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quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Invasão a Síria: algumas considerações

Extraído originalmente da Revista Diálogos do Sul.


A bola da vez na tensão geopolítica é a Síria, principalmente por conta do ataque que vitimou centenas de pessoas e onde foi utilizado uma arma química. 

Um país onde a onda da "primavera árabe" não bateu como "deveria", Bashar al-Assad ainda a frente do país é acusado por ter sido o responsável pelo ataque químico que vitimou pessoas inocentes... Só que nessa história, alguns fatos precisam ser mencionados, pois algo não está batendo... 

  • A área onde ocorreu o ataque é largamente dominada pelo governo de al-Assad; algo que não justificaria tamanha desproporcionalidade em sua ação. 
  • O mundo inteiro estava de olho nele mesmo antes desse episódio, já que ele resistiu a onda da "primavera árabe" e ainda se mantém no poder. Realizar uma prática assim daria mais motivo, como está dando, para que haja uma intervenção em seu governo, principalmente da "polícia do mundo" (como já fora auto-intitulada uma vez a nação pelo presidente acima representada). 
  • Apesar de os fatos atestarem "a favor" de al-Assad a História já provou que governos ditatoriais são capazes de fazer insanidades... 
Fato é que governo ou força rebelde (financiada pelos EUA, aproveitando a deixa), há muito ainda o que se apurar sobre esse ataque covarde para se chegar a uma decisão sobre esta questão. 

Outros pontos me chamam a atenção, mas de forma negativa nessa história (visto que para mim os pontos acima são questionamentos e me levam apenas a especular, nada além.) 

Bush filho invadiu o Iraque do então Saddam alegando a existência de armas químicas no país, algo que não ficou provado nem quando o mesmo foi levado à forca, como não está até hoje... 

Obama diz ter provas de que o governo sírio usou armas químicas no ataque ocorrido, embora nenhuma delas tenha sido apresentada, e anda sempre ventilando por aí a possibilidade de um ataque aéreo a Síria. (É... Qualquer coincidência não é mera semelhança, lamentavelmente...) É como se fosse um re-make onde vemos um presidente diferente cometer erros parecidos aos de seu antecessor (não que eu defenda o regime de al-Saad ou defendesse o de Saddam; não defendo nenhum dos dois) sendo que em sua campanha foi firmemente veiculado que isso não se repetiria  sendo posteriormente celebrado com a retirada de tropas do Afeganistão... 

Cabe aqui a ressalva de que Obama "ataca em duas frentes", ou seja, ele também está tentando a via diplomática da situação, principalmente depois da proposta russa feita esta semana. 

Me impressiona, negativamente também, a posição da França no meio desta situação, mais pelo seu presidente do que pela posição "do país em si". 

Quando foi eleito, François Hollande surgiu como uma nova esperança para os tempos um tanto sombrios que a França viveu na época do Sarkozy, principalmente se você é um imigrante na França, embora ele seja filho de um. Enfim, Hollande era uma nova esperança ao povo francês que preferiu um presidente mais a esquerda do que seu antecessor. 

Sinônimo de mudança na França, Hollande vem se mostrando um desapontamento para os franceses, principalmente depois que sem nem piscar apoiou os EUA numa possível invasão a Síria, embora agora já ande recuando dessa decisão. Contudo, isso não apaga o pesar de um presidente que vendia ares de mudança e renovação, mas que parece seguir, pelo menos em certo ponto os passos de seu antecessor... 

Curioso ver como os atuais presidentes cometem os mesmos erros de seus antecessores e que foram criticados por eles mesmos em suas campanhas... 

Mas, voltando ao ponto principal desta postagem, ainda é uma incógnita sobre de onde partiu o ataque covarde que vitimou milhares de pessoas e exatamente este ponto, torna ainda mais tensa a situação entre os países envolvidos... 


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