suspensão do pagamento das parcelas acertadas com o governo brasileiro... Acredito que não pois entre perder 800 e 300 milhões de dólares, a segunda opção se torna bem mais interessante... 

Com informações da Folha de São Paulo


quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Nascente do Rio São Francisco seca em MG

Nesta semana foi noticiada a seca de uma das principais nascentes do Rio São Francisco, o principal rio da Região Nordeste. 

Apesar de ser o principal rio do Nordeste, sua nascente é no Sudeste do país, mais precisamente em Minas Gerais. A seca da nascente pode estar associada a fatores como a estiagem prolongada na área, a grande utilização de água para combater os incêndios florestais (a nascente fica - ou ficava - na serra da Canastra, num Parque Estadual), além, é claro das queimadas no local. 

Mesmo o rio sendo alimentado por diversos outros rios menores, afluentes e nascentes, funcionários do Parque relatam que afluentes do São Francisco também secaram. A notícia é altamente preocupante, pois a seca da nascente pode comprometer seriamente a região Nordeste no tocante ao abastecimento de água e energia. 

Isso já pode ser comprovado pela queda do nível da primeira barragem do São Francisco que já diminuiu em 6%. A situação pode se tornar ainda pior se mais afluentes secarem; o que pode causar racionamentos de água e energia ou até mesmo um corte no fornecimento pela falta de água no rio. Soma-se a isso possíveis prejuízos a agricultura local e a população ribeirinha que depende da água do "velho Chico" para o seu sustento e o de suas plantações. 

Como a situação é inédita, as medidas mais imediatas para tentar contornar a situação (se é que este é o caso) ainda estão sendo estudadas. O que se sabe é que o comitê de gestão da Bacia Hidrográfica do São Francisco realizará uma reunião pública para tentar encontrar alternativas para o problema. 

A "temporada de chuvas" aqui no país tem seu início no próximo mês. Se ela se confirmar, talvez possamos ter um pingo de esperança de que as águas do "velho Chico" possam voltar a correr sem os prejuízos da falta de afluentes e nascentes a ele pertencentes. 

Com informações do Planeta Sustentável

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Escócia: entre o "sim" e o "não" de sua independência.

Hoje será votado um referendo na Escócia para saber se o país se torna independente ou não do Reino Unido. Diante disso uma campanha foi feita pelos defensores de ambos os lados para que a população escolha hoje a decisão para o seu país. 

Claro que, caso ocorra, essa independência pode gerar uma série de mudanças que vão desde a alteração da bandeira do Reino Unido até a entrada do novo país na União Europeia, isso concomitantemente atravessando questões políticas e econômicas do novo país. 

No caso do sim, várias mudanças poderiam ocorrer, dentre elas podemos citar a mudança na bandeira do Reino Unido. Essa mudança ocorreria pois a bandeira do referido país nada mais é do que a sobreposição das bandeiras dos países que a compõem. Sendo assim a bandeira teria que sofrer uma alteração. Já a bandeira escocesa poderia ou não ser reformulada. 

Quanto a Rainha, segundo as diretrizes dos partidários da independência, ela continuará sendo chefe de Estado do país (assim como é da Austrália e do Canadá, por exemplo). O que significa que ela é apenas uma figura representativa da nação, já que a Escócia, neste caso, passará a ter seu próprio parlamento e não seria mais limitado pelo britânico.

Já a moeda é outro ponto de mudança visto que alguns caminhos podem se desenhar: a Escócia pode continuar a usar a Libra, mas nesse caso o governo inglês já mandou avisar que não vai considerar as necessidades escocesas na sua política monetária; outra via seria a criação de uma moeda própria escocesa, mas o problema é o tempo que isso levaria, principalmente envolvendo a criação de um banco central. E, por último, sobraria a adoção ao Euro, mas isso só seria possível depois da Escócia ser admitida na União Europeia já que quem faz parte do grupo é o Reino Unido e se a Escócia deixa de fazer parte do Reino Unido, automaticamente deixa de fazer parte da União Europeia. 

Falando no bloco, a Escócia também teria que pedir seu ingresso na União Europeia, o que teria que ser aceito por todos os 28 membros do bloco. E é exatamente aí que reside o obstáculo para a entrada da Escócia, caso isso aconteça. Primeiro por causa do próprio Reino Unido que pode votar contra e segundo porque países com questões separatistas dentro do bloco, também podem votar contra pois podem ver esta separação da Escócia como uma forma de incentivo aos grupos separatistas dentro de seus territórios. 

