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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O 11 de Setembro que quase ninguém lembra: 38 anos do golpe militar de Pinochet no Chile

Ontem há exatos 38 anos o Chile sofria um golpe militar que derrubara Salvador Allende, que cometeu suicídio, e levou ao poder o General Pinochet que manteve a ditadura por 17 anos. 
À época o Chile era governado por Salvador Allende que realizava no Chile a via socialista de governo, mas fora derrubado pelo então General Augusto Pinochet com a ajuda do governo americano que tinha interesses para com o país latino americano. 

O interesse com o Chile nesta época era fazê-lo de laboratório para uma prática econômica que estava começando a engatinhar e, por isso mesmo, os EUA precisavam ver se daria certo para depois difundí-la: o Neoliberalismo.
Com esse intuito o Presidente americano à época: Nixon e seu sucessor Ronald Regan, com a ajuda posterior da "Dama de Ferro" inglesa Margaret Thatcher, arquiteram auxiliaram, "por debaixo dos panos" Pinochet a tomar o poder no Chile. O que se viu por conseguinte foram reformas em todos os setores durante a ditura militar que até hoje ainda tem seus resquícios e são alvo de críticas, como a educação.
Além disso, diversos crimes foram cometidos durante a ditadura de Pinochet, pelos quais o mesmo não chegou a ser julgado dado ao seu falecimento em 2006. O que não apagou da memória dos chilenos, principalmente, o período de horror proporcionado por este ditador. 
Mesmo que poucos se recordem desse episódio nesta data, por conta do ataque as torres gêmeas nos EUA, o mesmo deve sim ser lembrado e jamais esquecido. Pois milhares de vidas se perderam durante esta ditadura, muito mais do que no incidente com o WTC, e os crimes cometidos contra essas vítimas jamais terão sua resposta e o principal acusado e culpado pelos mesmo jamais pagará sua dívida. 

Neste domingo fazem 38 anos que Augusto Pinochet, o genocida general chefe das forças armadas chilenas, liderou um golpe militar que derrubou pela força o presidente Salvador Allende e deu início a uma das etapas mais obscuras na história do Chile, que deixou milhares de mortos e desaparecidos, convertendo a ditadura chilena em uma das mais sangrentas e um ícone mundial do que nunca mais deve-se fazer e permitir. 

A imagem do palácio de La Moneda bombardeado segue sendo sinônimo de horror e tristeza e, por certo, um tema que segue dividindo os chilenos.

Mas este 11 de setembro não será igual. Se, no ano passado, a data foi classificada pelo governo de direita liderado por Sebastián Piñera, como a “mais tranquila em muitos anos”, graças a um forte aparato policial que conteve os manifestantes e à anestesia que ainda dominava a cidadania como efeito do terremoto e do tsunami que devastou grande parte do país, este ano a situação é bem diferente.

As manifestações massivas dos estudantes que obtiveram mais de 80% de apoio da cidadania, condensaram o descontentamento de muita gente com o fato de ter que se endividar para estudar, com a cobrança de juros abusivos nas universidades ou com a má educação. Some-se a isso as promessas não cumpridas da administração de Piñera, letra pequena em alguns projetos de lei apresentados na área da saúde ou da aposentadoria, por exemplo, mas que ocultam truques que só mantem o modelo neoliberal dominante no Chile. 

“O governo de excelência de Piñera não tem nada de excelência, pois tem cometido inúmeros erros e não cumpriu suas promessas. Além disso, reprimiu de maneira exagerada as marchas de protesto, inclusive com a morte de um jovem (Manuel Gutiérrez, de 16 anos, assassinado pela polícia). “Eles exageraram a dose”, disse à Carta maior, Rodrigo Morales, sociólogo e pesquisador da Universidade do Chile.

“Existe uma efervescência social não vista há muito tempo”, reconheceu há alguns dias o general dos carabineiros José Luis Ortega, instituição que vem sendo questionada nos últimos dias. “Será um ano distinto. Há variáveis que não estavam presentes no ano passado e que vão influir diretamente. A morte desse jovem é uma bandeira de luta não somente para Santiago, mas para todo o país”, disse. Toda essa efervescência social que vem se desenvolvendo por quase quatro meses mudará o cenário dos protestos típicos do 11 de setembro.

A prefeitura metropolitana autorizou a tradicional marcha convocada pela Assembleia Nacional de Direitos Humanos para este domingo. O trajeto foi fixado com os organizadores e os carabineiros, sem garantir porém a possibilidade de desordens no trajeto que vai desde o centro de Santiago até o cemitério geral, onde um ato foi marcado. “Temos confiança que a marcha será realizada com respeito e tranquilidade, Em uma semana tão dolorosa para o Chile, na qual todos estamos comovidos pela tragédia aérea de Juan Fernández”, disse a prefeita Cecilia Pérez.

O certo é que desde o sábado foi reforçado o contingente policial em pelo menos 14 pontos conflitivos de Santiago, principalmente junto às populações periféricas. Algumas das numerosas marchas pela educação realizadas em Santiago e região terminaram com violentos enfrentamentos entre jovens com o rosto coberto e carabineiros. Além disso, nestes protestos, incluindo panelaços noturnos, a polícia reprimiu duramente, situação que começou a se repetir desde a noite.

A jornada deste domingo inclui, além da caminhada ao memorial pelas vítimas da ditadura no cemitério geral, a entrega de coroas de flores por mais de dez organizações de Direitos Humanos no monumento erigido em honra ao presidente Salvador Allende na Praça da Constituição, a alguns metros do palácio de La Moneda.

A presidenta da Agrupação de Familiares de Detidos Desaparecidos, Lorena Pizarro, contou à Carta Maior que situações como a morte do jovem Manuel Gutiérrez não serão mais toleradas. “Quando o governo de Piñera proibiu a marcha de 4 de agosto e houve grandes enfrentamentos, na marcha seguinte milhares e milhares de pessoas saíram às ruas. Ali ficou claro que ninguém está mais disposto a aceitar e viver isso no Chile. A violação dos direitos humanos é o pior. Se o povo às vezes adormece, bastou que acontecesse isso para ele reclamar e dizer basta. Não vamos aceitar que isso ocorra de novo”.

Adaptado de correiodobrasil.com.br

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