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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

O grupo "Estado Islâmico"

O assunto dessa semana não poderia ser diferente depois que o grupo Estado Islâmico ganhou notoriedade com a covarde execução de um jornalista. Para entendermos a formação do grupo e o que o mesmo deseja devemos voltar um pouco no tempo.

Basicamente, os islâmicos são divididos em duas correntes: os sunitas (uma linha mais "suave" do islamismo) e os xiitas (radicalistas em relação as normas religiosas e defensores de uma política a serviço da fé - teocracia - onde religião e política estão correlacionadas).

O grupo Estado Islâmico teve origem no Iraque, país de maioria xiita, mas que foi durante anos controlado por um sunita (Saddam Hussein) que, para manter sua dominação, reprimiu e perseguiu a população xiita do Iraque (principalmente desde a Revolução Iraniana de 79, onde a população iraniana xiita tomou o poder, instaurando a teocracia no Irã, à época, através da figura do Ayatollah (nome dado ao líder supremo religioso) Khomeini. Saddam, que era sunita num país de maioria xiita, tinha medo que a revolução chegasse ao Iraque e, consequentemente, o retirasse do poder. Fato que levou o então líder do Iraque a reprimir os xiitas, evitando assim que a revolução iraniana ganhasse sua versão iraquiana).

Com a morte de Saddam Hussein e as sucessivas tentativas, não bem sucedidas diga-se de passagem, de se instaurar uma democracia no Iraque, grupos sunitas defensores da Jihad (guerra aos infiéis) viram em um frágil estado (agora liderado por um xiita) a chance de se organizarem para dar início a sua Jihad global. Concomitantemente a isso, a violência entre sunitas, xiitas e outras etnias no Iraque aumentou consideravelmente. Como inicialmente ela partiu dos grupos sunitas, denominou-se esse episódio como despertar Sunita. 

Mas, apesar do grupo ter começado no Iraque, seus domínios foram expandidos para a Síria. Vizinha ao Iraque, a Síria também passa por um processo delicado de transformação, que foi utilizado pelo Estado Islâmico justamente como fator de sua expansão. 

Passando pela "Primavera Árabe" a Síria vivia uma onda de protestos contra seu comandante, Bashar al-Assad, que, por sua vez, justificava que os protestos não eram legítimos pois eram feitos por terroristas; não sendo um desejo real da população síria, mas sim de aproveitadores terroristas... Em parte, ele, infelizmente, estava certo... 

Aproveitando-se desse clima de protestos contra o governo sírio, o grupo Estado islâmico expandiu seus domínios e cruzou a fronteira iraquiana em direção a Síria (em princípio fazendo alianças com grupos radicais sírios, mas, posteriormente, essas alianças serão desfeitas e o Estado Islâmico buscará sua própria via para a Jihad Global; inclusive combatendo até mesmo grupos de pensamento semelhante dentro da Síria, posteriormente) e hoje já domina um território (mapa abaixo) maior do que a Jordânia. 

Como se não fosse pouco, o grupo revindica pra si a liderança em um Jihadismo global atacando até mesmo outros grupos sunitas e a Al-Quaeda para reivindicar este posto. Mesmo que "atacar os seus" pareça coisa de maluco, para o grupo faz sentido. Pois assim a revolução seria feita exclusivamente de acordo com seus interesses, não havendo interferência alguma sobre o grupo. 

Desenha-se assim mais um xadrez geopolítico no Oriente Médio, onde de um lado temos uma tentativa desesperada de uma formação de governo e de outro temos os EUA e seus aliados regionais que tentam manter a região sob controle (pelo menos num controle necessário para que seus interesses na região não sejam ameaçados). 

Fato é que, enquanto esse jogo geopolítico de desenvolve, vidas se perderão e o Oriente Médio pode viver mais um sangrento capítulo em sua história que, pode até ser sufocado pelo extremo poderio militar norte-americano, mas que jamais sepultará a ideia de uma jihad por parte dos extremistas islâmicos. Principalmente se a região continuar sendo acometida pela pobreza, pelo autoritarismo e pela violência. 

O Avanço do Califado - Extraído do jornal O Globo. Original do Washington Post. 


Com informações do Jornal O Globo e da Revista Carta Capital.

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