Ainda no campo da política, o assunto fica mais complexo quando falamos das fronteiras entre o Reino Unido e Escócia. Ambos têm políticas que divergem entre si no aspecto imigração. Enquanto o Reino Unido adotou uma política de controle mais rigoroso da chegada de imigrantes, a Escócia converge para uma abertura mais ampla. Isso pode ser um fator decisivo para a fronteira entre os dois países que pode sim ter um controle maior pela parte inglesa; principalmente se a Escócia entrar na UE e assinar o acordo de livre circulação de pessoas. 

Outra questão no que concerne a economia diz respeito exatamente a essa base econômica escocesa que, ao que tudo indica, será pautada no petróleo explorado ao norte do país. O problema disso é que o possível país independente terá sua economia pautada num recurso finito e, se não diversificar rapidamente sua economia, pode enfrentar sérios problemas futuramente. (não estamos abordando isso aqui, mas o mesmo vale pra Venezuela). 

Saindo do campo econômico, entramos agora no campo militar. O novo país precisaria de forças armadas novinhas em folha que teriam que ser montadas "desde o zero"; já que atualmente a Escócia conta com as forças armadas do Reino Unido. Um processo que também demandaria tempo e, apesar de não ter nenhum inimigo ou conflito declarado, poderia deixar o país seriamente vulnerável durante esse tempo. 

Cabe lembrar, nobre leitor, que todas essas questões levantadas estão apenas no campo da suposição, pois tudo depende do resultado do referendo de separação da Escócia do Reino Unido. Até lá só resta esperar e saber se tudo continuará como antes ou se transformações na terra da Rainha irão acontecer... 

Até porque, pelo lado do "não", alguns pontos pesam. Desde a declaração inglesa de que a independência será um divórcio, o que deixa implícito que haverá um rompimento nas relações políticas entre os países, passando pela promessa inglesa de mais poder de decisão no parlamento do Reino Unido para os escoceses, embora não se tenha deixado claro que poderes seriam esses; e indo até ao ceticismo de parte da população escocesa de que o país consiga se "virar sozinho", sem a ajuda do Reino Unido.  

Update: com a vitória do "não" a Escócia permanece fazendo parte do Reino Unido. Claro que isso custou uma certa afrouxada de rédias por parte do parlamento londrino sobre a Escócia... 

Com informações de G1.com, Revista Fórum, EBC, REUTERS e R7.com

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

TIM pode ser fatiada entre as 3 outras grandes do mercado de telefonia

Entre os meses de Agosto e o presente, a OI anunciou um plano de aquisição da TIM onde a Telefônica (VIVO) e a Claro poderiam entrar na jogada e dividir a operadora de telefonia de origem italiana. 

Se concretizado o negócio, teremos uma concentração ainda maior da telefonia móvel brasileira, o que pode significar um retrocesso ainda maior neste setor. 

Os serviços prestados pelas operadoras já são de qualidade duvidosa; com uma concentração maior ainda a qualidade, que já não é das melhores, pode decair mais ainda. 

O estímulo a competição, evitando assim o monopólio de uma empresa ou até mesmo um oligopólio, é fundamental para a evolução da tecnologia utilizada pelas operadores, assim como a busca por preços mais competitivos no mercado ou a criação de planos que atraiam o cliente. 

Trocando em miúdos, se uma empresa ou um pequeno grupo de empresas comanda sozinha determinada área do mercado, a tendência é que ela se acomode e, por conseguinte, deixe de investir em melhorias tecnológicas e aperfeiçoamento; o que, por fim, fará com que a mesma "pare no tempo" e assim comece se tornar sucateada, obsoleta (cabe aqui uma observação. Logicamente que este cenário pode ocorrer ou não. Mas, na maior parte das vezes é como ele se desenha. Podemos ver isso nitidamente hoje em determinados setores de transporte aqui no Brasil, onde, mesmo tendo sido passado ao poder privado, o fato de não haver concorrência levou a empresa a oferecer um serviço de péssima qualidade à população que padece em determinadas áreas do transporte de massa). 

Concentrando (ainda mais) a telefonia na mão de três operadoras, corremos este mesmo risco. Já que a competição se torna menor e, assim, quase não havendo concorrentes, não há interesse em se investir em pesquisas visando a melhoria da comunicação (fator importante não só para a população em geral, como também se faz de extrema importância para qualquer país; já que uma comunicação mais rápida e eficiente te permite fechar negócios mais rapidamente e, consequentemente, um maior número deles) o que leva a queda na qualidade dos serviços prestados e também a preços nada competitivos já que, com a competição reduzida, não há uma necessidade tão urgente assim em manter os preços em competitividade de mercado.

