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segunda-feira, 29 de março de 2010

Ajuda Humanitária x Recuperação

Como dito aqui em post anterior o Haiti vive seu dilema pois as "ajudas" que vem recebendo dos demais países sempre vem com um acordo por debaixo dos panos. Algo como: eu construo um hospital e em troca o Haiti libera o mercado de arroz ao meu país - o que logicamente quebrará os produtores nativos já que o arroz chegará ao mercado mais barato por conta desse acordo para o novo hospital -. Talvez esse fato explique porque o país vem recebendo tanta ajuda para reconstrução e quase nada em ajuda humanitária, que é o que o Haiti mais necessita.



NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - Enquanto países doadores são convidados a aumentarem suas contribuições à reconstrução do Haiti, funcionários da ONU alertam para a necessidade de atender também às necessidades humanitárias urgentes, que podem ser agravadas com a chegada da temporada de furacões no país.

Na quarta-feira, em Nova York, a ONU fará uma reunião na qual pretende angariar pelo menos 3,8 bilhões de dólares para a recuperação do Haiti. Mas o apelo da entidade por uma ajuda humanitária de 1,4 bilhão de dólares ainda está 52 por cento aquém da meta.

Logo depois do terremoto de 12 de janeiro no Haiti, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) da ONU fez um apelo por doações de 575 milhões de dólares em um mês. Quando a cifra foi duplicada, as doações começaram a escassear.

"Talvez a extensão do apelo-relâmpago tenha ficado um pouco apertada pelo fato de que esta conferência -com um grande pedido para a recuperação - está chegando, então talvez os doadores tenham se segurado um pouco", disse Helen Clark, diretora do Programa de Desenvolvimento da ONU.

"Obviamente esta reconstrução de médio e longo prazo é incrivelmente importante, mas (...) se não resolvermos também o lado do auxílio humanitário você não terá os fundamentos para uma recuperação bem sucedida em um prazo mais longo", disse ela em entrevista coletiva

O terremoto do Haiti matou até 300 mil pessoas e, segundo alguns especialistas, foi o pior desastre natural do mundo em tempos modernos. O país, que já era o mais pobre das Américas, teve sua economia dizimada, e ainda há mais de 1 milhão de desabrigados.

"Não deveríamos pensar que a crise humanitária acabou. A temporada de chuva e de furacões vai começar logo", disse Edmond Mulet, chefe-interino da missão da ONU no Haiti.

"Isso pode levar centenas de milhares de haitianos que agora vivem em tendas - algumas feitas de paus e cartolinas - a novamente perderem tudo", disse ele. "Há vidas em jogo; precisamos construir urgentemente mais abrigos duráveis."

Ele também disse que é preciso fornecer mais proteção a populações vulneráveis nos acampamentos, como mulheres e crianças. "Mas o tempo e o dinheiro estão se esgotando", acrescentou.

De acordo com ele, a violência também está aumentando, e há um aumento nos casos de ferimentos a bala relatados pelo Hospital Nacional, pelo necrotério e pela ONG Médicos Sem Fronteiras. Mulet disse ainda que há um aumento na violência sexual.

Lembrando que milhares de bandidos fugiram de cadeias destruídas pelo terremoto, ele disse: "Agora eles estão nas ruas, então (a força da ONU) tem de começar tudo do zero outra vez."


Extraído de msn.com.br

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