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terça-feira, 15 de março de 2016

Quando a questão migratória na UE passa a virar moeda de troca entre o bloco e a Turquia

Na semana passada, fiz um post sobre o acordo entre a UE, a Turquia e a questão migratória dentro do bloco, aliás o maior fluxo migratório desde a segunda guerra mundial.

Ao que tudo indica, nos próximos dias, o acordo definitivo entre as partes será divulgado e, segundo o ministro europeu, "os dias de migração ilegal para a Europa estão contados". 

Otimismos fingidos à parte, o acordo foi uma bela moeda de troca dos turcos junto ao bloco que agora se veem mais pertos do que nunca de realizar um sonho antigo: a sua entrada na UE. 

Dentre os pontos do acordo que será divulgado nos próximos dois dias destacam-se:

  • A extradição para a Turquia, dos imigrantes ilegais que entrarem na Europa vindos da Grécia e da própria Turquia; com custos bancados pela UE.
  • Acelerar a isenção de vistos para os turcos entrarem em todos os países membros do bloco até o meio deste ano.
  • "um pra lá, um pra cá": cada sírio acolhido na Turquia será "trocado" por um sírio acolhido por um estado-membro da UE.
  • Acelerar a entrada na Turquia na UE.
  • Aumentar a cooperação da UE com a Turquia para acolhimento dos refugiados.

Como podemos ver nos pontos estabelecidos, ficou claro que essa questão migratória virou moeda de troca entre o bloco e o país candidato a membro. Se por um lado a Turquia conseguiu acelerar seu processo de entrada no bloco, transformando um histórico não, num possível sim em questão de tempo; a UE, por sua vez, consegue amenizar a questão migratória não só aumentando o controle sobre uma das principais portas de entrada para o bloco, como também deixando o problema "fora da casinha", já que a Turquia ainda não é membro.


Claro que nem tudo é visto com bons olhos, pois esse acordo pode gerar uma extradição em massa da UE para a Turquia, o que, se configurado, é proibido por lei através de acordos assinados pelos próprio bloco. 

Soma-se a isso uma certa resistência interna em acolhimento àqueles que pediram asilo político dentro do bloco, especialmente por parte da Inglaterra (novidade...) que já se pronunciou contra essa política. 

Em princípio, isso é o que se sabe sobre o acordo que deve ser divulgado em sua totalidade nos próximos dois dias. Mesmo assim, fica nítida a impressão de que ambos usaram os refugiados como moeda de troca para atender seus interesses. Temos então mais um exemplo de como a humanidade pode ser tão perversa...


Com informações do RFI.  

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