Ao que tudo indica o negócio ainda não se concretizou, parece que há apenas um interesse. Contudo, se o mesmo se concretizar, não tenha dúvida de que será um "tiro no pé" do nosso país. 


Com informações do Estadão



Update (o texto foi escrito na terça feira): Parece que o negócio não foi confirmado

Ainda bem...  

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Ebola: uma possível epidemia global


















Fonte: UOL.


Todos temos acompanhado pelos noticiários o surto de Ebola que anda assolando a África e que pode se tornar uma epidemia global se não for erradicada logo. 

A doença reside, como acreditam os cientistas, no morcego da fruta e, apesar de não fazer mal a ele, atinge facilmente primatas e pode chegar aos seres humanos através do contato com as frutas utilizadas como alimento pelo morcego, podendo ser transmitida entre os humanos através do contato com as mucosas.

Dois fatores são preocupantes diante desta epidemia que já avança para a casa das milhares de vítimas: 

O primeiro deles é o fato da doença ainda não ter cura, embora os EUA já tenham uma vacina em caráter experimental que mostrou resultados tanto positivos quanto negativos; já que não fez o efeito desejado em todos os pacientes nos quais foi testada. 

O segundo deles é o mais preocupante e, talvez o fator que mais contribua para que essa epidemia se espalhe e ultrapasse as barreiras do continente: a gritante falta de estrutura dos países afetados. Nos países que apresentam pessoas infectadas, a maioria da população vive precariamente incluída na sociedade (o leitor me permitirá um breve comentário acerca do termo que acabei de usar. Apesar do "apelo geral" ser pelo termo "socialmente excluído", penso que quem é socialmente excluído de uma sociedade, está morto. Para mim, o termo correto é precariamente incluído na sociedade; o que significa que, apesar de estar na sociedade, o seu acesso a itens básicos como saúde, educação e alimentação se dá de forma precária. Fecho aqui o meu parêntese), soma-se a isso uma infraestrutura tão precária quanto o acesso a da população a mesma. O resultado disso é que uma doença potencialmente perigosa, principalmente no fato de ainda não ter cura, pode tomar sua proporção máxima de perigo exatamente pela tamanha precariedade desses países. 

Fato que pode ser visto na recente fuga de um paciente com Ebola na Libéria. Segundo o apurado o paciente fugiu porque tinha fome e, movido pela necessidade, foi procurar o que comer. O caso revelou ainda outros extremos como a LIBERAÇÃO de pacientes com Ebola porque os hospitais LOTADOS já não estavam mais dando conta do número de infectados com a doença...  

A culpa é deles? Claro que não! Essa péssima infraestrutura, somada a uma população majoritariamente incluída precariamente na sociedade são o mais puro reflexo de um passado não muito distante em que o continente africano foi tratado como uma enorme reserva de recursos para países centrais que não tiveram a menor preocupação em desenvolve-lo. Esses mesmos países centrais que hoje se voltam preocupados para a situação dos países afetados pela doença e procuram ajudar da melhor forma possível; logicamente mais preocupados em conter a doença na África do que em erradicá-la. 

Esta epidemia, somadas as guerras internas que diversos países vivem, a situação de pobreza extrema da maior parte dos países da África são fatores de um processo de colonização que explorou o continente, semeou conflitos entre tribos rivais, esquadrinhou o continente, durante a Conferência de Berlim, como se fosse um bolo de aniversário e não teve um pingo de preocupação em desenvolver minimamente a África, salvo raras exceções que se agarraram as riquezas minerais (ouro e diamantes principalmente). 

Temos então mais um flagrante sinal de que a receita desse desastre que foi a colonização africana estava recheada das piores maldades que um ser humano é capaz de fazer ao outro. O pior disso tudo é que quem mais sofre com tudo isso, não tem uma parcela sequer de culpa... 


Com informações do UOL, G1 e BBC.    





quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Segundo IBGE, população brasileira ultrapassa os 200 milhões de habitantes.

O Brasil tem uma população de 202.768.562 de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os dados são estimativas de população no dia 1º de julho de 2014. Com isso passamos a barreira dos 200 milhões de habitantes, mas algumas coisas ainda se mostram "como antes" como podemos observar olhando atentamente o mapa abaixo. 

