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segunda-feira, 23 de setembro de 2013

E Dilma disse não...

Já era mais do que esperado que Dilma cancelasse sua visita ao Tio San por conta dos episódios de espionagem envolvendo ambos os países... 

Sob o auto título de "polícia do mundo" não é de hoje, muito menos acabará aqui, esse ímpeto em fiscalizar a postura alheia que os Estados Unidos possuem. 

O maior exemplo desta postura tem sido o continente americano, mais especificamente a América Latina... 

Bloqueio econômico a Cuba, Invasão de Granada, Invasão ao Panamá, Guantánamo, financiamento de ditaduras, onde nós - e o Chile - fomos um bom exemplo disso...

Isso sem contar as intervenções pelo mundo a fora como Hiroshima e Nagasaki, Vietnã, Afeganistão, Iraque...  

Fato é que a intervenção mais recente foi o caso de espionagem descoberto onde políticos brasileiros, inclusive a nossa presidente, foram vítimas. 

O episódio causou desconforto entre os dois governos e Dilma cancelou a visita que faria, em um sinal de que nossa diplomacia vem sendo um exemplo há anos, embora a mesma não pode ser confundida com omissão... 

Desde os tempos de Lula, o Brasil vem tendo uma postura diplomática elogiável em se tratando de relações internacionais, mediando até tensões geopolíticas internacionais. 

Mais uma vez nos vemos nesta situação onde o Tio San insiste em nos tratar como mais um país em seu quintal, algo que deixamos de ser, em certa medida, faz tempo...

De olho nesta situação, Dilma já vem pensando em como se proteger desses ataques como a criação de um sistema de e-mails próprio e o "isolamento" da internet brasileira. Embora as medidas tenham suas críticas Dilma parece querer resolver este mal-estar entre as duas nações com mais um banho de diplomacia no Tio San.  

Com isso mostramos uma resposta, a meu ver, bem digna e altamente diplomática neste caso (praticamente um tapa de luva) que pode ou não surtir seus efeitos... Fato é que temos sim a capacidade de mostrarmos que não somos mais o quintal norte-americano. Não só o Brasil como outros países latino americanos também... 

Aliás isso já foi tão bem feito com a ALCA na década passada, pelos países da América do Sul que repetir a dose não seria nada ruim.... 

Por falar nisso... O quão decepcionante está sendo esse mandato do Obama, não?

A prepotência é própria dos impérios, desfaçatez e hipocrisia também. Se me ocorrem os Estados Unidos, me vêm à mente os pais fundadores e sua Constituição pioneira, Lincoln, Roosevelt, Martin Luther King. E logo sobrevêm invasões e guerras, destruição e morte em nome dos interesses imperiais. A Doutrina Monroe e a inquisição macarthista. Hiroshima e Nagasaki. O ataque à Baía dos Porcos, Granada, Panamá, os golpes latino-americanos, em primeiro lugar o nosso, de 1964. A CIA, a DEA. Abu Ghraib e Guantánamo. O diabo a quatro, sem contar os barões ladrões e os inventores do neoliberalismo. Etc. etc.
É um nunca acabar de desmandos e violência, de opressão e crimes contra a humanidade, perpetrados à sombra da pretensa bandeira da liberdade e da democracia, como se os EUA fossem avalistas da boa conduta do mundo. Não há novidade neste comportamento, os impérios anteriores ao americano agiram da mesma maneira, e alguns duraram séculos e séculos. Não parece ser este o destino de Tio Sam, de sorte que não falta quem lhe puxe a barbicha.
O Brasil figurou, com o destaque devido à sua potencialidade e ao seu tamanho, no quintal dos Estados Unidos, ou seja, a América Latina em bloco. Assim foi desde que os ingleses deixaram de dar as cartas a cavaleiro dos séculos XIX e XX. Dispenso maiores comentários sobre a participação americana no golpe que derrubou Jango Goulart democraticamente eleito e o papel que no episódio desempenharam a CIA e o embaixador Lincoln Gordon.
Os governos pós-ditadura foram súcubos das imposições do “grande irmão do Norte”, política e economicamente, e neste campo o FMI deitou e rolou. Houve o estertor da moratória de 1987, mal administrada ao sabor das veleidades sarneysistas, e, ao cabo, a subserviência do governo de Fernando Henrique, que tanto apreciava cair nos braços de Bill Clinton e chegou a sonhar com a privatização da Petrobras. Até agora FHC, com imbatível candura, diz desconhecer qualquer gênero de espionagem americana no Brasil.

Tudo muda com o governo Lula, por meio de uma política exterior independente, conduzida pelo chanceler Celso Amorim, capaz de se evadir da rede ardilosa do chamado “Consenso de Washington” e de tomar rumos próprios. A linha é clara, altiva na medida certa e sempre elegante. Uma aula de diplomacia sutil e eficaz. Em quadrantes diversos, Lula não se alinha às conveniências americanas, quando não simplesmente as transpõe, para os habituais desconforto e repulsa da mídia nativa.

Com a chegada de Dilma Rousseff à Presidência, a política exterior passa por uma fase menos nítida, diria mesmo morna. Alcançamos os dias de hoje. Prepara-se uma viagem da presidenta a Washington, em visita oficial e solene. E então, revelada a espionagem americana nas entranhas governistas ao ponto de monitorar os movimentos da própria Dilma, o encontro com Obama é sumariamente cancelado.
Tão ofensiva à soberania brasileira foi a operação, que a mídia nativa se viu forçada a considerar devida a reação do governo. Mesmo assim, cuidou de minimizar a atitude presidencial, enquanto destacava a observação de Aécio Neves, de que aquela não passa de marketing político. Aécio faz sua lição de casa. É óbvio, no entanto, que ações de forte repercussão popular aproveitam politicamente a quem as realiza.
Resta a verdade factual, como de hábito omitida, ou desprezada, pelos editorialistas midiáticos. Quanto ao leitor atento, não se deixe enganar pela ideia de que a decisão de Dilma teve, de alguma forma, o beneplácito de Washington, a ponto de provocar a publicação de comunicados conjuntos. De fato, ambos coincidem no anúncio do cancelamento da visita, diferem, porém, na essência.
Até o mundo mineral percebe que para Tio Sam a questão precipita um revés político diante do país mais importante do quintal de um antanho superado. E tem mais, muito mais, o malogro de transação comercial pouco inferior a 10 bilhões de dólares, pela qual o Brasil adquiriria os caças da Boeing que o balconista Obama esperava vender à visitante brasileira em lugar dos Dassault negociados há tempo.
Uma personalidade brasileira voltada aos interesses do País recentemente me dizia: “Não quero entrar no mérito da qualidade dos dois caças, mas é bom que os Estados Unidos não mandem por aqui”.





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