quinta-feira, 1 de maio de 2014

Brasil passa por redução populacional em grande parte dos seus municípios.

Recentemente foi publicado um estudo apontando para a redução da população na maior parte dos municípios brasileiros, apesar de alguns terem apresentado aumento (Você pode observar o mapeamento desse estudo clicando aqui).  O estudo reforça uma posição do nosso país que já vem se desenhando há mais de 20 anos: a redução populacional em nosso país. 

Esta redução é acompanhada de diversos fatores que ajudam a explicá-la e que vieram a reboque do processo de urbanização em nosso país, mais proeminente do século passado para cá. Entre esses motivos podemos destacar:

  1. O maior acesso não só aos métodos contraceptivos, mas também as informações de como se evitar a gravidez indesejada.
  2. A entrada da mulher no mercado de trabalho. Muitas mulheres procuram se consolidar primeiro no emprego e depois pensam em ter filhos. Algumas já consideram até mesmo a possibilidade de nem tê-los. 
  3. O alto custo de criação do indivíduo. Hoje em dia, criar uma criança sai por um custo alto, o que inibe as pessoas a terem vários filhos ou até mesmo a terem filhos.
  4. Outro fator que contribui diz respeito aos casamentos tardios. Homens e mulheres buscam a estabilização financeira primeiro para depois pensarem em casamentos e filhos; este fato leva-os a se casarem bem mais tarde, se compararmos aos tempos dos nossos avós, por exemplo. 

Assim, a nossa população entra em um período de crescimento vegetativo lento, onde as taxas de natalidade e mortalidade são baixas. Em termos de estudos demográficos, podemos assim caminhar de uma população predominantemente de jovens para uma população, em algumas décadas, predominantemente adulta. 

Se chegarmos a este patamar poderemos encontrar pontos negativos e positivos acerca de uma população predominantemente adulta. Como pontos positivos podemos citar uma enorme PEA (População Economicamente Ativa) que, se estiver empregada, gera uma grande contribuição de impostos ao governo, além de servir também como um grande mercado consumidor. Já o ponto negativo, se dá se essa população não estiver empregada, já que isso pode gerar desemprego, aumento da economia informal além de queda na arrecadação de impostos. 

Outro fato que também chama a atenção nesse estudo é que as migrações internas ainda estão fortemente presentes em nosso país, principalmente na migração de pequenas e médias cidades para as grandes cidades; movimento migratório esse conhecido como urbano-urbano. 

Neste tipo de movimento pessoas migram de pequenas e médias cidades, pois as mesmas apresentam estruturas precárias ou uma economia que não é capaz de abarcar todos os seus moradores e assim os mesmos são levados a migrar para outras cidades, geralmente maiores, em busca de melhores condições de vida. 

Isso leva a ratificar o fato de que algumas regiões em nosso país sofrem com inchaço demográfico enquanto outras vivem um vazio demográfico; caso das regiões Sudeste e Norte, respectivamente. 

Neste caso, a saída para resolver este problema de concentração populacional seria diversificar e desconcentrar a economia de nosso país, que se centraliza na região centro-sul. Este processo até já vem ocorrendo, timidamente, desde a década de 70, com a desconcentração industrial que vem acontecendo em nosso país tanto para "áreas novas" como para as regiões norte e nordeste, quanto para "áreas novas dentro de lugares antigos" como o interior dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo. 

Motivado pelas buscas das empresas em reduzir os custos, algumas deixam os grande centros por conta dos altos impostos, da força sindical exercida sobre eles nos grandes centros, pela procura por uma mão-de-obra mais barata, mas, principalmente, por conta da "guerra-fiscal" que ocorre entre estados ou municípios do país. Esta "guerra" consiste na atração de indústrias através de incentivos fiscais que podem ir desde descontos em impostos até a isenção completa deles por parte dos governos. 

Fato é que a nossa população vem se reduzindo e nossas cidades encolhendo. Pesquisas como esta se mostram importantes pois servem para nortear as políticas públicas em relação a população para o futuro, principalmente se essa condição se mantiver e chegarmos a evoluir para uma população predominantemente idosa; o que exigirá do governo campanhas de incentivo ao aumento da taxa de natalidade, além de refletir em preocupações com a previdência social e com a disponibilidade de mão-de-obra no país. 


Com informações do G1.com.br

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