Não é de causar estranheza que ainda continuamos maciçamente concentrados no litoral do nosso país, embora o "interior" tenha apresentado crescimento populacional, principalmente nas cidades (o que necessariamente não quer dizer que as pessoas estão tendo mais filhos, visto que o êxodo rural pode ser um fator importante que engrossa o crescimento do número de pessoas nas cidades). Dentre os fatores que justificam uma maior concentração da nossa população ainda no litoral estão:
  • O desenvolvimento das primeiras atividades econômicas brasileiras nesta região (extração de Pau-Brasil, café, cana de açúcar...)
  • A longa presença da capital nacional (primeiro Salvador e sua posterior transferência para o Rio de Janeiro).
  • O consequente desenvolvimento das primeiras metrópoles brasileiras como São Paulo e Rio de Janeiro. 
Fatores esses que concentraram as atividades econômicas no Litoral brasileiro e atraíram e concentraram cada vez mais mão-de-obra. 

Para tentar reverter este quadro foram realizada tentativas de incentivo a ocupação do "interior", pois havia a preocupação (principalmente por parte dos militares) de que habitantes dos países fronteiriços pudessem invadir nosso país e ocupar nossas terras, justamente pela falta da "presença" de brasileiros (muito disso se faz presente em um dos lemas militares, o "integrar" para não "entregar"). Dentre as tentativas dos governos brasileiros para a ocupação do interior do nosso país, podemos citar:

  • A transferência da capital para Brasília.
  • A criação da Zona Franca de Manaus.  
  • Ciclos econômicos da Amazônia. 
  • A aquisição de terras no centro-oeste brasileiro, especialmente por produtores da região Sul do país. 

Mesmo com todas essas tentativas, até hoje, ainda continuamos esmagadoramente concentrados no litoral; o que faz de nós um país muito populoso, mas "pouco" povoado.

Ainda segundo o IBGE todas as cidades apresentaram crescimento populacional, mas chama a atenção o fato de que os municípios de porte médio vem crescendo em maior número, mesmo que ainda haja uma forte concentração nos grandes centros. Isso pode ser explicado, em parte, por uma tendência da população em sair dos grandes centros e buscar cidades menores para fugir de problemas comuns a estas como a violência urbana, congestionamentos, poluição, etc que, mesmo sendo encontrados em cidades menores, se apresentam em escala menor em comparação aos grandes centros urbanos.

Quanto as grandes cidades, o crescimento não foi tão grande. Fator esse que pode ser explicado pelo ritmo lento de crescimento de algumas das principais capitais do País, e principais núcleos metropolitanos, como o caso de Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife e São Paulo. Atualmente, as taxas de crescimento dessas capitais se encontram abaixo da média nacional. 


Já os pequenos municípios brasileiros são aqueles que, em média, apresentam as menores taxas de crescimento populacional entre os anos de 2013 e 2014. O baixo crescimento, ou até decréscimo em muitos casos, pode ser explicado pelo componente migratório, influenciado por seu baixo dinamismo econômico.

Caso o leitor tenha interesse, a análise completa pode ser encontrada clicando aqui.  


Com informações do IBGE.












quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O grupo "Estado Islâmico"

O assunto dessa semana não poderia ser diferente depois que o grupo Estado Islâmico ganhou notoriedade com a covarde execução de um jornalista. Para entendermos a formação do grupo e o que o mesmo deseja devemos voltar um pouco no tempo.

Basicamente, os islâmicos são divididos em duas correntes: os sunitas (uma linha mais "suave" do islamismo) e os xiitas (radicalistas em relação as normas religiosas e defensores de uma política a serviço da fé - teocracia - onde religião e política estão correlacionadas).

O grupo Estado Islâmico teve origem no Iraque, país de maioria xiita, mas que foi durante anos controlado por um sunita (Saddam Hussein) que, para manter sua dominação, reprimiu e perseguiu a população xiita do Iraque (principalmente desde a Revolução Iraniana de 79, onde a população iraniana xiita tomou o poder, instaurando a teocracia no Irã, à época, através da figura do Ayatollah (nome dado ao líder supremo religioso) Khomeini. Saddam, que era sunita num país de maioria xiita, tinha medo que a revolução chegasse ao Iraque e, consequentemente, o retirasse do poder. Fato que levou o então líder do Iraque a reprimir os xiitas, evitando assim que a revolução iraniana ganhasse sua versão iraquiana).

Com a morte de Saddam Hussein e as sucessivas tentativas, não bem sucedidas diga-se de passagem, de se instaurar uma democracia no Iraque, grupos sunitas defensores da Jihad (guerra aos infiéis) viram em um frágil estado (agora liderado por um xiita) a chance de se organizarem para dar início a sua Jihad global. Concomitantemente a isso, a violência entre sunitas, xiitas e outras etnias no Iraque aumentou consideravelmente. Como inicialmente ela partiu dos grupos sunitas, denominou-se esse episódio como despertar Sunita. 

