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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Calote à la Grega

Desde a crise americana da bolha especulativa de 2008, que alguns acreditam ser pior que a de 1929, diversos países foram acometidos pelos ecos da mesma, e com a Grécia não foi diferente. 
Talvez um dos países que mais tenha sofrido com a crise, que também tem sua parcela de culpa lá atrás nas olimpíadas de Atenas, a Grécia vive uma crise que parece ter entrado numa espiral sem fim. 
O déficit público só aumenta e a saída foi recorrer ao Banco Mundial e ao FMI para obter empréstimos para tentar se reerguer. Contudo estes empréstimos só virão sob concessões que o governo grego terá de fazer (Já vi esse filme antes... Pra ser mais exato no início dos anos 90 e na América Latina com o neoliberalismo) incluindo redução dos gastos públicos (pode-se ler demissão e redução dos investimentos público em setores essenciais como saúde e educação no meio disso). 
Entretanto alguns apontam que uma solução para a Grécia sair dessa crise é fazer o mesmo que a Argentina fez no início dos anos 2000: decretar a moratória. No caso argentino o calote até que deu certo, mas não bastou somente isso para reerguer o país. 
Atrelado a esta saída estava também a medida de desvincular o câmbio da moeda nacional com o Dólar, causando assim ma desvalorização da moeda permitindo assim o país argentino a se reerguer da crise. 
Contudo em comparação com a situação grega o caso se complica ainda mais. Se copiarem os moldes argentinos além do calote, que em si não resolveria, o governo grego teria que abandonar o euro e voltar a sua moeda antiga, o Dracma. Contudo, ao fazer isso o governo arcaria com prejuízo econômico e político ainda maiores, pois todos os acordo feitos na Grécia são feitos em Euro e até serem todas as correções monetárias ao Dracma a economia grega congelaria por meses, piorando ainda mais a situação do país.
Pelo que parece, a única saída grega para essa situação deve ser mesmo a reestruturação de sua economia via cartilha do FMI e do Banco Mundial que afetarão principalmente a população grega. O governo grego está acuado e parece não ter outra saída, infelizmente.


Assumir uma moratória foi a saída encontrada pela Argentina para recuperar o crescimento em meio à crise de dívida. A situação grega, no entanto, é mais complexa, e o país não tem opções.

“A Grécia pode passar por uma crise bem mais profunda que a Argentina”, diz o economista e ex-diretor do Banco Central Alexandre Schwartsman.

O governo da Grécia conseguiu sobreviver ao Parlamento esta semana, em votação apertada. Com a vitória, aumentam as chances de que o primeiro ministro, George Papandreou, aprove as medidas de austeridade exigidas pelas autoridades europeias.

Pressionado pelo peso de suas dívidas, o país depende dos empréstimos da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). O PIB da Grécia recuou 4,5% em 2010, e deve cair mais 3% este ano.

A situação vivida pela Argentina é muito parecida com o caso grego. Pressionada por um alto endividamento e com sua moeda atrelada ao dólar, o país entrou em recessão no fim da década de 90.

Após assumir a moratória, em dezembro de 2001, amargou uma retração de 11% em sua economia. Contudo, nos anos seguintes, a recuperação foi rápida. Segundo Schwartsman, uma das principais diferenças é que o governo da Grécia mantém uma pior situação fiscal.

“Mesmo em 2001, no auge da recessão, o governo nacional argentino ainda apresentava um modesto superávit primário, da ordem de 0,5% do PIB. Ou seja, no momento em que parou de pagar a dívida o governo ainda tinha acesso a um fluxo de recursos suficiente para pagar suas demais despesas.”

Esse não é o caso da Grécia. Em 2010, o déficit público atingiu 10,4% do PIB, e o FMI exige que a cifra se reduza a 7,5% do PIB este ano.

“Se a Grécia parar de pagar a dívida, teria, em tese, que tomar recursos emprestados para pagar as outras despesas. Quem, porém, irá emprestar a um governo que acaba de anunciar não ter condições de honrar sua dívida?”

O alto déficit fiscal não é a única dificuldade grega. Na Argentina, após o calote das dívidas, o câmbio foi desvalorizado e o comércio exterior reanimou a economia.

“Basicamente o que impulsionou a recuperação foi a desvalorização do câmbio”, explica o argentino Osvaldo Cado, economista da gestora de recursos QFD (Quantitative Financial Developments).

“A recuperação da Argentina arrancou via exportações, através da melhora significativa da rentabilidade dos setores de commodities e derivados, e pequenas e médias empresas”, diz.

Já para Grécia, desvalorizar o câmbio implicaria sair da Zona do Euro e reestabelecer o dracma, sua moeda anterior. Assim, apenas um calote não garantiria o crescimento nos próximos anos.

Schwartsman explica que, se houver a moratória e a moeda comum for mantida, o efeito negativo nos preços e salários minaria a retomada do crescimento.

“Se a Grécia não pagar sua dívida, mas decidir continuar na área do euro, a depreciação da taxa de câmbio continuará ocorrendo pela deflação, com reflexos negativos sobre crescimento”, diz.

Por outro lado, a saída do euro teria outros custos políticos e econômicos. “O que ocorre com os bancos, contratos, estas questões podem paralisar a economia por meses a fio”, explica.

“Uma saída para a Grécia seria que os países centrais, como Alemanha e França, assumam esses problema e comecem a emitir euros para financiar os países endividados, sem juros”, diz Cado. Mesmo assim, o economista diz que a renegociação das dívidas seria necessária, além de um ajuste gradual do gasto público.

“A alternativa a isso seria uma saída desordenada”, diz. Para Cado, sem a ajuda da Europa, a Grécia terá que abandonar o euro, e decretar uma moratória completa da dívida pública e privada. Entretanto, os países centrais da Zona do Euro não dão sinais de que vão assumir o peso da dívida grega.

Também para Schwartsman, a reestruturação da dívida é certa. ”Não se trata de ser a melhor alternativa, simplesmente porque não hã outra”, resume.

“Eu tendo a acreditar que a reestruturação passa também pela saída da área do euro, mas tenho menos convicção a respeito disso do que acerca da reestruturação em si”.

Extráido de cartacapital.com.br 

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