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domingo, 3 de abril de 2011

20 Anos de Mercosul

Neste ano  o Mercado Comum do Sul completa seu vigésimo aniversário. Criado com o intuito de integrar e proteger os países sul-americanos, o que começou como uma grande promessa, parece hoje fadado a estagnação. 
Se em alguns pontos a integração até andou, hoje em dia ela pode se considerar parada. O países integrantes parecem mais disputarem entre si do que se integrarem e com isso, o bloco não desenvolve e muito menos cresce. 
Não foi a toa que levaram uma negativa do Chile que viu muito mais vantagem em continuar fazendo parte da APEC, maior bloco econômico do mundo em termos de PIB, e não aderir também ao Mercosul. 
Se caminhasse dentro de sua proposta original, o Mercosul talvez hoje tivesse uma outra desenvoltura no cenário internacional, mas, como algo parece ter se perdido no meio do caminho, o bloco ganha cada vez menos notoriedade e pode estar começando a ganhar contornos de algo que existe, mas não parece funcionar de verdade. Pelo menos não quando a questão é integrar os países participantes.

Tomaram a rara resolução de ser razoáveis. Resolveram esquecer as diferenças e intensificar as afinidades.' A frase, no poema Os Conjurados, do escritor argentino Jorge Luis Borges, referia-se à formação da Confederação Suíça. Mas poderia ser também aplicada à criação no dia 26 de março de 1991 do Mercado Comum do Sul, ou Mercosul, bloco comercial formado por Brasil , Argentina, Uruguai e Paraguai.
Na primeira década, o otimismo sobre a integração era intenso e - além de uma liberação total do comércio intrazona - planejava-se um Parlamento regional com amplas atribuições eleito pelo voto direto. Até sindicatos dos quatro países avaliavam greves conjuntas. 'Eram tempos nos quais falava-se em projetos como unidades militares combinadas entre os países, moeda e passaportes únicos e embaixadas conjuntas. Mas essas coisas não foram concretizadas', disse ao Estado o analista Rosendo Fraga, diretor do Centro de Estudos Nueva Mayoría.
Mas, depois de 20 anos, as diferenças floresceram e atrasaram a integração.
As exportações totais do Mercosul no período passaram de US$ 46 bilhões (dos quais, intrazona, 9%) em 1999 para US$ 280,4 bilhões em 2010 (intrazona, 15,7%). No entanto, paralelamente ao crescimento comercial, as medidas protecionistas entre os sócios do Mercosul tornaram-se frequentes, gerando momentos críticos nos quais corriam rumores do iminente fim do bloco.
O bloco também favoreceu a transnacionalização de empresas brasileiras e argentinas e o desenvolvimento do agronegócio e de diversos setores industriais em ambos lados da fronteira. Ainda assinou acordos de livre comércio com Israel, além de tratados de preferências fixas com Índia e África do Sul. Além disso, mantém negociações, embora atravancadas, com a União Europeia.
No âmbito democrático, o Mercosul foi crucial em 1999 e 2000 para impedir golpes de Estado no Paraguai.
Pequenos. Enquanto os sócios grandes (Brasil e Argentina) engalfinham-se com frequência em conflitos comerciais, os pequenos (Paraguai e Uruguai) reclamam das barreiras dos vizinhos. 'O entusiasmo com o Mercosul oscilou muito ao longo desses 20 anos', afirmou o cientista político uruguaio Adolfo Garcé, do Instituto de Ciência Política da Faculdade de Ciências Sociais de Montevidéu. 'Os uruguaios passaram do otimismo ao ceticismo. Em meados desta década, muitos queriam passar por cima do Mercosul e fazer um acordo de livre comércio com os EUA. Atualmente, consideram que o Mercosul pode valer a pena pelo Brasil, país com crescimento sustentável. E menos pela Argentina, país marcado pela instabilidade crônica.'
Enquanto no Uruguai o ceticismo vai e vem, no Paraguai tem sido persistente. A opinião pública considera que o bloco não conseguiu ainda a livre circulação total de bens e serviços nem a eliminação de barreiras alfandegárias. Leila Raschid, ex-chanceler do Paraguai (2003-2006) disse que 'na União Europeia, os países mais beneficiados foram os pequenos. Mas, no Mercosul, os menores foram os mais prejudicados'.
Calcanhar de Aquiles. A entrada da Venezuela como sócio pleno do Mercosul é um dos debates que agitam o bloco. Em 2004, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, pediu para fazer parte do grupo. Nos anos seguintes, Argentina, Brasil e Uruguai aprovaram a entrada do país. Mas, sua aprovação final está pendente no Senado do Paraguai, que há dois anos adia a votação.


Extraído de msn.com.br

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