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quinta-feira, 10 de abril de 2014

Formação da "favela da TELERJ" mostra o quão deficitária é a habitação no Rio de Janeiro.

Crédito: Arte/UOL

Em apenas uma semana um antigo prédio da OI foi ocupado por mais de seis mil famílias (como mostra a sequência de fotos acima). 

Mas o que impressiona nesta notícia não é a rapidez com a qual o prédio foi ocupado, mas sim o histórico déficit de moradia do Rio de Janeiro, que aliás não é exclusividade daqui, é bom que se diga. 

Historicamente a cidade carioca cresceu de forma desordenada e a habitação nunca foi suficiente para todos (todos de baixa renda...). Apesar de esforços escassos e ineficientes do governo no passado, com a construção de áreas como a Cidade de Deus, e no presente, com projetos como o "Minha Casa, Minha Vida" e as obras do PAC; ainda estamos muito aquém de solucionar o problema de moradia urbana. 

Isso para não mencionar toda a estrutura que se exige para que se possa habitar um lugar como saneamento básico e o mínimo de infra-estrutura. A "favela da TELERJ" e sua rápida expansão mostra que ainda existe sim uma parcela da população que precisa ser assistida pelo governo para conseguir conquistar sua casa própria. Essa assistência poderia vir através de um financiamento, mesmo que seja a longuíssimo prazo, que permita ao trabalhador pagar o seu teto e ainda sim honrar seus demais compromissos; e não ter que escolher entre pagar a casa e se alimentar, por exemplo. 

Claro que este exemplo não é isolado e isso não acontece só no Rio de Janeiro, mas o mesmo chama a atenção pelo fato da numerosa ocupação realizada e ao discurso uníssono de todos os ocupantes de quererem o mínimo de dignidade para viverem. Neste caso ocupar nada mais é do que uma questão de sobrevivência espelhada no descaso histórico de um governo que se mostra cada vez mais preocupado em maquiar a Zona Sul da cidade do que em resolver os sérios problemas que a cidade apresenta. 

É óbvio que a solução para um problema histórico não se resolve sozinho e nem do dia para a noite, mas é por isso mesmo que se deve buscar parcerias junto as demais esferas governamentais em busca de um programa que permita a essas pessoas financiarem a suas casas com parcelas que não comprometam excessivamente seus já apertados orçamentos. 

Se você mora aqui no estado do Rio, pode até dizer que os apartamentos existem, mas que é o povo que não quer morar neles porque estão afastados dos grandes centros econômicos da cidade. De fato, os apartamentos oferecidos, na grande maioria das vezes, estão localizados na Zona Oeste da cidade que é sim distante dos centros econômicos do Rio de Janeiro. Contudo, a distância não seria empecilho se tivéssemos um transporte público eficiente e de qualidade; o que não é o caso.  Isso sem contar que muitos sabem que o patrão não se interessa se o ônibus quebrou ou ficou preso no engarrafamento ou se o trem quebrou pela enésima vez no mesmo dia. Ele quer é que você chegue na hora, mesmo que para isso você tenha que sair de casa às 05:00 para chegar no seu serviço às 09:00, por exemplo. O que não aconteceria se o transporte fosse de qualidade, mas que você é forçado a fazer, sacrificando assim o seu tempo de sono, seu tempo com a sua família e prejudicando assim a qualidade de vida; isso sem contar nos gastos com o transporte público que mesmo com o suporte do Bilhete Único e da Tarifa Carioca ainda figura entre os mais caros do mundo. 

E aí a questão vira uma bola de neve: você ocupa porque não consegue financiar um lugar pra morar porque o preço é incompatível com a sua realidade; quem deveria te ajudar com isso possui "outras prioridades" e te deixa "ao léu". As opções oferecidas não satisfazem a sua necessidade visto que você pode até sair do problema da moradia, mas vai esbarrar no problema dos transportes que parecem competir para ver qual é o mais problemático. No meio desse contexto tumultuado a alternativa acaba sendo a ocupação de áreas não utilizadas ou abandonadas. 

Ninguém ocupa porque gosta, mas sim por uma questão de necessidade. Necessidade que vem antes deles e parece caminhar para depois deles; principalmente quando atualmente, a prioridade das esferas governamentais parece estar voltada para um certo evento em junho e julho deste ano e, em escala mais local, em 2016... 

Este não foi o primeiro e não será o último caso envolvendo questão habitacional. Até mesmo porque, como disse antes, a questão é histórica e sobretudo complexa, e sua solução não se dará da noite pro dia; mas se tivéssemos um governo interessado em governar para sua população e não para os que virão gastar seus dólares aqui ou para aqueles que moram "de frente pro mar", essa questão poderia encontrar sua solução bem mais rapidamente... 


Com informações do UOL

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