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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quando o tempo indo e vindo do trabalho é maior do que o tempo no trabalho

Apesar do assunto já ser vivido e velho conhecido de muitos aqui, esta semana resolvi abordar a nossa deficiência em transportes públicos por conta de um levantamento recente feito pela FIRJAN com 37 áreas metropolitanas do país. 

O estudo na íntegra pode ser conferido aqui

Não é novidade e nem um caso isolado que muito trabalhadores no Brasil passam mais tempo tentando não chegar atrasado no trabalho do que propriamente trabalhando. Este quadro não é de hoje e na verdade é histórico em nosso país e a conta disso sempre sobra para o trabalhador que chega a perder até 6 horas diárias só para ir e vir do seu trabalho. 

Dentre as opções, de uma lista imensa, que ajudam a explicar esse caos que é o transporte público no país, podemos listar:

  • A falta de investimentos em transporte de massa através dos trilhos. E isso vem desde os tempos do Brasil colônia. Se repararmos nossas linhas de trem, tanto as de carga quanto as de transporte de passageiros, tem um traçado pífio perto da dimensão continental do nosso país. Chama a atenção também que nossa malha ferroviária tem o traçado característico de puro escoamento de produção e não de interligar o país, como deveria ser o real objetivo delas. 
  • Outro ponto foi a opção pelo rodoviarismo. Para um país tão grande como o nosso (volto a bater na mesma tecla) a melhor opção seria investir nas ferrovias, sendo os demais tipos de transporte um complemento à ela. Os transportes ferroviários são mais ágeis e o tempo das viagens seria consideravelmente reduzido se nossa malha ferroviária fosse maior e nosso sistema passasse por uma profunda modernização. 
  • Mudança na mentalidade: pois é. Temos uma mentalidade imediatista; eleitoreira na verdade. Neste país você conta no dedo os governantes que fazem um projeto de longo prazo. Geralmente são projetos de 4 anos ou, quando muito, de 8 anos, que é pra garantir a reeleição. E, nesse contexto, o rodoviarismo cai como uma luva. Se comparado as ferrovias, por exemplo, o transporte rodoviário é mais barato de implementar. Portanto, cabe dentro do prazo de 4-8 anos. Já as ferrovias são mais caras de serem implementadas, o que explica a opção esmagadora dos governantes pelo rodoviarismo e as linhas de trem e metrô serem tão escassas pelo país. O problema é que a manutenção das rodovias é cara frente a manutenção das ferrovias, mas este problema já não será mais de quem fez a implementação do serviço, pois o bastão já estará com outro há muito tempo. 
  • Soma-se a isso um transporte, de maneira geral, ineficiente que volta e meia apresenta uma solução paliativa que é vendida como panaceia e que no fundo poco ou nada resolve. Os BRTs, o bilhete único e os corredores de faixas exclusivas estão aí pra isso. Podemos até usar o Rio de Janeiro como exemplo. Os BRTs massacram passageiros todos os dias e, mesmo que as viagens tenham diminuído de tempo, o conforto dos passageiros passou ao largo disso. Os corredores de faixas exclusivas se mostram nada mais do que um organizador de filas intermináveis de ônibus. Já o bilhete único, trouxe uma mudança significativa no orçamento do trabalhador, mas o mesmo parece estar perto do seu fim como o conhecemos; pelo menos é o que o governador está dando a entender
Não digo que investir somente nos transportes ferroviários resolverá o problema do nosso país, mas é um passo importantíssimo que, aliado a uma reorganização das linhas de ônibus, modernização e investimentos em infraestrutura, integração maior entre os meios de transporte modais que serviriam como complementos ao transporte ferroviário dentre outros, com certeza não fariam com que milhares de trabalhadores, inclusive esse que vos escreve, percam 6 horas por dia em um transporte público.

Mas até conseguirmos isso, uma longa luta precisa ser travada...  

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