Mas, apesar do grupo ter começado no Iraque, seus domínios foram expandidos para a Síria. Vizinha ao Iraque, a Síria também passa por um processo delicado de transformação, que foi utilizado pelo Estado Islâmico justamente como fator de sua expansão. 

Passando pela "Primavera Árabe" a Síria vivia uma onda de protestos contra seu comandante, Bashar al-Assad, que, por sua vez, justificava que os protestos não eram legítimos pois eram feitos por terroristas; não sendo um desejo real da população síria, mas sim de aproveitadores terroristas... Em parte, ele, infelizmente, estava certo... 

Aproveitando-se desse clima de protestos contra o governo sírio, o grupo Estado islâmico expandiu seus domínios e cruzou a fronteira iraquiana em direção a Síria (em princípio fazendo alianças com grupos radicais sírios, mas, posteriormente, essas alianças serão desfeitas e o Estado Islâmico buscará sua própria via para a Jihad Global; inclusive combatendo até mesmo grupos de pensamento semelhante dentro da Síria, posteriormente) e hoje já domina um território (mapa abaixo) maior do que a Jordânia. 

Como se não fosse pouco, o grupo revindica pra si a liderança em um Jihadismo global atacando até mesmo outros grupos sunitas e a Al-Quaeda para reivindicar este posto. Mesmo que "atacar os seus" pareça coisa de maluco, para o grupo faz sentido. Pois assim a revolução seria feita exclusivamente de acordo com seus interesses, não havendo interferência alguma sobre o grupo. 

Desenha-se assim mais um xadrez geopolítico no Oriente Médio, onde de um lado temos uma tentativa desesperada de uma formação de governo e de outro temos os EUA e seus aliados regionais que tentam manter a região sob controle (pelo menos num controle necessário para que seus interesses na região não sejam ameaçados). 

Fato é que, enquanto esse jogo geopolítico de desenvolve, vidas se perderão e o Oriente Médio pode viver mais um sangrento capítulo em sua história que, pode até ser sufocado pelo extremo poderio militar norte-americano, mas que jamais sepultará a ideia de uma jihad por parte dos extremistas islâmicos. Principalmente se a região continuar sendo acometida pela pobreza, pelo autoritarismo e pela violência. 

O Avanço do Califado - Extraído do jornal O Globo. Original do Washington Post. 


Com informações do Jornal O Globo e da Revista Carta Capital.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

A ainda delicada questão étnica nos EUA

Mais um adolescente negro foi morto nos EUA, o que gerou protestos e enfrentamentos entre a população e policiais nos país, mostrando o quanto ainda é frágil a questão étnica. 

Um país que teve em suas raízes uma sociedade escravocrata, o que em parte contribuiu para a guerra de secessão, parece não ter abandonado-a de vez, principalmente na parte do sul do país (o que pode ser facilmente observado pelas últimas eleições presidenciais para o país). 

Embora hoje em dia, algumas conquistas foram dadas no passo de uma maior integração étnica nos EUA. Num passado não muito distante nem sempre foi assim; negros já foram impedidos de ir a Universidade e até mesmo ir a escola, já tiveram áreas destinadas para eles (com o intuito de não se misturarem com os brancos) como banheiros ou assentos nos ônibus (geralmente nos fundos); isso sem contar as piadas racistas e as agressões gratuitas por parte da etnia branca e de autoridades (nada muito diferente do que se vê aqui, não?). 

Aliás, caro leitor, se lhe interessa buscar mais informações sobre como era esta época, não lhe faltarão filmes sobre, como "Ray", "Ruby Bridges – Uma Menina luta por seus Direitos", "Mississipi em Chamas", "As barreias do amor", "Adivinhe quem vem para jantar", isso só para citar alguns... 

Mesmo que ícones como Malcolm X ou até mesmo Ruby Bridges tenham lutado pelos direitos dos negros e tendo sido marcos não só para os EUA, como para o mundo, assim como um respeitoso e admirável "Madiba", vemos que ainda há não só na terra do tio San, mas no mundo como um todo essa mentalidade atrasada e ridícula que julga o próximo apenas porque ele apresenta melanina em sua pele... 

Ainda me pergunto quantas cenas como a morte deste adolescente nos EUA, a incursão em favelas brasileiras que vitimam inocentes (a maioria negra) e atos de racismo e preconceitos teremos que presenciar até que se tome a consciência de que isso precisa mudar, mas mudar pra valer e não simplesmente fazer uma simples maquiagem sobre o assunto... 

Será mesmo que precisaremos chegar a sugestão abaixo para que isso seja exterminado da Terra?







Pelo andar da carruagem, parece que sim... Mas eu espero que tomemos consciência dessa necessária e urgente mudança e não cheguemos a este ponto...